"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quinta-feira, 21 de março de 2013

SER SAL E LUZ




"Uma tempestade provocou um blecaute em nosso bairro. Quando as luzes se apagaram, tateei pela escuridão até o armário onde guardávamos as velas para noites como essa... Levei fósforo e acendi quatro velas... Estava me virando para sair com a vela maior em minha mão quando ouvi uma voz.

— Ei, deixe essa vela ali.
— Quem disse isso?
— Eu.

A voz vinha de perto da minha mão.

— Quem é você? Que é você?
— Eu sou uma vela.

Aí levantei para olhar mais de perto. Você não vai acreditar no que eu vi. Havia uma pequena face na cera da vela... Um rosto em ação, se movendo, cheio de expressão e vida.

— Não me tire daqui!
— O quê?
— Eu disse para não me tirar deste armário.
— Como assim? Eu tenho de tirá-la daqui. Você é uma vela. Seu trabalho é iluminar. Está escuro.
— Mas você não pode me levar para lá. Eu não estou pronta — explicou a vela com olhos de súplica. — Preciso de mais preparação.

Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

— Mais preparação?
— Sim, decidi que preciso pesquisar esse negócio de iluminar para que eu não saia por aí fazendo um monte de bobagens. Você ficaria surpreso se soubesse quão distorcido o brilho de uma vela destreinada pode ser.
— Tudo bem, então — disse. — Você não é a única vela na prateleira. Vou apagar você e levar as outras!
No momento em que enchi minhas bochechas de ar, porém, escutei outras vozes:
— Nós também não vamos!

Então me virei e olhei para as três outras velas.

— Vocês são velas e seu trabalho é iluminar lugares escuros!
— Bem, essa pode ser sua opinião — disse a vela na extremidade esquerda. — Pode ser que, para você, tenhamos de ir, mas estou ocupada... Estou meditando na importância da luz. É realmente esclarecedor.
— E vocês duas? — perguntei. — Vocês também vão permanecer aqui?

Respondeu uma vela pequena, roliça, de cor púrpura e com bochechas rechonchudas que me faziam lembrar o Papai Noel:
— Estou esperando minha vida ficar em ordem. Não sou estável o suficiente.

A última vela tinha uma voz musical, muito agradável de ouvir.

— Eu gostaria de ajudar — explicou ela. — Mas iluminar a escuridão não é meu dom... Sou uma cantora. Eu canto para as outras velas a fim de encorajá-las a brilhar mais intensamente.

Então ela começou uma versão do hino Brilha no meio do teu viver. As outras três se juntaram, enchendo o cômodo de música.

Dei um passo para trás e analisei o absurdo daquilo tudo. Quatro velas perfeitamente saudáveis cantando uma para a outra sobre brilhar mas se recusando a sair do lugar".

--
Trecho do Livro "Deus chegou mais perto"

O texto acima foi postado no Blog do Irlandês



Excelente reflexão.

Isso me faz lembrar de outra parábola.

A do sal que endurece porque não arrisca sair de dentro do saleiro.

A do sal que acha que salgar é fazer proselitismo e trazer (aprisionar) almas pra dentro de sua própria religiosidade.

Um falso evangelismo cujos limites estão na segurança do saleiro/denominação.

Um território devidamente demarcado, uma espécie de colônia onde todos são (re) conhecidos e identificados por se vestirem iguaizinhos, repetirem os mesmos dizeres, mesmos mantras religiosos, mesmas saudações.

É assim que se é amado, considerado, respeitado e até admirado e idolatrado. E apenas nessa colônia se está entre irmãos.

Nessa colônia/saleiro todos são legais, piedosos, amigos e muito compreensivos com os defeitos e vaciladas de cada um dos outros irmãozinhos. Desde que dentro das normas exigidas pelo Grande Saleiro.

Então, essa paranoia que os líderes ensinaram a chamar de 'salvação', para reter os irmãos no cabresto, impede-os de salgar lá fora. Livremente, sem amarras doutrinárias.

E os ensinados - e os que ensinaram isso - passam beeeeeem longe dos ensinamentos Daquele que - irônica e contraditoriamente - eles mesmos chamam, de modo reverente, de SENHOR, de REDENTOR e de MESTRE.(?!)

E, tal como as velas desperdiçando seu brilho, estes também desperdiçam seu sabor, tornando-se INSÍPIDOS, de tanto que fechados e formatados dentro de quatro paredes religiosas.

Triste isso...

RF

5 comentários:

Rita Lemes disse...

Regina.uau!!
Depois dessa quem é vela que se derreta e quem é luz que resplandeça nas trevas.
O sal e a luz tem um papel realmente importante e bem definido, dar sabor e claridade.
Agora, as luzes que querem ficar no armário e o sal que vira pedra para nada servem se não para o descarte.
Muito, muito importante esse texto, reflexivo e valioso em tempos de caminhos largos, falsos profetas, e doutrinas estranhas a Escritura e a fé sem fermento..
Seu comentário o enriqueceu ainda mais e me fez lembrar daquele filme A VILA, caso vc já tenha visto vai entender, existem pessoas que vivem em colônias e se isolam de tal maneira que os que tentam se aproximar acabam sendo empurrados pra longe só com o bafo da " santidade"...tempos de trevas, que possamos mesmo ser luz e que a Palavra seja lâmpada para nossos pés...pois, assim, seremos aqueles que andam no Caminho após aquele que É ...
Bjs

Regina Farias disse...

Rita,

Que prazer encontrar vc aqui também. Quer dizer... REencontrar!
Lá no 'feici' já foi uma grande alegria e, aqui, comentando com tanta maestria um texto específico, alegria dupla!

E que analogia interessante com o excelente e reflexivo 'A VILA'! É exatamente isso! O fundamentalismo gera um medo e uma insegurança terríveis que isola com bosques, desertos e altos muros invisíveis, mas determinantes e cruéis, posto que nas mentes adoecidas.

No caso dos habitantes da vila, fazendo-os acreditar que até alcançar a liberdade, transpondo o muro, teriam que lidar com 'criaturas' terríveis. Então é mais cômodo não arriscar e ficar isolado desse mundo lá fora da segura e 'perfeita' Vila.

Só que não é bem assim, e, como sempre acontece na vida, a partir de uma crise (pois toda repressão um dia explode) as imperfeições começam a vir à tona e as coisas começam a clarear as mentes dizendo-lhes que 'não era bem assim' como lhes diziam e faziam pensar.

Enfim, não vou dar aqui uma de 'spoiler' e tirar o prazer de quem ainda não viu o filme.

Inclusive, outra analogia interessante que andei vendo esses dias sobre esse isolamento que finda por criar um clima 'perfeito' para a esquizofrenia religiosa, foi o clássico 'O Mito da Caverna' de Platão.

Mas é isso! A verdade gera um certo desconforto, desconstrução, desordem na antiga 'ordem'. Mas compensa, pois não há nada como a liberdade que essa verdade traz. Já dizia o Mestre!

Obrigada por seu valioso acréscimo e volte sempre!

Bjão!!!

Rê.


Regina Farias disse...

Oops! correçãozinha no final do terceiro parágrafo do meu comentário:

Então é mais cômodo não arriscar e ficar isolado desse mundo lá fora NA segura e 'perfeita' Vila.

Flor disse...

Eu adorei esse seu ponto de vista em que sermos sal e luz para o mundo não conta pra todo mundo...
Acontece muito isso desntro das igrejas, pessoas "empurrando" as outras a fazerem aquilo que elas tbem tem por obrigação fazer, ficam fechadas naquele mundo de grupo da mocidade grupo das irmas igreja igreja igreja...dizendo que pessoas aqui fora estão "enlouquecidas" por um pouco de "calor" luz e um pouco de "sabor" sal...e ai daqueles que tentam sair desse mundinho tbem e ousar o novo e desconhecido...
Fariseu! limpa primeiro o lado de dentro!!!

Gisley Scott disse...

Jesus disse pra gente fazer o ide, mas tem que gente que veio e quer fazer da igreja um clubinho gospel, que só entra na roda "quem qualifica", e quando os "mudanos virem à igreja" eles têm que vir prontos, dentro das normas do Grande Saleiro ou do contrário as pessoas vão olhar torto p/ eles.

Porque algumas pessoas que não entende o Cristianismo o detesta? Porque os crentes dificultam as coisas.Não tenho problema com gente que não é crente, eles vivem baseados naquilo que sabem e o que tem conhecimento é baseado naquilo que o mundo apresenta.

Meu problema é com os crentes que tem a verdade mas não vive a verdade e nem andam com a verdade, estes sim fazem Jesus cair no ridículo e acabam fazendo do Cristianismo uma religião como outra qualquer.

Bjs