De quem é a responsabilidade pelo erro coletivo entre os que confessam o Nome?
É claro que o povo é responsável também, mas, na Bíblia, a maior responsabilidade é de quem não é povo, como o rei, o sacerdote ou o falso profeta.
Na Bíblia, os verdadeiros profetas não poupam o povo, mas o tratam como um menino tolo e enganável.
Oséias diz que assim como é o povo é o profeta, e assim como é o profeta é o povo...
No entanto, é o profeta que diz: “Eu tenho a Palavra do Senhor!” O povo apenas diz: “Conta-nos, então”. E, frequentemente, ouve sem saber discernir a mão direita da esquerda.
Por isso, o povo sofre.
Nos evangelhos vemos o amor e a compaixão de Jesus pelo povo, chamando-o de ovelhas sem pastor.
Assim, Ele diz que, quem sabia pouco e errou conforme o que sabia, esse levará poucos açoites, mas o que sabia muito e não curou os seus próprios caminhos, antes deliberadamente continuou em seu erro, esse levará muitos açoites.
As piores advertências do Novo Testamento são feitas a quem diz que sabe, a quem diz que vê, a quem diz que conhece e propõe que outros façam conforme ele diz saber.
As únicas vezes que Paulo menciona nomes negativamente nas suas cartas, todas elas têm a ver com aqueles que diziam que sabiam, mas ensinavam o erro.
O mesmo se pode dizer de Pedro. Suas duas cartas lidam com os que diziam que sabiam e ensinavam errado.
Judas, o irmão do Senhor, também dedica a sua cartinha aos que diziam que sabiam e ensinavam, e, por isto, corrompiam o povo pelo engano de seus ensinamentos.
As duas últimas cartas de João se referem também aos que impediam o povo de ter acesso ao que era bom e verdadeiro.
Por último, à exceção da Carta à Igreja em Filadélfia, todas as cartas às Igrejas do Apocalipse, são textos de advertência ao anjo, ao mensageiro; e, além dele, aos que, no grupo, diziam que sabiam, e, portanto, ensinavam errado e corrompiam.
Tiago diz:
“Não nos esqueçamos, irmãos, que aqueles que dizem que são mestres, esses receberem muito maior juízo!”
O que pode qualificar então alguém para anunciar o que sabe?
Primeiro: saiba apenas o que está revelado. Todos os problemas acima mencionados com Paulo, Pedro, Judas, Tiago, João e outros, sempre se vincularam ao que os mestres traziam como novidades.
Segundo: ensine somente aquilo que você sabe que Jesus ensinou e que os apóstolos ensinaram; portanto, não invente.
Terceiro: veja quais são as implicações de suas opiniões em relação ao que já esteja revelado. Não tenha opinião que se choque com a revelação, nem ao menos de resvalo.
Quarto: creia que você se torna responsável pela mentira, pelo engano, pelo destorci mento, pela perda de rumo que seu ensino sugerir...
Quinto: saiba que sua falta de fé não deve ser sua mensagem, pois, por ela você será cobrado.
Sexto: por mais cheio de conhecimento que você seja, ainda assim não pregue se você apenas souber sem fé. Não anuncie nada sem fé. Nem mesmo um grande conhecimento!
Sétimo: saiba que aquele que ensina fabrica ideias e pensamentos. Portanto, veja o que você semeia na mente das pessoas. No fim, você será cobrado por todas as sementes híbridas que plantou ou por todas as sementes que você anunciou como sendo de uma qualidade, quando, de fato, eram de outra.
Leva tempo até que a Palavra seja decantada em nós.
Por isso, se diz que o neófito, ou recém, o novinho, o jovem imaturo, ou o homem empolgado, não deve sair pregando; antes, precisa dar tempo ao tempo e ver que qualidade de fruto será produzida em sua própria existência.
E mais:
Se em sua casa, com os seus, você não frutifica o Evangelho, por que haveria você de pregar a outros. Se você não faz o Evangelho mostrado em silêncio pela sua própria vida?
A seara é grande e os trabalhadores são poucos.
Mas Jesus mandou treinar e recrutar?
Não! Ele disse que se deveria pedir ao Senhor da seara para que Ele mesmo mandasse trabalhadores para a Sua seara!
Assim, melhor do que uma multidão de pastores que não sabem discernir entre a mãe direita e a esquerda, é ter apenas uns poucos pastores maduros, mas que façam tudo com amor e certeza em fé.
Não se apresse em levantar-se para pregar! Apenas compartilhe o que seja o amor de Deus em você.
Não se apresse em ensinar, deixe que a Palavra levante você.
e não vestirá o homem vestido de mulher,
porque qualquer que faz isto
abominação é ao Senhor teu Deus'.
E nos dias de hoje, então... Bora combinar que não se aplica mesmo nada disso que os mais antigos continuam insistindo em querer impor aos mais jovens que, diga-se de passagem, não estão mais engolindo silenciosamente essa interminável lista de normas relacionadas à própria exterioridade. (Basta ver os comentários destes em determinados blogs)
Portanto, se mulheres de algumas denominações que se ACOSTUMARAM a identificar-se assim, destacando-se orgulhosamente (vaidosamente) seguindo à risca (à risca mesmo? Há controvérsias...), determinações ligadas a exterioridades, mulheres estas que se dizem tão 'tementes' a Deus, se elas vissem mesmo essa prática como algo ABOMINÁVEL aos olhos de Deus, certamente não ousariam descumprir uma ordem divina tão contundente, por mais que 'o trabalho' exigisse. (E por mais que o apóstolo Paulo dissesse para obedecer ao chefe). Sim, pois não são poucas as mulheres que deixam escapar a desculpa esfarrapada 'Ah, eu uso calça comprida por exigência no trabalho'. (Amparando-se em ensinamentos de cartas paulinas sobre submissão)
Outra desculpa esfarrapada, também retirada de todo um contexto de orientações paulinas - que se tornou um jargão intragável - diz que é 'para não escandalizar as mais fraquinhas'. Então, por que não começar esclarecendo? Pois, se aquele comportamento, não provoca em mim quaisquer resquícios de crise de consciência, certamente terei como falar a esse respeito com firmeza e serenidade com qualquer pessoa que me abordar nesse sentido.
Toda essa confusão religiosa me lembra uma passagem em Levítico 18 (versículos de 6 a 18) que muitos crentes de boa fé, porém engessados pelas normas religiosas, também utilizam de forma tremendamente equivocada.
Refiro-me, mais particularmente, a este versículo:
'Não descobrirás a nudez de teu pai e de tua mãe; ela é tua mãe, não lhes descobrirás a nudez'.(v7)
Lembro-me de uma senhora já idosa que havia sido operada e, quando lá cheguei para visitá-la, seu filho sentir um grande alívio pela minha presença, pedindo-me para ir lá no quarto ajudá-la a levar ao banheiro com urgência. Não entendi porque ele mesmo não o fez, e ele me explicou que não podia porque ela estava com pouca roupa por baixo dos lençóis. Além, claro, da exposição inevitável da intimidade em um evento assim. Quando questionei acerca da necessidade urgente dela, ele me deu esse versículo acima. Não concordei e expliquei a que se refere tal versículo. Ademais, que Deus inflexível é esse que impede que um filho auxilie a mãe? E se eu não chegasse ali? E só tivesse ele e mais ninguém para ampará-la? E as mães idosas que só geraram um filho? Deus ia permitir que ele a desamparasse, qualquer que fosse a situação? Deus é, acima de tudo, amparo, zelo, amor, cuidado, auxílio, atenção. E isso, Ele deseja que seja refletido na nossa vida prática, no nosso cotidiano.
Ora, qualquer pessoa que ler do versículo seis até o dezoito entenderá perfeitamente que aquela colocação ali se trata de INCESTO. Não precisa ser teólogo nem ter dons especiais, é suficiente APENAS se despir de regras estabelecidas, para entender o que está colocado de forma bem simples:
Nudez descoberta --> referência a relações sexuais e/ou coabitação.
Isso, porque naquele contexto, havia uma grande devassidão devido às ramificações espirituais e sociais ligadas ao pecado. Além disso, naquela época as pessoas viviam em clãs ou grupos numerosos, vivam em tendas, morava todo mundo junto, sendo tudo isso 'prato cheio' para a proximidade e a intimidade sexual. Inclusive, o capítulo 18 de Levítico se encerra com uma forte advertência (v24 a v30) contra o comportamento sexual pervertido, o que confirma a conotação e o sentido da evidente referência ao incesto.
Enfim... Como falei em comentário sobre 'usos e costumes' em um blog de um amigo, eu lembraria aqui as palavras de Jesus 'não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça', em mais um dos milhares momentos de controvérsias entre Ele e os judeus (com seus usos e costumes como passagem garantida para o céu), onde Ele rebate com veemência o rigor com leis estabelecidas, colocando em segundo plano a necessidade do próximo.
Gente, pensar não faz mal algum. Ao contrário, derruba mitos. Inclusive os mitos que nos oprimem o corpo e a alma. E isso faz muito bem. Liberta! Liberta-nos dos velhos e carcomidos costumes, muitos deles, de origem pagã.
N´Aquele que veio ao mundo, não para nos tirar a inteligência, mas livrar-nos dos nossos pecados. Inclusive, o da opressão religiosa.
R.