"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A parábola da bola



Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:

– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.

Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.

– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.

Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.

De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.

Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.

Ed René Kivitz

11 comentários:

HP disse...

sister,

É por aí mesmo...

Enquanto há aqueles que usam a Palavra de Deus apenas para destrinchá-la, usando "óculos" de Calvino, Arminio, querendo descobrir o significado literal do termo no "Grego koiné", outros apenas "vivem" a Palavra.

Vivem alegres, pois a Palavra viva, Jesus Cristo, os dá vida!

Mas tem gente que acha que viver é ser carrancudo...

E se pararmos e pensarmos, "lá de cima", Deus contempla os carrancudos e os alegres.
O que o Criador deve balbuciar com o nosso Amado, eu não sei... mas creio que deve haver um bom humor e um amor por todos nós, alegres e carrancudos...

Só creio que quando Ele quer transformar um carrancudo num alegre, Ele o faz. Sou eu prova viva, que vivia carrancudo e ainda ontem, depois de pregar na Igreja sobre o bom samaritano, saí de lá alegre, explodindo de felicidade.

ô Deus bom que ama todos, mas se revela aos humildes e simples!

Que Ele me conserve humilde e simples. Quero sempre ser criança ao lado Dele.

Abraços sister!

Regina Farias disse...

Então brôw ;)

Vc disse bem: Deus se revela aos humildes e simples.

é impressionante o quanto os adultos, além de carrancudos, ranzinzas e mal humorados são muito babacas. Muito têm a aprender com as crianças sobre viver com leveza. Estas sim, sem os vícios acumulados ao longo da vida adulta, sabem viver com simplicidade e, consequentemente, com plenitude.

Veja que eles curtiram a bola sem frescura, sem rótulos, sem desníveis sociais, sem hierarquias religiosas, sem parâmetros teológicos, sem dogmas, sem ortodoxia, sem questionamentos ridículos, sem explicações cansativas e enfadonhas, enfim, sem qualquer peso que os impedissem nos movimentos mais prazerosos tendo a bola como foco principal.

É por essas e outras que Jesus disse que se não nos tornarmos como elas não entraremos no Seu Reino que já começa aqui...

É por essas e outras que quando dizemos em oração 'venha a nós o teu reino' sem abrirmos mão de nosso adulto obcecado e egoísta, ficamos sem entender porque Deus não atende nossa súplica...

E assim caminha a humanidade.

Abs,

R.

HP disse...

Sister,

"Cê" sabe que uma vez, reunido na casa de uns irmãos, tinha um que estava contando piadas (leves e simples), alegrando o ambiente.

Uma irmã, EVANGELISTA, fechou a cara e depois comentou que "Não fica bem para um 'servo de Deus' ser daquele jeito, pois devemos ser 'homens e mulheres de peso'".

E eu já era 'de peso' naquela época.. pesava uns 86 quilos... rsrsrs

Mas eu no fundo acredito que Deus também contempla esses "carrancudos". E, se Ele quiser, vai pouco-a-pouco mostrando que não precisa ser assim.

Dá pra ser Cristão (e dos "bons") com alegria, bom humor, rindo e gargalhando.

Abs sister!

Regina Farias disse...

Então...

Acho que esse lance de tristeza está associado a uma cultura melancólica do crente rss
Lembro-me que quando minha mãe aderiu a essa 'lei da tristeza', levando consigo alguns dos filhos que ainda eram seus dependentes, minha sogra disse com sua costumeira e desconcertante sinceridade:
- nossa, mas essas meninas já são tão tristes... E ainda vão ser crentes?!

Lembro-me que houve risos em meio a alguns comentários para tentar disfarçar e quebrar o clima, mas 'O PESO' daquela verdade era muito flagrante!

Se a ICAR - que influenciava no nosso emocional de forma deprimente com aquele 'Jesus morto na cruz' - já nos imprimia um traço forte de melancolia, muito mais aquele ambiente crental mais parecido com uma prisão recheada de exterioridades baseadas em proibições, restrições e repressões.

Como ser alegre desse jeito?! Como ser feliz?! Como rir se não há do que rir numa vida cheia de crendice reprimida? Gargalhar, então, nem pensar, pois já seria um acinte ao sistema...

Mario disse...

Eu também sou descontraído, numa noite de terça-feira de muito calor que fui congregar de camiseta polo e me perguntaram: "soldado, cadê a farda?"... Eu simplesmente respondi: "hoje estou a paisana, numa missão especial, vou me infiltrar no meio dos pecadores, mas não se preocupe eu estou armado(apontando para a Bíblia)".

Outra vez quando me viram na rua de bermuda e me questionaram: "o que é isso?"... eu simplesmente respondi: "é uma bermuda, aos 40 anos você nunca tinha visto uma antes?" kkkk

Regina Farias disse...

Boa, Mário! ;)

Isso me faz lembrar que disseminou-se no meio cecebeano a ideia equivocada (imprimindo terror!) de que as 'vestes' às quais Jesus se refere, são vestes externas. Já vi gente (jovem, adolescente!!!) dizer que não dorme de 'babydoll' ou uma camiseta sem manga, ou uma simples camisola curtinha, por exemplo, com medo de que o arrebatamento a pegue "no flagra". Tem que dormir com roupa comprida e de manga pra ganhar o céu!!!

Vai ver os adultos que ensinam isso não ficam nus nem pra tomar banho e fazem sexo com um furinho no lençol.

Me poupe!

Fico impressionada com a cegueira de gente inclusive LETRADA, ou seja, sem qualquer impedimento para abrir a bíblia e ali mesmo, na leitura despida da prisão denominacional, livrar-se dessas crendices (crendice = crença + idiotice) que só neurotizam.

Outra coisa que sua fala me fez lembrar, foi de quando um colega do meu filho, viajando pelo interior a trabalho, tentou entrar numa igreja e foi barrado porque estava com uma camisa estampada. Me poupe (parte dois)! É demais pra minha paciência e compreensão até para a estupidez humana.

Bermuda não pode usar, mas pode usar costumes terríveis no nível do coração. Largamente!

Ai ai ai...

HP disse...

Mário/Regina,

Comigo foi em casa. Um casal de irmãos vieram me visitar e se escandalizaram com a TV 40 polegadas que eu tenho. Tem liberdade comigo, por isso falaram o que achavam.

Bem, por dois dias eu sentava na sala e mostrava uns programas pra eles.

Depois falei pra eles: "Viram o que eu assisto? E outra coisa, tem semana que eu nem sento na frente da TV porque eu não tenho tempo. Da mesma forma não deixo minha filha na frente da TV o tempo todo."

Complementei: "Em vez de assistir no computador com uma tela minúscula de 15 polegadas, eu prefiro assistir numa tela de 40, só isso."

Ficaram quietos...

Regina Farias disse...

HP

Desculpe a sinceridade, ms isso me cheira a inveja.

Nessa da TV eu já vi cada história pra boi dormir. Na verdade é pra meter o velho medo, mas é tudo tão surreal que dá é tédio rss

Já ouvi várias delas mas me lembro agora da mais 'sinistra'. Essa é pra reprimir mesmo qualquer vontade de ver TV. Reza a lenda que um crente estava assistindo TV sozinho em casa e de repente ficou sem imagem, só o 'chuvisco' na tela... e de repente, surge a imagem do capeta. Primeiro, estava sozinho. Que coincidência (he he) assim ninguém pode dizer que não era verdade. Depois, quem sabe como é 'a cara do capeta' que só ele viu?

Eu sei de gente que não tem TV na sala pra não 'escandalizar'. Não seria muito mais fácil combater essa superstição religiosa que tanto mete medo como estimula a mentira e a hipocrisia? Mesmo que fiquem quietos, silenciosos, sem terem o que falar, como no seu caso, mas pelo menos a gente fez o que deveria fazer: esclarecer. É isso que me irrita. Gente que sabe que deve combater, mas quer ficar 'bem na fita', não quer polemizar, não quer ser julgado... E assim alimenta-se o erro doutrinário usando o nome de Jesus.

Igual a história uqe lhe contei da moça que perguntou se eu tb era 'da graça' e uma das pessoas presentes apenas disse que não, enquanto as outras silenciaram e mudaram de assunto imediatamente.

Confesso, disso eu tenho raiva.

Abs.

HP disse...

Rê,

"Cê" sabe que eu já ouvi esse "tristemunho" piorado?

Te conto: O caboclo tava na frente da TV e o capeta apareceu, mas o capeta saiu da TV (Detalhe, a TV era das antigas, nada das 3D de hj em dia rsrs) e deu uma surra no irmão.

Depois entrou dentro da TV de volta e ainda deu um "tchauzinho" pro irmão todo machucado.

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Eu tinha uns 10 anos de idade quando contaram isso, e claro, pela idade que eu tinha acreditei, mesmo desconfiando. Mas o pior que quem contava esta história eram pessoas com seus 40, 50, 60 anos de idade.

É impressionante...

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E tem outras também, um dia estava na casa de um irmão amigo de meus pais. Era dia do final da Copa de 2002, e de manhãzinha eu tava me preparando pra ir pra Reunião de Jovens. De repente, passei na frente do quarto deste irmão e ele tava deitado na cama, com a porta do guarda roupa aberta assistindo ao jogo numa TV minúscula de 14 polegadas.

Ele ficou sem graça: "Agora vc descobriu que eu tenho TV em casa..."

Detalhe: Ele tinha esquecido de esconder a parabólica enorme que tinha no telhado...

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E a saga da hipocrisia continua:

Meu sogro odeia TV até hoje, só que ainda não abriu o bico pra falar da minha (e eu tô aguardando pra fazer o mesmo que fiz com o casal que mencionei antes).

Ele trabalhava até tarde e, como na casa não tinha TV, a mulher dele (minha sogra) ia assistir na casa da vizinha. Vivia lá assistindo as novelas...

Brigavam por causa disso e isso foi um dos estopins pro casamento acabar.
Quando acabou ele casou de novo e a segunda mulher (madrasta da minha esposa) também achou uma vizinha que tinha TV pra ir ver a novelinha dela... vivia na casa dela tbm...

Hoje ainda não tem TV, mas comprou um computador com tela de 22 polegadas, colocou na sala e os filhos do segundo casamento, ele e a mulher vivem no Youtube assistindo filmes, reportagens e até novelas (!).

E o problema é o "cooperador" aqui eu com minha TV de 40 polegadas!

ai ai...

Regina Farias disse...

HP, na boa, a diferença pra o sistema de proibições de outras religiões igualmente deprimentes é que na que se diz cristã é mais grave ainda, uma vez que usa o nome de Jesus para 'respaldar' suas 'verdades absolutas'. Sem contar que é crime usar o nome de outra pessoa para justificar as próprias atitudes insanas... Ora, Jesus não tem nada a ver com isso! Isso é invenção de credo doutrinário.

Em relação aos três casos concretos que você contou:

Primeiro de tudo!!! É uma maldade gigantesca com requintes de crueldade, um marmanjo de 40, 50 ou 60 anos passar (ou repassar) uma FALSA informação tão sinistra assim para uma criança de 10 anos. Perdão, mas já era manipulação de informação naquela época e nos dias atuais se constitui em crime. (Conforme os artigos 3º, 4º, 5º e 6º do Estatuto da Criança e do Adolescente)

Art 5º - Nenhuma criança ou adolescente será objeto de QUALQUER forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei QUALQUER atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (CAPS meus)

Segundo, o amigo dos seus pais demonstra que superou o terror da infância que lhe foi enfiado goela abaixo em relação à TV, mas permanece o MEDO instalado pelos líderes religiosos. Ele já entendeu o significado da TV como meio de comunicação, aprendizado e lazer. Mas ainda não aprendeu que 'a graça' não é uma denominação e que, o líder religioso da igreja dele não tem QUALQUER poder sobre sua vida. Menos ainda sobre vida eterna rss

No último caso - e aqui eu nem queria entrar no âmbito familiar, mas como é exemplo de milhares de famílias pelo mundo afora, falo de modo geral.

Tem gente que não tem TV em casa e se acha mais santa e obediente quando na verdade está apenas abrindo espaço para o engano, a mentira e a hipocrisia religiosa entrarem com força em seu coração. Não tem TV mas tem uma ferramenta mais poderosa, melhor desenvolvida e em tempo real para ampliar suas informações e conhecimentos do 'mundo'. No caso do Youtube, então, as possibilidades de perversão são infinitamente maiores. Associe-se a isso a falta de maturidade emocional, psicológica e espiritual conferida pela 'certeza' enfiada desde a infância em seu coração de que está fazendo algo que o deus da igreja condena, que está burlando um 'ensinamento' doutrinário e imagine a bagunça nos seus conceitos e o tremendo conflito em sua alma.

É disso que venho falando...

Ai ai digo euzinha rss

Erica Serpa disse...

Estes dias, uma rapaz, tentando convencer-me de algo daquela referida denominação, me disse que eu não compreenderia porque ele era calvinista.

Nunca me rotulei, nunca busquei, de fato, ficar me colocando dentro desta ou daquela visão. Os anos de escolha bíblica teológica que frequentei nunca me fizeram querer crer, ou nomear o que eu cria, exceto o Evangelho, que é o poder de Deus para salvação... Se depois a pessoa vai querer Armínio, ou seguir as filosofias esquisitas que permeiam o meio cristão, hoje, isso é um problema exclusivo dela, e o meu problema é não pecar, me irando, ao aconselhá-la sobre tais "fábulas".

Eu li um texto uma vez que achei interessante: quero uma teologia da alegria (non falo de um determinado movimento originado em Londrina, há uns 10 anos atrás), digo de alegria mesmo, alegria da salvação. Eu gosto de estudar, mas para quem não gosta, até ler a bíblia é enfadonho - sejamos realistas, então, a pessoa que cresce num país que nem gosta de ler vai querer saber exatamente qual pensador pensou o que? Não! Vai ouvir de alguém no púlpito e ficará feliz porque alguém destrinchou para ele!! aheuhaeu.

Depois, termino de ler os comentários.. Perdi o sono esta noite, mas parece que ele acabou de chegar.

Abraços!
obs.: perdoe os errinhos de português. x.x