"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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domingo, 4 de novembro de 2012

ORAI SEM CESSAR





Quando o Evangelho vai se estabelecendo verdadeiramente em nosso ser, passamos a orar bem menos essa oração determinada pelo denominacionismo, e, paradoxalmente, procurando sempre orar sem cessar. Pois, à medida que vamos nos despindo da religiosidade imposta que nos cega e nos robotiza coletivamente, a ficha vai caindo e vamos enxergando a simplicidade e a eficácia do Evangelho em nossa vida prática. É quando começamos a aprender que não é para ficarmos o dia inteiro repetindo petições/barganhas/súplicas direcionadas a Deus, mas tão somente compreender que orar sem cessar (1Ts 5.17) nada mais é do que adotar um estilo de vida que reflete a nossa relação pessoal com Deus. E, consequentemente, com o próximo, que nada tem a ver com o irmão da mesma igreja, e sim, com o nosso semelhante, que está acima de todas as regras religiosas, como diz Jesus, claramente, ao legalista religioso, na parábola do samaritano.

No 'orar sem cessar' está estabelecida uma conversa CONSTANTE com Deus.
E isso não é mágica nem tampouco paranoia, fanatismo, obsessão... Pelo contrário! Isso é lucidez. Tenho aprendido que somente quando desistimos da religiosidade imposta, passamos a entender que isso sim, é estar pertinho de Deus. Mais que pertinho. Ligado. Conectado.

Nesse processo que é constante, sem fim, interminável, pela renovação da nossa mente, sendo transformados de glória em glória, não sentimos saudade do tempo de nossa meninice espiritual; seguimos em frente, deixando pra trás o que já não nos serve, desistindo das coisas de menino, esquecendo das coisas que para trás ficam, como diria Paulo em suas cartas.

Na verdadeira comunhão, há uma conexão sem fim, uma adoração reverente na nossa vida prática, nas nossas ações. É um 'estar' contínuo, independente de lugares físicos e sem que seja necessário nenhum ato ou palavra pré-estabelecida pela cartilha denominacional; não se trata de nenhuma obrigação ou momento programado como diz a música de Gil 'Se eu quiser falar com Deus "TENHO QUE'... Ora, não tenho QUE nada! É só falar com Deus e pronto. A alma é que tem que estar prostrada 24 horas por dia! Quem tem genuína intimidade com Deus tem comunhão ininterrupta, e O LOUVA de forma espontânea e sincera, sem as amarras da religião. E O LOUVA, não (apenas) com oração feita e cântico programado, mas no cotidiano, na prática, nas escolhas, no modo de ser, e pensar, e agir. É isso que honra a Deus e é disso que falo...

Por outro lado, há aquele momento, geralmente nas madrugadas, que Ele próprio nos acorda com alguém em mente, para orarmos por esse alguém. O mesmo Espírito Santo que ora por cada um de nós com gemidos inexprimíveis, nos acorda no meio da noite pra orarmos por alguém... E ainda nomeia a pessoa! Ele, o Espírito de Deus, especifica, claramente para qual pessoa devemos orar. Depois é que a gente vai saber quem e o porquê. E muitas vezes nem sabe, apenas cumpre. 'Mixxxxxxtério', como diz, brincando, um colega blogueiro. Mas é mesmo algo inexplicável! E assim é nosso Deus conosco. Apenas nos acalma o coração quando não entendemos algo. Pois, de fato, só entendemos 'em parte'...

Não deixemos nossos encontros sinceros de oração, mas não façamos da oração um simples hábito. Façamos, sim, dos nossos hábitos, uma oração.


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6 comentários:

Carolina Tavares disse...

Eu amei o texto! Compreendo perfeitamente o que queres dizer! Vivo tudo isso!
Fui bem formada no evangelho, nunca fui religiosa e não me sinto presa a isso, mas como vejo pessoas assim e você expressou muito bem tudo o que penso a respeito de oração.
Obrigada pela mensagem!
Fique na Paz de Cristo.

Carol (http://carolcarrilhotavares.blogspot.com.br/)

Regina Farias disse...

Carol,
Já comigo foi diferente, pois passei por um processo bem interessante de desconstrução duas vezes. Nascida católica, praticamente dentro de convento, estudando em colégio de freira e circulando em meio eclesiástico com frequência, desde menina nunca me rendi à adoração de imagens, romarias, promessas e tantos outros rituais religiosos tão inúteis que só tem a ver com crença e jamais com fé. Aí, dez anos atrás, convertida ao Evangelho de Cristo comecei a entrar sutilmente (sim, pq a coisa é sutil e gradativa, vc não percebe que está sendo moldada pela religiosidade) na onda cerimonialista do evangelicalismo em outra versão, mas que eu rejeitava no catolicismo e quando vi já estava participando dos mesmos ritos...

Mas eu sei que fez parte do processo e o importante é seguir em frente, evoluindo, amadurecendo, o que não significa que a gente não vacile, não erre, não caia. Isso tudo ta incluindo na caminhada do Caminho...

Somos sustentados pela graça e pela misericórdia de um Pai que nunca desiste de nós, mesmo quando nos distanciamos DELE, preferindo os atos mecânicos da religião...

HP disse...

Regina,

Quem diria que um desabafo meu daria um post tão enriquecedor teu. "Mixxxtérios!"

Que Deus te abençoe por nos brindar com essa brilhante reflexão.

Na paz,

Henrique

João Carlos disse...

É bispa, fica difícil acrescentar algo... Você sabe muito bem como eu também vivo desta forma, ou seja: fora da "forma" (assadeira, etc)...

Regina Farias disse...

HP,
Uso com frequência dessa 'ferramenta' rsss
Desabafo gera desabafo :)
Abs...

Regina Farias disse...

JC:

Então...

A tal da forma (com acento) é que nos assa ah ah ah ah trocadilho horrível!

Valeu!