"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Evangelho segundo Paulo?!


Estava Paulo fazendo referência às suas cartas quando falava em “toda Escritura”?






Primeiro: Paulo cria que havia recebido revelação de Jesus em relação ao que ensinava como Evangelho.

Ele deixa isso claro.

Segundo: tais conteúdos têm a ver com Jesus e a justiça de Deus em Cristo. Com todos os privilégios de consciência espiritual que daí advém — e não com formas de governo, indicação de presbíteros, bispos, pastores, mestres e líderes.

Para Paulo o que era revelação era o “mistério outrora oculto e agora revelado”; a saber: “Cristo em nós, a esperança da glória”. Já os governos e suas formas eram elementos vinculados ao bom-senso e à ordem, mas não eram Revelação, como se fossem parte do Evangelho.

Tinham a ver com a necessidade histórica, com o momento, e com aquilo que o bom senso recomendava — sempre conforme o espírito do Evangelho.

Paulo não olhava para o futuro da História como muitos passaram a fazer depois de alguns anos; e, depois, por quase dois milênios. Para Paulo o tempo estava próximo, às portas. Ele não olhava para o futuro e via mais milhares de anos de História; muito menos via algo a ser chamado de “História da Igreja”; e tampouco pensava que suas cartas estariam num livro, em pé de igualdade com Isaías, Jeremias e todos os profetas - inclusive com vantagem em alguns aspectos, pela atualidade de suas compreensões em relação a Jesus.

O que Paulo desejava não era a manutenção de suas cartas.

Ele ambicionava era que o Evangelho por ele pregado não fosse deturpado em seu conteúdo acerca de Jesus.

Paulo só tinha coração para o que dizia respeito a Jesus. As demais coisas ele fazia a fim de proteger o rebanho daqueles que eram os “falsos ministros” e “falsos apóstolos” desse “evangelho” que ora diminui, ora acrescenta coisas, ora suprime por completo os conteúdos do Evangelho.

Na visão de Paulo a questão era fazer Timóteo alguém que encarnasse a compreensão e o entendimento do Evangelho que Paulo explicava em suas cartas, epístolas e pregações. Ele pensava assim, pois esse era o modo hebreu de pensar.

Além disso, o próprio Jesus havia tratado tudo com total “despreocupação” em relação a carregar com Ele um escriba, anotando todas as coisas.

O primeiro texto-evangelho sobre Jesus apareceu apenas 15 a 20 anos depois. Portanto, Paulo cria do mesmo modo. E o que ele transformava em carta, era o que ele sabia fazer como “mídia”. Não como Escritura.

É também por tal razão que Paulo trata a Timóteo como Jesus tratara os apóstolos. Por essa razão é que Paulo pede ao discípulo que ande como ele, Paulo, andava; que servisse no espírito do serviço que ele, Paulo, mostrava; e que assim fosse feito, pois, o que nele, Paulo, se podia buscar ver, ouvir e entender, era sempre Evangelho.

Para Paulo a absorção do Evangelho não era uma questão de transferência e absorção de conhecimento, mas sim de assimilação de caráter, entendimento e percepção aplicável à vida.

Assim é que ele manda Timóteo olhar para ele e imitá-lo no procedimento, na fé, no amor e no saber; pois, ele, Paulo, fazia isso como quem era uma Escritura viva de Jesus; uma carta viva, escrita pelo Espírito.

Para Paulo a doutrina era o modo de viver, e não um pacote de saberes.

Para ele, doutrina era equivalente a crer na verdade, e não uma elaboração de informações.

Sim! Para Paulo doutrina era entendimento do Evangelho aplicado à vida.

Enquanto isso, as doutrinas da “igreja”, fundamentam-se profundamente naquilo que para Paulo era apenas circunstancial, e não final.



Texto na íntegra AQUI







9 comentários:

Gabriel Nagib disse...

O Caio acertou em cheio o cerne da questão. Ao canonizarem os textos de Paulo, elevaram-no a um patamar tão sagrado que qualquer tentativa de interpretar fora de um padrão que considere aquilo como verdade absoluta, é considerado heresia.

Não podemos olhar para Paulo e tentar entendê-lo, tentar enxergar o contexto para qual Paulo escrevia e os objetivos dele.

Não, temos que ter à priori tudo que Paulo disse como Verdade absoluta, como padrão a ser seguido, daí fazem-se inúmeras interpretações.

Isso matou as cartas de Paulo!

Daí os crentes fazem essa briga de versículos, e esquecem do Evangelho do Mestre!

Regina Farias disse...

PoiZÉ, Gabriel :)

E a contradição GRITANTE é que os que canonizaram NÃO SÓ OS TEXTOS rss mas o próprio "SÃO" Paulo, foram os "crentes" que se recusam a adorar os santos CANONIZADOS da ICAR rss

Pior é que essa briga com unhas e dentes/ a ferro e fogo é acerca de coisas referentes a HÁBITOS e COSTUMES dentro DAQUELE contexto histórico e principalmente relacionados a uma performance que nunca foi requerida por Jesus em seus dias missionários, MUITO pelo contrário, Ele abomina isso, posto que se sobrepõe ao que, de fato, nos é requerido e que tem a ver com as coisas do nosso coração, nossas atitudes, nossa ética, nosso caráter, ou seja, transformação DE DENTRO PRA FORA.

Por isso que essa defesa acirrada pela exterioridade me é intrigante e estranhíssima.(Usando de eufemismo rss)

Bom, a menos que o raciocínio de Jesus tenha sido:

"Já que não deu tempo pra eu rever minhas exigências e elaborar uma cartilha com proibições/concessões vou derrubar aquele cara do cavalo e fazê-lo meu redator pessoal".

Vai ver eu não alcancei esse raciocínio :)

Abs...

R.

João Carlos disse...

As cartas de Paulo são incrivelmente simples, apesar de muitas pessoas não entenderem o espírito da coisa.

Pode parecer contraditório se lermos o que Pedro disse uma vez, quando falou que o que o irmão Paulo falava algumas vezes era difícil de entender.

Não era difícil. O problema era que Pedro estava engessado com o legalismo das doutrinas da Lei (meio redundante, eu sei), e por esta razão não entendia como um cabra como Paulo uma hora falava para não beber vinho e outra hora falava que não era para ser dado a muito vinho, e - para piorar - incentiva Timóteo parar de beber Minalba e tomar um pouco de Cabernet Sauvignon.

A aparente contradição nada mais é do que a sabedoria dada pelo Espírito, ensinando que CADA CASO É UM CASO e não há como engessar o assunto (citei o vinho apenas como exemplo).

Paulão escrevia demais, e a essência do Evangelho está em cada letra posta no papel...

É um mergulho no profundo do profundo, uma relação quase 'mística' com o Espírito, difícil de explicar, apenas tem como vivê-la.

Discordo do que meu amado irmão falou, dizendo que as inúmeras interpretações mataram as cartas de Paulo.

Penso exatamente o contrário! Esta flexibilidade permite que o Evangelho seja vivo e eficaz (parafraseando o próprio Paulo), se adequando a cada necessidade humana.

Isso não é contradição. Isso apenas mostra o quanto as cartas são abrangentes...

Sei lá, não consigo colocar tudo o que vivo, mas para mim é mais ou menos neste caminho...

Abração Regina!!!!

JC

Paulinha disse...

Querida amiga REGINA,

Demorei vir a comentar, mas apareci..rs

É sempre um prazer poder ler uma postagem sua...tenho lido outros artigos seus, embora não tenho comentado pela correria do cotidiano, mas você está de parabéns!!

Com base no seu texto, dá para absorver a idéia de que Paulo foi quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião...

Um apóstolo distinto aos demais, por sempre ter dado uma maior ênfase à todos irmãos...

Grande beijo..

Gresder Sil disse...

A muito tempo este entendimento do caio sobre o paulo estava claro para mim, meu deus como não perceber coisa tao evidente! canonizaram seus escritos só por que o Pedrão disse que os carinhas estavam mau interpretando a cartas de Paulo assim como mau interpretavam a bíblia judaica. O que é quase o mesmo que dizer que eu estou na altura de um filosofo quando meus textos ficam difíceis de entender.

Regina Farias disse...

João

Tô ligada nessa sua leitura tendenciosa em relação ao vinho rss e até sou suspeita porque também muito "aprecio" essa bebida huuummm (Já trocamos figurinhas a respeito rss)

Quanto ao engessamento de Pedro quem bem falou também foi um irmão meu (católico) quando conversávamos dias atrás sobre seu perfil e ele atinou pra algo interessante: Pedro era bem mais velho e isso, inclusive naquela (naquela?! rs) época, pesava demais na sua veia fundamentalista, independente de ser apóstolo.

Observe o que diz o texto em João sobre a "secura" dos cumpridores ferrenhos da lei ao quererem apedrejar a mulher adúltera:

"...foram-se retirando um por um, A COMEÇAR PELOS MAIS VELHOS..."

E é o que, em pleno século vinte e um, querem forçosamente os "mais velhos" fundamentalistas deixar de legado para seus pequeninos.

Isso SEMPRE me incomodou, daí minha ênfase em textos e estudos em cima disso, algo escancarado no meu blog e que denuncia toda essa INQUIETAÇÃO - não em relação a mim, que graças a Deus nunca engoli isso e estou mais que liberta dessas crendices que só neurotizam - mas por ver pessoas de boa-fé se submeterem a esse jugo de escravidão que enche seus corações de medo, sufocando O AMOR capaz de anular justamente todo esse medo.

Eu fico PASMA com todo esse ENGESSAMENTO porque ao (tentar)debater isso com uma pessoa com essa "mentalidade", o argumento dele foi um versículo onde Paulo diz ao povo de Corinto:

"... reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo." (ICo 14.37)

E, como comentei nessa mesma ocasião ,o que me chama à atenção é que o mesmo suposto co-autor dos mandamentos diz em todas as suas epístolas:

“A GRAÇA DE CRISTO é o fim de toda Lei e o começo-realizado de toda Vida, para a paz e a justiça de todo aquele que crê”!

E, parafraseando-o em sua SEGUNDA carta aos coríntios, mais precisamente no capítulo 3:

Só em conversão ao Senhor – e não à denominação! – é que somos libertos dessa presunção “da observância da Lei” que coloca barreiras para a revelação da Graça.

A minha questão em relação à aplicação da suposta lei estabelecida é que as pessoas seguem regras que lá no fundinho do seu ser recusam-se a seguir, mas o fazem por ser OBRIGATÓRIO, tornando-se seres robotizados e infelizes, isso quando não se mascaram, passando a assumir uma identidade DISSIMULADA, mentindo para si mesmo e para os outros em função de uma suposta vida eterna oferecida.

Enfim, com esse meu defeito terrível de ser prolixa rss é assim que entendo o que disse o Gabriel em duas linhas rss sobre alguns "intérpretes" terem matado as cartas de Paulo.

No mais, é como você complementa de forma rica e brilhante em incrível poesia escrita em prosa (só pra variar rss)

E essas suas iniciais homógrafas exibidas assim são pra esnobar?rss
JC = Jesus Cristo :)

Abração,

R.

Regina Farias disse...

Paulinha, seja bem vinda!

Finalmente, né?

Embora o texto não seja meu (não tenho esse cacife rss) você também resumiu de forma contundente o que tem acontecido em outras paragens:

As cartas de Paulo tornaram-se premissa religiosa.

Ironicamente foi o próprio Paulo quem afirmou que qualquer interpretação que não seja centrada exclusivamente em Jesus é engano religioso que presume ler tudo o que foi dito como “interpretação correta”.

E, parafraseando o próprio autor do texto acima:

Jesus não está nem um pouquinho preocupado com exterioridades e sim com o coração. Lendo mais os Evangelhos aprendemos DELE e, consequentemente, vivemos conforme sua perspectiva e não de acordo com as performances estabelecidas.

O meu apelo - ainda parafraseando-o, é para que não anulemos o sacrifício da Cruz com nossas lógicas acerca da semântica axiomática rss pois quem experimenta desse AMOR de forma VISCERAL não perde tempo em explicações/convicções arbitrárias. Simplesmente carrega em si a LEVEZA do que se PROVOU em fé para uma vida EM LIBERDADE. E esse ACESSO é algo extraordinário que não tem hermenêutica que explique e que conduz a um relacionamento correto com Jesus.

É isso!

Beijo grande,

R.

Regina Farias disse...

Gresder, meu (segundo)filósofo contemporâneo preferido. O primeiro é meu filho Léo rss

E então?!

Como não entender algo tão simples requerido por Deus e perfeitamente aplicável no cotidiano de maneira SAUDÁVEL em todos as esferas do ser relacional?!

Como sempre digo, o que me leva a comentar nesses termos é aplicado à minha própria existência, quando do meu entendimento acerca da manifestação de Deus na minha vida, Sua real presença na minha existência de forma LEVE e SUAVE, do jeitinho especial e único proposto pelo Autor das nossas vidas (Mt 11:28,29,30) transformando meu coração e minha vida, USANDO-ME em prol do Seu Amor pelo próximo, isso tendo sido – e sendo!- algo maravilhoso e totalmente LIBERTADOR e completamente FORA dos muros aprisionantes da religião, dos igrejismos, enfim, do denominacionismo imposto pelo homem arrogante com seus acréscimos/decréscimos como mostra a história da humanidade desde os tempos bíblicos e que não aceita a simplicidade desconcertante do Evangelho da GRAÇA de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ufa, me empolguei rss

Glórias pois a Ele, eternamente!

Beijo grande!

R.

João Carlos disse...

"JC" de João Carlos, mas como diz as Escrituras, "não sou mais eu que vivo, mas Cristo que vive em mim"... sendo assim, há margem à interpretações... rsrs

E vou além (hoje estou muito cara de pau)! Tenho a ousadia de falar como Paulo: 'sede meus imitadores, como eu sou de Cristo! (agora que vou ser excomungado de vez!)

Se não for assim, que porcaria de cristianismo estamos vivendo? Eu tenho a cara de falar isso 'sem medo de ser feliz'. Estou plenamente consciente da relação que tenho com Jesus.

Ah, podem ficar tranquilos todos aqueles que não entenderam minha colocação sobre isso: Não me considero o "Hinri Cristo"... :)

Beijos!

JOTACÊ (JC)