"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quebrei meu pé


Quebrei meu pé na quarta passada.
Minha perna direita falhou no momento em que eu descia a escada do cursinho que faço à noite. Foi um baque grande. A escada é daquelas em zig zag, que desce metade indo metade vindo. Na primeira metade da descida eu torci o tornozelo e fui rolando e tentando me segurar de qualquer forma. Parecia uma aranha. Na segunda parte da escada, chegando ao térreo, consegui me equilibrar e fui disfarçando para uma galera que quase viu a cena típica de vídeo cacetada. Mas eles ouviram.
Um senhor - zelador do prédio – aproximou-se e me perguntou se eu estava bem. Eu, morrendo de vergonha e tentando esconder a dor, respondi que não tinha sido nada. Por dentro eu berrava dez vezes mais alto do que o grito que dei quando o Sport foi campeão da copa do Brasil de 2008. Dois ou três curiosos ficavam olhando, sem saber se riam ou se me perguntavam se estava tudo legal.
Minha sorte é que não foi no intervalo. Todas as turmas estavam no meio da primeira aula. Passou batido. Eu saí daquela área caminhando normal, com uma dor da “pilôra”, mas num momento artístico até então desconhecido por mim, interpretando um personagem fisicamente são. Quando dobrei lá na frente saí mancando no estilo 29, 30, 29, 30, 29, 30.
Dia seguinte: médico. Cinco dias sem pisar no chão, em consequência, sem sair do quarto.  Fratura na diáfise da fíbula na sua porção proximal encoberta pelos músculos peroneiros até o seu 1/3 distal, palpável como o maléolo lateral (vi no Google).
Primeiro dia, pensei: Uns dias de folga são sempre bem vindos. MSN, filmes, acordar tarde, dormir à tarde, e por aí vai. No segundo dia comecei a ver como o mundo gira rápido. Ninguém tem tempo para nada. Uns vem, outros vão. Estão todos ocupados. Menos eu. A vida é uma loucura! Fui para o MSN, “impregnar” um pouquinho. Até ali encontro ocupados! Tem uma turma que entra no MSN, mas com o status de ‘ocupado’. Não sei para que entrar.
Ao findar o dia aqui em casa todos se retiraram para os seus devidos quartos, mas eu, sem um pingo de sono, fico feito “siri na lata”. Energia acumulada. Neste dia fui dormir umas quatro horas da manhã, sem fazer nada. Tentei ler, estudar, mas não conseguia me concentrar. Vinha em um ritmo, uma velocidade louca e parei de repente. Entrei em um fuso doido.
Terceiro dia: barba já grande. A minha cresce um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Fica esquisito. Mas não raspei, ficou uma beleza. Minha namorada – quase esposa – se assusta toda vez que olha. Deve pensar: o bichinho, já não basta o pé quebrado. To precisando cortar o cabelo também, mas só quando o médico liberar. Lembro-me de outra vez que tive que ficar mais tempo em casa - cirurgia no joelho - um amigo que estava começando no ramo de cabeleireiro se ofereceu para cortar o meu cabelo, que já estava parecendo com o de Bob Marley. Quando ele terminou ficou parecendo o de Bob Esponja, tudo quadrado. Mas foi de coração. Dessa vez usarei um boné e quando puder irei ao salão. Nem gosto muito de cortar. No Exército o meu apelido era ‘cabeleira’.  Sempre atrasava na hora de cortar, ficava por último. Todos quase carecas e eu com aquela cabeleira, segurando até receber uma bronca.
Quarto dia: não aguentava mais olhar para o computador nem para a TV. Sentei em uma cadeira com rodinhas e fui empurrando com o “pé bom” até a cozinha. Abri a porta da geladeira por uns segundos, só para pensar. Depois voltei para o quarto. Como os detalhes são importantes. Passei o resto do dia mais animado com esta saída.
Tenho muitos amigos – eu acho – mas não recebi nenhuma visita. Os afazeres são muitos por aí. Nem parentes apareceram. Recebi algumas ligações, alguns deixaram recados no MSN. Não tenho Orkut, mas se tivesse seriam scraps. A minha namorada tem me dado a maior força, e muitos beijos também. Mas a minha mãe tem o dom. Paciência sem fim. Aguentar doente não é mole. Quando alguém da família adoece ou é internada em um hospital ela logo se oferece para ajudar. Não conheço ninguém que faria isso melhor. Além dos bons conselhos, conversas descontraídas e construtivas, a sua atenção e amor dedicados não têm preço. Com os netos, o cuidado é o de uma mãe (até maior, às vezes).
Quando fui me adaptando ao ritmo mais lento da vida de licenciado comecei a ter boas ideias; pensar com calma sobre muita coisa que acredito, coisas que fazem meu coração arder. Pedi ajuda de Deus e fui atendido. Descobri novos projetos, que são viáveis e que cabem na minha realidade, contatei algumas pessoas, acertei algumas coisas.
No meio da tempestade encontrei um propósito. Meu coração está cheio de alegria. Então aí vai um conselho: entre no ritmo, peça ajuda a Deus, tenha paciência e encha o seu coração de alegria.
Escrito há mais de dois anos por meu filho, Leonardo A.F.Rocha

Jr, Leo, Rico e Beto, meus filhotes, meu tesouro

10 comentários:

disse...

Lindo seu filho, que bom ter bom humor em meio a tempestades. Ele parece contigo né?? Muito legal.Bjs!

René disse...

Rê,

É interessante como Deus age: nos leva a uma situação difícil, desconfortável, às vezes bastante ruim, só pra bater um papo com a gente. Aí, se chega à conclusão que o Leo chegou nessa ocasião: que Deus está ali com a gente, só esperando que se fale com Ele, pra Ele poder encher o nosso coração de alegria com o entendimento e o desfrutar da Sua companhia. Toda aquela situação ruim serve pra nossa edificação e pro nosso consolo. Que maravilha!!!

Gostaria que aquelas pessoas que sempre vêem essas situações da vida como conseqüência de pecado, ou de falta de fé, pudessem compreender que esta é a forma do Senhor nos chamar a mais intimidade, porque é a única forma de nos fazer olhar pra Ele, ao invés de olhar pro nosso umbigo.

E a mamãe bispa deve ter ficado toda feliz com os elogios do filhote, não?

Paz!

Adriana disse...

Mudar a rotina e se permitir se mudado.
Crescemos assim, não é legal?

Eu acho.

Casal 20 disse...

Verdade... nada melhor do que uma paradinha no ritmo. Não precisei quebrar a perna, mas um dia "quebrei a cara" e descobri que muitas das minhas atitudes, bandeiras e crenças não coadunavam com a minha fé cristã. Logo apareceram novos amigos, outros contatos, novos projetos, outras leituras... Enfim, uma lufada de ar novo do Espírito Santo nos quartos viciados e desavisados de minha consciência cauterizada pela cultura pseudo-cristã que nos rodeia.

São tempos de Deus, presentes para reavaliar a caminhada.

E, hoje, como seu filho está?

Abraços sempre afetuosos.

PS - Estamos em contagem regressaiva para o fim de nossas férias: lá pelo dia 20 abandono essas águas quentes antes que cozinhe de vez (rsrsrsrsrs).

Regina Farias disse...

Gente,

Obrigada pelos comentários...

Meu carinho, sempre.

Rê.

Alan Capriles disse...

Oi, Rê!

Que susto! Pensei que vc tivesse mesmo quebrado o pé. Só quando cheguei na parte da leitura em que fala da barba crescendo foi que busquei o rodapé pra ver de quem era o texto! Kkkk

Ainda bem que isso já foi a bastante tempo. Espero que seu filho tenha tido uma perfeita recuperação. Aliás, ele escreve muito bem! Frases curtas,inteligentes e uma pitada de humor. Ele é escritor? Se não, deveria tentar publicar algo. Tem talento pra isso.

Parabéns pelo blog!
Deus lhe abençoe cada dia mais!

João Carlos disse...

Bispa,

No começo pensei que tinha sido com você tadinha!

Que bom que foi algo que aconteceu faz tempo...

Gostei do texto, o filhote também é blogueiro?

Beijos

JC

Regina Farias disse...

Não tem jeito, eu quero dar um tempo em comentários rss mas não posso JAMAIS deixar de interagir com essa gente tão querida. (Até porque uns já se tornaram amigos tão legais que nos correspondemos por e-mail, quem sabe logo por telefone e depois pessoalmente).

Então, lá vai:

Rô, minha linda: que bom que você percebe que é esse bom humor em meio às tempestades que faz toda a diferença.

René: sei que vc também sabe que esse bate papo em um "local" diferente do nosso umbigo rss é tão claro e lúcido, que só mesmo quem passa sabe definir.

Dri, minha sacerdotisa preferida: também só vejo crescimento assim. Sair da rotina e se permitir mudar, palavras chave.

Casal 20: não que essa paradinha em águas térmicas também não leve a reflexões... (inveja santa rss)

Pastor Alan: que alegria uma "vêizinha" na vida um comentário seu! rss Não fui euzinha mas é pior do que ter sido, pois dor no filho é dor em dobro na mãe. E ele escreve sim, escreve muuuuuito bem (mãe coruja é fogo!) deve estar "no sangue", pois o avô materno dele escrevia muito bem. e o paterno, embora não escrevesse, era muito culto e de um fino senso de humor.

J.C.: como eu disse ao pastor Alan, não foi em mim, mas sofri junto. ele já teve blog, sim, só que enjoou rápido. Este texto acima foi euzinha fuçando meu computador fixo rss e achei alguns arquivos antigos dele (abafa!) e aí escolhi este como que para amenizar a saudade que sinto dele, já que ele está passando uma temporada na casa da avó paterna. Sou uma boba, pois nesse msmo momento em que escolhia qual seria o texto mais bonito(mãe coruja é fogo, parte II) ria e chorava com fotos de eventos em família.
enfim, de vez em quando mãe de filhos adultos se pega nessa de "ai meus filhinhos tão lindinhos, cresceram tão rápido..." (Abafa, parteII)

Beijos a todos!!!

Esses dias estarei postando textos de outros porque ando atarefada. Além de estar escrevendo dois livros simultaneamente ainda estarei recebendo por uma semana, uma irmã com marido e filho, que morou longo tempo em Sampa e tá de vorta.

Beijos mil, amo vocês de montão. Até aos mais chatinhos e contraditórios he he

Fazer o quê, Deus me fez assim, para AMAR!!!

Anônimo disse...

Tia, não sabia que Léo também escrevia tão bem assim, puxou à mãe mesmo!
E concordo com ele, nunca vi ninguém se doar tanto para cuidar dos parentes adoentados (minha mãe que o diga!). Você é uma "acompanhante" tão extraordinária... Não sei se eu já te disse, mas serei eternamente grata por isso.
Amo você.
Sucesso nos projetos literários, e guarde um exemplar de cada para sua "pequena" sobrinha.
Um beijo enorme!
Beth.

Regina Farias disse...

Bethíssima!

Que prazer enooorrrme ter vc aqui.

Que papo é esse de acompanhante? afff

he he to ligada no que ce fala :)

É que eu errei de profissão, era pra ser enfermeira particular rss

E olha... tem mais textos de Léo neste mesmo blog.

Xovê se me lembro os títulos de alguns...

Bem, tem dois que me lembro agora:

'Fonte de Jacó' e 'Ali não me cabe mais'

Mas tem mais, é que num lembro agora. E ele era blogueiro mas excluiu em pouco tempo, me deu pena.

Mas sabe,eu também me surpreendo com estes filhotes... E isso vem de longe, é coisa dos 'Moreira de Farias' lá das antigas rsss

E vc, 'pequena' de quase dois metros, não fica atrás não...

Beijos intu e nessa tchurma amada das Alagoas:)

R.