"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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domingo, 8 de agosto de 2010

SACRIFICAR PARA QUÊ?



Perguntaram ao rabi Bunam:

O que quer dizer a expressão “sacrificar para ídolos? É impensável que alguém realmente venha a fazer sacrifícios para algo que entenda como um ídolo!”

O rabino respondeu:

Vou lhe dar um exemplo. Quando uma pessoa religiosa ou um justo se senta à mesa junto com outras pessoas e tem o desejo de comer um pouco mais, mas se restringe por conta do que os outros podem vir a pensar dele – isto é sacrificar para ídolos!”.

(Buber, Late Masters, p.256)



O ensinamento começa com o questionamento da lógica da expressão “sacrificar para ídolos”.

Se percebemos que são ídolos, ou seja, vazios e ilusórios e sem qualquer significado real, como é possível fazer “sacrifícios para ídolos”?

A resposta do rabi é de que fazemos isso com mais frequência do que imaginamos em situações em que acreditamos existir qualquer virtude ou ganho possível por conta de condutas ou posturas que representem sacrifícios ao nada.

E quantos de nossos esforços e sacrifícios são, na verdade, “oferendas” ao nada?

Quem precisa de nossas restrições ou de nossas abstinências?

Por acaso Deus precisa de nossos atos morais que visam a ocultar nossa nudez?

Por acaso Deus não percebeu de imediato que Adão havia comido da árvore justamente porque se vestiu e quis ocultar sua nudez?

Ao vestir-se, fez oferendas ao deus do nada ou ao deus de seu animal moral.

Quantas pessoas poderíamos ter tirado para dançar na vida e não o fizemos por ofertar sacrifícios ao nada?

Sacrifício ao deus da timidez, ao deus da vergonha, ao deus do medo de ser rechaçado.

Quantas vezes deveríamos ter dito não em vez de nos desgastarmos para dissimular virtudes que são oferendas idólatras.

Oferendas ao deus expectativa, ao deus cobrança, ao deus culpa.

Quantas oportunidades não deixamos de aproveitar pois “não era conveniente” fazer isto ou aquilo?

Nossa auto-imagem – altar de primeira grandeza aos sacrifícios idólatras – tal como nossa moral, é um instrumento do corpo que não aceita se ver em outro corpo.

O corpo é o responsável por uma intrincada rede de negociações psíquicas para que possamos nos preservar tal como somos. No entanto, fizeram com que acreditássemos que ele nos tenta constantemente com seus desejos.

É a alma que fica inconformada com os sacrifícios vazios do corpo e é ela a responsável pelos atrevimentos, ousadias, riscos e transgressões.

O rabi alerta para o cuidado que se deve ter com abstinências e privações pois, muito mais que demonstrar respeito à vida, elas cultuam deuses menores...

(Fragmento adaptado de “A alma imoral” de autoria do rabino Nilton Bonder – pag.59)



32 comentários:

Adriana disse...

"Nossa auto-imagem – altar de primeira grandeza aos sacrifícios idólatras"

Manter as mascaras custa caro!!

Amei o texto, sensacional.

disse...

Amei Regina seu texto.
Nossa auto-imagem – altar de primeira grandeza aos sacrifícios idólatras – tal como nossa moral, é um instrumento do corpo que não aceita se ver em outro corpo.
Esta foi tudooo! Paz!

Tiago Scala disse...

"O rabi alerta para o cuidado que se deve ter com abstinências e privações pois, muito mais que demonstrar respeito à vida, elas cultuam deuses menores"

Excelente tema Regina, mas vou me deter ao outro lado destes sacrifícios...

Se a privação de certas atitudes cultuam a deuses menores o que dizer sobre a não privação? Não cultuaria ela, por outro lado, outros tipos de deuses?

Vejamos, se eu disser não à tentação estarei me privando das experiências que ela poderão trazer à minha vida, cultuando ao deus "o que vão pensar de mim?", mas por outro lado, se digo sim a elas não estaria cultuando à minha carne que por natureza não pode desejar nada de bom, pois ela é essencialmente contra o verdadeiro Deus?

Se por todos os aspectos tudo é idolatria, bem como tudo é vaidade, não seria questão de escolher as melhores opções? Digo, é melhor oferecer sacrifícios ao Deus da minha salvação que aos deuses do meu próprio ser ou outros criados por meu próprio ego, não? Se por um lado as privações são um culto à preservação de minha própria imagem não seriam por outro lado uma oferenda ao Deus criador e maior interessado na preservação desta imagem visto que em nosso corpo devemos preservar a sua morada?

Regina Farias disse...

Tiago,

Deixa eu ver se entendi...

Você tem certeza que Deus tá interessado em imagem?

Pois é justamente esse culto à preservação da própria imagem que Lhe é abominável, não?

Caramba a tal auto-imagem era justamente o que mais irritava a Jesus em seus dias missionários!

Como assim, oferecer sacrifícios a Deus? O sacrifício que Lhe interessa é o LOUVOR como confissão de que Ele é meu Senhor e meu Redentor. Assim como a prática do bem e a mútua cooperação. Nada além disso!!!

Com tais sacrifícios Deus se compraz, diria o autor de Hebreus a um povo que estava desistindo de viver pela fé na Graça de Deus em Cristo e voltando aos antigos ritos, práticas, crenças e legalismos.

É tão simples que a gente se recusa a acreditar, querendo FAZER algo, mas já está feito, ué!

Já está consumado. O sacrifício já foi feito.

Bom, vai ver eu não entendi a sua colocação...

bjs

R.

João Carlos disse...

Regina,

Sou fã do Nilton Bonder (xiii, é idolatria?)

Não! Idolatria a deus menor ao não falar que sou fã do rabino citado para agradar quem pode me interpretar nal NEVER!!!

Que texto sensacional! Que sacada!

Pronto, falei! (faz tempo que não falo isso, rsrs)

João Carlos disse...

E ai Tiaguito?

Cara, isso dá um bom debate ein?

Mas concordo o a bispa (que apenas concordou e repassou o texto do Nilton Bonder, que teve uma boa sacada:

Quando pensamos APENAS no que os outros vão pensar, realmente damos 'dízimos e ofertas' a outro deus - no caso - o outro, isso em troca de sua aceitação, de sua aprovação.

O papo é louco e vai longe. E ai, vai correr ou vai encarar????

Abraço meu brother!

JC

Adriana disse...

Temos uma disposição interna fortissíma para culto pagão,travestido de devoção ao Altíssimo.

Se eu fizer sabendo e crendo que nada preciso fazer, então acho que o sacrifico é valido.

A pergunta é valida e valiosa,

"para quê?"

Vai ressoar na minha semana.

Tiago Scala disse...

João meu velho acha que eu correria deste desafio?! Regina minha querida, sempre aprecio seus textos e seus comentários, quero deixar claro que meu intuito aqui é apenas discutir esta idéia. Se me permite dizer, achei incrível o fato de estarmos falando de algo novo e, no meu ponto de vista, bastante produtivo. Pois já me via farto de falar sempre dos falsos mestres e enganadores do povo. Concordo com o João, isto dá um belo debate e se este espaço permanecer assim democrático, por que não discuti-lo aqui, concorda?

Vou dividir em duas partes, pois não cabe tudo aqui...

Parte 1
Primeiramente, para defender minha opinião sobre o assunto, creio que devamos criar uma linha racional para o tema, sendo assim:

1- O que é idolatria?
É a adoração aos ídolos ou culto prestado ao que não é Deus, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa (Priberam). Mas também pode ser uma figura para representar o Amor excessivo a alguém ou a alguma coisa.

2- O que é idolatria na visão de Deus?
Deus tem muito ciúmes por aquilo que é seu (sua glória, seu poder, seus filhos...), a Bíblia nos dá diversas referências desta afirmação que nos faz entender a exclusividade que ele exige na adoração. Por isso ele deu ao povo de Israel os 10 mandamentos e toda a lei. O primeiro mandamento nos deixa claro que ele não aceita nenhum outro deus ocupando seu lugar, portanto, tudo que tentamos colocar em nossas vidas que tente ocupar o lugar de Deus será considerado idolatria (nossos filhos, nossa carreira, nosso trabalho na igreja, enfim...). Ele também nos deixa o segundo mandamento, nos proibindo de ter como objeto de adoração qualquer imagem de escultura. Jesus irá dizer que toda lei e mandamentos se resumem em dois, sendo o primeiro em relação a Deus como amá-lo acima de todas as coisas, etc...

3- Nossa imagem...
A bíblia diz que somos criados à imagem e semelhança de Deus, tanto em espírito, quanto em emoções. Embora o pecado tenha corrompido todo o nosso ser, não deixamos, contudo, de termos o privilégio, pela graça e também pela fé, de sermos ainda morada do Espírito. Nossa imagem, agora transformada pela redenção, já não deve ser nossa, mas a de Cristo em nós. Cristo agora deve viver em nós. A própria palavra “cristão” foi criada por causa da aparência dos discípulos – entenda aparência como maneira de se comportar – as pessoas diziam que eles se pareciam com Cristo, falavam como ele, agiam como ele. Paulo diz que devemos refletir a imagem de Cristo, mas embora agora esta imagem seja um pouco turva, de glória em glória seremos transformados até que possamos refleti-la como um espelho. Para o homem redimido, sua imagem já não é a sua, mas a de seu Redentor. Não era nossa imagem que Deus tanto combateu ao longo da história, mas o fato de vivermos uma vida aparente.

Adriana disse...

Tiago,

Vc está falando de santidade, separação? kadosh?
Fiquei em duvida sobre o que é a imagem que vc cita, seria a persona? então qual é a essência, o "coração" que Deus vê antes de tudo.


Xii, acho que não entendi.

disse...

Mas o melhor é obedecer do que sacrificar??

Regina Farias disse...

Tiago,

O que eu acho é que está havendo um equívoco porque a questão colocada não é o termo "imagem" e sim, auto-imagem. Aquela visão global que findamos por ter de nós mesmos e sempre a partir das observações que os outros fazem a nosso respeito.

Por exemplo, se eu sou esposa de fulano de tal, que tem determinada função na sociedade, a tendência é que eu vá me comportar como esposa de fulano de tal, assumindo estereótipos a mim atribuídos; ou seja, é uma auto-imagem que eu fui aceitando/assumindo/acomodando mas que não condiz com a minha essência. É uma farsa, uma mentira, uma mera aparência.

Então eu passo pra você uma falsa impressão de que sou algo que, de repente, foi você mesmo quem contribuiu pra eu "aparentar" ser aquilo.

É quando prestamos o tal culto pagão e saímos distribuindo os "dízimos e ofertas" como negociação pela aceitação e aprovação de algo que nem é aquilo que Deus sabe que não somos de jeito nenhum e mesmo assim teimamos em nosso achismo pretensioso de que precisamos nos fantasiar pra que Ele nos aceite, que fiquemos "bem na fita" com Ele, seja na igreja, no trabalho, nas festas, no meio social, na nossa vida, enfim.

É desses sacrifícios tolos e vãos que eu falo.

Por outro lado (e esse é o meu caso em particular rss) se eu não faço exatamente como determina o figurino, eu passo a ser uma estranha no ninho, uma transgressora. Simplesmente porque me recuso a viver essa vida aparente.

E é justamente essa "vida aparente" o cerne da questão.

bj

R.

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

Ou seja pra (ser) , vc não precisa ser forçada a obedecer, a se vestir de crente, não precisa estar dentro de um Templo, não precisa dar dízimos, e por aí vai! seria isso Regina que vc esta falando amiga? assim entendi. Ou seja não precisa ser igrejista, não preicsa vestir a camisa da igreja.

Regina Farias disse...

Então,Rô...

É exatamente em cima dessa coisa de se travestir em detrimento da ESSÊNCIA que eu entendo tratar esse fragmento do texto do Bonder.

Essas tais abstinências e privações onde o corpo (aparência)se comporta como "freio" das transgressões de uma alma escancaradamente desnuda diante de Deus.

Ora, se Deus nos esquadrinha como bem discorre o salmista, qualquer esforço em performance é tolo e vão, pois Ele quer apenas o nosso coração sincero.

O mais é invenção religiosa.

bj

R.

disse...

Sim, esta coisa de se travestir , escondendo sua nudez, mas Deus tudo vê. bjsss

Tiago Scala disse...

Oi Re, Ro, Dri, João, etc... rs. Paz! Bem, minha visão sobre tudo isto é que Deus nos vê bem mais além de nossas atitudes e aparência. De fato sou totalmente contra uma vida aparente. Mas a Regina tocou num ponto importante sobre nossa auto-imagem. Faz total sentido quando olhamos para o exemplo que ela deu, mas já pararam para pensar que tudo que fazemos para agradar a Deus é privação contra quem na verdade somos? Ou seja, no fundo, tudo é mentira para sustentar a imagem que queremos ter de nós mesmos. Não sei se vou conseguir me fazer claro. Somos pecadores, totalmente corrompidos, nada há de bom em nós. Portanto, quando obedeço a Deus o que estou fazendo? Não seria isto mentira contra mim mesmo, pois na verdade sou corrompido? Ou estaria meu ser apenas em busca de aprender uma nova forma de vida - uma vida excelente?

Vamos precisar da ajuda da Dri aqui, se habilita?

Ricardo Mamedes disse...

Regina,

Mais um texto que faz pensar. Para me apegar a um dos ítens - e que me chamou muito a atenção - fico com o "dilema da auto-imagem. É de fato o local onde cometemos grandes pecados de idolatria. Engraçado que, coincidentemente, estou lendo um livro de Anthony Hoekema (Criados à imagem de Deus), que trata deste aspecto. Segundo o autor - e eu concordo com ele - a auto-imagem pode ser cultivada, desde que com equilíbrio, na medida em que trazemos em nós mesmos a "imagem e semelhança de Deus". E todos nós a trazemos, tanto os que não foram alcançados pela graça salvífica - e a têm deformada, disforme - como aqueles que foram alcançados - tendo-a restaurada. Nesse ponto eu concordo com o Tiago.

Ainda concordando com o Tiago, não se pode confundir santificação com sacrifício: a santificação é processo automático que ocorre com a regeneração e não representa sacrifício algum ao salvo, mas, antes, prazer. Os Gálatas acreditavam que, uma vez alcançados pela graça, poderiam praticar toda sorte de pecados (quem sabe com a mesma ideia de não sacrificar) no que foram seriamente admoestados pelo Apóstolo Paulo. O mesmo apóstolo ainda asseverava: "façamos males para que nos sobrevenham bens"?

Enfim, penso que a verdadeira graça não exige sacrifícios, quaisquer que sejam, mas leva a um gradativo processo de santificação, que se manifesta em "deixar de fazer alguma(s) coisa(s)" sem que isso se caracterize em sacrifício. Algo subjacente à graça.

Ah, sei que você é avessa à teologia e talvez estes meus argumentos sejam um tanto teológicos. Porém, eu amo a teologia na medida em que ela me aproxima de Deus, fazendo com que O entenda melhor.

Grande abraço!

Ricardo.

disse...

Enfim, penso que a verdadeira graça não exige sacrifícios, quaisquer que sejam, mas leva a um gradativo processo de santificação, que se manifesta em "deixar de fazer alguma(s) coisa(s)" sem que isso se caracterize em sacrifício. Algo subjacente à graça.


Ricardo também amo Teologia, mas se deixamos de fazer algo ja estamos sacrificando, o ato de deixar algo, se não for algo que te seja dificil talvez não caracterize sacrificio, Mas tudo que exige sacrificio não é graça.Paz

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Regina Farias disse...

Ricardo,

De fato, santificação não pode jamais ser confundida com sacrifício, senão "O viver bem e viver o bem" do Evangelho de Jesus seria uma farsa maldosa e cruel.

No meu modo de ver e me expressar, a santificação se dá justamente quando nós deixamos cair a máscara, e permitimos seguir esse novo padrão que Deus "propõe" como vida excelente e que nada tem a ver com privações e abstinências e sim com CONSCIÊNCIA, onde vamos deixando para trás as coisas que não nos servem, mas por DISCERNIMENTO. Aí sim, nos vemos submetidos AO OLHAR que vai nos direcionar para uma vida de qualidade.

E, Ricardo, meu amigo, não é que eu não goste de Teologia, afinal isso que a gente tá fazendo é lançando mão da mesma. Apenas já tô muito velha pra certas discussões inúteis sobre o sexo dos anjos rss

Abs,

R.

Regina Farias disse...

Rô, minha linda,

Vejo que você ilustra de forma bastante poética o que está no texto do Bonder e também o que acabei de escrever pra o Tiago em resposta ao seu último comentário e que por algum erro ocorrido por aqui não foi postado. :(

Vou esperar um pouco, afinal estou com problemas de conexão desde ontem.

Quanto ao restante vou lá conferir.

bj

R.

Ricardo Mamedes disse...

Rô,

Discordo com você em cada aspecto do seu comentário, queira perdoar-me. E explico: o que você disse está eivado de subjetivismos! Veja só:

"Ricardo também amo Teologia, mas se deixamos de fazer algo ja estamos sacrificando, o ato de deixar algo, se não for algo que te seja dificil talvez não caracterize sacrificio, Mas tudo que exige sacrificio não é graça."

Segundo o seu comentário acima, não podemos fazer nada mais! Devemos ficar absolutamente imóveis "sob pena de sacrificar".

Deixe-me dizer uma coisa, tudo que fizermos ou acharmos, sob o aspecto cristão, façamos com base na palavra de Deus. E ela nos diz que "tudo é permitido, mas nem tudo nos convém". E nisso eu concordo com a Regina, a palavra é "discernimento". Obviamente podemos e DEVEMOS deixar de fazer algumas coisas sem que isso se caracterize em SACRIFÍCIO. A graça e somente ela é que nos leva a esse processo de nos abstermos de alguma coisa. É processo puramente divino: "Pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus"(Efésios 2.8-9).

O apóstolo Paulo nos insta que "uma vez salvos, e tendo experimentado a graça, não devemos permanecer no pecado, sacrificando novamente o Filho de Deus".

Portanto, penso que você comete um grande erro de argumentação e bíblico ao "subjetivizar toda a ação humana" como sendo sacrifício. A diferença está em fazermos "por nós mesmos" - e isso é trapo de imundície (Isaías 64.6)- ou fazermos exclusivamente para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31. Compreende?

Concluindo: eu deixo de fazer sim, inúmeras coisas que não me convém sem que isso seja qualquer sacrifício, pois é resultado da graça em minha vida.

Regina,

Eu também não gosto de discutir o sexo dos anjos (rsrsrs), pois, tal como você, também me sinto velho para tal. Eu gosto de discutir teologia reformada para o meu crescimento pessoal no conhecimento de Deus. É apenas um exercício mental sadio, sem o condão de disputa ou competição - ainda que às vezes os ânimos se exaltem.

Grande abraço!

Ricardo.

Tiago Scala disse...

Digo amém às duas últimas argumentações do Ricardo e volto à questão do sacrifício. Acredito que mesmo que uma ação minha de privação venha a se caracterizar em sacrifício o problema seria para quem ele é, não? Todo sacrifício é pecado? Quando ofertamos nosso corpo como forma de culto ao Senhor isto é chamado de sacrifício vivo, o culto racional diante de Deus (Rm 12.1,2).

Esta apresentação do nosso corpo e renovação da mente como sacrifício condiz com o requisito para se tornar um discípulo segundo a declaração de Cristo em Mt 16.24: "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;"

Também declaro aqui, para efeito informativo, que a única teologia que aceito discutir é aquela que me aproxima de Deus e que produz em mim uma mente sadia para melhor servi-lo.

Paz a todos!

Tiago Sc.

disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Regina Farias disse...

Tiago,

Quando faço ironia, dizendo que não gosto de bate-bola em blog nenhum e muito menos com tempero "teológico", eu não me refiro a este em absoluto. Até porque não vejo essa nossa discussão no nível das tolas disputas mas simplesmente uma busca de entendimento do que cada um expressa.

Também gosto de seus textos e suas colocações e confesso que é porque há uma tendência a me atrair mais pelas leituras com as quais me identifico e creio que também é assim com os outros, pois eu sou noooormal :)

Em relação a tudo que foi dito aqui e o que você escreveu em seu blog nesse sentido, o que eu observo, e até posso estar errada, é que estamos falando praticamente a mesma língua, com a diferença que viemos de culturas religiosas diferentes e aí há algumas, digamos, vertentes.

Sem querer polemizar nem estender demais um assunto já por demais dissecado rss devo dizer que só tem algo que me inquieta. E talvez aqui peço sua paciência pois já me contradizendo talvez eu até me estenda por ter que discorrer um pouco mais para me fazer entender. (Espero)

É quando você insiste na literalidade da oferta do corpo como sacrifício e isso eu estranho muito, porque embora me esforce para cuidar do meu corpo tanto na parte fisiológica, como anatômica e estética rss eu não ofereço corpo e sim meu SER, 24 horas por dia, todos os dias, durante o período em que respiro, com todas as minhas falhas, meus vacilos, meus erros, meus defeitos. Não quero ser a certinha, não quero ser a justa nem a perfeitinha, não ouso nada disso. Pois sei que diante de Meu Senhor e Meu Redentor eu serei sempre a imperfeita mas amada e amparada pelo Seu Amor e pela Sua Misericórdia. Assim como quero aprender a amar o próximo da mesma forma que sou amada pelo Autor da minha vida.
Só isso.
Pra mim isso é culto racional.
Observe que mais adiante o mesmo Paulo diz: transformai-vos pela renovação da vossa MENTE.
E é isso que interessa.

Veja um exemplo do que me aconteceu pouco tempo depois da minha conversão. Eu estava em serviço ministerial de fim de semana, (tipo um retiro)e alguém não gostou da minha atuação de "líder" indo reclamar à chefe rss que eu não sabia liderar, que deixava as meninas à vontade ( as meninas, diga-se passagem, na faixa de 30 anos pra cima he he) e blá blá blá, fez um bafafá e eu fui chamada e tal e vi que era só intriga da oposição. Encurtando a história, fiquei muito pê da vida com a mulé, eu lá dando meu sangue, deixando cada uma agir conforme a própria consciência sem pegar no pé como se fossem crianças e ela vem com essa.(Tem sempre uma despeitada, bora combinar)

Resultado: expliquei que não era nada daquilo, ficou tudo bem, maaaas fiquei azeda e me fechei! Só que no culto de ação de graças da terça, que reunia a turma toda, chega ela, saudando a todos com a paz do Senhor rss, menos a mim... E eu ali "na minha" continuei cantando o louvor mas, contudo, porém, todavia, algo começou a me incomodar PRA CARAMBA e eu não conseguia mais cantar nada porque havia algo que "não batia", tinha uma nota dissonante, algo incoerente. Foi quando Deus falou claramente no meu ouvido Mt 5:23.24Ora, mesmo a mulé tendo me ignorado acintosamente porém eu "ouvindo" aquelas palavras contundentes, não deu outra: saí do meu lugar com toda determinação e fui lá dar um abraço nela. Ela se desmanchou e ali choramos juntas. Então voltei pra fazer a minha oferta que não tem absolutamente nada a ver com corpo, entende?

Esse "entrar em acordo sem demora" tinha - e tem - a ver com a minha saúde emocional e espiritual. Que se não tratada, vai atingir o meu corpo. (É só quando o corpo entra em cena)

É disso que venho falando...

Beijos,

R.

Tiago Scala disse...

Oi Regina, estou sentindo falta do João nestas discussões, hehe... o cara me pergunta se vou encarar e some! rs...

Só em questão ao corpo como sacrifício eu também incluí dentro do corpo o ser, tanto que uso ambos os versículos Rm 12.1,2

Bom... sem aumentar mais a delonga este seu último exemplo tornou-se um sacrifício. Sacrificou o seu ego em prol da reconciliação... isto foi seu louvor a Deus, muito bem aceito por ele. Não foi aqui que começamos tudo isto? Não foi a um ídolo ou a um deus da sua auto-imagem, mas ao Eterno.

Texto bom é assim... nos faz pensar. Paz!

Regina Farias disse...

Tiago

... Mas não seria o corpo inserido no SER?!

Porque, para mim, o templo do Espírito Santo não é o meu corpo onde abrigamos nossa alma e nosso espírito.

O templo do ES é o MEU SER, o meu existir por completo, com os meus conceitos e consequentemente com o meu comportamento, minhas atitudes, minha assinatura por onde passo.

E, veja bem, para mim não é nenhum sacrifício escrever/discorrer/relatar/conversar sobre algo, até porque é um prazer enorme fazer isso. Eu amo escrever
e o faço com imensa satisfação. Aliás, como transgressora nata rss qualquer coisa que se constitui em sacrifício me é cansativo e eu já desisto antes mesmo de começar. É o que acontece, por exemplo, em alguns blogs por aí onde me limito a passar a vista de relance rsss

Agora, sair da própria acomodação da rotina cotidiana pra resolver alguma pendenga, algo que faz sair do próprio conforto, horário e até dos próprios conceitos para socorrer alguém, por exemplo, isso sim, é verdade que não constitui exatamente em prazer, mas é uma obediência que nos gratifica, nos preenche, nos faz crescer.

Ah, meu amigo, o tema é vasto e atraente :)

bj

R.

Regina Farias disse...

Só esclarecendo:
Sair da acomodação não é um prazer pessoal, não se constitui um capricho normal do ego rss, mas finda por ser algo MARAVILHOSO quando saímos de nós mesmos e nos vemos ali diante de um novo empreendimento que nos tira do foco e coloca o semelhante nele. É isso que gratifica, que faz crescer e finda por tornar-se um PRAZER.

Ricardo Mamedes disse...

Só para complementar: o exemplo da Regina vai de encontro àquilo que expressei no início. O que fazemos para Deus - mesmo direcionado para o próximo - não é nenhum sacrifício, ainda que se assemelhe a isso, humanamente falando. Mas, meus amigos, o Evangelho é loucura para os que não creem!

Enfim, penso mesmo que santidade é resultado da graça. E nada tem a ver com legalismos (que eu detesto!)

Ricardo

Marcos disse...

Post Fora de série. Sou fã de carteirinha do Rabino Nilton Bonder, eu li a cabala do Dinheiro. Excelente texto, parabens!

Regina Farias disse...

Marcos,
Perdão pela demora, mas ando meio envolvida com outras coisas também importantes...
Então,
Não conhecia esse autor de 19 obras já, desculpe a ignorância rss
Mas depois que li o livro me apaixonei e até dias atrás li uma matéria DEZ sobre ele na revista Cláudia.
Tem também a peça com o mesmo nome que aliás, ajudou a divulgar seu trabalho. Excelente!!!

Volte sempre!

R.

Abelmon disse...

Texto muito profundo e polêmico por apresentar em poucas linhas um tema tão vasto, simples, mas ao mesmo tempo complexo. :-)

Creio que ao final dos comentários, entendi que "Sacrificar a ídolos" é (também) o esforço/sacrifício em preservar uma auto-imagem em relação aos outros, ao invés de focar na auto-imagem em relação a Deus que nos vê em essência de maneira completa e desnuda.

Lição muito rica. Que Deus me ajude a aprender mais.

Abraços!
Que a Paz e a Graça nos sejam multiplicadas em nosso Senhor Jesus Cristo!