"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Elogio ou bajulação?





O bom senso diz que o elogio é extremamente importante na construção da autoestima e até para ajudar alguém a sair de uma depressão. Elogiamos nossos filhos quando estudam e passam no exame, pois é uma espécie de prêmio; eles se esforçaram e recebem o justo louvor por isso. O problema é quando o elogio ocorre nas coisas de Deus. Aí estamos andando em areia movediça achando que é terreno firme.

Primeiro vamos ver o lado daquele que é elogiado. Uma das características dos fariseus que a Palavra aponta era que gostavam de ser elogiados pelos homens. Não gosto da Tradução na Linguagem de Hoje, mas vou usá-la aqui porque usa a palavra elogio ao invés de glória, e assim fica mais claro diante de sua dúvida: Jo 12:43 "Eles gostavam mais de ser elogiados pelas pessoas do que de ser elogiados por Deus".

Depois de ler este versículo, da próxima vez que você for elogiado por algo que fez na obra de Deus, vai perceber o que é sentir-se como um fariseu. Você vai gostar, porque gostar de elogios é um sentimento natural ao ser humano. Mas devemos nos lembrar de que foi essa mesma natureza nossa que ficou lá atrás, pregada na cruz.

Gl 2:20 - Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Gl 6:14 - Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

O sentimento adequado ao cristão é o que foi expressado pelo apóstolo Paulo em 1Ts 2:6 "Nunca procuramos elogios de ninguém, nem de vocês nem de outros", e também pelo Senhor Jesus em João 5:41 "Eu não procuro ser elogiado pelas pessoas". Tal sentimento, obviamente, não é um sentimento da carne, mas da natureza que provém de Deus, do homem em quem Deus se apraz. É bom nos lembrarmos disso na hora de elogiarmos um irmão em Cristo; pode causar mais mal do que bem ao coração dele.

Mas você também encontra situações de elogio na Bíblia, como é o caso de 1Co 11:2 "Eu os elogio porque vocês sempre lembram de mim e seguem as instruções que eu passei para vocês", e também de 2Co 7:14 "Eu havia falado muito bem de vocês a ele, e vocês não me desapontaram. Temos sempre dito a verdade a vocês. Assim também é verdadeiro o elogio que fizemos a Tito a respeito de vocês".

É o caso também de 2Co 9:3 "Agora estou enviando estes irmãos para que não fique sem valor o elogio que fiz a respeito de vocês sobre esse assunto. Mas, como eu disse, vocês estarão prontos para ajudar", mas estas passagens parecem indicar que Paulo apenas revelou às pessoas que as havia elogiado para outras pessoas, ou seja, aqui ele estaria mais informando que em determinado momento fez um elogio a terceiros do que propriamente elogiando.

Eu acho que o mais prudente é andar sobre ovos quando o assunto for elogiar alguém nas coisas de Deus, pois posso estar criando nessa pessoa o sentimento de ela se achar alguém, e bem sabemos que não é assim. Se um irmão ou irmã faz algo no Senhor, é no Senhor que faz... "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" Ef 2:10.

Em Mt 11:2 João Batista, que estava preso, envia seus discípulos a Jesus para perguntarem se ele era mesmo o Messias ou se deviam aguardar por outra pessoa. O Senhor responde, porém espera eles irem embora antes de começar a falar bem de João Batista. Mat 11:7 "Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João".

Antes de me apartar das denominações para congregar somente ao nome do Senhor, cheguei a congregar por alguns meses com os batistas, e uma das coisas que contribuíram para que eu saísse dos sistemas criados pelos homens foi um culto de transferência de pastor que assisti em Brasília. Foi uma rasgação de seda tamanha, que criou em mim um sentimento de nojo.

O pastor que deixava o cargo e o que assumia pareciam estar competindo para ver quem elogiava mais o outro em seus discursos. Eu, novo convertido e sedento de ouvir falar de Jesus, senti-me numa churrascaria rodízio: era só carne que passava de um lado para o outro. Saí dali com fome e sede de Jesus, pois naquela noite deu para perceber que ali havia duas pessoas que se consideravam mais importantes que Jesus, e a festa era deles.

No meio religioso a bajulação é uma instituição que está tão arraigada nos costumes que a maioria dos cristãos nem percebe mal nisso. Parece até uma obrigação exaltar um irmão por sua fidelidade, seu empenho nas coisas de Deus, sua pregação. Uma vez ouvi falar de um irmão que tinha acabado de pregar o evangelho e foi abordado por uma irmã que teceu comentários maravilhosos sobre sua pregação, sua maneira de falar, seu talento.

Quando ela terminou, o irmão simplesmente lhe disse:

- Irmã, Satanás já tinha me dito tudo isso ali atrás, enquanto eu pregava.


Na íntegra AQUI

(Grifos meus-RF)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

B.B.B.



Eu já havia escandalizado o gueto gospel por ter escrito duas vezes o que penso sobre big brother brasil. Uma, acho que há dois anos em blog muito movimentado; outra, mais recentemente, em blog de uma amiga logo no início do programa global. E confesso que não estava nem um pouco disposta a ficar repetindo a mesma coisa a esse respeito. Ou seja, dei o meu pitaco e apertei a tecla dane-se quem se incomodar.

Mas volto a tocar no assunto por me intrigar a leitura de um texto grotesco que li casualmente em alguns blogs, atribuído erroneamente a Luís Fernando Veríssimo. E perdão por ativar o meu sincericídio, mas não tem como dizer de outra forma: tal atribuição é, no mínimo, levianamente imbecil. Primeiro, porque quem conhece seu estilo literário percebe claramente logo nas primeiras linhas que não é de sua autoria. Em segundo lugar - ainda que não se conheça seu estilo - qualquer criança de cinco anos de idade teria a perspicácia de sacar que uma pessoa amadurecida não seria tão tola a ponto de descrever em detalhes sobre algo que ela não assiste de jeito nenhum. Ou seja, fazer uma coisa e dizer/escrever/aparentar outra é de quem se mascara e prima pela performance, pela reputação. Aliás, diga-se de passagem, que quem se comporta assim é a turma do meio evangélico.

Não estou aqui defendendo nem o suposto autor e menos ainda o programa citado. Pois, independentemente da velha e sempre presente crítica gospel pseudointelectual, quero crer que ambos vão muito bem. O que eu defendo é que tenhamos mais cuidado com o que postamos nos nossos blogs. O que eu defendo é que façamos escolhas criteriosas. Essa conveniente distração por meio da qual se atribui algo a alguém de forma desonesta e irresponsável recebe o nome de fofoca. Ou maledicência. Ou falso testemunho, como quiser. Isso para usar de eufemismo, pois quando não temos o cuidado em definir a fonte daquilo que postamos, tamanho deslize se constitui em crime, bora dar nomes aos bois.

Por outro lado, que coisa mais chata essa preocupação. Deixem quem quiser assistir o que bem entender. Programa degradante, cultura inútil ou seja lá como se queira nomear, cada um lê e assiste o que quiser, na proporção que quiser, absorvendo “informações” conforme o próprio bom senso, a própria consciência. Deixemos de lado a vida alheia e que cada um empregue seu tempo e dinheiro como lhe aprouver. Ora, aquilo que para alguns é inaceitável, para outros é mero entretenimento casual e para outros tantos é um divertido jogo em 3D.  E daí?! Não transformemos escolhas e antipatias pessoais em bandeira. Bora parar com essa neurose de se achar o detentor das normas e guardião dos bons costumes, pois isso sim é que é avidez por ibope.

Aliás, para os desavisados de plantão, que não são ávidos pelo BBB, mas igualmente ávidos por levantar uma bandeira inglória só pra ter ibope, devo dizer que tal texto a que me refiro e me envergonho de linkar - seja por sua pobreza literária, seja pela breguice da apelação - é coisa antiga, mera repetição que vem rolando no meio web há muitos anos. Ou seja: nada de novo há. E aí... LFV continua dizendo que o texto não é dele e o povo continua caindo na mesma cilada. Quanta bobagem... E quanta demagogia!

Mazenfim, para não redundar no mesmo extremismo e considerando que o texto em si não é assim tão ruim na sua totalidade, penso que menos mal seria se nesse afã em passar adiante - como sugerem alguns comentaristas mais empolgadinhos com tal achado antigo de autor desconhecido - pelo menos houvesse o cuidado em fazer algumas adaptações/supressões (E põe adaptação/supressão nisso!) para tornar o texto menos tosco, menos tendencioso, menos extremista, menos hipócrita e menos apelativo.

Menos, né?!



“Repreende o sábio e ele te amará”. (Pv 9.8)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Seguir a Jesus ou à Religião?




O seguidor ama ao próximo. O religioso se afeiçoa conforme a adesão religiosa.

O seguidor diz que Jesus é a verdade. O religioso diz que a verdade está com ele.

O seguidor se torna uma boa pessoa. O religioso faz bondade.

O seguidor faz por amor. O religioso faz por interesse.

O seguidor ora com olhos abertos conforme a vida vai acontecendo. O religioso fecha os olhos para não ver a vida.

O seguidor entende que o céu começa aqui, por isso ama o planeta. O religioso odeia o planeta, pois acha que ele pode condená-lo.

O seguidor entende que Cristo é adorado através da vida. O religioso acha que temos que nos franksnteinizar para conseguir adorá-Lo.

O seguidor vê vida onde o religioso vê morte. O religioso vê morte onde o seguidor vê vida.

O seguidor contribui para ajudar. O religioso contribui por querer algo em troca ou para não ser condenado.

O seguidor vive sua vida e vê Deus espargindo graça em todos os lugares. O religioso se encaverna na igreja e espera Deus se manifestar na boca do pastor.

O seguidor se reúne com outros seguidores para compartilhar as boas-novas do mestre e ajudar cada um conforme sua necessidade. O religioso se reúne com outros para bater continência, cumprir a presença obrigatória e se inchar de ideologia sectária.

O seguidor chama todos para uma conversão de mente e coração. O religioso chama todos para uma adesão proselitista, pesada e operacional.

O seguidor entende que filho pode brotar até de uma pedra. O religioso entende que os filhos de Deus são apenas aqueles que se uniformizam.

O seguidor entende que Deus amou o mundo. O religioso entende que Deus amou as pessoas, quando não, diz que amou algumas pessoas.

O seguidor entende que fé não é um ato de crença, mas um estado de ser. O religioso entende que fé não é de “crer e ser”, mas apenas uma absorção da informação bíblica.

O seguidor crê em Jesus e prega que ninguém se chegará a Deus senão através deste Caminho. O religioso crê na bíblia e prega que ninguém se chegará Deus através da bíblia.

O seguidor se encanta com a música que nos faz pensar em Deus. O religioso precisa criar a música evangélica para pensar n´Ele.

O seguidor anuncia as boas novas aos que querem crer. Os religiosos fazem apologias às doutrinas.

O seguidor entende que a religião de Deus é a ligação de Homem com Homem, onde Deus é a coroa. O religioso entende que a religião é a ligação entre o Homem e Deus, onde o dogma é a comprovação do elo.

O seguidor cura algumas pessoas. O religioso adoece a todos.

O seguidor batiza os que crêem. O religioso batiza os que aderem.

O seguidor entende que “quem não é contra nós, está a nosso favor” (em relação aqueles que não seguem o mestre, porém não advogam contra). O religioso rouba a fala de Jesus: “Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.”

O seguidor acredita que os filhos de Deus habitam os quatro cantos da Terra. O religioso diz que no Oriente Médio não há um filho sequer.

O seguidor pergunta para um garoto de 11 anos, sentado numa calçada paulistana, se ele quer comer ou beber algo. O religioso dá o endereço de sua igreja.

O seguidor lamenta a miséria africana. O religioso diz que é castigo.

O seguidor arrisca em afirmar que seu inimigo se arrependerá. O religioso deseja que seu inimigo não se arrependa e pague seus pecados no inferno.

O seguidor é livre. O religioso é livre até onde sua coleira permitir.

O seguidor é reconhecido pelo que é. O religioso é conhecido pelo que faz.

O seguidor gera obra como consequência de quem ele é. O religioso gera obra para sua salvação.

O seguidor lava os pés do próximo como uma forma de prestatividade. O religioso lava os pés para cumprir um mero ritual.

Na íntegra AQUI

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Deus ou a tradição denominacional?



Deus é maior que nossas tradições e nossas denominações. Muitíssimas pessoas dizem que creem nisso, mas negam em suas doutrinas e práticas. Se Deus quer ordenar a alguém, ele na verdade não precisa de nenhuma aprovação ou reconhecimento humano. Ele frequentemente arranja o reconhecimento humano para manter a boa ordem, mas nada na Escritura indica que isso deva acontecer ou que deva acontecer de determinada forma. Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Não devemos permitir algo em nossa política eclesiástica que pareça negar isso.

Se Deus quer entregar suas palavras ou suas bênçãos por meio de homens, isso é direito seu. Mas se Deus deseja entregar essas diretamente, não cabe à igreja proibi-Lo. A igreja é uma comunidade de pessoas individualmente redimidas e chamadas por Deus. Ele arranja pessoas para crerem no evangelho pelo ministério de agentes humanos, tal como a pregação de um pastor ou membro de uma igreja particular. Ele faz isso por inúmeras razões, tais como a ordem estabelecida, a comunidade e os relacionamentos entre os homens e para exercitar aqueles que pregam. Mas Deus não precisa de agentes humanos mesmo quando diz respeito à pregação do evangelho e não devemos rejeitar alguém se ele recebe algo da parte de Deus sem nossa mediação.

Se você teme que isso leve ao caos, então mostra que você adotou grandemente a mentalidade dos fariseus e católicos. Essa é a mentalidade que pensa que precisamos usar tradições humanas para reforçar os preceitos divinos, e isso se removendo a liberdade que a revelação divina permite, incluindo a liberdade que Deus reserva para si. Se alguém se converte à fé cristã ou possui um ministério à parte do nosso controle, sua fé e ministério ainda estão sujeitos à palavra de Deus e podem ser testadas pela palavra de Deus. E essa é a única base legítima para testar sua conversão ou chamado ao ministério. Ele não tem nenhuma obrigação de responder ou se submeter a tradições humanas que não prometeu cumprir. E se essas tradições violam a palavra de Deus, ele tem obrigação de romper com elas.

Pode ser verdade que a igreja está em tempos difíceis. Muitas pessoas estão se afastando das congregações locais e as falsas doutrinas abundam. Contudo, a resposta não é uma teologia de controle por meio de tradições feitas por homens, mas uma teologia de liberdade em Cristo. Que Cristo atraia o povo que Ele escolheu e chamou! Quanto aos cristãos, eles são responsáveis perante Cristo, não a tradições humanas. Portanto, desafie-as quando apropriado e necessário. É frequentemente aceitável se submeter a costumes humanos em prol do amor e da ordem, mas não porque seja requerido de você como uma questão de princípio.

Marcos 9 nos diz que um homem estava expulsando demônios em nome de Jesus, mas os discípulos disseram-lhe para parar de fazê-lo por não ser um deles. Jesus respondeu: “Não o impeçam. Ninguém que faça um milagre em meu nome pode falar mal de mim logo em seguida, pois quem não é contra nós está a nosso favor”. Quem ordenou a essa pessoa? Por mãos de quem Deus conferiu dons espirituais a esse homem? Nem mesmo Jesus na Terra fez isso. Mas Deus no céu o fez, e aparentemente sem qualquer agência ou aprovação humana. Como observa um estudioso do Novo Testamento, o próprio Jesus não teve sanção humana oficial para o seu ministério. As tradições humanas são frequentemente tão perigosas quanto as ameaças à ordem que elas procuram eliminar. E eles, frequentemente, se afastam da ortodoxia que alegam proteger, ao ponto que até mesmo ordenariam o assassinato do próprio Filho de Deus. Todos os cristãos devem ser livres para servir a Deus, sob as diretrizes estritas, mas algumas vezes amplas, da Palavra de Deus, e não das restrições de tradições humanas.

Na íntegra AQUI

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Uma tortura chamada solidão




Ando lendo Fernando Pessoa.
Não seus poemas e tratados, mas suas cartas íntimas.
Escritas de Lisboa ao amigo Cortes-Rodrigues nos anos entre 1914 e 1916, quando a Europa se debatia nos horrores da primeira guerra. Nego-me a chamá-la de “grande”, para mim toda guerra é pequena, posto que o é em seus motivos e propósitos.

Confesso que me sinto intruso em um universo secreto feito, não para mim ou para os que as leem hoje, mas para aquele em quem confiava o coração do poeta, a ponto de lhe falar de suas crises emocionais, seus desertos criativos, suas frequentes depressões, suas ambições revolucionárias… a ponto de lhe pedir - com frequência, diga-se - dinheiro emprestado. Até nisso as cartas me consolam. Notem que, diferentemente do que se diz alhures, a condição econômica nada tem a ver com o gênio dos homens ou com as empresas a que se dedicam. A história está cheia de “quebrados” brilhantes, com imorredouros legados. Mas não façamos disso uma virtude… Há aqueles que nem sábios, nem doutos, nem empreendedores são apenas desafortunados, no sentido etimológico da palavra.

Pessoa é uma alma outonal.
Lendo-o sinto o vento frio e cortante das tardes em que caem descansadas as folhas na capital lusitana. Na verdade, ele deveria se chamar Fernando Pessoas, já que seus heterônimos - outros nomes com que escrevia - são pessoas completas, com data de nascimento e morte, com quem dialoga o poeta. Ele não simplesmente os cria, ele cria neles, ele sofre e convive com eles. Imagino ser o resultado da busca de convivência, de laços comunais, na vida de quem a solidão machucava tanto. Esta é a razão pela qual, no final de cada carta, Fernando não apenas pedia que seu amigo lhe escrevesse logo de volta, mas, também, que o fizesse longamente.

O ser humano não foi feito para a solidão, esta lhe é agressiva e enlouquecedora. Os generais sabem disso, e fizeram da “solitária” uma das mais severas e profundas torturas. Não precisam bater, humilhar ou ameaçar o detento. Basta deixá-lo sozinho, sem acesso a sons, imagens ou figuras; sem que se dê conta se é dia ou noite; sem que sinta sequer a presença das sombras externas, como no Mito da Caverna de Platão. Quando um homem é posto assim, em absoluto isolamento, a sua própria mente se converte em seu mais cruel algoz.

É num contexto como este que a nossa natureza animal revela um dos mais curiosos expedientes de adaptação e sobrevivência. No início, o ser isolado começa a conversar consigo mesmo, fala de suas raivas e frustrações; relembra a sua caminhada e as razões que o levaram àquela punição; pensa no que fará assim que sair dali. Contudo, não demora muito até que este solilóquio seja interrompido por um “mas”. Após a adversativa vem o esforço de compreender o “outro lado do assunto”. O monólogo se transforma em debate interior, como nos filmes de desenho-animado em que um diabinho fala à altura de um dos ombros e um anjo se coloca na posição oposta. O diálogo interno, tantas vezes uma salutar relação dialética interior, vai se fixando e as “personas” vão se cristalizando. Não tarda para surgir o necessário mediador entre os dois, uma terceira voz. Outras muitas vão chegando à medida que o isolamento prossegue. Se a liberdade não chegar logo, ao ser solto e se perguntar: Qual é o teu nome? Corre-se o risco de ter como resposta: “legião, porque somos muitos”.

Os nossos irmãos, monges tibetanos - se Francisco chamava o sol e a lua de irmãos, como não chamaria de irmãos seres humanos como eu -  desenvolveram, após milênios de estudo e meditação, uma forma de aplacar esta fome voraz da alma por companhia. Chamam de Nirvana, um estado de quietude da mente, conduzindo-a, como quem poda bonsai, à uma libertação da tirania dos pensamentos, manifesta em uma condição profunda de silêncio emocional. Acho isso tudo lindo, mas prefiro um bom e simples “papo de mesa de bar”, técnica desenvolvida pelos “monges” cariocas de neutralizar o processo de multifacção da mente. Compreenderam que a melhor maneira de evitar que a sua mente se divida e fale um monte de besteiras é permitir que outras mentes o façam, ao sabor de um filé com fritas, tão essencial para os últimos sábios, quanto o incenso é para os primeiros.

A verdade é ainda mais antiga do que todas as até aqui referidas. Foi dita pelo Criador pouco antes da história humana começar: “não é bom que o homem esteja só”.

Nada que é realmente significativo e importante se faz sozinho. A arte da vida é viver com e para os outros, sem ter a necessidade de viver como os outros. Aprender a ser quem é, em respeito e comunhão com todos que são como são, na certeza de que tanto nós quanto eles somos “um processo”.

Somente Deus É o que É.

Paz e Bem!

Adaptado DAQUI



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Caiofobia

 
 
 
“Deus foi o primeiro a ser canonizado”. Essa é uma das frases da música “O Artista e o Santo”, de autoria do desconhecido Ulisses, e cantada por Oswaldo Montenegro.

A canonização parece ser algo inerente ao ser humano. Temos nossos deuses ou ídolos ainda que não admitamos isso. Lutar contra essa realidade é lutar contra nós mesmos, por isso o Evangelho é a negação do eu, é o negar-se a si mesmo, não só nas vontades, mas também - e principalmente - contra os deuses que nos habitam a alma.

Mas... O que tem o Caio Fábio com isso?

Bem, como gosto muito do Caio - tanto de ouvi-lo como de lê-lo - e sinto que há em relação a ele uma caiolatria, ou então uma caiofobia - aversão total a qualquer menção do nome Caio Fábio, creio ser um bom exemplo daquilo que pretendo falar neste texto. E é também uma homenagem ao Caio, que quer por um extremo (o da idolatria) ou por outro (o do medo) acaba por ter em sua imagem a não-ideia de que “é homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos”.

Qual o problema da latria e da fobia humana? Quase sempre brotam da mesma raiz: impotência. O não ser bom ou me faz destruir tudo o que é melhor que eu, e acabo por me tornar um iconoclasta insaciável - sempre pronto a destruir qualquer vestígio de ídolo à minha frente - ou então me faz “fabricar” um ídolo, alguém melhor em que eu despeje nele todas as minhas falhas, angústias e, principalmente, fracassos.

O ídolo sempre será o continuar de minhas doenças da alma, o propagar das minhas insuficiências, minhas faltas, meus desejos. Creio que é por isso que Deus odeia a idolatria, ata mesmo quando Ele se torna o ídolo, porque a idolatria é doentia, o ídolo não fala, não respira, não anda, não vê. O ídolo não vive, simplesmente porque quem o adora também não vislumbra vida em seus atos. Está doente. Está morto.

Caio Fábio foi ídolo de muita gente. Nem tanto por culpa dele, mas principalmente pela doença evangélica de substituir os ídolos da igreja católica por ídolos de carne e osso. E isso não foi bom, nem para a igreja nem para o Caio. Ele é gente, não um deus menor. Cobrar isso dele foi como matá-lo aos poucos. Se ele deixou-se cobrar assim, errou também. E aí pode ter sido o princípio da queda.

Quando falo da queda aqui, não falo em tom julgador. Deus me livre de ser juiz, não tenho vocação, desejo e nem autoridade para isso. Falo de queda como falo de um ser HUMANO, que numa falha HUMANA deixou-se enganar pelo coração HUMANO. Errar é HUMANO. Deus é o único que nunca erra. Ele é o único absoluto, tudo mais é relativo. O homem é relativo e querer exigir dele o absoluto é idolatrá-lo, é torná-lo Deus, e no fim de tudo matá-lo, pois homem nenhum suportaria ser Deus.

Quando falo de queda, falo do pecado, que de tão perto nos rodeia, e que vez por outra nos acaba encontrando. Falo de queda com a convicção de que o erro do Caio foi tão grave diante de Deus quanto o foi hoje de manhã eu ter pedido que dissessem que eu não estava só para não atender o telefonema de um “amigo” chato. Tão graves foram esses erros que a grave Cruz foi o único meio de saná-los e a imensa Graça veio para alcançar a mim. E ao Caio. E alcançou.

Do outro lado da história estão os caiofóbicos. Aqueles que nem podem ouvir o nome “Caio Fábio”. Ouvir esse nome causa neles a mesma reação que aquelas hienas tinham ao ouvir a palavra “Mufasa” no filme-desenho “O Rei Leão”. Lembram-se delas? Era só dizer “Mufasa” e elas tremiam. Entravam em colapso nervoso.

A fobia ao Caio tem sua origem também na incompetência e na insegurança daqueles que lhe são avessos. E o que é pior: muitos dos que hoje sofrem de caiofobia foram seus fiéis adoradores no passado. Essa doença é mais grave ainda, pois junta a caiofobia com graçofobia. Medo da Graça! Simplesmente ficam desesperados ao menor vestígio de Graça, pois isso anula a lei com a qual vivem seguros. É muito mais fácil ser legalista do que viver a Graça e pela Graça. Caiu? É só punir. Errou? Discipline-o (disciplina aqui é sinônimo de envergonhar, pois essa tem sido a prática nas igrejas... expor a vergonha os que erraram). Gente assim cheira a mofo. Mofo dos rolos da lei, guardados por séculos em corações já empedrados.

Também existiam aqueles que já não gostavam do Caio antes de conjugar em seu próprio nome o erro. Caio pode ser conjugação do verbo cair, mas também pode significar alegria, gozo. Creio que os dois devem ser levados em conta, pois quando se cai, e se é levantado pela Graça, a alegria brota, renasce, faz nascer esperança e perdão onde havia erro e desespero.

Havia gente que torcia por uma queda do Caio. Infelizmente havia. Nosso meio tem dessas coisas. Gente que não suporta a felicidade dos outros e, principalmente, a verdade. Caio incomodava em seus livros, em seus sermões. Incomodava aqueles que barganhavam da fé. Ousou enfrentar poderes... Foi tragado por eles.

Caio é inocente? Não! Mas eu também não sou. Você também não é. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. No dia em que essa verdade se misturar com a nossa crença, muita coisa mudará.

A idolatria cessará porque ao reconhecer meu pecado saberei que não há ídolo que me possa purificar. A fobia ao que é bom também cessará, pois saberei que aquela pessoa é tão pecadora quanto eu, e que se Deus a usa, também poderei ser usado, não para tomar o lugar dela, mas para batalhar com ela, lado a lado, reconhecendo em mim limitações que o outro pode suprir e suprindo limitações que ele venha a ter.

E Deus? Deus precisa ser descanonizado. Deus não quer ser “santo”, ele quer ser Deus! A canonização de Deus é o princípio da canonização dos seres humanos. Ao ser descanonizado, Deus sai do altar da idolatria e passa a ser “o Rei assentado sobre um alto e sublime trono”, passa a se relacionar, pois ídolos não se relacionam. E, principalmente, passa a viver em mim, coisa que ídolo nenhum jamais alcançou. E, ao viver em mim, transbordarei Graça, Graça para com os que estão acima e Graça para os que estão abaixo... "Considerando os outros superiores a mim mesmo..."

Isso é Graça. O resto é des-graça, é a negação do Deus e a absolutização do ídolo.

Caio caiu. Eu já caí. E se você ainda não caiu, vigie, pois “aquele que pensa estar de pé, olhe para que não caia...”, “porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana.”

Se dói? Perguntem a quem caiu.

Finalmente, deixem o Caio ser Caio. Não o atrapalhem mais. Nem o idolatrando nem o temendo. Deixem-no ser ele mesmo, ouçam-no como ouvem um homem, que precisa ser respeitado acima de tudo, como qualquer outro homem precisa. Deixem que ele pregue a Palavra, Palavra pela qual ele foi salvo e pela qual procura viver, assim como eu e você procuramos. Deixem que ele escreva, e o leiam, não como leem um exilado de guerra, mas como um combatente que está na mesma frente de batalha que você. Deixem o Caio amar e ser amado, como algo que é inerente ao ser humano, pois Deus não criou ninguém pra solidão.

E deixem Deus ser Deus, restaurando a quem quiser, distribuindo seus dons a quem quiser.
Deixem Deus chamar para a sua obra quem ele quiser chamar.
Deixem Deus derramar da sua graça sobre quem ele desejar assim fazer.
Deixem Deus sair do altar de ídolo que criaram para ele, Deus é maior que isso.
Bem maior...


Na íntegra AQUI

(Grifos meus-RF)


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A quem Jesus chamou de ímpio?




O que Jesus pensou quando leu o Salmo 1?

Como foi que Jesus encarnou isso?

Como ele viveu isso?

Sim, pois dizer que “o verbo se fez carne” significa que tudo que havia sido verbalizado como inspiração divina antes, foi encarnado em Jesus de Nazaré. E, lendo o salmo 1 a partir de Jesus, as perspectivas mudam, pois Ele passa a ser a chave que nos abre todos os tesouros.

Ora, ímpio (oposto de pio) é todo ser que não é capaz de exercer misericórdia.

E mais: essa estrutura ímpia está instalada nas associações religiosas. Irônica e contraditoriamente, os das tais associações acham que o ímpio é o que não segue a sua  formação religiosa, que o ímpio é o que não está no seu meio. Esse achismo já impede estes de exercerem misericórdia, pois há uma confusão instalada em suas mentes, afirmando-lhes que piedade é um esforço religioso de se comportar adequadamente. Adquirindo para si uma presunção de juízo, endurecendo-se, dando-se poder de determinar quem é ímpio pela aparência, pelas visualizações, pelo não pertencimento ao grupo enquanto, na verdade, a piedade se manifesta como exercício de misericórdia.

Na perspectiva religiosa, esse é o ímpio. O religioso torna-se moralista e, consequentemente, desprovido de capacidade de reconsiderar qualquer coisa. Cheio de juízo, acha que ímpio é quem não aceita nem segue rigorosamente sua confissão de fé.


Enfim, etimologicamente, o ímpio é aquele que é mau, que tem rigidez mas sem qualquer densidade dentro de si, que é sistemático, não volta atrás, fecha questões, não pensa diferente, suas certezas são totais; então segue adiante, gelado, esfolando, arrebentando.

Do ponto de vista histórico, como Jesus fez essa aplicação?

Como ele viveu? Quem Jesus chamou de ímpio?

Quem era o ímpio nos tempos de Jesus? Seria Zaqueu? Seria Maria Madalena? A resposta é NÃO.

A quem ele chamou de escarnecedor, de ímpio? Ao fariseu.

Onde você não vê Jesus nunca e qual a principal roda dos escarnecedores? O templo.

É no templo que eles estão. Usando descaradamente o nome de Deus, falando a mentira em nome da verdade de Deus, manipulando o nome de Deus com aquela cara lavada, toda bonitinha, toda certinha, toda arrumada, toda enquadradinha. Sua impiedade é gradativa e praticamente imperceptível; impiedade que envenena com mil disfarces. A impiedade escrachada não traz grandes perigos; esta sim, é a que mata, a que nos envenena sutilmente com todas as formatações do suposto bom conselho. Conselho que não carrega vida, não carrega reconciliações, não carrega graça, nem misericórdia, nem oportunidades; só morte e finalizações. Isso é que é falsificação da palavra de Deus.

Nesse agrupamento JESUS nunca se assentou. Ele só foi lá amarrado. Para ser julgado. Ele preferiu morrer entre dois ladrões a se assentar entre aquela curriola divina que se exalta declarando para si mesmo uma não-pecabilidade, batendo no peito e dizendo: "graças dou por não ser como os demais..."


E onde você O vê?

Você O vê nas esquinas, nas praças, no caminho, nos bares, nas noites, nos jantares, nas celebrações, nos casamentos, dando atenção a quem ninguém dava, incluindo quem estava fora, chamando pelo nome aqueles a quem não eram nomeados, socorrendo problemas do tipo “não pode acabar o vinho”.

Portanto, cuidado com as certezas dos seus conselheiros.Toma cuidado pra ver onde é que você está recebendo informações a partir das quais você alimenta sua vida. Veja se elas são fruto da misericórdia, da graça, do amor e da justiça ou se elas são produzidas pelo juízo, pelo julgamento precipitado, pela atitude de esmagamento do outro e pela incapacidade de jamais voltar atrás.

Ou seja,

Cuidado com conselheiros cheios de certezas prontas e acabadas, pois a misericórdia sempre deixa uma porta aberta. Ainda que seja pra você escapar. Uma porta estreita, apertada, que o livrará do embaraço, do problema, da aflição, da angústia, da culpa, da dor.

Bem aventurado o homem que não anda no conselho de quem não tem coração, daquele que não tem misericórdia. Pois o pior escárnio é a indiferença ante a verdade de Deus.

Para o bem aventurado o prazer está na lei do Senhor.

A lei do Senhor, para Jesus, é a GRAÇA.

Jesus nos chama para dentro de critérios imponderáveis da verdade, da justiça, do amor e da misericórdia. Em vez de aprovar o religioso certinho que cumpria regras, Jesus deu preferência àqueles que eram reprovados, invertendo parâmetros e lógicas, subvertendo aquela ordem estabelecida pela tradição religiosa transmitida pelos líderes que invalidaram a Palavra de Deus. (Marcos 7)

E, esse chamado, não é algo que se sente e também não está escrito em algum lugar. Você é tocado por ele. Isso tem a ver com entendimento que é fruto de uma consciência que está grávida de outros valores; que abre pacotes, que pergunta pela misericórdia ao final de cada coisa, que não deixa o sol se pôr sobre a ira, ou seja, não deixa o dia cair e a noite abraçar você e te ninar com amarguras. (Ele não diz para não se irar, mas para não permitir que o ocaso daquele sentimento se congele, dando lugar ao diabo).

E na Sua lei medita de dia e de noite...

Sem ter hora nem lugar para meditar pois meditação é a vida. Ai daquele que precisa de tempo e local para meditar. Meditar é existir. Existir conforme a lei da graça e não de cartilha religiosa.

Aliás, se a nossa salvação dependesse da síntese dos mandamentos estaríamos falidos. "Na lei da lei estou perdido. Na lei da graça eu estou salvo".

Aceitando a graça como lei é que somos salvos. Salvos de nós mesmos para sermos graciosos com o outro. Fazendo manutenção da graça em permanente estado de perdão, à medida que a praticamos no cotidiano com o outro. Está conquistado! Em Cristo, a gente sai liberado. Ele nos tira dos tribunais e nos traz para a consciência que nos diz: quer perdão, perdoa; quer graça, seja gracioso; quer misericórdia, seja misericordioso; quer ser compreendido, entenda. Esse é o SER que está andando debaixo da lei de Deus. Para este há ressurreição. Ainda que morto entre dois ladrões. Pois a Graça foi conquistada por Jesus na Cruz pra mim para sempre; sou chamada com convicções reforçadas, a aplicar tal manutenção junto ao meu próximo na qual recebendo favor infinitamente imerecido, fazer favor infinitamente imerecido. Esta é a lei do caminho e bem aventurado quem transforma isso, não em compreensão intelectual, mas num estado de ser.

Peçamos a Deus:

Senhor, constrói dentro de mim um ser sólido, não rígido; constrói algo denso, não pedrado; constrói em mim verdade, não moralismo; algo que esteja além da minha compreensão  e que eu não precise explicar por saber que é verdade.

Amém!

ADAPTADO

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu principal inimigo sou eu



Toda experiência que brota do Evangelho, primeiro nasce dentro do coração para depois se mostrar para fora! Assim são as coisas do Reino e no Reino. Talvez por isso os judeus, especialmente os religiosos, experimentaram uma grande frustração em relação a Jesus.

Isso porque toda a espiritualidade dos contemporâneos de Jesus era performática, sempre de fora para dentro e nunca algo que nascia de uma convicção do coração. Dito isto, acredito então que a nossa maior luta é a que travamos conosco.

Ora, foi Paulo quem disse que o bem que ele sabia que devia fazer, esse ele não fazia; ao contrário, o mal que ele não devia fazer, esse sim, era a pulsão mais forte do seu ser. Também os Evangelhos nos afirmam que é do coração do homem que procedem todos os males, e é Jesus quem vai dizer que não é o que entra no homem que o contamina, mas o que nasce no ser dele, ou seja, são suas motivações, é aquilo que ninguém pode ver! Lemos também nos Evangelhos: “Onde está o teu tesouro, ali estará o teu coração”, de modo que é justamente ali que habita a centralidade da vida, porque é o coração que “define” as prioridades na existência.

Portanto, a luta, antes de ser um enfrentamento externo, com demônios e feras cinematográficas, se trava nas trincheiras da alma, onde habitam os piores demônios e bestas dos seres humanos. Na verdade, para nós seria muito mais fácil lidar com realidades físicas, objetais, com geografias definidas, com circunstâncias limitadas, onde frases mágicas como: “está amarrado”, ou “eu te repreendo”, fossem suficientes para resolver nossas guerras interiores, na realidade, na maioria das vezes o que está dentro, e ninguém vê, é absurdamente mais feio e demoníaco, do que os demoniozinhos das encruzilhadas cheias de despachos.

Senhor, livra-me de mim mesmo! Essa tem sido minha oração, quando olho para dentro de mim, quando percebo, como que em flashes, as motivações que tantas vezes habitam meu coração! Ao mesmo tempo em que sei que só O Evangelho-Jesus pode me libertar. Fora disso será sempre uma tentativa infantil de esconder um rinoceronte atrás de um pé de alface; fora do Evangelho será sempre a busca angustiante de querer ser o que nunca se conseguirá ser. Fora do Evangelho desejaremos sempre tratar a existência pela via das coisas desse mundo e nunca sob a ótica de Jesus!

Senhor, salva-me de mim mesmo! Abre os meus olhos para que eu enxergue sempre com o coração. Dá-me forças para olhar para dentro de mim e enfrentar meus demônios interiores e que eles sejam vencidos pela força da Verdade do teu Evangelho. Amém!


Pedro Albuquerque

(grifos meus-RF)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Seja crente só em Jesus.





Em meio ao mundo que é mau, porque somos maus, encontro gente de todos os tipos, mentalidades, faixas etárias, credos, culturas, traumas, vitórias, frustrações e convicções mais que pessoais.

Especializei-me em observar as atitudes, a tentar entender os motivos que levam cada pessoa a ser como é. Adoro conversar, compartilhar, desvendar a mente e ver a mental-idade em cada encontro que tenho na vida.

E a cada dia me convenço mais que a grande maioria dos evangélicos assemelham-se a qualquer outro grupo religioso, pois jamais se converteram a Jesus Cristo de Nazaré para se tornarem gente boa de Deus, mas passaram a adorar um ídolo de nome bíblia e servir a textos mortos que tão somente foram sombra dAquele que viria.

Há uma esquizofrenia na religiosidade evangélica, são dois Deuses a quem alguns destes servem. Um é o Deus Todo Poderoso, Senhor dos Exércitos de Israel, Aquele que manda invadir cidades e nações e matar homens, mulheres e crianças e queimar os despojos; o outro é o Pai de Jesus que é Amor, Graça, Bondade, Misericórdia.

Quando acusam os católicos de adorar imagens, não percebem que eles mesmos são adoradores de ídolos mudos, páginas sagradas, livro complexo que jamais leram. Suas construções mentais os fazem idólatras de deuses construídos na mente.

Sabem que Jesus Cristo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9) e mesmo assim ainda tentam fazer um híbrido de Jesus com o Deus dos Exércitos da Antiga Aliança. Jamais perceberam que tudo ANTES de Jesus foi tão somente sombra dEle que viria (Cl 2) e ainda não entenderam que para saber como é Deus, basta olhar para Jesus.

Com isso, não são poucas as vezes que as pessoas vêm falar comigo dizendo que fulano faz maldades e ainda diz que é crente, pratica o mal e diz que é evangélico, calunia, rouba, mente, dá falso testemunho, puxa o tapete dos colegas, enfim, é um diabinho, tem olhos de lobo e nomeia-se de ovelha.

Quando Jesus fala de escândalo, Ele se refere exatamente a isso: se dizer gente boa de Deus e praticar o mal.

Jesus não está preocupado se você bebe ou se você fuma, pois Ele mesmo disse que “não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca” (Mt 15.11). Ele não se preocupa com esse tipo de comportamento porque para Jesus isso NÃO é escândalo. Escândalo para Jesus é ser mau e se dizer dEle. Isso é escândalo!

Escândalo para os Judeus e para os religiosos sempre esteve localizado do lado de fora, da cara para a geografia externa. E, para Jesus, escândalo começa no coração, naquilo que arquitetamos na alma, isso é escândalo para Jesus.

Ele mesmo praticou INÚMEROS escândalos para os Judeus, comeu sem lavar as mãos, curou no sábado, chamou aqueles que “estavam fazendo a obra” de raça de víboras, de túmulos enfeitadinhos que são podres por dentro e bonitinhos por fora, hipócritas, se referindo a eles como atores no palco da vida, e por aí vai...

Portanto, escandalizar para Jesus não é nada que é considerado escândalo para o mundo religioso, seja ele evangélico, judeu, católico ou muçulmano.

Por isso há tanta diferença entre ser crente de Jesus e ser crente do livro, pois os crentes do livro não olham exclusivamente para Jesus, mas para a doutrina denominacional arrancada à força do livro e em sua maioria pegam coisas que foram sombras e as ressuscitam para o presente.

Não seja religioso, creia só em Jesus, olhe só para Jesus, analise tudo através de Jesus, não engula nada sem passar pelo crivo de Jesus. Não seja evangélico, católico, espírita, muçulmano, protestante, seja tão somente discípulo de Jesus, pois só Jesus é Deus.



(Grifos meus-RF)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A fé em Jesus não é uma religião




Jesus não fundou o Cristianismo.

O Imperador Constantino o fez.

Jesus não fundou uma Religião.

A Terceira Geração o fez.

Jesus nos chama para o Caminho, a Verdade e a Vida.

O Caminho é Ele e também passa por gente.

A Verdade é Ele, e passa pela gente, e encontra gente também fora de nós.

E a Vida é Ele, e em em-si ela é apenas nEle. Mas para todas as outras criaturas implica em relacionamento.

Portanto, quem é discípulo de Jesus é esse ser do Caminho, da Verdade e da Vida.

Não é um caminho religioso; é apenas um caminho de reconciliado com Deus, conosco mesmos, com o próximo e com a criação!

O Cristianismo é uma Religião. Assim como o Islamismo. E anda em grandes desvantagens.

Possivelmente o Cristianismo tenha se tornado a Religião menos atraente que o Ocidente e o mundo já produziram nos últimos 1700 anos — especialmente pelos “subprodutos” que ele gerou.

Honestamente, o Cristianismo é feio; eu, pelo menos, acho!

Sou discípulo de Jesus, amo a Sua Palavra, reconheço a irmandade profunda na comunhão com aqueles que discerniram o mistério de Deus em Cristo, e tenho prazer em anunciar esse Amor, bem como vivê-lo, especialmente com aqueles que também amam o mesmo Amor que a eles se revelou em Cristo.

No livro de Atos, no início, esse andar comunitário e esses que a ele pertenciam eram chamados de "os do Caminho".

Paulo diz que perseguiu "os do Caminho" e que também "perseguiu a Igreja de Deus" - portanto, os termos são equivalentes.

E, no Caminho, cada um faz o seu próprio caminho pessoal; e também o faz de modo comunal e coletivo.

O discípulo é o indivíduo.

A Igreja é a comunhão dos discípulos.

Caio Fábio

domingo, 23 de janeiro de 2011

Amigos e amigos.





Amigo de farra é que nem amigo de igreja. Ou irmão, seja lá como queira chamar – o comportamento é o mesmo.

Vamos comparar?

Os “amigos de farra” são aqueles que querem companhia para uma balada. Se você curte uma boa saída para farrear, não se preocupe, amigos não faltarão. Mas isso requer algumas considerações, pois você precisa estar bem trajado, para não fazer feio na night ou na saída diurna. Em locais como praia ou piscina você tem que estar sarado para fazer a fita. Pra facilitar tenha um bom “carango” e esteja sempre motorizado. Mas não vale qualquer tipo de automóvel, tem que ser “tunado”. Não precisa nem falar que tem que ter uma marca famosa, de preço elevado – ainda que seja falsa – estampada em alguma parte do corpo. Sem nunca esquecer que é preciso estar sempre disposto a beber, cair e levantar.

Até aqui você é quase o cara.

Vejamos entre os “irmãos” como funciona: para entrar para galera, de cara procure um ministério. Se você conseguir liderar um, então você vira rei. Seja amigo do pastor, ande com a bíblia e decore alguns versículos. Se souber tocar violão e aprender os “corinhos” mais conhecidos, a sua fama se espalha mais rápido e o seu Orkut não irá suportar de tantos amigos. O lanche depois do culto é indispensável. Mas volte para casa antes das 22h para não parecer que está desviado. Isso é perigosíssimo, você pode perder alguns amigos agindo assim. Nunca falte a um culto jovem. Fique algumas vezes do lado de fora durante o culto, conversando, e a sua rede de amigos irá pipocar. Enquanto estiver dentro do templo na hora do culto, se emocione sempre que puder. Para igrejas pentecostais não precisa de todo esse esforço que acabei de descrever. É só falar em línguas que tá tudo certo.

Posto isso, podemos agora concluir a nossa comparação:

Deixe qualquer um destes costumes citados e descubra que todos com quem você desabafou na mesa do bar ou compartilhou em encontros de oração não passam de meros conhecidos, ou melhor, de gente à procura de gente que sirva para os seus interesses. Não irão mais te ligar nem passarão mais na sua casa. E, quando olharem para você na rua, será como a um estranho. Não podem mais contar com você nas programações, você é peça fora do jogo.

Dica: continue tomando umas ou se reunindo com os irmãos. Seja o que for, não deixe sua vida social. Nunca dispense uma boa saída, um bom papo, uma balada bacana. Nessas horas também crescemos, aprendemos um bocado, e o melhor, curtimos pra caramba. Conheça sempre pessoas novas, quanto mais, melhor. Como disse Cazuza certa vez, multiplicar é melhor que somar. Mas quando puder experimente uma amizade verdadeira, sincera. Elas são como as vitaminas necessárias para o corpo humano, te fazem crescer com saúde. Valorize as que já tem; não as deixe escorregar entre os dedos da mão como a areia da praia. Seja sempre você de verdade e isso será fácil. Com as que virão pela frente, permaneça cuidadoso. As verdadeiras são as que nos colocam para frente, as que edificam.

Texto de Léo (Aniversariante do dia)


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nem de Paulo, nem de Apolo, nem de qualquer doutrina religiosa.



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A tentativa infantil de dizer que a igreja é o Corpo de Cristo, e que dessa forma, Cristo estava agindo como antes agira só que agora em Seu Corpo Comunitário, é bela mas não é verdadeira como valor absoluto.

Ora, o Pedro que recebeu a revelação é o mesmo que recebeu a repreensão: Arreda, Satanás! (Mt 16). Aliás, leio um monte de coisas pessoais de Paulo, Pedro, João, Tiago, Barnabé e outros... E  penso: "Puxa, que bobagem!"

Vistas pelo espírito do Evangelho muitas das ações, emoções, atitudes e decisões deles são passíveis de observação em amor, como Paulo fez em relação a Pedro e Barnabé.

Lutero teve problemas com a Epístola de Tiago e brigou com ela até o fim. E negou-se a aceitá-la como totalmente inspirada. E por que? É que ele tinha em mente um valor maior do Evangelho - a salvação na Graça e pela fé - e como não conseguiu fazer a "síntese" de Tiago com o Evangelho, ele, coerentemente, deixou Tiago de fora.

Já outros - os criadores de doutrinas - "aceitam tudo" que está lá escrito, e fazem sua “teologia sistemática” acerca da Escritura, “discordando” de modo ortodoxo com tudo, deixando O EVANGELHO de fora. Em vez de dizerem "concordo" ou "não concordo"; "entendo" ou "não entendo", como fez Lutero, criaram um “Talmude Cristão”.

O que será que Jesus tinha em mente quando disse aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder?

Na minha opinião, Ele esperava que tudo quanto Ele havia dito antes acerca de como se deveria proceder, de cidade em cidade, fosse, agora, não mais treinado, como antes Ele os fizera experimentar - Mateus e Lucas narram esse eventos preparatórios - mas sim, que agora, tudo aquilo fosse vivido como uma ação contínua, num fluxo ininterrupto, num vai e vem constante, e como um poder que nunca tivesse um trono, nem uma cidade santa, nem um vaticano, nem um centro de poder.

Tudo o que Jesus queria era que os discípulos continuassem discípulos e que os apóstolos fossem os servos de todos; sem haver nem alguém maior, e, muito menos, um lugar mais santo ou um centro de poder.

Eu vejo Paulo sendo acusado de ter criado o cristianismo. Que terrível acusação!

Não, não acusem Paulo disso. Pode-se dizer que dele vieram as elaborações e as conclusões “teológicas” acerca do significado daquilo que entre eles havia acontecido como fato histórico, mas que não tinha ainda tido sua síntese reflexiva e aplicativa feita por ninguém antes. Os apóstolos pregavam a salvação no nome de Jesus, mas não sabiam das implicações mais profundas da fé nem tampouco acerca da desconstrução religiosa que tal fé, sendo discernida, provocaria.

Acusem sim os “pais da igreja” e seus “mestres” de haverem feito doutrinas sobre as afirmações de Paulo, e de terem usado suas revelações acerca do “mistério antes oculto, agora, porém, revelado de uma vez por todas”, em um pacote de doutrinas, e que vieram a moldar o pensar do cristianismo, embora, a prática religiosa posterior dos cristãos, seja tão somente filha do casamento da igreja de Jerusalém com as autoridades do templo e com o legalismo dos fariseus “convertidos à fé”.

Jesus esperava que o poder do Espírito os fizesse sair em desassombro pelo mundo, pregando a Palavra da Boa Nova, ensinando singelamente os discípulos a serem de Jesus em suas próprias casas e culturas. Desse modo, se teria sempre um movimento hebreu, crescente, progressivo, livre, levado pelo vento, guiado pelo Espírito, e completamente semelhante ao que eles haviam vivido com Jesus durante o Caminho, naqueles três anos de estrada que construíram o Evangelho ao ar livre, nas praias da Galiléia, nos desertos da Judéia, nas passagens por Samaria, nas terras de Decápolis e nas regiões onde os cachorrinhos, debaixo da mesa, aguardavam as migalhas que poderiam saciar a fome de toda a terra.

Alguém, com razão, diria que tal projeto não seria possível, visto que ninguém consegue viver sem um centro de poder. Entretanto, parece que ainda não se discerniu que o convite de Jesus é contrário a toda lógica de poder e não propõe nada que não seja Hoje, e que não obriga a ninguém a pavimentar o futuro de Deus na Terra mediante a construção de algo duradouro.

Para Jesus o algo duradouro era justamente aquilo que não se poderia pegar, nem fixar, nem pontuar, nem ser objeto de vistas turísticas, dada a sua impermanência num chão marcado pelas urinas dos mandões. Ele esperava que os discípulos fossem como o Mestre, e que aqueles anos de Caminho não ficassem cristalizados nas páginas dos registros dos evangelhos, mas que se tornassem um modo de ser de seus discípulos.

Jesus não era pragmático. Se o fosse, teria logo se mudado para Roma, ou teria aceitado o convite dos gregos, conforme João 12. Se Jesus fosse pragmático jamais teríamos o Evangelho. Isso porque o Evangelho propõe o Caminho Inviável, e que só se faz possível quando os homens são capazes de esquecer todas as suas formas de controle e poder.

O poder dos discípulos, paradoxalmente, está em não ter poder. E o convite para que se morra a fim que se tenha vida, é também valido para a igreja, que, ao contrário do discípulo, quer mandar na vida e controlar os homens e o mundo. Assim, pretendendo salvar a sua vida neste mundo, a igreja não só perde a sua própria vida, mas deixa de ganhar o mundo.

O que Jesus queria era uma multidão de seres-sal-e-luz se espalhando pela terra, e, se diluindo em sabores e luzes que só seriam sentidas, mas não pontuadas, jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos.

O reino é como o fermento escondido. Até que pervade toda a massa da humanidade, sem ninguém saber como e sem que ninguém possa dar glória a mais ninguém, se não ao Pai que está nos céus.

Aliás, a proposta de Jesus é tão pouco pragmática, que a vontade de aparecer não pode resisti-la. O sal, por exemplo, foi usado por Jesus como metáfora desse desaparecimento da igreja na terra. Tudo ao que Ele associa a metáfora do sal é ao sabor, e nada mais. O sal tem que ter sabor, se não já não presta para nada. E para que o sal salgue e dê sabor, de fato, ele tem que se dissolver nos elementos que recebem o seu benefício. O sal só salga quando morre como sal visível e se torna apenas gosto, presença, realidade, inescusável benefício, embora ninguém possa dizer onde ele está, podendo apenas dizer: ele está na panela. Mas onde?

Já a Luz do mundo—vós sois!—, deveria ser a ação contínua da bondade e da misericórdia, de modo completamente discreto, porém pleno de efetividade; de tal modo que os “de fora” é que ao receberem os benefícios da luz, discirnam-na como boas obras, e, assim, eles mesmos, agradeçam a Deus pelos filhos da misericórdia que Ele espalhou pela terra.

O que Jesus propõe como simplicidade total, entretanto, logo deu lugar às complexidades regimentais e aos centros de poder. Mesmo dizendo “tal não é entre vós” - referindo ao poder de governar dos reis e autoridades - o que se criou desde bem logo foi aquilo que era comum, não o que era completamente incomum.

“O meu reino, agora, não é deste mundo”, os fez pensar que aquele “agora” já havia passado, e que, “agora”, eles estavam livres para facilitar as coisas; ou seja: para complexificá-las, conforme os governos da terra, deixando de lado a leveza do caminho, e o verdadeiro espírito hebreu - andarilho, cruzador de fronteiras - e que havia sido também encarnado em Jesus.

O que estou dizendo? Que nada valeu a pena? É claro que não! O que estou dizendo é que o mundo ainda não acabou, e que a cada nova geração os discípulos de Jesus têm, outra vez, a chance de viver o Evangelho, simples e puro, leve e livre, dissolvido em sabores sentidos, mas sem sede física de poder, sem qualquer mandão entre nós; e que a luz do mundo pode ainda brilhar no mundo, não como uma ação da igreja, mas como fruto da bondade justa e misericordiosa de cada discípulo que não queira ser um agente da igreja, mas apenas um filho do amor de Deus solto nesta terra.

E não nos reuniremos mais?—é a pergunta angustiada de alguns.

É claro que nos reuniremos sempre. Mas tais encontros não visariam centralizar as forças e organizar as ações de poder, mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor, e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras.

Eu sei que parece loucura para alguns, mas não nasci ontem. Conheço os mecanismos de poder dos quais a “igreja” se alimenta. E também sei que apenas um punhado mínimo de pessoas tem a coragem que o Evangelho do reino demanda que é a coragem para abrir mão do poder e para liderar pela simplicidade, sem trono a nos acolher em honras.

Quem, no entanto, tiver tal coragem da simplicidade, esse conhecerá o significado de ser discípulo de Jesus no reino deste mundo, e que é o poder que nasce da fraqueza - que, aliás, é o único poder que Jesus quer ver sendo vivido pelos Seus discípulos.


"... CADA UM VEJA COMO EDIFICA,
PORQUE NINGUÉM PODE LANÇAR OUTRO FUNDAMENTO,
ALÉM DO QUE FOI POSTO, O QUAL É JESUS CRISTO".
(1Co3.10b.11)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Amigo blogueiro é tudo de bom!


(Clique no subtítulo acima para entender)



Não tem jeito, eu quero dar um tempo em comentários mas não posso JAMAIS deixar de interagir com essa gente tão querida. Até porque é impressionante o quanto acrescenta e enriquece cada comentário desses e ainda a amizade que rola naturalmente, pois uns já se tornaram amigos tão legais que nos correspondemos por e-mail, quem sabe logo por telefone e depois pessoalmente. Enfim, distâncias geográficas à parte, a amizade vai ser a mesma.

Então, lá vai:

Rô, minha linda: que bom que você percebe que é esse bom humor em meio às tempestades que faz toda a diferença. Bom humor que contagia como alegria no Espírito Santo! O que é bem diferente de cinismo, ironia e deboche.

René, pastor disfarçado de amigo: euzinha beeeeem sei que você também sabe que esse bate papo em um "local" diferente do nosso umbigo é tão claro e lúcido, que só mesmo quem passa sabe definir.

Dri, minha sacerdotisa preferida: também só vejo crescimento assim. Sair da rotina e se permitir mudar, palavras-chave.

Casal 20, meus quase sobrinhos: não que essa paradinha em águas térmicas também não leve a reflexões... (inveja santa rss)

Pastor Alan, meu mais novo amigo: que alegria uma "vêizinha" na vida um comentário seu! rss Não fui euzinha mas é pior do que ter sido, pois dor no filho é dor em dobro na mãe. E ele escreve sim, escreve muuuuuito bem (mãe coruja é fogo!) e deve estar "no sangue", pois o avô materno dele escrevia muito bem, a avó materna então, nem se fala! E o avô paterno, embora não escrevesse, era muito culto e de um fino senso de humor.

J.C., conselheiro, pastor e amigo: como eu disse ao pastor Alan, não foi em mim, mas sofri junto. E ele já teve blog, sim, só que enjoou rápido. Este texto acima foi euzinha fuçando meu computador fixo rss e achei alguns arquivos antigos dele (abafa!) e aí escolhi este como que para amenizar a saudade que sinto dele, já que ele está passando uma temporada na casa da avó paterna. Sou uma boba, pois nesse mesmo momento em que escolhia qual seria o texto mais bonito (mãe coruja é fogo, parte II) ria e chorava com fotos de eventos em família.

Enfim, de vez em quando mãe de filhos adultos se pega nessa de "ai, meus filhinhos tão lindinhos, cresceram tão rápido, snif..." (Abafa, parteII)

Esses dias estarei postando textos de outros porque ando atarefada. Além de estar escrevendo dois livros simultaneamente (retomei pela milésima vez) ainda estarei recebendo por uma semana, uma irmã com marido e filho, que morou longo tempo em Sampa e tá de vorta.

Portanto, não reparem, se por acaso eu fugir um pouco do hábito da verborragia, como diz minha mais nova amiga de infância, a Dri.

Amo vocês de montão. Os aqui citados por "fazerem parte" do texto anterior e muitos outros. Até os mais chatinhos e contraditórios he he

Beijos mil!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quebrei meu pé


Quebrei meu pé na quarta passada.
Minha perna direita falhou no momento em que eu descia a escada do cursinho que faço à noite. Foi um baque grande. A escada é daquelas em zig zag, que desce metade indo metade vindo. Na primeira metade da descida eu torci o tornozelo e fui rolando e tentando me segurar de qualquer forma. Parecia uma aranha. Na segunda parte da escada, chegando ao térreo, consegui me equilibrar e fui disfarçando para uma galera que quase viu a cena típica de vídeo cacetada. Mas eles ouviram.
Um senhor - zelador do prédio – aproximou-se e me perguntou se eu estava bem. Eu, morrendo de vergonha e tentando esconder a dor, respondi que não tinha sido nada. Por dentro eu berrava dez vezes mais alto do que o grito que dei quando o Sport foi campeão da copa do Brasil de 2008. Dois ou três curiosos ficavam olhando, sem saber se riam ou se me perguntavam se estava tudo legal.
Minha sorte é que não foi no intervalo. Todas as turmas estavam no meio da primeira aula. Passou batido. Eu saí daquela área caminhando normal, com uma dor da “pilôra”, mas num momento artístico até então desconhecido por mim, interpretando um personagem fisicamente são. Quando dobrei lá na frente saí mancando no estilo 29, 30, 29, 30, 29, 30.
Dia seguinte: médico. Cinco dias sem pisar no chão, em consequência, sem sair do quarto.  Fratura na diáfise da fíbula na sua porção proximal encoberta pelos músculos peroneiros até o seu 1/3 distal, palpável como o maléolo lateral (vi no Google).
Primeiro dia, pensei: Uns dias de folga são sempre bem vindos. MSN, filmes, acordar tarde, dormir à tarde, e por aí vai. No segundo dia comecei a ver como o mundo gira rápido. Ninguém tem tempo para nada. Uns vem, outros vão. Estão todos ocupados. Menos eu. A vida é uma loucura! Fui para o MSN, “impregnar” um pouquinho. Até ali encontro ocupados! Tem uma turma que entra no MSN, mas com o status de ‘ocupado’. Não sei para que entrar.
Ao findar o dia aqui em casa todos se retiraram para os seus devidos quartos, mas eu, sem um pingo de sono, fico feito “siri na lata”. Energia acumulada. Neste dia fui dormir umas quatro horas da manhã, sem fazer nada. Tentei ler, estudar, mas não conseguia me concentrar. Vinha em um ritmo, uma velocidade louca e parei de repente. Entrei em um fuso doido.
Terceiro dia: barba já grande. A minha cresce um pouquinho aqui, um pouquinho ali. Fica esquisito. Mas não raspei, ficou uma beleza. Minha namorada – quase esposa – se assusta toda vez que olha. Deve pensar: o bichinho, já não basta o pé quebrado. To precisando cortar o cabelo também, mas só quando o médico liberar. Lembro-me de outra vez que tive que ficar mais tempo em casa - cirurgia no joelho - um amigo que estava começando no ramo de cabeleireiro se ofereceu para cortar o meu cabelo, que já estava parecendo com o de Bob Marley. Quando ele terminou ficou parecendo o de Bob Esponja, tudo quadrado. Mas foi de coração. Dessa vez usarei um boné e quando puder irei ao salão. Nem gosto muito de cortar. No Exército o meu apelido era ‘cabeleira’.  Sempre atrasava na hora de cortar, ficava por último. Todos quase carecas e eu com aquela cabeleira, segurando até receber uma bronca.
Quarto dia: não aguentava mais olhar para o computador nem para a TV. Sentei em uma cadeira com rodinhas e fui empurrando com o “pé bom” até a cozinha. Abri a porta da geladeira por uns segundos, só para pensar. Depois voltei para o quarto. Como os detalhes são importantes. Passei o resto do dia mais animado com esta saída.
Tenho muitos amigos – eu acho – mas não recebi nenhuma visita. Os afazeres são muitos por aí. Nem parentes apareceram. Recebi algumas ligações, alguns deixaram recados no MSN. Não tenho Orkut, mas se tivesse seriam scraps. A minha namorada tem me dado a maior força, e muitos beijos também. Mas a minha mãe tem o dom. Paciência sem fim. Aguentar doente não é mole. Quando alguém da família adoece ou é internada em um hospital ela logo se oferece para ajudar. Não conheço ninguém que faria isso melhor. Além dos bons conselhos, conversas descontraídas e construtivas, a sua atenção e amor dedicados não têm preço. Com os netos, o cuidado é o de uma mãe (até maior, às vezes).
Quando fui me adaptando ao ritmo mais lento da vida de licenciado comecei a ter boas ideias; pensar com calma sobre muita coisa que acredito, coisas que fazem meu coração arder. Pedi ajuda de Deus e fui atendido. Descobri novos projetos, que são viáveis e que cabem na minha realidade, contatei algumas pessoas, acertei algumas coisas.
No meio da tempestade encontrei um propósito. Meu coração está cheio de alegria. Então aí vai um conselho: entre no ritmo, peça ajuda a Deus, tenha paciência e encha o seu coração de alegria.
Escrito há mais de dois anos por meu filho, Leonardo A.F.Rocha

Jr, Leo, Rico e Beto, meus filhotes, meu tesouro