"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

Translate

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Just Do It




Os publicitários são pagos para reduzir as coisas à sua essência.

Pegue a campanha publicitária da Nike, por exemplo. Todas as fábricas, representantes de vendas, produtos, energia, custos, lucros e objetivos da campanha foram resumidos pela agência de publicidade ao slogan Just Do It.

Só foram necessárias três palavras para criar uma campanha premiada que provocou um grande impacto nas vendas.

Os fariseus pediram a Jesus que fizesse um resumo dos ensinamentos dos profetas e lhes dissesse qual era a lei mais importante de todas.

Jesus respondeu:

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro; ame o seu próximo como a si mesmo.

Ele sintetizou milhares de ENSINAMENTOS, escritos e teorias em três linhas. 

Se as pessoas pudessem compreender seus valores centrais, economizariam anos de dúvidas, confusão e energia desperdiçada na tentativa de encontrar a direção de suas vidas.

Jesus dizia essencialmente:

Se você deseja ser feliz, faça essas coisas.


(Fragmentos do livro "Jesus, o maior líder que já existiu" de autoria de Laurie Beth Jones)



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Paciência





Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

A vida não pára...



Enquanto o tempo

Acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora

Vou na valsa

A vida é tão rara...



Enquanto todo mundo

Espera a cura do mal

E a loucura finge

Que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência...



O mundo vai girando

Cada vez mais veloz

A gente espera do mundo

E o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Mesmo quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



(Lenine e Dudu Falcão)
 
 
Como eu comentei em blog "não oficial" do Lenine,   assistia casualmente a reapresentação do "Altas Horas" no domingo, dia das mães e então pude curtir, com bastante satisfação, a participação do Lenine na banda do filho. Sem frescura, sem oba-oba de nenhuma das partes, simplesmente ambos apresentando trabalho excelente.

E ainda como falei lá, não havia entendido o lance do "pãe" achando que o menino era meio órfão (affff matei a mãe do cara rss)

Mas aí, no dia seguinte, minha admiração por ele foi ainda maior quando, conversando com um dos meus filhos, ele contou detalhes da batalha desse homem tão admirável que teve -tem!- uma mulher guerreira que acreditou em sua vitória.

Amei! Que Deus abençõe essa família maravilhosa!

Dos trabalhos dele, a letra acima é uma das que mais curto.

RF.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Crente que tá abafando!




Todo mundo conhece um crente que já cometeu (e comete) no mínimo duas ou três dessas vaciladas abaixo:

-  Usurpa imagem da net (ui! essa doeu nimim)

- Estaciona em lugar proibido, nas calçadas e até mesmo debaixo das próprias placas de proibição.

- Suborna, ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.

- Troca voto por qualquer coisa: cesta básica, areia, cimento, tijolo, dentadura.

-  Fala ao celular enquanto dirige.

- Trafega pela direita nos acostamentos durante um congestionamento

-  Faz fila dupla, e até tripla, em frente às escolas e outros lugares "bem rapidinho".

- Viola a lei do silêncio.

- Dirige após consumir bebida alcoólica.

- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

- Espalha mesas, churrasqueira e banca de camelô nas calçadas.

- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.

- Altera documentação bancária em benefício próprio ou de algum familiar.

- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou $10, pede nota pra $20.

- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

- Empurra o carro da ribanceira pra receber seguro.

- Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

- Substitui o catalisador do carro por um que de catalisador só tem a casca.

- Se bater num carro estacionado, some fazendo de conta que não tem nada com isso.

- Mente a idade do filho para que passe por baixo da roleta do ônibus sem pagar passagem.

- Falando em mentira, mente que o nariz não sente...

- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

- Frequenta caça-níqueis e faz fezinha no jogo do bicho.

- Leva da empresa onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, bloquinhos, papel ofício, lápis, como se isso não fosse FURTO.

- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

- FURTA assento de vaso sanitário e papel higiênico de restaurantes e de banheiros públicos.

- Falsifica tudo, tudo mesmo. Só não falsifica o que ainda não foi inventado.

- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando é arguido sobre o que traz na bagagem.

- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

- Leva trabalho pra imprimir e livro pra xerocar na empresa em que o pai trabalha.

- Furta, descaradamente, lençóis, tapetes, fronhas, talheres e até quadro de hotéis dizendo que vai levando como lembrancinha.

- Assina tarefa de colega dizendo que é trabalho em equipe.

- E, no domingo, com a melhor indumentária que tem, vai à igreja com cara de santo piedoso “prestar culto” ao SENHOR, e ainda CRENTE que Ele estava distraído. Então, vai pra casa cheio do espírito, e, ao acordar, tudo continua como antes... Até o próximo domingo!

Ih, a lista é grande, mas bora combinar que de todos esses deslizes acima, O PIOR é essa última performance.

RF.



Texto afanado he he he e adaptado daqui --> UOL Mais

sábado, 8 de maio de 2010

Vaidade Pentecostal




Dias atrás, visitando um blog de um amigo,  eu li um comentário no qual havia algumas "advertências sobre vaidades e costumes do mundo atual" sem querer acreditar no que eu ia lendo acerca das veladas proibições sobre maquiagem, tintura de cabelo e tatuagem, entre outras.

Dei meu pitaco sem me conter diante de tanta sandice, pois não dá pra aceitar essa "Doutrina" que absolutamente não cabe no Evangelho da Graça.


"Ultimamente, vem se observando que a vaidade e os costumes do mundo atual estão se alastrando no meio do povo de Deus. A irmandade,em geral, tem responsabilidade perante Deus de se enquadrar na Doutrina".

Primeiro: vaidade não se alastrou. A vaidade está TATUADA no coração do homem desde que o mundo é mundo. O que aumentou foi o número de pessoas.

E vaidade NADA tem a ver com exterioridade. Inclusive acreditar que é pela exterioridade que ela será neutralizada é de uma ingenuidade sem tamanho e ainda estimula a DISSIMULAÇÃO e a HIPOCRISIA. Eis o grande risco!

Aos gálatas insensatos, Paulo fala acerca da escolha entre a Lei e a Graça. Ele alerta! Mas é uma escolha...

O Evangelho ou a Lei, pois os dois são adversos.

Há de se fazer uma escolha para a própria existência ou ficar fadado a viver um eterno equívoco, um eterno "em cima do muro", uma dissimulação sem fim, e, principalmente lá no mais íntimo do próprio ser um auto-engano tão INQUIETANTE que jamais se poderá dizer que tanta confusão mental/psíquica/espiritual seja "em nome de Jesus".

Ora, o que desconcerta qualquer legalista é que a GRAÇA nada exige, 'ela vem livre de amarras, como oferta'.

A GRAÇA é simplesmente um presente pessoal devido ao livre acesso a Deus por meio do DEFINITIVO sacrifício na Cruz feito por todos aqueles que não se submetem mais a pequenos sacrifícios diários como pagamento de vida eterna!

E quando se está na GRAÇA se escolhe andar/ser de maneira graciosa sem listas intermináveis de "pode isso e não pode aquilo" impostas e travestidas de "advertências" como se estivéssemos no Jardim da Infância.

Estamos sim, no Jardim Daquele que nada proíbe, mas que pelo imenso amor e misericórdia, nos dá oportunidades mil todos os dias, a cada respirar - e cá fora dos muros religiosos - para que exercitemos o bom senso, a compaixão, a solidariedade, os sentimentos que não sejam egoistas nem mesquinhos, afugentando para longe a verdadeira vaidade impressa nos corações cegos pelo legalismo.

No AMOR TATUADO NO CORAÇÃO e que não confunde,

Regina



Escute TUDO É VAIDADE de João Alexandre:

Vaidade no comprimento da saia, no cumprimento da lei

Vaidade exigindo prosperidade por ser o filho do Rei

Vaidade se achando a igreja da história

Vaidade pentecostal

Vivendo e correndo atrás do vento, tudo é vaidade

Vaidade juntando a fé e a vergonha chamando todos de irmãos

Vaidade de quem esconde a verdade por ter o povo nas mãos

Vaidade buscando Deus em si mesmo querendo fugir da cruz

Não crendo e sofrendo, perdendo tempo, tudo é vaidade

O falso "chamados apostolados" do lado oposto da fé

Dinheiro, saúde, felicidade aquele que tem contra aquele que é

Rádios, tvs, auditórios lotados ouvindo o evangelho da marcha a ré

A morte se esconde atrás dos templos

Tudo é vaidade

ONDE ESTÁ A HONRA DOS ORGULHOSOS?

A SABEDORIA MORA COM GENTE HUMILDE

LIBERDADE LIBERDADE...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Jesus milagreiro ou Jesus Redentor?




Lendo um texto  na C.P.F.G me atraiu o comentário de um amigo, o qual ouso transcrever abaixo por achar muito interessante a forma literária como ele coloca, além da riqueza de informação, claro. Afinal, cá pra nós... essa dobradinha há de ser perfeita para que meus dois neurônios consigam captar a mensagem (risos) Agradeço ao meu amigo Eduardo Medeiros e espero que haja sempre esse tipo de discussão pois as pessoas têm uma tendência ao VÍCIO, desviando-se do FOCO.



(...) Sabemos que o NT foi escrito em grego, mas o substrato do pensamento ali não é grego, e sim, aramaico ou hebraico.

Os Evangelhos refletem em tudo, o pensamento hebraico do AT. Por exemplo: Marcos e João começam com as palavras do Gênesis "No princípio". Mateus e Lucas também fazem várias referências ao Gênesis.

João, em todos os capítulos, reflete o espírito pousando sobre as águas...

"Água" e "Vida" são repetidos várias vezes: Bodas de Caná, o episódio da Samaritana, a piscina de Siloé, a lança do soldado que faz brotar água da ferida de Jesus.

João afirma explicitamente que Cristo é a criação e a palavra que cria!

Tudo isto é parábola, é símbolo.

Outro exemplo: O da ressurreição da menina relatado por Marcos (Filha de Jairo). O texto em aramaico diz "THALÍTA QÚMI" que é traduzido por "menina, levanta". É o próprio texto de Marcos que traduz a expressão para quem não sabia aramaico.

Mas a expressão vai muito além de "menina, levanta". THALITA, não significa propriamente, "menina", mas "ovelhinha". Logo, a tradução mais exata seria: "Ovelhinha, levanta". Thalita era uma palavra carinhosa, usada para crianças.

O povo hebreu tinha uma relação muito íntima com a ovelha: as ovelhas conheciam o som da flauta do pastor (Jesus vai dizer: "A ovelha conhece a voz do seu pastor”, o que já em si, é simbólico).

Se uma ovelha se extravia, o pastor não descansa até encontrá-la. A ovelha lhe dava lã - agasalho no inverno- e alimento. Isso criava um laço afetivo.

Na ressurreição da menina de 12 anos, esses elementos estão todos simbolicamente presentes: "Ovelhinha, levanta..."  O que também está ligado à parábola do Bom Pastor.

Jesus, como era corrente no seu tempo, usa a palavra "ovelhinha" para chamar carinhosamente a criança.

Tudo isso é muito mais poético, simbólico, com toda a riqueza que produz na alma, do que um fato cru de reportagem do noticiário das 8.

A mensagem aqui é a do pastor que dá a vida pela ovelha.

É a vida que volta e se levanta e sempre se renova.

Outro fator simbólico no texto é a idade da menina - 12.

Na antiguidade, o 12 é o número por excelência do sol (Talvez por que ao meio-dia, 12 horas, o sol está a pino no céu). 12 lembra o giro perpétuo do astro-rei no céu. É o símbolo da vida que sempre se renova.

Para todos os povos antigos, o número 12 retrata a vida, a ressurreição, a eternidade.

Egípcios, babilônicos, aztecas formularam sua filosofia olhando para o céu e para o sol.

O nome kleópatra nos hieróglifos tem 12 símbolos.

Temos as 12 tribos de Israel, os 12 apóstolos - simbolizando a geração perpétua do AT e do NT, os 12 cestos que sobraram na multiplicação dos pães...

Se nós compararmos esse texto com o relato da ressurreição de Dorkas por Pedro nos Atos, podemos ver uma correlação admirável.

Em Atos, a moça morta chamava-se em aramaico THABÍTA. Dorkas é grego. A narrativa segue praticamente todo o esquema do relato da ressurreição de Thalita por Jesus. É só ler e comparar.

Também há a frase: "Thabíta, levante-se". Thabíta vem da raiz hebraica TSEBÍ(beleza, esplendor...) e TSEBI (Gazela).
O paralelismo entre os dois textos é perfeito.

Até o som das palavras são parecidos: THALITA - THABITA. THALITA é criança, THABITSA é moça

Lucas quer mostrar a continuidade da obra de Cristo na Igreja que nascia, através de Pedro e dos discípulos. Cristo ressuscita a thalita(ovelha), Pedro ressuscita a Thabita (gazela).

A semelhança entre os dois relatos é perfeito demais! Um é o eco do outro.

E porque é assim?

Porque ambos os relatos são parábolas simbólicas que dizem muito mais do que a simples leitura literal poderia dizer. (Eduardo Medeiros).

-------------------------------------------------------------------

Sempre que vejo pessoas querendo se benefeciar e "usando" Jesus em proveito pessoal me vem à mente essa passagem espantosamente atual:

"Seguia-o da Galiléia UMA GRANDE MULTIDÃO. Também da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, SABENDO QUANTAS COISAS JESUS FAZIA, veio ter com ele.

Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem".

(Cf Mc 3: 7.8.9 - negritos e caps meus-RF)

 




segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cinderela e O Encontro Marcado

Nem parece... Mas foi há exatos 35 anos que ela decidiu ir a determinado baile na pequena cidade onde nasceu para encontrar-se com um belo príncipe que conhecera em outra cidade.

Curtindo os primeiros momentos do modo  leve e descontraído que lhe era peculiar. Com certa pitada de entusiasmo e curiosidade mas intuitivamente  livre de qualquer ansiedade.  Meio que adivinhando um bolo... Afinal o mais interessante de tudo naquela idade era aproveitar a festa com a auto-estima em alta de quem está com tudo e não tem pressa.

Não demorou muito  para acontecer algo que ela nunca sonhou e que, ironicamente, traçaria o seu destino para sempre. Sem poder jamais imaginar, seu coração estava prestes a ser arrebatado ao aproximar-se um rapaz que ela nunca havia visto e perguntando a velha e boa Quer dançar? Ela quis rir daquela cena, afinal já estava no meio do salão com algumas amigas... E dançando! Fazendo-se de engraçadinha e dando de ombros, continuou dançando de frente para ele, ora fazendo trejeitos para as amigas, divertindo-se com aquele cortejo sem saber que segundos depois iniciaria uma música que pedia um dançar juntinho.  Ela não se ligou que havia no ar uma espécie de conspiração para a investida daquele rapaz que nem era bonito, aliás, nem chegava perto da beleza do príncipe do bolo, mas tão silenciosamente envolvente e misterioso que causou-lhe magnetismo imediato, hipnotizando-a. Ainda que ela negasse a si mesma, disfarçando com inquietante indiferença levemente debochada. Bem típico de quem não sabe como lidar com o turbilhão de emoções completamente novas que está por vir.

Talvez por ter sido completamente diferente de todas as outras abordagens, aquela altivez e sutil auto-confiança a tenham fascinado e atraído tanto a sua atenção. Ainda mais com toda a casualidade empurrando-a para seus braços ao som da banda local tocando o que viria a ser a melodia* deles e que, para o resto da vida, se tornaria uma espécie de cúmplice daquele amor selado  com uma cena inusitada: o mais inesperado e inocente beijo depositado em sua testa e que marcaria para sempre o seu coração.

E por apenas alguns minutos esse encontro não caiu no dia exato do aniversário do rapaz tão charmoso . Ele até anunciou-lhe solenemente. Mas, ao olhar o relógio, disse brincando: foi ontem... já estamos no dia quatro. (O que não impediu, entretanto, que eles comemorassem todos os anos seguintes aqueles dois eventos especiais na mesma data)

Ela não sabia, mas naquele instante começava uma vida a dois.

Aquela meia noite se fez como marco zero de início de um novo dia em suas vidas. Sem sapatinho de cristal, pois de fino cristal era aquele amor que eles haveriam de regar todos os dias de suas vidas... Sem carruagem nem abóbora posto que a mágica se fez naquele encontro marcado que mesmo já passando muito da meia noite, nossa Cinderela lá permanecia contrariando o clássico literário, porém tão inocente e feliz quanto a do conto.

Uma Cinderela às avessas que por um acaso que é de Deus, conheceu o verdadeiro amor  vindo a saber o que é felicidade sem pressa e sem amarras.

Uma felicidade plena que só a entrega despretensiosa e incondicional podem proporcionar.

E que dura para sempre...






*Happy man <---clique aqui

Merely by chance

Very unsuspecting
You caught my heart
Unprotecting me
Now I've fallen in love with you

Just when I thought
Life was free and easy
You came along to me
Soft and breezy
Now I've fallen in love with you

(chorus)


And for the first time in my life
I know what it's like to be a happy man
Happy man
And for the first time in my life
You've given me something I can't understand
Now that I'm a happy man


Be with me now
Love me forever
Leaving you lady
Is something that I'd never do
I've fallen in love with you


All of my life it seems I have waited
Now I can say all these words I have stated are true
I've fallen in love with you
I've fallen in love with you

Tradução:

Rapidamente

Sem que eu desconfiasse
Você aprisionou meu coração
E me protegeu
Agora eu estou me apaixonando por você


Justo quando pensei
Estar livre e desempedido
Você veio a mim suave e calmamente
Agora eu estou me apaixonando por você
Me apaixonando por você


E pela primeira vez na minha vida
Eu sei o que é ser: Um homem feliz
E pela primeira vez na minha vida
Você tem me dado algo que posso entender
Como ser um homem feliz

Fique comigo agora
Me ame para sempre
Te abandonar é algo que jamais farei
Eu estou me apaixonando por você
Toda minha vida,parece que estive esperando
Agora posso dizer...todas essas palavras que eu me proibia
Eu estou me apaixonando por você....
 
 
 

sábado, 1 de maio de 2010

Uma cerveja antes do almoço...


Ontem me lembrei dessa música do saudoso Chico Science ao receber o convite para segurar vela no almoço de comemoração de cinco anos de namoro de meu filhote caçula. E não pense que me fiz de rogada nem preparei discurso do tipo, “vou nada, sogra só atrapalha”. Apenas perguntei em tom maroto se eles estavam certos daquilo, mas em seguida corri para me produzir e algum tempo depois lá estávamos os três sentados olhando o mar e tomando uma gelada na antessala enquanto aguardávamos esvaziar uma mesa.

E, diga-se de passagem, que hoje em dia isso se tornou mais raro na minha vidinha pacata e caseira, embora ao mesmo tempo seja inevitável a feliz comparação/lembrança, pois não há nada mais interessante do que sair de casa para um evento assim por querer, por vontade, porque você mesmo escolheu ir, de maneira leve e agradável, e não por ter que obedecer a uma agenda social pesada e forçada. Muitas vezes uma agenda que nem é sua e que torna esses tais almoços executivos terrivelmente indigestos. Blergh!

E aquele momento super agradável me fez refletir o quanto é saudável e prazeroso bebericar uma cerveja geladinha em espera aconchegante, com gente circulando, principalmente em silêncio; pois bora combinar que não há nada mais neurótico do que almoçar nessas tais praças de alimentação de shoppings. Nada contra as praças em si, mas aquele barulho ensurdecedor que você sabe que está ali instalado mas não sabe de onde vem ao certo, é de tirar o apetite de qualquer um. Ah, já sei rss, vou lançar a idéia de plaquinhas com dizeres alusivos a isso, já que esses lugares se tornaram nosso espaço de refeição mais corriqueiro.

Enfim, aquele local era especial para aquele casal porque era um dia especial!

Enquanto conversávamos bobagens sem o menor sinal de pressa, aproxima-se o garçon em seu gesto habitual perguntando se queríamos uma cerveja, e eu que estava um tanto distraída em relação a isso, achei ótima a dica.

Olhei para o casalzinho lindo e perguntei:

- Bora?! – e complementei cantarolando - Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor...

E ali, tomando nossa geladésima, conversamos amenidades, encontramos pessoas conhecidas, com as quais trocamos rápidos e amigáveis abraços e beijos sociais entre palavrinhas expressas ora com um, ora com outro que fosse se aproximando... Ou não!

Falando nisso...

Esse mundo é mesmo um ovo. É sair de casa e esbarrar em gente conhecida. De político a parente de ex-marido, de ex-vizinha de prédio a colega de academia das antigas, tudo em um mesmo lugar no mesmo espaço de tempo, chega a ser até engraçado.

Mas a cerveja antes do almoço...

Então me veio à lembrança de maneira muito forte, o momento especial dos domingos da minha infância e adolescência, quando meu pai tomava sua cervejinha antes do almoço... Para então passar o resto da tarde tirando a boa e merecida soneca!

Nunca vi uma pessoa pra gostar tanto de uma bebida como ele gostava de cerveja e ao mesmo tempo “saber beber”. Havia uma cota e esta ele não ultrapassava, de forma elegante e natural e jamais por qualquer regra ou algum sistema externo que coibisse (risos) Era interno mesmo. Pois ele bem sabia de seus gostos, suas porções... E suas limitações! E bem sabia usá-los como ninguém!

Ele bem sabia...  e beeeem antes do Sience: uma cerveja antes do almoço é muito bom!



quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sal demais = pressão alta


"Hoje levantei e, como sempre, caí de joelhos, numa prolongada oração. Nela, apresentei minha família, numa intercessão poderosa, falei em línguas e então, passados quarenta minutos, fui ao banheiro, escovar os dentes e tomar banho, sem expôr minha nudez. Em nenhum momento deixei de cantar louvores e entoar os hinos da harpa.

Tomei meu café, não antes de orar, e repreendi meus filhos – que tirei da cama bem cedo para me acompanhar em minhas orações e tomar o desjejum matinal – por não ter orado da forma correta, sem a reverência necessária para o ato.

Com ósculo santo, saudei minha família e saí, sempre com louvor em meus lábios, bendizendo o nome do Senhor.

Não demorou para que eu encontrasse um necessitado, um pobre moço que as drogas vinha destruindo, e com minha oração de poder e minha vida consagrada, pus minhas mãos sobre sua cabeça e o libertei das mãos do inimigo, instantaneamente. O rapaz levantou naquele momento e nunca mais tocaria em qualquer tipo de droga ou álcool. As dívidas contraídas com a droga foram instantaneamente esquecidas pelos traficantes, e a família esqueceu todo o prejuízo e decepção, confiando no milagre da oração(estranhamente, eles, os pais, também são crentes).

Continuei meu caminho, o hino de vitória estava em meus lábios, e ao me ver passar diante do bar, os bêbados e prostitutas desviaram o olhar, diante de um legítimo servo do Reino, portador da Verdade Celestial.

Um guincho alto, um baque seco, não percebi o enorme ônibus que me acertou.

Não sei quanto tempo estive apagado, mas despertei numa estranha realidade. Foi então que o vi. Ele resplandecia. Sabia que aquela forma humana era o jeito mais fácil para compreende-lo:
- Senhor, és tu?

- Pois não, Zé...

- Sou um de seus salvos, ó Jesus?

- Sim... vamos indo...

- Mas senhor... em teu nome vivi minha vida...

- Eu sei, Zé...eu vi...

- Por isso sou salvo, ó Filho de Deus?

- Não... Você está na eternidade porque Eu disse que te traria... - disse o Mestre, andando na frente. Parecia impaciente.

- Senhor! Tu pareces aborrecido com algo. Serei eu, ó t-o-d-o p-o-d-e-r-o-s-o?

- Sabe o que é? - disse Jesus, o encarando

- Falais, ó c-r-i-a-d-o-r d-o-s u-n-i-v-e-r-s-o-s...

- Tu é chato pra caramba... "Vamo" “bora” logo...

O excesso de sal é tão ruim quanto a falta, embora o problema do excesso seja a complicação de dessalinizar: As pessoas sabem que o contato com você, sal da terra, só serve para lembrar o quanto é ruim estar em contato com sua ladainha.

Tentar mostrar uma vida da forma relatada acima é tão ruim (e ilusória) quanto viver sendo um pecador ininterrupto. Não se consegue, por mais que se garanta o contrário".




Título original ----> Muito Sal - por Zé Luís

(Grifos meus-RF)




terça-feira, 27 de abril de 2010

O que você vai ser quando você crescer...



Não costumo radicalizar diante das sandices que vejo pela frente no meu cotidiano, mas tem certas coisas que não dá pra passar em branco e eu acabo caindo na rede do tema recorrente.

Na boa, eu não consigo entender esse lance de cartilha espiritual determinada pela “igreja”!

Está além - ou aquém rss - do meu entendimento, dos meus conhecimentos, da minha sensibilidade, enfim, da minha cabecinha livre, essa antipática listinha de advertências como receita infalível de doutrina da casa que certas denominações religiosas insistem em divulgar acreditando ingenuamente que seus colonizadores códigos funcionam e que assim vão conseguir monopolizar as mentes empurrando “ensinamentos” goela abaixo de seus jovens seguidores. Como se estes não fossem seres pensantes e não tivessem acesso às Escrituras livremente, e ainda como se não houvesse esse fácil acesso a outras literaturas excelentes que fazem coisas incríveis em nossas mentes, principalmente no que se refere ao estímulo de escolhas criteriosas e pessoais como acontece, por exemplo, com as facilidades oferecidas pelo ambiente virtual.

Reproduzindo o que falei ontem em outro blog sobre a inquietação tola que têm alguns dominadores religiosos com essa disseminação dos blogs apologéticos cristãos, eu vejo esse tipo de derramamento literário de forma extremamente otimista posto que benéfico com suas variedades, estilos literários próprios e abordagens bem intimistas, daí apresentar-se como uma excelente oportunidade para se desenvolver hábitos saudáveis de leitura que visem estimular cada vez mais o senso crítico levando a pessoa a filtrar aquilo que é de qualidade e que, de fato, vai ajudá-la de maneira saudável e criativa.

Cabe aqui o que eu pesquei dias atrás ali no blog de um amigo, a frase atribuída a Mário Quitana: “Eu não tenho paredes, só tenho horizontes”.

É simplesmente maravilhoso fazer parte dessa diversidade literária de alcance extremamente fácil. Acesso esse, que aproximando as mais diversas culturas, as mais diversas crenças e faixas etárias é realizado com simples toques de dedos que nos introduzem em mundos infindáveis que vão muito além dos muros religiosos botando qualquer cartilhazinha obsoleta no bolso. (Se é que um dia ela esteve atualizada).

Entretanto – e por outro lado - fazendo uma referência mais contundente a essa versão gospel de bula papal chumbada, eu não vou entender nunca essa história de que a igreja tem o papel de educar nossas crianças, nossos adolescentes. Ora, esse papel, essa BASE, pertence à família. Aliás, esse é o primeiro ministério que cabe unicamente à família. Esse é o LEGADO verdadeiro dos pais aos filhos. Os pais que transferem essa sua OBRIGAÇÃO para outro, seja quem for, estão sendo levianos, posto que essa transferência equivocada traz sérias consequências danosas à mente da criança.

E é claro que não há nada que entortamos que Deus não conserte, mas a base cabe a nós adultos, e foi Ele quem nos deu essa responsabilidade.

Muita confusão e crendice religiosa poderiam ser evitadas na cabecinha inocente de uma criança - arrastando-se desnecessária e pesadamente em sua alma até mesmo na sua vida adulta - se parássemos de delegar a outrem um papel exclusivo, INTRANSFERÍVEL.

É dentro de casa – E na prática! - que as crianças precisam aprender sobre o poder de Deus!

É em casa que acontece a autodisciplina diária e é ainda em casa que se conhece a obra de Deus, através da história do povo de Deus e da Palavra (O relato inspirado da vida de Jesus).

Para isso, faz-se necessário algo muito simples mas extremamente necessária e urgente: que os pais saiam dessa preguiça mental e assumam de volta essa função que é SUA.



“Ensina a criança no caminho em que deve andar,
e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”
(Provérbios 22.6)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A FESTA DE BABETTE - Uma parábola da GRAÇA





Em ambiente triste, uma pobre aldeia de pescadores no litoral da Dinamarca, uma localidade de ruas lamacentas e cabanas cobertas de palha - um ministro da Palavra de Deus, já idoso e de barbas brancas - liderava um grupo de crentes de uma austera seita luterana.

Todos usavam roupas pretas e os poucos prazeres mundanos eram condenados.

Sua alimentação consistia em bacalhau cozido e uma papa feita de pão escaldado em água enriquecida com um borrifo de cerveja.

Aos sábados, o grupo se reunia e cantava hinos a respeito da Nova Jerusalém, verdadeiro lar, indicando que a vida na terra era apenas tolerada como um meio de chegar lá.

O velho pastor, um viúvo, tinha duas filhas adolescentes: Martine, chamada assim por causa de Martinho Lutero, e Philippa, por causa do discípulo de Lutero, Philip Melanchton.

Os habitantes da vila costumavam ir à igreja apenas para se deliciar com a presença das duas, cuja radiante beleza não podia ser ocultada, por mais que elas se esforçassem nesse sentido.

Martine captou os olhares de um jovem e arrojado oficial da cavalaria.

Quando ela, obstinadamente, resistiu às suas investidas — afinal, quem cuidaria de seu velho pai? — ele foi embora para se casar com uma dama de companhia da rainha Sofia.

Philippa, além de bela, possuía a voz de um rouxinol.

Quando ela cantava a respeito de Jerusalém, visões reluzentes da cidade celestial pareciam surgir.

E aconteceu que Philippa conheceu o mais famoso cantor de ópera daquele tempo, o francês Achille Papin, que estava passando uns dias no litoral por causa da saúde.

Certo dia, durante uma de suas caminhadas matinais ouviu, para sua grande admiração, uma voz digna da Grand Opera de Paris.

"Deixe-me ensiná-la a cantar de maneira certa", ele insistiu com Philippa, "e toda a França vai cair a seus pés. A realeza vai fazer fila para conhecê-la, e você vai andar de carruagem puxada por cavalos para jantar no magnífico Café Anglais ".

Lisonjeada, Philippa consentiu em tomar algumas lições, mas apenas algumas.

Cantar a respeito do amor a deixava muito agitada e, culminou quando, ao som de uma ária de Don Giovani, Achille Papin a enlaçou em seus braços, roçando-lhe os lábios nos seus;foi então que ela angustiou-se com a certeza de que estes novos prazeres precisavam ser abandonados.

Seu pai escreveu um bilhete dispensando o jovem de todas as futuras lições, voltando este a Paris, com muita tristeza na alma.

Passaram-se quinze anos, e muita coisa mudou na vila.

As duas irmãs, então solteironas de meia-idade, tentaram continuar com a missão do falecido pai, mas, sem a sua séria liderança, a seita decaiu.

Um irmão tinha queixas de outro por causa de algum negócio.

Espalharam-se boatos de que havia um caso de sexo ilícito há trinta e dois anos envolvendo duas pessoas da comunidade. Duas velhas senhoras não se falavam há uma década.

Embora a seita ainda se reunisse aos domingos e cantasse velhos hinos, apenas um punhado de pessoas se davam ao trabalho de ir, e a música havia perdido o seu entusiasmo.

Apesar de todos esses problemas, as duas filhas do ministro continuaram fiéis, organizando os cultos e escaldando pão para os anciãos desdentados da vila.

Uma noite, chuvosa demais para que alguém se aventurasse pelas ruas lamacentas, as irmãs ouviram fortes batidas na porta.

Quando a abriram, uma mulher caiu desmaiada. Elas a reanimaram e descobriram que ela não falava dinamarquês. Ela lhes entregou uma carta de Achille Papin.

Ao ver aquele nome, Philippa enrubesceu, e sua mão tremia enquanto ela lia a carta de recomendação. Seu nome era Babette.

"Babette sabe cozinhar", dizia a carta.

Ela havia perdido o marido e filho durante a guerra civil na França. Com a vida em perigo, tivera de fugir e Papin lhe arranjara uma passagem em um navio com esperança de que essa aldeia lhe demonstrasse misericórdia.

As irmãs nunca tiveram uma empregada nem tinham dinheiro para pagar Babette .

Além do mais, desconfiaram de sua arte — os franceses não comiam cavalos e rãs?

Mas, por meio de gestos e súplicas, Babette amoleceu o coração delas.

Ela poderia fazer alguns serviços em troca de quarto e comida.

E assim, durante os doze anos seguintes Babette trabalhou para as irmãs.

A primeira vez que Martine mostrou-lhe como cortar um bacalhau e cozinhar a papa, as sobrancelhas de Babette se elevaram e o seu nariz enrugou um pouco, mas nunca questionou suas tarefas. Ela alimentava os pobres na cidade e assumiu todas as tarefas domésticas.

Até ajudava nos cultos de domingo.

Todos concordavam que Babette trouxe nova vida à estagnada comunidade.

Como Babette nunca se referia ao seu passado na França, foi uma grande surpresa para Martine e Philippa quando, um dia, depois de doze anos, ela recebeu a primeira carta.

Babette a leu, viu as irmãs de olhos arregalados e anunciou de maneira natural que uma coisa maravilhosa lhe havia acontecido.

Todos os anos um amigo em Paris renovava o número de Babette na loteria francesa. Nesse ano, o seu bilhete fora premiado. Dez mil francos!

As irmãs apertaram a mão de Babette, parabenizando-a, mas lá no fundo seus corações desfaleceram. Sabiam que logo ela iria embora.

A sorte grande de Babette na loteria coincidiu com o momento em que as irmãs estavam discutindo sobre a celebração de uma festa em homenagem ao centenário do nascimento de seu pai.

Então, considerando que em doze anos nunca lhes pedira nenhum favor, Babete lhes fez um pedido.

-“Quero cozinhar uma verdadeira refeição francesa para a comemoração de aniversário"

As irmãs tiveram que concordar embora tivessem sérias dúvidas a respeito do plano de Babette.

Quando o dinheiro chegou da França, Babette fez uma rápida viagem para providenciar os arranjos para o jantar. Nas semanas que se seguiram à sua volta, os habitantes daquela pequena vila foram surpreendidos com a visão de vários barcos ancorados descarregando provisões para a cozinha de Babette. Trabalhadores empurravam carrinhos de mão cheios de gaiolas com pequenas aves. Caixas de champanhe — champagne! — e vinho logo se seguiram.

A cabeça inteira de uma vaca, vegetais frescos, trufas, faisões, presunto, estranhas criaturas que viviam no mar, uma imensa tartaruga ainda viva mexendo a cabeça como a de uma cobra de um lado para o outro — tudo isso acabava na cozinha das irmãs agora firmemente dirigida por Babette.

Martine e Philippa, alarmadas com os preparativos que mais pareciam de bruxa, explicavam a embaraçosa situação aos membros da seita, agora apenas onze pessoas, velhas e grisalhas e como todos manifestavam simpatia por elas, acabaram concordando em comer a refeição francesa, fazendo o pacto de silenciar-se para não constranger a cozinheira com sua culinária exótica.

As irmãs ficaram satisfeitas ao saber que um hóspede inesperado se juntaria a elas: a senhora Loewenhielm, de noventa anos de idade, acompanhada de seu sobrinho, o oficial de cavalaria que havia cortejado Martine tempos atrás, e agora era general no palácio real.

Babette havia conseguido louças e cristais, e havia enfeitado o recinto com velas e coníferas deixando a mesa bastante ornamentada.

Quando a refeição começou os habitantes da aldeia se serviam mudos, lembrando-se do pacto.

Apenas o general comentou a comida e a bebida. "Amontillado!", ele exclamou quando levantou o primeiro copo. "É o mais fino Amontillado que já provei."

Quando experimentou a primeira colherada de sopa, o general poderia jurar que era sopa de tartaruga, mas como se acharia tal coisa no litoral da Jutlândia?

"Incrível!", disse o general quando experimentou o próximo prato. "É Blinis Demidoff!"

Todos os outros convidados, com faces franzidas por profundas rugas, estavam comendo as mesmas delicadezas raras sem nenhuma expressão ou comentário.

Quando o general entusiasmado elogiou o champanhe, um Veuve Cliquot 1860, Babette ordenou ao seu ajudante de cozinha para manter o copo do general cheio o tempo todo. Apenas ele parecia apreciar o que estava diante dele.

Embora ninguém mais falasse a respeito da comida ou da bebida, gradualmente o banquete operou um efeito mágico sobre os habitantes da aldeia.

O seu sangue esquentou. Suas línguas se soltaram. E eles falaram dos velhos dias quando o pastor estava vivo e do Natal em que a baía congelou.

O irmão que havia enganado o outro nos negócios finalmente confessou, e as duas mulheres que tinham uma rixa acabaram conversando.

Uma mulher arrotou, e o irmão ao seu lado disse sem pensar: "Aleluia!".

O general, entretanto, não conseguia falar de nada além da comida.

Quando o ajudante da cozinha trouxe o coup de grâce, codornizes preparadas em Sarcophage, o general exclamou que vira tal prato apenas em um lugar na Europa, no famoso Café Anglais em Paris, o restaurante que já fora célebre por ter uma mulher como chefe-de-cozinha.

Cheio de vinho, o apetite satisfeito, incapaz de se conter, o general levantou-se para fazer um discurso, assim iniciando:

"A misericórdia e a verdade, meus amigos, se encontraram".

"A justiça e a bem-aventurança se beijaram."

Embora os irmãos e as irmãs da seita não compreendessem totalmente o discurso do general, naquele momento "as vãs ilusões desta terra se dissolveram diante de seus olhos como fumaça, e eles viram o universo como ele realmente era".

O pequeno grupo se desfez e saiu para uma cidade coberta de neve brilhante sob um céu recoberto de estrelas.

A "Festa de Babette" termina com duas cenas.

Lá fora, os velhos se dão as mãos ao redor da fonte e cantam entusiasmados os velhos hinos da fé.

É uma cena de comunhão: a festa de Babette abriu o portão e a graça entrou silenciosamente.

Eles sentiram, acrescenta a autora, "como se realmente tivessem os seus pecados lavados e tornados brancos como a lã, e nessas vestes inocentes recuperadas faziam brincadeiras como cordeirinhos travessos".

A cena final acontece lá dentro, na bagunça de uma cozinha cheia até o teto de louça para lavar, panelas engorduradas, conchas, carapaças, ossos cartilaginosos, engradados quebrados, cascas de vegetais e garrafas vazias. Babette senta-se no meio da bagunça, parecendo tão desgastada quanto na noite em que chegara doze anos antes. Subitamente, as irmãs percebem que, de acordo com o seu voto, ninguém havia falado com Babette a respeito do jantar.

— Foi um jantar e tanto, Babette — Martine diz para começar. Babette parece distante. Depois de um minuto ela responde: — Eu era a cozinheira do Café Anglais.

—Todos nós vamos nos lembrar desta noite quando você tiver voltado para Paris, Babette — Martine acrescenta, como se não a tivesse ouvido.

Babette lhes diz que não vai voltar para Paris. Todos os seus amigos e parentes ali foram mortos ou feitos prisioneiros. E, naturalmente, seria muito caro voltar para Paris.

— Mas e os dez mil francos? — as irmãs perguntam.

Então Babette deixa cair a bomba. Ela havia gasto tudo, cada franco dos dez mil que ganhara, na comida que haviam acabado de devorar. — Não se assustem — ela lhes diz. — É isso que um jantar adequado para doze custa no Café Anglais.

No discurso do general, Isak Dinesen não deixa dúvidas de que ela escreveu "A Festa de Babette" não apenas como uma história a respeito de uma excelente refeição, mas como uma parábola da graça: um presente que custa tudo para o doador e nada para o que recebeu. Isto é o que o General Loewenhielm disse aos carrancudos paroquianos reunidos ao redor da mesa de Babette:

Todos nós fomos informados de que a graça deve ser buscada no universo. Mas em nossa loucura humana e nossa visão reduzida imaginamos que a graça divina seja finita... Porém, chega o momento em que nossos olhos são abertos, e vemos e entendemos que a graça é infinita. A graça, meus amigos, não exige nada de nós a não ser que a aguardemos com confiança e a reconheçamos com gratidão.

Doze anos antes, Babette aparecera entre aquelas pessoas desprovidas de graça.

Discípulas de Lutero que ouviam sermões a respeito da graça quase todos os domingos e no restante da semana tentavam obter o favor de Deus com a sua piedade e renúncia, a graça veio até elas na forma de uma festa, a festa de Babette, por meio de uma refeição desperdiçando uma vida inteira sobre aqueles que não a haviam merecido, que mal possuíam a faculdade de recebê-la.

A graça veio àquela vila como sempre vem: livre de pagamento, sem cordas amarradas, como oferta da casa.

Fragmento extraído de "Maravilhosa Graça" de Philip Yancey, A FESTA DE BABETTE é uma história de Karen Blixen, que tornou-se um clássico respeitado depois de ser transformado em filme na década de 80. Com o psudônimo de Isak Dinesen, situou sua história na Noruega, mas os cineastas dinamarqueses mudaram o local para essa aldeia de pescadores.

domingo, 25 de abril de 2010

ADORAÇÃO




Já faz muito tempo que eu venho intrigada com uma expressão que algumas pessoas insistem em dizer que não se usa, a não ser com Deus. E nem precisa entrar na questão etimológica da palavra nem euzinha perder meu verbo rss pra traçar aqui o perfil religioso da pessoa que assim raciocina, atribuindo ao diabo suas próprias leviandades.

E falando em verbo, a palavra é... ADORO!

Tais pessoas pararam no tempo. Não percebem que os vocábulos não são algo fixo MAS dinâmicos e variáveis.

Existe um mecanismo chamado polissemia cuja função é “despertar essa possibilidade de aproveitamento expressivo de certos vocábulos, ao mesmo tempo em que pode provocar ambiguidade”, adquirindo nova roupagem à medida que as coisas acontecem e conforme o contexto e ambientação.

E olha só: isso não tem nada a ver com “a natureza imutável de Deus”, portanto eu já advirto numa boa aos xiitas de plantão que não me venham com essa. Pois me lembro de certa feita quando conversávamos em um ambiente virtual e alguém usou a expressão “sou fã de fulano de tal” e aí não deu outra. Entrou um desses fundamentalistas ferrenhos (redundância he he he) despejando sua verborragia a respeito de fanatismo que chegou a ser hilário. Ai, mas também cansa a beleza, bora combinar rss

Portanto, nessa nova roupagem devidamente permitida, de repente o termo ADORAR nada mais é do que uma ênfase para algo que se gosta muito, só isso. Proponho que saiamos dessa casca grossa, dessa neura espiritual, que raciocinemos e vejamos que não é nada ligado à idolatria e unicamente uma força de expressão.

Dá dó de ver crianças inocentes e já bitoladas por ensinamentos engessados sendo castradas em sua forma mais pura de expressar-se. Quantas vezes observo algumas delas conversando animadamente sobre algo próprio de suas idades e com a empolgação idem... Aí no meio da conversa pueril deixam escapar um “adoro” sem querer e imediatamente põem a mão na boca e, repreendendo-se, acrescentam inocentemente a REPETIÇÃO de meras palavras que lhe foram repassadas sem nenhuma explicação mais ampla, recitando algo do tipo:

-“Eita, adoro, não. Adorar só a Deus”.

E assim nossas crianças vão deixando de ser espontâneas, tornando-se um dia as adultas dissimuladas e equivocadas que acreditam no poder sobrenatural de meras palavras em detrimento do que se passa realmente no seu coração.

Por outro lado...

De fato, não há dúvida: adorar só a Deus. De todo coração. De toda a alma. Todas as forças. Todo o entendimento.

Sim, está escrito! (Lucas 10.27)

Observar - e praticar! - o TODO, e não parcialmente. Mas aí as pessoas se permitem algumas parcialidades fugidias (Escapatórias bem escondidinhas aqui e ali longe do campo de visão do líder da igreja, claro! Como se ele não agisse assim também...), alguns subterfúgios... Enfim, pequenas idolatrias fragmentadas, alimentadas e realimentadas lá no fundinho do coração e praticadas no cotidiano de forma que as denunciam escancaradamente e que não há como esconder de todo mundo e ainda que elas não VERBALIZEM essa ADORAÇÃO.

Essa idolatria é muda e sutil, que mascarada e dispensando qualquer ênfase ou "superlativo" verbal,  vai substituindo o Deus verdadeiro e promovendo um auto-engano terrível no qual se diz da boca pra fora que é Ele quem comanda a vida PORÉM no coração/ação  honra a outros pequenos deuses.

Quantos de nós bate na boca para não expressar por meio de palavras o culto paralelo que rendemos todos os dias a nossos pequenos deuses interiores:

- “Adoro bolos e doces”

- “Adoro minhas coisas pessoais”

- “Adoro meu carro”

- “Adoro minha vidinha egoísta”

- “Adoro meu quadrado e que ninguém ousa pisar”

Adoro, adoro, adoro... E assim caladinho e alimentando essas pequenas idolatrias não confessadas oralmente, segue-se dizendo adorar só a Deus (Mas que deus é esse?!) pisoteando e provocando discórdia, tristeza e desentendimentos.

É só raciocinar um pouco e parar pra pensar, não precisa ser muito inteligente, não. Basta estar disposto a acertar. Afinal vivemos todos em constante processo de aprendizagem.

E refletir:

Se eu afasto as pessoas, se eu provoco decepção nos corações das pessoas, se eu as entristeço com o excessivo e constante uso mudo e gritante do pronome possessivo MEU, então que Deus é esse que eu tanto ADORO?

É disso que estou falando: desse sentimento de POSSE, desse apego exagerado (outra redundância rss) às coisas, e que provocam estragos bem maiores do que meras palavras. Essa é a ambiguidade perigosa e diabólica.

Ora, quem quiser falar da natureza imutável de Deus, fale do único culto que a Ele importa.

E fale que não existe nenhum altar de culto FORA DO AMOR AO PRÓXIMO!

Pois este é o segundo mandamento que, diga-se de passagem, engloba todos os outros referentes ao relacionamento com DEUS E COM O OUTRO.

Essa é a verdadeira adoração: em espírito e em verdade. (João 4.4)

O mais é acréscimo de homens que - para seguirmos sua pretensiosa e castradora cartilha religiosa - mascaram a verdadeira vontade de Deus para nós:

Que nos reconciliemos com Ele, com nós mesmos e com cada um de nós por meio do sacrifício definitivo feito na CRUZ.



E eis que certo homem, intérprete da Lei,
se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe:

Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Então Jesus lhe perguntou:

Que está escrito na Lei? Como interpretas?

A isto ele respondeu:

Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração,
de toda a tua alma, de todas as tuas forças
e de todo o teu entendimento;

e:

Amarás o teu próximo como a ti mesmo”

(Cf Lucas 10: 25 a 27)