"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sábado, 26 de junho de 2010

Afinal, qual é a vontade de Deus para minha vida?





O homem crê que é “capaz de Deus”, e, sobretudo, de dizer aos outros humanos qual seja a vontade de Deus para o outro.

Ora, a vontade de Deus é uma só: que nos amemos uns aos outros!

Deus não tem planos profissionais para ninguém. Nem de qualquer outra natureza tópica.

O plano de Deus, não importando onde eu esteja, é que eu ame e pratique o amor. O resto é insignificante!

É o que Paulo diz quando afirma: “... ainda que eu...”  fale línguas de homens e anjos, ou profetize, ou saiba todas as ciências e adquira todas as sabedorias, ou me entregue às praticas de martírio ou de entrega social de todas as minhas produções aos demais homens necessitados, mas, “se não tiver amor, nada me aproveitará”;  e mais: nada será vontade de Deus.

Paulo nunca discutiu nada disso. Sabia fazer tendas. Mas era chamado para pregar. Por isso, tendo dinheiro para entregar-se apenas à pregação, assim fazia. Mas se não tinha, então, fazia tendas, e, pregava nas horas possíveis.

Ou seja:

Paulo tratava tudo com simplicidade, pois, a vontade de Deus era amor, e, amor, cabe em qualquer oficina de tendas.

As pessoas perguntam, referindo-se aos detalhes da vida, como se eu ou qualquer outro ser ameba humano pudéssemos responder: Qual é a vontade de Deus para a minha vida?

Ora, eu posso responder, mas a resposta que tenho a dar não satisfaz as pessoas que querem saber a vontade de Deus como um guia afetivo e profissional das jornadas na Terra... Então, não sei! Afinal, nessas coisas, à semelhança de Paulo, apenas uso o bom senso para decidir, e nunca o faço como quem consulta um “guia de jornada”, mas apenas como uma decisão de agora, da circunstância do existir; e isto, sempre, apenas conforme o espírito do Evangelho, que é amor.

A vontade de Deus são os Seus mandamentos, embora Jesus tenha nos dito que até os mandamentos, sem que sejam vividos em amor, são desagradáveis a Deus; pois, sem amor, todo mandamento não passa de presunção e arrogância.

A vontade de Deus é amor, alegria, paz, bondade, longanimidade, mansidão e domínio próprio!

Se você faz isso entregando o lixo, operando na mais rica clinica de neurocirurgia, ou se o faz pregando como um ensinador da Palavra, não importa; pois, a única coisa que importa para Deus é se você vive ou não o amor como o mandamento de seu ser.

O que Deus quer de mim? Onde quer que eu trabalhe? Com quem quer que eu case?

Ora, Jesus não respondeu tais perguntas a ninguém!

Quando Pedro quis saber... Jesus apenas disse: “Que te importa? Quanto a ti, vem e segue-me”.

Quanto mais a pessoa se dispõe a andar em amor e fé, sem buscar mais nada, tanto mais ela encontrará uma sintonia fina com Deus e com a vida, e, assim, sem que ela sinta, irá sendo posta no leito do rio de sua própria vida.

É claro que Deus tem a vontade que diz “não”. Mas essa é a não-vontade de Deus. É o que Deus não quer, pois, é o que Deus não é.

Deus não é mentira, nem engano, nem ódio, nem cobiça, nem traição, nem injustiça, nem maldade, nem indiferença, nem descrença, nem altivez, nem orgulho, nem arrogância, nem vaidade, nem medo e nem frieza de ser.

Assim, a tais coisas Deus diz “não”, mas não como quem diz a Sua vontade, mas apenas aquilo que não é vontade Dele.

Portanto, a vontade de Deus não é “não”, mas “sim”, embora a maioria apenas pense na vontade de Deus como negação.

Ou seja:
Para tais pessoas Deus é Aquele que diz “Não”.

A proporção, todavia, continua idêntica à que foi estabelecida no Éden. Pode-se comer de tudo, e, apenas diz-se não a uma coisa: inventar a nossa vontade contra essa única coisa à qual Deus disse “não”.

Todas as árvores do Jardim são comestíveis, mas continuamos discutindo a única árvore proibida, tamanha é a nossa fixação na transgressão como obsessão na vida.

Entretanto, a vontade de Deus é sim, e, para aqueles que desejam fazer a vontade de Deus, e não apenas discuti-la, Deus revela Sua vontade como fé e amor, e, nos diz que se assim vivermos provaremos tudo o que é bom, perfeito e agradável, não porque a vida deixe de doer, mas apenas porque o pagamento do amor transcende a toda dor.
A vontade de Deus é que eu desista das coisas de menino nesta vida e abrace as coisas de um homem segundo Deus.

Agora, se você vai trocar de casa, de carro, de mulher, de emprego, de cidade, de país, de nome — sinceramente, é melhor consultar um bruxo, uma feiticeira ou um profeta que aceite pagamento para contar tal historinha.

Você pergunta a Jesus:

- Senhor, qual é a Tua vontade para mim?

Ele responde:

- É a mesma para todos os homens. Sim! Que você ame e pratique o amor, pois, sem amor, nada será vontade de Deus para você, ainda que você distribua todos os seus bens aos pobres e entregue o seu corpo para ser queimado em martírio de dignidade pela consciência e pela liberdade.

Dá pra entender ou é difícil demais?

Que tal a gente parar de brincar de vontade de Deus? Vamos?

Chega, não é, gente?


(Na íntegra, aqui ---> Caio Fábio)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Gente, serve?




Como é bom conviver com gente, de carne e osso, portadoras de idiossincrasias avassaladoras, polaridades, alterações de humor, talentos deslumbrantes e defeitos horrorosos.

Neste momento da minha vida faço economia emocional para suportar a ideia de seres ideais, principalmente os que se postam como interlocutores entre o terreno e o sagrado e que se arvoram como projetos sem defeito.


Hoje tenho aprendido com tudo que é simples, meus filhos me ensinam, pessoas sem grandes pretensões intelectuais mas que sabem viver e vêem a vida com bons olhos, são o alvo do meu fascínio.

Diante das possibilidades que a vida apresenta, saber escolher um amigo pode ser o fator preponderante para se estar bem acompanhado ou apenas cercado de pessoas.


Existe uma máxima que diz que "nas dificuldades é que se conhece um amigo", este pensamento virou lugar comum, acredito que até tenha perdido seu peso, porque se torna uma generalidade na boca de quem só se presta a ser solidário em tragédias, doenças e no momento do desespero existencial alheio. Existe o egocentrismo solidário, um tipo de "doença" do super-sensacional-amigo. Percebe-se sua atuação quando aquele que estava em desespero consegue se reerguer e o até então solidário se afasta, já que suas ações não serão mais trombeteadas aos quatro cantos.

Claro que nem todo amigo da hora da angústia é um ser vaidoso e interessado no próprio umbigo, mas corremos o risco de ser alvo deste mecanismo ou sermos protagonistas deste teatro.

Proponho então uma relativização da tal máxima, e ficaria assim:

“É nas alegrias que nós conhecemos os verdadeiros amigos também”

Como é bom ter amigo gente, que é capaz de "chorar como os que choram", na mesma proporção que é capaz de"se alegrar com quem se alegra". Gente que está presente no momento da tormenta brava, mas quando o sol aparece e o mar começa se acalmar, está do teu lado para comemorar. Amigo verdadeiro é gente. Amizade de verdade é compartilhamento de alegrias e conquistas, há sintonia de alma. Cada um é plenamente capaz de decidir quem que ser e qual pessoa continuará chamando de amigo. Decidir rever critérios não é uma tarefa fácil, requer coragem, mas nos dá a possibilidade interessante de sermos mais verdadeiros nesta escolha.

Eu decidi que gosto de gente, porque eu me vejo e me encontro.
 
Adriana Chalela Curdoglo
 
 
Afanado DAQUI

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pedras na alma




Não costumo recomendar certos livros, mas confesso que pensei em  dar dica do  Evangelho Maltrapilho* a alguém que, em forma de desabafo, detonou em e-mail pessoal, a alma do cristão atirador de pedras.  E quem não o é?! Inclusive mensagem muito bem escrita, estilo literário impecável! Embora escrever não seja nenhum mérito... Afinal, apenas escrever, ler e saber, não nos torna diferentes ou melhores dos que os que 'não são nem fazem'. Eu, particularmente, quanto mais escrevo, mais vejo o quanto somos imperfeitos e carentes do amor de Deus.

E mais: o cristão, antes de carregar esse rótulo de atirador de elite, carrega dentro de si uma natureza que não tem rótulo e que só a misericórdia de Deus o coloca em condições, digamos, aceitáveis, diante dessa horrível nueza de alma que ora se expõe. E olhe que essa capacidade em atirar pedras é apenas uma das facetas dessa alma...

Todos nós, ao longo da vida, atiramos pedras. Todos nós estamos constantemente armados delas, é só pisar no calo, no ego, na vaidade pessoal, nas dores, que elas já vão logo sendo atiradas, de imediato. E encontramos adeptos com rapidez estrondosa também! Ninguém está isento disso, é suficiente que seja um ser humano, pois é da natureza deste. Fazendo pré-julgamentos com frequência assustadora, em pensamentos e ações, uns drásticos e irreparáveis, outros nem tanto, mas capazes de provocar seus danos, TODOS NÓS, em maior ou menos escala, exercemos esse ato perverso diariamente, da hora que acordamos até a hora de dormir.

É uma estratégia quase bélica, uma luta inglória, um verdadeiro caos no nível do coração. O que atira também recebe pedras. E as guarda vingativamente para momento oportuno! E o que recebe, também o faz com a mesma maestria e perversidade. E isso é todo dia e a pedra é de todo tamanho e formato. Há uma troca diária e constante, seja sutil, velada, escancarada, silenciosa, gritante e até com o clássico beijo na face.

E quando somos envergonhados por algo e temos uma reação emocional, a tendência é nos protegermos bloqueando as emoções e deixando de percebê-las conscientemente, incapazes que somos de demonstrá-las de maneira adequada e saudável gerando um entorpecimento emocional onde todas as outras emoções agradáveis se diluem e findam por serem enterradas junto com aquelas dolorosas. Tal incapacidade tem sua origem na nossa teimosia e no nosso orgulho exacerbado que nos cega e nos impede de exercer a humildade para dar o primeiro passo, reconhecer as vaciladas e correr pra o abraço sincero e despretensioso.

Essa é a grande questão! Quem atira a pedra - e quem a recebe e se envergonha lá no mais recôndito de sua alma, porém não exterioriza, não verbaliza, não pede perdão, não consegue ZERAR e seguir feliz, PORQUE não abre mão de seu orgulho, da sua teimosia, de conceitos pré-estabelecidos, de costumes e hábitos enraizados nessa alma tão cheia de gambiarras que a tornam feia e desprezível. E essa é a nossa alma. A alma daquele que se diz cristão, do que não se diz cristão e do que julga o cristão.


Esse hábito de atirar pedras no meio da arena é perigoso e sutil posto que em cadeia e trazendo repercussões desastrosas que amarguram a alma. E, só a Graça de Deus, que não tem qualquer ligação com nenhuma igreja, nenhuma denominação e tão somente com o sacrifício feito na Cruz, é que nos encaminha a uma conduta saudável e positiva que nos permite viver em serenidade com a nossa própria consciência, livrando-nos de que se instale o azedume em nossos corações e consequentes ações maléficas.

Parafraseando o autor de Hebreus, a amargura é resultado de intensa animosidade e raiva que cria raízes amargas e que, desenvolvendo-se, produzem frutos amargos como má vontade, ira não-resolvida, ciúme, dissensão e imoralidade. Ele diz: "... Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados." (Hb 12.15)

Identificar emoções e atos consequentes ( E inconsequentes), aprendendo a canalizá-las de maneira saudável, é a atitude inteligente e positiva que vai reverter esse quadro caótico. E isso só é possível quando usamos de um dispositivo chamado HUMILDADE e nos permitimos desnudar por Aquele que é o único capaz de enxergar, perdoar e lavar essa alma. Só Ele pode remover tanta sujeira num lavar definitivo que nos transforma, não em santinhos de altar ou em falso piedoso cheio de boas obras no currículo pra driblar sujeiras escondidas. Transforma-nos sim, em seres capazes de reconhecer que nada somos sem a Sua misericórdia. Tira-nos do nosso pedestal falso e arrogante. E esse lavar definitivo é maravilhoso e eficaz porque é também um lavar constante e diário por meio de um pacto onde nos surpreendemos tão feios, tão deformados, que caímos por terra e nos arrependemos pedindo perdão e cura. Pacto feito com um vaso de barro que tem a chance de se deixar ser remodelado em sangue pelo Autor desse pacto definitivo e perfeito em meio a todas as imperfeições da alma. E o nome disso é GRAÇA!

Na passagem bíblica que caracteriza a suspensão de saraivada de pedras tem algo maravilhoso, curativo, definitivo, dito por Aquele que AMA, PERDOA e ZERA nossos erros. Pois em meio  àquele frenesi doentio onde fariseus querem cumprir a lei severamente, testando a Jesus e gritando pelo castigo à mulher adúltera, ESTE vai ao cerne da questão, no âmago da alma de cada um daqueles que, envergonhados, largam suas pedras cabisbaixos e vão saindo, um por um, a começar pelos mais velhos. E para a mulher, (Que não adulterou sozinha) Ele diz, simplesmente: "... Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais!"  Esse 'NÃO PEQUES MAIS' é a palavra chave. E vale para TODOS os que atiram pedras. Ou seja: para TODOS os seres que respiram e raciocinam.

E o fato de sabermos que seremos julgados por Deus, não significa cair no simplismo da frase, mas buscar viver da forma mais saudável e positiva que nos for possível, aqui mesmo nessa vida que nos foi presenteada e que é apenas um arremedo da vida eterna que Ele nos brinda.


Que a Graça e a Paz do SENHOR estejam sempre em nossos corações!

RF.



(E cá pra nós, euzinha sou muito mais essa música secular abaixo do que o lixo gospel que vendem por aí em nome de Deus.)


TUDO BEM (Lulu Santos)


Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa, tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver


Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão eu já deixei
Tanto bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase, quase nunca a vida é um balão


Mas o TEU AMOR me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no Teu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem... Tudo bem!


Já não tenho dedos pra contar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão eu já deixei
Tanto bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase nunca, quase nunca a vida é um balão


Mas o TEU AMOR me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no Teu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo bem, tudo bem

------------------------------------

*Evangelho Maltrapilho

(Ele é para os sobrecarregados que vivem ainda mudando o peso da mala pesada de uma mão para a outra. E para os vacilantes e de joelhos fracos, que sabem que não se bastam de forma alguma e são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável. E para os discípulos inconsistentes e instáveis cuja azeitona vive caindo para fora da empada. E para homens e mulheres pobres, fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados. E para os vasos de barro que arrastam pés de argila. E para os recurvados e contundidos que sentem que sua vida é um grave desapontamento para Deus. E para gente inteligente que sabe que é estúpida, e para discípulos honestos que admitem que são canalhas. O evangelho maltrapilho é um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho. BRENNAN MANNING )

terça-feira, 22 de junho de 2010

NOVO TEMPO



No novo tempo


Apesar dos perigos

Da força mais bruta

Da noite que assusta

Estamos na luta


Pra sobreviver

Pra sobreviver

Pra sobreviver



Pra que nossa esperança

Seja mais que a vingança

Seja sempre um caminho

Que se deixa de herança



No novo tempo

Apesar dos castigos

De toda fadiga

De toda injustiça

Estamos na briga


Pra nos socorrer

Pra nos socorrer

Pra nos socorrer



No novo tempo

Apesar dos perigos

De todos os pecados

De todos enganos

Estamos marcados

Pra sobreviver

Pra sobreviver

Pra sobreviver



Pra que nossa esperança

Seja mais que a vingança

Seja sempre um caminho

Que se deixa de herança



No novo tempo

Apesar dos castigos

Estamos em cena

Estamos nas ruas


Quebrando as algemas


Pra nos socorrer

Pra nos socorrer

Pra nos socorrer



No novo tempo

Apesar dos perigos

A gente se encontra

Cantando na praça

Fazendo pirraça

Pra sobreviver

Pra sobreviver

Pra sobreviver

(Negritos meus - RF)

sábado, 19 de junho de 2010

Triste prisão





(Abaixo uma das cartas escritas a alguém muito querida que vive há 16 anos sob jugo opressor do cônjuge).


Minha querida:

Muito me entristeço cada vez que a encontro ou sei de notícias suas, de suas explicações e justificativas confundindo “ensinamentos” e pregações bíblicas para se iludir e se dar um falso conforto. E peço-lhe que me perdoe pela intromissão, mas é que eu não me conformo e sinto-me impulsionada a alertar-lhe acerca desse tipo de cilada que só serve para confundir e escravizar cada vez mais.

Quero começar citando o autor de Provérbios ao exaltar a mulher de fibra. Ele inicia fazendo a pergunta "quem a achará?",  apontando-nos a mulher que agrada a Deus. A mulher que não deixa de ter seu valor como pessoa ao assumir o papel de ajudadora mas que ao mesmo tempo é mulher de atitude em todos os sentidos, principalmente na sua individualidade dentro da relação conjugal:

Ela tem liberdade de ação (v16), tem credibilidade junto ao marido (v11) e tem capacidade de assumir responsabilidade. (v21)

“Examina uma propriedade e adquire-a; planta vinhas com as rendas do seu trabalho” não são predicados exclusivos da mulher dos dias atuais. Esse modelo está lá em Provérbios 31.16.

Veja que essas pinceladas são na verdade apenas para ilustrar as qualidades de uma mulher como pessoa, como indivíduo, como ser humano, pois se fosse para citar outras virtudes, nos estenderíamos muito já que Provérbios 31 trata disso largamente, abrangendo desde a generosidade, os cuidados com a própria beleza e aparência assim como seu próprio crescimento intelectual e espiritual.

Também desconheço qualquer passagem nas Escrituras onde Deus consente que um dos cônjuges fique à mercê do outro, em servidão; nelas não encontro nenhuma referência que aponte para um Deus que aprove um marido opressor e manipulador.

Minha irmã,  não caia no equívoco de “se pegar” nas cartas de Paulo, pois o que ele enfatiza na carta que você cita é que a vida de um dos cônjuges, que  é cristão e age  como cristão, pode vir a ser canal de bênçãos de Deus na vida do outro cônjuge e outros membros da família. (1Co 7:14.16)

Em sua carta aos coríntios ele se baseia no AMOR como um caminho “sobremodo excelente”, ensinando-nos que o amor não se conduz inconvenientemente, não procura os seus próprios interesses e não se alegra com a injustiça. Até fala da real importância da fé e da esperança, mas coloca O AMOR como o principal deles.

Quando ele diz aos efésios para a mulher ser submissa ao marido, deixa claro que o marido AME a mulher, comparando à relação de Cristo com a Igreja (Ef 5.23), numa alusão ao que Deus requer numa relação conjugal, pois ELE não quer submissão em detrimento da responsabilidade da esposa de andar em santidade e retidão diante dEle. Afinal, o marido não é Salvador e sim, protetor. Dessa forma, analogamente, na submissão VOLUNTÁRIA, a esposa serve a seu marido, com liberdade e dignidade, ASSIM COMO, a Igreja serve a Cristo.

Nessa condição o laço dominador que a prende não é de amor, até porque amor não prende. Amor liberta. Amor vem de Deus. E isso que chamam de relação, casamento, ou seja lá o que for, no qual existe dominado e dominador não passa de uma triste prisão para ambos. Porque, definitivamente, amor não se constrói em cima de dor, lágrima, humilhação e constrangimento.

Amor não divide, não afasta familiares,“não se ensoberbece nem se alegra com a injustiça”.

No amor não existe imposição, coação, medo, insegurança.  Quem ama não agride física nem moralmente.  Quem ama cuida.

O amor não é orgulhoso nem provocativo. É permanente, incondicional. Tem consideração pelos outros e constitui a base para se administrar qualquer dom espiritual, resultante da poderosa presença do Espírito Santo.

Não tem como explicar, esse amor você simplesmente vivencia. E qualquer ansiedade que porventura queira se instalar, é neutralizada pela sua leveza desconcertante que imprime no peito a verdadeira alegria, disseminando por todo o ser. E ele aflora, transborda, repercutindo na vida profissional, na vida social, nos relacionamentos fora da vida doméstica invadindo  outras vidas da forma mais benéfica que se possa imaginar.


Não há como confundir e não ser feliz nesse AMOR.

Portanto, o que  a denuncia como esposa oprimida é justamente a ausência dessa alegria em seu sorriso, em seu olhar, em suas explicações. Por mais que se racionalize, se justifique, se doure a pílula, a própria voz vai estar dissonante por soar sempre artificial.

E o mais deprimente não é a insistência em querer convencer familiares e demais pessoas acerca do convívio supostamente saudável. O mais triste e deprimente é a tentativa de convencer a si mesma. É nessa hora que precisamos reconhecer que precisamos de ajuda. Ajuda de amigos sinceros, de familiares, ajuda de um especialista. E eu sei de um que é infalível. Aliás, O Especialista que é a própria Cura. Mas para essa Cura faz-se necessário abdicar das velhas vestes, é preciso se desnudar, é preciso coragem. É preciso entrega total e irrestrita para salvar-se de relação tão doentia e quem sabe até salvar a própria relação.

Mas é preciso querer...


RF.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pedofilia - minha opinião.




Já disse aqui nesse blog que não tem nenhum tema que seja visto por mim como tabu. E com a pedofilia não é diferente. E, embora sem a pretensão - nem cacife - de estudo profundo na área, confesso que tem um bom tempo que eu venho pesquisando sobre essa prática terrível que assola os lares no mundo inteiro, pois sempre desconfiei tratar-se de um comportamento ligado ao estilo de vida de determinados indivíduos, sendo que os estudiosos hoje em dia têm encontrado até fatores biológicos relacionados a esse distúrbio de personalidade.

O certo é que antes mesmo de estourar na mídia esses escândalos todos envolvendo inclusive autoridades religiosas, já me chamava à atenção desde quando se suspeitou de uma situação no mínimo estranha há uns cinco anos, em família bem próxima de mim, mas que por alguma razão, a mãe preferiu fazer vista grossa, típico de quem bota sujeira debaixo do tapete e sai por aí rindo amarelo e sem graça dizendo que tá tudo muito bem. Ora, convenhamos, atitude bastante inconsequente, pois afinal, guardar lixo não é bem a mais apropriada. É até perigosa e irresponsável.  E principalmente quando envolve nossas crianças pelas quais somos responsabilizadas diante de Deus.

Enfim, por outro lado, quem me conhece e/ou lê meu blog com certa frequência, sabe dessa minha fascinação pela mente, pelas nuances do estranho comportamento humano, e que eu não vejo as atitudes e acontecimentos na vida das pessoas de forma isolada. Vejo uma conectividade em tudo. Existe toda uma história, um contexto. Não sou nenhuma autoridade no assunto, repito, mas sei que isso me ajuda a conhecer melhor a situação de maneira ampla fazendo-me cumpridora do meu papel de cidadã cristã da forma mais consciente possível.

E o pedófilo é um desses seres que me chama à atenção, pelas suas características bem particulares de baixa auto-estima e sentimento de inadequação social. Ele não é exatamente um criminoso, já que se trata de um transtorno mental, sendo assim a pedofilia classificada, segundo a OMS. Sua prática, evidentemente, é que se caracteriza como crime.

A pedofilia basicamente caracteriza-se por uma estranha atração que adultos sentem por pessoas bem mais jovens - mais precisamente adolescentes e crianças - sendo essa deficiência considerada como uma deficiência psicológica sem que seja necessário qualquer contato físico. Só desejar, pensar, imaginar determinada situação de erotismo já caracteriza esse transtorno. E não precisa atingir “as vias de fato” para ser considerado crime. O menor constrangimento instalado já denuncia o mal. E aqui eu quero me referir a um tipo específico de pedófilo: aquele que usa de manipulação erótica direta, porém velada. Pois ainda que aparente "apenas" um carinho exagerado, sua sutileza é extremamente invasiva e prejudicial à criança assediada. Diga-se de passagem que o pedófilo não sente atração pela pessoa mais jovem, simplesmente. Portanto, a atração não é pela jovialidade em si. É a questão da vulnerabilidade, do lado indefeso. Alguém do seu tamanho, ele não "encara", digamos assim, justamente devido a essa sua lacuna emocional e psicológica.

E, claro, não é por se tratar de uma doença que se deve cruzar os braços e/ou sentir peninha do indivíduo que assim pensa ou age. Deve sim, ser combatido com veemência, deve ser denunciado e deve haver punição adequada embora não haja uma lei específica. Quando falo de sentir peninha e correr o sério risco de pensar duas vezes sobre que atitude tomar é porque geralmente o pedófilo é alguém da convivência, alguém querido. E colocar embaixo do tapete é, no mínimo, leviano. Por isso mesmo que a qualquer suspeita, deve-se dobrar a vigilância e no caso de fato concreto, tomar as devidas providências. Afinal, isso é um ato covarde se lembrarmos que a vítima é uma criança indefesa e sem parâmetros para aquela estranha situação. É diferente do assédio feito de adulto para adulto, onde o agredido sabe perfeitamente que atitude tomar. A criança, não. Ela ainda não tem definido em sua cabecinha o que seja o conjunto de regras morais, sabe apenas que a situação é profundamente desagradável. Ela sabe que é algo muito ruim de assimilar, mas não tem como contestar, pois geralmente o oponente é alguém da família ou muito próximo e considerado de confiança,  sempre presente e quase sempre muito solícito e agradável e que nas reuniões com os adultos se comporta normalmente. Isso basta para que a criança assediada fique confusa e se cale.

Infelizmente está cada vez mais comum a prática desse ato terrível e não apenas devido aos grandes escândalos eclesiásticos que têm chamado a atenção da sociedade. É dentro dos lares mesmo, onde acreditamos que as nossas crianças estão em segurança. Essa prática repulsiva precisa ser combatida e para isso devemos estar atentos aos sinais estranhos e ao que dizem as nossas crianças para que no início, e antes que se alastre o mal, sejam tomadas as devidas providências. Pois ela destrói valores essenciais à formação do jovem e, consequentemente, à formação da família e da sociedade, traçando um sinistro caminho para a tragédia no âmbito psicológico assim como acontece com todas as formas de comportamento sexual inadequado.

Como cristã, eu vejo que embora sejam atos indignos, diante de Deus não significa que sejam imperdoáveis, por isso eu não vou me permitir jamais esquecer da misericórdia e do perdão de Deus. Não quero me portar como a boazinha cheia de racionalizações em cima da historinha sinistra, mas tenho aprendido que essa nossa natureza caída pode ser perfeitamente e definitivamente CURADA por essa Misericórdia em forma de Perdão. No perdão somos restaurados. Há uma cura completa. Definitiva. Para isso precisamos nos arrepender dos atos passados, sejam quais forem. Essa é a palavra “mágica”: arrependimento. No arrependimento sincero e verdadeiro, o mal (pecado) é removido completamente e passamos a viver de modo diferente. Para alguns mais incrédulos pode parecer coisa de Pollyana que passou do ponto, papo de sonhadora boba, mas eu prefiro sonhar os sonhos de Deus. Sonhos transformadores.

E aqui, parafraseando o autor da carta aos hebreus, não falo de dons nem sacrifícios, posto que estes, no tocante à consciência, são ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto. Falo de algo superior e perfeitamente eficaz. Falo de uma relação com Deus que nos reconcilia de fato com Ele, e, em consequência, com nós mesmos e com o próximo. Seja esse próximo uma criança, um adolescente ou um adulto.

É esse o verdadeiro sentido do sacrifício definitivo realizado na CRUZ.

R.F.

“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos;
converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele;
e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”.
(Isaías 55.7)

“Pois, para com as suas iniquidades,
usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei”.
(Hebreus 8.12)

“Buscar-me-eis e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.
Serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte.”
(Jeremias 29:13.14)

“Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda.”
(Isaías 58.8)





quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Rei está nu






Há poucos dias vi essa clássica, sucinta e contundente frase sendo usada em comentário de blog muito polêmico, aliás, texto bem antigo, de mais de quatro anos, mas que rende assunto até aos dias de hoje, vez que se trata de um rei posto, deposto e reposto e que continua incomodando a muita gente com sua subversão. Isso me tomou a mente e me fez refletir desde então.

Mas vou logo adiantando que euzinha conto o milagre, mas não conto o santo. E não que eu queira ser a certinha, só quero sossego, pois por andar a navegar por aí, sei do risco de transformar meu cantinho em mera fonte de fofoca, do tipo “vou lançar a bomba e assistir de camarote o circo pegar fogo”. Pelo menos essa é a forte impressão que tem aquele que lê com olhos imparciais, o que eu li no citado blog, entre outros por aí afora. E cá pra nós, parece uma briguinha de comadres onde só se vê uma na arena saboreando os ataques e lambuzando o ego com os tomates e os ovos podres que caem, já que não atingem o alvo,  posto que protegido por sábia e silenciosa indiferença. E depois, pra mim é imensamente cansativo e eu considero uma eterna perda de tempo, ter que ficar no bate bola dos comentários, fora que não me convêm essa invasão sádica de abordar acerca de pessoas com seus nomes completos, endereços, rg´s, idade, família, gostos e escolhas pessoais e sua vida pregressa... Mas tão somente as idéias dessas pessoas. Idéias! E ainda que tenha a ver com a vida pregressa, mas sempre no campo das idéias, pois definitivamente contra pessoas não é jamais a minha luta...

Bem, todo mundo sabe que na historinha do Hans Christian Andersen, o exibicionismo do rei era tanto que dois espertalhões trataram de tirar partido dessa sua fraqueza, porém em desfile especial a inocência de uma criança desmascara os três: os espertinhos e o rei inchado de vaidade. Só que os espertinhos novos ricos já estão longe e o rei ali triste e envergonhado diante de tamanho constrangimento.

Aí eu me pergunto: qual o prazer de se vangloriar com isso? Quem correu pra cobrir as banhas caídas do coitado? Sua vaidade o condenou e o depôs para sempre?

Por outro lado, alguém lançar mão da fábula para fazer certas analogias toscas, e dizer que determinadas pessoas de repente estão completamente despidas, não causa qualquer comoção. Ou pelo menos não deveria causar, bora combinar. Não deveria causar porque o próprio rei em questão foi quem se desnudou a si próprio, só que as pessoas não se deram conta posto que essa nudez é sempre feia aos olhos humanos acostumados a admirar a beleza, a superficialidade, a exterioridade.

Ora, tal rei está nu faz muito tempo e as pessoas não conseguem enxergar isso.

Irônica e estranhamente, tão bela veste é o próprio povo quem coloca. E o próprio povo que o cobre é o mesmo que cobra friamente. É o povo quem alimenta o próprio ego por meio do rei supostamente vaidoso. Na verdade, elas – as vestes – não estão lá. Estão nos olhos de quem assim vê. E nessa minha historinha particular roubada de comentário em blog polêmico, o rei sempre estivera nu. É certo que vez em quando paga caro a espertinhos que querem tirar partido da sua trajetória, do seu desfilar, da sua vida pregressa em meio a principados com suas forças políticas, sociais, suas fortes estruturas com seus encantos e seus fascínios. Mas pagou caro e sempre deu a cara pra bater. E isso incomoda a quem não tem peito pra isso.

Ora, em beeeem menor escala, recentemente eu quase saí do alto do meu salto 12 e também quis quebrar uma meia dúzia de dentes de uma fulana que ousou falar de um filho meu. Fale de mim que no máximo eu só vou achar engraçado, mas não fale de um filho meu não, e principalmente injustamente, que eu viro leoa. E me segurem, por favor! Ainda que depois eu respire fundo e volte a raciocinar e agir como gente equilibrada completamente apta a engolir os sapos que a existência me conferiu. Mas que dá vontade, isso dá...

E eu fico a pensar...

No avesso do avesso o possuído nem sempre é aquele que baba, que se contorce, que revira os olhos, que chama pra briga, que vai à forra e desforra. O possuído pode ser simplesmente o aparentemente calmo, equilibrado, sorridente...

Este se gaba de não possuir o temperamento sanguinário nem usar como arma o próprio corpo preparado para lutas e defesas.

Este tem suas próprias vestes.

E nem por isso livre de ser manifesta a vergonha da própria nudez...

RF.



sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sou uma privilegiada!




Marcado por mudanças definitivas no meio social e político, o finalzinho dos anos setenta/início dos oitenta chegou para mim como algo meio preto no branco onde não dava para ficar em cima de muro, ao mesmo tempo em que minha cabecinha romântica absorvia com muita facilidade um turbilhão de acontecimentos que formavam as estruturas emergentes em substituição definitiva a um comportamento fortemente caracterizado por um sistema repressor.

Bandeirosa nas atitudes, porém sem ir às ruas levantar bandeira, ainda muito garota já demonstrava aversão a privilégios em atitudes claras e definidas, e, mesmo naturalmente doce, simpática e sorridente rss, não me pouparam alguns rótulos como “do contra” e “rebelde” - se bem que entre os mais íntimos e condescendentes, era chamada carinhosamente de espirituosa e irreverente. Bendito eufemismo rss

Ah, e se você pensa que eu vou discorrer sobre mudanças no comportamento sócio-político do meu país, está enganado, pois pra variar um pouco, (risos) estou mesmo é abrindo a minha alma ao trazer à tona certas reminiscências...

Aconteceu que para dedicar-me exclusivamente à vida familiar em certo período, tranquei o curso de Odontologia e fui viver um momento completamente diferente do das minhas amigas universitárias, tornando-me mãe muito jovem. Em seis anos de casada tive seis gestações, porém a minha primeira maternidade vingou somente na terceira gestação devido a abortos involuntários nas anteriores. E aquele sangue igualitário que corria em minhas veias já me inquietava ao antever os privilégios de todas as atenções que seriam naturalmente voltados ao primeiro que nascia. 

Assim, tratando de providenciar como dividir tanta atenção acumulada em overdose de amor tive praticamente quatro bebês - como costumava dizer uma vizinha - pois quando o mais novo nasceu, o mais velho acabara de completar quatro aninhos no mesmo mês. Quatro bebês em crescimento concomitante, cada um com sua preciosa individualidade. Era uma verdadeira escola para mim no sentido mais amplo, pois é ao multiplicar a atenção, dividindo braços e colo, que se descobrem reservas incríveis de algo quase mágico. Infinito. Inesgotável.

Antenada e super atualizada, sempre busquei informações em fontes confiáveis que me auxiliassem a educá-los de modo que crescessem da forma mais saudável possível em todos os aspectos. Como morei pelo interior afora devido à função de meu marido, sem minha faculdade pra me suprir e me impedir de emburrecer, me valia de livros, revistas e jornais. Além de troca de experiência com amigas e pessoas mais velhas, claro. Dr. De Lamare com o clássico livro de ajuda “Meu Bebê”, foi quem mais me salvou em muitas situações embaraçosas de marinheira de primeiras viagens em um só pacote. Assim, eles iam crescendo e as pessoas à volta se admiravam do quarteto sob a minha (quase) exclusiva condução, pois o pai, muito ocupado e, frequentemente ausente, figurava mais como provedor delegando-me inclusive funções que eram dele. Ou de ambos.

Como costumava dizer aos curiosos de plantão, eu carregava um kit. Não “quatro em um”, mas “um em quatro”. Era como se eu visualizasse um só filho, de tão harmoniosa que era a nossa sintonia. (E aqui cabe a redundância da sintonia harmoniosa rss). Era assim que os via, com suas características bem definidas em meio às minhas ações. Das mais simples e cotidianas, às mais decisivas e cruciais, dentro de um contexto muito peculiar onde a decisão de cuidar de quatro bebês, quatro crianças e quatro adolescentes praticamente da mesma idade e com personalidades, anseios e desejos diversos, só são tarefas simples e prazerosas quando se enxerga neles o seu verdadeiro tesouro.

Quando bebês, eram quatro mamadeiras nas madrugadas. Crianças, quatro camas ocupadas simultaneamente pela mesma coqueluche. Pré-adolescentes, conflitos, broncas e curtição a quatro também; tênis, mochilas, diversões, viagens, judô, natação, brinquedos, escola, curso de inglês e de computação. Mimos sem extravagâncias. Conforto sem o luxo desnecessário. Pulso firme na hora certa. Informação na medida certa em amor que é sem medida. Uma busca diária e super dinâmica por uma convivência justa e imparcial. É certo que, de natureza meio impulsiva (meio?! rss)  eu me descabelava quando os via se desentendendo, e também porque até hoje nunca soube lidar bem com desarmonia no lar, minando totalmente as minhas energias. Mas quando eles adoeciam... Eu desacelerava armando-me de uma força, uma calma e paciência tão grandes que assustava até a mim mesma. Era a hora em que eu dizia: Ôpa! Pára tudo!

Tenho saudade daquela época...

Não aquela coisa nostálgica de quem sente falta de algum pedaço, mas um saudosismo gostoso que me remete a um momento especial de enorme afeto, de uma dedicação extremada cuja lembrança me conforta e me diz muito do dever cumprido, o qual eu viveria novamente, do mesmo jeito, com aquela mesma paixão, aquela mesma vontade de me jogar naquela minha escolha clara e lúcida, de dar o melhor de mim, com todos os acertos e os erros que me impulsionavam a acertar de novo. E mais uma vez. E sempre...

Saudade boa. Lembranças que me enchem o coração de satisfação.

Saudade daquela entrega total e irrestrita, daquela cumplicidade, da confiança inocente em mim depositada de forma plena.

Taí! Desse privilégio eu gostei! Obrigada, PAI!

RF.




Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre, seu galardão.
(Salmos 127.3)



Jr, Leo, Rico e Beto

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Graças dou!





Graças dou por esta vida,

Pelo bem que revelou.

Graças dou pelo futuro

E por tudo que passou.



Pelas bênçãos derramadas,

Pela dor, pela aflição,

Pela graça revelada,

Graças dou pelo perdão.



Graças pelo azul celeste

E por nuvens que há também.

Pelas rosas do caminho

E os espinhos que ela tem.



Pela escuridão da noite,

Pela estrela que brilhou,

Pela prece respondida

E a esperança que falhou.



Pela Cruz e o Sofrimento

E também Ressurreição

Pelo Amor que é sem medida,

Pela Paz no coração.



Pela lágrima vertida,

E o consolo que é sem par.

Pelo Dom da eterna vida

Sempre graças hei de dar!



(Autor: Isaías Mendes)


Sempre gostei de cantarolar músicas boas porque me enchem de enorme conforto e de uma alegria indizível. Muito antes de inventarem essa coisa gospel importada. Música secular mesmo, como dizem no gueto evangélico. Aliás, nunca gostei de música "de igreja" embora tenha me criado dentro do catolicismo, como já falei outras vezes, e  até  pelo cunho cerimonialista na sua aplicação, talvez ela não tenha atingido meu coração.

Ah, sim, ia me esquecendo... Sempre me atraiu o "canto gregoriano", mas pela harmonia que chega aos meus ouvidos.

Enfim, tenho uma alma musical, tenho a música nas veias, no coração, na família, nos filhos...

Não toco nenhum instrumento, mas sou rodeada de filhos, parentes e amigos que tocam os mais variados instrumentos e estilos musicais, do blues ao rock, do jazz ao rap, do baião à bossa nova.

Todos os dias eu acordo cantarolando uma canção e às vezes a mesma me acompanha até o fim do dia, quem convive comigo até tira onda. E quando é música de louvor - e aqui eu falo de LOUVOR mesmo! -  aí é que eu me sinto mais leve, mais aberta, mais tolerante... Sinto realmente como se estivesse orando duas vezes, como diria Agostinho.

Então eu me reporto ao tempo de quando eu me converti há sete anos, que eu fui sedenta ao pote catando cd´s e dvd´s de músicas gospel para aprender tudo que havia de bom como se quisesse repor um tempo perdido. Coisa de quem tá tomando leite ainda rss. Mas aí depois da empolgação que durou alguns anos veio a inevitável e necessária peneira que nos conduz à maturidade sem que eu tenha deixado de ser, na minha essência, uma eterna apaixonada. 

E este acima foi um dos "louvores" que não só ficou na peneira e que eu canto quase diariamente sendo um dos que mais "me tocaram", pois cada palavra descrita poeticamente nele e que me sai da boca nesse cantarolar, simplesmente fala da força dessa graça maravilhosa em todas as áreas do meu coração, do meu ser, da minha existência. Seja em dia de sol ou em dia nublado e cinzento.

E nesse desnudar da alma, o mais maravilhoso para mim é que esse "louvor"  me traz bem mais pra perto dessa graça maravilhosa nos momentos em que as dores e aflições se sobressaem. Muito mais do que nas alegrias. CREIO que é quando nos prostramos de verdade e caímos em nós diante de tamanha dependência, busca e consequente ACHADO DE DEUS!

Graças dou!

Glórias pois a Ele. Eternamente!

R.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Referências de felicidade




De tudo que li por esses dias sobre o comportamento da mulher, o que me atraiu foi o mesmo questionamento sobre o sorriso cada vez menos estampado nos rostos femininos. Mas como sorrir com uma sobrecarga nas costas? É certo que a trajetória feminina das últimas décadas foi marcada por grandes conquistas, o que não significa exatamente que tenha feito a mulher mais feliz. E isso não é achismo pessoal mas uma constatação do que vivi, ouvi, vi e li acerca de uma irônica e proporcional tristeza em bagagem cada vez mais abarrotada de conquistas. Tristeza causadora/propulsora de quase uma melancolia que é bem mais triste que a própria tristeza, pois tristeza se sabe de onde vem e na melancolia você não consegue localizar o que perdeu.

O certo é que nem a mulher da atualidade ficou mais feliz e nem é verdade que toda garota de 35 anos atrás se projetava no casamento como o maior negócio da sua vida. Quero dizer: há um quê de frustração na "aventura abolicionista de saias" assim como há o famoso golpe do casamento. Em todas as épocas. O que vejo é uma conquista inglória de uma mulher que acumulou mais funções indo à luta por um lugar ao sol no mercado de trabalho para se auto-afirmar, para competir, para ajudar na renda familiar. E hoje, com todos esses anseios realizados ao longo das décadas, conquistados na vida familiar, cultural e social, ela continua ansiosa, angustiada e triste, em desgaste que beira a tortura; enquanto experimenta todos os frutos dessa conquista onde o rigoroso paladar teima em reconhecer/destacar os frutos amargos, vez que toda escolha traz suas consequências; e estes fazem qualquer riso virar careta. Principalmente os produzidos no âmbito pessoal pois é nele que você põe em xeque os seus princípios, seus sentimentos e suas emoções deixando-se fascinar pelos falsos valores que o mundo lá fora aponta fazendo parecer que a vida doméstica e familiar é mero complemento.

Para mim, a grande questão não é a aquisição de coisas e/ou status e sim a justificativa, os motivos, as prioridades. E o que eu percebo é que não tem absolutamente nada a ver com mulher dessa ou daquela geração e sim com valores pessoais colocados numa estranha balança. E no descaso para o clássico e sábio "cada coisa a seu tempo", há uma perigosa e velada inversão de valores onde não trabalhar fora por não ter com quem deixar os filhos e viver conforme as parcas rendas do cônjuge é algo visto de cara feia. Esse equívoco foi um dos grandes desastres que trouxe sérias consequências à família disfuncional que impera nos dias atuais, na qual a busca de conquistas retardatárias enfiando planos originais na gaveta, comprometeram seriamente o casamento, a vida familiar e a maternidade.  Se bem que não podemos generalizar vez que tem mulher “comum” que larga tudo pela suposta realização pessoal e tem mulher famosa que larga a vida de celebridade para cuidar da maternidade, por exemplo.

E também não tenho certas conquistas femininas como algo novo nem tampouco ligado à vida urbana, pois afinal lá no interiorzão do sertão veem-se famílias que há décadas dividem tarefas dando um banho de lição no que diz respeito a equilíbrio e harmonia onde a mulher é verdadeira PhD em localizar/reconhecer com naturalidade o espaço social que ela ocupa sem que para isso fosse necessário um brado aos quatro cantos do mundo empunhando o sutiã como bandeira. Enquanto isso a mulher da cidade conquista o mercado de trabalho e vai ao chope gelado, ao botox e às compras para despistar a depressão que insiste em se instalar devido a uma irônica perda de liberdade; essa mesma mulher moderna que dá boas risadas lá fora, mas quando entra em casa e se olha no espelho estranha a própria imagem de mulher mais bonita, mais independente e bem-sucedida. Aliás, é por essas e outras que esse termo "bem-sucedida" é questionável.

E é claro que a tristeza faz parte do processo natural da existência. Ela tem sua função, assim como só alegria é perigoso/duvidoso. A variedade de emoções é que é o verdadeiro fiel da balança capaz de estabelecer o equilíbrio e para mim o segredo é a mulher usar sempre o bom senso em suas escolhas, vivendo desencanada e LIVRE dessa ânsia desenfreada em comprar, obter e ser o que o mundo competitivo e vaidoso oferece, impõe e exige. Usar o bom senso é a palavra de ordem; sem representar, sem encenar, consumindo, sim, mas de forma leve, necessária, solidária, na medida, sem excessos, cultivando as coisas como um presente, como dádiva. Não existe tratamento antidepressivo mais eficaz. É quando a melancolia impressa na alma e estampada na face... Simplesmente desaparece! E então podemos olhar pra dentro de nossas almas e enfim dar boas risadas. Risadas de quem conquistou a verdadeira liberdade despida de qualquer amarra. Risadas de bem-estar. Risadas de contentamento.

RF.


terça-feira, 18 de maio de 2010

Cactus...





Como se não bastasse toda essa nuvem em cor estonteante sobre a bruta e escura segurança espinhosa, quatro pequenas flores lilazes bem clarinhas parecem rir de minha surpresa ao pousarem suavemente nessas deliciosas plumas em círculo.

É quase como se elas planassem serenas...

É como se flutuassem em constante base giratória. 

Como se tivessem asas em faz-de-conta de rara espécie de borboleta que em meio a tão dinâmicas plumas vermelho-alaranjadas, dão forte impressão de que podem voar.

Mas desconcertante mesmo, é a leveza de ambas, muito bem amparadas por esse emaranhado de espinhos estrategicamente bem posicionados. Espinhos afiados, para proteger; e suculentos, para suprir. Sempre a postos! Alerta e em vigia, se não eterna, enquanto durar tanta delicadeza. Sustentando a própria vida e das flores que carregam em si.

E quase dá pra sentir o seu perfume adocicado.

E quase podemos ouvi-las tagarelar...

Nossa, viajei agora... E não cheirei nada! rss

Mas explico.
Como toda mãe coruja que se preza, todo santo dia eu fico fuçando o Flikr do Jr e hoje me encantei com essa foto em especial. Não que as outras não sejam especiais, afinal sou tiete confessa desse fotógrafo amador não apenas por ser meu filho, mas pela sua sensibilidade e talento. Porém, o que me chama à atenção nessa foto é a singularidade de composição tão despretensiosa que a natureza nos brinda assim... De graça!

Além do mais eu tenho uma atração pelo cacto justamente pela sua história tão incrível, pela sua capacidade de manter-se majestoso, elegante, e literalmente de pé, diante das intempéries.

Curiosamente, a minha familiaridade com o cacto não vem das minhas origens, pois embora tenha nascido no sertão do Araripe, minha vida era muito, digamos, urbana. Meu contato mesmo pra valer, foi quando já casada, fui morar no oeste do Rio Grande do Norte, em uma pequena cidade chamada Umarizal. E não que lá eu tenha residido na zona rural, mas onde tive o enorme prazer de explorar melhor esse lado com bastante interesse, passando inclusive fins de semana incríveis em fazendas de amigos, o que me propiciava esses agradáveis encontros bucólicos. Além de tudo, ouvi muitos causos envolvendo essa planta incrível que é capaz de armazenar água e poder socorrer os desprevenidos andarilhos das caatingas.

Isso mesmo!

Os cactus, embora típicos de lugares áridos, são plantas suculentas e é exatamente onde atuam seus espinhos.

Esse antagonismo simplesmente me fascina!

E me remete a lugares celestiais...

Obrigada, PAI, por esse momento tão especial!

RF.

domingo, 16 de maio de 2010

Fragmentos de uma Carta Aberta...





CARTA ABERTA AOS BISPOS CATÓLICOS DO MUNDO


Hans Küng - Professor emérito de Teologia Ecumênica na Universidade de Tübingen (Alemanha) e presidente do Projeto Ética Mundial.








Joseph Ratzinger, atual Bento XVI, e eu, éramos, entre 1962 e 1965, os dois teólogos mais jovens do Concílio. Agora já somos os mais idosos e os únicos que seguem plenamente na ativa. Eu sempre entendi o meu trabalho teológico também como um serviço à Igreja. Por isso, preocupado com esta nossa Igreja, atolada na crise de confiança mais profunda desde a Reforma, dirijo-lhes uma carta aberta no quinto aniversário do pontificado de Bento XVI. Não tenho outra possibilidade de chegar até vocês.

(...)
Minhas esperanças, e as de tantos católicos e católicas comprometidos, infelizmente, não se realizaram, coisa que fiz saber ao papa Bento de diversas formas em nossa correspondência. Sem dúvida, cumpriu conscienciosamente suas obrigações papais cotidianas e nos brindou com três Encíclicas úteis sobre a fé, a esperança e o amor. Mas, no tocante aos grandes desafios de nosso tempo, seu pontificado se apresenta cada vez mais como o das oportunidades desperdiçadas, não como o das ocasiões aproveitadas:

– Desperdiçou-se a oportunidade de um entendimento duradouro com os judeus.
– Desperdiçou-se a oportunidade de um diálogo assentado na confiança com os muçulmanos.

– Desperdiçou-se a oportunidade da reconciliação com os povos nativos colonizados da América Latina.

– Desperdiçou-se a oportunidade de ajudar os povos africanos.

– Desperdiçou-se a oportunidade de concluir a paz com as ciências modernas.

– Desperdiçou-se a oportunidade de que também o Vaticano faça, finalmente, do espírito do Concílio Vaticano II a bússola da Igreja católica, impulsionando suas reformas.

Este último ponto, estimados bispos, é especialmente grave. Uma e outra vez, este Papa relativiza os textos conciliares e os interpreta de forma retrógrada contra o espírito dos Padres do Concílio. Inclusive se situa expressamente contra o Concílio ecumênico, que, segundo o Direito Canônico, representa a autoridade suprema da Igreja católica:

– Readmitiu incondicionalmente na Igreja os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ordenados ilegalmente fora da Igreja católica e que não aceitam o Concílio em aspectos fundamentais.

– Apóia com todos os meios a missa medieval tridentina e ele mesmo celebra ocasionalmente a eucaristia em latim e de costas para os fiéis.

– Não leva a cabo o entendimento com a Igreja anglicana, assinado em documentos ecumênicos oficiais (ARCIC). Ao contrário, procura atrair para a Igreja católico-romana sacerdotes anglicanos casados renunciando a aplicar a eles o voto do celibato.

– Reforçou os poderes eclesiais contrários ao Concílio com a nomeação de altos cargos anticonciliares (na Secretaria de Estado e na Congregação para a Liturgia, entre outros) e bispos reacionários em todo o mundo.

(...)

E agora, às muitas tendências de crise ainda são adicionados escândalos que clamam aos céus: sobretudo o abuso de milhares de meninos e jovens por clérigos – nos Estados Unidos, Irlanda, Alemanha e outros países –, relacionado a uma crise de liderança e confiança sem precedentes. Não se pode silenciar que o sistema de ocultamento posto em prática em todo o mundo diante dos crimes sexuais dos clérigos foi dirigido pela Congregação para a Fé romana do cardeal Ratzinger (1981-2005), na qual, já sob João Paulo II, foram reunidos os casos sob o mais estrito segredo. Ainda em 18 de maio de 2001, Ratzinger enviava um escrito solene sobre os crimes mais graves (Epistula de delitos gravioribus) a todos os bispos. Nela, os casos de abusos se situavam sob o secretum pontificium, cuja revelação pode atrair severas penas canônicas.
(...)
As consequências de todos estes escândalos para a reputação da Igreja católica são devastadoras. Isto é algo que também já foi confirmado por dignitários de alto escalão. Inúmeros padres e educadores de jovens irrepreensíveis e sumamente comprometidos sofrem sob uma suspeita generalizada. Vocês, estimados bispos, devem colocar-se a pergunta de como serão as coisas no futuro em nossa Igreja e em suas dioceses. Contudo, não queria esboçar um programa de reforma; já fiz isso em repetidas ocasiões, antes e depois do Concílio. Apenas queria colocar-lhes seis propostas que, na minha convicção, serão respaldadas por milhões de católicos que carecem de voz.

1. Não calar: em vista de tantas e tão graves irregularidades, o silêncio torna vocês cúmplices. Ali onde consideram que determinadas leis, disposições e medidas são contraproducentes, deveriam, ao contrário, expressá-lo com a maior franqueza. Não enviem a Roma declarações de submissão, mas demandas de reforma!

2. Acometer reformas: na Igreja e no episcopado são muitos os que se queixam de Roma, sem que eles mesmos façam alguma coisa. Mas hoje, quando numa diocese ou paróquia não se vai à missa, quando o trabalho pastoral é ineficaz, quando a abertura às necessidades do mundo limitada, ou quando a cooperação é mínima, não se pode culpar sem mais Roma. Bispo, sacerdote ou leigo, todos e cada um devem fazer algo para a renovação da Igreja em seu âmbito vital, seja maior ou menor. Muitas grandes coisas nas paróquias e na Igreja inteira aconteceram graças à iniciativa de indivíduos ou de pequenos grupos. Como bispos, vocês devem apoiar e alentar tais iniciativas e atender, agora mesmo, as queixas justificadas dos fiéis.

3. Agir colegiadamente: depois de um debate vivo e contra a sustentada oposição da cúria, o Concílio decretou a colegialidade do Papa e dos bispos no sentido dos Atos dos Apóstolos, onde Pedro também não agia sem o colégio apostólico. No entanto, na época pós-conciliar os papas e a cúria ignoraram esta decisão central do Concílio. Desde que o Papa Paulo VI, já no segundo ano do Concílio, publicara uma Encíclica em defesa da discutida lei do celibato, voltou a se exercer a doutrina e a política papal ao estilo antigo, não colegiado. Inclusive na liturgia o Papa é apresentado como autocrata, em relação a quem os bispos, dos quais gosta de se rodear, aparecem como comparsas sem voz nem voto. Portanto, vocês não deveriam, estimados bispos, agir só como indivíduos, mas em comunidade com os demais bispos, com os sacerdotes e com o povo da Igreja, homens e mulheres.

4. A obediência ilimitada só se deve a Deus: todos vocês, ao serem consagrados como bispos, juraram obedecer incondicionalmente ao Papa. Mas vocês sabem igualmente que nunca se deve obediência ilimitada a uma autoridade humana, só a Deus. Por isso, o voto de vocês não deve impedi-los de dizer a verdade sobre a atual crise da Igreja, de suas dioceses e de seus países. Seguindo em tudo o exemplo do apóstolo Paulo, que enfrentou Pedro e teve que se opor “a ele abertamente, pois assumira uma atitude errada” (Gl 2, 11)! Uma pressão sobre as autoridades romanas no espírito da fraternidade cristã pode ser legítima quando estas não concordam com o espírito do Evangelho e sua mensagem. A utilização da linguagem vernacular na liturgia, a modificação das disposições sobre os matrimônios mistos, a afirmação da tolerância, a democracia, os direitos humanos, o entendimento ecumênico e tantas outras coisas só serão alcançados pela tenaz pressão vinda de baixo.

5. Buscar soluções regionais: é frequente que o Vaticano faça ouvidos moucos a demandas justificadas do episcopado, dos sacerdotes e dos leigos. Com tanto maior razão se deve buscar de forma inteligente soluções regionais. Um problema especialmente espinhoso, como vocês sabem, é a lei do celibato, proveniente da Idade Média e que está sendo questionado com razão em todo o mundo precisamente no contexto dos escândalos por abusos sexuais. Uma modificação contra a vontade de Roma parece praticamente impossível. Contudo, isto não nos condena à passividade: um sacerdote que depois de madura reflexão pensa em se casar não tem que renunciar automaticamente ao seu estado se o bispo e a comunidade o apoiarem. Algumas conferências episcopais poderiam proceder a uma solução regional, mesmo que fosse melhor chegar a uma solução para a Igreja em seu conjunto. Portanto:

6. Exigir um Concílio: assim como se requereu um Concílio ecumênico para a realização da reforma litúrgica, da liberdade religiosa, do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, o mesmo acontece com o problema da reforma, que irrompeu agora de forma dramática. O Concílio reformista de Constança, no século anterior à Reforma, aprovou a realização de Concílios a cada cinco anos, disposição que, contudo, foi ignorada pela cúria romana. Sem dúvida, esta fará agora quanto estiver ao seu alcance para impedir um Concílio do qual deve temer uma limitação de seu poder. Em todos vocês está a responsabilidade de impor um Concílio ou ao menos um sínodo episcopal representativo.

(...)
Nesta situação de necessidade, os olhos do mundo estão postos em vocês. Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja católica. A recuperação só valerá a pena se os problemas e as consequentes reformas forem abordados de forma franca e honrada. Peço-lhes, com todo o respeito, que contribuam com o que estiver ao seu alcance, quando for possível em cooperação com o resto dos bispos; mas, se for necessário, também individualmente, com “coragem” apostólica (At 4, 29-31). Deem aos seus fiéis sinais de esperança e alento e à nossa Igreja uma perspectiva.
Saúdo vocês na comunhão da fé cristã, Hans Küng.


Extraído do blog Um Eterno Aprendiz



No final da década de 1960, Küng iniciou uma reflexão rejeitando o dogma da Infalibilidade Papal, publicada no livro Infallible? An Inquiry ("Infalibilidade? Um inquérito") em 18 de janeiro de 1970.

Em consequência disso, em 18 de dezembro de 1979, foi revogada a sua licença pela Igreja Católica Apostólica Romana de oficialmente ensinar teologia em nome dela, mas permaneceu como sacerdote e professor em Tübingen até a sua aposentadoria em 1996.

Em 26 de setembro de 2005, ele e o Papa Bento XVI surpreenderam ao encontrar-se para jantar e discutir teologia.

Küng defende o fim da obrigatoriedade do celibato clerical, maior participação laica e feminina na Igreja Católica e o retorno da teologia baseada na mensagem da Bíblia.

Fonte: Wikipedia
Grifos/negritos meus-RF.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Envelhecimento precoce





Especialistas apontam os refrigerantes como inimigos da saúde, pois carregam boas doses de açúcar e sódio, que favorecem o ganho de peso e retém líquido.

Agora, a ciência aponta mais um motivo para bebê-los com moderação. Uma pesquisa da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, apresenta os altos níveis de fosfato encontrados na bebida como um dos fatores de aceleramento do envelhecimento precoce.

Segundo os pesquisadores, elevados níveis de fosfato podem acelerar os sinais de envelhecimento, aumentando a prevalência de doenças relacionadas com a idade, como doença renal crônica e calcificação cardiovascular, além de induzir à atrofia muscular e da pele.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos do nutriente em 200 voluntários e os resultados foram surpreendentes: dos 200 voluntários avaliados durante seis semanas de pesquisa, 90 apresentaram sinais de envelhecimento celular após consumir dois copos de refrigerante por dia.

60 tiveram sintomas de doença renal, e apenas 40 não sofreram nenhuma alteração com a ingestão da bebida. De acordo com os pesquisadores, quando o fosfato entra no organismo, reage com as substancias responsáveis pelo metabolismo celular acelerando o processo de envelhecimento.

O fosfato é encontrado naturalmente em alguns grãos, leite, gema do ovo, mas é adicionado em quantidades maiores em refrigerantes, chocolates, pirulitos, balas, doces industrializados, sorvetes, ketchup, maionese e pratos prontos, incluindo os congelados.