"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acerca do pecado...




Doutrinas que afirmam que o verdadeiro cristão nunca peca e se pecar é porque nunca nasceu de novo, não são bíblicas. Trata-se de um conceito muito limitado de pecado e só afirma isso quem não conhece a santidade de Deus e a natureza humana. Sem falar que é o cúmulo da hipocrisia.
Limitado apenas à área do comportamento moral sexual, diz que, se o irmão ou a irmã não adulteram e não se prostituem, então estes não pecam.  - Esse era o princípio que governava a estreiteza do conceito de pecado dos fariseus. No entanto, Jesus jamais acusou o “comportamento moral” deles, mas o que eles tinham “dentro de si” (Ler Mt. 23).
Do ponto de vista da palavra de Deus o conceito de pecado cobre um campo vastíssimo, e, não apenas a área do comportamento moral-sexual.
Há o pecado onde se peca por OMISSÃO. (Mt: 25: 41-46).
Pois quem é que não deixa de fazer o bem? Você nunca deixa de fazer o bem? Pelo amor de Deus, seja honesto! Leia Isaías 58.6-10 e reflita se você faz tudo aquilo que Deus diz que espera que você não deixe de fazer.
Há o pecado onde se peca por MOTIVAÇÃO.
Neste ponto aparecem todas aquelas coisas que “brotam de dentro do coração e contaminam o homem: maus desígnios (você nunca pensa mal de ninguém?), a prostituição (nunca passa pensamento impuro na sua mente? Ou será que nem de “brincadeira” você nunca sentiu “inveja” dos tempos bíblicos nos quais não era um problema “Moral” um homem ter mais de uma mulher?), os furtos, os homicídios,  os adultérios (que são antes de tudo motivacionais; Mt. 5.27-28), a avareza (que está presente no coração da maioria dos crentes de posses), as malícias (aqui então nem se fala), o dolo (ou segunda intenção nas ações), a lascívia (que é o apetite sexual pelo próximo, e que devaneia nessa viagem mental), a blasfêmia (que começa no espírito de murmuração, passa pelas doutrinas erradas e pode chegar ao cúmulo de afrontar a Deus), a soberba (que é o que habita em maior ou menor grau todos os corações humanos, especialmente o dos lideres religiosos), a loucura (que aqui não é doença mental, mas a presunção de pensar de si além do que se deve).
“Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”.
Jesus põe todos os males dentro da mesma fonte (o coração), e aumenta muito a extensão do pecado que nasce da motivação: vem de dentro e vai do desejo maligno à morte do próximo. Nesta lista temos as motivações sexualmente impuras bem como há pecados do pensamento, da língua, do mau uso do dinheiro, da “esperteza”, da inveja e outros males que só Deus conhece. Quem pode dizer, diante de Deus, que está “acima” destes dramas da carne, da alma e do espírito?
Há os pecados que se peca por COMISSÃO.
Tais pecados são tão violentamente fortes e profundos que Isaías sabia que ninguém escapa deles: são os pecados que se peca por se fazer parte da engrenagem da injustiça no mundo: “Ai de mim! Estou perdido! porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Is. 6.5)
No entanto, a fim de que se saiba da existência de tal pecado, nossos olhos têm que ter visto o Santo. Aqueles que nunca ficaram cara a cara com a Santidade dAquele que é Santo, Santo, Santo, é que ousam pensar que não pecam também por comissão.
É também por causa de tal percepção que Daniel e Neemias confessam os pecados deles e os do povo ( Ne. 1.7; Dn. 9.5 ). Neste sentido, a própria doutrina da chamada Quebra de Maldições, implica, como “princípio”, na idéia do pecado por comissão: o pecado de outros pode cair sobre os descendentes. Ou seja: muitas vezes os descendentes experimentam os “efeitos e consequências históricas” naturais dos erros de seus antepassados. Mas não há um carma inquebrável nisto.

Há os pecados que se peca por AÇÃO.
Neste ponto a Bíblia é farta. No meio cristão tem-se relacionado tais pecados apenas à área sexual. E é por esta razão que nós temos empresários que não vão para a cama com suas secretárias, mas que fazem da sonegação o grande negócio de suas empresas e que exploram os seus empregados sem nenhuma convicção de pecado.
É também pela mesma razão que há líderes religiosos pregando que não pecam (porque nunca cometeram adultério na prática), enquanto “derrubam” um colega através de “manobras piedosas” cuja malícia, às vezes, não se encontra nem entre os políticos ateus. Aqui devemos incluir aquilo que a Bíblia chama de pecados da acepção de pessoas. E deste pecado nenhum de nós se livra. Quem de um modo ou de outro não faz acepção entre pessoa e pessoa, entre ser humano e ser humano, entre um grande líder e um outro que preside algo muito mais inexpressivo? (Tg. 2.1-13).
Há pecados que se peca COM A LÍNGUA.
Quando se chega a esta dimensão do pecado aí então é que ninguém fica de pé. É um “comentário piedoso” aqui, é uma “afirmação precipitada” ali; é um “juízo de valores” a respeito de alguém a quem não se conhece e a quem se atribui coisas que jamais passaram pela cabeça de tal pessoa. (Tg.3.1-12; 4.1-12). Só um mentiroso inveterado tem a coragem de dizer que não peca, eventualmente, com a língua.
Há o pecado ESSENCIAL.
É deste pecado que Paulo fala em Romanos 7.7-25. Muita gente tenta negar que tal pecado fosse algo presente na vida de Paulo. Eles dizem que Paulo se referia ali ao período anterior à sua conversão. No entanto, os que assim fazem, violentam todos os tempos verbais do texto: Paulo fala do passado do verso 7 ao 13. No verso 14 ele diz: “a Lei é boa, eu, todavia, sou carnal”. No verso 15 ele diz: “porque nem mesmo compreendo meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e, sim, o que detesto”. Nos versos 16 a 23 ele continua usando os verbos no presente. Surge então a chocantíssima exclamação do verso 24: “Desventurado homem que sou!” A conclusão é gloriosa: “Graças a Deus por Jesus Cristo”.
Na sequência, ele afirma que a Graça o salvou da condenação do pecado, deu a ele um novo pendor, mas não tirou dele as ambiguidades naturais de sua essência pecaminosa (7: 25; 8: 1-17), tendo dado a ele recursos para subjugá-la no nível do “comportamento”, ainda que a luta “motivacional” continuasse” (7:25); a qual, só será totalmente “retirada” de nós quando “este corpo mortal for absorvido pela vida” (I Co. 15.35-53).
Todos aqueles que possam ter ainda alguma dúvida acerca da gravidade e da extensão da lista das coisas que Deus chama pecado deveria apenas ler Colossenses 3.5-9:
“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição (pecado sexual), impureza (pecado sexual), paixão lascívia (pecado sexual-mental), desejo maligno (pecado motivacional), e a avareza, que é idolatria (atitude econômico-financeira; pecado social).
“Agora, porém, igualmente, despojai-vos de tudo isto: ira( que na maioria das vezes dorme conosco), indignação ( que é o “rompante” de raiva que acontece demais na cozinha, no quarto, ou no trabalho), maldade (que é disposição de fazer algo que vai prejudicar alguém). maledicência (que é a maior desGraça da experiência humana e cristã), linguagem obscena do vosso falar (que é o uso impróprio da linguagem).
“Não mintais uns aos outros” (infelizmente, algo mais comum que a verdade no meio cristão). Tiago e João também são veementes com relação a todos os dois extremos da doutrina do pecado.
Há os que dizem: “a nossa natureza é caída mesmo, logo não adianta fazer nada a respeito”. A esses eles dizem: “A fé sem obras é morta” (Tiago 2.17); ou: “Aquele que diz que permanece nele, deve também andar assim como ele andou”; ou: “todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu”; ou: “aquele que pratica o pecado procede do Diabo”(I João 2.3;3.8).
Há outros que dizem: “já que eu sou nascido de novo, então isto significa que eu tenho poder para não pecar mais”. A esses Tiago e João dizem: “Pois, qualquer que guarda toda Lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2.10); ou: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”; ou ainda: “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós”  ( I João 1.7-10).
O EQUILÍBRIO BÍBLICO é aquele que diz:
“Eu sei que sou um pecador que foi redimido pelo sangue de Jesus, mas que precisa crucificar as concupiscências da carne todos os dias, pois a minha natureza é caída e rebelada contra a Lei de Deus. Por isso, eu preciso andar no Espírito e no amor a fim de que eu não alimente minha natureza caída, ainda que, eu mesmo saiba, que conquanto não viva mais na prática do pecado, eu não me livro de reconhecer todos os dias que eu sou pecador e que, por essa mesma razão, peco mesmo quando penso que não peco. No entanto, eu me escondo e me glorio na Cruz de Jesus: onde meu pecado foi pago e de onde eu recebo Graça para purificar meus pecados e receber perdão para as eventuais ou frequentes contradições do meu ser. No entanto, eu sei que a Graça que me perdoa, é também a Graça que me transforma e santifica. Daí, eu querer e poder viver em santidade, ainda que eu seja um pecador”.
Os cristãos precisam aprender urgentemente que a maior mentira que se mente na vida não é aquela que se diz, é aquela com a qual se vive. Precisamos recuperar o senso de “intimidade” e de “interioridade” das verdades do evangelho. Temos de pedir a Deus que nos liberte das falsas e malignas noções de espiritualidade. É urgente reassumir nossa consciência da Queda, que afirma nossa impossibilidade inerente para a bondade absoluta e nos remete humildes e dependentes para a Graça de Deus. Caso contrário, corremos o risco de nos tornamos pessoas muito más. Aliás, a História está repleta de testemunhos dessa nossa capacidade de nos tornamos piores que os piores, e que vem justamente da nossa relação com o Sagrado. Nada é mais intenso que aquilo que é divino. Por esta razão, quando alguém mantém uma sadia relação com o Sagrado, então, tal pessoa torna-se santa e bonita, pois aprendeu a “descansar na Graça”.
Por outro lado, quando a relação com o Sagrado acontece a partir de uma perspectiva de orgulho, auto-suficiência e hipocrisia, então nada faz adoecer mais que essa versão religiosa da maldade. 
Lúcifer tornou-se mau na exata proporção de sua anterior virtude. Assim, antiteticamente, onde superabundou a Graça abundou o pecado! No entanto, nós temos afirmado tal princípio apenas na dimensão paulina: “onde abundou o pecado superabundou a Graça”. Todavia, Pedro coloca o mesmo principio a partir de uma referência histórica: “...tornou-se o seu último estado pior que o primeiro”; ou ainda: “...melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da verdade, do que, após conhecê-lo volverem para trás” (II. Pe 2.20,21).
O pior Diabo é aquele ao qual nós nos “acostumamos”. Isto porque quando alguém não sabe ou não crê que o Diabo existe, está menos exposto à total força do Diabo pelo simples fato de “sinceramente” não crer ou não admitir a existência dele. Há um grande poder espiritual na verdade, mesmo que aquele que a demonstre seja um ateu. Todavia, quando alguém sabe que o mal existe como mal-real e objetivo, mas a despeito disso, vive em cínica indiferença para com tal poder, essa pessoa não se torna apenas vulnerável ao mal, mas torna-se, ela mesma, parte da própria realidade do mal. E a razão é óbvia: ninguém é mais maligno do que aquele que consegue se tornar indiferente ao poder do mal, enquanto admite a sua existência. Gente assim vive uma espécie de “crente-descrença” no poder do mal. É mais fácil achar gente assim domingo de manhã na igreja que num laboratório de ateus confessos. É mais fácil achar esses jovens cantando com as mãos levantadas num culto animado do que nas praças. Aqueles que estão vivendo sua alienação de Deus, muitas vezes fazem isso em absoluta ignorância. Mas muitos dos que lotam nossos templos cristãos e nossas reuniões, são do tipo de gente que consegue “levantar as mãos ao Senhor” e depois, mesmo contra a Palavra do Senhor que lhes conhecem, são capazes de cometer os atos mais absurdos e impensados com a maior frieza, sendo o pior de todos, a incapacidade de se enxergarem enquanto julgam o próximo.
A própria História Bíblica e a História da Igreja confirmam tais declarações. Do ponto de vista de Jesus, felizes são os que têm coragem de chorar, os mansos, os que têm fome e sede de justiça; ou seja: os que querem mais. Esses são os misericordiosos, os que se purificam na Graça de Deus, os que vivem para construir pontes entre os separados pelo ódio e os que assumem a perseguição como o mais natural resultado da sua relação com Jesus.
E quem é Jesus senão Aquele que pode viver tão diferentemente dos padrões vigentes, que pagou o preço de uma existência capaz de ser radicalmente relevante? Sim, Ele é Aquele que mostrava Seu brilho pessoal a poucos, na Transfiguração, mas que não teve vergonha de mostrar Sua dor e verdade humanas a todos, na Cruz! Quando, no meio de todas as tentações que nos assolam formos tentados a deixar o compromisso com a justiça, caindo ou no Moralismo hipócrita ou na indiferença assassina, devemos ter em mente que, para Jesus, a única maneira de viver e encarnar a Sua justiça neste mundo é mediante a vivência radical do amor. Todos os outros dogmas estão abaixo do amor.
Mais importante do que sacrifícios, cultos, Leis, morais, usos e costumes, é o amor, diz Mateus 23.1-23. 
Mais importante que o sábado e a tradição é o amor ao ser humano que está com fome e precisando “meter a mão” em espigas para se alimentar ( Mt. 12.1-8 ), ainda que isto implique, aos olhos dos homens, uma transgressão. O amor ao ser humano tem de estar acima do amor por coisas, diz Mateus 6:26.
O amor é mais decisivo do que o serviço do culto, diz Lucas 10:30-37:
O sacerdote passa e não pára. O levita segue e não se importa. É o samaritano quem se agacha para socorrer com amor.
A grande heresia é não amar e não manifestar o amor como vida e Graça para com o próximo!
O amor é mais importante do que o sacrifício, do que a oferta: Mateus 5:23 e 24 diz que antes de se oferecer uma oferta tem-se que sair à procura de relações quebradas, para restaurá-las em amor. Sempre que Jesus fala do amor de Deus Ele também fala do amor ao próximo. Ele não esquizofreniza o amor. Não permite que seja possível amar a Deus, mas ser indiferente ao próximo; ou amar ao próximo dando a mão de Deus. São perspectivas interligadas e inseparáveis.
Em Marcos 12.31-33 ou Mateus 22.36-39, Jesus afirma peremptoriamente essas duas categorias.
É também com base no amor ao próximo que se estabelece por fim o critério ômega do juízo (Mt.25.31-46).
Naquele “dia” não se perguntará quais eram as suas doutrinas, nem como era a sua forma de batismo, nem qual era a sua religião, nem quantos trabalhos cristãos você fez, nem se perguntará pela sua estatística de “quantos você converteu para Deus na Terra”. Perguntar-se-á se você viu Jesus pôr aí, com fome, maltratado, com sede, preso, doente, lá no “brejo da Cruz”. E as pessoas vão dizer.” Senhor, nós nunca te vimos assim!” E Ele vai dizer: “Sempre que vocês deixaram de atender a um ser humano nesse estado de degradação, de prisão, de dominação, de infelicidade, de angústia e de miséria, vocês deixarão de atender a mim.” É uma pena que Mateus 25 não seja levado a sério pôr nós. Não se esqueçam: é com base no amor ao próximo que se estabelecerá o critério final, o critério ômega do juízo“.

Adaptado DAQUI.


2 comentários:

Conexão da Graça disse...

Texto rico, didático e explícito este Rê!

Mas parece que a grande maioria só foca no moral/sexual.

É uma visão muito reducionista esta de rotular pecados somente com a face do comportamental.

CARLOS HERRERA disse...

Viajei,como disse o Franklin, muito didatico e com objetividade...

bye