"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

Translate

Mostrando postagens com marcador muros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador muros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

'Selfie'


Selfie do pintor Belga Henri Evenepoel em 1898

Sempre me surpreendo constatando que não há nada que simbolize melhor o exercício de liberdade do que poder passear, numa boa, por mares conhecidos (e os nunca dantes navegados). Desarmada. Com o senso crítico acionado sem neuras.  Aberta a aprender mais, mesmo com opinião formada.

E como ficou bem mais interessante esse programa a quatro mãos que a Globo exibe antes do meio dia! O que me levou hoje a ultrapassar a audiência dos meus dez ou quinze minutos consecutivos... Nada pessoal, Fátima ;) Só questão de preferência mesmo. Sabe... É essa minha eterna mania por gostar mais da descontração, da espontaneidade, do lúdico, do que me faz rir.

E o de hoje, no momento exato em que ligo casualmente a TV, me chama a atenção a breve fala do Pedro Bial (com tranquilidade e sem supervalorizar), acerca dos seus julgadores sobre o seu profissionalismo como apresentador de um programa de entretenimento.  E isso ele faz numa boa, sem qualquer defesa, qualquer empáfia, nenhum uso de escudo às velhas pedradas dos janeiros pernósticos da vida; com seu característico sorriso fácil, sem a necessidade de exibir seu ‘histórico anterior como profissional’, mas tão somente com a atual leveza típica que lhe conferiu justamente essa história de ‘profissionalismo’ anterior.

Eu vejo Globo de vez em quando, sim. Ah, e vejo BBB também.  Tenho até PPV, pasmem! (Não que tenha sido iniciativa minha, confesso... Mas pego carona). Já rendeu até textos no meu blog... E daí? Sou livre pra falar do assunto que me aprouver. Lê (e concorda) quem quer. Ninguém é obrigado. (A essa altura os boçais de plantão estão medindo meu Q.I.).

Desconfio dos discursos do intelecto edemaciado porque sempre transbordando preconceito rebuscado... E sutil! Medir o Q.I. de alguém pelo que ele lê, assiste ou participa é de uma limitação e boçalidade extrema. Por outro lado, tenho simpatia especial por gente criativa que não tem medo de se reinventar. 

Sou uma eterna apaixonada por gente que, rechaçada pelos seus algozes aprisionados, aprendeu a viver leve, distinguindo e estabelecendo a diferença entre seriedade e sisudez.

Tenho preferência por quem foge dos padrões determinados e tem peito de remar contra a maré, fazendo ouvido de mercador para o coro do ‘cordão dos puxa freio’. No caso, puxa remo.

Desconfio do pedantismo dos xiitas ocidentais; dos extremistas intolerantes e incoerentes. Sim, pois o famigerado ‘faça o que eu digo, não faça o que faço’ nunca foi tão usado e abusado por quem bate na tecla da invasão de privacidade enquanto ele mesmo não se percebe se expondo; e expondo seus valores e conceitos. E nem falo dos selfies das redes sociais com suas apelações culinárias, passeios, fotografias e viagens como referências de felicidade.  Aliás, atire a primeira pedra quem nunca se expôs assim pelo menos uma única vez. Eu me refiro é a outra exposição do mais fundo da nossa alma, e isso quando passamos de exibicionistas a espectadores; sim, porque somos complacentes quando estamos na pele dos primeiros; e somos rigorosos, conseguindo ser desalmados e cruéis quando assumimos a função de espectador; acionamos os nossos sentimentos mais mesquinhos e mais sombrios EXPOSTOS nas linhas e entrelinhas das nossas considerações pessoais; lançamos mão dos mais sinistros preconceitos; por vezes travestidos de meras e casuais opiniões, mas que - ESCANCARADAMENTE - apontam, pré-julgam, condenam e sentenciam com essa mesma velocidade estonteante da nossa atualidade tecnológica. Esse tipo de big brother interior ninguém está disposto a excluir.

Em tempo: não, gente. Não são de autoria de Luís Fernando Veríssimo as generalizações e meias verdades daquele texto tosco que circula há uns quatro anos na ‘net', preferencialmente nessa época. A propósito, que tal a gente exercitar o hábito de dizer o que vive e pensa sem usar a fala de outro como escudo?

Dias atrás li no facebook uma frase mais ou menos assim: 'não vamos afastar nossos amigos por causa de nossa religião'. Eu, particularmente, não gostaria que meus amigos se afastassem de mim nem por religião, nem política nem futebol... Ou por eu assistir BBB eventualmente. Mas se algum destes o fizer por qualquer uma dessas razões (ou outras rss), obviamente o fará com toda a liberdade que lhe é de direito. Mas, com toda certeza não é meu big brother. Acontece...

RF.


Textos relacionados:






segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Templo do SENHOR?!

Comentário feito ->AQUI



Reza a lenda que um sapateiro perguntou a Lutero o que era necessário para ele se tornar um cristão verdadeiro. E Lutero respondeu: faça um bom sapato e venda por um preço justo.

Simples assim.


Mas o homem é pretensioso! Ele quer colocar seus acréscimos! E foi exatamente o que ele fez ao longo dos séculos, desde que Jesus derrubou o Templo onde se adorava a Deus. O homem o foi reconstruindo de diversas formas as mais esdrúxulas! E foi 'adorando' Deus dentro dos santuários que ele (o homem) considerou sagrado. Achou pouco e, lá dentro, impôs uma série de normas pesadas ao seu povo, de modo que, em vez de levar as cargas uns dos outros para que a vida se tornasse mais leve, o povo passou a ser novamente oprimido como antes, escravizado por um sem-número de normas que o levariam supostamente à salvação. 


É interessante lembrar que Jesus 'pregou' dentro das sinagogas, mas ENSINANDO aos doutores que lá se reuniam. Ao povo, Ele ensinava era, literalmente, no Caminho. Vê-se o quanto Ele era criativo e versátil, sem seguir um molde específico (nem pintar uma casa de determinada cor pra dizer onde estava presente). Ele ensinava as pessoas a se relacionarem de forma correta com o Pai e com os semelhantes tanto à beira do rio (com um barquinho à sua espera, caso o comprimissem), como subia a um monte para melhor avistar a todos e melhor ser visto também. Providenciou a multiplicação dos pães, não para dizer que era 'o cara' e que fazia milagres, mas PARA que o povo não se dispersasse e continuasse a receber o pão dos céus 'de barriga cheia'. Jesus era prático e pregava vida prática.


O mais interessante é que seu 'discurso' não contem normas de como ser um cristão correto e 'obediente' no sentido de seguir uma cartilha denominacional. Ao contrário, Ele foi rigoroso ao condenar os tais que faziam essa exigência. Jesus confrontou os líderes religiosos com veemência. Aliás, ele nem criticou o ensino na sinagoga, criticou mesmo foi os seus mestres, que mandavam seguir regrinhas que nem mesmo eles eram capazes de realizar.(Que coisa atual rss). 


A obediência a que JESUS se refere é sempre relacionada aos desejos do coração, preparando aquelas pessoas ACOSTUMADAS a LUGARES SANTOS, a aprenderem a viver com Deus no coração todos os instantes de sua vida, como no respirar. Sua missão incluía principalmente anular o tabernáculo sagrado que se tornou idolatria aos homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos - como já dizia o profeta que preparava os caminhos ao Deus vivo que habitaria apenas nos corações sinceros.


O que eu acho curioso é que muitos dirigentes e seus súditos seguem equivocadamente (seguem mesmo?) algumas normas disciplinares (estabelecidas por Paulo a localidades específicas), bem como hierarquias eclesiais, como sendo mandamentos de Deus, enquanto fazem vista grossa a outras tantas normas escritas em outras cartas; como por exemplo, quando Pedro diz que TODOS os crentes exercem o sacerdócio real. Ou ainda, como diria Lucas claramente ao relatar os atos dos apóstolos, 'NÃO HABITA O ALTÍSSIMO EM CASAS FEITAS POR MÃOS HUMANAS'.


Eu, particularmente não vejo nenhum mal em ajuntamento sincero para se fortalecer na Palavra e procurar ajudar uns aos outros por meio dessa proximidade onde todos estão em comum união. Na minha opinião, O MAL SE INSTALA quando se quer transformar o lugar de ajuntamento em lugar santo.


Enfim, eis o grande desafio: preguemos o Evangelho com vida prática sincera e despidos de crendices religiosas. 



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A parábola da bola



Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:

– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.

Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.

– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.

Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.

De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.

Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.

Ed René Kivitz

sábado, 18 de maio de 2013

O pecado de se pretender justo



“Não sejas demasiadamente justo”
Eclesiastes 7.16
 
Ao que o Eclesiastes se refere? Quais os seus motivos para aconselhar assim? Ele contradiz o senso comum religioso e merece atenção. As conotações de um breve versículo são diversas.
Não se exceda em justiça. O inferno do legalista queima em fogo lento. De boca tesa, o santarrão caleja os nervos; vara anos sem rir. Ele apaga as luzes ao seu derredor para o mundo permanecer soturno. Para o piegas os critérios da lei serão inclementes na pele dos outros e passíveis de interpretação quando exigem que ele fure um olho ou ampute uma perna. Na Bíblia, o fariseu exibe sua demagogia numa esquina e o pecador, alvo da misericórdia é acolhido por Deus. Na história, Jean Valjean ilumina a vida e Javert morre no abismo devido à justiça implacável e inegociável que lhe mobilizou.
Não se pretenda perfeito. A casa do puro, caiada de branco, lembra os sepulcros – sem mancha no exterior e podre por dentro. Sem nunca suar, o perfeito se escandaliza com as inadequações alheias; sempre voluntarioso para erguer um cadafalso para quem tem qualquer defeito que lembre os seus, esquece que a misericórdia não chega aos que vivem impiedosamente. O argueiro no olho do outro o importuna mais que a trave no seu.
Não se veja irrepreensível. O caminho do imaculado se alonga em veredas de solidão. Encerrado em seu casticismo, o puro teme se contaminar com o próximo. Qualquer amizade o intimida. O saltimbanco que brinca à luz do dia, o tortura. O prazer o esmaga.  Qualquer desejo o empurra para a culpa.
Não se considere abnegado demais. A vida do altamente comedido o faz inodoro, insosso, incombustível. Revoltado com os que se arriscam, ele não tolera erros. Intransigente, apedreja os que tombam tentando. Onipotente quanto à sua moderação, menospreza o coxo que se supera, o vacilante que se expõe e o inseguro que ousa.
Não se arvore de ser correto.  O convívio com o lúcido, que se vê portador da verdade, é chato. Julgando-se guardião do absoluto, o correto se assume mensageiro exclusivo do divino e conquistador da ignorância universal. Ele vive convicto de ter o manejo do ruah (espírito) divino. Dogmático, projeta sombra sobre a beleza da poesia, já que as verdades devem ser organizadas como uma marcha militar.
Não se coloque como exato. O mundo do beato se alicerça na aparência. Ele precisa de máscara, fantasia, cera, qualquer coisa para encobrir concavidades na alma, agudezas no espírito e asperezas no coração. Agachado por detrás de conceitos decorados, prefere contraprovar um argumento a ter que encarar a subjetividade no seu interior.
Prefira ser humano, demasiadamente humano. Só os fortes se sabem frágeis e só os mansos, os que optam pela não-violência, herdarão o porvir. Os imperfeitos, não os probos santos, provam o doce mel da graça. Os defeituosos, vazios de se pretenderem divinos, serão elogiados por Deus. Só no desprezo ao poder se encontra a vida.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Igreja Primitiva




Isso de se dizer que tal instituição religiosa vive conforme a Igreja Primitiva é de uma tolice sem dimensão. O cristão moderno, por mais que seja bem intencionado, jamais alcançará aqueles moldes. E não é porque naquela época houvesse perfeição. Lembremos que eram homens com a mesmíssima natureza humana de qualquer época! A natureza humana era a mesma de hoje: pessoas normais que mesmo tendo andado, literalmente, com Jesus, ouvindo Seus ensinamentos de Sua própria boca, mesmo assim vacilaram na fé, erraram feio no caminho, se equivocaram nos ensinamentos, pregaram o 'desevangelho'. Discípulos que se apartaram por divergirem e outros que receberam puxões de orelha no momento certo.

Ainda assim, muitos líderes e fiéis dos dias de hoje jamais alcançarão aquele estilo de vida, e não apenas porque tudo aconteceu em outra realidade completamente diferente da atualidade. Não apenas porque era outro o contexto em que os primeiros cristãos se convertiam em meio a rígidas exigências de uma lei que, à época, era meramente religiosa. A ousadia e a autoridade conferidas por Deus, de unir judeus e gentios em um mesmo ‘compartilhar do pão e do vinho’, era o propósito de uma nova existência, um novo caminho jamais imaginado e que lhes rendeu mudanças e alterações radicais nas suas convicções, nos seus costumes e cerimonialismos vãos e totalmente desnecessários.

Mas não, não é apenas por isso que há enorme diferença.

Para mim, além de tudo isso que citei, a grande diferença que os coloca a anos-luz de distância dos cristãos da igreja primitiva é porque muitos destes que se arrogam seguir esse molde, nunca saíram do seu pedestal, não tiveram a HUMILDADE daqueles que erraram, vacilaram, se equivocaram e VOLTARAM atrás em suas convicções. Estes, ao contrário, continuam com dura cerviz, batendo no peito e dizendo ‘eu sou a igreja verdadeira’!

Diga-se de passagem, que essa metáfora do pão e do vinho para uma genuína e concreta vida cristã primitiva em comunhão (comum união) foi determinante para anunciar o Evangelho que ‘se propagou de forma milagrosa desde suas raízes judaicas em Jerusalém até o centro do Império Romano’. UNINDO inimigos ferrenhos de longa data, com costumes e crenças completamente diferentes em uma mesma ‘igreja’ - Judeus e gentios. Pelo poder da Cruz!

Enquanto nos dias atuais se vê algo completamente diferente, onde doutrinas estranhas baseadas em versículos soltos são introduzidas na igreja para separar as pessoas…

O Livro de Atos (além dos 4 evangelhos) nos conta coisas incríveis de como Deus agiu no meio do Seu povo para colocar abaixo os empecilhos religiosos que impediam os discípulos de agir como cristãos genuínos. Como na maravilhosa passagem em que Pedro, com suas rígidas regras judaicas enraizadas no coração, é favorecido três vezes com a mesma visão em que não há nada impuro! Porque todas as coisas que há, foi Deus que as fez, todas!. Ainda que o homem, em seu limitado pensar, considere algumas coisas ‘impuras’.

Observe-se que, no mesmo Livro de Atos, ao visitar os novos cristãos GENTIOS, Tiago adverte-os acerca daquelas práticas de idolatrias da sua antiga cultura religiosa. Mas principalmente advertindo-os de que nada daquele esforço religioso e cultural serviria para a salvação. Da mesma forma que, ao longo de suas cartas, Paulo trata com os judeus e os gentios, conforme suas raízes culturais, com muita habilidade e sabedoria, sempre no intento de levá-los a um denominador comum, uma convivência em amor e comunhão.

Vejamos, portanto, o contexto de tudo que é narrado, para não cairmos na cilada de elaborar uma doutrina baseada em versículos isolados. E, principalmente, termos bastante cuidado e responsabilidade ao dizer que tem o ‘aval’ de Deus.

Finalmente, na Igreja Primitiva não havia um poder centralizado. Jesus jamais ‘comissionou’ seus discípulos a saírem em cada lugar implantando uma igreja e determinando um chefe. Tudo acontecia naturalmente, sem evangelismos programados, no nível do coração, da mudança constante no ser, no pensar, no agir, nas ações continuadas que beneficiassem toda a comunidade como um ajuntamento para adoração e para compartilhar a vida terrena da forma menos desigual possível.

Não havia um Vaticano, um Brás, um trono, uma cidade santificada ou uma Nova Jerusalém.

E quem deu introdução a tudo isso que se vê hoje em dia não foi Paulo. Não, não foram os discípulos. Foi todo um conjunto de práticas humanas com forte influência no sistema romano e nos costumes gregos.

Não, decididamente, não imitamos a Igreja Primitiva. Infelizmente…

Mas sempre há tempo de se buscar lá dentro do próprio coração, resgatar a fé simples e original que deu início à Igreja Primitiva. Começando a quebrar os velhos paradigmas que se formaram a partir da religiosidade enraizada. Sair do ‘corpo de doutrinas’ e OUSAR na desconstrução e no retorno à singeleza na qual Jesus dizia a pagãos de todos os tipos:

- A tua fé te salvou!

E, como bem diz um pregador, todas as vezes em que a minha igreja disser que ‘os de fora’ estão todos perdidos, irei me lembrar que 'JESUS DISSE que muitos publicanos, pecadores e meretrizes precederiam os mais rigorosos filhos da mais estrita e legalista religião da terra – o judaísmo dos dias de Jesus e dos dias atuais nas mentes de muitos ‘crentes’.

E que também ELE DISSE que muitos haveriam de vir dos quatro cantos da terra a fim de assentarem-se com Abraão, Isaque e Jacó na mesa da Festa do Reino, enquanto muita gente com pedigree religioso ficaria de fora.

Porque Jesus é SUMO SACERDOTE segundo uma Ordem sacerdotal não religiosa, e que não se prende a nenhuma genealogia sacerdotal, cultural, étnica, moral ou religiosa'.

Comentário feito AQUI <--- nbsp="">


domingo, 24 de março de 2013

A Caverna




Era uma vez uma caverna.
Nessa caverna havia muitas pessoas que nasceram, cresceram e permaneceram ali sem nunca ter visto a luz do dia. Aliás, não viam nem sabiam de absolutamente nada do que acontecia lá fora.
Viviam acorrentados e de costas para a entrada. Sem se mover, apenas vislumbravam o mundo por meio de um feixe de luz produzido por uma fogueira externa. Essa tenra luz projetava sombras na parede enquanto eram associadas aos sons que vinham de fora. E, assim, as pessoas aprenderam que aquela 'sombra da realidade' era a realidade do mundo lá fora. Afinal, esse era o único contato permitido com o mundo exterior. 
Certo dia, um dos prisioneiros conseguiu se libertar das correntes e, aos poucos, foi se movendo e avançando com dificuldade rumo à saída da caverna, vencendo um a um, cada obstáculo que surgia. Aquela desconstrução gradativa não era nada confortável. As pernas tremiam enquanto os olhos ardiam com todo aquele brilho exterior. Mas algo dentro dele o impelia para fora como em inevitável parto. 
Quando, finalmente, esse ousado e destemido homem rompeu definitivamente com aquele casulo, ficou maravilhado com tudo que viu. Um mundo completamente diferente daquele que havia apreendido. Diferente do enganoso e limitado espaço físico e mental que restringira sua visão. E o prazer em desfrutar de tamanha beleza em tão harmonioso caos foi transformando os passos acanhados em um andar livre e sem impedimentos.
A felicidade explodia dentro dele, mas ele queria voltar à caverna... Para contar a novidade! Ele só pensava em compartilhar aquela alegria! E jamais poderia imaginar que recepção era aquela que o aguardava. A rejeição foi imediata. Instintiva. Pela ousadia de expressar o que realmente viu, foi apedrejado e quase morto pelos próprios companheiros. Pelo mesmo grupo com quem experimentou aquela vidinha inexpressiva de sons e imagens difusos durante toda uma existência. Pela turba incrédula, apática e engessada por costumes e hábitos de nascença. O coração destes sentia de repudiar aquela imprudência.

Então, mesmo tomado por louco, o homem não se intimidou e conseguiu fugir de volta, levando outros 'loucos' consigo. E foram. Correndo riscos terríveis juntos; transpondo altos muros; enfrentando os fantasmas do medo e da insegurança gerados por toda aquela liberdade que se descortinava a se perder de vista. E a verdade ia surgindo na cara. Ardendo-lhes os olhos e queimando-lhes o peito. Impulsionando-os a uma nova e definitiva maneira de enxergar o mundo.

Foi quando, libertos, descobriram o quanto estiveram acorrentados. E quanto valeu o desconforto de toda uma desconstrução/reconstrução da antiga 'ordem'.

RF.

Inspirado em 'O Mito da Caverna' (Platão).





sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Convertida, EU?!



Há uma ideia equivocada - e, principalmente, generalizada - de que convertido é sinônimo de alienado.

Bora ver convertido 'A QUÊ' exatamente...

Pois que, na conversão genuína ao evangelho de Cristo, não se segue um mero cerimonialismo religioso que está para fora do 'si mesmo'. Isso foi o que aprendemos na cultura religiosa imposta desde que nascemos.

No Evangelho, RENDE-SE à sua proposição e a
dota-se, naturalmente, uma postura de olhar para dentro de si mesmo. EXERCENDO a lucidez, o bom senso e a temperança que servem de guia para o EXERCÍCIO da misericórdia no chão da existência.

Trata-se de um exercício diário. Não é nenhuma mágica.
É VIDA PRÁTICA!
Um desafio constante à nossa vaidade, nosso orgulho, nossa teimosia, nossas resistências, nossos próprios conceitos.

Só que, ir na contramão do que nos é proposto pelas mentes que, velada e arrogantemente, se autodenominam sãs, parece mesmo alienação.
Nesse raciocínio mutilado eu quero ser cada vez mais uma alienada.

Assumidésima!!!

R.F.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sangrando e sendo curado...

Eterno Gonzaguinha...

Quando eu soltar a minha voz,  por favor  entenda, que palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando...

Caramba! Para mim, esse fragmento de poesia - tristonha mas curativa - reflete exatamente o que aconteceu. Foi assim que eu visualizei a chegada de Gonzaguinha naquele ambiente que seria permeado de flashbacks. Numa regressão terapêutica, ele simplesmente se entrega àquela busca por respostas a uma enorme inquietude interior.

Tudo começa quando, impulsionado pela madrasta,  o esperançoso filho vai ao encontro do pai para poder se encontrar. Ele ainda não sabia disso pois seu coração estava cheio de amargura. Porém, à medida em que conversavam, diferenças amenizadas, arestas aparadas... A amargura se esvaía. E eles nem atinavam para isso! E, quanto mais barreiras iam sendo naturalmente rompidas, maior leveza se instalava. E os laços se reintegrando... E os reais valores aflorando... E o menino foi ficando em paz. Analogamente, talvez ele nem soubesse que essa era a ideia: ir em busca do pai e aquietar o coração. Porque essa sempre foi e sempre será a grande sacada da vida.

Gonzaguinha... Olhar perdido, entristecido, introspectivo. Sem mãe, sem pai, sem família, sem infância, sem referências. Entregue a amigos do pai enquanto o pai perseguia um estranho sonho.

Gonzagão. Este era o seu pai. Famoso. Reverenciado. Adorado pelo povo. Este homem obstinado que atravessou as fronteiras dos corações dos quatro cantos do Brasil, mas não abriu o próprio coração nem tampouco alcançou o coração que importava alcançar. O do filho.

Este era o pai de Gonzaguinha que seria desde sempre, o centro de suas crises existenciais. A mãe, não. Era caso resolvido. Já estava ausente. Já havia ido embora para sempre. Fica apenas a triste saudade. Sua grande frustração era a certeza de um pai omisso e egoísta tão presente e tão distante. Este pai, que ainda adolescente,  persegue sua meta esquecendo-se dos valores principais, obcecado em provar que não era um ‘sem eira nem beira’.

E, assim, enquanto se desenrola a história da vida do pai, se revela na alma do filho a ânsia de todo ser humano: sarar as feridas, remir as dores, reatar os laços, resgatar a vida. E isso só se consegue quando se está decidido, pois que  é efetuado o querer em nosso coração.

E isso foi o que quis o poeta. Ele sai de um falso habitat e segue rumo às suas raízes. Enfrenta a capa de superioridade de um pai envolto no glamour e consegue conduzi-lo ao foco de sua perseguição, trazendo à tona sua emoção mais escondida. É quando tudo acontece. É quando cai a ficha. É quando ambos se curam de suas feridas mais doridas. O pai que reconhece, se humilha e, simplesmente, pede perdão. Eis o clímax! Momento denso. Desconcertante. (A forte impressão que me causa é que a plateia em cheio para de respirar no exato momento, em perfeita sintonia de orquestração, ao mesmo tempo gritante e silenciosa).

Há, ainda, a preciosa figura da conselheira que, muito mais do que uma simples doméstica, desempenha com maestria o papel de sábia conciliadora. De um lado, trata de acalmar o coração do filho, revoltado com um pai meramente provedor;  de outro lado, sacode o pai artista/sonhador chamando-o a razão para o que há de mais precioso na vida.

Aliás, são duas as mulheres marcantes nesse reencontro. A primeira - lá do início - faz papel de intermediadora como querendo se redimir. Ela diz: seu pai precisa de você – mesmo sem nunca ter percebido o quanto ele precisou do pai e sem sequer imaginar que assim estaria unindo a ambos.

Tudo é um processo. Impressiona o desenrolar dos conflitos interiores do filho que culmina com o pedido de perdão por parte do pai desconfiado, omisso e egoísta. Não há segredo nem mágica. Há disposição, entrega, desarmamento total. O perdão e o amor fecham a questão.

Há o filho que insiste em procurar o pai, ainda que todo desmontado, ferido, mas em busca de respostas. E por amor, unicamente. O pai, por sua vez, após um longo período de teimosas racionalizações para o glamour em que vive, finalmente cai em si e, reconhecendo as tremendas vaciladas, diz: filho, me perdoa. Pronto, ali toda a dor se neutraliza. Porque há CURA.

Filme de fotografia impecável, a irônica reflexão fica por conta do final, onde um singelo juazeiro dá sombra aos dois que se reconciliam em frente à casa abandonada do poderoso coronel que provocara o pai de Gonzaguinha a sair mundo afora. Para ‘provar’ o que era vão...

RF.

sábado, 16 de junho de 2012

O verdadeiro discípulo de Jesus



Enquanto os ‘cristãos’ se incham envaidecidos, brigando, xingando, criticando e se rotulando de luteranos, anglicanos, arminianos, ortodoxos, heterodoxos, liberais, neoliberais, pentecostais, neopentecostais, fundamentalistas, católicos apostólicos romanos, anglocatólicos, renovados, calvinistas, protestantes, fransesconistas, paulinos... (Ufa!) O AUTOR DA VIDA diz:

- Nisto conhecerão todos que são meus discípulos: SE TIVERDES AMOR UNS COM OS OUTROS.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reciclando lixo...








Não tenho o HÁBITO de remexer em lixo, afinal lixo não apenas FEDE pra caramba como está REPLETO de bactérias que transmitem as mais diversas doenças. 


Mas eu tinha que confessar ao leitor que cometi um crime HOR-RÍ-VEL. Afirmei que ia deletar a postagem que gerou esse -->TEXTO... E não o fiz! Também confesso que foi por mera distração... (Considerando isso, será que a pena seria tão implacável quanto o autor da queixa?!)



Resultado: hoje (09.06.12), quando 'abro' minha caixa postal, me deparo com uma notificação do serviço de suporte do blog explicando que está redefinindo a bendita postagem para o status de 'rascunho'. 



"Se não fizéssemos isso, estaríamos sujeitos a uma ação judicial de violação de direitos autorais, independentemente de seus méritos". - diz a mensagem.



Sem conseguir enxergar onde está a violação de direitos autorais em fazer uma adaptação com respectivo link, fico MUITO MAIS INTRIGADA em ver que tudo isso foi desencadeado a partir de quem prega incoerências ditas cristãs. Pois o mais irônico e contraditório é que o texto fala do irrecusável convite de Jesus.



Bom, pelo que entendi na leitura clara e objetiva da mensagem do support@blogger.com, a pena implacável seria a exclusão do meu blog e encerramento da conta caso eu revertesse a condição de 'rascunho'.. (Ui! Será que eu ainda sobreviveria?!)



"Se soubermos que você publicou novamente a postagem sem remover o conteúdo/link em questão, iremos excluir sua postagem e considerar isso como uma violação de sua conta (...) incluindo a exclusão de seu blog e/ou o encerramento de sua conta". - encerra o texto da mensagem, dizendo sobre consultar advogado em caso de dúvida e finalizando com o indicador URL.



Ai, que meda!



E assim caminha a humanidade...


Voltei ao blog do pastor/advogado/filhonetobisnetogenroirmãotiosobrinhodeadvogado e, em reconstituição do crime, reli atentamente a postagem comparando-a com a minha adaptação... Ficando com a clara dedução de ter tocado profundamente na raiz da sua tola vaidade! (Perdão pela redundância, afinal toda vaidade é sempre uma grande tolice).



Mas também notei uma coisa curiosa por lá:



A exclusão espontânea da nota infantil e chamativa 'LIDA EM MAIS DE SESSENTA PAÍSES'. (Ora, que bobagem! É claro que finda por ser lido em diversos países já que se trata de 'www'). 



Sabe... Fico feliz com essa última exclusão feita lá. Que bom que blogando aqui e ali vamos aparando em nós mesmos, ainda que quase imperceptíveis, algumas arestas de vários nomes como vaidade, orgulho, boçalidade, arrogância e legalismo que só servem para realimentar a autoafirmação e levantar muros. 



Por fim, arriscando parafrasear o autor a partir do mesmo texto, a nossa 'sorte' é a misericórdia de Deus em buscar novamente o que já foi convertido. Ele sabe do nosso coração enganoso, de nossa fraqueza e, consequentemente, da facilidade de nos afastarmos Dele com as nossas medidas rígidas e intolerantes.



Parafrasear é crime?! rss


Se for, tragam as algemas, então. Algemadas as mãos, porém feliz com o enorme privilégio de convivência familiar com as mais variadas vocações/profissões que nos LIBERTAM a mente em meio às diferentes possibilidades... 

sábado, 19 de novembro de 2011

Qual é a sua bandeira?




Já se vai mais de um século em que, inspirados na bandeira do Império, artistas brasileiros projetaram e desenharam uma das mais lindas bandeiras que eu conheço, onde a arte se expressa por meio de vibrantes cores, dizeres e estrelas, simbolizando as nossas referências históricas e culturais, ao mesmo tempo que define a soberania do nosso país.



Sempre admirei as bandeiras dos países, cada uma com suas próprias particularidades... 

Lembro-me que, quando era criança - já faz um tempinho rss - havia na biblioteca particular de meu pai um grande número de livros ilustrados e eu me debruçava sobre páginas e páginas, viajando naquelas fotos e desenhos que me pareciam tão longe do meu alcance e ao mesmo tempo tão próximas e tão familiares. E uma dessas páginas que me deixava deslumbrada era justamente a das bandeiras. Divertia-me cobrir com a mão o nome de cada país correspondente para exercitar a memória e ir descobrindo a qual país pertencia cada uma daquelas coloridas bandeiras, e assim, permanece até hoje na minha lembrança grande parte desse aprendizado feito de maneira tão despretensiosa e lúdica.

Depois, nas páginas seguintes, seguia-se inevitavelmente a leitura maçante (para minha idade) sobre a história de cada uma daquelas nações e mais e mais fotos incríveis com suas bandeiras tremulando em espaços estratégicos. Tremulando mesmo. E sem qualquer outro recurso que não fosse a minha própria imaginação.

E, como tudo tem seu começo, essa história de bandeira teve seu início com um pedaço de pano amarrado em um toco usado para identificar o fogo amigo nas batalhas da Idade Média.

Com o tempo a coisa foi ficando fashion e então, pela forte influência romana, as antigas insígnias foram sendo substituídas pelo seu vexilium (estandarte) em cores vibrantes e chamativas. Foram então surgindo outros tipos de bandeiras com a modernidade – e consequente diversidade. São as chamadas não-oficiais ou semi-oficiais carregando em si, inúmeros simbolismos que representam organizações públicas ou privadas.

No Brasil, em particular, muitas delas surgiram por influência de momentos históricos político/ideológicos, e isso foi o que me estimulou a postar neste dia, sem qualquer pretensão de estudo da vexilologia (consultar o Google rss) mas devido a um questionamento íntimo acerca das inúmeras bandeiras que levantamos metaforicamente de acordo com os nossos próprios conceitos e valores; as que carregamos no peito obedecendo a cerimoniais e rituais que nos foram imputados no decorrer das batalhas da nossa existência, ora tradicionalistas, ora “inovadoras”e agressivas, esta última com tendência ao mesmo extremismo nocivo da primeira, conduzindo as pessoas a mais sectarismo.

Interessante como um pedaço de pano tem o poder de representar convicções e esperanças de toda uma coletividade, como no hino da nossa bandeira nacional cuja saudação inicial fala justamente de paz e esperança... 

Mas como haver paz e esperança se o coração está árido?

Não adianta. 

Por mais que sejam nobres as defesas acerca do que carregamos como bandeira, se não existe AMOR certamente virão à tona – se bem que de maneira mais velada e mais “civilizada” – as mesmas e antigas formas de expressão de guerra que se carregavam nas mentes e corações, enquanto se empunhavam signos e insígnias forjados de maneira tosca. 

Quando a bandeira que carregamos é o AMOR forjado no próprio coração, todas as outras se dobram. 

Pois só o amor de Deus leva as pessoas a se entenderem, a se unirem... Fazendo tremular no peito uma única Bandeira Universal.

R.F.




segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O fio da meada.

Ultimamente, embora não tenha tido inspiração para escrever no meu blog e nem mesmo esse tempo todo disponível, tenho visitado determinados blogs... Engraçado isso, pois me considero em fase de desintoxicação urgente e necessária rss.  E, embora não saiba bem a que se deve essa visita constante - que já me deixa bem familiarizada e confiante para falar à vontade - confesso que me atrai tamanha lucidez e compreensão em gente tão jovem, ainda que seguindo os passos de certa denominação religiosa, digamos, tão fechada. Certamente é essa dobradinha que me fascina, pois, bora combinar, poucas são as pessoas  ali que se abrem, desarmadas e transparentes...

Bem, mas eu estou querendo mesmo é destacar um trecho de um comentário do multifaces misterioso que, vez por outra, dá o ar da graça (graça?!) no blog do meu amigo Hélio. Na verdade, eis a expressão que muito me chamou à atenção no trecho do comentário: 'o fio da meada'. (E até fiz meu comentário lá também. Mas aí eu tive a ideia de rearrumá-lo e transportá-lo para cá).

Eis a pérola:

“Os SANTOS PADRES e os imperadores cristãos deram forma e corpo àquilo que você deve chamar de Novo Testamento, determinando o valor ou conveniência desse ou daquele texto. É por isso que o protestante se perde na compreensão da Escritura. Ele não tem o "fio da meada" guardado sob as chaves de Pedro e segundo a Tradição Patrística”

Com a leitura desse fragmento de texto colocado acima entre aspas, me pego refletindo sobre o quanto a religiosidade é algo acirrado nas mentes das pessoas, tornando-as obtusas.

Em pouquíssimas palavras, enquadrou-se tudo -  denominação religiosa, gurus espirituais, líderes religiosos, obras, tradições... - só não teve espaço para o nome de Jesus. Ele está simplesmente EXCLUÍDO. Até da própria história, imagine da própria existência. Enfim, diz a Palavra que a boca fala do que o coração está cheio... Não é de se admirar que a briga é sempre entre os que estão dentro de determinada 'igreja'. Afinal, o chamado de Jesus é 'para fora' desses arraiais religiosos que alimentam a crença em detrimento da fé. Porque, note-se, a tônica ali naquelas poucas palavras é a crença. E não, a .


Considere-se ainda que há uma diferença gritante entre crença e fé. Crença tem sempre a ver com algo externo, um pacote de doutrinas que se segue, que se professa, que se defende conforme a cultura religiosa absorvida e aceita como 'certa'. Observe-se que CRENÇA está sempre ligada à exterioridade, a uma coletividade, a um grupo religioso.

Fé é algo que não aparece, não se mostra, por estar/ser relacionado à vivência estritamente pessoal. Independe de crença, de denominação, de normas igrejistas, de guru espiritual tal me dizer como devo conduzir minha vida.

Em algum momento você vai ter algumas experiências PESSOAIS, alguns insights que vão te dizer a respeito de fé, sem que precise de nenhum LUGAR, nenhum espaço geográfico; e de nenhum local denominacional criado por um líder que foi endeusado através de décadas só porque fundou determinada igreja debaixo de fogos de artifício celestiais. 

Essa experiência, esses insights, são pessoais e intransferíveis. Isso é presente de Deus, liberdade concedida a TODOS os seres humanos. O que eles vão fazer com isso... aí é que tá! Se vai ser saudável ou opressor, se vai ser engaiolado ou livre de amarras religiosas. 

Por outro lado, não podemos fazer vista grossa e passar ao largo das doenças da alma que assolam os átrios religiosos oprimindo as pessoas e fazendo-as alienadas e infelizes em nome de uma eternidade que as fazem viver uma emocionalidade coletiva e um inferno pessoal aqui e agora. (A própria História que o diga!)
Daí estive pensando quem terá sido que perdeu o fio da meada...
Se foi aquele que, pela fé, professa o nome de Jesus ou aquele que adora aplaudir as próprias crenças como se estive em um concurso. Sim, pois certo tipo de discussão não se baseia em fé, mas em meras (des)crenças. 

Ora, na fé não se precisa provar nada, a crença é que se alimenta de analogias, pressupostos e performances. Na fé, atendemos a um chamado de Deus para conhecê-Lo; na crença, atendemos a religiosos que nos sufocam com um kit informativo/cerimonioso supostamente sagrado. A fé não impõe rótulos que nos justifiquem; a crença indica a importância histórica do currículo espiritual, exaltando chefes 'espirituais', reis e imperadores, com o que eles disseram e o que deixaram de dizer. Na fé, a nossa experiência é diretamente com Deus, por meio de Jesus. Na crença, a experiência é meramente religiosa sempre baseada no comportamento exterior.

Tem gente que prefere a complexa coletividade religiosa, a ser simplesmente discípula de Jesus; prefere idolatrar a tradição que levanta muros, a cumprir o ministério da reconciliação; prefere defender com unhas e dentes a sua facção, a reconhecer uma verdadeira irmandade na comunhão com aqueles que discerniram o mistério de Deus em Cristo; prefere briguinha de comadres do que anunciar essa Boa Nova, esse Amor; tem o maior prazer em repartir a pizza religiosa entre as quatro paredes do templo sagrado, a viver/conviver/celebrar com aqueles que também amam o mesmo Amor que a eles se revelou em Cristo. Ou não se revelou?


Enfim... Quem sabe um dia a gente cresce, deixa as coisas de menino de lado e, então, larga a crença de mão... E abraça a fé! E aí, meu irmão, não há como se perder o fio da meada.