"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

Translate

sábado, 21 de novembro de 2009

O Evangelho não é religião.



Religião é sistema humano, disciplina humana, moral humana, sacrifícios humanos e desespero humano para agradar a Deus.

Religião é o homem tentando se religar a Deus, por seus próprios meios e justiças próprias e mediante um sistema de doutrinas ou exercícios espirituais, os quais, supostamente, fazem o homem chegar a Deus.

O Cristianismo como religião é melhor que o Judaísmo porque é mais aberto e não é uma religião cultural e étnica. É melhor que o Islamismo porque o Islã conseguiu ser mais louco e fanático do que o Cristianismo.

O Cristianismo é uma religião como qualquer outra, e, do ponto de vista do resultado histórico e existencial, é tudo, menos a melhor religião.

Até mesmo a Psicologia do Profundo, do Buda, é melhor do que o esquema moral e exterior das praticas religiosas cristãs por suas mensagens de amor ao próximo terem resultados mais proveitosos para a alma do que os obtidos pelo Cristianismo, visto que as morais e leis cristãs acabaram por matar a força do amor entre os cristãos.

O Cristianismo é religião.

Nele temos todas as formalidades das religiões, uma teologia moral, um corpo de doutrinas de forte influencia grega, e um sistema de governo inspirado pelos romanos, sem falar que a missa cristã é a repetição do sacrifício de Cristo, o qual é assim praticado para que a população pobre e simples fique sempre em permanente dependência do Cristianismo.

No Cristianismo Protestante e Evangélico, no inicio, se tentou resgatar a fé simples e original. No entanto, menos de 60 anos depois, tudo já era como dantes do Quartel de Abrantes.

Assim, os ritos, as formas, as imagens de santos, as heresias gritantes e a convergência do poder de Deus e da representação de Deus feita pelo Papa, apenas foram substituídas por outras coisas no Cristianismo Protestante e Evangélico

No Protestantismo se diz que os pilares da Fé são:
As Escrituras, Cristo, a Fé e a Graça.

Mas, na prática, as Escrituras no Protestantismo são maiores do que Cristo, o qual já não basta conforme a manifestação de Deus em Jesus, sendo necessário que a isso se junte um corpo de doutrinas morais tiradas das Escrituras, não importando se caíram ou não em obsolescência de acordo com o que diz o Novo Testamento (em Hebreus, por exemplo).

Cristo, no Protestantismo prático e histórico, acabou por ser feito o Salvador da Chegada. Depois o indivíduo O confessa diante da “igreja” e daí para frente tudo o mais depende da relação da pessoa com a “igreja”; e, sobretudo, a igreja que se diz capaz de manter a salvação por obras próprias.
Ou seja: Cristo salva de Graça na chegada; mas a “igreja” assumiu a franquia do pedágio.

A Fé, também no Protestantismo, se tornou um corpo de doutrinas, e não mais a coisa simples e singela ante a qual Jesus dizia a pagãos de todos os tipos: “A tua fé te salvou!”

E, por fim, a Graça no Protestantismo nada mais é do que a doutrina que justifica a razão pela qual Deus pôde se relacionar com os homens sem transgressão de Sua parte. No entanto, na pratica, isso só existe na chegada também.

Quando o individuo crê, diz-se que ele recebeu Graça. Porém - no Protestantismo - daí em diante, nada mais tem a ver com a Graça, mas sim com a justiça própria de cada um, a qual pode se manifestar como santidade moral, como legalismo de exterioridades, como participação assídua nas reuniões, como contribuição financeira feita como “ofertas” ou “pagamento do dízimo”, e como esforço de conformação à cultura evangélica, a qual, no curso dos anos, também, na pratica, se tornou meio de salvação.

A fé em Jesus nada tem a ver com as invenções feitas pelo Cristianismo.

Basta ler os evangelhos e ver se há no Cristianismo os sinais daquela leveza, singeleza, graça, amor, misericórdia, poder de curar; e aquela vontade compassiva e inclusiva que você vê em Jesus em todos os Seus gestos e movimentos.

A “igreja” diz que estão todos perdidos.

Jesus apenas disse que muitos publicanos, pecadores e meretrizes precederiam os mais rigorosos filhos da mais estrita e legalista religião da terra—o judaísmo dos dias de Jesus.

Jesus também disse que muitos haveriam de vir dos quatro cantos da terra a fim de assentarem-se com Abraão, Isaque e Jacó na mesa da Festa do Reino, enquanto muita gente com pedigree religioso ficaria de fora.

Paulo diz em Romanos 2: 12-16 que quem nada soube de coisa alguma, haverá de ser julgado pelo que recebeu, não pelo que não recebeu; posto que Deus não é como aquele que colhe o que não semeou e que ajunta o que não espalhou.

O fato é que Jesus é SUMO SACERDOTE segundo uma Ordem sacerdotal não religiosa, e que não se prende a nenhuma genealogia sacerdotal, cultural, étnica, moral ou religiosa.

Além disso, João diz que Ele é a Luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem.

Portanto, eu digo: Ele é um Deus que fala de si mesmo e que não se deixou prender ao capricho perverso da boca de homem algum.

“Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz, e as Suas palavras até os confins da terra”—e isto com ou sem testemunho de homens; isto se a utilização que Paulo faz do salmo 19 (onde tais palavras estão escritas), em Romanos 10, for coerente com o que o salmo anuncia; ou seja: que há um testemunho de Deus no mundo, na natureza, na vida, nos sonhos, nas noites, nos dias, nos acontecimentos da existência — e que carrega a voz de Deus até ao coração dos homens.

Deus é amor e Seu amor é justo e gracioso.


A quem ouviu o Evangelho, cabe abraçar essa dádiva como imensa Graça, e, assim, usufruí-la, e, quem sabe, fique tão cheio dela e do amor de Deus, que descobre que quem prega a Boa Nova o faz porque deseja que todos os homens conheçam a libertação do medo da morte, da tirania dos espíritos, da angústia do diabo, do controle dos homens, do poder manipulador do curso deste mundo e da influencia maligna que alcança com entendimentos falsos as mentes da maioria dos seres humanos.

Assim, deixemos as religiões, crendo que Deus ama e cuida de todos os homens; e abracemos o Evangelho, descansemos na Graça, e caminhemos pela Fé no que Jesus já fez e consumou em favor de todos os homens, reconciliando o mundo com Deus mediante a Sua Cruz.

ADAPTADO

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Convicções...



O dicionário me diz que convicção é a certeza adquirida por meio de demonstração.
A Palavra de Deus me diz que a é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.

Ora, não se veem, não se pegam, não se usam.

Simplesmente se experimenta e se vive. Nessa ordem.

Ressalto aqui duas ocasiões diferentes nas quais fortes convicções foram postas abaixo pela única convicção capaz de persuadir verdadeiramente: JESUS.

Na primeira, Nicodemos.
O mestre justo e culto que fazia parte do Sinédrio, a suprema corte judaica. De currículo invejável, vinha de importante família aristocrática e ainda era um erudito nas Escrituras.

Trava-se então, entre Jesus e este homem, um diálogo sobre coisas terrenas e celestiais.

Não se sabe exatamente porque este homem letrado procura Jesus assim tarde da noite: se para não despertar críticas nos colegas, não disputar atenção ou simplesmente não quis esperar o dia amanhecer.

O certo é que, sendo um fariseu (santo, separado) alguma lacuna em seu peito o incomodava muito a ponto de ele passar por cima de todas aquelas convicções que o acompanhavam desde a mais tenra idade, fazendo-o sair do seu conforto e ir em busca da Verdade. E por mais que não conseguisse entender O REAL significado do nascer da água e do espírito, devido a uma vida recheada de exterioridades que o obrigava a viver em meio a cerimonialismos compostos de um rígido sistema de doutrinas e exercícios espirituais, CERTAMENTE algo diferente fez um grande reboliço em suas antigas e arraigadas convicções, para que mais tarde ele viesse a se expor publicamente levando mirra e aloe (caríssimas especiarias) ao sepultamento de Jesus.

Na segunda ocasião, a mulher da Samaria.
Adoradora de deuses estranhos e discriminada pelos da própria comunidade por causa de sua atitude leviana com os homens.
Teve vários maridos e o que com ela vivia nem seu marido era!

Por isso ela foi ao poço em momento incômodo, sol a pino, horário em que não encontraria ninguém para importuná-la.

E Jesus veio ao seu encontro.

E ali, junto ao poço é realizado um diálogo dos mais incríveis para mim!

Em metáfora que diz claramente qual a ÁGUA que nunca mais nos deixa com sede, Jesus a faz dizer acerca da sua própria sede e ânsia de uma eterna busca, falando daquele lugar onde os antigos de sua família adoravam a Deus.

Então Jesus lhe diz que os adoradores que Deus procura não são os dos templos enquanto espaços físicos e SIM que Ele busca adoradores em espírito e em verdade.

E Jesus disse “Vem a hora e já chegou”. (Referindo-se a Si mesmo)

E, bebendo daquela água, ali mesmo ela deixou seu cântaro correndo para falar do Messias às mesmas pessoas das quais ela se escondia.
E sua autoridade era tanta que os samaritanos CRERAM somente com o que ela lhes dizia.
E então vieram até a Ele confirmar a maravilha!

O primeiro caso – Nicodemos - conhecido e respeitado homem da corte.
O segundo caso, uma mulher qualquer que nem nome tinha na narrativa.


Ela, flagrante adoradora de deuses e ele suposto adorador de Deus, porém ambos adoradores de deuses, cujas convicções advindas por meio da persuasão dos costumes, da herança e da tradição de homens... se rendem diante da Verdade.

A mesma verdade que Pilatos não conseguia enxergar por estar cego pela própria justiça e vontade pessoal, mesmo tendo sido alertado pela esposa intuitiva.

Duas convicções que se curvaram diante de algo revolucionário que mudaria para sempre os CONCEITOS de cada um daqueles que viveram a vida inteira em meio a obedientes práticas religiosas que não tinham absolutamente nada com adoração a Deus. (Ler João 3 e 4)

Pois só nascendo de novo – da água e do espírito- para se livrar do lixo das doutrinas que ironicamente nos afastam de Deus e nos tornam adoradores de lugares, de pessoas, de templos, de normas, de instituições, de práticas religiosas. (Inclusive - pasmem!- tem um gritante engano doutrinário que afirma que nascer da água é batizar-se na sua denominação e nascer do espírito é falar em línguas)

Mas Deus amou ao mundo DE TAL MANEIRA, que providenciou o Cordeiro para ser Imolado ANTES mesmo da fundação do mundo!!!

Porque o amor de Deus é ilimitado ao ponto de enviar Jesus, não para nos julgar, mas para nos salvar.

E só uma experiência real com Jesus para se passar a entender as coisas espirituais.

É quando sou tocada por esse AMOR que minhas convicções caem por terra junto com todo aquele pacote pesado que me dizia que ali – naquelas coisas e lugares - estavam os elementos da minha salvação.

Porque viver com fé, por meio da GRAÇA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, não tem absolutamente NADA a ver com performances.

Repudiemos portanto, e digamos NÃO a essa “graça” manifesta por meio da cultura evangélica à qual nos acomodamos com tal assiduidade que finda por transformar-se em meio de salvação através de obrigações como suposta obediência a Deus.

Viver na GRAÇA nada tem a ver com pacotes ou kits preparados por homens como modelo de conduta. O nome disso é convicção religiosa e religião nada tem a ver com o Evangelho.

Ora, salvação quer dizer CURA DA ALMA.

E salvar está incluída a CURA de nossas almas sofridas e cativas pelo conjunto de normas que as doutrinas do sistema religioso nos impõe para agradar a Deus e que findam por aprisionam nossas almas, anulando tudo que se consumou na Cruz .

E vida eterna começa daí: dessa cura aqui mesmo na terra. Cura que nos dá vida em abundância em paradoxo com todas as desilusões, cura que nos dá plenitude em meio às adversidades, cura que nos enche de amor para reconciliada com o pai – por meio do sacrifício da Cruz – nos reconciliarmos uns com os outros.

E só MESMO por meio de uma experiência REAL com Jesus para se viver e entender dessas coisas espirituais.

Que nos curam das nossas próprias convicções...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

De Jesus ou da "Igreja"?





Jesus não fundou o Cristianismo.

O Imperador Constantino o fez.

Jesus não fundou uma Religião.

A Terceira Geração o fez.

Jesus nos chama para o Caminho, a Verdade e a Vida.

O Caminho é Ele e também passa por gente.

A Verdade é Ele, e passa pela gente, e encontra gente também fora de nós.

E a Vida é Ele, e em em-si ela é apenas nEle. Mas para todas as outras criaturas implica em relacionamento.

Portanto, quem é discípulo de Jesus é esse ser do Caminho, da Verdade e da Vida.

Não é um caminho religioso; é apenas um caminho de reconciliado com Deus, conosco mesmos, com o próximo e com a criação!

O Cristianismo é uma Religião. Assim como o Islamismo. E anda em grandes desvantagens.

Possivelmente o Cristianismo tenha se tornado a Religião menos atraente que o Ocidente e o mundo já produziram nos últimos 1700 anos — especialmente pelos “subprodutos” que ele gerou.

Honestamente, o Cristianismo é feio; eu, pelo menos, acho!

Sou discípulo de Jesus, amo a Sua Palavra, reconheço a irmandade profunda na comunhão com aqueles que discerniram o mistério de Deus em Cristo, e tenho prazer em anunciar esse Amor, bem como vivê-lo, especialmente com aqueles que também amam o mesmo Amor que a eles se revelou em Cristo.

No livro de Atos, no início, esse andar comunitário e esses que a ele pertenciam eram chamados de "os do Caminho".

Paulo diz que perseguiu "os do Caminho" e que também "perseguiu a Igreja de Deus" -- portanto, os termos são equivalentes.

E no Caminho cada um faz o seu próprio caminho pessoal, e também o faz de modo comunal e coletivo.

O discípulo é o indivíduo.

A Igreja é a comunhão dos discípulos.

Extraído de "A FÉ EM JESUS É UMA RELIGIÃO?"

QUAL A SUA BANDEIRA?




Já se vai mais de um século em que, inspirados na bandeira do Império, artistas brasileiros projetaram e desenharam uma das mais lindas bandeiras que eu conheço, onde a arte se expressa por meio de vibrantes cores, dizeres e estrelas, simbolizando as nossas referências históricas e culturais, ao mesmo tempo que define a soberania do nosso país.

Sempre admirei as bandeiras dos países, cada uma com suas próprias particularidades...

Lembro-me que quando era criança - já faz um tempinho rss - havia na biblioteca particular de meu pai um grande número de livros ilustrados e eu me debruçava sobre páginas e páginas, viajando naquelas fotos e desenhos que me pareciam tão longe do meu alcance e ao mesmo tempo tão próximas e tão familiares. E uma dessas páginas que me deixava deslumbrada era justamente a das bandeiras. Divertia-me cobrir com a mão o nome de cada país correspondente para exercitar a memória e ir descobrindo a qual país pertencia cada uma daquelas coloridas bandeiras, e assim, permanece até hoje na minha lembrança grande parte desse aprendizado feito de maneira tão despretensiosa e lúdica.

Depois, nas páginas seguintes, seguia-se inevitavelmente a leitura maçante (para minha idade) sobre a história de cada uma daquelas nações e mais e mais fotos incríveis com suas bandeiras tremulando em espaços estratégicos. Tremulando mesmo. E sem qualquer outro recurso que não fosse a minha própria imaginação.

E, como tudo tem seu começo, essa história de bandeira teve seu início com um pedaço de pano amarrado em um toco usado para identificar o fogo amigo nas batalhas da Idade Média.

Com o tempo a coisa foi ficando fashion e então, pela forte influência romana, as antigas insígnias foram sendo substituídas pelo seu vexilium (estandarte) em cores vibrantes e chamativas. Foram então surgindo outros tipos de bandeiras com a modernidade – e consequente diversidade. São as chamadas não-oficiais ou semi-oficiais carregando em si, inúmeros simbolismos que representam organizações públicas ou privadas.

No Brasil, em particular, muitas delas surgiram por influência de momentos históricos político/ideológicos e isso foi o que me estimulou a postar neste dia, sem qualquer pretensão de estudo da vexilologia (consultar o Google rss) mas devido a um questionamento íntimo acerca das inúmeras bandeiras que levantamos metaforicamente de acordo com os nossos próprios conceitos e valores; as que carregamos no peito obedecendo a cerimoniais e rituais que nos foram imputados no decorrer das batalhas da nossa existência, ora tradicionalistas, ora “inovadoras”e agressivas, esta última com tendência ao mesmo extremismo nocivo da primeira, conduzindo as pessoas a mais sectarismo.

Interessante como um pedaço de pano tem o poder de representar convicções e esperanças de toda uma coletividade, como no hino da nossa bandeira nacional cuja saudação inicial fala justamente de paz e esperança...

Mas como haver paz e esperança se o coração está árido?

Não adianta.

Por mais que sejam nobres as defesas acerca do que carregamos como bandeira, se não existe AMOR certamente virão à tona – se bem que de maneira mais velada e mais “civilizada” – as mesmas e antigas formas de expressão de guerra que se carregavam nas mentes e corações enquanto se empunhavam signos e insígnias forjados de maneira tosca.

Quando a bandeira que carregamos é o AMOR forjado no próprio coração, todas as outras se dobram.

Pois só o amor de Deus leva as pessoas a se entenderem, a se unirem... Fazendo tremular no peito uma única Bandeira Universal.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

FRAGMENTOS...



“Pouca gente tem força para trilhar o caminho da transformação de dentro para fora, e daí desenvolve-se uma espiritualidade tribal em que Deus torna-se um ídolo de esquina que deve ser acessado para uma negociação, na qual os benefícios da divindade nada têm a ver com a seriedade do suplicante. É mais fácil questionar um Deus que passou a estar a serviço do fiel. Ele é o responsável por realizar desejos, sob pena de ser abandonado e considerado um Deus ausente, distante, omisso e lento demais para suprir as demandas dos desafios da vida”

(Ed Renê Kivitz em “Vivendo com Propósitos”).

A SIMPLICIDADE PROFUNDA E ESMAGADORA DE JESUS





A cada dia mais me impressiona a simplicidade de Jesus em relação a tudo.


Ele negou-se a tratar de quase tudo o que a filosofia e a teologia tratam com avidez.


A origem do mal Ele simplesmente desprezou em qualquer que seja a explicação “metafísica”. Simplesmente disse que o mal existe. E o tratou com realidade óbvia.


O problema da dor foi por Ele tratado com as mãos, não com palavras e discursos.


As desigualdades sociais foram todas reconhecidas, mas não se o vê armando qualquer ação popular contra elas.


Seus protestos eram todos ligados à perversão do coração, mas nunca se tornavam projeto político, ou passeatas, ou bandeiras.


A “queda” não é objeto de nenhuma especulação da parte Dele. Bastava a todos ver as conseqüências dela.


Sobre a morte sua resposta foi a paz e a vida eterna.


Jamais tentou justificar o Pai de nada. Apenas disse que Ele é bom e justo.


Mandou lutar contra os poderes da hipocrisia e do desamor, mas não deu nenhuma garantia de que se os venceria na Terra.


Sua grande resposta à catástrofe humana foi a promessa de Sua vinda, e nada mais.


Nunca pediu que se estabelecesse o Reino de Deus fora do homem, mas sempre dentro dele; pois, fora, o reino, por hora, era do príncipe deste mundo.


Não buscou ninguém com poder a fim de ajudar qualquer coisa em Sua missão.


Adulto, foi ao templo apenas para pregar aquilo que acabaria com o significado do templo como lugar de culto.


Fez da vida o sagrado, e de todo homem um altar no qual Deus é servido em amor.


Chamou o dinheiro de “deus”, mas se serviu dele como simples meio.


Pagou impostos; mas nunca cobrou nada de ninguém, exceto amor ao próximo.


A morte para Ele não era mesma coisa que é para nós. Morrer não era mal. Viver mal é que era mau.


Em Seus ensinos Ele sempre parte do que existe como realidade e nega-se fazer qualquer viagem para aquém do dia de hoje.


Para Ele o mundo se explicava pelas ações dos homens, e prescindia de analises; pois, tudo era mais que óbvio.


Não teologizou sobre nada. E todas as Suas respostas aos escribas e teólogos eram feitas de questões sobre a vida e seu significado agora; e sempre relacionado ao que se tem que ser e fazer.


Quando indagado de onde vinha o “joio”, Ele simplesmente diz: “Um inimigo fez isso...” — referindo-se ao diabo.


Prega a Palavra, e não tenta controla-la.


Vê pessoas crerem, mas não tem nenhuma fixação em fazê-las suas seguidoras físicas e geográficas.


Não tem pressa, embora saiba que o mundo precisa conhecer Sua Palavra.


Cita as Escrituras sem nenhuma preocupação com autores, contextos ou momentos históricos.


Arranca certezas da Palavra baseadas em um verbo “ser” — aludindo ao fato de Deus ser Deus de vivos e não de mortos, pois, “para ele todos vivem”.


Ensina que a morte é o fundamento da vida, e tira dela o poder de matar, dando a ela a força das sementes que ao morrerem dão muito fruto.


E assim Ele vai...


E assim Nele é!


Texto de Caio Fábio

NASCIDO DO ESPÍRITO

Meditando em João 3...

Em Israel existe uma grande cidade chamada Jerusalém, que está localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto, lá nas Montanhas Judéias. Era Páscoa, e por ali estava Jesus de passagem, ficou pouco tempo na cidade, e fez muitos sinais durante a festa. De noite um homem chamado Nicodemos o procurou. Penso que nessa hora tudo devia estar mais tranqüilo. Era uma hora boa também para quem queria ser discreto.

Nicodemos era Doutor da Lei na época, fariseu. Ele era um cara culto, educado, inteligente e fazia parte do grupo que criou a sinagoga. Fariseu significa separado, santo. Ele se dirige a Jesus e o chama de Rabi, que significa grande, ou mestre. Em sua primeira frase ele constata que Jesus é Mestre e veio da parte de Deus. Ora, é a única explicação para alguém que pode fazer sinais como os que Jesus fazia. Impossível se Deus não estiver com Ele, acrescenta Nicodemos.

Conheço muitos “mestres” que com elogios mais econômicos que os de Nicodemos a Jesus, se sentiriam o próprio Cristo. Jesus com palavras de autoridade e amor diz para Nicodemos que ele não estava vendo nada. Que o Reino de Deus ele ainda não via. Em verdade disse Jesus que se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

O que queria Nicodemos afinal?
Era um curioso que queria ver Jesus de perto e deu uma “carteirada” de religioso oficial para chegar até ele sem a multidão? Ou ele estava como o mundo está... Sedento de Deus e querendo ir além dos sinais de Jesus?
Ele replica a Jesus, desnorteado, querendo saber como poderia nascer de novo se já era velho. Como seria o processo? Abre-se o ventre de minha mãe e eu entro e saio? Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus, responde Jesus. Ele diz “pode” e não “poderá” pela segunda vez.
Será que “pode” significa contemplar o Reino de Deus de imediato, vivê-lo agora, hoje; não é algo que só pertence ao “além”?
Viver as promessas de Deus e permitir que Ele o acolha como um Rei acolhe e protege seu povo. Colocar-se submisso à Sua vontade, que é boa perfeita e agradável.

Jesus revela a Nicodemos que ele pode ter o Deus criador do céu e da terra como Rei na sua vida, suas escolhas, seus passos, naquele momento. O que nasce da carne é carne, e a carne de fato só pode produzir carne. Mas o Espírito Santo Consolador convence o homem do pecado, da justiça e do juizo e faz nascer um espírito novo. Quem nasce do Espírito assume o estado de vento que sopra onde quer e que é possível ouvi-lo, mas não se sabe d’onde vem e nem para onde vai. É peculiar do vento ser dependente por completo de quem sopra. Ele nasce com essa benção. Só quem sopra sabe a direção e o propósito. Nicodemos, expressando características de um discípulo legítimo, tentava entender e lutava para sair daquela conversa com o coração consolado e aquietado das suas inúmeras dúvidas e questionamentos.

Jesus o acode perguntando como ele não compreendia tudo isso, se era mestre em Israel.
Ele poderia testificar o que via, de modo que presenciava as Suas maravilhas. Lamenta Jesus por não poder falar das coisas Celestiais com Nicodemos, se ao falar apenas das terrenas ele não entendia.
Moisés no passado ergueu uma serpente de bronze no deserto, como Deus havia mandado, para que quem tivesse sido mordido por serpentes e olhasse para ela não perecesse. Então Jesus comparou com a sua missão, de ser também levantado para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.16.
E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. II Coríntios 5.17.
Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido. I João 5.1.


TEXTO DE LEONARDO A. FARIAS ROCHA

Fonte de Jacó





Meditando em João 4...

Em uma terra chamada Sicar lá na Samaria havia um poço, conhecido como a Fonte de Jacó. 

Aquele pedaço de terra foi comprado por Jacó tempos atrás, por isso o nome do poço. 

Aquelas águas abençoaram a descendência de Jacó por muito tempo. 

Conta a história que Jesus certo dia sentou-se ali, cansado de uma longa caminhada, cerca de 200 Km. Seguia para a Galileia e parou para descansar um pouco. Imagino que se esconder do sol de mais ou menos meio dia também era a ideia d'Ele. Posso até imaginar a sensação que Ele teve ao ver aquela água do poço no meio da sua jornada, com sol a pino. 

Os que com Jesus andavam foram ao centro da cidade comprar alimentos. Enquanto isso Ele os esperava talvez debaixo de alguma árvore ali próximo ao poço, protegendo-se do calor e aguardando, quem sabe, uma chance de tomar uns goles d’aquela água abençoada. 

Naquele mesmo instante aproximou-se uma mulher samaritana para buscar água. Ela, provavelmente, estava usando algum tipo de balde feito de couro de animais (muito usado na época) para tirar água do poço. Essa era a única maneira, pela profundidade do poço. 

A Fonte de Jacó ficava longe da cidade cerca de 30 km. Alguma coisa motivara aquela mulher a afastar-se essa distância da cidade naquela hora em busca de água e desconfio que não era apenas sede. Jesus pede um pouco de água para aproveitar, é claro, o balde da mulher. 

Ela era samaritana e Ele Judeu. 

Povos que não se entendiam havia 400 anos. 

Foi um susto para ela que, certamente, estava com a cabeça longe, com os pensamentos que só Deus sabe onde. Essa era a questão, ela não sabia que Ele sabia, mas Ele sabia. Ela deve ter esbugalhado os olhos de espanto, entronchado o pescoço na direção de Jesus e logo perguntando como é que ele pôde fazer algo assim, pedir água a uma mulher samaritana se ele é Judeu. 

Acho até que por alguns segundos ela esqueceu o que a perturbava na caminhada da cidade até o poço. 

Jesus então disse que se ela soubesse quem lhe pedira água e se conhecesse o Dom de Deus...

Ah se ela soubesse...

Ah se ela conhecesse... 

Seria ela quem estaria pedindo e estaria recebendo! Porque Ele daria água viva.

E ela completou dizendo que ele não tinha nem balde, como arranjaria água viva...? 

Jacó que era o cara da época precisou de balde para dar de beber aos filhos e animais. 

E completa perguntando se por acaso era Ele maior que Jacó. Jesus respondeu a uma pergunta que ela estava fazendo com o espírito e com a expressão do seu olhar e da sua alma. 

Ele diz que quem beber da água do poço voltará a ter sede. Mas quem beber da água dada por Ele, nunca mais terá sede, para sempre. Muito pelo contrário, essa água será em quem beber a própria fonte e jorrará eternamente. 

Ela estava disposta a caminhar qualquer distância, mergulhar em um poço sem preocupar-se com a sua profundidade, carregar o peso que fosse necessário com o propósito de esquecer um pouco sua agonia. Definitivamente, beber água não era a sua motivação. 

Ela precisava de um motivo para se afastar de todos os que a julgavam. Fugir, se esconder, se sentir livre. Ela tinha um problema que era repudiado por todos na época. Jesus conhecia seu sofrimento e deixou aquela mulher admirada por conhecer toda a sua vida. 

A água que Jesus ofereceu e apenas Ele pode oferecer não foi para matar a sede física, foi para matar uma sede espiritual que só ela sabia a intensidade. 

Não se sabe o nome dela, mas sabe-se que aquele encontro mudou sua vida. 

Jesus conhece o que me dá sede, Ele sabe exatamente porque eu procuro o poço, porque caminho longas distâncias. 

Ele sabe o peso exato que está sobre as minhas costas. 

Ele sabe o que comprime o meu coração. 

Esse encontro me ensinou onde beber água viva. 

Ensinou sobre confissão, busca e adoração.

Leonardo Augusto Farias Rocha (Meu filho)


E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32


(...) eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

João 10:10



Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Mateus 11:30


domingo, 15 de novembro de 2009

Dinheiro & Felicidade



O dinheiro pode nos dar conforto e segurança, mas ele não compra uma vida feliz.

O dinheiro compra a cama, mas não o descanso.

Compra bajuladores, mas não amigos.

Compra presentes para um mulher, mas não seu amor.

Compra o bilhete da festa, mas não a alegria.

Paga a mensalidade da escola, mas não produz a arte de pensar.

Você precisa conquistar aquilo que o dinheiro não compra.

Caso contrário, será um miserável, ainda que seja um milionário.

Augusto Cury

sábado, 14 de novembro de 2009

É PRA COMER. NÃO É PRA CONHECER O CARDÁPIO



Sem "teologia" e sem "doutrina" de nenhum tipo, a simples leitura do Evangelho nos deixa saber o que é bom para a vida, e como também se deve viver, sem que isto demande nenhuma "explicação" especial àquele que deseja se beneficiar da Boa Nova.

Sim, a Boa Nova não tenta convencer a priori. Ela simplesmente diz: "Me experimente. Se você provar, você saberá que é verdade. Não antes. Não por nenhum outro modo ou meio."

O convencimento da Boa Nova vem da realização do que é Bom. É simples assim.

Um "Evangelho" que seja um pacote de crenças e doutrinas e uma "embalagem de Deus" segundo algumas teologias, serve muito à criação de um espírito religioso, e que se arroga a ser melhor não por causa do Bem que realize, mas em razão da suposta superioridade dos valores de conduta apregoados.

"Eu vim para que tenham vida; e vida em abundância"— jamais poderá ser substituído por "Eu vim para que vocês fiquem sabendo qual é o conjunto da verdade e, assim, sejam superiores aos demais homens ignorantes".

O único modo de aferição da verdade do Evangelho só acontece na vida, e não porque alguém ganhou uma discussão teológica contra um herege, mas sim pelo resultado da existência, se é plena de vida, conforme a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo.

Desse modo, o Evangelho não tenta explicar nada, mas convida a uma confiança que é fruto de se ter tido um toque da Graça, e que se transforma numa atração, e que se entrega como rendição, gerando a resposta do "seguir" a Jesus.

Assim, aquele que se entrega a Jesus não recebe um pacote de explicações, mas sim aceita seguir porque foi convencido pela experiência do bem do Evangelho, e que tocou o indivíduo de alguma forma, fazendo-o provar que o "Senhor é bom".

Portanto, tal pessoa não fica preocupada em "entender Deus". Sua felicidade está em que Deus a entende. Assim, ela caminha sem querer saber o que Deus está planejando, mas apenas o que Jesus propõe como caminho. E, para ela, cada coisa não é passível de uma explicação, mas sim de uma resposta própria. Desse modo, se impotente, ela ora; se abastada, ela agradece; se visitada pela calamidade, ela confia no bem oculto no amor de Deus; se é objeto de perseguição, ela exulta; se milagres acontecem, ela se alegra; se não acontecem, ela se entrega ao milagre da confiança...

Enfim, tal pessoa aprende o "como", não o "por quê" das coisas. Aliás, ela até poderá aprender o "por quê", desde que antes tenha a coragem, em fé, de viver conforme o "como" do Evangelho.

É o "como" do Evangelho que explica o seu "por quê"—isto quando explica. E, normalmente, a "explicação" nunca é "lógica pela lógica", mas sim algo que se experimenta como bem interior, inexplicável, e que convence o coração acerca da verdade pela paz que promove no interior, e cujos frutos se manifestam como "modo" de caminhar.

Não é à toa que Paulo diz que é a "bondade de Deus que conduz ao arrependimento". Sim, no Evangelho, tudo o que se estabelece como genuíno e duradouro decorre da experiência da bondade de Deus.

É, portanto, a experiência de Deus como bem para o ser, aquilo que muda a mente, que provoca a metanóia, que gera o arrependimento—a mudança de mente e, por conseguinte, de caminho.

Como eu disse no início o Evangelho não oferece explicações, mas diz como se deve viver. E é desse "como", que não é um manual de condutas, mas sim um modo de ver, de ser, de valorizar, de desvalorizar, de reagir, de agir conforme princípios, e de enfrentar a existência—que vem o crescimento da fé.

Por isto é que no Evangelho as coisas caminham de fé em fé; assim como também crescem de experiência em experiência (Rm 5:1-5). E no final não se fica entendendo tudo, mas se experimenta o amor de Deus, e que traz consigo uma esperança que não nos deixa jamais confusos acerca de nada, muito menos acerca das tribulações e dos absurdos da existência.

Somente aquele que se abandona e pratica o Evangelho em fé, e conforme toda a confiança, é que experimenta a Verdade conforme Jesus; visto que a Verdade só se faz verdade para o indivíduo, se for por ele provada, conforme Jesus (João 7: 17).

Daí o escritor de Hebreus advertir quanto a se "ter provado os poderes do mundo vindouro" e ter deixado para trás o que se sabe por experiência do coração, conforme a experiência da Graça.

O grande mal que se pode fazer a si mesmo, segundo o Evangelho—e sem explicações doutrinário-teológicas—, é experimentar o seu bem e, depois, trocá-lo pela religião das normas, mas que não produz bem real à vida; antes, pelo contrário, seca-a dos bens originais e dá a ela a presunção da verdade na forma de religião. Aliás, esse é o espírito inteiro da Carta aos Hebreus.

A "Queda" se consumou na experiência, não na especulação acerca da verdade ou da mentira, do bem ou do mal. "Tomou do fruto e comeu"— é o que se diz. Assim foi com o primeiro Adão e, muito mais, é assim concernentemente ao segundo Adão: Jesus. "Quem comer tem a vida... quem de mim se alimenta, por mim viverá..."

Ora, assim como o pecado se fez consumar pela experiência, assim também o bem do Evangelho se faz conhecer pela experiência da fé, e que dá acesso ao fruto da Árvore da Vida.

"Tomai e comei!" — é assim no Evangelho.

Caio Fábio

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A velha máscara







Não adianta fugir nem mentir pra si mesmo agora


Há tanta vida lá fora


Aqui dentro sempre como uma onda no mar...





Quantas vezes nos deparamos com pessoas exercendo cargos públicos de forma louvável e nem sequer imaginamos como foi a trajetória de vida delas em sua vida íntima, sua vida familiar.

Dias atrás, estava procurando na net um endereço de um órgão público aqui da minha cidade, e me chamou à atenção os nomes dos que compunham a pasta do citado órgão.

Abaixo de cada nome em destaque, a respectiva função e caso fosse “clicando” onde havia foto e currículo, teria mais detalhe ainda acerca da pessoa. (Eita net bisbilhoteira. E eu, não?!)

Então, de repente, não mais que de repente...
Desocupada rss e aguçada a curiosidade, me pego clicando em cada um deles, começando – claro! – pelos conhecidos, e em seguida pelos nomes que me pareciam familiar.

E depois de ler e reler, atenta ao nível de qualificação do sujeito, avaliação de inteligência social, emocional, o escambal, enfim, os múltiplos requisitos, as exigências de praxe e - sejamos realistas - o clássico “Q.I.” poderoso até para dispensar algumas das alternativas anteriores, comecei a imaginar como seria a vida pessoal de cada uma daquelas pessoas.

Foi daí que eu me detive em determinada foto olhando para aquela expressão tão conhecida minha e então dei uma brecada reflexiva até chegar a algumas elocubrações (afe, que vocábulo feio e antiquado rss) simplesmente a partir de um único termo que ficou a martelar na minha mente desde então: gestão pública.

Gestão... Pública? Sim, gestão, ato de gerir, de reger...

Ora... penso euzinha cá comigo.

Se o sujeito está capacitado a lidar com o ser humano individual e coletivamente, pressupõe-se ter ele um grau de doutor muito mais elevado no âmbito familiar. Ou seja: Passa pela minha mente, que em um bom currículo acadêmico necessariamente está imbuído um excelente currículo de vida familiar.

Não consigo desvincular uma coisa da outra.
Não há como isolar, afinal o ser humano é o mesmo, cá dentro e lá fora, com seus próprios princípios, valores e conceitos e inevitavelmente irá impregnar ambientes com seu pozinho existencial onde quer que esteja.

E como posso contribuir para um mundo lá fora mais igual, mais fraterno, mais justo, se cá dentro de mim e dos meus mais íntimos eu não sou igualitária, justa e fraterna?

O que eu entendo é que assim como ninguém deve apenas cultuar o corpo em detrimento da mente e do espírito, também ninguém é apenas conhecimento técnico.
Há uma amplitude que deve ser vista, revista e revisitada para que os relacionamentos humanos funcionem da maneira mais COERENTE possível.

Do contrário, veste-se uma exterioridade que difere do que se é realmente.
Esse contraste dá um tom meio furta-cor que carregamos no próprio coração pela vida inteira.

Uma farsa que de tão contundente, de tão vivenciada finda por ocupar o lugar do que deveria ser verdadeiro em um estranho e perigoso jogo de troca de valores.
Pois que o fascínio exposto aqui fora é bem maior, enche a vista em forma de um convite/cilada que toma o ego, usurpando o espaço de uma essência que espremida e rejeitada vai definhando, vai murchando, vai se esvaindo...


Eis um flagrante em poema:


Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime
.
(Fernando Pessoa- Tabacaria)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

OBJETOS... malignos?! Como assim?!




Chegando ontem à área de serviço em meio a tarefas domésticas senti forte cheiro de incenso que vinha do andar de baixo e então, dando aquela paradinha básica, deliciando-me ao inspirar calmamente aquele aroma tão agradável, me veio à memória uma fase da minha vida em que eu o comprava com certa freqüência e apenas porque eu gostava daquelas fragrâncias por mim escolhidas exalando pelos espaços da minha casa.

Somente por isso e para isso.

Essa substância resinosa - inclusive com poderes antissépticos - é utilizada desde a antiguidade fazendo parte do ritual mosaico nos sacrifícios para disfarçar os cheiros característicos das ofertas ao Senhor. Da mesma maneira que é usado para “energizar” pessoas e ambientes, como também em diversos rituais conforme as mais variadas crenças.

Não vou me estender sobre o uso do mesmo, querendo apenas aproveitar a “lembrança olfativa” que tive para ressaltar que o incenso EM SI, não carrega nenhum malefício.

Como muitas outras coisas. Aliás, como qualquer objeto.

Veja a simples VELA, por exemplo.

Dias atrás faltou energia elétrica por aqui no início da noite e eu procurei uma vela.
Não encontrando, resolvi relaxar.
Do alto do andar que moro e sentada no sofá decidi ficar com os reflexos de luz que vinham da rua e de uma claridade espetacular que a lua estava proporcionando, daquelas que a gente só percebe quando acontece esse tipo de coisa mesmo ou então quando se mora na roça.

Fiquei ali experimentando aquele acaso de Deus naquela lua cheia...
Bom, mas o que provocou mesmo as tais projeções mnemônicas com toda aquela luminosidade diferente do cotidiano foi a história da vela quando aconteceu algo interessante logo que me casei e fui morar no interior do Rio Grande do Norte, onde lá tudo era muito novo para mim, novos amigos, novos costumes.

Ainda muito jovem e inexperiente, morando longe de casa, fiz amizade com uma “crente”, esposa de um colega de meu marido, recém-formada em Psicologia, com familiares também em Recife, estando lá as duas pelo mesmo motivo: transferência de marido.
Logo nos identificamos e ficamos amigas.
Com todas as nossas diferenças, claro - foi meu primeiro contato de terceiro grau com uma amiga evangélica - porém com a convivência quase obrigatória fomos cultivando uma amizade legal, quando certo dia uma dessas diferenças me soou meio indigesta pra eu engolir assim na boa. Estávamos lá em sua casa e faltou energia (no interior faltava energia demais, afe!). Quando a empregada cogitou comprar umas velinhas básicas ali na vendinha próxima, ela deu um salto dizendo alarmada coisas do tipo “que na minha casa mesmo não, que não entra vela, mas de jeito nenhum”!

Eu fiquei assim meio com cara de parede, sufocando um “hã?!” que escondia minha expressão de incredulidade naquele breu. Como assim?! Nem precisei perguntar-lhe, já que em seguida ela dá uma rápida e nervosa explicação teológica/hermenêutica/exegética/herética acerca de vela. Porque não se acende vela. E luz, minha filha, só mesmo Deus!
Ora, se Ele já é a Luz pra que usar outra?

Confesso que quis rir daquela cena patética ao mesmo tempo em que me intrigava ver uma garota tão bem informada dizendo aquelas asneiras, quando assim que a conheci fiquei admirando-a só porque ao entrar em uma igreja católica para assistir a um evento social - um casamento, não lembro - alguém estranhou sua presença e ela disse com toda naturalidade
– Por que não? Fui convidada, ué!
Porque - convenhamos - principalmente em cidades pequenas, e mais provincianas, sempre tinha (?) alguém inconveniente e preconceituosa fazendo essas perguntas cretinas só para constranger mesmo, criar aquele clima chato. No entanto, ela não saiu do salto.

Por causa disso, achei que ela tinha cabeça aberta como se dizia naqueles anos oitenta - até porque ela era minha amiga e de certa forma me servia como parâmetro em relação a familiares meus que haviam ingressado recentemente em denominação religiosa extremamente rígida, onde o cumprimento rigoroso do não pode isso e não pode aquilo era uma espécie de ingresso para entrar no céu.

E falando em “NÃO PODE”, já que estamos tratando de coisas que metem medo por carregarem supostos malefícios, lembro de uma enorme carranca que decorava minha sala de estar.

Um belo dia chega uma irmã minha, do tipo crente fundamentalista - dessas assustadas que veem macumba em tudo, que veem desgraça em coisas, que atribuem o mal ao que se vê e se pega - disposta a tirar o mal de dentro da minha casa.
Ela sempre me visitava, mas nesse dia parece até que ela foi com um propósito: o de dar um fim ao meu objeto decorativo, mas o pior mesmo foi a explicação dela. Que aquilo estava me atrapalhando a vida, que as coisas ruins que eu vinha experimentando era aquela carranca que trazia pra dentro da minha casa e blá blá blá.
Eu olhava pra ela incrédula e imaginando se meu pai estivesse ali presente o que lhe diria. Ele que abominava qualquer coisa que diz respeito a superstição, crendices, mitos, fábulas e coisas afins.
E ela falava e quase implorava para eu deixar ela mesma carregá-la enquanto ela ia levando sem esperar minha decisão, já que eu fiquei sem palavras diante daquela agonia toda que ela experimentava. Findou ela levando a tal tinhosa pelos braços em direção à área de serviço, indo colocá-la no elevador de serviço, para em seguida me forçar a dar destino imediato à coisa. Foi quando eu ainda surpresa e travada com todo aquele afã, tive a idéia de interfonar para a portaria e dizer que retirasse do elevador aquela peça (in)suspeita, colocando-a no lixo mesmo.

Como eu vinha atravessando um deserto terrível, não conhecia ainda ao Cristo que morreu por mim na Cruz e, como muitos, sabendo apenas acerca do Cristo histórico, me deixei levar pela “viagem” dela.
Afinal, eu até podia não concordar com os argumentos dela...
Mas como discordar se eu não tinha uma contra-argumentação abalizada? Aliás, diga-se de passagem que eu não tinha nenhuma, abalizada ou não.

Como diria o sábio pregador, sem a Rocha da Realidade que é a Palavra Revelada, todos nós de um modo ou outro vivemos em “viagens”.


Na verdade, eu me deixei levar, não pelos argumentos rasos e angustiados dela, mas pela própria angústia em si, pelo medo supersticioso estampado em seu rosto.
O mesmo medo que vi na expressão angustiada da amiga avessa à vela.

Eu não tinha nem mesmo o conhecimento da Palavra de Deus, como está lá em Jeremias 10.5 como refutação simples, clara e enxuta para aquela agonia toda, mas por outro lado, mesmo cedendo àquele sumário exorcismo não entrei na viagem do rigor ascético dela, em acreditar que aquela obra de arte seria responsável pelas dificuldades que eu experimentei à época.

Meu próprio temperamento já era desde cedo voltado para um estilo questionador e
resistente a certas paranóias, sempre com o cuidado de buscar informações para manter minha mente sadia e tendo a sorte de absorver com toda força essa coisa pulsante que meu pai trazia em suas veias de derrubar mitos, de questionar, de não me deixar levar por qualquer explicação.

Enfim...

Incensos, velas, carrancas...

Objetos que não têm poder de fazer bem... nem mal.

Sabe...

Às vezes eu vejo com certa tristeza a gritante incoerência no emprego de algumas normas contidas em cartas do NT, totalmente fora do seu contexto e que só segregam, isolam, separam... Enquanto nessas mesmas cartas há tanto de vida prática saudável a se seguir pra ser feliz, leve e sem o peso da obrigatoriedade.
Até porque, quem vive na GRAÇA não precisar do peso da norma.
Tudo flui NATURALMENTE.

Como diria Paulo aos gálatas, em outras palavras: ou a lei ou a graça.
“Não anulo a graça de Deus; pois se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão”.

Ora, sejamos SENSATOS, pois o mesmo Paulo que estabelece medidas disciplinares severas à igreja que se formava em Corinto é o mesmo Paulo que diz claramente aos colossenses:
“Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por quê, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques naquilo outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?”

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Muro DE PEDRA


Muro que separa e/ou muro que protege?
Em data de comemoração da queda do Muro de Berlin, penso no bicho-homem.(O meu é com hífen rss)
O bicho-homem dono do poder que ao longo da história, inverte uma idéia exemplar e a faz virar um terror.
Comemoram-se 20 anos de queda desse muro erigido no início dos anos 60 para impedir fuga de seres humanos.
Muro levantado por mãos atadas e mentes escravizadas por um sistema ironicamente nascido de ideais igualitárias e que se transforma em movimento político onde a coerção é sua base de sustentação.
Ora, muro assim segrega, oprime, adoece e mata.
Mata psicologicamente.
Afetivamente. Emocionalmente.
Destrói o ser na sua essência.
E penso no bicho-homem...
Quão romântica a idéia de que um modelo único suplantaria a vontade humana em sua ânsia pelo poder!
E que caos, que desordem, quanta perda humana ao longo desse processo transitório permeado por lutas e rupturas, onde em inversão sinistra, gulags aprisionam uma ideologia outrora libertadora.
A igualdade social proposta anteriormente fora substituída por um tirano sistema político e econômico impregnado em mentes rançosas que tolhiam, que puniam, que castravam, que destruíam o ser humano desde a sua mais simples necessidade de liberdade individual a terríveis massacres e genocídios.
A idéia de livrar-se da alienação do trabalho herdada dos sistemas imperialistas volta-se irônica e brutalmente contra a alma do ser humano, fazendo-a mais cativa em nova versão bem mais castradora.
A proposta original de repartir conforme a necessidade abolindo classes percebe-se distorcida em forma violenta voltando-se contra a velha conquista do direito básico de transitar, de ir e vir, de pensar, de ser simplesmente.
Então surge outro sonho em mentes essencialmente livres: o de migrar para um mundo supostamente livre.
Um mundo mais livre encorajado pela glasnost e pela perestroika.
Um mundo mais livre desencadeado pelo movimento sindicalista.
(E ainda considerando a forte influência mundial e religiosa, conforme enfatizou o líder do “Solidariedade” em discurso ontem após dar início à derrubada dos dominós simbólicos).
Um mundo que estaria mais próximo do “sonho americano”.
E aí surge essa tal mundo da globalização.
O mundo da globalização que não tem muros visíveis.
Globalização que gera muros sofisticados e intransponíveis.
Esse mundo da globalização que finda por desiludir os outrora cativos...
O certo é que, dominós, simbolismos e méritos à parte, há de se levantar MESMO é a bandeira que circulava tremulante nas festividades de comemoração com os seguintes dizeres:
“CONTRA OS MUROS NA CABEÇA”

sábado, 7 de novembro de 2009

O LIVRO DE ECLESIASTES



A razão porque ele é tão pouco lido nada tem a ver com sua profundidade ou complexidade, pois, como em toda genuína sabedoria, o que é verdadeiro se faz entender com simplicidade.

Portanto, não são as dificuldades de compreensão que impedem a Leitura, a aceitação e vivência proposta por Deus em Sua Palavra no livro atribuído a Salomão.

O que dificulta é justamente o poder esmagador de sua simplicidade baseada na observação da História, tal qual ela se mostra aos olhos, sentidos e percepções humanos.

E entre essas observações, aparece o desmantelamento de todas as fabricações de causa e efeito criadas pelos amigos de Jó.

No Eclesiastes a vida é como ela é: sem tentativa de abençoar a inegabilidade da Queda dos Humanos no Planeta Terra.

A outra razão da não apreciação do Eclesiastes é que ele não fala abertamente da eternidade—no máximo diz que o espírito volta a Deus, que o deu—, não fala nem do céu e nem do inferno.

E seca a vida aqui, na arena das competições, dos julgamentos, dos esforços inúteis, das jactâncias idiotas, dos sucessos imerecidos, dos insucessos injustos, dos poderosos insensatos, dos sábios desprezados, dos ricos sem apetite, dos ricos estéreis, dos justos esquecidos, dos esnobes afamados, dos governadores cercados de puxa-sacos incompetentes, dos bens materiais que não promovem nem paz nem sono, das vitórias logo esquecidas, das alegrias alienantes, das tristezas que melhoram a alma, dos afazeres que nada mais são que vaidade e correr atrás do vento.

Por esta razão o livro de Eclesiastes é insuportável, ele é histórico demais e realista demais.

Nele não há milagres.

Seu grande milagre é o discernimento de como a vida é, sem os auto-enganos aos quais nos entregamos a fim de diminuir a nossa dor acerca dos esmagadores fatos da existência humana na Terra.

Precisamos, todavia, lê-lo, pois sem a percepção de como a vida é, jamais cai a ficha!

E, enquanto a ficha não cair, não mergulhamos jamais no mundo da Graça e da Providência de Deus.

Sem o realismo do Eclesiastes não se faz a apropriação posterior da certeza de que no mal de hoje pode habitar meu bem eterno.

E também não nos entregamos com confiança à certeza de que o verdadeiro bem não está disponível aos sentidos!

Caio Fábio

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ali não me cabe mais



Deixei de ir à igreja.

Não há nada que me motive mais a ir a cultos dominicais ou mesmo reuniões em grupos, que são bem comuns nas comunidades cristãs. Já não conseguia mais nem cantar “louvores”, ou melhor, acompanhar os cânticos executados na igreja que frequentava. Na sua maioria, são os mesmos que são cantados e tocados nas demais igrejas semelhantes. Lembro-me da última vez que estive em uma; ao entrar, via o rosto de todos, cansados, na expectativa de que algo transformador fosse dito ou oferecido durante aquelas horas. A expressão facial de quem os recebia era o oposto: sorriso tragando as orelhas como se o mundo fosse feito de pavê. Ainda consigo escutar o som das vozes de quem “ministrava” o momento musical e dos instrumentos que o acompanhava. Era um “barulho” de um sino de igreja misturado com uma banda de heavy metal em um momento de solos instrumentais simultâneos. Tive uma espécie de taquicardia psicológica. Fui empurrado para fora do templo de uma forma quase que inevitável.

O que parece exagero é apenas um resumo do que sentia naquele momento. A minha namorada que estava lá comigo, na hora não entendeu nada. Fui por muito tempo dedicado aos diversos ministérios que surgiam na minha trajetória em igrejas cristãs. Participei de muitos, liderei alguns. Quase sempre estava envolvido diretamente na organização das muitas manifestações e movimentos com o objetivo de difundir nossas crenças e alcançar o maior número de pessoas possível. Por isso a surpresa dela naquele momento.

Por muito tempo me comportei como quem não podia errar, para que outras pessoas também não errassem e “pecassem”. Esse mal me perseguiu por alguns anos. Escutava sempre que gente como eu precisava ser referência, para que ninguém tropeçasse na fé por minha causa. Era preciso dar “bom testemunho” ou então eu seria responsabilizado se alguém se desviasse do caminho. É o que todos escutam nas diversas igrejas e denominações. Umas com um discurso mais contundente, outras mais sutis e estratégicas. Tantas vezes fui forçado, por toda essa pressão, a ser o que eu não era, ou sou. Alguns sofrem dessa doença até hoje. Eu saí correndo da igreja e ali nunca mais voltei.

Não demorei muito para perceber o bem que eu estava me fazendo, ou que Deus estava me permitindo fazer a mim. Ele é digno de todo louvor e adoração. Imagino que ninguém tenha plena consciência da soberania de Deus, sua grandeza, seu poder. Sempre irei louvá-lo. Quando fizer isso, quero que seja de todo o meu coração, não quero que seja automático, apenas um acompanhamento ou costume semanal.

Foi interessante como comecei a notar que o show de domingo não poderia ter falhas. Via claramente na preocupação dos organizadores em que tudo desse certo. Vi muita gente sendo humilhada, usada, enganada, para que caprichos dos líderes fossem atendidos. É uma seita em potencial. A idéia é que a reunião semanal, normalmente aos domingos, seja tão “tremenda” que o espectador fique ansioso pelo próximo encontro. Não tem nada a ver com Deus. Na maioria das vezes eu voltava para a minha casa pior do que estava antes de sair para o denominado culto. Porém com uma baita crise de abstinência. Efeito semelhante ao que a cocaína pode causar.

Eu não vejo razão nenhuma para reuniões de domingo (cultos) que acontecem atualmente. Para mim são dispensáveis. Tudo que é oferecido ali é o melhor que Deus pode fazer por nós. É como a fada madrinha dos contos infantis. Estamos confundindo tudo. Achamos também que Deus é um ser carente, precisa ser mimado, todos temos que adorá-Lo, servi-Lo, cantar para Ele para que não fique triste. Eis a raiz da questão. Por acharmos tudo isso, inconscientemente não damos valor aos momentos em que deveríamos nos prostrar e adorá-Lo de todo coração. Nem ao menos temos noção do que isto represente. Por que? Simples! Não O conhecemos, em primeiro lugar. O primeiro contato que temos com Deus ao chegarmos à igreja, é sobre o que Ele pode fazer por nós ou pelos nossos problemas. Mesmo sem saber ao certo quem Ele é, aceitamos o que nos é proposto. O fator preponderante é que sejamos atendidos, e rápido, se possível. Conhecê-lo deve vir primeiro que torná-lo conhecido, segundo a bíblia. A partir daqui, começo a entender que Deus precisa ser conhecido por mim.

O processo de entender a grandeza de Deus, a criação da vida, o Seu relacionamento com o homem, o Seu evangelho, me impulsionam naturalmente a reconhecer a Sua divindade, a beleza da Sua santidade, o Seu Amor. O meu coração e a minha alma se dobram diante da sua maravilhosa luz. Não é por costume ou pelo que Ele tem a me oferecer, mas simplesmente porque Ele é Deus! Depois que isto acontece o meu coração fica cheio de amor, de misericórdia, de perdão. Assim como Moisés quando desceu do monte. Esse é o reflexo do contato com Deus. Não sei como, mas essa “conexão” com o Pai que nos criou à sua imagem e semelhança vai sendo deixada de lado gradativamente. Trocamos o melhor do relacionamento, uma vida em espírito e em verdade, uma adoração de todo o nosso coração, por costumes inúteis, corrosivos, nocivos, destrutivos.

Deus quer adoração em todo tempo e não em um breve encontro. Torná-lo conhecido fica fácil depois de conhecê-lo de verdade, todos verão em nós, não mais nos será um fardo testemunhá-lo, mas um prazer. Depois daquela fuga repentina, que me fez tomar decisões importantes, parar para ver o que eu já via, porém não percebia, entendi muita coisa. Foi preciso sair de toda aquela “muvuca” para aquietar o meu coração, acalmar a minha alma aflita. Ainda assim, precisei ir a outras comunidades que ofereciam algo diferente. Acreditei em algumas, sedento por um lugar ou pessoas que pensassem como eu, que quisessem apenas o que Deus quer. Foi frustrante. Parecia diferente no início, mas era tudo igual, com a mesma intenção. Ora, se tem membros, logo, tem arrecadação, sendo assim, é preciso manter costumes que segurem os participantes e os submetam a um ritmo estável.

Por outro lado, há igrejas novas, com propostas mais atuais, que nem usam nomes de igrejas. Mas ao participar delas, notamos que ainda estamos presos ao passado, inveterados nos velhos moldes. Desconfio até que não funcionaria de outra forma. Esta parece ser a mais eficaz. Senão vejamos: descolamos um lugar bacana, com cadeiras na direção de um púlpito, montamos um grupo de louvor (músicas), colocamos pessoas sorridentes para receber os participantes na porta do estabelecimento, um pastor e por enquanto basta. A liturgia pode ser a de praxe: Uma palavra de boas vindas, um momento de cânticos, uma pregação cativante e motivadora, momento de contribuição, para algumas igrejas um momento de comunhão (Santa Ceia), breves avisos e a despedida. Umas igrejas mais pentecostais fazem o famoso apelo, que tem feito muito sucesso, quando não aumentam a membresia, acalentam a já existente. Montamos uma nova igreja. Mais zumbis irão circular e vagar por aí.

Eu sonho fervorosamente com pessoas se reunindo apenas para conhecer mais de Deus. Dedicar a Ele momentos de louvor, ou seja, ter o reconhecimento da sua grandeza, santidade, misericórdia, soberania. Provar do Seu amor apenas porque é inevitável aproximar-se dele sem que isso aconteça. Fazê-Lo conhecido pelo amor ali cultivado. Ser igreja de Cristo como corpo que faz valer, vai à luta, arregaça as mangas da camisa para ajudar a quem precisa, gastando tempo com quem necessita de um apoio, seja financeiro, psicológico, espiritual, o que for. Há - e como há! - quem precise de apenas um pão, um abraço, um teto, um cobertor.

Enquanto isso, perdemos nosso tempo, que já não é muito, com conversa fiada entre quatro paredes “santas”. Estamos completamente equivocados. Já ouviu falar em boas intenções? Dizem que o inferno está cheio delas. Para toda essa loucura é preciso um remédio que anestesie o clamor que nasce no nosso coração buscando repostas, uma fagulha do “fogo divino”. Inventaram então os famosos retiros espirituais com nomes e temas diversos.

Já vi de tudo. É como se fosse um final de semana com Deus. É tudo que você precisa: maravilhoso, inesquecível, transformador! De fato, Deus em sua infinita misericórdia, responde aos que o buscam, pena que dura só até o domingo. Na maioria destes encontros, tenta-se aplicar uma cura espiritual de males causados pela própria instituição. Aproveita-se para falar em dons espirituais, aqueles que deveríamos buscar com zelo. Renovação, reconciliação, cura, perdão, entre outros que não praticamos no dia a dia. Guardamos para que se realize em um momento especial. Algo parecido acontece no carnaval. Festa popular mais querida no Brasil, país em que nasci e vivo até hoje. Mas, esta manifestação do povo é ignorada pelos evangélicos, crentes, cristãos protestantes, chame do que quiser. Nós também nos retiramos nesta época. Todos os terreiros de macumba ficam em carga total, nós, estamos ausentes. “É um evento do diabo”. Foi o que sempre ouvi de alguns pastores, líderes religiosos e de juventudes. Quase uma semana de brincadeiras, músicas, danças, bebidas e diversão de todo tipo que se possa imaginar. O sexo parece ser mais atrativo nesta época, os apelos se intensificam.

E a igreja? Bem longe dali! Nossas ovelhinhas precisam estar protegidas das tentações. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”. Quem está fugindo afinal? Mas tem outra trupe, a galera do evangelismo. Essa é crente de verdade. Eles chegam abalando no carnaval. Todos com a mesma camisa (branca é claro), com uma pomba desenhada, alguns com bandeiras para que não reste dúvidas, bíblia nas mãos, panfletinho e uma língua afiada. São os santos no meio dos perversos. Vez ou outra passa um membro da igreja que saiu para as ruas para brincar e sem querer esbarra com essa “turma do bem” e se sente a pior pessoa do mundo, um imundo, sujo, um pecador sem perdão.

A minha família brinca carnaval desde sempre. Cresci ouvindo vassourinhas, frevo muito conhecido por aqui onde moro. Aliás, o frevo é o ritmo mais característico de nossa terra, porém desconhecido pela igreja, pelo povo que todo ano se retira. As troças de carnaval e a irreverência apenas vistas nesta época do ano são deixadas de lado e nada aproveitadas por este povo. Alheios a tudo isto, nós seguimos ignorantes a tantas outras coisas que são vistas no carnaval, como o coco, ciranda, maracatu, caboclinho, a cultura local em sua maior expressividade. O Carnaval, historicamente, como festa popular, foi visto pela primeira vez em Veneza, na Itália, com pierrôs e colombinas, máscaras que foram criadas para que o povo se misturasse, entre classes sociais.

Quando aqui estamos no período de carnaval, e decidimos participar da festa, nos colocamos como os melhores, os detentores da verdade, os salvos que levarão a salvação para todos. Quando meus tios e tias, meu pai, primos primas, saem nas ruas para brincar carnaval, eles se divertem, participam de movimentos irreverentes, descontraídos, ficam juntos da família. Se nós não fugíssemos do carnaval, ou se não estivéssemos ali apenas para sermos os melhores, talvez a gente também aproveitasse esta festa do povo. Como crentes mesmo, servos de Deus. Por que não? “A alegria do Senhor é a nossa força”. Não precisaríamos falar nada, nem papeizinhos para entregar. Seríamos reconhecidos pelo amor que há em nós. Não há no mundo, nem na nossa cidade, momento melhor para isso. Para brincarmos também. A vida é divertida. Mas isso é discurso de desviado, diriam alguns crentes que conheço. É exatamente isso: estou completamente desviado, desligado, desarraigado daquele pensamento preconceituoso e segregador. É lindo ver uma troça passando, um frevo ao fundo e fantasias engraçadas e inteligentes. De fato, é uma pena pensar que a idéia de que a verdade está nas mãos de apenas um povo, além de romper gerações, está cada vez mais sólida.

Em pensar que os colonizadores ao chegarem por estas terras pela primeira vez, contemplaram a maravilha da criação de Deus, mas tinham em suas mãos toda a pretensão de que eram os portadores do conhecimento divino, pregando, evangelizando e violentando tudo que encontravam pela frente, certos de que se não realizassem tal feito, Deus deixaria de ser conhecido pelo povo que aqui vivia. Esse retrato se repete ao longo da história. Agimos assim também, cheios de verdades absolutas, idéias separatistas, capazes de criar fronteiras. “Eu to fora!” Deus é infinito, não cabe nos nossos conceitos limitados. Tanta gente que acreditamos ser infiel, incrédula ou algo do tipo, tem experiências maravilhosas com Deus; ou de fé para compartilhar conosco, basta baixar a guarda, ter humildade, se render e crer que o Pai se revela aos seus filhos, da forma dele, não da nossa.

Grande é a surpresa, assim aconteceu comigo. Ao encher um copo com água, percebo que se ultrapassar o limite, a água irá transbordar, escorrer pelo vidro do lado de fora e molhar a superfície que se encontra o copo. Posso concluir que se eu estiver cheio de alguma coisa, quem se aproximar de mim será naturalmente alcançado pelo que me encheu. Acredito que é assim que funciona com o amor de Deus. A busca continua... Tenho bom ânimo. Irei perseverar até o fim! Que a Água da Vida transborde em mim e seja derramada, aonde, como e quando Ele quiser. Amém!
Leo Rocha.

(Parágrafos e sublinhados meus- RF mãe do autor do texto)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CORAÇÃO QUE ABRAÇA O MUNDO

O mundo não é o que deveria ser. O mundo está dividido em sub mundos. São muitos os submundos que convivem dentro do mundo e cada submundo se considera a totalidade do mundo. Por exemplo, o primeiro mundo e o terceiro mundo. O mundo da pobreza e o mundo da riqueza. O mundo de hoje, de ontem e de amanhã. O mundo dos jovens e o mundo dos velhos. E o mundo das crianças. Mas o grande abismo entre os submundos é resultado do abismo que existe no coração de cada pessoa e que separa “o mundo do eu” e “o mundo do outro”. Para que experimentemos a unidade de um mundo sem fronteiras étnicas, sócio-econômicas, político-ideológias e religiosas é necessário que cada pessoa rompa as fronteiras de seu próprio mundo e se abra para outro mundo, especialmente o mundo do outro.

Foi exatamente isso o que Jesus fez. Deixou seu “mundo divino”, o céu, e veio ao mundo dos homens, a terra. Seu movimento certamente foi inspirado no coração de seu Pai, que “tanto amou o mundo”. Deus tem um coração que abraça o mundo. Seu Filho tem um coração que se dá pelo mundo. O Espírito de Deus derrama esse mesmo amor em nossos corações. Para que sejamos um com Deus, assim como Pai, Filho e Espírito são um, precisamos abrir nossos corações para que sejamos um entre nós. O abraço de Deus é o abraço de um coração que abraça o mundo. E nesse abraço de Deus não estamos sós, pois Deus é Pai nosso, aquele que dá um mesmo nome a toda a família nos céus e na terra.

Estamos num tempo em que de fato é imperativo “viver sem fronteiras”. Palavras como multiculturalismo, pluralidade e diversidade exigem outras, como diálogo, convergência e tolerância, e impelem cada um de nós ao caminho da comunhão, compaixão e solidariedade. A diaconia dilata o coração. No abraço de Deus e de seu Cristo, servo sofredor, que acolhem o mundo, somos convidados a abraçar o Borel, Jerusalém e Bagdá; a convidar à nossa mesa o órfão, a viúva e o estrangeiro; a abrir conversações com ateus, agnósticos e piedosos de todos os credos; conviver com todas as gentes, independentemente de raça e cor, gênero e orientação sexual, ideologia e religião; a juntar forças para o bem comum e a colaborar com as iniciativas das pessoas de boa vontade e suas causas justas.

Passou o tempo do sectarismo fanático e dos preconceitos que resultam em juízos condenatórios. Não existe mais espaço para o dogmatismo prepotente. Quem se acredita dono exclusivo da verdade e vive para impor sobre todos sua moral particular acabará falando sozinho, tão útil como uma vela debaixo da cama, irrelevante como sal sem sabor, que para nada presta senão para ser pisado pelos homens.

É urgente a proclamação do Evangelho de Jesus Cristo – por palavras e obras. É imperativo que coloquemos abaixo os muros e superemos as barreiras que nos separam. É imprescindível abrirmos nossos corações para o amor de Deus que não apenas nos abraça, mas abraça o mundo. Assim, todos juntos, sentados na mesma relva, ouviremos as palavras de vida eterna pronunciadas por Jesus e, enquanto compartilhamos o pão da terra, desfrutaremos do pão do céu, que ele, Jesus, multiplicará e distribuirá na ciranda da nossa comunhão.

2009 | Ed René Kivitz -

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A MPB nossa de cada dia dá-nos hoje


Era pra ser uma resposta a algumas cartas. Mas são muitas as cartas criticando-me por gostar de MPB.


Resolvi escrever um artigo... assim é melhor... respondo as cartas e ainda escrevo um pouco daquilo que gosto e penso.

Sinceramente, não dá pra entender o ódio mortal que alguns cristãos sentem em relação a nossa Musica Popular Brasileira. Ou melhor, dá pra entender sim... esse pensamento é o simples reflexo de um povo que foi “colonizado” espiritualmente por uma mentalidade estadunidense-européia e hoje sofre nas mãos dos “brasileiríssimos” apóstolos da “teologia do gueto” (aquela que afirma que tudo de fora é do diabo e tudo de “dentro” é de Deus).

Quanto à música, então, nem se fala! Música que não louva a Deus, é do diabo!

Meu Deus!!! De onde tiraram essa idéia? Onde ficam a poesia, a arte, a beleza, o romantismo? Será que estamos mesmo fadados a sermos reféns das rádios evangélicas e suas “maravilhosas” canções românticas? Será que só poderemos ouvir a “poesia” dos mantras repetitivos e infindáveis? Não poderemos mais ouvir os nossos chorinhos lindos e estaremos à mercê dos chorões de auditório? Será que o meu Brasil-brasileiro-mulato-branco-moreno-e-negro cairá sob a bandeira de Israel e seus shophares mágicos?

A implicância com a música brasileira ao meu ver tem dois motivos, ambos impregnados na mente de nosso povo e já considerados como “doutrina bíblica” por muitos.

O primeiro motivo é por ser... “música”. Como assim?

Há algum tempo atrás surgiu uma “doutrina”, dessas que surgem de vez em quando e fazem aquele estrago imenso, onde se dizia que Lúcifer era “ministro de louvor” no céu, daí entender tanto de música e saber usar a seu favor essa maravilhosa arte. Logo, a música que não era pra louvar a Deus, só poderia ter outra fonte: o gramunhão! Daí rejeita-se QUALQUER coisa que não tenha o rótulo de “evangélico” e, mais recentemente, o melhor dos rótulos: “gospel” (assim acaba de vez qualquer tentativa de ser brasileiro).

Essa idéia errônea atribui mais poder ao diabo do que a Deus. Ora, Deus é criador de tudo e tudo o que é realmente belo vem dEle, é o que se chama na teologia de “graça comum” (é claro que o conceito de graça comum é bem mais amplo, mas fiquemos aqui na beleza...). Não há beleza que não venha de Deus. Lembro-me de uma música do MILAD, em seu álbum “Retratos de Vida”. A música chama-se “Platéia” (Toninho Zemuner – Alexandre Rocha) e diz:

“Pra começo de história
Entre acordes e tons,
Onde Chicos e Miltons
Fazem os sons...
(...)
Ah! Se todos soubessem
De onde vêm esses dons,
(...)
A fonte é Deus,
Essa fonte de vida...”

Essa “teologia” ainda foi mais fomentada quando Raul Seixas deslanchou com “Rock do Diabo”, onde afirmava que “o diabo é o pai do rock”. Quanta ingenuidade a nossa!!! Estamos fazendo com a música a mesma coisa que fizemos com o arco-íris, entregando coisas divinas ao movimento gay e à Nova Era como se realmente o arco-íris fosse um sinal diabólico, totalmente contrário aos planos de Deus. Ignorância! Ignorância Bíblica! A única coisa que o diabo conseguiu ser pai é da mentira (João 8.44) e é exatamente em sua especialidade que ele coloca na mente dos cristãos que tudo o que não é da IGREJA não é de DEUS.

Mas isso também depende dos “frutos” (entenda-se aqui frutos como propaganda, marketing, e principalmente LUCRO). Até pouco tempo atrás futebol era uma coisa do diabo. Isso até os mais famosos jogadores se dizerem evangélicos e aí os pastores, ávidos por aparecerem na mídia ao lado de seus fiéis... sacralizaram o que até então era diabólico. Hoje ninguém mais comenta que futebol é do diabo e que a bola é o “ovo do capeta”. Deixou de ser há muito tempo, desde quando começou a trazer frutos e dividendos pro “Reino”.

Em tempo: não sou contra o futebol. Pelo contrário!!! Sofro como flamenguista; gosto de bater uma pelada com amigos; de ir ao Maracanã quando dá tempo torcer pro Mengão; em épocas de copa do mundo, paro pra assistir todos os jogos do Brasil, e como bom brasileiro estou torcendo desde já pelo hexa da nossa seleção.

Pois bem, o diabo nunca foi ministro de louvor no céu (só se isso fizer parte de algum livro apócrifo), e o máximo que ele pode fazer é deturpar aquilo que Deus criou, mas nunca ser pai de alguma coisa. A música é um presente de Deus à humanidade, que pode ser utilizada em seu louvor, como também simplesmente para demonstrar sentimentos belos como o amor, a saudade, o carinho, sonhos, etc.

Essa idéia faz com que a música seja olhada como a pior arte, arte exclusiva de Satanás. Não vejo ninguém recriminando um filme, uma poesia, uma escultura, uma exposição de quadros... tudo isso é arte. Só não pode haver música!!! Se houver música, na cabeça de muitos, a coisa passa a ter um outro dono: o diabo. Todas as outras artes podem ser apreciadas, sem problema algum, menos a música. Santa ignorância! Santa hipocrisia!

É claro (e é aqui que está o cerne da questão) que há a boa música e a música ruim. Não dá pra ter prazer ouvindo “Vem Tchutchuca, vem aqui pro seu tigrão” ou “Hoje é festa lá no meu apê... vai rolar bundalelê”. Mas não podemos julgar o todo pela parte ruim. Há música ruim na MPB? Claro que há! O que faço? Não ouço! É simples... Há música boa na MPB? Claro que há! O que faço? Ouço... e louvo a Deus por ter dado ao homem (mesmo o que ainda não O conhece pessoalmente) essa capacidade “divina” de harmonizar letra e música, verbo e melodia... isso é dom de Deus!!! Não vem do diabo, como muitos querem.

Experimente ouvir de coração aberto “Toada” (Boca Livre); “Sapato Velho” (Roupa Nova); “Aquarela” (Toquinho); “Eu Sei que Vou Te Amar” (Vinícius); “Sucedeu Assim” (Tom Jobim); “Vieste” (Ivan Lins) e muitas outras músicas lindas de nossa MPB e você entenderá o que estou dizendo...

E outra questão precisa ser levantada. Há música boa no meio evangélico? Claro que há! O que faço? Canto, toco, ensino nas igrejas, etc... Há muita porcaria no meio evangélico? Claro que há! O que faço? Não ouço e nem recomendo. É simples também! E ainda cabe alertar o povo de Deus contra o engano desses “senhores de gravadoras” que comandam o mercado gospel e enfiam goela abaixo os seus queridinhos e suas músicas “de Deus”.

Portanto, antes de “julgarmos” os de fora, julguemos a nós mesmos. Nossa qualidade musical, conteúdo, as maracutaias no meio “gospel”, a máfia das rádios evangélicas e de seus donos-sempre-candidatos-políticos, o uso do nome de Deus em vão para enriquecer pilantras e enganar o povo, etc...

A segunda questão que creio ser fundamental para a não aceitação da MPB por parte de alguns evangélicos é o simples fato de ser... Brasileira! A igreja evangélica no Brasil tem a péssima mania de só considerar sacro o que “vem de fora”. Há a rejeição latente aos ritmos brasileiros, a miscelânea cultural que é a nossa pátria tupiniquim.

Instrumentos de origem africana são quase sempre associados aos cultos do candomblé, a riqueza de sons e ritmos é sempre associada ao folclore, ao popular, e a arte popular é profana... indigna de se cantar “pra Deus”.

É comum em casamentos, processionais, recessionais, e outros momentos “instrumentais” em igrejas as grandes composições de Bach, Beethoven, Haendel... mas não há espaço pra Carlos Gomes, Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Radamés Gnattali, entre outros...

A música genuinamente brasileira é sempre olhada de lado. Bom mesmo é o que vem de fora... que nos sirvam de provas os grandes hits do “louvor brasileiro” que em sua maior parte é composta de versões do Hosanna Music, Hilsong Church, Michael W. Smith, etc. Não estou dizendo que isso não possa acontecer. Há músicas boas que podem, e devem ser traduzidas, mas por que tanto preconceito com o que vem de dentro de nosso solo, da mãe gentil e pátria amada? Por que João Alexandre, Jorge Camargo, Nelson Bomilcar, Carlos Sider, Carlinhos Veiga, Atilano Muradas, Arlindo Lima, Sérgio e Marivone (Baixo & Voz), Gláucia Carvalho e outros tantos não são conhecidos da grande maioria dos evangélicos brasileiros? Falta de talento e inspiração? Não!!! Falta de vergonha das nossas rádios e dos mega-empresários da fé. Falta de vergonha de uma igreja que nunca chegou a ser brasileira de fato.

Nossas raízes européias e estadunidenses devem ser respeitadas. Foram eles que atravessaram mares para nos pregar o Evangelho da graça. Mas somos brasileiros. Em nosso corpo e em nossa mente há uma ginga inegável, um requebrar sadio que não se contem ao som dos tambores, atabaques, violas, violões, cavaquinhos, e tantos outros instrumentos.

Voltando ao nosso assunto (MPB). A lógica que cabe no meio “gospel” também serve para a nossa cultura. Somos sempre tentados a não valorizar o que temos de bom. Temos poetas maravilhosos, compositores fenomenais em nossa MPB e em nome de uma fé totalmente equivocada desperdiçamos a chance de crescermos como brasileiros, como músicos, como poetas ao nos recusarmos a ouvir o que há de bom do lado “de fora” do nosso gueto.

Que reconheçamos em todas as coisas belas, e até mesmo na boa MPB, traços do criador, resquícios da imagem de Deus ali pulsantes em alguém criado à sua imagem e semelhança. Creio firmemente que Deus não punirá aqueles que ouvem a boa música brasileira, européia, estadunidense, africana... Ele ainda é Senhor de todas as coisas, mesmo que muitos dos que se dizem seus “filhos” não queiram...


José Barbosa Junior
Crer e Pensar