"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Querido diário...




Todos nós sabemos que blog é um tipo de diário, porém um diário às avessas, pois sendo virtual ele perde suas principais características como a privacidade e o sentido de confessionário particular de si para si mesmo. E, apesar da exposição consentida, só conseguimos compartilhar os anseios e as desilusões do nosso cotidiano em parte. Pois na mesma proporção que se escancara a alma para o mundo, há uma tentativa quase inconsciente de se mascarar a realidade, por vezes dourando a pílula ao ousar dissertar sobre infortúnios pessoais, chegando-se outras vezes ao extremo de encarnar o papel de “Poliana” onde o tom da cor é puxado para o rosa. Tudo bem, até aí nada contra, afinal é o olhar que dá o tom; e depois, uma pitada de reserva aqui e ali é sempre bom para a autopreservação.

Entretanto - e talvez devido a um receio de passar a ideia de que estamos murmurando, de que somos complicados e até de não sermos “abençoados” - incorremos no erro de aderir a uma filosofia bastante sutil e cada vez mais usual, cujos princípios dizem que está todo mundo muito bem, que todo mundo é feliz e realizado. E, principalmente pelo medo de ser julgado, criamos uma capa protetora. Inclusive o próprio escritor nato já traz em si essa marca. Ele é um poeta da prosa e, como todo poeta, sonha sempre com dias melhores atenuando as dores do mundo em meio a um jogo de palavras muito bem elaborado, embalando corações ávidos pela realização desse mesmo sonho coletivo.

Na verdade, convenhamos... Quem acessa a net pra se lamentar, desabafar ou contar uma bronca que está passando? E quem quer saber? - É um saco, isso! – diriam os mais insensíveis. Ninguém acessa MSN e vendo que um fulaninho querido está conectado aproveita pra dizer que se desentendeu feio com o pai, a mãe, a tia, a avó, a irmã, o cunhado, o vizinho, o porteiro do prédio, o colega de trabalho. Em relação ao bate papo informal, ainda que se pertença à mesma tribo, via de regra o assunto é à base da trivialidade, da abobrinha, enfim, só jogando conversa fora. Pedir um conselho? Nem pensar! É todo mundo muito bem resolvido e auto afirmado. É só alegria, do tipo “então não me conte os seus problemas, hoje eu quero paz, eu quero amor” em um compartilhar veladamente autoritário e egoísta no qual o sentido de paz e de amor é totalmente distorcido. Sem falar da briga silenciosa de egos cada vez mais acirrada na “blogosfera cristã”. Não é necessário muita perspicácia para se perceber essa frequência nas estratégias usadas pela supervalorização do número de seguidores, nos textos escolhidos e nos comentários de blogs.

E tudo isso se reflete nas relações fora da web de forma cada vez mais assustadora. E vice versa.

Falo isso sem medo de ser julgada e confesso que o que me estimulou a expor essa minha ânsia foi uma conversa informal aqui e ali com algumas pessoas que captaram o mesmo que eu. Pessoas tão normais quanto eu; pois, longe de sermos amargurados, somos gente que ri, que brinca, que até não leva os dramas da vida tão a sério, que se assume como gente falha e cheia de defeitos, porém gente valente que batalha. E não em uma batalha a ferro e fogo, com unhas e dentes, mas a velha batalha para a qual se vê preparada diariamente e na qual se rema contra a maré, paradoxalmente serena e na paz que excede o entendimento. É como muitas vezes se encontra nossa alma: na paz, embora triste e perplexa. Triste e perplexa, porém jamais angustiada e desanimada. Posto que na luta!

O certo é que, devido a vícios e crendices culturais e religiosos, demora um pouco para se entender que não se trata de uma luta mística e que não há setas ou escudo invisíveis; que é uma luta bem real do nosso cotidiano e sua base reside nos pensamentos que impulsionam as ações de todos à nossa volta. E, claro, que tem “alguém” minando tais pensamentos. Usando de mentiras sórdidas e de falsas verdades, nosso adversário nos coloca em conflito tentando sugar nossas forças e, assim, nos abater com pensamentos que nos enfraquecem a fé.

Com argumentos que semeiam o mal entendido que vai gerar a dúvida, a discórdia e até grandes rupturas, o inimigo de nossas vidas quer nos afastar de Deus e das pessoas. Essa é sua missão em oposição ferrenha ao plano de Deus. Essas são as “forças espirituais do mal”. Daí ser uma batalha espiritual. E a batalha é espiritual, porém todo o conflito é no campo das ideias, do intelecto, da mente; com seus conceitos, princípios e valores, e todo um fascínio dirigido aos projetos e realizações pessoais.

Enfim, é claro que é importante saber acerca do caráter e da obra do nosso adversário, mas acima de tudo, devemos guardar em mente que ele está debaixo do controle soberano de Deus e que ele pode ser um meio pelo qual Deus realize alguns dos Seus propósitos, aniquilando suas investidas em momento oportuno.

Portanto, por mais que estejamos nos desentendendo, nos afastando uns dos outros, caindo nas armadilhas sórdidas daquele que é repulsivo e essencialmente mau, sabemos que temos a Quem recorrer. E, quando nos humilhamos em Sua presença, em demonstração de completa dependência Ele nos exalta, concedendo Sua GRAÇA.


“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”.
(Tg 4.7)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Efeito sociopsicomidiático




Da concepção de que política é coisa mundana, nos anos 50 do século passado, passando pelo conselho de que irmão vota em irmão, nos anos 80, evangélicos conservadores conseguiram, nesse pleito, pautar candidatos, mídia, e inscrever suas propostas no centro dos debates políticos, protagonizando uma das campanhas mais vergonhosas dos últimos anos, porque amparada em mentiras e exageros.

Ao analisar para o Instituto Humanitas as escolhas evangélicas no primeiro turno da eleição presidencial, a professora Magali do Nascimento Cunha, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), lembrou que, curiosamente, o demônio sempre faz a escolha pela esquerda, um fenômeno cultural relacionado ao imaginário religioso e político. Não se duvide que o próprio Credo Apostólico ampare tal fenômeno, uma vez que o Filho aparece à direita do Pai.

Encerrado o primeiro turno, a revista Época, de 11 de outubro, surgiu nas bancas com a matéria de capa “Deus entrou na eleição”, apontando para o debate sobre aborto e união civil de pessoas do mesmo sexo.

Cada qual procurou se mostrar mais carola, mais católico e mais comprometido com uma moralidade cristã conservadora que o adversário, comentou o cientista social Ricardo Mariano, professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, referindo-se à conduta dos candidatos no dia 12 de outubro.

Na avaliação da professora Magali do Nascimento Cunha, esta ação parece ter ultrapassado os limites do bom senso do marketing político e deve levar a uma reflexão sobre o uso da religião como estratégia política, em relação ao folheto de candidato que trazia sua assinatura e frase “Jesus é a verdade e a justiça”.

Para Magali, a grande mídia concedeu protagonismo a evangélicos e católicos fundamentalistas para reforçar as posições da política brasileira mais conservadora (a chamada “de direita”) que tenta retomar espaços perdidos nos últimos oito anos.

Menos zelosa se mostra a imprensa em outros períodos - que não o da corrida presidencial - sobre temas de caráter religioso. Vejam quantos jornais e revistas contam com uma editoria de religião e verão que o tema, apesar da religiosidade do povo brasileiro, entra em pauta quando satisfaz interesses pontuais.

Fato é que essa campanha produziu pautas e vasto material de pesquisa para os próximos anos a respeito do papel da religião na mídia e na corrida presidencial.

Deus, com certeza, nada apreciou ser manipulado dessa maneira por padres, bispos, pastores e políticos, e certamente lhes diria: Me deixem fora disso.

(Adaptado)
Artigo original de EDELBERTO BEHS, via Notícias Cristãs

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nossa Escala de Valores



Estava pensando cá com os meus botões nas nossas exposições diárias e em como somos frágeis na nossa necessidade de nos agarrarmos a determinadas referências. Há uma exigência pessoal silenciosa de se pertencer a algo bom, de se estar ligado a algo de alguma forma. Algo que nos dê destaque, que nos coloque bem na fita, definindo as nossas preferências. E isso se reflete no mundo virtual, particularmente no meio blogueiro, através das colocações, dos comentários, linhas e entrelinhas. A apresentação visual escolhida do blog, por exemplo, diz muito da nossa personalidade: de cara, percebe-se ética e estética pessoal; nos textos e comentários, a alma se revela; expomos nossos gostos pessoais ligados ao corpo e aos prazeres básicos como sexo, comida, bebidas, leituras, viagens que evidenciam nosso jeito de ser e de viver, nosso caráter, nossa personalidade.

Precisamos de referências como uma espécie de informação de como somos capacitados e por isso devemos ser amados e respeitados. Até a mulher fútil e abastada precisa se auto afirmar. Ela quer ser adorada pelos adereços que carrega na bolsa, nos óculos, no sapato e na correntinha reluzente que arrasta seu filhote canino. Há ainda quem se esmere quase que exclusivamente no culto ao próprio corpo onde cada músculo definido diz: eu sou respeitado e valorizado porque faço academia, me cuido, me alimento bem. Todos querem se sobressair, chamar a atenção para si de alguma forma em apelo gritante como que dizendo “me ame, por favor”. Ou, no mínimo: “exijo respeito”. É como disse muitos anos atrás uma amiga negra muito inteligente, pobre, filha de empregada doméstica e mãe solteira, considerando suas possibilidades: "eu só tenho como ser respeitada estudando”. É uma necessidade de autoafirmação quase vital e que permeia todos os recantos por onde passa o bicho homem e sua pequenez. Tire-lhe todas as coisas caras, títulos e qualquer referência que carregue e ele fica literalmente despido. Tire-lhe os indicadores que possam abonar sua capacidade e ele fica completamente desnorteado. Como disse um pastor em pregação um tempo atrás:  sabemos o grau de valor de algo em nossa vida quando vivemos sem ele.

Houve um período em minha vida – quando o mundo fashion não era ainda tão versátil - em que me vi obrigada a adotar um estilo diferente devido às circunstâncias (tive quatro filhos em quase quatro anos, seis gestações em seis anos, sendo dois abortos espontâneos) e aí, naturalmente eu tive que dar uma reorganizada nos meus valores, e é claro que isso refletiu na minha exterioridade, no meu rótulo, na minha embalagem. Então eu me arrumava cada vez mais com muita simplicidade e praticidade, devido ao tempo restrito e às novas prioridades. Enquanto minhas amigas se enfeitavam, raramente eu me maquiava, optando por usar roupas básicas já que vivia grávida e me sujando de cocô, xixi e golfadas (dos filhotes rss). Adereços e maquiagem nem pensar! E o bom é que eu me sentia super confortável daquela maneira sem, contudo, perder a elegância. Afinal, bora combinar, elegância não está atrelada a adereços e maquiagem, e sim, à postura de modo geral. Daí, um belo dia eu me surpreendo com uma conhecida perua do meio me dizendo que admirava meu estilo despretensioso, mal sabendo ela que eu já me vesti daquela forma em outros carnavais. Olhando para sua performance achei engraçado e fiz um questionamento mudo sobre como nós nos esforçamos para sermos admiradas/notadas lançando mão de artifícios exteriores. E o mais curioso é que ela precisava daquilo tudo que carregava embora lá no fundinho da alma reconhecesse a inutilidade de todo aquele excesso.

Não quero com isso, dizer que não se deve ir à academia, estudar com afinco ou deixar de ir às compras e se produzir. Aliás, sempre fui adepta da beleza estética, mas do tipo mens sana in corpore sane. Pois o risco é a exacerbação, a supervalorização. A grande questão é a nossa escala de valores. A grande questão são os nossos conceitos e a nossa visão distorcida acerca do que realmente vale a pena. A grande questão que engloba todas as outras questões é: quem é (ou qual é) a nossa verdadeira referência? Esta é a minha observação. Será que, de fato, buscamos uma escala de valores equilibrada na qual em todos os nossos anseios é Deus que ocupa o lugar central?

Quando colocamos nossa escala de valores em conformidade com os valores de Deus, esta se equilibra. É onde entra o Evangelho. Ele muda seus valores, seus hábitos, seus princípios e suas crenças. Muitos de nós nos afirmamos seguidores de Cristo, discípulos de Cristo, cristãos, crentes, novos convertidos, evangélicos – enfim, a nomenclatura que rotula é grande e variada - mas não queremos a nossa escala de valores conforme a perspectiva de Deus, surpreendendo-nos a nós mesmos agindo tão-somente de acordo com a chamativa escala que nós mesmos construímos, caminhando em sentido oposto ao que nos aponta o Evangelho. Buscamos primeiro os valores ligados ao corpo, ao prazer pessoal, às coisas materiais, movidos por uma velada competitividade em autoengano que nos diz que todas aquelas coisas que fascinam nossa visão é que são referências de felicidade, agarrando-nos a elas. Distanciando-nos do que nos faz realmente seguros e em paz, resistimos em abrir mão do orgulho e da vaidade que nos denunciam a nós mesmos quem realmente somos, por mais que usemos disfarces, enfeites e maquiagens.

Nossa vida só tem sentido com Deus, só Deus sacia nossa a alma. Não sendo assim... Tudo à nossa volta é um completo vazio.



“Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras
provêm da inveja do homem contra o seu próximo.
Também isto é vaidade e correr atrás do vento”.
(Eclesiastes 4.4)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A força da mulher




Não sou nenhuma cientista política, não levanto bandeira nem tenho qualquer pretensão partidária, porém, como um ser político natural, sinto-me bem à vontade e perfeitamente capaz para falar sobre algo específico que surge no cenário político brasileiro no momento.

Como eu não conhecia ainda nada acerca do estilo da Dilma, vinha adotando uma postura pessoal bem diferente nesses últimos meses, enquanto acompanhava, com muita prudência, informações bombardeadas em todos os meios de comunicação. Buscando sempre uma atitude mais amadurecida, nesse segundo turno eu me peguei pela primeira vez em uma pré-eleição onde não me manifestei a favor de nenhum dos candidatos, sem, contudo, me omitir ou deixar de fazer minhas considerações diante do que eu considerei apelativo, grotesco e agressivo.

Não sei se por desinformação apenas, ou pela simples crueldade inerente à natureza do ser humano, espalharam-se notícias e imagens malucas de toda sorte. Assisti a tudo - em parte, um tanto perplexa - mas paradoxalmente sem estranhar tanto, já que faz parte, ora lendo/ouvindo calada aqui, ora dando meu pitaco ali e opondo-me vez por outra. Fazendo valer meu direito de opinar e de fazer minhas próprias escolhas de maneira discreta, enquanto me deparava com um ambiente virtual cada vez mais inflamado, e, por vezes, desinformado em relação à nossa própria História recente, mais particularmente de um período dos mais sinistros, no qual muitos jovens deram o sangue pela conquista da liberdade que usufruímos hoje.

Porém, nesta ocasião especial, não posso deixar de falar da minha satisfação em ter a grata constatação de que nos próximos anos nosso país será dirigido por uma mulher. E não que eu seja uma feminista, mas porque uma mulher no comando quebra inúmeros paradigmas. E não é qualquer mulher, mas uma mulher que sabe do que está falando, que vivenciou na pele aquilo que defende; que ainda muito menina experimentou o amargor do autoritarismo em verdadeiro clima de terror. Uma mulher de origem búlgara cuja trajetória de vida foi marcada por uma militância política que culminou em prisão e tortura bárbara. Não foi à toa que ela disse apropriadamente em seu primeiro discurso ontem que prefere o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura.

Ela também já ganhou a minha admiração e respeito quando, ao saber da vitória, se encaminhou para a casa da filha e do pai desta, numa demonstração inconteste acerca de valores básicos da existência do ser humano e de que a família é o primeiro estágio de governo dentro de uma sociedade sadia.

Outro fato que me chama à atenção de maneira singular é quando ela fala sobre ZELO. Digo isso porque eu tenho certa vivência e conheço a alma de alguém por alguns detalhes quase imperceptíveis do comportamento e da fala, gestos simples e discretos, MAS que dizem muito do seu caráter, da sua personalidade, do seu jeito de ser e agir. E ela não poderia ter sido mais feliz na escolha da expressão colocada com tanta ênfase ao falar sobre suas metas. Prometo ZELAR por isso, prometo ZELAR por aquilo... Esse cuidado me atraiu, me fez refletir e me encantou, principalmente quando ela - como mulher e cuidadora nata -  se referiu ao seu compromisso em esforçar-se em prol da mulher, de maneira que sua atuação refletisse em todas as esferas sociais.

E aí me vem à mente o termo “agressiva” que a rotularam com forte tom pejorativo e que foi tão explorado em campanha... E que nos últimos dias eu aprendi a interpretar como decidida, comprometida, determinada. O mundo e seu contexto exigem esse tipo de agressividade para que se possa não apenas sobreviver, mas principalmente viver com decência. Viver com firmeza, respeito e dignidade.

Parafraseando-a, somos um povo marcado pela superação, pela capacidade de enfrentar obstáculos e sair inteiro. Sei que não é fácil e que ela vai enfrentar outro tipo de câncer na sua gestão, desta feita um câncer externo, disseminado e metastático, mas sei que ela terá capacidade de enfrentá-lo e extirpá-lo com a mesma garra com que enfrentou no próprio sangue outro tipo não menos danoso.

Por tudo isso, deposito em Dilma, meu voto de confiança, traduzido em esperança firme de quem resolve dar um crédito, não por interesse partidário, mas pela expectativa de que, diante do exposto, podemos vislumbrar mudanças que beneficiem a todos.

Não sou prática, não sei matemática nem gosto de lidar com números como ela. Sou uma romântica incurável, sou poeta, sou das letras; não entendo de politicagem mas entendo de política no seu sentido mais amplo de cidadania, participando, cuidando e intervindo na comunidade em que vivo; e confio em sua capacidade de nos governar, rogando aos céus para que o faça governando primeiro seu próprio espírito. E acima de tudo, fico em paz porque sei Quem está no controle de tudo.



domingo, 31 de outubro de 2010

O tempo e a beleza (Parte II)







Essas fotos com meus tios foram tiradas na chácara de um primo meu (pilotando), às margens do rio Araguaia, localizada no municipio de Araguanã, a 90 km de Araguaína-TO. Embora não conheça ainda, tenho informações de que é um lugar muito bonito e que tem belas praias. É o mesmo rio em que está sendo filmada a novela Araguaia.

Nascida na bucólica “Balsas do Maranhão” – e não menos bela pela própria natureza - essa turma mais velha  (ela, com 84 e ele, como 89)  foi embora já há algumas décadas para Brasília, onde lá fincou suas raízes.

O rio Araguaia – rio das araras vermelhas em tupi – é um rio brasileiro que nasce no estado de Goiás, na Serra do Caipó, próximo ao Parque Nacional das Emas. Este rio faz a divisa natural entre os estados de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará. Possui uma extensão de 2.114 km e é considerado um dos rios mais piscosos do mundo. (cf. wiki)

Encanta-me a beleza do lugar, mas volto a dizer que o que me fascina mesmo é constatar a alegria de viver desses dois longevos. Sem excessos ou sofisticações desnecessárias, eles nos ensinam o quanto é fácil se viver com simplicidade aproveitando bem o tempo e as riquezas que a própria natureza nos oferece e, parafraseando C.S.Lewis, sendo surpreendidos pelas alegrias do caminho...

Essas relíquias em forma de fotos me foram enviadas através de e-mail por outro tio, também residente em Brasília. Sabendo ele que sou uma entusiasta da longevidade com qualidade de vida, me presenteia com essas imagens incríveis que falam por si só...

Valeu, tio!

R.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dia Nacional do Livro


(Marina e Ricardinho- meus dois netinhos)

O desenvolvimento de atividades relacionadas ao dia do escritor e ao dia do livro reside, sem dúvida, na importância das informações e no prazer que a leitura proporciona a todos. Relacionar essas duas datas é bastante adequado, uma vez que o livro não existe sem o escritor.

O Dia Nacional do Livro é comemorado em 29 de outubro. Essa data foi escolhida para a comemoração, considerando-se a data da fundação da Biblioteca Nacional (29/10/1810), por D. João VI. O grande acontecimento permitiu a popularização do livro, tornando mais fácil o acesso à leitura.

Além das datas já citadas, é fundamental lembrar que o dia 18 de abril foi escolhido para comemorar o Dia do Livro Infantil, por ser esse o dia do nascimento de Monteiro Lobato, um dos precursores da obra literária infantil no Brasil.


"Um país se faz com homens e livros".
(Monteiro Lobato)

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No dia 23 de abril, Dia Internacional do Livro, me lembrei de minha irmã Auricélia. E hoje, no Dia Nacional do Livro, eu gostaria de prestar homenagem a um irmão. E, apesar da restrição comemorativa de hoje, devo ser justa e dizer que ele também é “internacional” rss.

É claro que, como irmão, já existe uma admiração típica do laço fraternal que nos une. Porém, o que me fascina nele é ser o tipo do intelectual que não é chatinho, embora carregue ampla bagagem cultural com muita maestria. Com ele não tem esse lance de autoafirmação. O cara é muuuuito tranquilo.

Quem o vê, de cara pensa logo que ele é do tipo sistemático, conservador, mas em seguida percebe admirado que ele dribla isso muito bem, sendo disciplinado mas ao mesmo tempo sabendo curtir a vida como ninguém. De um gosto super aprimorado em tudo, desde bem mais jovem, é o que se pode chamar, como se dizia nas antigas, de bon vivant.

Igualzinho à minha irmã, ele também é devorador de livros e isso vem lá da pré-adolescência, apenas eu acho ele mais técnico. Sei lá, há um contraste nele que o caracteriza bem: ele é meio científico quando se expressa sem, contudo, ser enfadonho. Sua simplicidade é desconcertante diante de sua competência. Suas proposições são bem fundamentadas, reflexivas, porém sem imposições. Se expressa com tranquilidade, sem nenhum resquício de boçalidade, mas logo se percebe que é com aquela autoridade de quem conhece profundamente o tema que está tratando. Falando em um português bem claro, ele não é pedante nem antipático, e isso é que o diferencia de muitos dos intelectuais que conheço. Enfim, definitivamente, ele não é um intelectualóide. Está mais para o tipo viva e deixe viver.

Anos atrás, ele promoveu um livro meu em Fortaleza, inclusive dirigindo uma peça muito interessante baseada em fragmento do próprio livro, inovando assim o momento do lançamento. Tenho muito orgulho de ter suas considerações na contra capa do meu livro “A Mulher Crisálida”.

Ele diz:

“A Mulher Crisálida” é, no fundo, a busca de toda mulher. Expõe, de forma reveladora, a alma feminina, seus sonhos, dúvidas, desejos íntimos e projetos. Seu espírito romântico, sua pureza, sua coragem. Vai além da denúncia flagrante da renitente opressão masculina, desmascarando a implícita pretensão do macho, ainda que essa luta signifique dar murro em ponta de faca. Aponta para a emersão de um mar de ansiedade e injustiça. Tudo com o auxílio luxuoso do humor fino e sutil. É difícil largar o livro, uma vez iniciada a leitura – seja pela destreza narrativa e pela mestria com que os diálogos são escritos – seja pela propriedade do seu substrato verossímil. Impõe-se como autêntico depoimento feminino. Impõe-se como literatura.







O tempo e a beleza




Estava lendo um texto bastante interessante no blog do Marcos onde – com a proximidade de seu aniversário - ele discorria sobre os efeitos da idade. Então comecei a refletir sobre a minha própria trajetória de vida me vendo um pouco naquelas linhas, considerando que já fui coadjuvante de muitos shows da vida como ele cita alguns lá, afinal eu sou um pouquinho mais velha que ele, aliás, quase uma idosa já já rss

Diz o velho ditado aos cultuadores de beleza estética que o tempo não perdoa,  mas eu não entro em pânico (risos) porque a grande sacada é relaxar e saber respeitar os próprios limites. E ser feliz com eles. Nosso corpo pede um pouco mais de calma pois é claro que o nosso ritmo vai mudando gradativamente, a gente vai desacelerando naturalmente, em todos os sentidos.O que não significa que não há alegria e vontade de viver por mais cem anos...

Além disso, como ninguém é só corpo, tem a nossa mente que também desacelera mas não que fique lerda, como dizem erroneamente os mais jovens. O que ocorre é que, chegando aos cinquenta, ela (a mente) fica mais madura e já não precisa correr tanto. Então, tira-se o pé do acelerador da ansiedade e aproveita-se com mais intensidade o que antes se via/vivia mais de relance e com paixão em demasia.

Inclusive -  dizem os especialistas -  se você é professor e ensina boa parte de sua vida, exercita muito mais a mente e o risco de "se agarrar" com Alzheimer é menor do que se não há esse exercício intelectual. Oba,  já tô na vantagem rsss comecei a monitorar em sala de aula aos 14! A long long time ago...

Mas, olha - e isso é opinião bem pessoal - se você estiver insatisfeito(a) com alguma ruguinha chata, uma papada insistente, uma pálpebra caída antes do tempo, um bracinho mais gordinho (euzinha he he) é só dar uma passadinha no cirurgião plástico de sua preferência. Mas, de leve, sem apelações, pois ninguém se iluda achando que esticando tudo vai parecer que tem vinte anos de idade. Chega uma hora que tem que relaxar e curtir a inevitável cara de maracujá mesmo, e daí? Minha mãe (foto) tem 85 anos e é linda!

Falando nela, lembro-me de um telefonema de uma irmã minha pedindo que procurasse me informar sobre tipos e preços de aparelho auditivo para minha mãe, pois  segundo ela, tem uns bem discretos e que não causam constrangimento nos mais vaidosos e tal... Daí, durante o telefonema, alguma coisa me escapava à audição e eu pedia para ela repetir. Então a engraçadinha disse que eu aproveitasse e visse um pra mim também! Achei graça e tal, mas disse e repito aqui que não tenho nenhum problema com isso (sou apenas filha de mãezinha resistente, abafa he he), que sou totalmente desencanada e o que eu precisar utilizar para melhorar a minha qualidade de vida eu não medirei esforços em alcançar.

Então, eu vejo assim. Não tem angústia, não. É só viver as fases, na boa, optando por uma boa qualidade de vida de modo geral. Não cair na preguicinha (Como eu, de vez em quando rss) e fazer exercícios leves e regulares, sem que seja necessário grandes esforços, como também optando por alimento que, em vez de aumentar colesterol, os “queime”. Lembrando sempre da  interação entre os aspectos mental, emocional, espiritual e físico da nossa vida, e, principalmente, lembrando que nenhum tratamento de beleza estética é capaz de esconder um coração sem beleza.

A coincidência é que ontem, em revista teen, eu lia uma matéria de uma atriz muito conhecida onde ela abordava justamente sobre esse lance de idade chegando, enfatizando a auto-estima. Entretanto, por mais que ela disfarçasse com colocações bem humoradas, dava pra ler nas entrelinhas a angústia e supervalorização em relação à pele firme das mais jovens e as "cruéis" mudanças na pele, nos tecidos, nos cabelos, "nos tudo" das mulheres da casa dos "enta"...

Até aí tudo bem, mas o estranho é que durante o texto inteirinho se percebe (pelo menos é o que me passou) que sua única preocupação era em relação à estética, quando esta é apenas um dos requisitos da beleza como um todo que vai influenciar diretamente na auto-estima.

Ela diz para a jovem diminuir a autocrítica e para se aproveitar e se amar enquanto está bem na foto só porque tem a pele lisinha ainda que seja magrinha, que a banha está durinha mesmo na gordinha e o cabelo brilhante, ainda que crespo. Tudo bem, concordo. Só acho que ficou meio incompleto. Ora, se amar, sempre! Afinal, ninguém é só beleza exterior, e não é só exterior que conta para uma autoestima em alta. (Oops, foi mal o trocadilho).



“SENHOR...
ensina-nos a contar os nossos dias,
 para que alcancemos coração sábio”
(Salmos 90.12)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As aparências enganam...


Átila


Segue abaixo o comentário feito por mim lá no blog do Zé Luís. Só clicando AQUI para entender melhor :)

PoiZÉ...

Eu acredito na inocência do felino, pois as aparências enganam, sim. E euzinha que o diga!

Ontem mesmo, excepcionalmente, deixei a porta “de fora” aberta. Ela fica de frente para a porta do meu vizinho de andar.

Acontece que Átila, o filhote "dash" (do meu filhote Jr rss) está paraplégico devido a uma cirurgia realizada na coluna vertebral e por isso vem sendo submetido a um tratamento de reabilitação, que inclui hidroterapia, fisioterapia e acupuntura com moxa*. A moxa tem cheiro parecido com o de maconha (Não que eu conheça esta última rss) e a casa fica incensada.

Não deu outra, abre-se a porta do vizinho e sai ele e mais um amigo. E, enquanto esperam o elevador no hall, ficam a inalar aquele cheiro que, devo confessar, é super agradável... Além de relaxar he he

Então, eu brinco com a guria – cara de adolescente mas doutora veterinária especialista em acupuntura com moxa - dizendo que ela que se explique para aquele senhor grisalho com quem ela irá compartilhar o elevador :) Aliás, tadinha, ela vive fazendo isso por aí, pois ela sempre vai embora toda impregnada.

Eu, pelo menos estou em casa e, em seguida, corro pra tomar uma ducha. Tonta.

A fragrância is in the air, mas estamos todos inocentes: Átila, Taísa e euzinha :)

R.

Obs.: vou ficar devendo uma foto do Átila em plena sessão.

........

*De história milenar, originária do norte da China, moxabustão - 灸 - jiŭ (pinyin) significa, literalmente, "longo tempo de aplicação do fogo", uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva Artemisia sinenses e Artemisia vulgaris.

É uma técnica terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se nos mesmos princípios e conhecimento dos meridianos de energia trabalhados na acupuntura, sendo amplamente utilizada nos sistemas de medicina tradicional da China, Japão, Coréia, Vietnam, Tibete e Mongólia. Acredita-se que seja anterior à acupuntura.

A moxabustão trata e previne doenças através da aplicação de calor em pontos e/ou certos regiões do corpo humano. (Wikipedia)






(Aplicação de moxa em humano)

(Moxa (e agulhas)em Átila. Atrás dele, sua caminha;
ao fundo, no canto da sala, seu coelhinho sem uma orelha rss)

sábado, 23 de outubro de 2010

Cyberbullying



Estive lendo por esses dias, em uma dessas revistas de fofoca de sala de espera de clínica, algo bem coerente dito pela Preta Gil. Em entrevista, ela considerou deplorável a atitude do Danilo Gentili, do CQC, ao chamar a Hebe Camargo de múmia em plena época em que esta vivia um drama pessoal ligado a sérios problemas de saúde. Adianto que não tenho predileção por nenhuma das duas, que não vejo seus programas e blá, blá, blá... Porém, admiro quem se posiciona com sinceridade, sem se importar se está sendo apenas agradável. (Eu falei sinceridade e não sincericídio...)

Por outro lado, certamente Hebe não sofreu nenhum abalo com isso e duvido que esse episódio extremamente lamentável tenha trazido qualquer dano à sua autoestima ou formação emocional/psicológica/moral.

Mas...

E o adolescente e a criança que têm acesso a um comentário assim perverso?! Com certeza vão achar engraçado e, como se encontram em formação, e ainda se estiverem experimentando alguma disfunção familiar, vão achar que é legal agir dessa forma, debochando das pessoas. Então eles vão trazer essa “ferramenta” para a sala de aula, para o clubinho, para a comunidade, enfim, para o meio ambiente em que vivem. E, sem qualquer noção das implicações advindas desse tipo de violência vão achar normal depreciar pessoas mais velhas... Pessoas mais velhas doentes... Pessoas, simplesmente.

Então, em efeito dominó, os valores vão sendo minados um a um, e unicamente porque um engraçadinho da TV resolveu espalhar sua acidez de coração. E eu me recuso a acreditar que alguém que assim age não saiba da sua própria responsabilidade ao assumir determinadas posturas; ele não venha dizer que não sabe que é formador de opinião e o quanto pesa, de maneira devastadora, o seu achismo leviano e irreverente travestido de humor casual.

Analogamente, em época de contagem regressiva de eleições, tenho observado que, de maneira assustadora, há uma enxurrada de mensagens depreciativas recheando os blogs diariamente e das mais variadas formas. Isso muito me entristece porque há uma distorção indiscriminada, uma confusão coletiva, na qual algumas pessoas confundem a transgressão com liberdade de expressão, depreciação com humor e provocação com irreverência; e, principalmente porque parte de gente dita cristã que, não sei se por uma exacerbação natural ou pelo afã da ocasião, perde o senso e passa a agir de forma por vezes até cruel, sem se ligar nos estragos que causa com tamanha perversidade. Ora, para mim, isso é uma das variáveis do cyberbullying.

E cyberbullying é muito mais do que mera brincadeira de mau gosto de colegiais e seu uso/abuso sutil de brinquedinhos tecnológicos. 

Cyberbullying é crime.

Cyberbullying é uma forma de violência virtual feita por meio de mensagens com IMAGENS e comentários depreciativos recheados de deboche, implicância, discriminação e agressões verbais, cuja principal intenção é humilhar e constranger PUBLICAMENTE.

Até bem pouco tempo, o bullying era considerado comportamento agressivo apenas no âmbito escolar e entre crianças e adolescentes. Hoje em dia, não importa o ambiente, pois sendo onde for e havendo interação entre pessoas que lancem mão desse instrumento de perversão, essa atitude é considerada bullying. E as motivações do agressor são as mais variadas, indo desde a falta de limites no contexto familiar, passando pela necessidade de adquirir poder e status e autorrealização social a qualquer custo. E a mais deplorável realidade: usando o retrato familiar como modelo. Sim, pois normalmente o agressor tem uma história de distorção de valores dentro da própria casa, onde pais e filhos disputam certas habilidades -geralmente físicas e de pseudo-valores - estendendo-se, inevitavelmente, ao convívio escolar e social em forma de raiva incontida que não o deixa transformar em diálogo, levando para a vida adulta e seus ambientes tais como, locais de trabalho, clubes e até mesmo nas igrejas.

Mas o que impressiona é o que alimenta a alma do agressor: o espectador. Este é seu maior aliado. Afinal, sem a plateia ele não cresce. É o espectador quem vai definir sua popularidade e a continuidade do conflito. E ele consegue essa façanha porque, ainda que tenha senso de justiça, não consegue ficar indignado o suficiente para repelir esse tipo de atitude simplesmente porque foi na onda, achou engraçado, enfim, deu asas à perversidade escondida lá no mais íntimo do seu ser.

E, como se não bastasse, ainda na sua forma mais perversa existe também a plateia que age como verdadeira torcida organizada, aplaudindo e reforçando a agressão com palavras de incentivo, tornando-se coautores dessa ação nefasta.

Então, trazendo para o mundo virtual - dos blogs, particularmente- e, como comentei em texto anterior, reafirmo o meu repúdio a qualquer forma de comunicação onde a pessoa recebe uma informação e, só porque esta informação reforça sua antipatia e preconceito por aquele assunto, logo se arma com seu megafone levando adiante e até mesmo “aumentando um ponto” com suas considerações levianas, picantes, depreciativas.

Vivemos um momento único no qual a comunicação é mais rápida que o raio e a saraivada é giratória e extremamente agressiva. Então me vem uma frase de Churchil, em época que nem se sonhava ainda com internet, na qual ele dizia que "uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir".

Neste momento extremamente delicado onde as pessoas estão estranhas, agindo de maneira ostensiva e avessas ao diálogo, precisamos ficar bem atentos antes de levantar qualquer bandeira e sair por aí soltando o verbo. Não faz mal nenhum ficar atento para o que se vai dizer/escrever procurando ser uma pessoa sensata sabendo que se pode perfeitamente usar argumentos variados sem que seja necessário apelar para overdose de adjetivos e imagens depreciativas.

Seja um sociólogo, antropólogo, cientista político ou um casual pensador sem formação acadêmica; um blogueiro mais intempestivo ou o blogueiro antenado; não importa quem o faça, mas faça uso de sua liberdade de expressão sem apelações gratuitas, de forma decente, respeitosa e consciente. Isso para mim é ser ÉTICO. E Jesus, foi acima de tudo, ético.

É assim que eu vejo pessoalmente. E é a minha dica.

Em amor e zelo.

Regina.



“Ser cristão não é FAZER CERTAS COISAS mas fazer tudo DE CERTA MANEIRA.”



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A mídia comercial contra Lula e Dilma


Leonardo Boff

Sou profundamente a favor da liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e xulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito da má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.


Extraído DAQUI

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A psicologia de massa do fascismo à brasileira








Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro.

O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial.

Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.

Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.

Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas com o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava.

À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados.

Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC.

Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira.

O fascismo à brasileira
Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade.

Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma.
Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole.

Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações.

Minhas filhas menores frequentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina.

Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha.

No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, e captar as reações dos funcionários ao debate da Band.

A construção do ódio

Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado.

Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor.

Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar.

Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra.

Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar.

Luís Nassif
 
(Grifos meus- RF)

O VOTO DO NORDESTE: para além do preconceito

Tânia Bacelar


A ampla vantagem da candidata Dilma Rousseff no primeiro turno no Nordeste reacende o preconceito de parte de nossas elites e da grande mídia face às camadas mais pobres da sociedade brasileira e em especial face ao voto dos nordestinos. Como se a população mais pobre não fosse capaz de compreender a vida política e nela atuar em favor de seus interesses e em defesa de seus direitos. Não “soubesse” votar.

Desta vez, a correlação com os programas de proteção social, em especial o “Bolsa Família” serviu de lastro para essas análises parciais e eivadas de preconceito. E como a maior parte da população pobre do país está no Nordeste, no Norte e nas periferias das grandes cidades (vale lembrar que o Sudeste abriga 25% das famílias atendidas pelo “Bolsa Família”), os “grotões”- como nos tratam tais analistas – teriam avermelhado. Mas os beneficiários destes Programas no Nordeste não são suficientemente numerosos para responder pelos percentuais elevados obtidos por Dilma no primeiro turno : mais de 2/3 dos votos no MA, PI e CE, mais de 50% nos demais estados, e cerca de 60% no total ( contra 20% dados a Serra).

A visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região nos anos recentes e que explica a tendência do voto para Governadores, parlamentares e candidatos a Presidente no Nordeste.

A marca importante do Governo Lula foi a retomada gradual de políticas nacionais, valendo destacar que elas foram um dos principais focos do desmonte do Estado nos anos 90. Muitas tiveram como norte o combate às desigualdades sociais e regionais do Brasil. E isso é bom para o Nordeste.

Por outro lado, ao invés da opção estratégica pela “inserção competitiva” do Brasil na globalização - que concentra investimentos nas regiões já mais estruturadas e dinâmicas e que marcou os dois governos do PSDB -, os Governos de Lula optaram pela integração nacional ao fundar a estratégia de crescimento na produção e consumo de massa, o que favoreceu enormemente o Nordeste. Na inserção competitiva, o Nordeste era visto apenas por alguns “clusters” (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio graneleiro...) enquanto nos anos recentes a maioria dos seus segmentos produtivos se dinamizou, fazendo a região ser revisitada pelos empreendedores nacionais e internacionais.

Por seu turno, a estratégia de atacar pelo lado da demanda, com políticas sociais, política de reajuste real elevado do salário mínimo e a de ampliação significativa do crédito, teve impacto muito positivo no Nordeste. A região liderou - junto com o Norte - as vendas no comercio varejista do país entre 2003 e 2009. E o dinamismo do consumo atraiu investimentos para a região. Redes de supermercados, grandes magazines, indústrias alimentares e de bebidas, entre outros, expandiram sua presença no Nordeste ao mesmo tempo em que as pequenas e medias empresas locais ampliavam sua produção.

Além disso, mudanças nas políticas da Petrobras influíram muito na dinâmica econômica regional como a decisão de investir em novas refinarias (uma em construção e mais duas previstas) e em patrocinar - via suas compras - a retomada da indústria naval brasileira, o que levou o Nordeste a captar vários estaleiros.

Igualmente importante foi a política de ampliação dos investimentos em infra-estrutura – foco principal do PAC – que beneficiou o Nordeste com recursos que somados tem peso no total dos investimentos previstos superior a participação do Nordeste na economia nacional. No seu rastro,a construção civil “bombou” na região.

A política de ampliação das Universidades Federais e de expansão da rede de ensino profissional também atingiu favoravelmente o Nordeste, em especial cidades médias de seu interior. Merece destaque ainda a ampliação dos investimentos em C&T que trouxe para Universidades do Nordeste a liderança de Institutos Nacionais – antes fortemente concentrados no Sudeste - dentre os quais se destaca o Instituto de Fármacos (na UFPE) e o Instituto de Neurociências instalado na região metropolitana de Natal sob a liderança do cientista brasileiro Miguel Nicolelis que organizará uma verdadeira “cidade da ciência” num dos municípios mais pobres do RN (Macaíba).

Igualmente importante foi quebrar o mito de que a agricultura familiar era inviável. O PRONAF mais que sextuplicou seus investimentos entre 2002 e 2010 e outros programas e instrumentos de política foram criados (seguro – safra, Programa de Compra de Alimentos, estimulo a compras locais pela Merenda Escolar, entre outros) e o recente Censo Agropecuário mostrou que a agropecuária de base familiar gera 3 em cada 4 empregos rurais do país e responde por quase 40% do valor da produção agrícola nacional. E o Nordeste se beneficiou muito desta política, pois abriga 43% da população economicamente ativa do setor agrícola brasileiro.

Resultado: o Nordeste liderou o crescimento do emprego formal no país com 5,9% de crescimento ao ano entre 2003 e 2009, taxa superior a de 5,4% registrada para o Brasil como um todo, e aos 5,2% do Sudeste, segundo dados da RAIS.

Daí a ampla aprovação do Governo Lula em todos os Estados e nas diversas camadas da sociedade nordestina se refletir na acolhida a Dilma. Não é o voto da submissão - como antes - da desinformação, ou da ignorância. É o voto da auto- confiança recuperada, do reconhecimento do correto direcionamento de políticas estratégicas e da esperança na consolidação de avanços alcançados – alguns ainda insipientes e outros insuficientes. É o voto na aposta de que o Nordeste não é só miséria (e, portanto, “Bolsa Família”), mas uma região plena de potencialidades.
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Tânia Bacelar de Araújo é graduada em Ciências Sociais pela UFPE e em Ciências Econômicas pela UNICAMP. É Especialista em Planejamento Global pela CEPAL e possui Doutorado em Economia pela Universidade de Paris I – Panthéon-Sorbonne.

Atua como professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no Departamento de Ciências Geográficas (Programa de Pós-Graduação em Geografia) desde 1989, e é Sócia Diretora da CEPLAN – Consultoria Econômica e Planejamento desde 1995.

Foi Consultora do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA, para apoio aos Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte (1995 a 1999); Diretora Nacional de Projeto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)"Estratégia para apoio ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas no Nordeste do Brasil"(1997) e Consultora do PNUD – IPEA para assessorar o PARARNACIDADE e as ASSOCIAÇÕES de PREFEITOS ( AMUSEP e AMOP) na elaboração de Planos Regionais de Desenvolvimento (1998).

Exerceu os seguintes cargos públicos:

• Economista da SUDENE (20 anos) tendo sido Diretora de Planejamento Global (1985/86)

• Secretária de Planejamento de Pernambuco – 1987/88

• Secretária da Fazenda de Pernambuco – 1988/1990

• Diretora do Departamento de Economia da FUNDAJ – 1990 /1995

• Secretária de Planejamento,Urbanismo e Meio Ambiente do Recife – 2001/2002

• Secretária Nacional de Políticas Regionais pelo Ministério da Integração Nacional – 2003

• Coordenadora do Grupo de Trabalho de Recriação da SUDENE e da SUDAM – 2003



(Recebi hoje por e-mail- RF)


terça-feira, 19 de outubro de 2010

O sensato e o tolo





O sensato ouve toda verdadeira repreensão com temor grato, mas o tolo sente-se ofendido por cada verdade que poderia ajudá-lo.

O sensato sente todas as dores deste mundo e com elas lava-se em doçuras, mas o tolo extrai da dor apenas a amargura.

O sensato foge de toda luta que não seja pela vida, mas o tolo faz de toda discordância uma questão de salvação do mundo.

O sensato vive e deixa viver, embora não negocie seus princípios jamais; mas o tolo sente a obrigação de se impor sobre todos os diferentes.

O sensato faz o bem e se esquece, mas o tolo o conta como currículo.

O sensato ama a todos, até aqueles de quem não goste; mas o tolo ama apenas os que lhe agradam com consentimentos, e desgosta-se de todos os que não sejam como ele.

O sensato vê em cada outro humano um altar, mas o tolo somente vê altares em lugares onde tijolos e pedras tenham sido erguidos.

O sensato sabe que a cada semente corresponde seu próprio fruto, mas o tolo crê que pode semear uma natureza e colher outra.

O sensato leva em consideração cada acusação que recebe e nelas medita, pois crê que delas possa tirar algum proveito, ainda que em silêncio; mas o tolo perde a chance de se enxergar até nos exageros dos que o acusem.

O sensato confia no vento e no seu poder incontrolável de espalhar sementes, mas o tolo acha que se não industrializar o plantio, sua existência não será produtiva.

O sensato vive pela fé; o tolo, porém, vive do que ele acha que pode controlar ou manipular.

O sensato nunca não vai com a cara de alguém apenas por não ir, mas o tolo desgosta de tudo e todos que lhe pareçam concorrência.

O sensato somente gosta de ganhar em parceria, mas o tolo quer sempre ganhar sozinho.

O sensato vive para fazer fácil a vida, mas o tolo ama as complexidades.

O sensato cresce em todas as tribulações, mas o tolo lamuria e cresce em desconfiança em cada uma delas.

O sensato transforma traumas em lições, mas o tolo os alimenta como álibis.

O sensato foge da justiça dos homens e busca conciliação pacifica; mas o tolo ama os tribunais.

O sensato ama a simplicidade dos simples e a calma dos idosos, mas o tolo apenas dá atenção ao que lhe possa auferir ganhos de alguma forma no instante.

O sensato ama o mandamento da Vida, mas o tolo acha tudo uma obrigação.

O sensato busca renovar-se todos os dias, mas o tolo busca adaptar-se todos os dias.

O sensato crescerá em consciência...

O tolo viciar-se-á em seus modos, e neles morrerá: a menos que se converta à verdade que liberta a mente para aprender a sabedoria.






sábado, 16 de outubro de 2010

A armadura de Deus





Estive pensando...

Não, não descobri o Brasil nem reinventei a roda, vou logo adiantando a leitores de crítica acirrada. Também não fiz nem faço estudo bíblico de queimar neurônios. Apenas gosto de refletir como é importante, necessária e maravilhosa a redescoberta diária da SIMPLICIDADE do que Deus requer de nós.

Estive pensando em como os Dez Mandamentos são pautados em nossos relacionamentos com Ele, nossa família e nosso semelhante; como o Evangelho nos diz sobre nossa existência em convívio; em como é impressionante o primeiro milagre de Jesus ter sido em um casamento - onde o vinho excelente faz a festa duradoura - e em como tudo isso nos diz sobre a importância do casamento, do plano de Deus para as pessoas, do ajuntamento que se forma em volta de um casamento que deve ser festa e alegria CONTÍNUA na existência, da necessidade de se estar juntos dando suporte uns aos outros...

Então, estive pensando no quanto nos permitimos estragar esse plano de Deus para nossa vida e no quanto os próprios relacionamentos nos colocam em alerta constante para "o dia mau". O dia mau que é cotidiano e cujas forças tenebrosas nele incluídas fazem uso do homem, adulterando seus valores e seus conceitos em aparente calma e equilíbrio com o intuito de distorcer a verdade e afastar as pessoas umas das outras. Sim, pois o inimigo de nossas almas só quer isso: separar as pessoas por meio de acusações, mentiras e situações distorcidas. Precisamos ficar atentos e não nos afastarmos das pessoas entendendo que nossa luta não é contra elas. Vivemos em constante batalha espiritual e por isso o soldado tem que pôr a armadura todo dia para poder rebater as falsas acusações do inimigo com seu kit imundo de ciladas diárias em situações de conflito que provocam dúvida, medo, autopiedade, culpa e toda a sorte de pensamentos negativos. Pensamentos traduzidos em palavras e consequentes ações, das mais devastadoras...

Dias atrás escrevi um texto sobre conviver com diferenças, citando especificamente divergências entre irmãos justamente porque RESPEITAR a individualidade e diversidade dentro do próprio lar, certamente é um dos maiores desafios que a pessoa vai aprender para poder enfrentar a vida lá fora com ÉTICA E DIGNIDADE. É no lar que se desenvolve o verdadeiro companheirismo que vai moldar o caráter do ser humano. É no lar que se aprende o importante significado de convivência sadia com as diferenças. É no lar que acontece a primeira interação entre os indivíduos e que será algo decisivo na geração de novos entrelaçamentos fora do âmbito familiar, estendendo-se a todas as áreas da vida de uma pessoa.

E como trazer isso para a vida real, para a crise, para o bate boca que ora se apresenta, para as discussões inflamadas, as contendas que surgem? Na verdade, não há muita dificuldade em se entender isso. Porém, o que existe como trava é uma resistência enorme em querer se desarmar, pois todos têm suas justificativas, suas próprias racionalizações e não querem abrir mão delas. Daí a potencialização das desavenças que findam por mascarar a verdade. E aí está a cilada, pois essa resistência embaça a maneira correta de desfazer os nós formados pelo desentendimento; essa resistência insiste na permanência de uma crise que na sua grande maioria das vezes surge de uma bobagem, “do nada”. E, unicamente por meio da reconciliação EM VERDADE, confessando as próprias fraquezas (pecado) é que se retoma o caminho do amor e da compaixão que une as pessoas. Somente com amor e humildade se neutraliza todo ressentimento que porventura queira se instalar na nossa alma. E só podemos neutralizar essa situação que nos afasta uns dos outros SE estivermos capacitados para isso. E essa capacitação não vem de nós, precisamos PEDIR a ajuda de Deus.

É onde entra “a armadura de Deus”.

Aos efésios, Paulo faz uma analogia da figura da armadura de Deus com a armadura do soldado romano, mostrando que não é com nossos próprios esforços que iremos abater o inimigo que destrói relações, e sim, confiando na proteção e amparo de Deus que nos capacita a vencer suas investidas.

“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6.12)

“Cingindo-vos com a verdade” – a cintura ou abdômen era vista como a área das emoções que normalmente nos enganam fazendo acreditar em uma mentira; quando temos compromisso com a verdade, independentemente das repercussões, nossas emoções não nos deixam cair nessa cilada, não importam as circunstâncias.

“Vestindo-vos da couraça da justiça” – o peito é visto como o lugar onde se encontra a alma. Quando o coração é limpo e justo, através de constante confissão e perdão, não há espaço para o inimigo fazer seu inferninho.

“Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” – Se estamos com o sapato adequado, pisamos de forma correta em qualquer ambiente a serviço do Senhor levando o Evangelho da paz e da reconciliação.

“Embraçando sempre o escudo da fé” – outra metáfora que nos alerta a não tirar o escudo do braço, sempre atentos para rebater os dardos inflamados (acusações) por meio da armadura invisível que é a fé.

“Tomai também o capacete da salvação” – nessa área na qual está o capacete somos protegidos contra os maus pensamentos que ora queiram se instalar. A certeza da salvação é uma enorme defesa contra a dúvida, a insegurança e outras obras das forças espirituais do mal.

“Tomai... a espada do Espírito” – a espada é a Palavra viva, poderosa e efetiva.

“Orando em todo tempo no Espírito” – É nessa constante comunicação com o Senhor das nossas vidas que encontramos encorajamento e direcionamento correto em meio ao vendaval. “Em todo tempo” nos aponta a seriedade e necessidade de nos mantermos a postos nessa batalha que é constante. (Efésios 6:14.18- Adaptado de A Bíblia da Mulher -pag 1502- Ed Mundo Cristão-  SBB)



“Sede sóbrios e vigilantes.
O diabo, vosso adversário, anda em derredor,
como leão que ruge procurando alguém para devorar.”
(1Pe 5.8)

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus,
para que possais resistir no dia mau e, depois de teres vencido tudo,
permanecer inabaláveis”
(Ef 6.13)