"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Jesus milagreiro ou Jesus Redentor?




Lendo um texto  na C.P.F.G me atraiu o comentário de um amigo, o qual ouso transcrever abaixo por achar muito interessante a forma literária como ele coloca, além da riqueza de informação, claro. Afinal, cá pra nós... essa dobradinha há de ser perfeita para que meus dois neurônios consigam captar a mensagem (risos) Agradeço ao meu amigo Eduardo Medeiros e espero que haja sempre esse tipo de discussão pois as pessoas têm uma tendência ao VÍCIO, desviando-se do FOCO.



(...) Sabemos que o NT foi escrito em grego, mas o substrato do pensamento ali não é grego, e sim, aramaico ou hebraico.

Os Evangelhos refletem em tudo, o pensamento hebraico do AT. Por exemplo: Marcos e João começam com as palavras do Gênesis "No princípio". Mateus e Lucas também fazem várias referências ao Gênesis.

João, em todos os capítulos, reflete o espírito pousando sobre as águas...

"Água" e "Vida" são repetidos várias vezes: Bodas de Caná, o episódio da Samaritana, a piscina de Siloé, a lança do soldado que faz brotar água da ferida de Jesus.

João afirma explicitamente que Cristo é a criação e a palavra que cria!

Tudo isto é parábola, é símbolo.

Outro exemplo: O da ressurreição da menina relatado por Marcos (Filha de Jairo). O texto em aramaico diz "THALÍTA QÚMI" que é traduzido por "menina, levanta". É o próprio texto de Marcos que traduz a expressão para quem não sabia aramaico.

Mas a expressão vai muito além de "menina, levanta". THALITA, não significa propriamente, "menina", mas "ovelhinha". Logo, a tradução mais exata seria: "Ovelhinha, levanta". Thalita era uma palavra carinhosa, usada para crianças.

O povo hebreu tinha uma relação muito íntima com a ovelha: as ovelhas conheciam o som da flauta do pastor (Jesus vai dizer: "A ovelha conhece a voz do seu pastor”, o que já em si, é simbólico).

Se uma ovelha se extravia, o pastor não descansa até encontrá-la. A ovelha lhe dava lã - agasalho no inverno- e alimento. Isso criava um laço afetivo.

Na ressurreição da menina de 12 anos, esses elementos estão todos simbolicamente presentes: "Ovelhinha, levanta..."  O que também está ligado à parábola do Bom Pastor.

Jesus, como era corrente no seu tempo, usa a palavra "ovelhinha" para chamar carinhosamente a criança.

Tudo isso é muito mais poético, simbólico, com toda a riqueza que produz na alma, do que um fato cru de reportagem do noticiário das 8.

A mensagem aqui é a do pastor que dá a vida pela ovelha.

É a vida que volta e se levanta e sempre se renova.

Outro fator simbólico no texto é a idade da menina - 12.

Na antiguidade, o 12 é o número por excelência do sol (Talvez por que ao meio-dia, 12 horas, o sol está a pino no céu). 12 lembra o giro perpétuo do astro-rei no céu. É o símbolo da vida que sempre se renova.

Para todos os povos antigos, o número 12 retrata a vida, a ressurreição, a eternidade.

Egípcios, babilônicos, aztecas formularam sua filosofia olhando para o céu e para o sol.

O nome kleópatra nos hieróglifos tem 12 símbolos.

Temos as 12 tribos de Israel, os 12 apóstolos - simbolizando a geração perpétua do AT e do NT, os 12 cestos que sobraram na multiplicação dos pães...

Se nós compararmos esse texto com o relato da ressurreição de Dorkas por Pedro nos Atos, podemos ver uma correlação admirável.

Em Atos, a moça morta chamava-se em aramaico THABÍTA. Dorkas é grego. A narrativa segue praticamente todo o esquema do relato da ressurreição de Thalita por Jesus. É só ler e comparar.

Também há a frase: "Thabíta, levante-se". Thabíta vem da raiz hebraica TSEBÍ(beleza, esplendor...) e TSEBI (Gazela).
O paralelismo entre os dois textos é perfeito.

Até o som das palavras são parecidos: THALITA - THABITA. THALITA é criança, THABITSA é moça

Lucas quer mostrar a continuidade da obra de Cristo na Igreja que nascia, através de Pedro e dos discípulos. Cristo ressuscita a thalita(ovelha), Pedro ressuscita a Thabita (gazela).

A semelhança entre os dois relatos é perfeito demais! Um é o eco do outro.

E porque é assim?

Porque ambos os relatos são parábolas simbólicas que dizem muito mais do que a simples leitura literal poderia dizer. (Eduardo Medeiros).

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Sempre que vejo pessoas querendo se benefeciar e "usando" Jesus em proveito pessoal me vem à mente essa passagem espantosamente atual:

"Seguia-o da Galiléia UMA GRANDE MULTIDÃO. Também da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, SABENDO QUANTAS COISAS JESUS FAZIA, veio ter com ele.

Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem".

(Cf Mc 3: 7.8.9 - negritos e caps meus-RF)

 




9 comentários:

Eder Barbosa de Melo disse...

Texto profundo. Só estou registrando minha passagem visto que tô sem "cabeça" pra comentar. Abraço!

Eduardo Medeiros disse...

REgina, a sua pergunta "Jesus milagreiro ou Jesus redentor" é bem apropriada.

Ele queria ser bem mais redentor do que milagreiro. Seus milagres eram apenas sinais (conforme nomeio os Evangelhos), sinais de algo maior que estava chegando: O Reino de Deus.

Ele até reclamou que os judeus viviam lhe pedindo sinais...

Mas o único sinal que ele deu foi a metáfora dos três dias que Jonas esteve "morto" no ventre do peixe; também ele estaria "morto" por três dias e depois ressuscitaria.

Mas uma vez, o símbolo dá sinais da sua graça para dizer o que nenhum texto filosófico racionalista poderia dizer:

O Reino de Deus é o reino da vida. Da vida que surge e brota apesar das forças que o querem morto.

Mas a dinâmica do Reino é tão poderosa, é tão vida que derrota a anti-vida, que ao invés de se estabelecer como reino material visível, tocável e corruptível, ele se embrenha em gestação "dentro de vós"...Nosso consciente é a casa do Reino.

um beijo

Regina Farias disse...

Então, Eduardo

Eu quis aproveitar dois ganchos dessa narrativa tão rica: uma, é o fato de pessoas quererem apenas a parte do milagre; outra, é a insistência pelos sinais. Ambos, sempre bem ATUAIS! O primeiro, mais relacionado com interesses pessoais e o segundo com a incredulidade.

E valeu pelo BRILHANTE arremate final quanto à segunda colocação, mas "o pior" é que a minha ênfase -aproveitando teu texto/comentário -é em cima do "se dar bem", dessa agonia, essa ânsia, essa prioridade que as pessoas têm por milagres sem nem estarem interessadas no Reino, querendo apenas beneficiar-se neste e deste reino material visível e tangível.
E eu estou falando é dos que se dizem "crentes" mesmo, não se trata de nenhum cético.

E é claro que queremos cura, não é disso que se trata. Mas lembra dos dez leprosos? Só um deles voltou para adorar a Jesus. "E este era samaritano".(Lc 17.16) Vejo aqui uma única cura espiritual(salvo pela fé) entre dez curados de lepra. De repente, quem sabe, até havia "crentes" entre aqueles...

É justamente desse Reino sem "visível aparência" - como diz Jesus em seguida - por estar "dentro de vós", que eu insisto em falar aos religiosos que o buscam em LUGARES.

É isso que tento passar para as pessoas apegadas ao que não se pega.

Beijos!

Marcos disse...

Muitas pessoas se achegavam a Jesus não pelo Evangelho, não para aprenderem a salvação ou para aprenderem o amor ao próximo, mas para obterem alguma vantagem pessoal! E é assim até os dias de hoje!

Eduardo Medeiros disse...

REgina, falou e disse!! rsssss

votei no teu blog.

Regina Farias disse...

Marcos

Essa velha e abominável natureza do homem...
E tem aquela parcela de gente que se diz muito "religiosa" e tira proveito disso se achando "assim" com Deus, fazendo votos, negociando, só pra se dar bem em algo. Tô falando das devotas, das "piedosas", das que se acham crentes só porque seguem alguns dos itens de suas cartilhas denominacionais, como se isso desse alguma garantia.
Isso me incomoda, não nego!




Eduardo,

Valeu pela votação! Mas vou te confessar: como eu sou meio ruim de "política", acho que não ganho essas coisas. Fui na empolgação rsss

Regina Farias disse...

Eder

Fique à vontade, nem sempre comento o que leio também por aí...
E volte com mais calma :)
Abs...

Ever.TON disse...

pra garantir que o anterior foi ^^

Oi Re,
Eu estava *me* devendo vir aqui ler com calma essa sua postagem.
Aprendo muito com vocês.

Não sei se você conhece o Pr Ed René Kivitz, mas gostaria de sugerir 2 mensagens dele:

1º O Deus poderosamente Fraco
http://www.ibab.com.br/mensagens/20090322_manha_erk.mp3

2º A Resposta de Deus ao Sofrimento
http://www.ibab.com.br/mensagens/20100411_erk.mp3

Bom eu já coloquei os links ai pra só por no IE e baixar, mas caso queira ir no site conferir outras mensagens o endereço é:
www.ibab.com.br/mensagens
IBAB = Igreja Batista Água branca

*-*-*-*-*-*

Agora o que o mano Edurado colocou fico emocionado em ouvir falar de Vida e Ressurreição ativa em nós(vi coisas interessantes no video e nos livros do Rob Bell). No deitar e no levantar da planta.
Como diz o Ari, a Morte dando ligar para Vida.

Sou "rapaz" ainda, tenho que ler e aprender muito sobre tudo isso, mas quero continuar aos pés de quem sabe compartilhando.

Todos juntos - Everybody

esse lance que você também fala do "dentro de nós". Magnifico!

O próprio Deus dentro da gente, nos fazendo ser gente, com toda Gente. Grávidos de Deus - Como li em um livro que não lembro o nome.
Pra-além de minha própria permanência, de minha estadia, do momento agora.
Queria que tivesse uma palavra mais simples e popular para descrever isso, mas só o "transcendente" pode faze-lo.

bjao a todos

Regina Farias disse...

Tom

Achei rss
Não pense que não aprendo com você também e muitos outros jovens que têm blog. Leio textos e fico atenta a comentários, pois ali está a alma.
Como disse no teu blog, conheço o Ed René e tive a oportunidade de ouvir uma pregação aqui.
Também "conheço" o Rob Bell mas confesso que só em alguns videos.

Quanto a aprender, o tempo passa e a gente vê que nada sabe. Foi mal se é clichê mas é vero rss

Vejo em suas palavras, um jovem brilhante. Deus te abençõe!

Beijos,

R.