"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Uma mente brilhante


Postei esse texto do CF  (negritos meus) por ter tudo a ver com o anterior (e com algumas equívocos que andei lendo sobre "brilhar"...)

No filme “Uma Mente Brilhante” (“A Beatiful Mind”) sobre a vida do Matemático Americano John Forbes Nash, Russell Crowe interpreta o papel de um homem acometido por esquizofrenia, e que apenas sobreviveu em condições mínimas de trabalho e produtividade em razão de ter confiado no amor de sua mulher Alicia Nash.

Entretanto, o que me leva a evocar a memória do filme (2001) é o fato simples e poderoso que ele apresenta: a mente precisa de aferidores externos a fim de encontrar sua saúde e equilíbrio.

John Nash, brilhante, superdotado, venturoso em tudo o que fazia, subitamente começou a entrar num mundo paralelo tão real quanto tudo o mais que ele chamasse de real, com a diferença de que somente ele via o que via, e, portanto, tratava-se de algo subjetivo e não real para o resto do mundo.

Sua salvação não da esquizofrenia, mas sim da “loucura”, só foi possível porque ele admitiu a esquizofrenia, entregando ao julgamento de sua esposa suas decisões sobre o que era ou não real entre as coisas que via.

Assim, confiando no juízo e no discernimento da esposa, e, sobretudo no seu amor por ele, foi que Nash conseguiu viver com a esquizofrenia sem enlouquecer.

De vez em quando ele tinha de perguntar à sua mulher se as pessoas que estavam diante dele eram reais ou apenas subjetivas em sua percepção, e, assim, conseguiu, mediante a fé no amor de sua mulher, encontrar o termo de aferimento de sua própria realidade.

Esquizofrênicos de um grau ou outro, todos nós somos. Pode-se até não ver coisas ou ouvir vozes, porém, o elemento de falsificação do real habita as mentes de todos nós.
Sim! Nossas mentes são desconfiadas e cheias de impressões falsificadas.

Pensamos coisas sobre os outros que não são reais e interpretamos a vida com critérios de uma subjetividade que raramente casa com os fatos reais da existência.

É assim que o tímido é visto como arrogante silencioso, o falante é percebido como metido, o quieto é olhado como fraco, o prestativo enxergado como interesseiro, o recluso como anti-social, o triste como infeliz, o belo como bom, o feio como mau e o simples como tolo.

De fato quem se entrega à sua própria “disposição mental”, diz Paulo, acaba enlouquecendo dentro do padrão social aceitável da loucura, mas nem por isto fica livre de ver, ouvir, pensar e interpretar de modo equivocado a vida e o próximo.

Para Paulo, entretanto, o aferimento da realidade deveria ser feito de modo existencial pela Palavra.

Isto porque sem a Rocha da Realidade que é a Palavra Revelada, todos nós de um modo ou outro vivemos em “viagens”.

O outro está louco e viajante em suas percepções sobre nós; e nos vê, ouve e julga por tais subjetividades; e, assim, provoca em nós uma outra falsificação: a do modo como o outro no vê; e a cuja percepção equivocada nós determinamos enfrentar, fazendo com que nossa própria mente caia imediatamente em outro terreno de subjetividade que afetará daí em diante a nossa própria percepção do outro e de nós mesmos, pondo-nos numa vereda de ilusão.

Quando Jesus mandou que não julgássemos Ele estava dizendo que o juízo equivocado - como quase sempre é em parte ou no todo - passa a ser o critério de nossa mente. Por isso é que com a medida com a qual medimos somos também medidos.

Todos os dias vejo como tais estados se tornam padrões inquestionáveis e fixos. E como a maioria não tem uma Alicia Nash a fim de confiar e encontrar o termo da realidade, as pessoas vão engessando o padrão da interpretação enganada como realidade.

A salvação de John Nash esteve e está no fato de ele confiar no amor de sua mulher por ele, e, assim, conferir com ela o que era ou não real.

Ora, no que tange a Palavra como referenciadora do que seja ou não real conforme Deus para nós, seu poder de cura e equilíbrio para a mente vem da fé, assim como aconteceu com Nesh.

Sim! Se eu não me disponho a crer no amor de Deus por mim, e se não me ponho na estrada da fé que confia em Seu amor revelado em Cristo, conforme o Evangelho, e se não me entrego a tal realidade pela fé, fazendo aquietarem-se as minhas próprias impressões e juízos — sem dúvida eu e você ficamos loucos ou com a mente falsificada em suas apreensões da realidade.

Portanto, hoje, verifique quais são suas certezas sobre a vida e as pessoas, e veja se elas conferem com o que a Palavra diz.

É a fé na Palavra aquilo que pode me salvar de minhas próprias construções e miragens.

No entanto, ter gente de bom senso e de confiança, e que nos ame, sempre sendo consultados sobre nossas próprias impressões, é algo vital para a saúde de nossas mentes.

Fé e amor continuam a ser os únicos elementos capazes de preservar a integridade de nossas mentes num mundo de falsificações e de construções alucinadas.



8 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Regina, este texto é muito interessante e você aborda questões complexas. Vou tentar me deter à tese principal:
“Ora, no que tange a Palavra como referenciadora do que seja ou não real conforme Deus para nós, seu poder de cura e equilíbrio para a mente vem da fé, assim como aconteceu com Nesh.” E ainda
“É a fé na Palavra aquilo que pode me salvar de minhas próprias construções e miragens.”

Você não acha que pôr a fé como medidora e realizadora da realidade não é perigoso? Não é a fé religiosa algo por demais subjetivo? É claro que a declaração de fé cristã parte do pressuposto que ela é a verdadeira e a real mas também não é assim que fazem toda e qualquer fé religiosa? Gostaria de ver sua resposta a essas indagações para depois se for o caso, voltar e continuar comentando.

beijos

Regina Farias disse...

Olá, Eduardo

Bem, primeiramente eu tenho para mim algo muito simples: fé não se explica, não se questiona, não se coloca em discussões e comentários como você me propõe, mas como tem algumas perguntinhas básicas vou fazer de conta que você nem é provocativo rss

O que eu vejo na essência desse texto, inclusive meio que complemento ao anterior como ressaltei, é que não se trata de fé cristã - ou religiosa, como queira - e sim da nossa espiritualidade em sua forma mais ampla, incluindo, claro, as nossas atitudes e decisões.

Daí a abordagem ser no âmbito das nossas esquizofrenias que vão sendo “tratadas” conforme o AMOR, a confiança e a sabedoria em entrega absoluta a alguém detentor dessas prerrogativas, como é o caso do Nash com a sua Alicia.

Então, analogamente, ele coloca Deus que se revela com seu amor, sua sabedoria e seu poder, nos fazendo AGIR em confiança.

Simples assim. É esse “medidor” que estabelece certa sanidade.

E, convenhamos, nós sabemos que religião não nos dá isso, e sim o oposto, pois religião – seja qual for - é esforço meramente humano, aí, meu irmão, a própria história da humanidade nos mostra como ficam as mentes...

Ora, em todas as religiões do mundo se paga um preço... E as pessoas continuam neuróticas.

De repente é aí que reside toda a complexidade...

É isso.

bj

R.

João Carlos disse...

Eduardo, meu querido, tudo bem?

Discordo em parte do seu argumento, talvez pelo nível de relacionamento que tenho com Deus (será esquizofrenia??? rsrs)

A fé para mim é algo tão real que sem ela é que fico sem diapasão. Não posso me ajustar ao ponto de vista ou à realidade de outros homens, não posso confiar que minha opinião sobre tudo está correta e por aí vai...

Pessoalmente creio que a fé na Palavrade Deus, que é infalível por se tratar do Verbo encarnado (Jesus) é meu único, seguro e eficiente referencial.

Tipo assim, entende?

Abraço!

(Regina, excelente texto!!!)

JC

Anônimo disse...

Oi, Regina.
Estava pesquisando sobre Comunicação e "cai"no seu blog.
Suas colocações são TOTALMENTE pertinentes. Hoje, vivo uma experiencia parecida com a do filme e busco, com minhas limitações, ajudar meu marido. Assim, fico me colocando no lugar daquela mulher que bravamente apoiava aquele que amava, muitas vezes superando ou tentando superar seus proprios limites e questões.
Considero a religião, não importa qual, ao interior que nos faz acordar e seguir pela vida todas os dias.
Maria de Fatima Avila.

Lendas de Vidas disse...

Curto demais esse filme, principalmente as incríveis atuações de Ed Harris, Paul Bettany e é claro Crowe, que a cada dia mostra ser um ator mais maduro e versátil... (Já assistiu a comédia româncica Um Bom Ano com a atuação dele e a direção do - pasme - Ridley Scott? Versatilidade pouca é bobagem)

A temática afirma que embora vejamos, ou sintamos (como seres congnitivos que somos) coisas ao nosso redor (verdadeiras ou falsas) o mais importante não é sentí-las, mas a importância que damos à elas...

Destaco o belo comentário da "Maria de Fátima".

Beijo Rê!

Regina Farias disse...

W. meu ILE* preferido!

Tb adoro esse cara, amo 'Um Bom Ano', é bem a minha cara esse tipo de filme, e ainda mais com esse lindinho com carinha de 'me bote no colo' rss já assisti mil vezes em canal pago e assisto mais, não canso. :)

Confesso que o comentário da MF havia passado batido, foi mal... Mas muito me alegra constatar, de vez em quando, como essas nossas reflexões do cotidiano não se limitam aos átrios dos templos. Que Deus lhe dê ânimo e sabedoria sempre. Isso é amor incondicional.

Faz tempo que descobri que somos bem parecidos. Aliás, tem uma galerinha aqui que se identifica mesmo em (quase) tudo. Isso é simplesmente incrível, principalmente considerando que (ainda) não houve aproximação física.

Abs (que não é freio)

R.

*Intérprete de Línguas pra lá de Estranhíssimas.

Regina Farias disse...

Ah, os outros dois que você citou também são perfeitos principalmente nesse tipo de papel com aquelas caras enigmáticas de adoráveis malvados.

(Daqui a pouco vamos substituir o lugar de Wilker e Maria Beltrão he he)

Wendel Bernardes - Lendas de Vidas disse...

Deixa quieto o comentário do Sr.Wilker, ok? Só Jesus!