"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Filhos adultos





A parábola do filho pródigo (Lc 15:11.32) nos traz ensinamentos preciosos de como lidar com filhos já crescidos. E, por meio dessa analogia que Jesus faz ao apresentar o perdão de Deus, Ele aponta um modelo de relacionamento correto entre pais e filhos adultos.

Além disso, encontramos também nesta parábola, considerações muito curiosas a respeito de quebra de certas regras. Sim, pois o exercício do amor implica em algumas flexibilidades.

Primeiro que o pai reconheceu a independência dos filhos e mesmo não concordando com a atitude do mais novo deixou que ele seguisse seu próprio rumo sem nada questionar. Embora naquela cultura não fosse comum o pai repartir os bens ele simplesmente deu-lhe a sua parte da herança e o filho se foi.

Outra coisa muito interessante  e que merece toda ênfase, foi o pai correr ao encontro do filho, porque naquela cultura um pai jamais faria aquilo. Sua alegria em ver o filho retornando era tão grande que ele esqueceu todas as regras. Para completar, o tratou como se trata um convidado especial, com todas as honrarias. A melhor roupa era sinal de posição social; o anel indicava autoridade; as sandálias eram sinal de luxo e liberdade (Os escravos andavam descalços). E, finalmente, a menção do “novilho cevado” demonstrava que era uma ocasião especial.

Quando o filho mais velho reclamou do modo como seu irmão tinha sido recebido, o pai conversou com ele de forma adulta, ao invés de exigir que ele lhe obedecesse e parasse de se comportar como se fosse ainda uma criança mimada e caprichosa que batia pé diante de todos os holofotes voltados para o outro.

Os dois filhos receberam do pai o mesmo amor incondicional e também a mesma disposição pra perdoar e esquecer tudo que passou de desagradável.

O pai os deixara à vontade para que tomassem suas próprias decisões e colhessem as consequências de suas escolhas pessoais.

Ser adulto não impede uma interdependência amorosa e respeitosa entre filhos e pais.

A ligação afetuosa que une pais e filhos não se desfaz com a idade, nem com a inevitável saída da casa paterna, e muito menos com a subsequente formação de uma nova família. Ao contrário, essa ligação é a base de um compromisso que vai desde o nascimento e se estende por toda a existência. O compromisso de estarem sempre disponíveis e de se ajudarem mutuamente nos momentos de necessidade.

Como diz o salmista:

Quando eu era filho em companhia de meu pai, tenro e único diante de minha mãe, então ele me ensinava e me dizia; retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; adquire a sabedoria, adquire o entendimento e não te esqueças das palavras da minha boca, nem delas te apartes. Não desampares a sabedoria e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá. (Pv 4:3.6)

(Adaptado)

14 comentários:

Casal 20 disse...

Regina! Bom dia!

Ontem mesmo, estava numa conversa com minha mãe e lembramos que eu saí de casa aos 14 anos de idade para fazer seminário católico em Belo Horizonte.

Ela contou como foi difícil para ela. Meu pai já havia falecido, então, ela estava ali sozinha tendo que se responsabilizar pela minha decisão. Então, me disse: "Olha, você vai, mas, caso você se arrependa, volte. As portas estão abertas. Não fique lá só por estar sem graça de voltar. Se alguma coisa der errado, não tenha vergonha de voltar".

Saí e sei que foi muito doído para ela. Mas, como ela mesma previu, voltei, voltei 5 anos depois. Tempo difícil. Muita coisa deu errado realmente, mas cresci, comi grama, verdade, muita grama, mas cresci. 5 anos depois, ela me recebeu de volta. Graças a Deus.

Regina, abraços sempre afetuosos de um filho pródigo que um dia voltou e a mãe - misericordiosa mãe - recebeu de volta.

Regina Farias disse...

Casal 20

Todo filho sabe que a casa paterna (no seu caso, a materna) é seu porto seguro. E essa segurança, essa certeza que o filho tem, não é por acaso, é projeto de Deus, está instalado em seu ser - ainda que ele não atine para isso por razões outras ocuparem sua mente - e vem lá de antes de cada um ter sido formado.

Ele sabe, como diz o texto, que ele pode formar outra estrutura familiar ou sair de casa movido pelo sentimento exacerbado ou por inúmeras outras circunstâncias, mas a casa, como espaço físico e o lar, coração escancarado e saudoso de mãe vai estar sempre à sua espera do mesmo jeito que ele deixou.

E ela com certeza vai sofrer pra caramba sua ausência (e nem tanto ausência física) mas aguarda com esperança e serenidade porque sabe que o amor está acima de todas as circunstâncias.

Fico muito feliz por você e por sua mãe, e que você tenha chegado nessa consciência do quanto essa ruptura dói literalmente o peito de uma mãe, mas quando se é muito jovem não se tem essa noção mesmo.

Estava falando dias atrás sobre coisas assim e um filho falou algo que me deixou reflexiva até agora: que Deus instituiu a Verdade e o Tempo.

Abraços

Rê.

disse...

Os pais, e principalmente as mães nunca abandonam seus filhos, sempre acolhe, mesmo que os filhos saem de casa, mesmo que eles se tornem pessoas com caráter duvidosos, ainda sim, eles nunca os abandonam, Não existe ex filho. Paz minha querida!

Casal 20 disse...

Verdade.

Minha mãe é uma lutadora.

Ainda vou escrever um livro sobre a vida dela. Cada "abacaxi" que ela já teve que descascar!

Verdade, o Tempo...

Graças a Deus pelo Tempo, pela Verdade, pelo Perdão.

Tudo isso são presentes que Deus nos deu.

Abraços, Regina.

Abraços, Rô.

João Carlos disse...

Rê...

Se eu fosse uma caixinha de promessas, teria este versículo para você:

"E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" - Romanos 8.28

É a palavra de Deus para você hoje...

Amo!

JC

Cláudio Nunes Horácio disse...

Esta parábola é tão evidente em nos mostrar que tanto o filho que se perde quanto o filho perdido estão em polos opostos de doenças graves. Samaritanos e fariseus, ambos doentes, ambos precisam de cura e restauração. Quanta atualidade numa única parábola. O Pai sim, continua sendo o mesmo e o padrão. Perfeito em Amor, compaixão, misericórdia e DESEJOSO do sucesso de seus filhos. Glórias a Ele que nos constrange, emociona e nos ama primeiro. Graça, paz e bem.

René disse...

Rê,

Nessa parábola, acho que Jesus nos mostra que é muito importante ter comunhão uns com os outros, neste caso dentro da família, independentemente do modo de ser de cada um. Os filhos são diferentes entre si, mas o pai os trata igualmente, a fim de manter a boa comunhão com eles. Isso é fruto de amor!

Bjs e muita Paz!

Adriana disse...

Fim de tarde no portaõ do Stênio é a musica da minha vida.

Como bem disse o Claudião, eu já fiz os dois papéis, incorporei personas, e Pai veio e vem com cura.

Eu preciso desta cura.

abraços e osculos santos

CARLOS HERRERA disse...

Olá Regina
Feliz Natal a vc e a toda família
Abraços

disse...

Feliz Natal minha mana querida, que o Senhor Deus e pai continue abençoando sua vida e a dos teus em Cristo Jesus para glória do seu nome. Bjs te amo!

René disse...

Rê,

Não podia deixar passar em branco esta data tão especial. Nesta data, sendo ou não, comemoramos o nascimento de Jesus. E foi por Ele que passamos a ter contato.

Como você disse, lá na Rô, e eu concordo, houve uma identificação em nossas vidas. Certamente, esta identificação foi a intimidade que temos, e que procuramos aumentar, com Jesus. Mas também há identificação em alguns detalhes que Ele forjou em nossas vidas.

Assim, creio que Ele permitiu/fez com que nos conhecêssemos, a fim de que pudéssemos compartilhar um bocado de tudo aquilo que Ele tem nos ensinado e tem forjado em nós.

Vejo que você, às vezes, passa por dificuldades (emocionais, espirituais), mas que sai delas fortalecida. Não em você mesma, mas nEle! Quem dera, não fosse necessário passar por elas, mas é e elas nos tornam pessoas melhores. Isto é uma constante, também, em minha vida.

E é exatamente essa certeza de que Ele está conosco em nossas dificuldades (agora podemos dizer que temos esta certeza), de que estará conosco ao final delas, e de que Ele tem o controle de todas as coisas, que nos uniu nessa amizade.

Quero lhe dizer que, certamente, eu saí no lucro. Ganhei uma amiga que tem me ajudado um monte na minha edificação, no meu caminhar diário. Tenho aprendido muito com você, sobre como andar no caminho da vida, que, para nós, é O Caminho, Jesus!

Por isto, agradeço muito a você e desejo que o Senhor encha o seu coração, cada dia mais, com a Sua Paz. E que Suas bênçãos aumentem sobre sua vida, até que Ele volte!

Feliz Natal, pra você e pra sua família!!

Beijo no seu coração e um abraço muito, muito grande!!!

Cláudio Nunes Horácio disse...

Passando pra te desejar um Feliz Natal! Jesus é contigo por onde fores. Beijão.

Wendel Bernardes disse...

Um dia ouvi uma canção equivocada sobre pessoas que estariam "perdidas na Casa do Pai"...

Embora eu tenha entendido o contexto ao que a música se referia, não posso concordar com a frase em sí.

Na casa do Pai ninguém se perde!!!
(aos desavizados, num tô falando de templos, ok????)
No contexto do trecho usado, a 'casa do pai' era o lugar de conforto, de proteção e segurança do Pródigo.

Hoje vivemos momentos em que não estamos nem no conforto do colo paternal (ou maternal como já foi ilustrado pelo Casal 20), nem fora dele...

Os momentos em que me refiro são os trechos de vida avessos ao que o Pai (aqui Deus) quer pra nós!
Momentos em que o pai (aqui o homem) deseja pra seus filhos queridos...

Dar liberdade aos filhos é imprescindível, viver ligado ao que o Pai quer também!

Oro sempre pra que não erre no processo de criação dos meus pequenos, me inspiro no texto do livro de Jó que cita que esse personagem orava e sacrificava por seus filhos de madrugada, pedindo perdão por seus erros, mesmo sem saber se tinham pecado contra Deus ou não!

Essa 'dor' de Jó por seus filhos me inspira a fazer um pouco mais pelos meus!

Mas sei que devemos lhes dar espaço para viver, e crer que eles sempre farão o melhor, crer que Deus sempre os guardará e será o Pai deles também, como foi com Davi e com Salomão lembra?

Uma dia disse a Deus, preocupado com meu futuro como pai, que se eu estivesse errado demais como genitor, educador e amigo, que Ele mesmo viesse assumir a paternidade dos meus...

Já perdi perdão a Deus por isso, essa responsabilidade é minha!
E crer que o melhor sempre haverá também é meu dever.

É difícil olhar pros olhinhos dos meus (como vc disse, tão expressivos, lembra?) e cogitar que um dia eles irão...

Que o exemplo do pai do filho pródigo se manifeste em mim!
Eu quero!

Regina Farias disse...

Meus amigos,
Fico muito feliz e emocionada com as palavras de vocês e também quero desejar um Feliz Natal a todos os que leem esse espaço assim como retribuir os desejos de Feliz Natal!!
Amo vocês!
bjusss
Rê.

(Estou em Natal, voltando só lá pra segunda à noite bjusssss)