"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

Translate

Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amizade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Bate papo...




Discípulos de Cristo ou discípulos de cristianismo?


Regina Farias disse...

Alan,

Fazia muito tempo que eu não queria ouvir mais certas pregações...

Então vi teu video e 'passei', deixei pra depois, mesmo sabendo de sua maravilhosa fase de transformação, mesmo com o título do mesmo me chamando a ler.

Então via a chamada no meu próprio blog me atraindo e resolvi que hoje eu iria assistir. Se bem que vim ao computador para ver outras coisas, confesso. Mas aí fui atraída imediatamente ao que havia dito 'domingo eu vejo'.

Dou graças a Deus por ver que ainda há pastores que se deixam quebrantar e, assim, vamos nos quebrantando também.
Obrigada!

R.
Alan Capriles disse...
Oi, Re!

Não posso deixar de comentar seu comentário, especialmente porque você está sempre nos enriquecendo com suas observações e eu raramente escrevo em seu blog (como também nos demais). Quero lhe agradecer por todo o carinho e lhe dizer também que seus comentários são um incentivo para que eu continue escrevendo e, nesse caso, também pregando. Como eu disse na mensagem, estou passando por um momento de auto-crítica, sendo confrontado comigo mesmo por meio do evangelho. Peço que me ajude em oração, a fim de que eu diminua e possa permitir que o Cristo que habita em cada um de nós tenha plena liberdade para continuar me usando na Palavra e, principalmente, nas obras de amor.

Deus lhe abençoe cada dia mais!
Regina Farias disse...
Pastor,

Está lá no meu blog e vou colocar no FB tb porque precisamos voltar ao primeiro amor urgente. Estamos muito mecanizados, robotizados, egoistas, individualistas.

E fique à vontade, eu não venho aqui para que vc vá lá. Não é uma troca mecânica e vc sabe disso. Se bem que em algumas vezes em peço socorro de algum 'guru' rsss da minha confiança como vc, René, W, J.C. Cláudio... Mas para complementar alguma coisa que eu não saiba expressar tão bem como vcs. Mas sem pressa e sem pressão.

Quanto ao constante processo no caminho que nos submetemos a ser moldados, veja você que quanto mais nos flagramos confrontados em nós mesmos, mais Deus nos abençoa e nos usa para abençoar a outros.

Isso é simplesmente maravilhoso!
Oremos, então!
Alan Capriles disse...
Re, preciso lhe confessar...

Também recorro a nossos irmãos "gurus" que você mencionou. Há poucos meses, por exemplo, fui pessoalmente conversar com nosso amigo René, que pacientemente escutou acerca de minhas inquietações e conflitos interiores. Voltei de lá muito mais leve e encorajado a seguir em frente.

Mas, desde que li seu último comentário, fiquei incomodado por você não saber ainda o quanto sua vida foi importante para o meu amadurecimento espiritual. Tudo começou com um comentário estúpido que eu fiz em um artigo da Rô e que você repreendeu com extrema simplicidade e dureza. Aquilo falou forte comigo porque, lá no fundo, eu sabia que você estava certa. Foi quando eu comecei a ler seu blog, o que ajudou a acelerar meu despertamento espiritual.

Por isso, sinto-me no dever de lhe dizer que você também é um de nossos "gurus", que nos ajudam a enxergar o caminho quando as trevas tentam nos fazer desviar da verdade e do amor.

Agradeço muito a Deus por sua vida e pelo privilégio de compartilharmos nossas experiências com Cristo.

Deus continue lhe abençoando cada dia mais!
Regina Farias disse...
Alan,

Despida de qualquer vaidade, esse seu depoimento enche o meu coração de alegria, simplesmente por confirmar o que eu vi em você desde o início: uma pessoa sábia! (Embora não tenha percebido essa repreensão rss Acho que é o hábito, desde bem menina, de ser professora. Aos treze anos de idade já monitorava em sala de aula na escola dos meus pais).

Fico mais feliz ainda porque, graças a Deus você soube assimilar, pois infelizmente, muitos que se deparam com esse meu jeito assim direto, se ofendem e levam para o lado pessoal.

Isso tudo só me faz admirá-lo mais ainda e louvar a Deus por sua vida, pois que você tem o dom de 'ser pastor', verdadeiramente. E quantas almas precisam de suas palavras tão sinceras e pautadas no Evangelho puro e simples.

Deus o ilumine cada vez mais!!!

R.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Segredo do Raul




Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.  Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim. Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu.

O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.

Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito. Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer. Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente.

Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: 'Qualquer um pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'. Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.

'Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.'

Amigos: vocês já devem ter cruzado com pessoas assim, mas prestem atenção, eles realmente não fazem questão de serem notados...

(Max Gehringer)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CORAÇÃO GELADO?!





Resposta de uma irmãzinha ao texto CORAÇÃO GELADO

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: xxxxxxxxx
Data: 9 de maio de 2012 23:01
Assunto: RE: Corações Gelados... ???
Para: xxxxxxxxx


Como eu precisava ler isso. Muito bom ouvir isso de você. Entendo perfeitamente tudo que diz quanto a sua frieza, indiferença e aparente "egoísmo", diferente de como era antes quando conhecemos ao Senhor Jesus, nosso primeiro amor. Não quero escrever bonito, quero de uma maneira bem simples dizer a você que foi maravilhoso ter ouvido tudo que ouvi de você, ter regado a fé de crer que eu tenho sim Cristo em mim, que eu faço sim diferença, pelos valores que já foram gravados no meu coração.

Concordo com o que sua amiga diz quanto ao amadurecimento e nossa mudança no comportamento cristão, mas acho que para tudo existe limite. Podemos e amadurecemos naturalmente, mas algumas coisas precisam ser praticadas, exercitadas verdadeiramente. Sinto falta da força e orações que eu fazia pedindo ao Pai que me ajudasse a perdoar, para que eu pudesse olhar para meus inimigos sem rancor ou sem desejo de que eles se ferrassem, no fim das contas rsrs

De me esforçar para sempre falar a verdade, ou de não errar para não ter que mentir, do quanto me preocupava com meu testemunho e acreditava que ele fazia diferença na vida dos que se espelhavam em mim. Eu quero isso de volta, só isso, saber que tudo que conhenci sobre meu salvador é TRANSFORMADOR, é de graça e tão escasso nos dias de hoje.

É maravilhoso falar com você, ler seus textos, crescemos juntos na fé e depois de Deus você é a pessoa que mais me conhece, conhece meus medos, minhas frustações, meus sonhos, minhas decepções e minha vontade de ser uma mulher de acordo com o coração do PAI.

QUERO OCUPAR MEUS PENSAMENTOS, MEU TEMPO E MEU CORAÇÃO COM COISAS GRANDES E ETERNAS.

QUERO ACREDITAR NA TRANSFORMAÇÃO DE VIDAS, NÃO QUERO E NÃO POSSO MAIS VIVER NATURALMENTE CONSENTINDO COM ESSE MUNDO CAÍDO MOVIDO POR INTERESSES ONDE ATITUDES QUE FEREM O CORAÇÃO DO PAI SÃO PRATICADAS NORMALMENTE.


Quando eu te pedi para me encaminhar algo para eu ler, Deus já havia colocado as palavras no seu coração.

Obrigada João, que Deus o proteja e cuide de cada detalhe da sua vida. Sua palavras me fizeram muito bem, senti a presença de Deus novamente. SINTO QUE SE INICIA UMA NOVA HISTÓRIA.

Você me levou para Cristo!

...mas agora de contigo andar... eu sei o Deus que tenho...meu Deus Senhor e Pai... me alegro em sua presença mais e mais...

-----------------------------------------------------

E é porque esses dois personagens dessa história real se dizem de corações gelados.
Se, nessa 'temperatura', já me desmontaram toda fico a imaginar se fossem quentes...
RF.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

UNIÕES CONTAMINADAS




Tem gente que pensa que gente se entrega a outra gente e nada acontece. Tem gente que se dá a outra gente sem saber que a gente é feita de gente. Tem gente que se ilude com a ideia de que gente não transfere gente para outra gente. Tem gente que não entende que gente é contagiada quando se faz ‘um’ com outra gente. Tem gente que pensa que é brincadeira quando Deus diz pra gente não misturar o espírito com o espírito de certas gentes.

Sim, gente passa gente pra gente.

Serão os dois uma só carne...

Faz-se um com ela...

Grande é este mistério...

Paulo disse que na união conjugal tais ‘misturas’ atingem seu clímax para o bem, mas também pode ser para o mal. Ele diz: ...dela cuida como de sua própria carne...

E mais: ... posto que já não são dois, porém um... E em outro lugar: ... a mulher crente santifica o marido incrédulo... De outra sorte seriam impuros...

Eu creio em vampiros psicológicos, em seres que comem você por dentro, em relacionamentos que são como o ‘bicho da goiaba’ e o amazonense tapuru.

Ninguém se une a ninguém sem contágio, para o bem ou para o mal.

Uniões têm o poder de mudar interiores, alterar almas, atingir o espírito.

Se alguém sai de casa e contrata uma prostituta, e faz isso uma vez, corre o risco de contaminar-se fisicamente e pode desenvolver um vício para a alma. Mas se alguém sai de casa sempre para se prostituir, essa pessoa, mesmo que mude de prostituta todas as vezes, será contaminada, não necessariamente no corpo, e não necessariamente pelo espírito de uma delas, mas com certeza o será pelo espírito de prostituição, que não é algo muito forte na prostituta (que não se entrega por prazer) mas o é na alma do freguês, visto que ele é quem procura ‘algo’ com avidez física e psicológica.

Amizades longas com pessoas ruins podem acabar com a gente. Da mesma forma, amizades curtas e breves também têm o poder de contaminar e desviar uma pessoa de seu caminho.

Nada, porém, é mais profundo no seu poder de contágio do que uma união conjugal. Nesse caso, se as pessoas são de espírito bom, mesmo que não se amem, provavelmente não se façam mal. Mas se ambas ou apenas uma delas for de outro espírito, então, é muito difícil que o parceiro não seja contaminado na alma.

Por esta razão nada há melhor do que a união de duas pessoas do mesmo bom espírito, especialmente se tiverem a ventura de se encontrar bem cedo na vida, e se manterem em união por toda a vida.

Tais pessoas são as mais leves, livres, felizes e simples!

Há quem queira muita ‘variedade’... Meu Deus, que ilusão!  Mal sabem que a tal ‘variedade’ vai deixando gambiarras penduradas pela gente, como fios desencapados e ‘em curto’. Se pudéssemos ver espiritualmente tais pessoas, as veríamos como troncos cheios de cabeças, braços, olhos, e pernas. Completamente monstrificadas. Simbiotizadas de tantas formas e de tantas maneiras, que elas mesmas assustar-se-iam se pudessem se enxergar.

Mas não é preciso enxergar para ver. Basta que se olhe para dentro do coração, para as legiões de seres, para sentimentos que cada vez mais se complexificam na alma, para mentes cada vez mais compartilhadas pelos entes psicológicos que foram sendo agregados no caminho.

Por isso o homem de coração simples é bem mais feliz do que aquele que sofisticadamente se autodesigna de complexo. Quando a sabedoria ordena ao jovem que guarde puro o seu coração, que simplifique os seus caminhos e que seja focado em seus sentimentos, ela quer apenas dizer o que acabei de expor.

Não é nada moral como se pensa. É algo que tem a ver com a saúde do ser, com a paz para viver, com a unicidade existencial, com a pureza psicológica.

Hoje, porém, é moda ser infeliz, complexo, sensível (significando ‘sofrido’), indecifrável, misturado e multiuso, de tal modo que essa pessoa tem que ter ‘seu próprio analista’.

Toda gente é uma ‘mistura’ de todas as gentes que passaram pelo coração, para o bem e para o mal.

Nessa viagem da formação do ser há aquelas pessoas que são inevitáveis para nós, como os pais e os irmãos—nossos primeiros e involuntários casamentos na existência.

Ora, muitos são os estragos que essa ‘mistura’ pode causar quando mal discernida.

As piores misturas, todavia, são aquelas que escolhemos—consciente ou inconscientemente—para viver e fazer parte da gente pela via da união.

União é coisa muito séria. Ela pode nos erguer ou nos afundar; pode nos abençoar ou nos amaldiçoar; pode nos trazer paz ou pode nos trazer angústias; pode nos salvar ou nos destruir.

Por isso, se você está só, ou vindo de algo que como ‘união’ fez mal a você, não tenha pressa. Abrace sua solidão com respeito e dignidade. E agradeça a Deus o livramento. E não sucumba à tirania de se fazer acompanhar. Afinal, veja bem quem vai lhe ‘acompanhar’.

Mas se você está lendo isso e pensando: E agora? Depois de tanto ‘experimento’, ainda haverá esperança para mim? Eu lhe digo: Sempre há esperança. O Espírito Santo é real. O amor de Deus limpa e cura. Mas o homem haverá de ser curado enquanto discerne cada pedaço de outros que foram largados no baú de sua alma. E terá que ter a coragem de discerni-los e jogá-los para fora de si mesmo.

Essa cura implica em discernir ‘qual carne e qual sangue’ fazem parte de nossa comunhão existencial e espiritual. E obviamente isto só tem a ver com quem permitimos entrar e ter algum pedaço de nós, especialmente em uniões. Tal exercício de discernimento é doloroso, porém libertador. Portanto, se você discernir tais espíritos na presente constituição de sua alma, mande-os sair... Pois eles sairão.

Depois disso, encha a sua casa do que é bom e não a deixe vazia, posto que essas coisas se vão... Mas de vez em quando voltam a fim de ver como anda o lugar antes ocupado, conforme nos ensinou Jesus, tanto sobre espíritos demônios, quanto também acerca de qualquer espírito, inclusive os espíritos dos humanos que já nos possuíram ou tentaram fazê-lo.

Esses ‘entes’, todavia, cansam de voltar. E é assim que se vai alcançando PAZ mais e mais...

É por tudo isso que lhe peço:

Veja bem com quem você está se unindo.

E mais:

Veja bem que espíritos você contraiu durante vínculos adoecidos.

E, assim, trazendo todas as coisas para a luz, deixe que a verdade expurgue de seu ser aquilo que não é você.

E não esqueça:

É na Luz e na Comunhão verdadeira que o Sangue de Jesus nos purifica de todo pecado.

Pois se andarmos na luz, como Ele na luz está, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Seu filho, nos purifica de todo pecado.

 Na íntegra, AQUI <---


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sou uma privilegiada!




Marcado por mudanças definitivas no meio social e político, o finalzinho dos anos setenta/início dos oitenta chegou para mim como algo meio preto no branco onde não dava para ficar em cima de muro, ao mesmo tempo em que minha cabecinha romântica absorvia com muita facilidade um turbilhão de acontecimentos que formavam as estruturas emergentes em substituição definitiva a um comportamento fortemente caracterizado por um sistema repressor.

Bandeirosa nas atitudes, porém sem ir às ruas levantar bandeira, ainda muito garota já demonstrava aversão a privilégios em atitudes claras e definidas, e, mesmo naturalmente doce, simpática e sorridente rss, não me pouparam alguns rótulos como “do contra” e “rebelde” - se bem que entre os mais íntimos e condescendentes, era chamada carinhosamente de espirituosa e irreverente. Bendito eufemismo rss

Ah, e se você pensa que eu vou discorrer sobre mudanças no comportamento sócio-político do meu país, está enganado, pois pra variar um pouco, (risos) estou mesmo é abrindo a minha alma ao trazer à tona certas reminiscências...

Aconteceu que para dedicar-me exclusivamente à vida familiar em certo período, tranquei o curso de Odontologia e fui viver um momento completamente diferente do das minhas amigas universitárias, tornando-me mãe muito jovem. Em seis anos de casada tive seis gestações, porém a minha primeira maternidade vingou somente na terceira gestação devido a abortos involuntários nas anteriores. E aquele sangue igualitário que corria em minhas veias já me inquietava ao antever os privilégios de todas as atenções que seriam naturalmente voltados ao primeiro que nascia. 

Assim, tratando de providenciar como dividir tanta atenção acumulada em overdose de amor tive praticamente quatro bebês - como costumava dizer uma vizinha - pois quando o mais novo nasceu, o mais velho acabara de completar quatro aninhos no mesmo mês. Quatro bebês em crescimento concomitante, cada um com sua preciosa individualidade. Era uma verdadeira escola para mim no sentido mais amplo, pois é ao multiplicar a atenção, dividindo braços e colo, que se descobrem reservas incríveis de algo quase mágico. Infinito. Inesgotável.

Antenada e super atualizada, sempre busquei informações em fontes confiáveis que me auxiliassem a educá-los de modo que crescessem da forma mais saudável possível em todos os aspectos. Como morei pelo interior afora devido à função de meu marido, sem minha faculdade pra me suprir e me impedir de emburrecer, me valia de livros, revistas e jornais. Além de troca de experiência com amigas e pessoas mais velhas, claro. Dr. De Lamare com o clássico livro de ajuda “Meu Bebê”, foi quem mais me salvou em muitas situações embaraçosas de marinheira de primeiras viagens em um só pacote. Assim, eles iam crescendo e as pessoas à volta se admiravam do quarteto sob a minha (quase) exclusiva condução, pois o pai, muito ocupado e, frequentemente ausente, figurava mais como provedor delegando-me inclusive funções que eram dele. Ou de ambos.

Como costumava dizer aos curiosos de plantão, eu carregava um kit. Não “quatro em um”, mas “um em quatro”. Era como se eu visualizasse um só filho, de tão harmoniosa que era a nossa sintonia. (E aqui cabe a redundância da sintonia harmoniosa rss). Era assim que os via, com suas características bem definidas em meio às minhas ações. Das mais simples e cotidianas, às mais decisivas e cruciais, dentro de um contexto muito peculiar onde a decisão de cuidar de quatro bebês, quatro crianças e quatro adolescentes praticamente da mesma idade e com personalidades, anseios e desejos diversos, só são tarefas simples e prazerosas quando se enxerga neles o seu verdadeiro tesouro.

Quando bebês, eram quatro mamadeiras nas madrugadas. Crianças, quatro camas ocupadas simultaneamente pela mesma coqueluche. Pré-adolescentes, conflitos, broncas e curtição a quatro também; tênis, mochilas, diversões, viagens, judô, natação, brinquedos, escola, curso de inglês e de computação. Mimos sem extravagâncias. Conforto sem o luxo desnecessário. Pulso firme na hora certa. Informação na medida certa em amor que é sem medida. Uma busca diária e super dinâmica por uma convivência justa e imparcial. É certo que, de natureza meio impulsiva (meio?! rss)  eu me descabelava quando os via se desentendendo, e também porque até hoje nunca soube lidar bem com desarmonia no lar, minando totalmente as minhas energias. Mas quando eles adoeciam... Eu desacelerava armando-me de uma força, uma calma e paciência tão grandes que assustava até a mim mesma. Era a hora em que eu dizia: Ôpa! Pára tudo!

Tenho saudade daquela época...

Não aquela coisa nostálgica de quem sente falta de algum pedaço, mas um saudosismo gostoso que me remete a um momento especial de enorme afeto, de uma dedicação extremada cuja lembrança me conforta e me diz muito do dever cumprido, o qual eu viveria novamente, do mesmo jeito, com aquela mesma paixão, aquela mesma vontade de me jogar naquela minha escolha clara e lúcida, de dar o melhor de mim, com todos os acertos e os erros que me impulsionavam a acertar de novo. E mais uma vez. E sempre...

Saudade boa. Lembranças que me enchem o coração de satisfação.

Saudade daquela entrega total e irrestrita, daquela cumplicidade, da confiança inocente em mim depositada de forma plena.

Taí! Desse privilégio eu gostei! Obrigada, PAI!

RF.




Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre, seu galardão.
(Salmos 127.3)



Jr, Leo, Rico e Beto