"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Nossos filhos não são nossos.



Não tenho nenhum problema em repetir que creio que família é projeto de Deus (Gn 2.24) ainda que os livros proféticos façam flagrante alusão à violação dos princípios dentro das famílias, tornando-as disfuncionais.

Minha gente boa de Deus: família é algo sagrado!
Não se pode fazer de conta que não se entende. Não se pode fazer vista grossa. Não pode simplesmente passar despercebido que o primeiro milagre de Jesus acontece em uma festa de casamento. (Jo 2:1.11); que o livro de Atos menciona o lar como local de adoração (2.46 – 12.12); que as epístolas estão recheadas de ensinamentos relativos à família e que até mesmo Apocalipse traz sua mensagem para o lar (3.20)

Ou seja:

A Bíblia nos aponta que a instrução paterna, através do próprio testemunho de vida centrado em Cristo, é essencial para que os filhos tenham uma vida saudável em todos os aspectos.

Ora, é do lar que nascem os filhos, os filhos dos filhos e outras gerações. E assim, sucessivamente...

Não é à toa que uma das características que distingue os judeus de outros povos da Bíblia é o valor que dão aos filhos. Eles aprenderam bem a irrestrita proibição de Javé de sacrificar os filhos (Dt 12:31.32) e a importância de ensiná-los a amar e a servir a Deus (Dt 6:7.9)

Jesus reagiu com indignação à posição dos discípulos ao negarem o valor das crianças no Reino (Mc 10:13.16) e foi mais longe ainda ao afirmar que é melhor que morram os que fizerem tropeçar uma criança. (Mc 9.42) E, considerando ainda as figuras de linguagem, o que Ele nos ensina claramente é que tornar-se como uma criança é o segredo da conversão. Daí o convite para as crianças virem a Ele.

Os filhos são bênçãos de Deus. O Salmo 128 costuma ser chamado de “Salmo do Construtor”, porque, para o israelita, o lar era uma oportunidade de realizar a tarefa sagrada de construir filhos e filhas. Essa imagem é mostrada na própria língua hebraica (banah, lit. construir; ben, “filho”; bat, “filha”). Esse conceito retrata com clareza o que o Criador tinha em mente, pois os pais devem empenhar-se em construir os filhos – exibindo diante deles os fundamentos da fé por meio de uma vida cristã genuína, honrando a Jesus, alimentando-os e envolvendo-os com oração, refinando-os com o ensino da Palavra de Deus. Assim, se bem construídos no Senhor, esses filhos também se tornarão construtores de filhos e filhas, espalhando a semente santa às gerações.

As crianças são, pois, o fruto mais valioso do Reino. Em geral, elas são sensíveis e dóceis – abertas para o Evangelho. São fortes e cheias de vida em potencial, com anos de serviço à frente para dedicar ao Reino. As crianças são parte da herança que Deus dá. (Sl 127:3.5) Quando nós as desvalorizamos estamos indo contra o próprio Todo-Poderoso.

A questão foi e será sempre a alteração: os acréscimos e as diminuições, como bem alertou o Senhor por meio dos profetas no início, e depois, o próprio Jesus o fazendo com veemência: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. As pitadas de esquizofrenia sutil e gradativa que pais e familiares colocaram com suas doutrinas esdrúxulas foi dando um nó na cabeça das crianças à medida que elas foram crescendo, passando na adolescência por terríveis conflitos; mais tarde, a vida adulta as levou a extremos que vão do fanatismo à zombaria, da inflexibilidade fundamentalista ao cinismo triste do pseudo-ateu, todos montando (e matando) um deus conforme suas próprias alucinações.

Entretanto, nunca é tarde para entender, que esses mesmos filhos adultos um dia terão uma segunda chance de reeditar sua própria conduta; que é grande bênção do Senhor a chance de reaprendizagem ao conduzir os próprios filhos, ensinando-os a viver uma vida cristã pela Palavra e pelo exemplo.

Ou seja, se continuamos insistindo com as tais gambiarras só dá em curto-circuito, em separações, em zombarias... Ora, quem disse ou deixou de dizer, quem fez ou deixou de fazer, não importa. Importa que preguemos o Reino dos Céus a esses pequeninos que não nos pertencem mas são de nossa inteira responsabilidade. Apeguemo-nos, portanto, a essa segunda chance que Deus nos dá de GRAÇA!

Como diz Gibran, em O Profeta:

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.”



(Inspirada em meu cotidiano, comentários últimos he he e em fragmentos de textos incluídos em “A Bíblia da Mulher” –EMC-SBB)



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16 comentários:

João Carlos disse...

Poxa bispa,

Como as coisas estão acontecendo sincronizadas!

Ao mesmo tempo que você estava gerando este texto eu estava no msn com minha ex esposa.

Falávamos de como foi as festas de final de ano na cidade natal dela, junto a minha "ex-família" (digo ex entre aspas pois sobrinho continua sobrinho, cunhado continua cunhado, sogra continua sogra, ao menos na consideração).

Eu saí de lá a mais de três anos, mas eu era uma espécie de alicerce espiritual. Era quem pegava todo mundo pra orar antes de começar a ceia de Natal, aconselhava os casais briguentos, os sobrinhos, etc.

Ela me disse que tudo agora está um caos. Praticamente todos os casais se desfizeram, os filhos (meus sobrinhos) estão rebeldes devido a falta de um referencial, cada um seguindo pelo caminho que quer seguir, sem que ninguém tenha autoridade específica sobre eles.

Ela também me disse que ela, que antes era considerada a tia referencial, agora é a tia chata.

Na hora eu pensei: "Também, a tia que era uma referência se separou do tio que todo mundo considerava meio que como pai, conselheiro..."

Falo isso com tristeza. A família realmente é sagrada. Por esta razão é onde o diabo bate mais pesado, pois o imundo sabe que se ele conseguir minar as estruturas da família, nem que seja por uma pequena rachadura, a casa literalmente cai toda.

Lamento e oro, pois são todos muito amados...

René disse...

Rê,

Isto é uma exortação! E das melhores! E das mais necessárias, neste momento da Igreja! Mesmo o seu tom conciliador e amável não consegue ocultar isto.

A Igreja tem toda essa recomendação, na Palavra, no entanto, insiste em considerar as crianças como seres inventados, que só tem futuro, não presente, à parte de todo o ensino que a Igreja recebe diariamente do Senhor.

Gosto de lembrar do avivamento que houve no tempo do profeta Joel: "Reúnam o povo, consagrem a assembléia; ajuntem os anciãos, reúnam AS CRIANÇAS, ATÉ AQUELAS QUE MAMAM NO PEITO. Até os recém-casados devem deixar os seus aposentos" (Jl 2.16).

Grande abraço e continue na Paz!

disse...

Meu Deus mana que verdade, pois os pais devem empenhar-se em construir os filhos – exibindo diante deles os fundamentos da fé por meio de uma vida cristã genuína, honrando a Jesus, alimentando-os e envolvendo-os com oração, refinando-os com o ensino da Palavra de Deus.

Maravilhoso.Por isso acho que temos que reforçar os ensinamentos a eles, ainda mais agora, estes dias terríveis que estamos vivendo, pois se ensinarmos bem não mudarão mesmo que aprendam errado na rua, ou na escola, pois é muito triste o que querem fazer com nossas crianças,nossos filhos,querem destruir tudo que ensinamos, querem as fazer tropeçar. Muito pertinente seu texto para o momento em que estamos vivendo. Paz mana!

Wendel Bernardes disse...

Depois de tomar um 'cacete baiano' da Valéria, acabo de tomar outro por aqui...
srrsrs

Beijão Rê!

Casal 20 disse...

Querida Regina, saí correndo de dentro da piscina de água quente só para poder ler esse maravilhoso post.

Parabéns!

Hoje mesmo, fui surpreendido pelo meu sobrinho dizendo que "nunca passou por um pai". Parei e percebi que o pai dele saiu de casa muito cedo, quando esse meu sobrinho ainda era um criancinha. Foi aí que me dei conta que eu também não passei por um pai. O meu morreu há cinco dias do meu aniversário de 9 anos de idade. Minha mãe foi, então, nas próprias palavras dela, uma "pãe".

Olho as minhas duas filhas e sei da grande oportunidade que tenho. Criá-las no Evangelho é um privilégio que eu mesmo não tive, privilégio e responsabilidade.

Preciso depender totalmente da Graça com minhas princesinhas.

Deus é maravilhoso: família é bom demais!

Abraços, Regina.

Cláudio Nunes Horácio disse...

Oi Rê, excelente texto. Bj

Rita disse...

Paz,
Amei essa postagem,verdades inegáveis.
Temos que ensinar com amor o que o amor do Pai nos revela e como somos abençoados por esse grandioso Deus.
Os filhos não nos pertencem,e sim ao Senhor,mas nós somos seus mestres na arte de ensinar quem é o verdadeiro Mestre e Senhor de nossas vidas.
Paz e bom dia!!

Regina Farias disse...

Pastor JC.
Esse lance da sincronia é a antiga, boa e agradável história do Vento que sopra onde quer e como quer...

Quanto à disfunção familiar, nunca é tarde para se retomar o caminho. É apenas uma questão de escolha, o senhor bem sabe. E a gente lamenta, se entristece, mas segue em frente com a consciência em paz.

abs,

R.

Regina Farias disse...

Apóstolo Renê, (Que não é o TN rss)

Veja você!

Até os recém-casados! Isso é o que eu chamo de curso preparatório. :)

Ósculos santos (como diria a sacerdotiza Dri)

R.

Regina Farias disse...

Rô,

Você que ainda tem filhos adolescentes então, é que deve mesmo ficar bem atenta, pois apesar de nossas falhas como ser humano, somos mães responsáveis e amorosas.

Depois de adulto, minha querida, aí eles vão fazer suas próprias escolhas, mas temos a certeza de que construímos uma base sólida.

Beijos,

Rê.

Regina Farias disse...

Wendel,

Então...

Enquanto eles são pequenos, curta-os bastante, pois eles crescem muito rápido! E tomam seus próprios rumos.

Um dia desses eu tinha quatro bebês...

beijos,

Rê.

Regina Farias disse...

Casal 20

É triste quando o pai sai de casa. Na verdade não sei se é mais lamentável isso, do que crescer sem pai, como no seu caso.
Em ambos os casos, no entanto, a mãe sendo temente a Deus - e não digo religiosa, mas sábia - contribuirá para aliviar essa ausência dolorosa como bem sei que foi o caso da sua mãe, Fábio.

Você disse bem:
Só mesmo dependendo da Graça para exercer essa função dada por Deus.

E saiam dessa piscina estressante afe! (risos)

Beijos!

Rê.

Regina Farias disse...

Cláudio,

Brigadinha, preciso muito falar sobre esses temas. É minha obrigação.

beijos,

Rê.

Regina Farias disse...

Então, Rita.

Às vezes os filhos já grandinhos, nos comportamos como se fossem de colo e propriedade nossa.

Nem eles pequenos devemos agir assim com esse sentimento de posse, mas de zelo e responsabilidade.

Amor é uma coisa, apego é outra.

Beijos,

Rê.

Regina Farias disse...

Rô, falha minha rss
Sei que você tem duas garotas.Lindas, por sinal!
Sou euzinha, que só tive filho homem, que às vezes me atrapalho rss

besos,

R.

CARLOS HERRERA disse...

Belo texto Regina...
tô com Wendel...doeu aqui rss
valeu pelas visitas feita ao cativos..