"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Padre Beto


Excelente entrevista! Penso exatamente igual!
Admiro muuuuuito gente assim que não se esconde 
atrás do véu turvo e hipócrita da religião. 
Ah, alguns dos apavonados 'líderes' evangélicos 
(e seus seguidores) aprendendo dele...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pastores e Pastoras

Palavras do SENHOR:
‘Dar-vos-ei PASTORES segundo o meu coração, que vos apascentem com CONHECIMENTO e INTELIGÊNCIA’. (Jr. 3.15 – Caps meus)
Paulo esclarece aos efésios (cap 4) sobre a cooperação de uns na edificação de outros, ‘seguindo a verdade em amor’, crescendo em Cristo, num corpo bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda JUNTA, segundo a justa COOPERAÇÃO de cada parte, edificando a SI MESMO em amor.
Particularmente no versículo 11 do mesmo capítulo ele diz:
‘… E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para PASTORES e MESTRES…’
Isso para a edificação em comunidade! JAMAIS para que alguém tenha um título superior em relação a outro!
Paulo fez várias referências à expressão COOPERADOR, fazendo clara alusão a algumas MULHERES como COOPERADORAS suas.
Febe, mulher gentia, rica (viajada, moderna, negociante) e culta, foi muito recomendada por Paulo aos cristãos em Roma como ‘irmã’ , ‘serva’, ‘santa’ e ‘protetora’ , termos transliterados ainda como ‘diaconisa’ cuja raiz grega significa ‘aquela que ministra ou serve’. Palavra que descreve várias mulheres da Igreja Primitiva, como Lídia, outra influente mulher de negócios, solteira, de respeitada posição social e que se dedicou a ‘atender’ na Igreja Primitiva. (At 16:11.15) Do mesmo modo com Estevão (At 6:1.7). Ambos com as MESMAS funções ‘eclesiais’.
Quando ele pede pra recomendar a Priscila e Áquila, ele diz “meus cooperadores em Cristo Jesus”, citando O CASAL e não somente o marido.(Rm 16 v.3)
As filhas de Filipe também trabalhavam na Igreja Primitiva, não constando que elas fizessem apenas ‘coisas de mulher’.
Inclusive, diga-se de passagem, que não há qualquer contradição com a ESPECÍFICA admoestação na carta a Timóteo (como tb na carta aos coríntios) quando ele puxa a orelha de mulheres, entre esposas de líderes, que querem assumir a posição destes com seu exibicionismo, falta de conhecimento e sabedoria. Essas devem mesmo ficar caladas. Assim como certos homens também. Não há nada de exclusivista muito menos machista nisso. É só ler o contexto que se entende com toda clareza, e, principalmente, cai por terra todo ensinamento equivocado a esse respeito.
Tem o caso típico de Evódia e Sínteque (Fp 4) que eram reconhecidas por ele devido ao seu estilo de LIDERANÇA, mas que ele também deu seu puxãozinho de orelha porque pintou uma competitividade, um ciuminho que estava afastando uma da outra e o cuidado de Paulo era que elas focassem o pensamento no Corpo de Cristo.
O que não podemos, é impor a Paulo um caráter machista quando, na verdade, ele contou com a participação efetiva de algumas mulheres, para as quais ele deu a devida atenção e elogios.
Quando ele critica os divididos infantis espiritualmente que dizem de maneira infantil, ‘eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas…’ a referência que ele tem é que isso estava acontecendo na casa de uma MULHER: Cloe. É certo que pouco se sabe de Cloe mas demonstra que Paulo tinha muitas mulheres como amigas e que ele as estimava como amigas e co-herdeiras do Evangelho. Ainda que ela não fosse uma líder eclesiástica, não tivesse uma ‘função’ religiosa ou um título, é uma forma de entendermos o quão eram (e são!) VALIOSAS suas colaborações na construção do corpo de Cristo. Corpo esse que não responde pelo nome de uma denominação específica. Nem na Igreja Primitiva tampouco nos dias de hoje.
O objetivo de Paulo era impor uma nova concepção conforme o que Jesus havia pregado sobre a vida espiritual, desfazendo conceitos, erradicando costumes, mudando a visão e o pensamento dos novos convertidos.
Esses são apenas alguns exemplos estritamente bíblicos de que não há qualquer imposição divina sobre a mulher não gozar do privilégio de evangelizar. Ao contrário! Jesus teve um relacionamento impressionante com as mulheres ao seu redor, quebrando todos os paradigmas já naquela época! A começar do seu nascimento, quando poderia ter sido usado de qualquer outro expediente e, no entanto, Deus usou uma menina comprometida (noiva), sabendo que, diante daquela cultura, tal acontecimento acarretaria implicações sociais devastadoras.
Pois é… 
Enquanto Deus age como quer, triunfando sobre TODOS os dogmatismos, o homem se acha no direito de impor regras, PRETENDENDO limitar o próprio Criador!
Já passou da hora de se rever alguns conceitos e parar de pregar equívocos em nome de Deus.

TEXTO RELACIONADO:


terça-feira, 12 de março de 2013

PRECEITOS DE HOMENS





Denominacionais idólatras não imaginam a tristeza que me vai n’alma sempre que os vejo despejando versículos de maneira isolada nos comentários de certos blogs.

Tem um anônimo no blog de um amigo meu que tem batido recorde a esse respeito. A cegueira é tanta que ao mesmo tempo em que ele abusa dessa insensatez, ele critica quem fala acerca do Evangelho, rotulando de sofismático no sentido mais pejorativo possível.

Não existe coisa mais irresponsável e infantilóide do que descontextualizar frases! Ora, se isso já é um crime em se tratando de qualquer texto o que diremos, então, dos escritos bíblicos? E o mais grave é que a turba engessada aplaude...

Sinceridade?! Não sei se rio ou se choro quando leio certas coisas. Sim, porque é tragicômico!

É por essas e outras que eu me solidarizo com alguns que rasgam o coração nesse sentido. Porque eu não apenas imagino a angústia em seu peito, como sofro a mesma angústia vendo tantos irmãos de uma denominação advogando a causa de Deus porque foi assim que eles aprenderam; e eles, teimosos e resistentes, não querem sair das tradições que afirmam que somente os que rezam sua cartilha são os que ganham o prêmio celestial.

Sofro particularmente por 'determinada' denominação, porque nela estão pessoas muito próximas e muito queridas. Pessoas que usam como premissa para suas vidas ditames que absorveram a vida inteirinha. E que só servem para que elas acreditem que são melhores que os outros; que estão na frente de todos para ganhar o céu. Porque cem anos atrás um deus maluco e contraditório resolveu anular a Nova e Eterna Aliança revelando que apenas quem está em determinada igreja subirá aos céus.

Aliás, essa história de escolhidinho se repete desde que o mundo é mundo, e só mudam a época, o endereço da igreja e o nome dos grupos e das pessoas.

Os judaizantes se achavam os abençoados, filhos de Deus e herdeiros dos céus. O Verbo se fez carne e habitou entre eles derrubando essa tese. Jesus disse-lhes pessoalmente que havia filhos d'Ele fora daquele aprisco. Mesmo assim, esses mesmos não entenderam e O mataram. (Como O matam nos dias de hoje).

Depois vieram os discípulos de Jesus; que, inevitavelmente, foram rotulados pelos de fora como cristãos, por se portarem como Cristo. Até aí tudo bem, pois tal rótulo até que cabia. ‘Cristão’ era um termo que combinava com o discípulo que buscava seguir os passos de Cristo, mesmo com todos os desacertos e a certeza de falhos e dependentes da misericórdia de Deus. Os escritos de Atos e das cartas do NT falam dessas falhas e desacertos dos próprios discípulos e apóstolos; FALHOS mesmo andando com Jesus, absorvendo Seus ensinamentos face to facetête-à-tête, cara a cara! Bem ali, aos pés do Mestre, literalmente!

Pois bem...

Aí inventaram o Cristianismo como conveniência política e as pessoas começaram a ser cristãs sem ter nada de Cristo. Não demorou e o Catolicismo tomou pra si a patente de dono do céu, determinando normas para alcançar as bonificações aqui mesmo na Terra. Uma maioria incauta e inculta seguia cegamente o que lhe era determinado, sendo extorquida e saqueada. De todas as formas. As mais cruéis.

Um belo dia, na Idade Média, surgiu um católico (Lutero) que não compactuava com aquela falta de compaixão para com a ignorância de um povo que sofria por falta de entendimento (conhecimento, estudo). Alguém que lhes abriu os olhos ao traduzir as escrituras, apontando o Evangelho como libertação e dizendo não à escravidão cultural e religiosa da época. Protestando, dando a cara a tapa, pagando preço altíssimo ao romper com o sistema. Ajudando o povo a enxergar o quanto estava sendo explorado não apenas materialmente, mas, acima de tudo, psicologicamente. Que sua capacidade de pensar por si mesmo estava sendo constantemente engessada para ser constantemente escravizado.

Surgiram novos doutrinadores e (re) inventaram novas doutrinas com os acréscimos que Jesus falou em Marcos 7. Antes de Jesus, depois de Jesus e naquela época da Idade Média já acontecia isso que vemos hoje. Lamentavelmente, nunca parou de acontecer, pois afinal trata-se do ‘bicho-homem’. Pretensioso e equivocado em suas famigeradas interpretações.

Então - devido à natureza humana - inevitavelmente surgiram novas doutrinas que continuavam a dar ênfase a terríveis maus hábitos religiosos; doutrinas que não apenas falavam sobre escolhidos, servos, abençoados, mas que determinavam quem são estes eleitos com base em limitados parâmetros do homem.

‘E fazem muitas outras coisas semelhantes’ - diria o próprio Jesus na passagem citada acima, sendo enfático e contundente contra os que se achavam mais abençoados por seguirem meia dúzia de regrinhas religiosas e, no entanto, seus corações estavam longe Dele, adorando-O em vão, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

E o homem segue nessa presunção anulando o Sacrifício realizado na Cruz e que determina a Nova e Eterna Aliança...

Enfim:

Crer na ‘expiação apenas pelos eleitos’ não nos dá o direito de acreditar que os escolhidos são somente os que estão na linha de frente de uma determinada linha doutrinária. Inclusive se pode crer nessa limitação, baseado nas inúmeras passagens que estão nas escrituras. Tudo bem, beleza! Afinal, essa é a ideia! Mas, convenhamos, não se pode jamais determinar quem são os tais. 

Essa presunção de apontar quem é e quem não é eleito, com base em doutrinas de homens gera arrogância, afastamento, frieza, indiferença, desamor, boçalidade, inveja, malícia, falta de humildade, dolo ( a velha intenção astuciosa para se atingir um fim) e a tal da pseudopiedade.

Tudo isso Jesus repudiou com todas as Suas forças!

Os que têm a mente de Cristo também repudiam.

Eu repudio!

Os que se dizem ‘cristãos’, os seguidores de Cristo - crentes, católicos, evangélicos, protestantes, servos, discípulos - deveriam fazer o mesmo.

Não importando a reputação pessoal.

'Naquele dia haverá muitas surpresas'.

RF.

O comentário acima foi feito AQUI:






sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Convertida, EU?!



Há uma ideia equivocada - e, principalmente, generalizada - de que convertido é sinônimo de alienado.

Bora ver convertido 'A QUÊ' exatamente...

Pois que, na conversão genuína ao evangelho de Cristo, não se segue um mero cerimonialismo religioso que está para fora do 'si mesmo'. Isso foi o que aprendemos na cultura religiosa imposta desde que nascemos.

No Evangelho, RENDE-SE à sua proposição e a
dota-se, naturalmente, uma postura de olhar para dentro de si mesmo. EXERCENDO a lucidez, o bom senso e a temperança que servem de guia para o EXERCÍCIO da misericórdia no chão da existência.

Trata-se de um exercício diário. Não é nenhuma mágica.
É VIDA PRÁTICA!
Um desafio constante à nossa vaidade, nosso orgulho, nossa teimosia, nossas resistências, nossos próprios conceitos.

Só que, ir na contramão do que nos é proposto pelas mentes que, velada e arrogantemente, se autodenominam sãs, parece mesmo alienação.
Nesse raciocínio mutilado eu quero ser cada vez mais uma alienada.

Assumidésima!!!

R.F.


domingo, 28 de outubro de 2012

Rispa, Jorge e Dolores

Rispa, concubina de Saul, o trai com Abner
Dolores, atriz pornográfica 'convertida ao evangelho'


Jorge da Capadócia


Paula Burlamaqui fez 'laboratório' em casa, com empregada evangélica. Assim como todos os outros personagens de novelas são inspirados em pessoas do cotidiano. A arte imita a vida. E não, o contrário. Mas o 'evangélico' é melindroso e se acha intocável... Só não dá é pra se fazer de surdo, cego e mudo e depois vir dizer que a personagem foi caricata. Quantas vezes constatei cenas idênticas quanto à forma da massa crental se comportar e falar dentro e fora dos átrios evangélicos! A moça desempenhou muito bem o seu papel de atriz indo, inclusive, assistir a alguns cultos. Então, paciência. Enquanto se dizia 'não é bem assim, ela está exagerando' se deveria dizer 'é bem assim e muito mais'.

Se bem que o fato de ser melindroso não é 'privilégio' dessa imensa fatia religiosa, pois bora ser sincera: esse lance de crença (crença, e não, fé) tem sempre aquele ranço segregador, hipocritamente travestido de liberdade de credo e expressão. Seja no espírita, no umbandista, no evangélico ou no católico. Gente que se faz de cabeça aberta, mas torce o pescoço aos que não são seus pares. Isso acontece até entre os que rezam o mesmo credo, mas que são de denominações diferentes. E nem preciso ir muito longe, pois tiro por mim mesma. Ré confessa, quantas vezes me flagrei...

Sinto-me bem à vontade para falar porque não faço bem o tipo da noveleira de carteirinha, como também não tenho nenhum problema em assistir, eventualmente. Não gosto da Record, por questão de qualidade técnica nem morro de amores pelos apelos fascinantes da Globo. Apenas me reservo ao direito de escolher minhas programações de TV, acionando um troço chamado controle remoto, e outro, de nome senso crítico.

O que eu acho muito estranho é esse desespero pelo medo do fogo do inferno que gerou esse boicote na rede. Sem ofensa, tá? Mas isso é coisa de crente infantilóide, na boa. Principalmente, porque ele não se liga que está sendo usado por líder religioso que quer desviar o foco para sua própria TV. Chega a ser hilário o paradoxo! Fugir do que lhe parece  eternidade no lago infernal e se deixar embalar por apelos de líder reacionário.  Como se aquelas madrugadas dessa TV não fossem bem mais sinistras botando no chinelo qualquer outra entidade. Pelo menos, estas, não se apresentam em nome de Jesus.

Além do mais, me estranha ainda esse pânico todo, como se fosse a primeira novela da Globo com foco em espiritismo, umbanda e até outras crenças alheias à nossa cultura, inclusive envolvendo ritos pagãos...

Muito engraçado também (se não fosse uma cegueira trágica) são os comentários pueris de preferência pela novela da Record, pelo fato do nome ser "Rei Davi', apenas porque se trata de um personagem bíblico. Como se este (o rei), realeza, súditos e plebeus do contexto da sua época, não tivessem  se comportado em toda sua existência, como qualquer mortal de qualquer época, com seus erros e acertos, carentes da mesmíssima misericórdia atemporal.

Sinceramente, que bobagem desses 'evangélicos'! É como eu comentei ali no facebook de um amigo. A alienação, resultante da insegurança, do medo religioso coletivo e pressão sutil da religiosidade, é tão grande e surtada, que gera essa pretensão da convocação, do julgamento e do terrorismo, como se todos os evangélicos fossem um bando de alienados e necessitassem dessa chamada. Por favor, mesmo considerando as inadequações gramaticais do antigo mote: me incluam fora dessa!

Por outro lado, se for pra ficar de rixinha e fazer questionamento raso (como esse do feriado católico em resposta ao boicote 'evangélico' afff), vai surgir tanto questionamento, que sai de baixo. Primeiro, que o Jorge da Capadócia (que não é lenda como muitos dizem), jamais imaginou que iriam canonizá-lo. Aliás, a grande ironia é que ele foi torturado e morto justamente por renegar a adoração a ídolos e confessar sua fidelidade a Cristo...

TEXTO CORRELATO:






quinta-feira, 10 de maio de 2012

NÃO É PROIBIDO PENSAR

Muitas vezes não damos o devido valor à liberdade que temos nos gestos mais simples do nosso cotidiano como pessoa civil. Também nem atentamos para o fato de que hoje em dia vivemos livremente em sociedades devido a conquistas de determinados homens que lutaram pela nossa liberdade. Não, não me refiro a lutas por terras, e sim à luta em prol da liberdade de nossas mentes.

‘A razão é capaz de evolução e progresso, e o homem é um ser perfectível’ - diria um grande pensador do século dezoito. E, perfectível, não no sentido de tornar-se perfeito, isso seria mera pretensão. Mas em relação ao desenvolvimento das suas potencialidades, que ele só consegue ao sair do seu estado ‘in natura’ e partir para o meio coletivo organizado de maneira igualitária e justa.  

Este pode parecer um pensamento romântico, mas eu penso que devemos sempre nos reportar ao legado de grandes pensadores que vem de lá da Antiguidade grega, antes de Cristo, passando pelos marcantes séculos dezoito e dezenove; e que não cessa nunca, pois que nossa evolução como ser humano – em todos os sentidos - é um processo constante e inacabado, de modo individual ou coletivo, seja em que âmbito for.

No decorrer da História observamos que os pensadores - desde os mais destacados aos de menor projeção - todos eles deram valiosa contribuição, de maneira que o precedente sempre se beneficiava das ideias do seu precursor. Os grandes discípulos abraçando a ideia do seu mestre e acrescentando suas próprias, trazendo-as à realidade do seu povo, que, por sua vez, transmite naturalmente às gerações posteriores; sempre surgindo pessoas que o faziam de maneira impactante, influenciando e induzindo a grande massa a pensar. Essa era a ideia...

E, assim, foi-se escrevendo a história, tendo como elemento marcante, o fato desses grandes pensadores terem sido muito perseguidos pelo sistema opressor de suas épocas. Isso, porque batiam de frente com os interesses particulares da minoria que trazia o povão em rédea curta. Muitos pensamentos atuais se alinham exatamente ao pensamento de séculos atrás. Precisamos viver em grupos sim, mas com o objetivo de nos conservarmos e jamais de nos deixarmos encabrestar por um dirigente reacionário. Vida em sociedade não pressupõe privação de liberdade. Os homens se agregam formando um conjunto de forças - e não para se submeterem à escravidão de um sistema opressor. O autor de Eclesiastes já dizia que ‘um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade’ (4:12)

Ao longo da história, vemos a relação entre rei e povo, senhor e escravo, guru e fiel, e constatamos que o interesse de um só homem - individualismo - será sempre o interesse privado. (Atente-se para a diferença entre individualismo e individualidade)
Então alguns pensadores acreditavam que ambos deveriam fazer um acordo: abrir mão de certos direitos (individualismo, egoismo) para obter as vantagens do bem comum; perdendo parte de sua liberdade natural e ganhando liberdade civil.

Tais pensadores eram tão espantosamente à frente de seu tempo que até aos dias de hoje suas ideias são aplicadas em todas as áreas, nas quais o bicho homem se ajunta. Afinal, quando se trata de defender direitos humanos o assunto é antigo e remonta os tempos da gênesis, sendo revisto ao longo da história, conforme o contexto histórico e a cultura de cada povo.

Inconformados com a intolerância teológica e civil e, por isso, muitas vezes rotulados de hereges, eles não se deixavam intimidar e seguiam abrindo o olho das pessoas em relação à sua liberdade individual em prol de um bem comum de verdade, no qual o povo é soberano. Alguns mais brilhantes com seu estilo apaixonado e eloquente, e dotados de grande inteligência e imaginação, ensinavam ao povo (na sua grande maioria, culturalmente analfabeto e ignorante) que, pela razão, ele poderia conquistar a liberdade e a felicidade social, política e religiosa. Isso incomodava aos dirigentes acostumados a manipular as grandes massas.

Sim, acostumados, pois esse terrível hábito é uma coisa cultural. Afinal, no início de tudo, os reis eram os deuses e o governo era teocrático. Cada povo tinha que se submeter ao sistema conforme a crença local.
E esse politeísmo gerou a intolerância teológica e civil.
Os reis eram os chefes da Igreja e o clero era senhor e legislador da Pátria. O interesse do clero era mais forte do que o interesse do Estado. Assim, a lei ‘cristã’ era mais prejudicial do que útil à forte constituição do Estado.

Naqueles tempos, sem leis para proteger-lhes de perseguições por abrirem o bocão, os grandes filósofos já rejeitavam abertamente a religião alicerçada nos deuses, patronos próprios e tutelares que determinado país impunha a seu povo; com seus dogmas, rituais, e culto exterior prescrito por leis, os direitos e deveres dos homens não podiam ir além dos seus altares. E quem não os cultuavam era considerado infiel e punido conforme decisão dos juízes que brincavam de pequenos deuses. Não se tratava de conversão, mas de submissão às leis religiosas.

E, ainda, considerando como bizarro, alguns pensadores repudiavam o sistema que dava ao homem duas legislações, dois chefes e duas pátrias, submetendo-o a deveres contraditórios, impedindo-o, a um só tempo, de ser devoto e cidadão. É bem o que acontece hoje em dia nas denominações fundamentalistas. E eu não me refiro a extremistas de outros países...

Rousseau (chamado de herege pela cúpula eclesiástica à época) defendia a religião do homem natural - desprovida de templos, altares e ritos, limitada unicamente ao culto interior do Deus Supremo e aos eternos deveres da moral - como sendo a forma mais pura e simples; sendo, portanto, a única maneira saudável de se viver o evangelho, por ser verdadeira e os homens filhos do mesmo Deus se reconhecerem todos como irmãos, e a sociedade que os une não se dissolve nem mesmo na morte.

Pensemos nisso...

RF.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O preço do debate

CORTE RELIGIOSO


Há um preço a se pagar por debater de forma desarmada e transparente quando seu oponente está armado. Assim não dá para se exercitar o senso crítico através da arte de pensar. E, principalmente, não dá pra se expor falando de suas angústias, seus anseios e projetos pessoais. Essa dobradinha é fatal! Alguém com a disposição de esgotar determinado assunto que mexe com a vaidade, sempre sofrerá abusos; abuso de má interpretação proposital de um desafeto gratuito só para gerar mal estar e saia justa; abuso de um coração equivocado (maldoso) e sempre predisposto a julgar e condenar; abuso de mentes intolerantes e levianas que rebatem com estupidez, pois afinal, são intolerantes.

Além de tudo isso, se não concordo com arbitrariedades, não sou considerada ‘semelhante’. E mais, além de não ser semelhante, torno-me objeto de estudo, laboratório vivo. Pois, se discordamos de algo, a primeira atitude do oponente é checar nossos escritos (e nossa vida) para ver se caímos em contradição; cheio de si e lutando a ferro e fogo pelo poder denominacional/ lado pessoal, colocando-se como medida e centro da verdade. (De vez em quando a gente se depara com esse tipo de estratégia no meio blogueiro/crental).

Mas também - eu me pergunto - por que não me surpreendo, mesmo não me conformando?! Simples: não me surpreendo porque é bem típico. São as mesmas armas: caluniar, difamar, metralhar queimando o filme da gente e fazendo julgamentos só porque a gente pensa diferente. E por que, então diante do óbvio, eu não me conformo?  Por ser triste e lamentável. E o mais deprimente: constatar que há quem dá crédito a esse tipo de atitude. Mas, acima de tudo, não me conformo por não perder a esperança. Não se conformar é 'não viver conforme', 'de acordo com', é almejar mudança.

O autor de Eclesiastes - que experimentou de tudo e mais alguma coisa nesta vida – viu/viveu e sentiu na própria pele o que move o homem a competir com o outro a ponto de querer destruí-lo: a vaidade. Ele viu que todo o esforço do homem, seja de que natureza for, provém da sua inveja contra o seu próximo.

A parte boa é que não há nada que suporte tais abusos do que o amor.

(Não, não falo de amor no sentido falso-piedoso. Não falo do amor piegas, demagogo, religioso, performático. Não falo do amor permissivo que passa a mão na cabeça, pelo contrário,  aqui falo do amor que sabe das consequências ao dar o básico puxão de orelha).

Só o amor, colocado à prova em tais momentos, é capaz de enfrentar baixo nível retórico com dignidade. Sem fugir da raia. Sem medo de ser rotulado de agitador ou anarquista. Só o amor perdoa sem deixar cair a peteca.  Não há uma desistência, o amor segue em frente com sua voz, sem deixar-se intimidar.

Paulo já dizia aos coríntios sobre o amor ser ‘o dom supremo’. Ele não falou por ser o cara. A estes mesmos, declara-se como ‘o maior dos pecadores’. Ele mostra-se preocupado com aquela disputa acirrada sobre quem era mais sábio, mais espiritual, mais liberal ou mais importante. E, principalmente, sua angústia em relação à disputa por dons... Sem amor! (Claro, disputa e amor não combinam). Então, para que os conceitos sejam revistos e se entenda que o amor é a base para se administrar qualquer dom espiritual, ele incita a mudar perspectivas: coloca o amor no centro de tudo! E o faz, presenteando - nos com um belo poema em forma de prosa a nos dizer que nenhum proveito há nos dons se não forem movidos pelo amor ao próximo.

E não que seja fácil. É simples porque não precisa de nenhuma cartilha religiosa com suas infindáveis listas de pecadinhos e pecadões, do que pode e do que não pode. Afinal, a fé cristã - e não a crença religiosa - prega o arrependimento e não a erradicação do pecado. A fé cristã – e não a crença religiosa - prega que o amor é demonstrado no PERDÃO. E isso nenhuma cartilha legalista é capaz de nos imprimir, posto que vindo da disposição do coração. Trata-se do QUERER ser.

Mas não é fácil porque há um desgaste emocional, uma desconstrução; há de se sair da própria zona de conforto, sair do eu-orgulhoso. Ora, não é fácil assumir essa responsabilidade. Não é fácil perdoar ao ser provocado em cheio na própria vaidade. Não é fácil segurar a onda ao trazer certos assuntos à tona. Afinal, discussões fazem o maior rebuliço, incomodam e incitam a te tirar da água parada (lodo) que te viciou. Por isso, muitos preferem ficar de camarote vendo o circo pegar fogo, enquanto outros (estes, poucos) arriscam no papel de conciliadores.  É quando, no cuidado em preservar sua imagem religiosa, o oponente sai à francesa. E, com ares de falsa superioridade, encerra o assunto. E diz, presunçosamente, ao conciliador de plantão, que o assunto está encerrado, por ‘achar’ que o assunto é seu. No fundo, no fundo, ele se vê monologando. Falando de si para si mesmo. Então, se achando juiz, bate o martelo. Sem precisar sair do seu confortável quadrado tão bem elaborado ao longo de sua vida religiosa. Dardos inflamados lançados, ego devidamente satisfeito. O passo seguinte é disfarçar (se fazer de doido), deixar a poeira assentar e colocar tudo debaixo do tapete; e continuar delimitando espaço, usando seus dois pesos e suas duas medidas. De preferência, acompanhado de uma citação bíblica, para manter a pose de fiel seguidor das escrituras. Fechando com chave de ouro, lança uma belíssima frase de efeito bíblica, de modo que as pessoas vejam o exemplo de cristão sábio e equilibrado que jamais se exalta nem se mete em confusão. Esquecendo-se, porém, que o que ele disse, ironicamente também está registrado. E não para que os espectadores da arena o condenem. É ele próprio quem se condena ao verbalizar aquilo de que seu coração está cheio.

E assim caminha a humanidade...
RF.


TEXTO CORRELATO --->  O 'CRÍTICO' QUE CRITICA O CRÍTICO.