"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia de Culto



Mais um ‘Dia de Culto’.

Cheguei cedo, abri o prédio e, como de costume, fui recebendo os primeiros irmãos que iam chegando. Em seguida, me acomodei logo à frente. Fiz uma oração e abri a Bíblia para ler. Folheei algumas páginas e me detive em Lucas 10, na passagem do Bom Samaritano. Pensei:  seria uma boa pregação para hoje.

O culto iniciou bem leve e gostoso. Cantamos hinos que há tempos não cantávamos, oramos, e, na hora da leitura da Palavra, eu senti de ler a parte do Bom Samaritano mesmo.

Preguei sobre a arrogância do doutor da Lei em tentar a Cristo, em dizer entre as palavras dele que “Ele amava ao Senhor sobre todas as coisas, com toda a força, toda a alma, conhecimento e coração.”

Expliquei e fiz a igreja refletir que deveríamos amar ao Senhor assim, mas que nenhum de nós consegue fazer isso e nenhum de nós jamais conseguiremos. O único que assim fez foi Cristo.

Mas o doutorzinho era arrogante, e ele, implicitamente, disse que amava a Deus desta forma ao afirmar: Mas quem é meu próximo?

Daí Jesus propôs a parábola do desafortunado que foi assaltado e deixado meio morto no meio do caminho, ensanguentado, braço quebrado, rosto desfigurado… Logo, um sacerdote passa por aquelas bandas e, ao vê-lo, dá uns passos para o lado e finge que não o vê. O levita fez o mesmo. Mas quando um samaritano o vê, se move de compaixão, faz os primeiros socorros nele, o leva a um hotelzinho, cuida dele a noite inteira, só partindo no dia seguinte. Deixa ainda dois dinheiros adiantados e pede pra cuidar dele o tempo necessário, que ele paga quando voltar da viagem.

Cristo conclui, perguntando: Quem foi o próximo?
E o doutorzinho responde: O que usou de misericórdia.
Vai e faz o mesmo - finaliza o Mestre sem mais delongas
Fiz saber à irmandade quem eram o Sacerdote e o Levita. Homens de Deus, conhecedores das Escrituras. Viram a necessidade e passaram de longe.
Quem era o samaritano? O povo rejeitado pelos judeus.
Lembrei à igreja sobre a mulher samaritana no poço.
- Você é judeu e me pede água? Judeus não conversam com samaritanos!

Samaritanos eram um povo que os judeus ignoravam totalmente, não queriam contato.
Perguntei a irmandade:
- Quem na nossa sociedade você não quer contato? Uma prostituta, um assassino, um ladrão? Confesso que quis até dizer um travesti, mas achei que ia ser forte demais.
Foi o rejeitado, o excluído da sociedade, o ignorado que tomou uma atitude, que os “homens de Deus” não tomaram.

Quando Cristo perguntou “quem foi o próximo”, o doutorzinho até teve nojo de dizer “O Samaritano”, preferindo dizer “O que usou de misericórdia”.
Cristo disse: “Vai e faz o mesmo”.

O doutorzinho saiu pisando duro com raiva: “Que ousadia! Comparou-me a um samaritano!” Enquanto isso, na outra parte da Palavra, a samaritana do poço de Jacó ganhou “Água da vida eterna”.  E nos diz a Bíblia que Cristo ficou entre eles vários dias…

Tratar bem um ancião todos querem. Tratar bem um rejeitado pela sociedade e até pela igreja ninguém quer. Ter humildade para sermos um “Samaritano”, um rejeitado, ninguém quer. Ser um “Sacerdote, um levita” socialmente falando, com o mesmo status, todos querem.

Ao final do culto um irmão de uma outra localidade me saudou e me perguntou se lembrava de um irmão chamado Lucas (nome fictício). Disse que sim, daí ele explicou que a vida dele é complicada, aprontou muito antes de batizar e ainda hoje se viu numas encrencas, precisando ir pra corte judicial algumas vezes.
Este irmão sempre aconselhava o Lucas a pedir a Deus perdão a Deus e a família, e consertar a vida dele. Por fazer isto, muitos irmãos diziam a ele: “Deixa o Lucas pra lá. Você tá arranjando problema com a tua mão.”, mas ele sempre insistia em ir lá, aconselhar o Lucas.

Neste final de semana passada, o Lucas numa besteira que fez, acabou sendo preso. Daí este irmão disse: “Vou largar de aconselhá-lo, mas vou hoje no culto pra congregar e ver se na Palavra sinto algo a respeito.”
Daí ele me confessou: “Mediante o conselho da Palavra eu vou continuar a aconselhar o Lucas, vou ajudar naquilo que eu puder, mesmo que todo mundo diga pra eu deixar ele pra lá, vou pedir a Deus pra que eu seja Samaritano e não doutor de Lei”.

Voltei pra casa com o coração cheio de alegria.

(Grifos meus-RF)




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A parábola da bola



Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:

– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.

Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.

– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.

Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.

De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.

Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.

Ed René Kivitz

segunda-feira, 8 de julho de 2013

EQUILÍBRIO CRISTÃO



  1. Sobre ESTA postagem... Lá se vão as minhas considerações. ;)

    Amor e Misericórdia x Ira e Justiça
    Eu vejo assim: no amor e na misericórdia de Deus está incluída Sua justiça. Quanto á ‘ira’, uma explicação que considero mais acertada foi a que ouvi de um pregador: que estar fora da Graça já é experimentar a ira de Deus. O mais, é invenção religiosa que desenha o perfil tosco de um Deus sádico para trazer o ‘rebanho’ debaixo de seu controle. Na verdade, a liderança religiosa é que é tirana, sádica, controladora e cruel.

    Lei x Evangelho
    Eu não colocaria apenas um versículo isolado para entendermos sobre lei e graça, e sim, a carta completa aos gálatas. Nessa carta, Paulo enfatiza a justificação apenas pela fé a um povo recém-convertido que fazia enorme confusão com costumes antigos (Bem atual) querendo incluir circuncisão e retorno à Lei mosaica.

    Fé x Obras
    Inclusive é sempre oportuno esclarecer que Tiago não está em desacordo com Paulo quando diz que ‘a fé sem obras é inoperante’. Enquanto Paulo diz a um povo LEGALISTA que esforço pessoal sem fé é vão (Bem atual também) Tiago diz em outra ocasião, a outra comunidade, que a salvação pela fé não exclui boas obras. Essas boas obras são resultado NATURAL da fé, e não, requisitos desta.

    Esperança no Futuro x Ação no Presente
    Creio que, quem tem a mente de Cristo, vê com a Sua perspectiva. Por mais que sua natureza humana queira se interpor, esse olhar vai se sobressair, respondendo em atitudes, acima de tudo, éticas! Isso não é uma ‘viagem’, isso é algo real e relacionado com o HOJE. Se projetarmos isso para adiante, estaremos fazendo negociação, barganha. Eis o grande vício das igrejas! Uns barganham com dinheiro, outros com a psiquê. Ambas atitudes deploráveis e que nada têm a ver com Jesus.

    Intelecto x Sentimentos
    O Espírito Santo age em ambos: no intelecto e no emocional. Só não podemos é confundir acreditando que porque ‘eu senti’ então foi o Espírito Santo que me disse. O profeta já dizia que o coração é enganoso. O ser humano tem a tendência terrível ao que lhe é conveniente então se aproveita disso para manipular o emocional do outro, dizendo que sentiu de dizer isso e aquilo e assim vai inventando e expandindo uma doutrina recheada de superstição e misticismo de dar inveja a macumbeiro e esotérico. E o mais grave: em nome do Senhor Jesus.
  2. Machismo x feminismo
    Sobre isso tenho vários textos no meu blog, mas coloco um link apenas para apreciação: DEUS E A MULHER.
    Deus nunca disse para a mulher ser submissa ao homem. Aliás, Ele derrubou um dos maiores dogmas da religiosidade judaica quando ‘engravidou' uma quase menina comprometida com outro homem. A fé triunfando sobre o dogmatismo é incontestável e serve de exemplo para os machistas que querem controlar a Deus dentro de seus círculos religiosos. Algo que traria implicações sociais devastadoras nos aponta para Deus como foco (e não, Maria) que disse: que se cumpra em mim a tua palavra (Dogmatismo-A Bíblia da Mulher-SBB)

    Em termos de relacionamento gosto dessa frase:
    ‘A mulher foi criada para ser a perfeita contraparte do homem, não sendo inferior nem superior, mas equivalente e igual ao homem em sua pessoalidade, enquanto diferente e única em sua função’.

    Jesus, sempre justo e coerente - e, jamais, machista! - repreende Marta (ela sim, de cultura machista) quando esta reclama que Maria está aprendendo ‘teologia’ junto com outros homens em vez de ir para a cozinha ajudar-lhe. Se Jesus fosse machista e separasse os homens das mulheres (como querem algumas denominações imitando o Judaísmo) ele diria “É, Maria, sua irmã tem razão, vá pra cozinha que é o lugar de mulher”. No entanto, Ele disse: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.

    O que Paulo diz à comunidade de Éfeso tem um detalhe importantíssimo que as pessoas não se ligam: ASSIM COMO. (Ef. 5:22.26) Tem que haver a mente de Cristo na jogada. E, não, submissão cega aos interesses pessoais e egoístas do esposo. A mulher JAMAIS é pra ser dependente, caladinha, silenciosa, sem senso crítico, sem capacidade de tomar decisões. Muito pelo contrário! Ao observarmos atentamente a 'esposa virtuosa' de Provérbios 31 descobrimos que se trata de um perfil muito atual e que tem todos os elementos que agradam a Deus: Razoável independência (v16), Confiabilidade (v11), Capacidade de assumir responsabilidade (v13), Bom gosto (v22) e determinação para ser digna de honra e elogios (v 28 a 31)

    Santidade x amor x ortodoxia.
    Por fim, eu diria que tudo isso acima se resumiria em santidade e amor. Santidade não é falsa piedade nem performance, nem obediência a cartilha religiosa. Santidade é vida cristã coerente e sem hipocrisia. E a ortodoxia é que é o risco, porque as crenças tendem a se empedrar e se sobrepõem à flexibilidade que a própria existência pede. A lei de Cristo é o amor. Quando se coloca o amor acima de leis estabelecidas por crenças, tem-se o equilíbrio desejado. Não o amor conveniente, mas o amor que quebra regras em nome do bom senso. Jesus nos dá inúmeros exemplos práticos disso em seus dias missionários aqui na Terra. Eis o equilíbrio...


    Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.
    (2T. 1.7)

domingo, 7 de julho de 2013

Ao Cristo Crucificado

Embora o título seja 'bem católico',
Jesus já passou por todas as etapas: nasceu numa manjedoura,
já foi 'Jesus menino', se fez homem, morreu, foi crucificado, ressuscitou e subiu aos céus.
E HOJE vive para sempre em nossos corações.





Não me move, meu Deus, para querer-Te

O céu que me hás um dia prometido

E nem me move o inferno tão temido

Para deixar, por isso, de ofender-Te.



Tu me moves, Senhor, move-me o ver-Te

Cravado nessa cruz e escarnecido.

Move-me no teu corpo tão ferido

Ver o suor de agonia que ele verte.



Moves-me ao teu amor de tal maneira,

Que a não haver o céu ainda te amara

E a não haver o inferno te temera.



Nada me tens que dar porque te queira;

Que se o que ouso esperar não esperara,

O mesmo que te quero te quisera."


Tereza d`Avila (Tradução.: Manoel Bandeira)


A autora (chamada de santa pela ICAR), diz poeticamente de seu amor incondicional. 

Ou seja, não precisa que Deus lhe prometa nada, para que ela lhe entregue sua vida, sua total dependência e adoração.

Não existe barganha, não existe medo, não existe religião, não existe dogma, não existe opressão nem pressão, enfim, absolutamente NADA que a impeça ou a impulsione a esse amor.



No amor não existe medo; 
antes, o perfeito amor lança fora o medo. 
Ora, o medo produz tormento; 
logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. 
(1Jo 4.18) 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa?!






Certas frases soam tão bem que parecem até ser verdade. Uma delas é essa frase de “Miss Universo” recitada do livro “O Pequeno Príncipe”.

Nunca vi uma receita de doença ser escrita com tanta beleza e aparência de verdade! De fato, estou escrevendo isto apenas porque hoje recebi alguns e-mails de gente me dizendo basicamente o seguinte:

“Puxa, mandei uma carta pra você fazendo perguntas e abrindo o coração, e você nunca me responde. Continuo amando você apesar disso. Mas quero que você saiba que me cativou. Por isso, quero resposta. Me responda, porque eu amo você”.

Todo mundo gosta de ser amado, mas eu já tive mil vidas de amor por mim que quase me mataram.

Sim, pode-se ser vitimado e morto por esse tipo de amor “Pequeno Príncipe”.

Só Deus sabe as centenas de viagens que não podia fazer mas fiz. Tudo por causa do sequestro do “amor”.

Só Deus sabe quanta coisa minha, pessoal, essencial, e de profunda significação, deixei de fazer, apenas porque estava sequestrado por esse tipo de amor que ama convenientemente transferindo responsabilidades para você.

Não, meus amigos! Não estou mais sequestrado pelo amor dos que barganham!

Esse tal amor é barganha infantil e profundamente sequestradora. E tem gente que só ama assim: em troca de alguma coisa — preferencialmente em troca de você, de sua alma.

Esse amor, hoje em dia, eu o discirno de bem longe. Não me diz mais nada. Enfartei dele!

Esse amor é amor de vampiro!

Tal amor é doença e gera co-dependência. Você fica sequestrado pelo outro, sendo que o outro obriga você a ser dele sem que você possa ser, posto que nunca pediu para ser, muito menos para ser daquele modo e com aquelas cobranças. É como ir andando na rua, ser achado bonito, e, em razão disso, ter que ceder a todas as cantadas. Afinal, você cativou pessoas, e, supostamente, não se pode deixar de aceitar responsabilidades por ter gerado algo tão divino nos outros.

Tudo bobagem! Narcisismo bondoso, porém, ainda, narcisismo! Eu, todavia, já fui vitima disso, e sei que quando você se arrebenta contra a penha da existência, os seus “amantes cativados” acusam você de os haver traído.

Ah, quantos amigos desses eu tive! E onde andam? Cobravam-me presença, atenção, responsabilidades, se diziam irremediavelmente meus discípulos, culpavam-me de os haver convertido e de os haver apresentado um evangelho tão belo, de tal modo que ou eu os atendia ou tinha que viver com a acusação desses amantes cativados.

Fiz tudo para agradar a milhares e milhões de amantes fraternos!

“A minha vida, ninguém a tira de mim; eu espontaneamente a dou...” — ensinou-me, na prática, o Senhor.

Assim, meus amigos, escaldado e livre, esse gato já não tem donos terrenos que pelo “amor de vampiro” o possam impressionar. Antes, eles tiravam de mim. Hoje, meus queridos, eu dou!

Faço só o que posso, e não estou num concurso de amor fraterno. Podem amar a quem desejarem. Fico feliz quando vejo as pessoas amando, não sinto ciúmes de ninguém que seja mais amado do que eu.

No entanto, saibam todos: o Bom Pastor, que conhece todas as ovelhas e que pode cuidar de todas, só há um: JESUS! Ele é o Único Pastor porque somente Ele pode cuidar de todas as ovelhas. E mais: somente Ele pôde dar a própria vida e depois reavê-la. Esse mandato, todavia, eu não recebi de meu Pai.

Eu —meu Deus!— mal dou conta de meu dia!

Assim, amigos, me escrevam. Deus sabe como faço tudo isto aqui com todo amor. No entanto, saibam: eu não estou sequestrado pelas afirmações do amor de ninguém por mim. Sou responsável por tudo aquilo que eu puder ser, mas não sirvo às neuroses da falsa bondade. Eu me amo o suficiente para não me deixar mais sequestrar pelo amor barganhante de ninguém.

E mais: minhas prioridades, essas eu decido. Nunca mais pretendo deixar que ameaças de amizades forcem o curso de meu caminho.

Afinal, meus amigos, eu também amo, e, também, escolho dar amor a quem quero — pelo menos esse amor que envolve amizade e compromisso. E como sou apenas um, posso apenas aquilo que um único um pode.

Quem puder mais do que eu, não me cobre; por favor, me ajude!

Um beijo,


(Negritos meus-RF)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Fragmentos de 'diálogos' nada virtuais...



Joao1 disse:
Regina, responde-me uma pergunta. Aquele que diz da boca para fora que está arrependido, e continua na mesma, arrependeu-se de fato?

Regina Farias disse:
João, você está lembrado que disse que eu não te engano com meu amor fingido? É claro que eu não me ofendi, e isso já te disse. Afinal o ser humano é assim mesmo, vive se precipitando e fazendo mau juízo dos outros. Eu sou assim, você é assim, todos somos assim, uma hora ou outra nos pegamos fazendo isso por causa da nossa limitada percepção das coisas.

Mas vamos ser coerentes. Você achar que sou fingida não fica estranho me perguntar acerca de arrependimento? Qualquer coisa que eu te disser vai te soar fingido porque você já criou uma capa de defesa e proteção contra minha fala. Porém, como sou educada - e mesmo sabendo quando se trata de uma pergunta capciosa - vou tentar responder sem a pretensão de querer te convencer de alguma coisa. Afinal, Quem nos convence é o Espírito Santo. E eu não tenho essa petulância, como li de um comentarista que estava tirando a venda dos olhos de outro. Isso é atributo exclusivo de Deus.

Já foi dito de diversas formas aqui qual é a sequência numa conversão e a consequência natural dela. Porém, como diria Paulo: ‘… o querer o bem está em mim, não porém o efetuá-lo. Porque não faço o bem QUE PREFIRO, mas o mal que NÃO QUERO, esse faço’. Por mais que pareça contraditório, esse é o perfil do arrependido, do convertido. Surpreendendo-se a si mesmo como réu confesso. Para mim, esse é o retrato do processo de crescimento na conversão e que não tem a ver simplesmente com ‘obedecer à Lei religiosa’. Pois, mesmo que se insista em bater na tecla do cumprimento mecânico de uma lista do bonzinho arrependido, é justamente aí que está a armadilha, a sutileza do vício religioso cuja cilada é alimentar o cinismo e a hipocrisia.

Arrependimento não é algo pronto e acabado, é uma coisa constante. Você tem um arrependimento genuíno inicialmente quando a ‘ ficha cai’, mas é um processo pra vida toda. Porque conversão é todo dia, é não se conformar, não se acomodar, é renovar a mente, como disse Paulo. É confessar-se todos os dias ‘dando razão a Deus’, mas com naturalidade, com um olhar limpo e desimpedido das ‘obrigações de crente’, livre das vestes de religioso. Sendo apenas um ser humano que SABE que depois de uma experiência real com Jesus não tem como fingir diante de Deus. Porque ele SABE que não tem nenhuma outra alternativa fora da Graça.

A bíblia nos diz que Pedro chorou amargamente depois que negou a Jesus. Simplesmente porque uma vez que essa revelação se instala em alguém – ainda que não haja garantia de perfeição – essa pessoa SABE que não há qualquer opção senão a Graça experimentada. E aí ele se arrepende e volta. E vacila, e faz bobagem e se arrepende. E volta. Como Pedro fez. Como 'o filho pródigo’ fez. E se arrepende. E volta. E erra e cai e se levanta com a ajuda de Deus. É isso. 

Não tem uma mágica, uma mudança estática. É algo dinâmico. É crescimento. É amadurecimento constante. E se ele está sendo fingido, cínico, fraco, ou seja lá o que for, não é ‘ministério’ nenhum que vai determinar isso. É Deus e somente Deus! Só Deus conhece o coração de cada um e sabe se é fingimento ou sinceridade. É uma sintonia, uma ligação de Espírito com espírito cujo acesso já foi realizado por meio do Sacrifício Perfeito e que não cabe mais nada além dessa ligação.

Diante disso repito apenas o que disse Jesus sobre sua ‘religião’ e seus mandamentos:

‘Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns com os outros’.

Porque Deus não tem nenhum altar de culto fora do amor ao próximo. E, neste amor que Jesus manda amar, está incluído todo o comportamento adequado diante do nosso semelhante. Nenhuma visita a órfão ou viúva servirá de nada se for feito apenas pela obrigação agendada na cartilha religiosa; tem que haver um sentido bem maior, até porque se não for por amor, de nada se aproveitará.

Parece que a gente está dando liçãozinha, mas é tão simples o que agrada a Deus e que tem a ver apenas com o nosso comportamento com o outro. E que nada tem a ver com regrinhas extraídas das cartas apostólicas. Tem a ver com vida coerente, sincera, verdadeira, e acima de tudo ética e que esteja conforme o respeito,a solidariedade e o cuidado para com o próximo.

É chato ter que repetir o que já se disse, mas não tem outra forma de dizer a proposta simples do Evangelho e apenas vivê-la com sinceridade. Somente isso. É de uma simplicidade tão desconcertante que o religioso que se diz PERTENCER a uma denominação não consegue entender.




quinta-feira, 9 de maio de 2013

Que cristão sou eu?!




Está ficando enfadonha essa repetitiva técnica de catar uma frase solta na intenção de pegar outra pessoa em contradição e constrangê-la nos comentários. E se fosse apenas repetitivo e enfadonho, vá lá. Até aí tudo bem, afinal cada um que absorva e administre seu grau de paciência (afff!) na hora em que for ler os comentários. O problema é que, justamente pela repetição, já deu pra perceber até demais que a colocação é bem tendenciosa e maliciosa.

Geralmente, quem lança mão desse artifício não tem muito o que dizer do texto em geral, então procura algo que possa comprometer sua autoria. E, mais grave ainda! – algo para distrair a atenção do que se está dizendo, com a finalidade de denegrir a imagem da pessoa em questão. Duas leviandades num pacote só. Por que será que isso me faz lembrar os fariseus na cola de Jesus pra pegá-lo em contradição e desmerecê-Lo?! E até já houve quem dissesse que isso era tática de simpatizante. Será que aqueles intransigentes simpatizavam mesmo com Jesus? Então, se eles tinham simpatia por Jesus eu imagino como seria se fosse perseguindo… Ué! E não era?!

Lamentavelmente, algumas pessoas não sabem discutir ideias sem conseguir levar para o lado pessoal, tendo sempre que dar um toque malicioso de achismo sobre o estilo pessoal do outro, quando não acusa, aponta, rotula e traça o perfil do outro precipitadamente e sem nenhum constrangimento. Há quem vasculhe o blog da gente pra procurar algo que queime nosso filme.  Lembro-me de uma frase jocosa mas verdadeira, dessas de facebook,  que diz assim: ‘se você for falar mal de mim, me chame, sei coisas terríveis a meu respeito’. Sim, porque muitas dessas pessoas equivocadas pensam que, se estamos falando do amor de Jesus é porque nos achamos perfeitinhos e então inicia uma devassa na vida pessoal da pessoa com os instrumentos que possui, faz uma tosca análise pessoal e a expõe só por pura maldade. Alguns chegam ao cúmulo de denegrir, descaradamente, a imagem do pai e da mãe da comentarista, como fez comigo um senhor 'cristão' bem adulto, e já avô, esquecendo-se que quando se julga, imediatamente está se expondo ao julgamento também.

O termo ‘cristão’ nos remete a alguém se parecer com Cristo, andar como Cristo, pois assim foram chamados (rotulados) os que O imitavam. E o termo ‘ortodoxo’ refere-se ao que defende com unhas e dentes leis e regras.  Enquanto Jesus – pelo Seu imenso Amor – foi o primeiro a quebrar regras rigorosas da lei mosaica. E ainda há quem se apavone equivocadamente e se auto rotule como ‘cristão ortodoxo’... Aí eu fico a me perguntar: como assim?! E aí eu me pego criticando... Igualzinha aos outros que me criticaram (risos). Afinal, quem critica está exposto a críticas também...

Vejam que Paulo, escolhido a dedo pelo Mestre, mesmo assim deu os seus vacilos!  Só que,  muitos denominacionais o comparam a Jesus e quase chegam a acreditar que ele é a Quarta Pessoa da Santíssima TRIndade, confundindo suas ordens disciplinadoras com o Evangelho, escandalizando-se com certas referências a São Paulo. E não é de hoje que se percebe essa confusão onde as cartas de Paulo – endereçadas especificamente e muitas vezes como disciplinadores puxões de orelha – são transformadas em pontos doutrinários em nome de Jesus. Por acaso Paulo não é um homem igualzinho aos outros? Sendo réu confesso em suas cartas, ninguém melhor do que ele mesmo para dizer que é falho como qualquer mortal. Demonstrando humildemente ser passível de erro como qualquer outro ser humano na face da terra.

A contradição é o ódio que exala do coração opressor de algumas pessoas cristãs que se manifestam contra quem fala diferente delas.  Pois, como diria o Mestre, a boca fala do que o coração está cheio.Ora, convenhamos: é urgente descer do pedestal religioso e ter um mínimo de humildade e coerência. O que mais me entristece é que são pessoas que confessam o mesmo Jesus.  Porque, se não fossem pessoas falando em nome de Jesus, certamente eu mesma nem me importasse, não perderia minhas energias e passasse longe daquilo que leio. Ou, no máximo, lesse as sandices e apenas desse ótimas risadas. Mas isso não é algo de que se deboche. Isso causa, no máximo, perplexidade. Afinal, o que há de engraçado nesse engano terrível? Há quem confunda ironia com deboche. Ora, como falei dias atrás sobre isso em comentário, vejo a ironia como uma ferramenta da retórica para criticar e denunciar um ato reprovável. O que, por outro lado, isso não signifique, de jeito nenhum, ser indiferente. A indiferença sim, é que é oposto do amor. Já o ódio é um intenso sentimento de raiva que é traduzido em antipatia, aversão e rancor que gera inimizade, geralmente provocado pela vontade de reprimir um desejo, um objetivo. Assim, junte-se a indiferença ao ódio e temos o ‘xiita’ cristão na sua mais perfeita tradução.

E o mais alarmante, é que se está falando de vida, de plenitude de vida, de vida em abundância, de ser livre, leve e feliz entregando o peso da bagagem a Quem se confia de verdade. Mas, infelizmente quem só enxerga a dureza da lei não consegue atinar para algo tão simples.

É como falei há poucos dias no blog de outro amigo sobre um texto cujo título é “O Conceito Jesus’. Esse Conceito que precisa ser implantado urgentemente nos corações, mas principalmente, no coração do que bate no peito dizendo: Templo do Senhor é este! - E não referindo-se ao próprio ser como deveria, mas à estrutura religiosa à qual ele passou a PERTENCER e que passou a ser o seu objeto de adoração. A Virgem Maria Igreja Imaculada - como diria um pregador que eu admiro. E, achando ter o aval de Jesus, saem falando coisas absurdas, usando expressões próprias do evangelho da condenação que tanto pregam talvez sem nem notar, posto que é algo que já vem embutido na carga que lhe foi colocada nos ombros – enquanto batem no peito, dizendo orgulhosamente: graças dou por não ser como ‘os outros’.

Infelizmente a defesa denominacional que se vê em alguns corredores da vida é tão ferrenha que acaba-se perdendo o foco e não se percebe que o foco original é sempre sobre os males que causam a opressão religiosa, e não, particularmente de determinada denominação. Acontece sempre de alguém se doer, por acreditar piamente que ela (a denominação) é imaculada, levando para o lado pessoal e aí começam os achismos pessoais. Percebe-se isso, claramente, pela sequência dos comentários. E o fato de eu não usar clichês religiosos de falsa piedade, não significa que o que eu falo não seja em amor. Apenas os que acreditam nessa conspiração neurótica de que se quer ‘acabar’ com essa ou aquela instituição, é que caem nessa cilada. Um puxão de orelha - como já disse um anônimo sobre meu ‘estilo’ - é muito mais atitude de amor do que palavras condescendentes. Além do mais, eu não faço bem o tipo de quem está preocupada com reputação, esperando elogio, aplauso ou reconhecimento acerca do que falo. Deus conhece cada coração. Ele o esquadrinha e conhece cada intençãozinha dele lá no mais recôndito do seu espaço.

Definitivamente, eu não faço mero discurso de liberdade. Não, meu amigo de fé, meu irmão, camarada. Eu simplesmente VIVO essa liberdade. O que digo é reflexo de uma vida autêntica. E, com a ajuda de Deus, vou sempre comentar onde me for cabível, sobre tudo que tira esse maravilhoso direito natural concedido pelo próprio Jesus e que a religião tem o desplante de tirar. É Nele que sou livre. O único bem que importa Jesus o tem realizado em mim na sua plenitude. E isso, nenhuma denominação é capaz de fazê-lo! Isso é experiência pessoal! E é um suprimento pra todo o sempre que não nos faz melhores que ninguém, mas nos faz confiantes de que Nele estamos seguros. Simplesmente assim. Como falou um dia um pregador da Palavra, é uma vertigem que poucos entendem e poucos aceitam, posto que não se vê e não se pega. E apenas se SABE e se experimenta, errando e aprendendo, caindo e se levantando, sabendo de onde vem o amparo, testemunhando no chão da existência, não pensando em bonificação, mas como consequência natural de quem espalha o que se recebeu de GRAÇA. E que os religiosos acostumados com o contrário, resistem em enxergar,  pois não querem deixar suas seguranças visíveis e aplaudidas pelos seus conservos. Seguranças tão exaltadas repetidas vezes e que denunciam, assustadoramente, onde está, de fato, sua verdadeira adoração. 

Texto construído a partir de comentários feitos AQUI <--- p="">

RF.


sábado, 20 de abril de 2013

Inflexibilidade e dureza... De Jesus?!






Há um risco enorme em se distorcer completamente as palavras de alguém quando se coloca, convenientemente, apenas uma parte do que foi dito. Isso é muito grave, seja em que situação for, porque, conforme o que adicionamos quando vamos nos expressar, estamos levando adiante afirmações que podem influenciar de forma perversa (per - verso : em caminho contrário, do outro lado, do lado oposto) na vida de alguém porque não tivemos o devido cuidado no manejo daquela palavra, acrescentando e subtraindo conforme a nossa limitada compreensão. 

Isso acontece com muita frequência e nas mais diversas situações, causando toda sorte de males. Em uma conversa informal gerando fofoca, por meio de uma (des)informação técnica culminando em erro médico, num diálogo aparentemente despretensioso do cotidiano com pitadas de malícia ou, simplesmente, levando adiante uma notícia deformada e tendenciosa sem antes fazer uma checagem de sua origem e do seu contexto geral. E, em relação às palavras de Jesus, não é diferente. Pegamos um punhadinho de versículos soltos e cometemos dois sérios erros: primeiro o da pretensão de traçar o caráter de Jesus; e, segundo - com esse perfil traçado - condenar as pessoas em Seu Nome.

E, assim, seguem os judaizantes de hoje. Continuando tão equivocados quanto a nação judaica antes de Jesus, que acreditavam que o Messias viria para derrotar seus inimigos. E que reinaria a vitória e a paz entre eles, os supostos abençoadinhos que viviam se esforçando em performances para encobrir seu coração perverso. Bem atual... Um 'povo eleito' completamente corrompido: líderes aceitando suborno, sacerdotes ministrando com olho no benefício pessoal, profeta fazendo comércio, oprimindo os pobres sem dó nem piedade. E todos praticando RELIGIOSAMENTE, as regrinhas que lhe davam falsas garantias de vida eterna. Enganando a si mesmo e aos outros com sentimentos religiosos de segurança, fazendo as ofertas queimadas, com seus azeites e seus sacrifícios religiosos conforme os cerimonialismos da época. Enquanto o Senhor dizia que não queria nada daquilo, e sim, misericórdia, humildade, justiça, obediência, enfim tudo que estava faltando. E o profeta (Mq) falou de uma nova e eterna aliança que Deus faria em breve, conclamando a todos - líderes e povo - ao arrependimento sincero, pois a prosperidade havia endurecido a mente daqueles que se equivocaram com as falsas seguranças. 

Então, Jesus esclareceu o que o profeta havia dito a respeito dessa onda de corrupção moral. (Lucas 12: 51.53) Porque os homens falavam em paz quando eles mesmos – o povo de Deus – provocavam a dissensão e imoralidade ética e espiritual, não havendo um amigo sequer que se pudesse confiar, principalmente dentro da própria casa, da própria família, entre os próprios componentes de seu convívio. Reinava uma desconfiança geral na comunidade, refletindo em casa (ou vice versa), onde filho desprezava pai, filha se levantava contra a mãe, contra a nora e a sogra, mostrando que não havia confiança e amizade nem mesmo dentro da própria casa de tão corrompido que o povo estava. E o profeta (Mq) já falava dessa paz que haveria de vir, com restauração e bênçaos aos arrependidos sinceros, referindo-se ao nascimento do Messias e do Seu reinado.

Outro versículo que muitos usam sem atentar para o pano de fundo do acontecimento:

'Tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo,, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio'. (Jo 2:14.16)

Essa passagem é emblemática, desencadeada pelo que vinha acontecendo há muito tempo no meio do povo de Deus que havia se corrompido por completo. E, ali, Jesus presenciou os comerciantes vendendo ‘gato por lebre’ enquanto o cordeiro imaculado era o único que servia para a queima e oferta. Estes desonestos estavam ludibriando os pobres ignorantes e oferecendo cordeiros ‘manchados’, e isso - entre outras coisas - levantou a ira de Jesus. Aliás, como se diz o jargão: foi a gota d' água diante do quadro que ora se apresentava, considerando que o que deixava Jesus irado eram a religiosidade pretensiosa e a falta de compaixão. 

Alguns religiosos inflexíveis confundem o caráter de Jesus com a própria natureza e os pacotes doutrinários que eles mesmos estabelecem, atribuindo-Lhe um perfil 'enérgico e duro' para com os que não querem seguir seus ensinamentos. Entretanto, as narrativas dos evangelistas nos apontam, claramente, que Jesus só era ‘enérgico e muito duro’ com os que se usavam do nome de Deus para, fazendo-se de santinhos e piedosos, explorarem os inocentes. Jesus só era ‘enérgico e duro’ com aqueles religiosos que, cheios de si mesmo, não agiam com misericórdia para com ‘os de fora’. Jesus era enérgico e duro com os que se arrogavam mais espirituais. Jesus era enérgico e duro com os que se assentavam nos tronos das sinagogas, enquanto suas vidas denunciavam sua hipocrisia. Jesus era ‘enérgico e duro’ com os que comercializavam a fé. E, aqui, o comércio não se limita apenas ao dinheiro; pois escravizar mentes por meio do terror e da opressão também era e continua sendo um tipo de barganha abominável a Deus, uma vez que causa enorme estrago na dimensão da mente e das emoções. Em relação A ISSO o vocabulário de Jesus era inflexível e duro. E continua sendo. Afinal, as multidões continuam ‘seguindo-O', dizendo-se Seus ‘servos’, exaltando Seu Nome. Seus lábios honrando Seu Nome… Mas seus corações distantes DELE. Posto que próximos demais dos próprios acréscimos e decréscimos religiosos invalidando a Palavra de Deus.

Finalmente – enfatizando a colocação correta de um texto dentro do seu devido contexto – a murmuração dos judeus, associada a total perplexidade era porque Jesus apresentava-lhe uma forma completamente diferente de tudo que eles já haviam vivido, de tudo que seus antecessores haviam lhe repassado e que dizia respeito a suas convicções, seus credos, seu formato religioso de adoração. ( João 6: 28.71) Igualzinho como se vê hoje! As pessoas estão engessadas e presas a um padrão religioso repassado ao longo do tempo e se escandalizam com o novo. E Jesus era a novidade. O novo. O renovo! A Nova e Eterna Aliança em pessoa! Toda a segurança que eles tinham estava sendo questionada, indo tudo por água abaixo. O que Jesus apresentava-lhes era muito forte. Isso esmorece qualquer um. Sua incredulidade partia de seu engessamento religioso, seus costumes, suas leis religiosas que lhe garantiam o céu. Seu esforço pessoal, igualzinho como nos dias atuais!!! Eles seguiam cerimônias da lei judaica que lhes davam segurança (ilusória). Então Jesus chega e diz que não foi Moisés quem deu pão. E que ‘o pão que desce dos céus’ (referindo-se a ele mesmo) este sim, é o pão que dá vida ao mundo. Isso não tem absolutamente NADA a ver com ‘sã doutrina’ denominacional. Isso tem a ver tão somente com Jesus. E foi o que Ele disse de forma contundente. Você vem ou não? Simples assim. Isso não tem nada a ver com esforço pessoal, mas com fé, unicamente, não estando vinculado a ‘um corpo de doutrinas’.

Há um contradição terrível quando se afirma que a salvação é misericórdia divina e ao mesmo tempo se dizer que é necessário ‘MOSTRAR TODO MEU ESFORÇO’. Ora, nenhum esforço é capaz de conseguir salvação. O sacrifício já foi feito. Agora é só descansar e crer no que está feito. Ou então seguir com as próprias convicções religiosas. Jesus não se surpreenderá mas também não lançará maldições. Ele esclarece -  e testa -  como fez com o jovem riquinho ao aproximar-se d'Ele e perguntar-Lhe ‘o que eu posso fazer’ para ganhar a vida eterna. Jesus devolve a negociata sutil dizendo pra ele vender tudo e distribuir com os pobres e depois voltar e segui-Lo. Ele foi embora e Jesus não disse ‘volte aqui agora senão vou lançá-lo no fogo do inferno’. Jesus simplesmente esclareceu deixando-o à vontade, mas ele não quis. Afinal, o que ele queria era saber O QUE ELE PODIA FAZER para merecer a vida eterna. Naquele eterno paganismo da natureza humana de que FAZENDO ALGO - um esforço, seja qual for! - teremos um benefício em troca. 

Não estou dizendo que não há juízo. E é óbvio que ele faz parta da história redentora. O 'detalhe' é que o juízo não é um atributo do homem. E, sim, uma forma de manifestação da reação de Deus à perversidade. Reação... De Deus! Ainda bem...



'Na Cruz, o juízo e a misericórdia encontram-se e ambos saem vitoriosos'. 

Dirigiram-se, pois a ele, perguntando:
- Que faremos para  realizar as obras de Deus?
Respondeu-lhes Jesus:
- A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.
(João 6: 28.29)


Comentário feito AQUI 




sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Perdão






Para mim, é no perdão onde começa a genuína comunhão com Deus. 


Não atentamos (nos fazemos de desentendidos) para o 'ASSIM COMO' da oração que Jesus nos ensinou. 

Isso é muito sério! 



E nos versículos seguintes -14 e 15 - Jesus ainda enfatiza, pra deixar bem claro e não restar qualquer dúvida:



Porque SE perdoardes aos homens as suas ofensas vosso Pai celestial vos perdoará; SE, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. 

Esse 'assim como' e esse 'SE' são condições para que Deus nos perdoe. Está muuuuito claro!!!

Em Lucas, Jesus mostra que o número de vezes para perdoar um irmão arrependido é ilimitado: 

'E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe'. (17:3.4)

Também no exemplo da pergunta de Pedro, Jesus responder 'setenta vezes sete', indica infinidade de vezes! Tantas quantas forem preciso!

Resumo da ópera: exercer misericórdia com o nosso próximo é pré-requisito para receber o perdão de Deus. Ponto!

E é claro que não é fácil! Mas aí é onde recorremos a Deus! Entregando-LHE nossas mágoas verdadeiramente, sem reservas, além de reatar a relação que estava 'arranhada' vamos passando por um impressionante processo de cura. No final das contas é um processo que beneficia a todos. 

Como eu amo esse Jesus prático, ético, curativo, perfeito, que nos impulsiona na busca de soluções saudáveis que nos façam amadurecer em todos os sentidos e possamos (con)viver sem nos ofendermos, nos acusarmos, apontarmos o outro, para que, enfim, possamos viver em harmonia... Ainda que divergentes! E, quando acontecer de vacilarmos e voltarmos a ofender, e acusar, e apontar, e julgar... Recuarmos! Começando tudo de novo, num mesmo processo, pra vida toda...

O que eu observo, e me deixa mais apaixonada por esse Jesus maravilhoso, é que nas suas exigências nada tem de religioso, não tem nada a ver com performance, com exterioridades. Seu zelo, seu cuidado, seu amor infinito é em relação às doenças das nossas almas que nos viciam, nos oprimem e nos aprisionam, impedindo-nos de colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. 

Eita, Jesus!!! ;)

Comentário feito AQUI  <--- nbsp="">