"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 19 de março de 2010

FAMÍLIA SAUDÁVEL

É impossível vida familiar saudável sem mente saudável e precisamos estar certos de que o Senhor antes de tudo deseja que gozemos de excelente saúde mental.

Quando Jesus se referiu à vida abundante, estava falando sobre uma vida equilibrada, em que todos os aspectos estão sob a autoridade de Deus; uma vida que garanta ao indivíduo crescer à imagem de Cristo.




Há um equívoco tremendo entre as massas religiosas sobre a expiação dos pecados e isso acontece mesmo entre pessoas ditas bem informadas, que trabalham, que trocam altas idéias, e que até vão à igreja com certa frequência, mas que ao mesmo tempo desenvolvem uma tremenda capacidade de dissimulação por viverem entristecidas, com a alma doente e oprimida pela culpa e onde elas fatalmente findam por acreditar piamente que precisam sofrer para pagar os pecados. Ao assumirem esse papel, elas não atentam para o fato de que Jesus já fez isso por nós e que pelas suas pisaduras nós fomos sarados. Ou então, se sabem, tentam anular Seu sacrifício perfeito e definitivo, tomando para si uma função que não lhes cabe, seja por ignorância ou relutância, sempre sofrendo ao levar uma carga que elas jamais poderiam suportar.

Ao longo da história da humanidade Deus vem ordenando como deve ser a adoração, e como sacrifício definitivo pelo pecado, Ele nos revela “O Nome que está acima de todo o nome”, em substituição das ordenanças externas exigidas pela antiga aliança. Cristo consumou na Cruz tudo que se prefigurava no Antigo Testamento. Com a Nova Aliança proporcionando perdão dos pecados, passamos a ter uma relação íntima e pessoal com Deus.

Em seu ministério terreno, Jesus nos deixou claro que Ele não queria apenas nos dar a salvação, mas estabelecer novos padrões para uma vida abundante como também enfatizar a importância de se viver uma vida de qualidade. Em oração, Ele nos ensina a pedir ao Pai: “Venha a nós o vosso Reino”, numa clara indicação que o Seu Reino inicia-se aqui mesmo na terra. Portanto, não tem essa de sofrer aqui para ganhar o reino eterno. Isso é mensagem distorcida que recebemos culturalmente dos nossos pais (e eles dos seus pais) que insiste em perdurar nas mentes fracas e adoecidas. Cabe a quem tem a mente sadia a obrigação de quebrar essa corrente amaldiçoada e buscar promover uma vida sadia, a vida de qualidade proposta pelo Mestre.

E essa vida de qualidade começa na família.

Em um mundo decaído, não existem famílias perfeitas, entretanto uma família sadia é capaz de suprir suas necessidades básicas, principalmente no que diz respeito aos filhos.

Os filhos têm alguma necessidades básicas:

• Físicas : comida, abrigo, vestimentas

• Emocionais: amor, aceitação, afirmação

• Intelectuais: por meio de habilidades desenvolvidas na vida diária

• Espirituais: orientações sobre conhecer a Deus e amadurecer nesse relacionamento.

Porém, em uma família disfuncional, onde algumas ou todas essas necessidades não são atendidas, há uma urgência na revisão de valores para que haja restauração e cura de modo que seja restabelecida a sua integridade e que se possa viver uma vida PLENA.

É fácil reconhecer uma família disfuncional, pois elas têm padrões em comum:

•  Não conversam, mantendo segredo de família;

• Não enxergam, adotando comportamentos inapropriados por causa da percepção distorcida que têm da realidade;

•  Não sentem, sem levar em consideração emoções verdadeiras, tornando-se cínicas ante as situações que ora se apresentam.

• Não confiam, não compartilham momentos alegres e descontraídos, vivendo em isolamento, assustados e confusos, acreditando que se expondo as promessas deixarão de ser cumpridas.

Essas famílias são formadas por pais com sérias dificuldades, que constantemente distorcem ou negam a realidade para esconder seus próprios problemas sempre relacionados a comportamentos abusivos, seja na área sexual, física e emocional, geralmente envolvendo determinados vícios.

Os filhos, por sua vez, violentam-se silenciosa e gradativamente mergulhados em um turbilhão de emoções negativas, assumindo imaturamente papéis e funções invertidas, lutando desesperadamente para alcançar uma perfeição sempre na vã tentativa de preencher as expectativas dos pais adoecidos na alma.

O resultado desastroso disso tudo nos filhos é uma vergonha, um profundo senso de inadequação e falta de valor que frequentemente desaguam no cinismo.

A boa notícia é que o Senhor deseja ser o “Reparador de Brechas” para essas famílias com crianças que sofrem/sofreram abusos ou são/foram afligidas.

Quanto a nós, os pais, adultos e responsáveis pelas crianças diante de Deus, somos advertidos por Paulo a prestar atenção ao que está sendo absorvido pela nossa mente, para que não nos tornemos cegos para a verdade. Precisamos estar atentos, pois quando certas mensagens são repetidas de forma contundente, seja por palavras, seja por ações, elas se internalizam como algo verdadeiro, porém não passam de falsas crenças.

Quantas vezes alguém não se pegou dizendo:

“Eu devo ser mesmo muito má para merecer tratamento tão ruim”.

E a cura começa quando a pessoa resolve identificar e confessar as mentiras que ela acreditou sobre si mesma, por mais vergonhoso que seja. Ela precisa entender que aos olhos de Deus ela tem valor e que levando seus atos vergonhosos à Sua presença, somente Ele pode limpar completamente essas emoções ruins, ZERAR e, por fim, promover a libertação. Para isso, faz-se necessário que ela admita e se arrependa. E isso só acontece com a mudança de velhos hábitos e conceitos.

Esse é o início da cura.

Fora disso é pura crendice religiosa que só aprisiona e enche a pessoa de culpa, oprimindo-a e adoecendo-a cada vez mais.

“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar, nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. MAS as vossas iniqüidades fazem SEPARAÇÃO entre vós e o vosso Deus”. (Is.59 1 e 2)

Precisamos estar atentos para os atributos de um Deus que nos ama e constantemente perdoa nossos erros dando-nos sempre uma nova oportunidade, outra chance de recomeço. E mesmo que experimentemos as inevitáveis consequências das nossas próprias escolhas, Ele, como Pai gracioso e perdoador, ainda usa de Sua infinita misericórdia para aqueles que escolhem viver uma vida em obediência.

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome,
se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos,
então eu ouvirei dos céus,
perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.
(2Cr 7.14)

“Pois, para com as suas iniqüidades,
usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei”.
(Hb 9.12)

“Então romperá a tua luz como alva, a tua cura brotará sem detença,
a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda;
então, clamarás, e o SENHOR te responderá;
gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui.
Se tirares do meio de ti o jugo,
o dedo que ameaça, o falar injurioso;
se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita,
então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como meio-dia.

O SENHOR te guiará continuamente,
fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos;
serás como um jardim regado
e como um manancial cujas águas jamais faltam.”

(Cf Isaías 58: 8 a 12- negritos e aumentados meus-RF)



(Fonte de pesquisa: A Bíblia da Mulher)






sábado, 13 de março de 2010

Vida espiritual?!




Escuto com muita frequência a expressão “fulana é muito espiritual” e isso me incomoda e me deixa muito intrigada simplesmente por não conseguir enxergar uma pessoa saudável desenvolvida separadamente em apenas uma faceta da sua existência. Para mim, o sentido de espiritualidade tem a ver com um modo sadio de se viver em todos os aspectos, daí não dar pra conceber como espiritual, alguém triste, oprimido e cabisbaixo, por exemplo.

Uma pessoa que se dedica excessivamente ao trabalho, ou que não cuida da própria saúde física sendo até desleixada com a aparência, ou que tem problemas familiares graves, e ainda tem sérias dificuldades de manter um relacionamento saudável com as pessoas, carece do princípio universal chamado equilíbrio.

Como haver equilíbrio se apenas uma dimensão da nossa existência está sendo “trabalhada”? Nós não somos mente, ou corpo, ou espírito, isoladamente. Não é possível dissociar essas três partes, pois ambas formam um único sistema.

O ser humano é resistente por natureza e por isso é muito frequente o hábito de querer carregar nas próprias costas fardos inúteis e pesados, só porque ele não se dispõe a enfrentar certas áreas da vida e entregá-las verdadeiramente a QUEM tem o poder de curar. E inevitavelmente me ocorre a questão da religião visto que esta costuma trazer sérios problemas nesse sentido, já que a mesma é mestra em mascarar a realidade com seus ensinamentos, levando o indivíduo a acreditar que está no caminho certo só porque preenche alguns requisitos exigidos por ela em detrimento do desenvolvimento sadio do ser como um todo.

Dentro do fundamentalismo religioso existe uma regra geral e simplista que me diz que se eu participo de algum ministério da igreja, se eu sigo normas áridas relacionadas com a minha exterioridade, se vou à igreja sistematicamente, se sou obediente a um pacote doutrinário, eu estou no caminho certo. Quantas vezes já se ouviu a frase absurdamente condescendente e distorcida: “Pelo menos ele está indo à igreja, lá não é o lugar do doente?”

Há essa meia verdade principalmente entre aqueles mais rígidos e legalistas cuja crença é confundida com fé, onde a verdadeira fé é substituída por meras crendices assimiladas velada e gradativamente como auto-punitivas e que, com o passar do tempo transformam-se em arraigadas superstições religiosas promovendo paralelamente uma pseudo-serenidade de espírito uma vez que lá dentro há um anestésico que eu chamo de envolvimento coletivo em manifestações emocionais, e aí é que reside a armadilha, pois de lá se sai embriagado de um espírito raso e temporário numa demonstração gritante de que esse caminho extremamente equivocado e perigoso não serve absolutamente de parâmetro para a conduta realmente cristã, posto que em nada colabora com o equilíbrio necessário para se viver uma vida prática coerente, sensata, ética. Pelo contrário, conduz a uma série de situações conflitantes que coloca a pessoa cada vez mais em parafuso em relação aos reais conceitos e valores, sendo que o mais grave de tudo é fazer isso usando sempre o nome de Jesus.

Ora, Jesus é antes de tudo ÉTICO! De nada me serve seguir a cartilha exigida pela denominação religiosa, se aqui fora, na minha vida prática, eu não tenho uma vida social e familiar equilibrada. É aí onde entra o verdadeiro equilíbrio espiritual. Que equilíbrio espiritual é esse que não me permite discernir o que é ético, o que é de fato a lista das situações cotidianas nas quais eu devo exercer a minha condição de equilibrada? As ações aqui fora da igreja é que vão dizer da minha saúde física, mental e espiritual. O cultivo e a prática de princípios e valores, a tomada de decisões, as escolhas pessoais, as minhas atitudes coerentes, estes sim, servem como fiel da balança.

Tudo isso me diz claramente que se eu tenho fidelidade apenas dentro da igreja eu não estou sendo fiel ao Deus da igreja e sim à igreja enquanto ditadora de regras inflexíveis que em vez de libertar o que faz mesmo é acorrentar a alma. Essa fidelidade apenas lá dentro é pura viagem, é ilusão, (É o tal ópio!), é religiosidade mascarada que só promove a dissimulação, a mentira e o auto-engano que entristece, que abate, que oprime, que DESANIMA.

Deus requer nossa integridade é na vida relacional aqui do lado de fora da igreja. E isso nada tem a ver com performances e tão-somente com o nosso caráter refletido nas nossas ações. Trata-se de uma busca constante que nos dá lucidez e nos liberta dos fascínios enganosos que conduzem ao poço escuro e profundo.

Para mim, isso é ser integralmente espiritual. Esse é o equilíbrio que vem da CURA. O mais é pura crendice que só adoece e aprisiona.




Disse Jesus:

Aquele que beber da água que eu lhe der
nunca mais terá sede;
pelo contrário, a água que eu lhe der
será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.

(Cf João 4.14)





quinta-feira, 11 de março de 2010

Êh, canseira!




Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos.

Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por Sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.


TEXTO NA ÍNTEGRA AQUI - (negritos meus- RF)



quarta-feira, 3 de março de 2010

IGREJA





O principal sinal da Igreja é a manifestação da multiforme Graça de Deus — na forma de amor, perdão, reconciliação, justiça e bondade procedentes da verdade que atua em amor.

Desse modo a Igreja só é Igreja quando nela habita a Graça como verdade seguida em amor.

Para Paulo, a verdadeira Igreja é o eixo da manifestação da Graça de Deus no mundo visível, visto que amor em verdade é algo que não nasce por geração espontânea em lugar algum do Universo.

Explosões cósmicas, surgimento de estrelas ou a morte delas, ou mesmo qualquer outro fenômeno universal, não têm nem de longe o significado da experiência do amor entre os homens, ainda que os que assim vivam sejam apenas uma imperceptível minoria aos sentidos estatísticos e de volume de matéria no Cosmos.

É como o diamante: não existe em abundância na Terra, mas o que existe é mais preciso aos sentidos humanos — pela raridade — do que imensas porções de matéria expressivas apenas pelo seu volume, e não pela sua qualidade.

É chocante quando indivíduos ou grupos humanos vivem em amor criativo e insistente no enfrentamento de tudo aquilo que é anti-amor na existência. Sim! Choca a todos!

A presença do AMOR — que é a marca do discípulo, conforme Jesus — em qualquer vivência humana carrega a marca da Graça de Deus.

A Igreja é o ajuntamento espiritual e comunal de indivíduos rendidos ao amor de Deus, o qual só pode ser visto no mundo como obras de Graça, misericórdia e justiça.

Por esta razão Paulo diz que a Igreja é constituída de pessoas para quem todo muro de separação entre os homens foi abolido na Cruz.

Assim, sempre que pessoas ou grupos vivem além das barreiras de separação — sejam elas de qualquer que seja a natureza —, aí sempre haverá Igreja em estado de produção de perplexidade para os principados e potestades invisíveis.

O apóstolo escreve essas coisas aos de Éfeso, que foi um dos lugares onde os Principados e Potestades disseram: “Conheço a Jesus e sei quem é Paulo!” — Atos 19.

Desse modo, Paulo cria que o centro das questões cósmicas não tinha em Roma a sua sede naqueles dias, mas sim entre aqueles que viviam de modo à perplexar os observadores invisíveis, os quais apenas se chocam ante a manifestação do amor num mundo gelado pela sua ausência.
Encontrar amor no Cosmos é algo mais chocante do que se achássemos vida no centro do Sol, por exemplo.

E mais: tais manifestações chocantes pela sua raridade não respeitam muros de separação; e não se deixam aprisionar por fronteiras geopolíticas ou religiosas ou culturais; ou por qualquer outra forma de contenção e separação entre os homens.

Portanto, o que choca a anjos, demônios e todas as criaturas com poder de observar, é a multiformidade da manifestação criativa do amor num ambiente hostil a ele.
São os Bons Samaritanos da Graça aqueles que chocam a homens e anjos!

Desse modo, a Igreja que deixa aturdidos os príncipes das demais dimensões de existência, é aquela que é constituída pelas dinâmicas da Graça.

Assim, mais uma vez se fica sabendo por que SEM AMOR nada nos aproveita ante Deus e todas as formas de vida.






sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nada se cria...





José Abelardo Barbosa de Medeiros (Surubim, 30 de setembro de 1917 — Rio de Janeiro, 30 de junho de 1988), o Chacrinha, foi um grande comunicador de rádio e um dos maiores nomes da televisão no Brasil, como apresentador de programas de auditório, enorme sucesso dos anos 50 aos 80. Foi o autor da célebre frase: "nada se cria, tudo se copia". (Fonte: Wikipédia)

"Nada se cria, tudo se copia. Este termo é muito usado no meio publicitário, talvez por isso seja uma frase popularmente conhecida. O significado original se deve ao fato que, em publicidade, as idéias devem ser claras e objetivas, portanto não se desenvolvem conceitos novos para que o público em geral perca tempo na busca da compreensão. É mais fácil vender um produto falando de idéias já difundidas do que propor reflexão e raciocínio ao público em geral. Afinal, é bom lembrar que a maioria da população não tem estudos e muito menos conhecimentos suficientes para refletirem sobre temas, como por exemplo, filosofia e/ou arte. Temas estes que nos trazem constantes inovações e idéias criativas.” (Fonte: Curso Superior de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda)

O “Velho Guerreiro” foi um grande e admirável vendedor de audiência, de ilusões, um comerciante de sonhos, ele era bom nisso, um dos melhores na história da televisão brasileira. Agora, imagine dizer que “nada se cria” para personalidades como: Isaac Newton (teoria da gravitação universal), Albert Einstein (teoria da relatividade), Graham Bell (inventor do telefone), Thomas Edison (lâmpada elétrica), Santos Dumont (avião), entre outros milhares ou até milhões de artistas (Leonardo Da Vinci, Picasso...), cientistas, atletas, reis, presidentes, administradores (Ford, Taylor, Fayol...) ou todos os designers e arquitetos (Oscar Niemeyer) de todo o mundo (esses nem podem sobreviver com frases assim) e tantos outros...

Talvez a idéia original seja a de Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Ainda assim, a palavra “transformar” está diretamente ligada à idéia de criação, fazendo com que a frase pareça contraditória, embora com sentido dentro do seu contexto. Vale lembrar que o renomado químico citado estava mais interessado em aproveitar cada substância produzida pela natureza. Ele pretendia extrair o máximo do que lhe era fornecido por ela, seja para experiências científicas ou para reciclagem, criando e reinventando conceitos.

Sou 100% a favor das novas, boas e grandes idéias, tal como as “boas novas”, algo novo, novidade. Adoro criar, inovar, opinar, criticar e “ducontrariar” (ser do contra).

Não se limite, ou se conforme com afirmações que determinem um ponto final para a sua imaginação, seus sonhos, dons e talentos.

Portanto, crie, invente, descubra, pesquise, construa, troque informações, afinal, “quem não se comunica, se trumbica”.

Significados:
COPIAR – Fazer cópia de, transcrever; reproduzir, imitar.
TRANSFORMAR – Dar nova forma, feição ou caráter; tornar diferente do que era; converter, mudar, alterar, modificar, transfigurar, metamorfosear; recriar.
CRIAR – Dar existência a, tirar do nada; dar origem, gerar, formar.
(Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).

(Texto COPIADO rss dos arquivos de Leonardo Farias-meu filho)


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Evangelho segundo Paulo?!


Estava Paulo fazendo referência às suas cartas quando falava em “toda Escritura”?






Primeiro: Paulo cria que havia recebido revelação de Jesus em relação ao que ensinava como Evangelho.

Ele deixa isso claro.

Segundo: tais conteúdos têm a ver com Jesus e a justiça de Deus em Cristo. Com todos os privilégios de consciência espiritual que daí advém — e não com formas de governo, indicação de presbíteros, bispos, pastores, mestres e líderes.

Para Paulo o que era revelação era o “mistério outrora oculto e agora revelado”; a saber: “Cristo em nós, a esperança da glória”. Já os governos e suas formas eram elementos vinculados ao bom-senso e à ordem, mas não eram Revelação, como se fossem parte do Evangelho.

Tinham a ver com a necessidade histórica, com o momento, e com aquilo que o bom senso recomendava — sempre conforme o espírito do Evangelho.

Paulo não olhava para o futuro da História como muitos passaram a fazer depois de alguns anos; e, depois, por quase dois milênios. Para Paulo o tempo estava próximo, às portas. Ele não olhava para o futuro e via mais milhares de anos de História; muito menos via algo a ser chamado de “História da Igreja”; e tampouco pensava que suas cartas estariam num livro, em pé de igualdade com Isaías, Jeremias e todos os profetas - inclusive com vantagem em alguns aspectos, pela atualidade de suas compreensões em relação a Jesus.

O que Paulo desejava não era a manutenção de suas cartas.

Ele ambicionava era que o Evangelho por ele pregado não fosse deturpado em seu conteúdo acerca de Jesus.

Paulo só tinha coração para o que dizia respeito a Jesus. As demais coisas ele fazia a fim de proteger o rebanho daqueles que eram os “falsos ministros” e “falsos apóstolos” desse “evangelho” que ora diminui, ora acrescenta coisas, ora suprime por completo os conteúdos do Evangelho.

Na visão de Paulo a questão era fazer Timóteo alguém que encarnasse a compreensão e o entendimento do Evangelho que Paulo explicava em suas cartas, epístolas e pregações. Ele pensava assim, pois esse era o modo hebreu de pensar.

Além disso, o próprio Jesus havia tratado tudo com total “despreocupação” em relação a carregar com Ele um escriba, anotando todas as coisas.

O primeiro texto-evangelho sobre Jesus apareceu apenas 15 a 20 anos depois. Portanto, Paulo cria do mesmo modo. E o que ele transformava em carta, era o que ele sabia fazer como “mídia”. Não como Escritura.

É também por tal razão que Paulo trata a Timóteo como Jesus tratara os apóstolos. Por essa razão é que Paulo pede ao discípulo que ande como ele, Paulo, andava; que servisse no espírito do serviço que ele, Paulo, mostrava; e que assim fosse feito, pois, o que nele, Paulo, se podia buscar ver, ouvir e entender, era sempre Evangelho.

Para Paulo a absorção do Evangelho não era uma questão de transferência e absorção de conhecimento, mas sim de assimilação de caráter, entendimento e percepção aplicável à vida.

Assim é que ele manda Timóteo olhar para ele e imitá-lo no procedimento, na fé, no amor e no saber; pois, ele, Paulo, fazia isso como quem era uma Escritura viva de Jesus; uma carta viva, escrita pelo Espírito.

Para Paulo a doutrina era o modo de viver, e não um pacote de saberes.

Para ele, doutrina era equivalente a crer na verdade, e não uma elaboração de informações.

Sim! Para Paulo doutrina era entendimento do Evangelho aplicado à vida.

Enquanto isso, as doutrinas da “igreja”, fundamentam-se profundamente naquilo que para Paulo era apenas circunstancial, e não final.



Texto na íntegra AQUI







sábado, 20 de fevereiro de 2010

O crepúsculo






Ele era um jovem de altura mediana e mantinha sempre uma postura ereta e firme em contraste com seu olhar terno e cheio de compaixão. Durante todo o dia trabalhava na oficina, pois era carpinteiro maravilhoso e tinha muitas encomendas. Excepcionalmente, naquela noite ele estava fatigado. Ao crepúsculo, deixou a casa e subiu para a colina. Não havia ninguém por ali, pois era a hora da refeição noturna.

Eu jamais vira o céu tão vermelho como estava então, como se o firmamento se incendiasse. Mesmo as montanhas flamejavam como pedras reluzentes. Todo o verde se confundia mesclando-se em meio a um espetáculo assombroso. Parecia que o céu vinha de encontro com a terra misturando todas as cores jamais vistas.


Não sei por que o segui. Fiquei de pé, abaixo dele na pequena passagem de pedra e levantei os olhos para onde ele estava. Vestido em uma roupa branca parecia uma estátua de pedra contra a paisagem avermelhada em contraste com suas vestes esvoaçantes. Sem se mover era como se esperasse algo. Tão inspiradora de respeitoso temor era a cena de fogo tosco que por um breve momento fechei os olhos e suspirei. Em fração de segundos, quando levantei a vista, vi que ele já não estava sozinho.


Um grande anjo, alto e majestoso, estava em pé diante dele e eu senti que aquele anjo era só maldade embora tivesse um belo rosto. Sombriamente belo. Parecia estar vestido ao mesmo tempo em flama e noite, e suas asas poderosas refletiam o crepúsculo como basalto esculpido.


Ambos contemplavam-se mutuamente em silêncio e meu coração estremeceu de terror ao vê-los assim se defrontando. Falaram algo? Não sei, não vi, não lembro... Lembro apenas daquela cena estática em meio a um silêncio gritante que pairava no ar.


Enquanto os observava à espreita, vi que o anjo abaixou-se e levantou nas mãos um punhado de terra, mostrando àquele jovem que em nenhum momento demonstrou receio diante de tão terrível anjo de rosto belo, doloroso e cheio de orgulho. Esse anjo que, com um riso leve e escarnecedor, tenta mostrar a inutilidade do mundo atirando a terra e pisando sobre ela, ao mesmo tempo em que surge um som semelhante ao de um trovão que parecia vir do próprio anjo.


Então Jesus também abaixou-se. Levantou alguma terra em Suas mãos e, segurando-a ternamente, esfregava-a entre os Seus dedos. Era terra seca e árida, sem verdura e sem cor, mas enquanto Ele a segurava, subitamente floresceu um ramalhete de caule viçoso e espessas folhas verdes de onde surgiam minúsculos lírios que se curvavam delicadamente. Era uma visão tão surreal e ao mesmo tempo algo tão nítido que pude sentir o vento e a fragrância que dele vinha para me inebriar.


O anjo olhou para as flores, recuou e cobriu o rosto com as mãos. Então, desapareceu com um grito tremendo e o jovem ficou sozinho.


Corri descendo o caminho da colina em direção à minha casa e logo depois percebi maravilhada que Jesus vinha também na mesma direção. Ao chegar nada falou.

Simplesmente olhou nos meus olhos... E me abraçou em silêncio.

Foi então que eu acordei. 


(Fragmento adaptado de "Médico de Homens e de Almas" - Taylor Caldwell)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O fariseu e a máscara





Nesses dias de carnaval tenho ficado em casa com mais tempo para ler, pesquisar, escrever... E aí me detive especialmente em relação aos estereótipos que permitimos impregnar em nós mesmos ao longo da vida.



O impressionante é que é algo intrínseco à natureza humana essa forte tendência a uma auto-afirmação reinante como uma espécie de propaganda enganosa. É como se determinado rótulo colocado na embalagem do produto humano o diferenciasse silenciosamente exigindo mais respeito e atenção em detrimento de outro.


E o estranho é que - de tão repetitivo, chegando inclusive a ser algo automático e diretamente ligado à exterioridade - essa máscara que grudamos em nossa alma passa a ser uma marca que irradia por todo nosso ser. Então, não só passamos a acreditar naquela farsa que nós mesmos criamos como conseguimos a façanha de fazer o outro acreditar nela também e aí não queremos mais nos despir dela, já que revelar o que, de fato, há lá dentro vai comprometer seriamente a reputação tão habilidosamente montada.

É quando nos vem a pergunta: de onde será que veio tudo isso? E saímos viajando pela história da humanidade esbarrando inevitavelmente em outros modelos que ao longo do tempo nos fizeram forjar de modo conveniente as nossas exterioridades.

Em meio a modelos tais como os saduceus com a sua urbanidade aristocrática, o herodiano e seu cunho político, os radicais zelotes e ainda o ascético essênio das comunidades isoladas, é o doentio FASCÍNIO pelo estilo farisaico que me chama à atenção.

Sem entrar no mérito da forte característica beligerante/ortodoxa fixo-me na principal característica desse grupo: uma suposta pureza de alma.

Associe-se a isso, a enorme atração que exercia sua linguagem de origem popular aproximando-se do imaginário de homens comuns, controlando seu comportamento, IMPONDO uma ética pretensamente bíblica permeada de limitações arbitrárias... E pronto! Estava feito o modelo perfeito, unindo o “útil” ao agradável que iria perdurar por um longo tempo na natureza caída do homem neurotizado pela reputação individual e coletiva, trazendo para dentro das instituições religiosas atuais essa forte semelhança farisaica que denuncia uma teimosia dissimulada em querer moldar nosso caráter a partir de performances.

Essa dissimulação generalizada aponta forte discurso tendencioso com pitada de falsa postura zelosa numa espécie de camuflagem que leva alguém mais cuidadoso a questionar o que impulsiona uma pessoa à pregação e se, de fato, está naquele meio uma real proclamação do evangelho OU da própria instituição religiosa.

João Batista já chamava os fariseus de “raça de víboras” recomendando-lhes que ANTES de receberem o batismo produzissem “frutos dignos de arrependimento”. Vê-se depois Jesus usar a mesma metáfora citando a cobra com sua natural camuflagem ao ocultar-se entre pedras e plantas à espreita dos desatentos.

É dessa camuflagem que eu falo. Pois assim como o homem lança mão desse artifício passa a avaliar o outro de maneira superficial também. O homem tem por hábito fazer avaliações automáticas sobre o outro, identificando-o pela aparência, linguagem, circunstâncias. Tal mecanismo é rápido... E FALHO!

Jesus nos adverte sobre isso inúmeras vezes, inclusive usando a metáfora do prato e a do sepulcro caiado atentando para o fato de como é fácil alguém enganar outra pessoa com a imagem exterior. Por se preocuparem com o exterior descuidando-se do interior, os fariseus se escandalizavam ao ver Jesus comer com pecadores, conversando com prostitutas e leprosos. Eles não entendiam posto que olhavam com olhos de juízes enquanto Jesus VIA com olhos de compaixão, enxergando o outro além da mera aparência, algo inalcançável à rigidez religiosa.

Por causa dessa rigidez distante da edificação proposta, Jesus IGNORAVA todo aquele cerimonialismo hipócrita alertando sobre o que, DE FATO, contamina o homem, nos dando verdadeiros puxões de orelha em relação aos COSTUMES E TRADIÇÕES e uma grande lição aos falsos piedosos cuja disciplina espiritual baseava-se no que se via: rosto desfalecido por causa do “jejum”, expressão facial sofrida, orações chamativas, filactérios...


Continuando com sua obtusa pretensão e considerando-se melhores que os pecadores que não adotavam seus métodos, os fariseus ainda usavam a prática acintosa do SECTARISMO sem aproximar-se daqueles, ESCANDALIZANDO-SE com um MESTRE que frequenta rodas e residências de publicanos, inclusive sem “cair a ficha” quando Jesus diz que o doente é que precisa de médico. 

Observem-se a IRONIA e tremendo equívoco advindos de um pacote de normas que acaba funcionando como armadilha. E não sejamos ingênuos ou condescendentes pois o que mais se vê é a falácia escancarada do amor maior pelo templo, pela instituição, pelos dirigentes e pelo apego denominacional onde esses pequenos deuses sustentam uma crença coletiva representando a velha encenação que finda por nos afastar do real ministério.


Portanto, é urgente que nos aproximemos verdadeiramente do outro, DESPINDO-NOS das pesadas vestes farisaicas que nos empurram para uma adoração estranha que impede de enxergar e socorrer uma alma carente de esperança, conforto e paz.

Finalizando, é bom observar e refletir no quanto Jesus é contundente ao colocar uma enoooorme ponte entre evangelização e proselitismo.

Afinal, convenhamos, qualquer criança de dez anos sabe que o singelo e bem intencionado convite para frequentar a comunidade limpa e desinfetada (?!) não significa evangelizar, que Jesus não nos conclama a chamar pessoas para nossa denominação e que levantar bandeira da igreja não significa necessariamente levar pessoas à Cruz de Cristo.

E, como disse Jesus: O proselitismo faz com que se multipliquem os filhos do inferno, a evangelização colhe os frutos da misericórdia e do socorro de Deus.

Assim, fica a reflexão para essa terça de carnaval onde as máscaras estão indo (?) para o fundo do baú até o próximo ano:

- Quando você convida alguém para ir à sua igreja, está cuidando da reputação da sua denominação ou da alma da pessoa?

- Quem está sendo exaltado?

- O homem/instituição em vez de MEIO vai continuar travestido de FIM?



“Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres,
vestiduras brancas para te vestires,
a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez,
e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas”
(Ap 3.18)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nascer de Novo





Lendo o texto "O Rico e o Pobre" imediatamente me passou o filme da minha vida.
Não que eu tenha experimentado riquezas do tipo “ostentação propriamente dita” nem também que eu tenha virado catadora de lixo.

Não. Não cheguei a nenhum desses picos que muitos vivenciam nesse mundão afora e aqui nesse meu comentário não cabe qualquer julgamento acerca da existência desses extremos.

Apenas me veio à memória a mudança drástica que eu experimentei quando a infidelidade bateu à porta da minha vida conjugal, provocando uma significativa queda de padrão.

Tudo ruiu.

As coisas materiais que dão muito conforto e uma falsa segurança começaram a evaporar, a escapar das mãos, do intelecto, do coração, do ser.

Como diz a antiga canção: “meu mundo caiu”.

E isso não é um lamento, apesar da triste canção. Foi mesmo necessário que meu mundo caísse, que houvesse uma desconstrução total, uma reviravolta completa, enfim, uma metamorfose, para que eu caísse literalmente “na real”.

E nessa desconstrução não pesa apenas o lado material, mas todo o conjunto que nos sustenta ilusoriamente e que engloba o ser como um todo: física, mental, emocional e espiritualmente. Faz-se necessário esse desmonte dos pequenos deuses da nossa existência para que, em repaginada total, a gente enxergue quem é de fato o nosso Deus. O Deus que nos segura em queda vertiginosa.

O mais curioso de tudo é que nem a tempestade que vem nem a bonança que se instala, acontecem como por mágica em um único passo. Ambos passam por um loooongo processo até chegar às vias de fato. E às veias!!!

Ou seja: o rebuliço que desencadeia situações irreversíveis trazendo a mudança necessária - e dentro da perspectiva de Deus - não acontece da noite para o dia.

E depois que a tempestade passa, você analisa os destroços e consegue dizer mais ou menos como disse Paulo aos filipenses (4:10.13) sobre ter APRENDIDO a viver contente em toda e qualquer situação.

É, de fato, um aprendizado.

Ele diz:

“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez”.

E é aqui que muitos se vangloriam batendo no peito, dizendo: “tudo posso naquele que me fortalece” sem atentar para os versos anteriores.

Pois aqueles que “se acham” semideuses devido a um suposto poder concedido por um deus igualmente caprichoso e infantil, não atinam para as entrelinhas de um contundente “tudo posso SUPORTAR n´Aquele que me fortalece”.

Meu carinho,

R.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O que significa EVANGELIZAR?




Evangelizar é boanovizar o mundo, dizendo a todos que Deus se reconciliou com os homens em Cristo!

Assim, eu anuncio a reconciliação porque eu mesmo fui reconciliado, mesmo antes de aceitar que estava reconciliado. Eu não me reconciliei com Deus, e, então, Deus vendo minha atitude, se reconciliou comigo.

Não! Não foi assim! Eu apenas fiquei sabendo que já não havia mais morte a me matar, posto que Jesus havia vencido aquele que tem o poder da morte, a saber: o diabo; e que havia matado a minha morte na Cruz. Assim, eu cri; e, assim, encontrei paz. Ora, é este encontro de amor aquilo que me motiva a pregar a Palavra, com palavras e com ações; com falas e com sinais e prodígios do amor de Deus.
Para nós, cristãos, entretanto, a coisa toda virou uma missão de angústia e desespero, posto que passamos a crer que tudo depende de nós, e que se não levarmos os homens a “aceitarem a Jesus”, nós estamos em situação difícil—é o tal do sangue do outro na cabeça da gente—; ou, então, a gente fica com raiva de quem não aceitou, e mandamos logo o cara para os quintos dos infernos.

O que a gente não leva em consideração é que o “Jesus dos cristãos” já não é o Jesus dos evangelhos. O “Jesus” dos cristãos é uma criação da igreja e do cristianismo; e também não percebemos que o nome de Jesus, para os de fora, representa apenas esse fenômeno religioso que a gente diz que carrega a salvação. Assim, sinceramente, o mundo todo já está perdoado por não “aceitar a Jesus”, posto que o próprio Jesus também não “aceitaria Jesus”, se o que se apresentasse a Ele fosse justamente aquilo que nós apresentamos aos homens.

Sim, Jesus não “aceitaria Jesus”, conforme os evangélicos e os cristãos em geral o “pintam”. E digo isto sem nenhum temor, com total ousadia, e certo do que digo.

Evangelizar, antes de ser sair vendendo um pacote de salvação religiosa, é, e somente é, viver de modo tão pacificado e tranqüilo, que as pessoas percebam que o que nos habita é o resultado de nossa vinculação com o próprio Deus.

Nenhuma evangelização realiza o bem proposto no Evangelho enquanto o que se prega é o “Jesus da igreja”. O “Jesus da igreja” não é melhor do que os demais sábios do mundo, e, num certo sentido, é infinitamente mais raso e pequeno do que os maiores sábios da Terra. Assim, na maioria esmagadora das vezes, os homens não rejeitam a Jesus, mas sim a sua representação, e que é feita pela religião cristã e pela igreja. Sim, um “Jesus” que Jesus não aceitaria.

Desse modo, eu mesmo digo: se eu não tivesse, pela Graça de Deus, conhecido a Jesus mesmo, conforme o Evangelho, saiba, muito provavelmente eu estaria entre aqueles que seriam visto como "perdidos", apenas porque, em mim, quase tudo rejeita essa falsificação de Jesus, feita pela religião. Nesse caso, não aceitar o “Jesus da igreja” é até uma afirmação de busca mais excelente, posto que somente seres muito básicos e satisfeitos com quase nada, é que aceitam um "Jesus" tão pouco parecido com Deus e com o homem.

E para que se prega? Ora, para que as pessoas gozem na Terra, ainda, a paz e a alegria de serem de Deus, sem medo, sem culpa, sem as aflições da morte, e sem as entregas à tirania do poder da morte, que é aquilo que desgraça a alma dos homens e destrói o mundo.

Nele, em Quem Deus reconciliou o mundo consigo mesmo,




segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O 'fundamento' do acesso a Deus


I

Se eu quiser falar com Deus

Tenho que ficar a sós

Tenho que apagar a luz

Tenho que calar a voz

Tenho que encontrar a paz

Tenho que folgar os nós

Dos sapatos, da gravata

Dos desejos, dos receios

Tenho que esquecer a data

Tenho que perder a conta

Tenho que ter mãos vazias

Ter a alma e o corpo nus


II

Se eu quiser falar com Deus

Tenho que aceitar a dor

Tenho que comer o pão

Que o diabo amassou

Tenho que virar um cão

Tenho que lamber o chão

Dos palácios, dos castelos

Suntuosos do meu sonho

Tenho que me ver tristonho

Tenho que me achar medonho

E apesar de um mal tamanho

Alegrar meu coração


III
Se eu quiser falar com Deus

Tenho que me aventurar

Tenho que subir aos céus

Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus

Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada

Que ao findar vai dar em nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Do que eu pensava encontrar

(Gil/1980 - Se eu quiser falar com Deus)
 


Quando Gil lançou esse belo e triste poema, me chamou à atenção o fato de um artista completamente avesso a convenções impor a si mesmo condições tão formais para ter intimidade com Deus. Submetendo-se aos conceitos rigorosos e inflexíveis que, em vez de aproximar, nos apontam a forte herança judaica e católica de uma divindade distante e inalcançável.

E até entendo que a alma do artista é aparentemente mais desnorteada e tristonha justamente pela sua sensibilidade à flor da pele em meio ao caos existencial. E, talvez por isso, suas ânsias angustiadas ganhem total expressão nesse poema musicalizado, ainda que meio confusos.

Porém, como a tendência é sempre a de interpretar conforme a própria bagagem de vida, esse meu primeiro insight me pegou um tanto bloqueada, embaçando-me a vista. Desliguei-me da viagem poética, centrando-me nas exigências vãs e contraditórias do termo 'TENHO QUE' da cultura religiosa normativa, litúrgica e dogmática; e que nos conduz - e nos induz - a ver a necessidade premente do indivíduo em fazer algum esforço pessoal para se chegar a Deus. E então poder dizer ao envaidecido si mesmo : eu alcancei porque fiz.

Em análise posterior - e para o meu alívio - percebi depois que o poeta, ainda que em busca inconsciente, (III) e sem saber bem que só um Deus pessoal sacia a fome da alma, ainda assim, despoja-se das tensões produzidas culturalmente: as produzidas pela mente (II) e as que dizem respeito a meras exterioridades (I) - ambas correlatas e não menos nocivas, limitadas e escravizantes - e que se opõem ao homem em sua existência na presença de Deus e na existência de Deus em sua própria vida.

A grande sacada é que o homem crescido e despretensioso, cansado de curvar-se a tanta exigência, despe-se das vestes impostas e finalmente aventura-se - entregando-se - sem nenhuma corda pra segurar. E, dando as costas a esses tais elementos - concretos e abstratos - que insistem em fazer parte de sua suposta santidade, percebe que essa estrada que ele decidiu tomar não vai dar em absolutamente nada do que ele pensava encontrar.

E esse NADA, repetitivo e contundente, nada mais é do que a certeza de quem se entrega cada vez mais...

Sabendo cada vez menos.

O nome disso é FÉ.

- Se eu quiser falar com Deus...?!

Simplesmente me prostro.

E não, necessariamente, o corpo (pois Deus não liga para performances). Mas, essencialmente, a alma deve estar prostrada!





"Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro".

(Salmo 68.18)


"Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado"

(Salmo 51.17a)


"Cria em mim, ó Deus, um coração puro 
e renova dentro de mim
um espírito inabalável".
(Salmo 51.10)




sábado, 23 de janeiro de 2010

Celibato




“Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea”.


Assim inicia a Bíblia, citando Deus, numa das afirmações mais antigas sobre a demanda mais essencial da alma humana: o amor e o encontro. O fascinante dessa declaração divina é o contexto no qual ela aconteceu. A criação estava novinha em folha. O homem vivia num paraíso. Ouvia a voz de Deus todos os dias ao por do sol e se comunicava com as demais criaturas em plena harmonia. Alem disso o homem ainda usava os 100% de sua mente e não apenas os cerca de 8% que hoje utilizamos. Dessa forma ele possuía capacidade telepática e uma espécie de intuição-instintual e um instinto-intuitivo, que lhe garantiam sintonia fina com todas as dimensões da vida.

Ora, o homem falava com o Criador e com todas as criaturas MAS ainda assim se sentia estar só. Que ironia! Tinha tudo, mas faltava-lhe uma mulher. A mulher não é tudo mas nada é tudo sem uma mulher!

Aqui, neste ponto, aprendemos que há coisas que o ser humano só encontra no Criador (seus significados essenciais), outras que ele só encontra na criação ( seus significados históricos) e, por ultimo, outras que ele só consegue depreender de seus vínculos com os iguais-diferentes, onde a alma se gemina e a boca grita: “Esta sou eu”. - entre gratidão, perplexidade, êxtase e ardente desejo de sentir o gosto de sua própria carne, na mulher ou esta no homem. Comer nossa carne no outro é a prova de nosso mais primitivo e sadio canibalismo: “É carne de minha carne e osso de meus ossos”.

Assim é que a opção por ficar só, deve ser apenas o fruto de uma deCISÃO confortável por parte de que quem assim escolhe. Mas não deve ser jamais pré-requisito para qualquer coisa na vida, incluindo-se, sobretudo, a vida religiosa ou sacerdotal. Até porque a verdadeira experiência do prazer sexual é divina e sagrada e sua linguagem é cultica, tipo: “Estou arrebatado, minha deusa, você é divina, estou em transe, êxtase.”

Para o apóstolo Paulo – ele mesmo, aparentemente, um celibatário, o casamento do pastor era assim visto: “O Bispo deve ser marido de uma só mulher - e deve criar os filhos sob disciplina - pois se alguém não sabe como governa a sua própria casa, como governará a igreja de Deus?”. A lógica da declaração é tão esmagadora que dispensa maiores explicações.

Sobre o celibato penso que deveria ser apenas uma questão de opção. No caso da manutenção das leis de celibato terem implicações de natureza econômica sérias para a Igreja Católica – como é obvio que têm – o que se deveria fazer era deixar que os padres e freiras decidissem como desejariam viver e, no caso de fazerem opção pelo vínculo conjugal, dar a eles a incumbência de se auto-sustentarem. Dessa forma, quem tem vocação para o celibato, dependeria da igreja ( também se assim o quisessem); e os que desejam ser sacerdotes mas entendem as limitações financeiras da Igreja Católica Romana quanto a os manterem em seus ofícios, ainda assim poderiam dedicar-se ao sacro-ofício, ao invés de terem de viver no sacrifício.

Afinal, todas podem ser as razões para que se imponha o celibato, mas o único lugar onde elas não devem ser buscadas, entretanto, é na Bíblia.

Lá, com certeza, elas não estão.


(Negritos e itálicos meus -RF).


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Frase do dia





"Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo.

A verdadeira prova a submeter todos os Livros 
é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. 

Nenhum Livro que não prega Cristo 
pode ser apostólico, 
muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor.

E nenhum Livro que prega a Cristo 
pode deixar de ser apostólico, 
sejam seus autores
Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes"


Martinho Lutero





domingo, 10 de janeiro de 2010

Deus nas circunstâncias



As Sagradas Escrituras nos apontam um Deus Soberano que tudo sabe, tudo vê e governa, e que usa os meios mais distintos para cumprir seus propósitos e designios eternos.




No entanto, é indiscutível também o fato de que o Soberano não nos abandona em meio aos furacões da existência. Na verdade, Ele aproveita cada momento, para nos enviar sinais do seu grande amor, cuidando afetuosamente dos nossos corações, confortando-nos e ministrando o consolo do Espírito Santo.


Deus usa os dramas e dificuldades da jornada para se contrapor às tragédias do dia-a-dia trabalhando a favor da gente. Foi isso que ele fez na vida de José. Quando tudo parecia apontar para o fim, Deus interveio na história ensinando que ele usa toda e qualquer circunstância como instrumento de Sua vontade.


Nada, absolutamente nada, pode se contrapor à vontade de Deus!


Ele é majestosamente Soberano, Senhor de tudo e de todos! Se o cosmos é sustentado pela força do seu poder quanto mais as nossas frágeis vidas.


Quando aparentemente chegamos ao fim da linha, somos tentados pelo inimigo de nossas almas a nutrir no coração o sentimento de frustração e derrota. Entretanto, sem que percebamos, são em situações assim onde a esperança fraqueja, que obtemos a oportunidade de transformar nossos dilemas e problemas em esperança.


As circunstâncias disseram a José na cisterna do deserto: É o fim. Contudo, Deus lhe disse: É o começo, José, o governo do Egito te espera.

No deserto Moisés teve a seguinte impressão: “É o fim. Entretanto, Deus lhe disse: É o começo, transformar-te-ei no libertador do meu povo”.

O rei da Babilônia disse a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: É o fim. Todavia, Deus lhes disse: É o começo, vocês serão grandes governadores da Babilônia!

Na cova dos leões Daniel ouviu: É o fim. Entretanto, Deus lhe disse: É o começo, sua história mudará o mundo enchendo os crentes de fé esperança.

João, exilado na ilha de Patmos ouviu: É o fim. Contudo Deus lhe disse: É o começo, você escreverá a maior revelação de todos os tempos - O Apocalipse.

Ao ser crucificado Jesus ouviu: É o fim. Contudo, Deus disse: É o começo, todo poder no céu e na terra eu entrego nas tuas mãos.

Roberto Vargens

Texto na íntegra AQUI. 

(Grifos meus- RF)