"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Big Brother



O irmão do filho pródigo (Lc 15:25.32) é pior que o que pediu sua parte da herança e gastou tudo com as meretrizes. Ele é um cara frio, insensível, desprovido de amor e qualquer outro tipo de afeto. Prende-se ao cumprimento de obrigações, tem uma conduta irrepreensível aos olhos humanos, mora na casa de seu pai mas não tem nenhuma intimidade com aqueles que lá habitam; nem com seu velho, muito menos com seus irmãos.

Sobre seu pai, ele o considera um patrão bunda mole. Não o ama nem permite ser amado por ele. O mantém numa distância segura e certamente possui uma agendinha para poder anotar tudo o que acontece e que ele considera contra si para depois poder cobrá-lo na Justiça do Trabalho celestial. É um poço de amarguras e não consegue aceitar seu pai agir de forma diferente da que ele agiria. Antes seu pai agisse como ele, pois dessa forma seu irmão pagaria um alto preço por sua irresponsabilidade.

Ele prefere ficar o dia inteiro fora trabalhando do que “perder algum tempo” em comunhão com o pai e seu irmão. Quando está em casa, pode até sentar-se à mesa com eles, mas age como se estivesse em um restaurante qualquer na hora de pico, sentado ao lado de estranhos. Engole sua refeição, tira o prato e vai embora sem trocar uma palavra. Intrigados, pai e o outro irmão, o que sempre pisa na bola mas tem uma relação mais íntima que até permitiu o doidão da família pedir sua parte da grana de seu pai, trocam olhares confusos, tipo “por quê ele é assim tão carrancudo?”

Em tudo ele é invejoso. Não consegue lidar com o temperamento de seu pai, que para ele protege o irmão caçula. Sua amargura só cresce, dia após dia, ate o momento que seu irmão cai no mundo e ele silenciosamente se sente vitorioso por ver que aquele pirralho havia pisado na bola com seu pai. Em sua cabeça passou, mas certamente não falou para seu pai, que todas as suas percepções em relação ao seu irmão estavam certas. Desejou que ele morresse em terras estrangeiras, desejou que seu pai sofresse eternamente a perda de seu irmão, visando com isso manter sua posição de intocável, de perfeitinho, de fariseu dentro de casa.

No bendito dia que caiu a ficha de seu irmão, que estava pior que a mosca pousada no cocô do cavalo do bandido, e este resolveu voltar para casa de seu pai, mesmo que fosse para ser apenas um empregado a mais nas terras de seu pai, seu irmão chegou em casa e viu a festa armada. Questionou um dos servos de seu pai a respeito de toda aquela festança e recebeu a notícia do retorno do safado de seu irmão como uma punhalada nas costas.

Ele recusou-se a participar da alegria de seu pai, abriu sua agenda de anotações e cuspiu na cara de seu pai que ele nem deveria ter recebido aquele ingrato. Reclamou que todos os dias estava ao lado de seu pai, mas este nunca oferecera nem um ovo cozido para ele dividir com seus amigos, mas seu pai amavelmente o repreendeu dizendo que dentro de sua casa todos tinham o direito de abrir a geladeira, pegar de sua cerveja, sentar em sua poltrona, ler seu jornal, usar suas roupas, fazer churrasco com os amigos mas ele nunca usara deste direito.

E ele não fez isso por não ter tido oportunidade de ter comunhão. Pior ainda: Ele não o fez para poder jogar na cara de seu pai. Estranhamente dentro mas com o coração fora. Coração amargo, duro como uma pedra, cheio de malícia mas hermeticamente protegido debaixo de sua armadura de hipocrisia e falsa santidade.

O irmão do filho pródigo pode ser comparado ao fariseu no templo que se gabava na presença de Deus de sua conduta irrepreensível. Já seu irmão se chegou a seu pai como o publicano que tinha a visão correta de seu ser, um mísero pecador.

Agora vamos reconhecer quem são os irmãos dos filhos pródigos...

O irmão do filho pródigo se senta ao seu lado no banco da igreja. Possivelmente ele frequenta a mesma igreja que você desde que estava na barriga de sua mãe, ou talvez até antes, entre os milhões de espermatozóides de seu pai. Ou então se converteu e se tornou orgulhoso de sua recém conquistada santidade farisaica. Mas uma coisa é certa: Não importando o tempo de igreja, ele nunca se converteu e se incomoda profundamente quando um escória da sociedade vai à frente aos prantos receber a oração do pastor, confessa e se arrepende de seus pecados e passa a ser contado entre os filhos de Deus. Por isso que - na hora do apelo para se arrepender e ir a frente - ele pega sua bíblia gigantesca e sai da igreja, na contramão daqueles que vão à frente, passando uma imagem péssima do "amor" que aqueles recém adotados irmãos receberão na igreja...

Não querem e não são capazes de aceitar que seu Pai aceita gente que em seu conceito são piores que (aos seus próprios olhos) eles. Na verdade querem, em seus corações, que desça fogo dos céus para consumir estes pecadores antes que se convertam, assim como Tiago e João desejaram orar ao Pai para que assim fosse feito. Sentem um prazer mórbido ao saber que aconteceu um tsunami num país que confessa uma fé diferente da sua, um desabamento num terreiro de macumba ou numa igreja que professe uma fé ligeiramente diferente da que ele professa, tem orgasmos múltiplos quando um avião bate na serra e ceifa a vida de jovens músicos que fazem piadinhas com quase tudo em suas letras, dizendo que aquilo foi DEUS. Sim, para eles foi Deus que pôs a mão e acabou com a vida daqueles safados!

"Mais pior que o pior": Ele pode ser você, que se garante no pacotinho de regras fielmente cumprido, na aparência externa irrepreensível, na amizade com o pastor, no tempo de casa ou em qualquer outro trapo de imundícia.

Não sabemos o final da parábola contada por Jesus, não sabemos se ele morreu sem arrependimento ou as doces palavras de seu pai o convenceram e o desarmaram. Isso deve servir de alerta para todos os que se consideram perfeitos. Estes são os piores pois são os super santos que se garantem em suas obras da carne, desprovidas de graça, misericórdia, perdão, amor...



Afanei lá do blog do PASTOR JOÃO

(Título e grifos meus, pra não perder o costume rss- RF) 


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Riqueza - Bênção ou Maldição?



“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu,
como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”.
(1Pe 4.10)


Riqueza material é dada à humanidade para ela exercer uma mordomia. Deus, o proprietário de todas as coisas, espera que seus filhos cuidem de suas possessões e as retornem para Ele. Às vezes, Deus resolve abençoar seus filhos com riqueza. Abraão, Isaque, Salomão e até mesmo Jó receberam riquezas como uma bênção de Deus e para o Seu louvor.

Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o Senhor confiará os seus conservos para dar-lhes sustento a seu tempo? (Lc 12.42)

Dezesseis das trinta e nove parábolas de Jesus lidam com riquezas. Nas Escrituras, mais referências são feitas ao dinheiro do que à salvação. Jesus lidou com dinheiro porque dinheiro interessa às pessoas.

Riqueza material pode ser uma bênção ou uma maldição:

O poder da riqueza é sutil (1Tm 6.10)

A fonte da riqueza é segura (Mt 6:25.26)

A tentação da riqueza é gastá-la (Tg 4.3)

O propósito da riqueza é compartilhá-la (At 20.35)

Deus espera que seus filhos usem a riqueza que recebem Dele para abençoarem a outros e a levarem glória a Ele.

Jesus conta a parábola sobre um homem rico, cujo mordomo foi acusado de estar dissipando os bens de seu patrão. O homem mandou chamar o mordomo e disse-lhe:

- Preste contas de sua administração.

Embora o mordomo tenha sido capaz de agir com rapidez e esperteza para colocar tudo em ordem, Jesus usou essa história para ilustrar um ponto importante:

Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. (Lc 16.10)

Sejam quais forem os recursos que tenha de administrar – tempo, talento ou dinheiro – o mordomo deve esforçar-se para evitar o desperdício, maximizar o lucro e, acima de tudo, certificar-se de que o investimento está agradando a Deus.

O tempo deve ser usado com sabedoria.

Os talentos devem ser empregados para edificar os outros e glorificar a Deus.

O dinheiro deve ser gasto com cautela e dado com responsabilidade.

O que nos dá motivação para cumprir fielmente essas exigências é a profunda consciência de nossa responsabilidade pessoal perante Deus.

(Texto adaptado extraído da Bíblia da Mulher - EMC - SBB - pags 1285 e 1541)


"Pois nunca deixará de haver pobres na terra;
por isso, eu te ordeno:
livremente, abrirás a mão para o teu irmão,
para o necessitado, para o pobre na tua terra".
(Dt 15.11)




Textos correlatos:


                 

O AMOR que liberta...

Foto tirada em Canoa Quebrada-CE por Demóstenes Farias


"Não devem fazer de sua decisão pessoal de sofrer de modo masoquista um projeto de espiritualidade cristã..."   "O ideal evangélico de crente consagrado, fiel e santificado já foi em idos tempos, o viver sofrido "debaixo da graça"; os crentes se gabavam de estarem passando por lutas e provas; crente de vida boa era um crente duvidoso. hoje, o que demonstra que um crente é fiel e consagrado é o quanto ele é próspero... os tempos mudam".

Achei muito interessante este comentário acima em negrito, e, em vez de publicar como comentário do texto anterior a este, preferi trazer para dentro de um outro texto, por duas razões: primeiro, porque minhas colocações sempre foram em cima de ideias e jamais em relação à vida pessoal de quem quer que seja; e, segundo, porque me inquietou a alma para fazer mais uma abordagem em cima desse tema.

E essas breves palavras em negrito me atraíram porque, além de fugir completamente do assunto - já que o foco é a violência doméstica e não a prosperidade -  percebo nelas o reflexo pesado da religiosidade que muitos carregam na bagagem ao longo do caminho. Por meio de duas ou três linhas vi como é impressionante o número de pessoas inteligentes e estudiosas que escrevem sobre os mais diversos assuntos em seus blogs, PORÉM não conseguem atingir o que é de mais básico, mais simples, mais leve, para aplicar na sua vida cotidiana de forma saudável em todos os aspectos.

Prova flagrante de que se trata de um pedaço contido num todo é algo dito antes e que passou despercebido ao comentarista, se não por maldade, mas de repente, pelo embaçamento (com c cedilha) doutrinário:

"Mansidão... é a capacidade de não se deixar desviar do curso do caminho em razão das amarguras, hostilidades ou provocações de quem quer que seja". Aqui, o autor mostra que não está se posicionando contra uma vida piedosa. Nem sugerindo isso! Ele escreve exatamente sobre o que venha a ser uma verdadeira vida piedosa e o que é um engano comum no qual as pessoas têm caído, confundindo uma coisa e outra. Ele não está dizendo nada diferente do que o próprio Paulo já havia dito: "Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade" (ICo 7:21).

A minha tristeza é que muitos que se dizem fora dos grilhões de sua formação religiosa, continuam sofrendo confusos e apegados a crendices marteladas em suas mentes como mantra. Uma espécie de lavagem cerebral ao longo de toda uma vida onde crente salvo e abençoado era aquele que passava por lutas e provas; imprimiram na mente do crente que crente de vida boa era um crente duvidoso. E a lavagem cerebral foi tão violenta, que ainda hoje, estes que se dizem libertos das amarras, ainda põem isso em dúvida. Estes, que juram não acreditar mais na literalidade bíblica e que se dizem livres, estão presos a um passado doutrinário tão perverso e de maneira tão terrível, que não percebem que continuam agindo/vivendo/respirando/transpirando/ conforme os moldes religiosos em que foram criados.

Falo isso porque pegar justamente um fragmento de um texto abrangente e dali fazer uma crítica amarga e tendenciosa é bem característico desse perfil religioso massacrante. Ironicamente, essas são as mesmas pessoas que criticam hoje o que lhes foi ensinado como obrigatório se quisessem ganhar o Céu como prêmio. Doutrina herdada do catolicismo onde rico não entra no céu e pobre que sofre calado é que é “o cara” diante de Deus.

Gente, que teoria mais simplista é essa?! Tanto rico que sofre e tanto pobre feliz por aí... Tanto pobre cheio de raiva dentro de si e tanto “próspero” livre em sua própria alma.

Sofrer de modo masoquista é redundantemente doentio e nada tem a ver com vida espiritual. Submeter-se aos maus tratos de um marido perverso usando doutrina religiosa não tem nada a ver com espiritualidade. Esse “sofrimento” não representa luta e “prova”, pelo contrário, oprime, e diminui a mulher, ou seja não promove qualquer edificação. Ao contrário, provoca sérios danos à psique e consequente comportamento desvirtuado que vai refletir em todas as ações do cotidiano.

A religião é tão perniciosa que nos coloca em determinado lugar de culto, nos conduz à igreja (local, espaço físico) como se nossa vida espiritual não estivesse atrelada à nossa vida existencial. Deus já alertava, por meio dos profetas, acerca dessa suposta garantia de vida piedosa, de bênção, de separação, que se recebe no espaço físico denominacional, esclarecendo que a garantia está na mudança interior. Ou seja, nada de novo há!!!

Eu vivi praticamente a vida inteira em meio a bajuladores, o que me rendeu alguma experiência para distinguir os tipos de pessoas que me cercam, desenvolvendo uma lucidez muito grande para me ligar em certas exterioridades e não me deixar impressionar por elas.

Por exemplo:

Tem muita gente de posses, rica e influente que tem humildade e vida solidária; tem também muita gente pobre que vive dentro da igreja, chorando suas "provas" com ares de simplicidade MAS com o coração cheio de arrogância, recalques e complexos que culminam em raiva, inveja e ressentimento. E humildade, para mim, é antes de tudo abertura para ser criticado, sem ter absolutamente nada a ver com situação sócio-econômica.

Há uma ilusão e um equívoco perigoso acerca do sentido de “simples”. A própria bíblia trata do termo em situações diferentes onde simples pode ser o tolo e ingênuo. E Deus não quer que sejamos nem uma coisa nem outra, não por ele ser um neurótico regulador, mas porque em sua imensa sabedoria Ele nos alerta para os perigos que corre aquele que é “simples”.

Veja o que o autor de Provérbios (1.22) diz sobre esse estado psicológico:

“Até quando, ó simples, (néscios) amareis a simplicidade (necedade)? E vós escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, (loucos) odiareis (aborrecereis) o conhecimento?”

O Livro da Sabedoria nos diz que o avisado vê o mal e se esconde enquanto que o simples passa e sofre a pena. E sofre sem nem saber o porquê. Afinal, ele não consegue raciocinar, já que sua credulidade obstrui a sensatez. Parafraseando um pregador que eu conheço, o simples paga o pato por ser crédulo.

Muitos alegam que Jesus coloca a simplicidade da pomba como referência para o verdadeiro crente, mas aí já tem outra conotação pois na antiga cultura do Oriente Próximo, "essa ave personificava a inocência e a pureza". E veja só a sabedoria de Jesus em desejar vida saudável para nós, colocando o equilíbrio perfeito nessa dobradinha: a pureza da pomba e a prudência da serpente! (Ele não disse "a lerdeza da pomba e a malícia da cobra")

A partir do Evangelho, não existe nenhuma garantia de justificação por esforço pessoal. Principalmente quando esse esforço pessoal é ligado à neurose de sofrer humilhação por parte de outro como garantia de vida eterna. Ora, Deus não quer esse tipo de vida para seu povo. Ele diz que seu povo sofre MAS por falta de entendimento. Isso de “servir a Deus” por meio de normas esquizofrênicas e dentro de um aquário limitado é a maior cilada e o maior estímulo à hipocrisia, ao cinismo e à passividade mórbida. Jesus já alertava sobre isso! Aliás, as únicas vezes em que ele se irritava era quando tratavam de religiosidades e suas regras como bênção e salvação e suprimiam o direito de uma vida digna.

Como diz o final do fragmento acima, os tempos mudam...

Mas o Deus do AMOR que liberta, que quebra todas as regras religiosas, é IMUTÁVEL.

Portanto... Faça suas escolhas! Sem medo de ser feliz!





segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mansidão, passividade e escolhas



Ser manso é andar conforme o espírito de Jesus, segundo o Evangelho.

Quem quiser saber como é ser qualquer coisa, olhe para o modo de Jesus ser, no Seu trato com as pessoas.

No caso Dele, mansidão nada tem a ver com passividade nem tampouco com incapacidade de responder e reagir.

Mansidão, em Jesus, é senso de propriedade.

E mais: é a capacidade de não se deixar desviar do curso do caminho em razão das amarguras, hostilidades ou provocações de quem quer que seja.

No casamento dos crentes parece ser o único lugar onde mulher não tem que ter respeito próprio ou dignidade.

Ou seja: se a pessoa quer ficar com um marido porque quer ficar, que fique, mesmo que apanhe, mesmo que seja estuprada, mesmo que seja aviltada todos os dias. É uma decisão pessoal, ainda que adoecida.

No entanto, tais pessoas não devem fazer pelo menos duas coisas:

1ª Não devem fazer de sua decisão pessoal de sofrer de modo masoquista um projeto de espiritualidade cristã, e, muito menos, uma questão de obediência a Deus para outros.

2ª Não devem ficar reclamando da situação, e nem enchendo o saco dos outros com a mesma e infindável história.

Para os evangélicos, há apenas alguns pecados, todos de natureza objetiva e comportamental. O campeão no Ibope é o Adultério, seguido de Idolatria de Objetos. O resto, os evangélicos, mesmo andando em “justiça-própria”, acham que dão jeito.

Desse modo, o “palavrão”, por exemplo, não é palavrão como “palavra-em-si”, mas tão somente como energia associada àquela “palavra”.

Assim, há muitas pessoas que falam o palavrão, mas não ofendem, visto que o palavrão, para elas, é apenas um modo de dizer, mas nem sempre é falado significando a ofensa do “palavrão”.

Eu ouço muitos palavrões em “igreja” e que são ditos mediante expressões de piedade, mas são energeticamente verdadeiros palavrões.

Exemplo: “Meu amado” pode ser dito com todas as energias, inclusive de ódio e rancor, como muitas vezes acontece. Falou-se um palavrão? Não! Vazou-se um palavrão disfarçado de “meu amado”.

Ora, estou dizendo isso apenas para que você olhe não para as palavras, mas para as motivações, odores, sentimentos e energias com as quais você possa estar fazendo essas coisas.

E por quê?...

É que o que faz mal não é a conjunção de letras de uma dada palavra, mas sim o espírito com o qual aquela palavra é falada; ainda que seja um: “Ah, meu Deus!” — e que pode significar: “Seu idiota, saia de minha frente!”

Iras, invejas, fofocas, e rompantes de insulto, são coisas que abundam na alma evangélica, e que fazem muito mais mal do que muitos atos de infidelidade conjugal.

De fato, são essas pequenas coisas, que aos nossos olhos são bobas e pequenas, aquelas que mais corrompem as relações e a atitude das pessoas na vida.

Sim, elas são muito mais corrosivas para a alma do que se pode imaginar; sem dizer que alguém que não limpa o coração da energia dessas coisas, haverá de não apenas fazer mal aos outros, mas, com certeza, muito mal a si mesmo.

Alimentar o coração com tais energias ou mantê-las no coração com frequência, é o que o pode fazer mal a alma.

Portanto, mais importante do que o que você diz, é como você diz, acompanhado de que intenção interior; e se é animado por um espírito contrario ao espírito da graça, conforme o Evangelho.

Quanto a se Jesus, caso fosse mulher, ficaria ao lado de um homem maligno, paparicando a doença do sujeito, saiba: a gente sabe como Jesus trataria essa situação apenas olhando o modo como Ele tratou os que abusavam da alma do próximo: os fariseus e os lideres religiosos.

Jesus jamais deixaria uma mulher num buraco, apanhando, mesmo que o dia fosse sábado, e os fariseus todos dissessem que nada se deveria fazer.

Ele curou doentes e libertou oprimidos contra a opinião e o desejo dos homens “maridos despóticos”, e que amavam ver a impotência esperar até que eles dessem autorização de cura. Jesus, todavia, sistematicamente, os enfrentou; e tirou quem quer estivesse no “buraco”.

Ele, todavia, jamais violentaria quem quer que gostasse de apanhar.

Em Jesus, por mais que as coisas fossem estranhas, a gente percebe que Ele deu liberdade de escolha, de tal modo, que é opção de cada um decidir como quer existir.

Ninguém respeitou mais o direito à liberdade de escolha do que Jesus.


 

"Vem com Teu rio me inundar"




Escrevendo a Timóteo, na segunda carta, Paulo diz no capítulo 3 que nos últimos dias os homens, para além de qualquer outra coisa, perderiam o afeto natural. E afirma que a morte da afetividade faria perecer com ela a reverência e a honra a pai e mãe; o que traria a reboque um estado de desafetividade que acabaria por produzir uma sociedade global feita de homens e mulheres implacáveis, egoistas, narcisistas, amantes apenas de si mesmos, e incapazes de aprender - apreendendo a verdade no íntimo; o que gestaria almas em crescente estado de auto-indulgência e uma quase total incapacidade de amar.

Pois assim como em Jesus vai-se de glória em glória até a estatura do varão perfeito, no diabo se vai de desfiguração em desfiguração até ficarmos a cara de Satanás.

Ora, tudo isso combina com o que Jesus disse ao se referir a tais dias; pois Ele nos disse que naqueles dias os homens odiariam, trairiam, e matariam uns aos outros; e afirmou que os inimigos do homem seriam os de sua própria casa; completando com a afirmação que diz que por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriaria de quase todos.

Assim, com o diabo caído na Terra e com fome de morte; e com os homens se tornando semelhantes ao diabo e cada vez mais dês-semelhantes de Deus — o futuro dos humanos é sombrio!

Na realidade, como não se pode estudar as ações do diabo na Terra, posto que o próprio diabo está limitado ao “fornecimento” de material espiritual, moral e cultural que a humanidade lhe oferece, o que fica visível aos olhos não é o diabo no homem, mas sim o homem no diabo.

Sim, porque de fato o homem está virando diabo!

Cada vez mais o melhor modo de saber como é o diabo é olhando a humanidade. Isto porque o diabo (diabolus) é aquele que divide; e Satanás é aquele que se opõe; ou seja: é o adversário.

Ora, olhando para qualquer lugar da Terra e observando os humanos, tem-se que admitir que a humanidade existe cada vez mais em razão das divisões e das guerras de todas as formas e maneiras. Vivemos numa sociedade dividida e na qual o outro é o inimigo; e isso indo da religião, passando pelas relações humanas em geral - especialmente as que envolvem sexo, dinheiro e poder - e chegando ao mercado de trabalho, pois o concorrente já nem mesmo tem que ser vencido; ele tem que ser aniquilado.

Além disso, a morte da afetividade, do respeito aos mais velhos, da reverência aos pais, do amor dos pais pelos filhos, da fidelidade, da gentileza, das educações mais banais, da solidariedade, da honestidade, da dignidade pessoal, do respeito pela existência de qualquer que seja o próximo — foi o poder-ausência que criou essa humanidade da qual somos parte; e que é feita de diabos, quase em sua totalidade.

O espírito do diabo está tão presente e imanente na maioria das consciências humanas, e até naquilo que entre nós se chama de Direito, Justiça e Crença, que já não se deve praticar qualquer tipo de “batalha espiritual abstrata”, posto que os demônios estão andando ao nosso lado todos os dias, em todos os lugares; e não são espíritos invisíveis, mas cobertos de carne, pele e ossos. E muitas vezes travestidos até de cristãos.

A tragédia destes últimos dias é que a humanidade vai perdendo a “imagem e semelhança de Deus”; e, dia a dia, vai se tornando mais e mais parecida com o próprio diabo. E isso não é algo que deve ser dito apenas aos distantes e diferentes “de nós”.

Não! Isso deve ser dito a nós mesmos; e dentro de nossas próprias casas, famílias, igrejas e governos; e também a cada forma de expressão humana que nos cerca; pois, em quase todas elas, vemos sutilmente os humanos ficando a cara do diabo; e isso sem que o percebamos.

Basta ver o que existe em você. Sim, procure por amor, perdão, graça, misericórdia, compaixão, reverência, gentileza, bondade, alegria simples, e também pela fé que opera pelo amor - sim, dentro de seu coração busque tais coisas. E, não achando tais coisas enraizadas em você, olhe para os céus e peça misericórdia a Deus! E isso, a fim de que você e eu não sejamos tragados pelo bafo do inferno que seca a umidade do amor no chão da alma humana.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Toque de amor



"Se eu apenas lhe tocar as vestes..." - gemia certa mulher.

Diante daquele toque especial sentido apenas por Jesus, que se volta e pergunta "Quem me tocou?" a resposta não podia ser com outra pergunta intrigante do tipo: "Como assim?!"

Ora, a questão é que Jesus nos vê de forma individual, daí a perplexidade dos discípulos diante de tanta gente que se apertava.

Abrindo caminho no meio da multidão, aquela mulher que sofria de hemorragia contínua durante doze anos tocou a orla da túnica de Jesus... E foi curada! O detalhe é que a mulher não foi curada apenas na doença física. Por aproximar-se de modo "diferente" ela teve um encontro pessoal com Jesus a quem a chamou de filha!

Esse encontro pessoal é algo impressionante! Houve um contato e apenas os dois sabiam acerca deste. E Jesus não se moveria dali enquanto não se aproximasse aquela que o procurou. Ele sabia de sua adoração em potencial, mas foi ela quem O procurou. A iniciativa foi dela. Ele, por sua vez, diria: para tudo, daqui não saio enquanto não concluir a tarefa! Então Ele deu atenção exclusiva àquela que se prostrou, dizendo: a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.

Acho simplesmente incrível esse "pacote": A salvação pela fé, a paz instalada pela cura. (cura - fica livre do teu mal)

Então Jesus rompe com doutrinas e costumes, dogmas, exigências e inflexibilidades (Em razão da urgência e da necessidade dessa mulher insignificante diante da sociedade e que nem nome tinha mas com certeza estava gravado no Livro da Vida). Pois, embora tocar e beijar fossem comuns nos tempos bíblicos, a lei levítica proibia muitas formas de toque. Um hebreu não podia tocar um animal impuro, uma mulher logo após ter dado à luz a um menino, um leproso ou uma mulher no período menstrual.  Principalmente os rabinos, não podiam tocar nem ser tocados em hipótese alguma, por alguém com sangramento.

Entretanto, motivado por um amor que transcendia à Lei, Jesus frequentemente tocava as pessoas. As Escrituras nos dizem que Ele tocou um leproso, os olhos de um cego, o corpo morto da filha de Jairo e a língua de um surdo-mudo. Quando se tratava de ajudar os outros, Ele não se preocupava com sua imagem ou bem-estar. Jesus também deixava que os outros O tocassem: uma "pecadora"  lavou e beijou seus pés e uma mulher com hemorragia tocou a orla de suas vestes!

Muitas vezes, Jesus curou e expressou sua compaixão por meio de toque, porque esse gesto transmite empatia, afeição, cura e aprovação. Por isso, as pessoas que já foram tocadas por Jesus precisam alcançar outros com o mesmo toque de amor. Esse amor nos motiva a responder amorosamente a outros numa demonstração de que somos capazes de amar porque fomos e somos amados por Deus.

Um amor que é bem mais que mero sentimento que "me faz sentir bem" mas que exige de mim atitudes práticas e que, por vezes, me tiram de minha zona de conforto.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Nossos filhos não são nossos.



Não tenho nenhum problema em repetir que creio que família é projeto de Deus (Gn 2.24) ainda que os livros proféticos façam flagrante alusão à violação dos princípios dentro das famílias, tornando-as disfuncionais.

Minha gente boa de Deus: família é algo sagrado!
Não se pode fazer de conta que não se entende. Não se pode fazer vista grossa. Não pode simplesmente passar despercebido que o primeiro milagre de Jesus acontece em uma festa de casamento. (Jo 2:1.11); que o livro de Atos menciona o lar como local de adoração (2.46 – 12.12); que as epístolas estão recheadas de ensinamentos relativos à família e que até mesmo Apocalipse traz sua mensagem para o lar (3.20)

Ou seja:

A Bíblia nos aponta que a instrução paterna, através do próprio testemunho de vida centrado em Cristo, é essencial para que os filhos tenham uma vida saudável em todos os aspectos.

Ora, é do lar que nascem os filhos, os filhos dos filhos e outras gerações. E assim, sucessivamente...

Não é à toa que uma das características que distingue os judeus de outros povos da Bíblia é o valor que dão aos filhos. Eles aprenderam bem a irrestrita proibição de Javé de sacrificar os filhos (Dt 12:31.32) e a importância de ensiná-los a amar e a servir a Deus (Dt 6:7.9)

Jesus reagiu com indignação à posição dos discípulos ao negarem o valor das crianças no Reino (Mc 10:13.16) e foi mais longe ainda ao afirmar que é melhor que morram os que fizerem tropeçar uma criança. (Mc 9.42) E, considerando ainda as figuras de linguagem, o que Ele nos ensina claramente é que tornar-se como uma criança é o segredo da conversão. Daí o convite para as crianças virem a Ele.

Os filhos são bênçãos de Deus. O Salmo 128 costuma ser chamado de “Salmo do Construtor”, porque, para o israelita, o lar era uma oportunidade de realizar a tarefa sagrada de construir filhos e filhas. Essa imagem é mostrada na própria língua hebraica (banah, lit. construir; ben, “filho”; bat, “filha”). Esse conceito retrata com clareza o que o Criador tinha em mente, pois os pais devem empenhar-se em construir os filhos – exibindo diante deles os fundamentos da fé por meio de uma vida cristã genuína, honrando a Jesus, alimentando-os e envolvendo-os com oração, refinando-os com o ensino da Palavra de Deus. Assim, se bem construídos no Senhor, esses filhos também se tornarão construtores de filhos e filhas, espalhando a semente santa às gerações.

As crianças são, pois, o fruto mais valioso do Reino. Em geral, elas são sensíveis e dóceis – abertas para o Evangelho. São fortes e cheias de vida em potencial, com anos de serviço à frente para dedicar ao Reino. As crianças são parte da herança que Deus dá. (Sl 127:3.5) Quando nós as desvalorizamos estamos indo contra o próprio Todo-Poderoso.

A questão foi e será sempre a alteração: os acréscimos e as diminuições, como bem alertou o Senhor por meio dos profetas no início, e depois, o próprio Jesus o fazendo com veemência: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. As pitadas de esquizofrenia sutil e gradativa que pais e familiares colocaram com suas doutrinas esdrúxulas foi dando um nó na cabeça das crianças à medida que elas foram crescendo, passando na adolescência por terríveis conflitos; mais tarde, a vida adulta as levou a extremos que vão do fanatismo à zombaria, da inflexibilidade fundamentalista ao cinismo triste do pseudo-ateu, todos montando (e matando) um deus conforme suas próprias alucinações.

Entretanto, nunca é tarde para entender, que esses mesmos filhos adultos um dia terão uma segunda chance de reeditar sua própria conduta; que é grande bênção do Senhor a chance de reaprendizagem ao conduzir os próprios filhos, ensinando-os a viver uma vida cristã pela Palavra e pelo exemplo.

Ou seja, se continuamos insistindo com as tais gambiarras só dá em curto-circuito, em separações, em zombarias... Ora, quem disse ou deixou de dizer, quem fez ou deixou de fazer, não importa. Importa que preguemos o Reino dos Céus a esses pequeninos que não nos pertencem mas são de nossa inteira responsabilidade. Apeguemo-nos, portanto, a essa segunda chance que Deus nos dá de GRAÇA!

Como diz Gibran, em O Profeta:

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.”



(Inspirada em meu cotidiano, comentários últimos he he e em fragmentos de textos incluídos em “A Bíblia da Mulher” –EMC-SBB)



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FILHOS ADULTOS

COMPLEMENTARIDADE COMO PLANO DE DEUS

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Acerca do Jardim





Dias atrás, durante festinha de aniversário de criança e em conversa descontraída e despretensiosa com um grupinho sobre lendas e achismos acerca do sofrimento humano - a começar das dores no nascimento - arrisquei solenizar usando um texto bíblico. Mais precisamente Gênesis 3, quando Deus diz que deixaríamos de viver naquele jardim para vivermos entre cardos e abrolhos.

E, mesmo alguns poucos ali na roda assentindo, concordando, outros silenciando, a conversa parou por ali, como se pelo meio, como algo visivelmente interrompido. Aquilo me inquietou porque o estranho é que, nesses encontros tudo é muito bem aceito. Piadas “pesadas” então, nem pedem licença à criançada, vão logo entrando com a unanimidade dos aplausos, atestando cada vez mais uma espécie de valores invertidos veladamente, onde hoje em dia tudo é muito normal, tudo é muito natural, mas é considerado um senhor mico fazer qualquer referência em rodinhas familiares ao que está escrito no “manual do cristão”.

Voltei pra casa com isso no meu pensamento e, no dia seguinte, acordei firme e com o coração ardendo por esse texto. Não me deixaram dizer lá, mas digo aqui (risos) e até que foi melhor, pois fico mais à vontade discorrendo por escrito sobre certos temas...

Meu primeiro texto do ano! E achei muito legal isso de começar do começo. De Gênesis: o livro que inicia a narrativa da história da humanidade. E de constatar mais uma vez o prazer que Deus teve em criar o homem e a mulher à sua imagem, abençoando-os: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja sobre a terra.

E acrescentou:

Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície da terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será por mantimento.

E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento.

E Deus viu tudo quanto fizera, e eis que era muito bom! ( cf Gn- cap 2 vers. 26 a 31)

Parafraseando o poeta, Ele amou tanto aquela sua obra-prima, que decidiu fazer à sua imagem e semelhança. Pois que, ainda que tenha surgido a mais bela ave ou qualquer outro animal imponente por Ele idealizado, não coube a nenhuma outra criação tal privilégio! E pra completar, ainda fez um Jardim caprichadíssimo e completamente inimaginável por qualquer paisagista renomado, já que era tudo original, tudo natural, tudo totalmente novo!

Entretanto, tendo tudo que um homem e uma mulher quisessem ter - alimento, água, beleza a se perder de vista, o companheirismo humano e ainda a luxuosa companhia do próprio Criador! - eles não tiveram zelo, não quiseram cuidar nem valorizar; preferindo olhar, não mais para tudo que havia ao seu dispor e domínio  naquele jardim, mas para outras possibilidades a partir do mesmo jardim.

E nesse novo olhar, eles resolveram ignorar os planos do Criador, rejeitando-os e seguindo os próprios. Porém, se envergonharam tanto que queriam se esconder Dele. E não deu outra: simplesmente foram expulsos do Jardim. Por isso é que engraçadinhos de plantão dizem que lá no céu há uma enorme fila de gente para encher de porrada esses dois que nos proporcionaram o desprazer de não conhecer o Jardim que nos fora(ô) destinado, restando-nos viver entre os cardos e os abrolhos, que certamente não faziam parte da paisagem tão primorosamente arquitetada.

E como toda escolha tem as suas consequências, vejo que esses cardos e abrolhos estariam ligados não apenas à completa ralação que temos de cumprir para encher a geladeira e a nossa despensa, mas principalmente à nossa vida relacional com todas as suas implicações a começar pelo nascimento, ainda que filho seja herança e recompensa divinas. E ainda que, através de tão sofrido parto, se cumpra o que fora dito. (Gn 1.28)

Há uma relação metafórica entre esses cardos, abrolhos, nossas dores físicas e os espinhos que se cravam na nossa alma, pois à medida que pisamos em plantas espinhosas do nosso chão social e penetramos nas conflituosas relações familiares e religiosas, mais nos angustiamos e nos damos conta de um completo vazio existencial que nos achata a alma (achatar = chatear, humilhar, tornar pequeno). E mesmo dissimulando, passamos a viver/sentir uma opressão (opressão= pressão de dentro pra fora) uma angústia, uma dor, um medo, uma insegurança, um desejo enorme pela harmonia sem saber que toda essa ansiedade é a eterna busca pelo retorno ao Jardim.

E foi então, que, em outro jardim chamado Getsêmani (prensa - pressão) aconteceu que Jesus, agoniado e entristecido, orou. E se preparou para receber o amargo cálice que, segundo Ele mesmo falara, não sendo possível passar sem que ele bebesse, se fizesse a vontade do Pai! Realizando-se assim - por meio de Seu sangue - a Perfeita Aliança que nos purifica e nos reconcilia com Ele, com os outros e com nós mesmos, fazendo do nosso coração um Jardim cuidado e regado pelo Seu Espírito.

RF.





(Hoje faz exatamente dois anos que inaugurei este novo blog com o texto acima).

Hoje eu recebi flores.



Hoje eu recebi flores.
Não era o meu aniversário ou algum dia especial. Na noite passada tivemos a nossa primeira discussão. E ele disse coisas cruéis que realmente me magoaram. Eu sei que ele se arrependeu e que não queria fazer isso. Porque ele me mandou flores hoje.

Hoje eu recebi flores.
Não era nosso aniversário de casamento ou algum dia especial. Na noite passada, ele me jogou na parede e começou a me sufocar. Tudo parecia um pesadelo. Eu não podia acreditar que aquilo era real. Eu acordei nessa manhã com dores e toda arranhada. Eu sei que ele deve estar arrependido. Porque ele me mandou flores hoje.

Hoje eu recebi flores.
Não era o dia das mães ou algum dia especial. Na noite passada ele me bateu de novo. E foi muito pior do que todas as outras vezes.Se eu o deixar, o que farei? Como posso cuidar dos meus filhos? Como vou ter dinheiro? Tenho medo dele e tenho receio de deixá-lo. Mas eu sei que ele deve estar arrependido. Porque ele me mandou flores hoje.

Hoje eu recebi flores.
Hoje foi um dia muito especial. Foi o dia do meu funeral. Na noite passada ele finalmente me matou. Ele me bateu até eu morrer. Se eu somente tivesse tido a coragem suficiente e a força para deixá-lo... Eu não teria recebido flores… Hoje.

Copyright 1992 Paulette Kelly
I Got Flowers Today...Stop domestic violence By Paulette Kelly
Tradução:AC Barros - All Rights Reserved



Atenção: se você tem sido abusada física ou verbalmente, seja em casa ou em qualquer lugar, procure a Delegacia da Mulher de sua cidade.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Marisa Letícia Lula da Silva - As palavras que precisavam ser ditas




Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de "a Cara" por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa.

À "companheira" número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E - pior de tudo - os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família?

Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.  Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a "mudez", a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que "eles" queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?  

Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto.

Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar "emergentes" metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo "arrodeado" de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.    

Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!  

Cobraram de Marisa Letícia um "trabalho social nacional", um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos.

Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.    

Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos.

Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora.

Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a justiça que merece.

Hildegard Angel.


(Grifos meus- RF - e assino embaixo de tudo)

Referências de felicidade. (Parte II)




Já escrevi algumas vezes aqui mesmo neste blog que sou uma pessoa realizada, mesmo considerando o paradoxo acerca das frustrações, decepções e tristezas que experimento no meu cotidiano. Quando digo que sou realizada sei que logo vem à mente de (quase) todas as pessoas, algumas falsas referências de felicidade, tais como objetos de desejo, reconhecimento, realização profissional, um grande amor, currículo invejável... Mas já vou logo adiantando que não é nada disso. Na verdade eu adoro repetir que sou realizada simplesmente porque encontrei Alguém que me ama, que me é fiel e que nunca me abandonará... Apesar do que eu sou.

Jesus nos ensina a estar contente, não nas circunstâncias apenas, mas principalmente apesar delas. E estar contente não é nenhuma mágica ou um dom mas requer escolha e aprendizado. “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação...” Escolher estar contente é uma aprendizagem e os recursos são encontrados nos corações daqueles onde habita o Espírito Santo de Deus.

E sempre que revejo o filme da minha vida, me vêm à mente essas palavras de Paulo aos filipenses (4:11.12.13) sobre estar firme na fé apesar das circunstâncias: “... Porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que fortalece.” (A esse tudo posso acrescente-se suportar).

Isso é simplesmente maravilhoso e a cada respirar eu agradeço a esse Jesus que me acolheu, que sarou minhas feridas, que perdoou meus pecados e que todos os dias, pelo Seu Amor e Misericórdia, me lava e me purifica, mediante a minha fé. É dessa certeza que vem a minha realização, a minha felicidade e a minha plenitude. No mais, ou seja, alegria "terrena" é puro lucro! E o que não for alegria... Faz parte do script! E nesse script a euzinha passional, emocional, transparente e sincera permanece; pois O SENHOR da minha vida não me fez assim para me tolher, mas para usar essas prerrogativas e moldá-las, de modo que as mesmas se apresentem na medida certa e conforme a Sua vontade, para Sua honra e glória.

Muitas vezes confundimos contentamento e aceitação com estagnação e falta de ambição. Então, repudiando este extremo oposto, nos tornamos ansiosos por status, poder, realizações pessoais, reconhecimento e aplauso, caindo na velha armadilha de querer assumir o posto e consequentes responsabilidades que não nos cabem nem estão no nosso controle. E aí se segue uma série de ações equivocadas e em efeito dominó que paralisam totalmente a nossa fé levando-nos a uma posição que não é nossa, que nos oprime e nos acorrenta a alma. Tiago (4:13.17) coloca nossos projetos em condição tão infinitamente dependente que ele chega a nos comparar com a neblina que aparece por instante e logo se dissipa.

A Palavra de Deus nos ensina: que, ao nos preocuparmos, assumimos responsabilidades que não são nossas; que a preocupação é o oposto da fé e sugere que Deus não é digno de confiança para cuidar das minhas prioridades; que preocupação provoca insegurança e medo; que o medo exclui a fé; que ao tentar elevar nossa energia acima da força de Deus e seus planos, a preocupação e a ansiedade provocam um terrível sentimento de frustração e infelicidade. Entretanto, quando se compreende e aceita como revelação, a imutável natureza de Deus, inevitavelmente a pessoa desarma-se, submetendo-se à Sua liderança, havendo total e absoluta dependência. É quando estabelece-se a paz que excede todo o entendimento.

Jesus inicia o Seu sermão no monte, dando a receita básica de como ser feliz, dizendo:
Feliz é o humilde de espírito, o que chora, o manso, o que tem fome e sede de justiça, o misericordioso, o limpo de coração, o pacificador, o perseguido. Ele diz: feliz é; Ele não diz: feliz será. Ele não dá receita para ser feliz um dia destes aí....

Um grande pregador, parafraseando O Mestre, bem disse um dia que já é bem-aventurado agora:

O humilde de espírito - e não aquele que não precisa ser ensinado em nada;

O manso, que ama acima das diferenças; pois sabe que nossa luta não é contra sangue nem carne;

O que tem fome e sede de justiça, não o “justo” cujo fiel da balança é seu próprio ego;

O misericordioso, não o que segue regras para “ser servo” sem ser discípulo;

O limpo de coração, em estilo de vida separado para Deus, que cuida dos pensamentos e ações e não baseado em exterioridades;

O pacificador, não o passivo em cima do muro, mas o que aceita sobre si as injustiças humanas sem transformá-las em ódio contra os céus;

O perseguido, não aquele neurotizado pregador da verdade mas o que se sabe identificado com Jesus e, na contra-mão, toma sua cruz e O segue com alegria.

“O que distingue essas bem-aventuranças
é o fato de estarem diretamente relacionadas com o Reino dos céus;
e as promessas ligadas a elas têm a ver com a presença e a atuação de Jesus”.
(A Bíblia da Mulher- Editora Mundo Cristão - SBB)

E não que Jesus seja contra sonhos, planos, planejamentos, ambições e realizações. O que Ele nos apresenta é a opção do relacionamento com Deus ou com as posses. Ele não exige nada, mas nos testa como fez com o jovem rico que, confiando nas próprias posses, imaginava alcançar o Reino de Deus pelos esforços pessoais. Sua riqueza não era problema e sim o seu coração dividido. Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.  A esse Deus diz: - Louco, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Ser feliz é crer - sem duvidar - que é amado por Deus! Isso é ser feliz, é estar pleno. Então se descansa nesse amor que é de graça. Descansa-se na Graça. Hoje.



"O coração do homem traça o seu caminho,

mas o SENHOR lhe dirige os passos”.




Leitura relacionada: Referências de Felicidade

sábado, 1 de janeiro de 2011

Sonhar é romper o limite do possível



Em meio a toda pompa típica de eventos formais, Dilma, essa incrível mulher eleita presidente do Brasil, dá clara demonstração de vitoriosa e significativa representante de um novo tempo. Uma mulher que não chegou ali simplesmente por ter um ombro forte pejorativo como sugere de forma aparente e superficial uma oposição mais imatura e emocionalista.

Seu discurso inicial enfatizando coragem ao citar poeta de sua terra, foi palavra de ordem ao reafirmar compromisso de campanha e de vitória em relação à imprensa, às mulheres e aos menos favorecidos, em vigoroso pronunciamento que não poderia deixar de ser mesclado pelo choro significativo de uma emoção incontida. Assim como ela também chora quando diz que é presidente de TODOS, estendendo as mãos aos políticos e camadas da sociedade que são e foram contrários.

O que me impressionou hoje diante da TV foi constatar, em plena solenidade de posse, uma série de simbolismos embutidos em cada uma das ações que aconteceram desde sua chegada até os incansáveis cumprimentos de dirigentes e representantes dos mais longínquos lugares, sempre carregados de emoção e de naturalidade. Simbolismos permeados pelo contraste entre a cerimônia formal e o toque feminino de informalidade e espontaneidade, em inconteste afirmação de marcas características da alma feminina.

Também não me deixou passar despercebida a sua singela descida rumo ao parlatório. Em momento de forte emoção ela caminha com passos firmes ao som do hino nacional, quebrando protocolo com leveza ao beijar a bandeira nacional. Fiquei ainda imaginando o que se passava em sua mente e seu coração no momento em que ela fazia a clássica revista da tropa, (certamente olhando com profunda tristeza para os que, ironicamente, representaram um dia uma repressão e que agora estão sujeitos às suas ordens), em meio a inevitáveis lembranças de época de forte resistência ao regime militar que culminou com perdas drásticas, brutais, irreversíveis. Perdas sobre as quais esta mulher forte e corajosa, discorre de forma visceral acerca de sua trajetória em tempo de escuridão e medo. Época tenebrosa onde alguns pagaram preço alto pela liberdade de muitos e aos quais faz homenagem reverenciando a eterna lembrança. E, aproveitando, reafirma seu perdão a cruéis algozes.

Outros simbolismos femininos muito fortes, e que eu não poderia deixar de observar, estão relacionados à indumentária, à postura, à performance feminina em geral. A impagável cena das duas - mãe e filha- impecáveis no rolls-royce, com a chuva dando uma trégua, o povo reverenciando com faixas garrafais de “eu te amo”, tudo isso dentro de um contexto extremamente significativo para a história.

Em seguida, três mulheres imponentes do alto do parlatório: a jovem Marcela na ponta esquerda, Dilma ao centro, e na ponta direita, a experiente Marisa.(Foto acima) Achei de um simbolismo tremendo a aparente fragilidade de três mulheres "protegendo" dois homens de seus próprios poderes e rigores!

E a interação perfeita com o público!  
Em cima, o choro de Marisa em meio ao discurso e o marido a confortando; embaixo, um povo atento em único coro do hino nacional. Em cima, o encontro inusitado, a mudança de faixa e a retirada sábia do ex; embaixo o sorriso no semblante de um povo sofrido mas esperançoso. Em cima, a mulher que versa sobre metas e objetivos sem esquecer que embaixo tem um povo que acredita em sonhos.

É quando ela inicia seu discurso, dizendo dos desafios, da coragem, do espírito de união e arremata com uma frase contundente; que as metas devem ser alcançadas, mas que junto com elas também existem grandes sonhos e que devemos persegui-los. Persegui-los é romper o limite do possível. Isso é dito quando Dilma se dirige ao povo em relação a quem acabara de retirar-se estrategicamente, reiterando sua admiração por este. E, em reconhecimento, diz-se consciente de um legado que carregará com responsabilidade. Cita o exemplo de parceria deste homem com seu ilustre vice e que se sente impulsionada a seguir o mesmo caminho.

E, ainda em seu discurso, devo dizer que mais uma vez me chama à atenção a forma visceral como ela se reporta sobre o cuidado para com os mais frágeis e necessitados e ainda quando repete sua disposição em ter um contato amigável com as oposições, citando a grande Indira Ghandi sobre não ser possível trocar um aperto de mão com punho fechado.

Percebo sinceridade quando ela diz, de forma respeitosa e solene, que o lugar mais sagrado de uma nação é o coração do povo. E não me envergonho em dizer que embarco na mesma onda, emociono-me e choro também.

Por fim, o roubo de breve cena feito por Hillary Clinton com sua simpatia e naturalidade em extremo contraste ao sorriso inox da linda Marcela...



RF.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Diva e divã


Aos vinte nos casamos, aos 30 somos belas e tememos os 40 sem imaginarmos que lá nos permitimos um deslumbre de nós mesmas. Chegamos aos 40 e nos surpreendemos, pois ainda nos percebemos enxutas, cheias de vitalidade e massa muscular em cima. Olhamos para nós, para o tempo, para a lente de aumento, para o espelho... E dizemos: nem doeu, e aqui estou eu. Inteiraça!

Aos 50... Tudo bem, concordo que vai embora um pouco de massa muscular mas de quebra vem maturidade. Que bom, pois junto com ela vem bronca pesada que só mesmo muita maturidade pra segurar a onda. Os problemas de saúde começam a surgir com mais frequência. Alguns engraçadinhos (mais jovens, claro!) dizem que é a idade do condor: com dor aqui, com dor ali... É quando se resgata a porção criativa e bem humorada, tirando de letra situações mais delicadas.

Quem não se lembra da personagem da Lília Cabral, cinquentona aparentemente com tudo em cima, em cena típica de “O Divã”? É na boate dançando com o garotão que ela cai em si – literalmente - ao sentir o peso da coluna. Não em peso adiposo, mas de tempo... E isso não é “privilégio” das mais cheinhas, qualquer uma está sujeita a passar por essa saia justa. Cá pra nós, euzinha sei bem o nome dessa saia justa, justíssima: coluna vertebral! Esta nos denuncia, não tem preenchimento, lifting, botox nem bisturi que disfarce. Cruel rss

Não tem jeito, chega uma época em que a coluna nos sugere algumas mudanças drásticas no nosso estilo de vida. E você até pode apelar pra acupuntura, hidroginástica e pilates. Tem mesmo que apelar, pois estes são ótimos companheiros no alívio desse incômodo, mas a palavra de ordem é desacelerar. Sem crise. Gradativamente.

Então, quanto mais o tempo passa, mais dribladoras nos tornamos, sempre optando por boa qualidade de vida. Tornamo-nos mais exigentes e seletivas, porém com leveza e naturalidade. Só assim não ficamos com a sensação de que estamos perdendo algo, deixando alguma coisa pelo caminho.

O bom é que junto com todas essas dores próprias da idade vêm também alegrias próprias da idade que contrabalançam e dão o equilíbrio exato. Alegria de poder optar pela própria idade; alívio de não ter mais que brigar tanto para parecer mais jovem; sentimento de autoconfiança que só o tempo pode proporcionar e que podemos resumir em uma palavrinha mágica chamada serenidade.

A alegria da mulher de 50 é uma alegria gostosa, intensa, na porção exata e necessária. Na justa medida conferida pela existência. Olhar para trás e pensar que está (quase) inteira diante de todas as intempéries a faz uma vitoriosa.

Vitoriosa em conquistas “por tabela”. Sim, pois ser avó é ser mãe novamente sem obrigações, podendo rolar com o neto na praia, na cama, no chão, no tapete. Com aquela energia revisada e revisitada ao ouvir de novo o riso inocente, espontâneo, sincero.

Ah, o neto, a netinha... A alegria de ter um neto é indizível... Entretanto, parafraseando Affonso Romano, arrisco dizer que além de poder mostrar-se como modelo de vida, é uma feliz oportunidade para reeditar o afeto ocioso e estocado.

Hoje eu recebi um e-mail de um tio no qual há um fragmento que me inspirou a fazer essa enxuta viagem em mim mesma e que diz assim:

“A emoção toma conta de mim, quando você diz que se emociona facilmente e por isso, acredita que está ficando velha. Não. Está ficando cada vez mais "apurada". Cada vez mais entende as coisas escritas nas entrelinhas”.

Ele, alguns anos à frente, certamente sabe o que diz...





“Se O SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”.
(Sl 127a)