"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 8 de março de 2013

A mulher atrás? Como assim?






Para meu alívio, um belo dia eu descobri que o ‘atrás’ do início da célebre frase, tinha como causa a paralisia que obrigava seu autor- o presidente Roosevelt - a ser guiado pela esposa em cadeira de rodas. Digo 'alívio' porque somos propensos a seguir certas máximas como sendo uma obrigação (quase) religiosa. E, como eu adoro desmistificar coisas, fui pesquisar a respeito dessa frase essencialmente machista.

E hoje, dia dedicado especialmente para homenagear as mulheres, gostaria de abordar o tema à luz da Bíblia.

‘A mulher foi criada para ser a perfeita contraparte do homem, não sendo inferior nem superior, mas equivalente e igual ao homem em sua pessoalidade, enquanto diferente e única em sua função’.

Quando Deus fez o primeiro homem, disse que não era bom que ele ficasse só, da mesma forma que nunca quis que a mulher ficasse em segundo plano em absolutamente nada. No casamento então, nem dois seriam, mas uma só carne, PORÉM, sempre exaltando a individualidade da mulher, dando-lhe valor e responsabilidade ao longo da existência humana. Ou seja, machista não é Deus. O ser humano caído e pretensioso, este sim, tem natureza machista e se põe acima de Deus nas suas próprias convicções e tradições repassadas e adquiridas ao longo do tempo.

Ao observarmos atentamente a esposa virtuosa de Provérbios 31 descobrimos que se trata de um perfil muito atual e que tem todos os elementos que agradam a Deus:

Razoável independência (v16) Confiabilidade (v11) Capacidade de assumir responsabilidade (v13) Bom gosto (v22) E determinação para ser digna de honra e elogios (v 28 a 31) - Bíblia da Mulher, pg 830.

No AT vemos o exemplo de Débora que era profetisa e uma simples dona-de-casa sendo escolhida por Deus para liderar uma nação, tornando-se juíza e líder militar, LIBERTANDO seu povo em tempos de guerra. Tem também Ester, a quem Deus concedeu enorme coragem e grande sabedoria para livrar Israel da destruição; Tem Rute, a moabita, de cuja descendência veio O Salvador! Miriã, que desde criança mostrou-se inteligente ao conduzir e vigiar o irmãozinho, tornando-se mais tarde grande líder; considerada a mais notável mulher hebraica da sua época, foi ainda grande musicista e profetisa. Havia ainda tantas outras mulheres expressivas tais como Ana, mãe de Samuel, e Abigail, que ao usar de grande habilidade mudou o rumo da vida do futuro rei Davi.

Tempos depois, em Sua perfeita Soberania, Deus não precisaria de uma mulher para realizar Sua obra salvífica, mas escolheu uma menina-mulher- Maria - como instrumento, fazendo triunfar a fé sobre o dogmatismo. Esta, por sua vez, compreendendo que o foco era Jesus, disse: Que se cumpra em mim conforme a Tua Palavra.

Isabel, parenta e mãe espiritual de Maria, destacou-se duplamente: como sua mentora extraordinária e como mãe do pregador que viria a ser o portador da mensagem de arrependimento, preparando o caminho para o Messias.

Quando Jesus nasceu, outra Ana servia no templo e vivia ajudando no serviço religioso oficializado naquele local ( Lc 2:36.38)

Nos tempos do NT, Jesus SEMPRE enfatizou o ministério das mulheres no evangelismo, ficando bem evidente sua atitude revolucionária/restauradora quando apareceu para a mulher no poço de Sicar, já que por razões culturais era considerado impróprio para um rabino abordar uma mulher, principalmente uma mulher com aquele perfil. Enquanto ela era discriminada, Jesus a restaurou fazendo-a evangelizadora, com o dom de exortação, persuadindo e incentivando outras pessoas a conhecerem-NO.

"Muitos samaritanos daquela cidade creram nele EM VIRTUDE DO TESTEMUNHO DA MULHER!" (Cf. Jo 4.39)

Observe-se que no Sermão do Monte, onde Jesus deixou a todos maravilhados com Sua doutrina, não existe nenhuma alusão-proibição no que concerne à atuação da mulher evangelizadora. (Mt caps : 5-6-7)

Jesus exaltou o fato de Maria de Betânia ficar aos seus pés, ouvindo seus ensinamentos e repreendeu Marta, sua irmã, que queria que a mesma a ajudasse nos afazeres domésticos, numa reação típica de uma cultura que achava que uma mulher não devia receber ensino sobre as verdades espirituais. E, rebatendo com o intuito de ensinar-lhe e encorajá-la a aprender, disse: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.

Ora, se Ele discriminasse mulher – e principalmente naquela cultura judaica à época - eu já imagino o que ele diria:

- Ela tem razão, Maria. Por que você não vai pra cozinha ajudar sua irmã? 

A bíblia relata também a passagem da mulher que, em silêncio, estava prestes a ser apedrejada e Jesus dirige a palavra justamente a ela - ignorando questões culturais hipócritas que responsabilizavam a mulher pela luxúria (ora, ela transou sozinha?!) e por isso deveria estar isolada do homem – sendo essa mulher particularmente discriminada não apenas pela sua condição feminina, mas ainda pela sua conduta.

Ressalte-se também a permissão de Jesus para que Maria Madalena fosse a primeira mulher a vê-Lo e a falar com Ele, tendo sido inclusive, a primeira pessoa a contar as Novas aos outros, ainda que nos moldes da época o testemunho de uma mulher fosse considerado inválido.

muitas outras mulheres cooperaram das mais diversas formas, no ministério de Jesus... (Cf Lc 8:1.2.3).

O Evangelho se propagou e, mais tarde, Paulo começou a enviar cartas específicas para as localidades.

Inclusive há certa confusão em interpretações doutrinárias devido a uma suposta discriminação feita por Paulo às mulheres de Corinto, quando na verdade tratava-se de um meio disciplinador, uma vez que as mulheres da alta sociedade manipulavam grande parte do poder econômico e faziam valer suas vontades. Era comum elas usarem de capricho para com seus maridos, influenciando-os sobre o que deveriam ou não fazer. Esse era um costume feminino quase generalizado  permanecendo por muito tempo na igreja primitiva.

Na carta que escreve ao povo de Filipos (4.3), fica claro que Paulo não dispensa a ajuda das mulheres, lembrando ainda de Lídia e Priscila que eram cooperadoras em seu ministério de evangelização.

Aos gálatas (3.28), ele diz que não há distinção de sexos.

Em Tito 2:3.5 as mulheres recebem ordem para ensinar na igreja.

Quando ele diz aos efésios para a mulher ser submissa ao marido, deixa claro que o marido AME a mulher, comparando à relação de Cristo com a Igreja (Ef 5.23), numa alusão ao que Deus requer numa relação conjugal; pois ELE não quer submissão em detrimento da responsabilidade da esposa de andar em santidade e retidão diante dEle. Afinal, o marido não é Salvador, e sim, protetor. Dessa forma, na submissão VOLUNTÁRIA, a esposa serve a seu marido, com liberdade e dignidade, ASSIM COMO a Igreja serve a Cristo.

O objetivo de Paulo era impor uma nova concepção conforme o que Jesus havia pregado sobre a vida espiritual, desfazendo conceitos, erradicando costumes, mudando a visão e o pensamento dos novos convertidos.

E este, continua sendo o nosso objetivo – nós, mulheres cristãs – quando precisamos estar cada vez mais atentas ao papel que nos foi confiado, pois mesmo tendo passado mais de dois mil anos, ainda existe enorme disputa e grandes equívocos em nome de Jesus e onde, ironicamente, nós mulheres, nos tornamos vítimas da nossa própria influência no meio em que vivemos.

Mas existe uma fórmula simples: colocar Deus no comando que sempre foi Dele. 

E olha lá, heim! Mulher atrás, apenas em situações específicas. 

Como no caso do presidente citado acima.

E que Deus abençoe a todas nós, mulheres, fazendo-nos enxergar o mandamento de ser LUZ DO MUNDO!

RF.


Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse:
Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. (Mt 28.5)
E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse:
Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. (Mt 28.9)


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

Homenagem à minha mãe

(Pois é... Amiga, amiga, jogo à parte he he)
Quando menina, ela era o que se chamava de garota-prodígio. Impulsiva e de temperamento enérgico, foi aluna exemplar sem jamais perder o senso de humor,  mesmo tendo sido educada em rígido colégio interno de freiras. Desde então, passou grande parte da vida adulta circulando em meio eclesiástico, porém ensinando aos filhos os valores cristãos aplicáveis à vida prática.

Em julho, essa mulher de rocha vai fazer 87 anos. Hoje em dia ela assume a idade abertamente, mas lá pelos setenta, mais ou menos, ela dizia ter cinquenta. Mas era só pra se fazer de engraçadinha...Quero dizer, engraçada, pois a engraçadinha era euzinha. Aliás, aos cinquenta lá estava ela na Universidade Federal, fazendo Pedagogia, para anos depois ser a laureada da turma em meio a inúmeros jovens da idade de seus filhos!

Essa é a minha mãe. Cabeça boa, muito melhor que a minha, como costumo brincar, pois ela se lembra até de coisa que nunca aconteceu! Sabendo lidar com números como ninguém, faz cálculos de cabeça, privilégio de uma geração que não teve que entregar esse exercício mental a uma simples maquininha.

Já tive a feliz oportunidade de falar neste espaço, que sou fruto de pais educadores, numa época em que ser professor era uma vocação. E eu posso afirmar que, graças à minha mãe, pude me dar ao luxo de ter educação escolar praticamente em casa, já que desde pequenos, meus irmãos e eu fomos orientados por meio de um sistema educacional particular, extensivo às dependências físicas da escola. Essa formação escolar que se iniciava praticamente dentro de casa sempre foi algo sagrado para uma mãe guerreira que tinha a função dupla de educar seus próprios filhos investindo tempo integral. Sua didática, sempre aliada a novos métodos pedagógicos, me levavam a crer que a escola se confundia com o lar e vice-versa; que havia uma estreita ligação entre os dois como se um fosse continuidade simbiótica do outro.

Posso até ser muito suspeita, mas arrisco dizer com toda segurança, que nunca vi uma mãe-professora dedicar-se tanto à educação quanto ela. Não era uma simples dedicação. Era uma entrega passional de corpo e alma, uma empolgação que se renovava a cada dia, realimentando-a e estimulando-a a realizar essa missão cada vez mais prazerosa que a transformava em verdadeira enciclopédia ambulante responsável pelo bem mais precioso ao aluno: a INformação. E o rigor na ética era tanto, que ela não permitia jamais que disso tirássemos proveito, incentivando em cada um de nós, o gosto pelo estudo e pela pesquisa, apontando silenciosamente para o dicionário quando perguntávamos o significado de algum termo.

Essa mulher portadora de múltiplas habilidades encontrava tempo para ensinar inúmeras disciplinas no antigo Magistério, tocar piano nas horas vagas, pintar quadros e ainda criar e dirigir peças de teatro. Sempre inovadora e com a arte pulsando nas veias, vivia inventando uma maneira lúdica de homenagear pessoas e entidades em suas datas específicas, conforme o calendário escolar e até mesmo em suas funções de primeira-dama rotária, tarefa desempenhada com o mesmo afinco durante muitos anos de sua vida.

Minha primeira professora de português, com ela aprendi não apenas a escrever corretamente. Aprendi a viver corretamente. Aprendi valores essenciais para o resto da vida. Com ela aprendi que uma boa mãe também precisa ser firme e ter o controle da situação.

Paradoxalmente, e com inimitável habilidade, ainda hoje consegue mesclar o fino senso de humor com a teimosa rigidez que sempre a acompanhou. Sua marca rigorosa não consegue mais esconder o coração frágil e carente que pede filhos e netos à volta... Não é por acaso que sua casa é a matriz das festas familiares. É lá que nos reunimos para celebrarmos datas especiais. Como a de hoje.


Querida Mãe, agradeço a Deus por sua vida!
Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre, seu galardão.
(Sl. 127.3)

Leitura relacionada:


sábado, 7 de abril de 2012

PÁSCOA: SIGNIFICADO E CONFISSÃO


Páscoa é passagem.

Para os judeus, passagem d
e um estado de escravidão para uma situação de liberdade. Para os cristãos é a passagem de Jesus da morte para a vida, por meio da ressurreição.

A verdade é que durante toda a existência precisamos viver a Páscoa como uma experiência interior de 'passagens', de mudanças constantes, sabendo que como o povo hebreu, durante a passagem, deveremos passar por grandes desafios e como Cristo haveremos de enfrentar até mesmo o inferno, no nosso caso o inferno existencial.

Duas palavras definem bem a Páscoa: Liberdade e Vida. Mas há uma terceira, que sem ela se torna inviável a caminhada  - 'caminhada' como processo de busca e crescimento. O nome disso é ESPERANÇA!

Foi por meio da promessa revelada que homens e mulheres escravos pelo povo egípcio puderam caminhar esperançosamente até chegar a Terra Prometida.

Foi em esperança que uma comunidade de discípulos do primeiro século e dos séculos posteriores (e até mesmo de séculos anteriores) caminharam e têm caminhado na Terra movidos pelo poder da ressurreição que vai reatualizando a vida e a liberdade que nos foi outorgada na cruz do tempo (histórica) e na Cruz da Eternidade.

Hoje sinto-me como fazendo um tipo de passagem. Não tem sido fácil. As paisagens não são belas muitas vezes, mas sombrias, cinzentas... Contudo, lá dentro há uma Voz que sussurra esperança em meus ouvidos, então caminho, caminho, caminho... Fazendo esta minha passagem, vivendo a minha Páscoa, buscando a liberdade de ser, desejando aprofundar-me nos significados da Vida Eterna em que fui batizado, querendo - como disse Paulo - ser achado Nele, a fim de que eu possa conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

É isso!

Boa Páscoa.

Liberdade, Vida e Esperança!

--
Samuel F. Andrade



quinta-feira, 8 de março de 2012

A mulher atrás? COMO ASSIM?!

Michelle e Carla Bruni


Para meu alívio (risos), um belo dia eu descobri que o ‘atrás’ do início da célebre frase, tinha como causa a paralisia que obrigava seu autor- o presidente Roosevelt - a ser guiado pela esposa em cadeira de rodas.

E hoje, dia dedicado especialmente para homenagear as mulheres, gostaria de abordar o tema à luz da Bíblia.

‘A mulher foi criada para ser a perfeita contraparte do homem, não sendo inferior nem superior, mas equivalente e igual ao homem em sua pessoalidade, enquanto diferente e única em sua função’.

Quando Deus fez o primeiro homem, disse que não era bom que ele ficasse só, da mesma forma que nunca quis que a mulher ficasse em segundo plano em absolutamente nada. No casamento então, nem dois seriam, mas uma só carne, PORÉM, sempre exaltando a individualidade da mulher, dando-lhe valor e responsabilidade ao longo da existência humana. Ou seja, machista não é Deus. O ser humano caído e pretensioso, este sim, tem natureza machista e se põe acima de Deus nas suas próprias convicções e tradições repassadas e adquiridas ao longo do tempo.

Ao observarmos atentamente a esposa virtuosa de Provérbios 31 descobrimos que se trata de um perfil muito atual e que tem todos os elementos que agradam a Deus:

Razoável independência (v16) Confiabilidade (v11) Capacidade de assumir responsabilidade (v13) Bom gosto (v22) E determinação para ser digna de honra e elogios (v 28 a 31) - Bíblia da Mulher, pg 830.

No AT vemos o exemplo de Débora que era profetisa e uma simples dona-de-casa sendo escolhida por Deus para liderar uma nação, tornando-se juíza e líder militar, libertando seu povo em tempos de guerra. Tem também Ester, a quem Deus concedeu enorme coragem e grande sabedoria para livrar Israel da destruição; Tem Rute, a moabita, de cuja descendência veio O Salvador! Miriã, que desde criança mostrou-se inteligente ao conduzir e vigiar o irmãozinho, tornando-se mais tarde grande líder; considerada a mais notável mulher hebraica da sua época, foi ainda grande musicista e profetisa. Havia ainda tantas outras mulheres expressivas tais como Ana, mãe de Samuel, e Abigail, que ao usar de grande habilidade mudou o rumo da vida do futuro rei Davi.

Tempos depois, em Sua perfeita Soberania, Deus não precisaria de uma mulher para realizar Sua obra salvífica, mas escolheu uma menina-mulher- Maria - como instrumento, fazendo triunfar a fé sobre o dogmatismo. Esta, por sua vez, compreendendo que o foco era Jesus, disse: Que se cumpra em mim conforme a Tua Palavra.

Isabel, parenta e mãe espiritual de Maria, destacou-se duplamente: como sua mentora extraordinária e como mãe do pregador que viria a ser o portador da mensagem de arrependimento, preparando o caminho para o Messias.

Quando Jesus nasceu, outra Ana servia no templo e vivia ajudando no serviço religioso oficializado naquele local ( Lc 2:36.38)

Nos tempos do NT, Jesus SEMPRE enfatizou o ministério das mulheres no evangelismo, ficando bem evidente sua atitude revolucionária/restauradora quando apareceu para a mulher no poço de Sicar, já que por razões culturais era considerado impróprio para um rabino abordar uma mulher, principalmente uma mulher com aquele perfil. Enquanto ela era discriminada, Jesus a restaurou fazendo-a evangelizadora, com o dom de exortação, persuadindo e incentivando outras pessoas a conhecerem-NO.

"Muitos samaritanos daquela cidade creram nele EM VIRTUDE DO TESTEMUNHO DA MULHER!" (Cf. Jo 4.39)

Observe-se que no Sermão do Monte, onde Jesus deixou a todos maravilhados com Sua doutrina, não existe nenhuma alusão-proibição no que concerne à atuação da mulher evangelizadora. (Mt caps : 5-6-7)

Jesus exaltou o fato de Maria de Betânia ficar aos seus pés, ouvindo seus ensinamentos e repreendeu Marta, sua irmã, que queria que a mesma a ajudasse nos afazeres domésticos, numa reação típica de uma cultura que achava que uma mulher não devia receber ensino sobre as verdades espirituais. E, rebatendo com o intuito de ensinar-lhe e encorajá-la a aprender, disse: “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.

Ora, se Ele discriminasse mulher – e principalmente naquela cultura judaica à época - eu já imagino o que ele diria:

- Ela tem razão, Maria. Por que você não vai pra cozinha ajudar sua irmã? (clicar em --> POUCO É NECESSÁRIO)

A bíblia relata também a passagem da mulher que, em silêncio, estava prestes a ser apedrejada e Jesus dirige a palavra justamente a ela - ignorando questões culturais hipócritas que responsabilizavam a mulher pela luxúria (ora, ela transou sozinha?!) e por isso deveria estar isolada do homem – sendo essa mulher particularmente discriminada não apenas pela sua condição feminina, mas ainda pela sua conduta.

Ressalte-se também a permissão de Jesus para que Maria Madalena fosse a primeira mulher a vê-Lo e a falar com Ele, tendo sido inclusive, a primeira pessoa a contar as Novas aos outros, ainda que nos moldes da época o testemunho de uma mulher fosse considerado inválido.

E muitas outras mulheres cooperaram das mais diversas formas, no ministério de Jesus... (Cf Lc 8:1.2.3).

O Evangelho se propagou e, mais tarde, Paulo começou a enviar cartas específicas para as localidades.

Inclusive há certa confusão em interpretações doutrinárias devido a uma suposta discriminação feita por Paulo às mulheres de Corinto, quando na verdade tratava-se de um meio disciplinador, uma vez que as mulheres da alta sociedade manipulavam grande parte do poder econômico e faziam valer suas vontades. Era comum elas usarem de capricho para com seus maridos, influenciando-os sobre o que deveriam ou não fazer. Esse era um costume feminino quase generalizado  permanecendo por muito tempo na igreja primitiva.

Na carta que escreve ao povo de Filipos (4.3), fica claro que Paulo não dispensa a ajuda das mulheres, lembrando ainda de Lídia e Priscila que eram cooperadoras em seu ministério de evangelização.

Aos gálatas (3.28), ele diz que não há distinção de sexos.

Em Tito 2:3.5 as mulheres recebem ordem para ensinar na igreja.

Quando ele diz aos efésios para a mulher ser submissa ao marido, deixa claro que o marido AME a mulher, comparando à relação de Cristo com a Igreja (Ef 5.23), numa alusão ao que Deus requer numa relação conjugal; pois ELE não quer submissão em detrimento da responsabilidade da esposa de andar em santidade e retidão diante dEle. Afinal, o marido não é Salvador, e sim, protetor. Dessa forma, na submissão VOLUNTÁRIA, a esposa serve a seu marido, com liberdade e dignidade, ASSIM COMO a Igreja serve a Cristo.

O objetivo de Paulo era impor uma nova concepção conforme o que Jesus havia pregado sobre a vida espiritual, desfazendo conceitos, erradicando costumes, mudando a visão e o pensamento dos novos convertidos.

E este, continua sendo o nosso objetivo – nós, mulheres cristãs – quando precisamos estar cada vez mais atentas ao papel que nos foi confiado, pois mesmo tendo passado mais de dois mil anos, ainda existe enorme disputa e grandes equívocos em nome de Jesus e onde ironicamente, nós mulheres, nos tornamos vítimas da nossa própria influência no meio em que vivemos.

Mas existe uma fórmula simples: colocar Deus no comando que sempre foi Dele. E olha lá, heim! Mulher atrás, apenas em situações específicas. (Como no caso do presidente citado acima).

E que Deus abençõe a todas nós, mulheres, fazendo-nos enxergar o mandamento de ser LUZ DO MUNDO!


Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse:
Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. (Mt 28.5)
E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse:
Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. (Mt 28.9)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tears in Heaven



HOMENAGEM AO MEU AMIGO JOÃO CARLOS QUE FAZ NIVER HOJE...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Dia do fotógrafo.

Como se não bastasse toda essa nuvem em cor estonteante sobre a bruta e escura segurança espinhosa, quatro pequenas flores lilazes bem clarinhas parecem rir de minha surpresa ao pousarem suavemente nessas deliciosas plumas em círculo.

É quase como se elas planassem serenas...

É como se flutuassem em constante base giratória.

Como se tivessem asas em faz-de-conta de rara espécie de borboleta que em meio a tão dinâmicas plumas vermelho-alaranjadas, dão forte impressão de que podem voar.

Mas desconcertante mesmo, é a leveza de ambas, muito bem amparadas por esse emaranhado de espinhos estrategicamente bem posicionados. Espinhos afiados, para proteger; e suculentos, para suprir. Sempre a postos! Alerta e em vigia, se não eterna, enquanto durar tanta delicadeza. Sustentando a própria vida e das flores que carregam em si.

E quase dá pra sentir o seu perfume adocicado.

E quase podemos ouvi-las tagarelar...


Nossa, viajei agora... E não cheirei nada! rss

Mas explico.

Como toda mãe coruja que se preza, todo santo dia eu fico fuçando o Flikr do Jr e hoje me encantei com essa foto em especial. Não que as outras não sejam especiais, afinal sou tiete confessa desse fotógrafo amador não apenas por ser meu filho, mas pela sua sensibilidade e talento. Porém, o que me chama à atenção nessa foto é a singularidade de composição tão despretensiosa que a natureza nos brinda assim... De graça!

Além do mais eu tenho uma atração pelo cacto justamente pela sua história tão incrível, pela sua capacidade de manter-se majestoso, elegante, e literalmente de pé, diante das intempéries.

Curiosamente, a minha familiaridade com o cacto não vem das minhas origens, pois embora tenha nascido no sertão do Araripe, minha vida era muito, digamos, urbana. Meu contato mesmo pra valer, foi quando já casada, fui morar no oeste do Rio Grande do Norte, em uma pequena cidade chamada Umarizal. E não que lá eu tenha residido na zona rural, mas onde tive o enorme prazer de explorar melhor esse lado com bastante interesse, passando inclusive fins de semana incríveis em fazendas de amigos, o que me propiciava esses agradáveis encontros bucólicos. Além de tudo, ouvi muitos causos envolvendo essa planta incrível que é capaz de armazenar água e poder socorrer os desprevenidos andarilhos das caatingas.

Isso mesmo!

Os cactus, embora típicos de lugares áridos, são plantas suculentas e é exatamente onde atuam seus espinhos.

Esse antagonismo simplesmente me fascina!

E me remete a lugares celestiais...

Obrigada, PAI, por esse momento tão especial!

RF.

(RE)postagem <--clique aqui) em homenagem a um fotógrafo que não é profissional mas que é mais fotógrafo do que muito profissional.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dia do leitor



Feliz dia do leitor a todos os leitores e comentaristas deste blog!

A leitura é uma das melhores formas de se construir e desenvolver o senso crítico.

E, consequentemente, uma liberdade verdadeiramente sadia.

Leia sempre, leia tudo. De bula de remédio a outdoor.

E aqui vai a minha especial homenagem a uma precoce leitora muito amada.

Cínthia (foto abaixo), minha sobrinha, de 11 anos de idade.

Uma das vorazes leitoras mais jovens que eu conheço.

Parabéns, Xintoka, você está no caminho certo. Sua devoradora de livros! (risos)

Que Deus, na sua multiforme graça

continue te abençoando com este maravilhoso dom,

 que certamente já está sendo usado para Sua Glória.

Eu creio!



domingo, 25 de dezembro de 2011

Então é NATAL...

Alguns grupos evangélicos divulgam essa data comemorativa como algo oriundo do paganismo. As razões alegadas são as mais diversas: sua origem está ligada ao culto pagão ao deus Mitra, que a data real do nascimento não é essa, que 25 de dezembro está incorreta e ligada a cultos pagãos, que a árvore de natal é originária de Babilônia, que não existem referências bíblicas que justifiquem tal celebração...

Enfim: os adeptos da Teologia Conspiracionista expõem uma galeria de argumentos de aparência piedosa. Mas eles resistem a um contra argumento simples?

1) “Jesus não nasceu em 25 de dezembro”.
Provavelmente não. Mas a legitimidade do Natal não exige essa exatidão, já que a celebração comemora a encarnação de Deus entre os homens, assim como não existe unanimidade na exata idade em que foi crucificado, ou até, no ano em que nasceu.

Convencionar uma data não torna a celebração pagã, já que mesmo a Páscoa tem a data alterada a cada ano. Muitos não têm ideia da dimensão do milagre ocorrido quando a data é celebrada, já que o criador dos Universos dos Universos se fez um pequeno bebê nas poeirentas terras do Oriente Médio de 2000 anos atrás. A data escolhida por Ele só teria real importância para aqueles que querem fazer mapa astral, com seus ascendentes e descendentes.

2) “25 de dezembro era a data romana onde se comemorava a adoração ao Sol Invictus”.
Fato: a partir do momento que Roma experimenta a conversão ao Evangelho, as homenagens antes feitas ao sol, agora são direcionadas a Jesus. A associação do Messias a um brilho que ofuscava o próprio Sol tornou-se uma ideia cada vez mais aceita entre os novos convertidos, já que a crença local não o via apenas como ser iluminado, mas autor, inclusive, da própria luz.

Imaginemos – minha fé hoje não é tão grande assim – que os brasileiros se convertessem a ponto do Carnaval não ser mais uma festa aceita, e se transformasse numa celebração ao Espírito. Haveria algum tipo de problema com a conversão dessa data atualmente tão nociva?

3) “A árvore de Natal descende da antiga Babilônia, desde tempos de Ninrode...”

O detalhe - mesmo se essa informação for constatada como verdadeira - é que uma coisa não invalida a outra, já que a árvore não é um simbolo exclusivo desse culto pagão. Se, em alguma longínqua tribo de 10.000 anos atrás, nômades cultuavam deuses pagãos como Astarote, Moloque ou Baal, hoje o simbolismo poderia ligá-la à Árvore da Vida.

O pinheiro mantém suas folhas verdes, mesmo no mais duro inverno ou na mais extenuante seca, sempre apontando para o alto, reta, em direção ao céu.

Se para o pagão, o Domingo é o Dia do Sol (Sunday), para o cristão é o Dia do Senhor. Se para o movimento GLBT, o arco-íris é o símbolo deles, para nós é o sinal da aliança entre Deus e a terra (Gn 9.13). Simbolismos variam de grupos para grupos.

4) “A Bíblia não prescreve essa comemoração”.

A igreja é, por excelência, um lugar de celebração. Nela celebramos o culto a Deus, mas também celebramos as ações de graças, nascimento dos filhos, o casamento, as bodas de ouro de nossos pais, os 15 anos da filha, o aniversário da igreja, o aniversário de seus membros. Porque então ela não celebraria o maior evento de todos, que é a Encarnação do Verbo? Muitos que são contrários ao natal, deveriam ser coerentes e nem se lembrar do aniversário da esposa. Aí eu quero ver!

Detalhe: as igrejas contrárias ao Natal fazem grandes festas celebrando o próprio aniversário.

5) “Trocar presentes é invencionice do Natal”

No passado, o povo de Deus separava um mês do ano para fazerem banquetes e trocarem presentes uns com os outros (Ester 9.22-23).

6) “O Natal foi comemorado a primeira vez somente no ano 356”.

Engano: o 1º Natal foi comemorado junto às campinas onde um grande coral de anjos louvou: “Glória a Deus nas maiores alturas....”

7) “Não é bíblico”

Se nas igrejas não há nenhum impedimento de se realizar cultos temáticos alusivos ao Pentecostes, à Páscoa, à Paixão, por que não realizar cultos alusivos ao nascimento de Jesus num determinado mês do ano? Se em maio as igrejas fazem cultos alusivos à Família, porque em dezembro – ou qualquer outro mês - não pode fazer alusivo ao Nascimento de Jesus, que é um tema bíblico tão detalhadamente narrado pelos evangelhos?

8)É uma data apenas para o consumismo.

Quando eu não conhecia a Cristo, a data que mais me aproximava Dele – ou onde mais se falava desse Nome – era o Natal. Como cristão praticante, todos os dias são próprios para falar de Jesus. Mas podemos imaginar o que um homem como o apóstolo Paulo faria, se tivesse uma data dessas, com boa parte da população mundial se atendo ao assunto, como não faz o ano inteiro.

9) Natal é uma festa mundana.

Negativo: ouça a Simone cantando que é uma festa cristã. Qualquer distorção mundana é uma apropriação indevida que os interesses desse mundo implantaram em prol de seus benefícios. O uso das agências de propaganda do natal para alavancar as vendas não transforma o nascimento de Jesus, confirmado na História, em um presépio de eletrodomésticos, TVs de 50' e celulares de última geração.  Quem faz isso somos nós.

Justificar a não comemoração da data pelas distorções impostas pelo sistema é dizer que nossa devoção pelo Deus Altíssimo perde o valor por conta das abominações humanas. É incoerente. Vivemos de acontecimentos cotidianos, mas também de eventos especiais e marcantes em nossas vidas, vivemos de memórias e celebrações. Sem a lembrança das coisas passadas, dos eventos alegres e significativos, tornamo-nos duros, secos, e esquecemo-nos dos feitos do Senhor.  O salmista nos ensina: 'Recordarei os feitos do Senhor, sim, me lembrarei das tuas maravilhas' (Sl 77.11).

Na íntegra AQUI <---  (Grifos e negritos meus-RF)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

São Nicolau, dia 25 de Dezembro e a árvore de Natal.


Paulo nos ensina a termos paz com uma certeza: todas as coisas são puras para os puros; porém para os de mente impura, tudo fica impuro. Ele nos ensina a não ter tais conflitos  e diz ainda que a gente deve ir ao mercado, comer de tudo, dar graça a Deus e celebrar a vida em paz.

Há pessoas que, acostumadas com o temor ao ídolo  - como se o ídolo de fato tivesse poder  - não comem coisas 'sacrificadas' como se o ato de comer expressasse algo espiritualmente significativo. Então, quando comem, contaminam-se, em razão do próprio significado que atribuem àquilo que, em si mesmo, não é nada. 


Ora, as coisas ganham o significado que nossa consciência atribui a elas. Não é a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não ficamos piores se comermos nem melhores se não comermos. Portanto, não estamos falando do que é, em si, mas daquilo que as coisas se tornam, em razão da projeção de valor a elas atribuído.

Entretanto,  se um desses supersticiosos virem você, que tem 'ciência', reclinado tranquilamente comendo à volta de uma mesa num templo de um ídolo, poderá pensar que você está ali atribuindo culto e valor àquilo que, para você, não tem nenhum valor. E assim, poderá ser induzido pela sua liberdade, a comer com a consciência fraca e supersticiosa as coisas sacrificadas aos ídolos, como se a sua presença ali avalizasse também o ato dele.


Ou seja: pelo saber e pela liberdade que você já adquiriu, alguém que ainda está na ignorância pode vir a sucumbir à superstição; pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência ainda débil e fraca, você está pecando contra Cristo.


Jesus disse que o mal não vem de fora, vem de dentro. Mas tem quem vê o diabo em tudo. Sua mente está cheia de medos, e tenta fazer discípulos de seu próprio medo e superstições. Não entre nessa. Fuja dos inventores de demônios e de bruxas! Eles vivem de proibir as coisas, e quem os segue acabará preso no medo e não terá mais prazer em nada na vida.


Ninguém que comemora o Natal está pensando no diabo. As únicas pessoas no Evangelho a quem Jesus chamou diretamente de filhos do diabo não estavam vestidas de 'Dia de Papai Noel', mas de FARISEUS (Jo. 8).


Celebre seu Natal em Cristo! Não se preocupe com a Árvore de Natal. Quem tem a Árvore da Vida na alma não se preocupa mais com qualquer outra árvore. Nem mesmo com a plantinha 'comigo-ninguém-pode'.

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.  Ele nos salvou para viver em paz em qualquer dia do ano. Santifique todos os dias com gratidão e todos os dias serão santos. Não se escandalize nem se impressione.

Ame a Jesus de todo o seu coração. Creia Nele e ponha Nele sua mais absoluta confiança. Ele morreu e ressuscitou para que tivéssemos Vida em Abundância, não para que vivêssemos atormentados. Faça tudo com boa consciência e ações de Graça, pois é isso que torna tudo puro.

Leia os Evangelhos. Encha seu coração com a Palavra. E confira tudo com uma simples questão: Como foi que Jesus tratou essa questão e as pessoas envolvidas em cada coisa? Se você fizer essa pergunta, e estiver sempre lendo o Evangelho, você entenderá tudo, sem dificuldade, pois está lá revelado e o Espírito Santo iluminará você. Tenha Paz!

Nele, que em Si mesmo, nos deu do Fruto da Árvore da Vida,
(Caio Fábio).
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós,
cheio de Graça e Verdade"
(João 1.14a)

TEXTO RELACIONADO: NATAL É O MISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

SANGUE NOVO- DANIEL FARIAS





REGISTRO DE MOMENTOS – DANIEL FARIAS nasceu em Recife, Pernambuco, em 1985, no dia da árvore. No verão, sua família mudou-se para Salvador, quando tinha quatro meses. Não mudou mais de bairro nem de sotaque: pernambaiano, de pitubalina. Aos sete anos aprendeu a ler. Aos 14, entrou para o teatro. Aos 21, fez cirurgia para correção de três graus de miopia e astigmatismo: passou a ver o mundo com mais brilho e a publicar poemas em seu primeiro blog. Formou-se em Direito pela UFBA. Sua carteira de trabalho, no entanto, indica apenas uma profissão: artista, ator. Para isso, muito contribuíram os quatro anos que passou no grupo Vilavox, então residente do Teatro Vila Velha. Há seis anos trabalha como professor de teatro e como monitor de colônias de férias com crianças e adolescentes, que o alimentam muito com as visões que têm do mundo. Escreveu quatro textos infanto-juvenis. Edita o blog http://www.seeufosseumlivro.blogspot.com/. Dedica-se de maneira integral ao teatro, nada pelas manhãs e procura executar as mil idéias e projetos.

JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO – Por que ser poeta? Como foi o despertar da poesia em você?

DANIEL FARIAS – A pergunta que me levou a ser poeta foi “por que não sê-lo?”. Antes dela houve um processo de autodescoberta, um caderno/coleção de frases, poemas e citações (que me levaram a criar as minhas) e uma mudança no caminho de casa numa noite: encontrei um amigo, por acaso, num ponto de ônibus. No papo de atualização das vidas (que durou hora) me disse ser poeta e ter um blog. Depois de lê-lo, cheio de comentários, descobri outro universo: de poetas vivos, de leitores atentos e de muito a ser dito. Então passei a publicar e não parei de escrever. No início era apenas prosa, um pouco distante em terceira pessoa. Mas foi inevitável aproximar-me de mim mesmo para continuar. E então veio: por que não? Já que estamos vivos, como a poesia.

JIVM – A poesia exerce algum papel na sociedade? E o que você pretende com sua poesia?

DF – A poesia, como toda arte, é alimento. Não conheço quem viva sem. Ela é a pausa necessária e urgente a todos os membros da sociedade. Ela é multifacetada, etérea e se adapta facilmente. Podemos vê-la em diversos momentos de nossa vida, ela ultrapassa os versos e os papéis, esses são apenas meios de registrá-la. Daí porque às vezes talvez passe despercebida e é justamente por isso que precisamos lembrar de sua existência. E de sua importância na sensibilização dos homens: de seus olhares, de suas relações, de suas percepções de mundo e dos outros. Se, de alguma forma, meus versos puderem, minimamente, contribuir com isso, estarei satisfeito.

JIVM – Quais são os seus poetas referenciais? O que você está lendo atualmente? E prosa você lê também? Mais conto ou romance?

DF – Comecei com Drummond. Converso com Vinícius e Pessoa. Waly me intensifica. Arnaldo me expande. E é sempre bom passear por Leminski, Bandeira e João Cabral. Ultimamente tenho lido e me admirado com poetas que tive a honra de conhecer pessoalmente: Cajazeira, José Inácio, Kátia Borges e Eliana Mara. Com Damário não dei essa sorte, mas sinto-me próximo pela amizade que tenho com seu sobrinho. Minhas amigas Emília Nuñez, Fernanda Veiga e Raiça Bomfim também são simplesmente maravilhosas. Leio muitos livros em prosa, a grande maioria são romances. Meu melhor amigo nesse estilo morreu recentemente, ocasião em que soube que Saramago é um tipo de árvore que nasce nos escombros. Calvino, Cortázar e Dostoiévski também foram grandes acontecimentos.

JIVM – Heidegger definiu a poesia como “fundação do ser mediante a palavra”. O que você acha dessa definição? E você como define a poesia? E mais, como você define a sua poesia?

DF – Gosto muito da definição de Damário: “Para que serve a poesia? Para fazer o homem. Para que serve o homem? Para fazer poesia.” Talvez seja onde o homem é mais humano. Sendo esse o manancial da fundação, ótimo. Um local para onde voltarmos para lembrar quem somos. Gosto de pensar minha poesia como o registro de momentos sob meu olhar, a paralisação do tempo, o recorte de algo essencial e sua reverberação em mim. A poesia é um sinal amarelo (http://seeufosseumlivro.blogspot.com/2009/06/sinal-amarelo.html). A única maneira que conheço de compartilhar tudo isso é o poema, já que não desenho.

JIVM – Algum livro em andamento? Quando o poeta Daniel Farias pretende sair da gaveta, melhor dizendo, do blog para o livro? Tem algum outro projeto que tenha ligação com a sua poesia? E o que mais?

DF – Acho fundamental ultrapassar a virtualidade. Concordo com Caetano quando diz que “os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil”. É uma honra integrar essa iniciativa perspicaz do Sangue Novo. Tenho um projeto com alguns amigos em fase de seleção no edital estadual de criação literária (estamos habilitados, pelo menos - risos). Chama-se Segundos Instantes, e é voltado para esse segundo olhar sobre os intervalos. A proposta inclui palestras de fomento à escrita e à captação poética, para que outros jovens sintam-se legitimados a tanto. Acho importantíssimo vencer a inércia e propor essas coisas, é uma vitória contra nós mesmos. O próprio título de meu blog aponta para isso. Talvez mude o seu tempo verbal, inclusive. Outra idéia é reunir alguns poemas em um livro chamado Quandos. Outro projeto é o espetáculo Há Mar, poético e itinerante, também com amigos e também no aguardo. Além disso pretendo colocar poesia no rádio. Precisamos fazer com que ela chegue desmistificada ao encontro do maior número de pessoas. A percepção poética também é mote para um experimento audiovisual, também em pré-produção, intitulado Paissagem. Alguns escritos foram recentemente inseridos no espetáculo A Canoa, do Groove Estúdio Teatral. No mais? Sigo priorizando minha maior paixão: o teatro! E brincando de fazer música no violão, uma hora apresento alguma coisa, sempre com amigos, sempre com prazer.

Extraído DAQUI

segunda-feira, 13 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Crônica do AMOR




Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Ele gosta de rock e você de chorinho, ele gosta de praia e você tem alergia a sol, você abomina Natal e ele detesta o Ano Novo. Nem no ódio vocês combinam. 

Então?

Então, que ele tem um jeito de sorrir que a deixa imobilizada, o beijo dele é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ele e ele adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não telefona, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?!

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?!

Ah, o amor, essa raposa! Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! 


(Texto de Arnaldo Jabor) -  ADAPTADO-RF

terça-feira, 29 de março de 2011

José Alencar




É enorme o esforço que faço, porém não consigo me lembrar de homens brasileiros que tenham carregado em si tamanha notabilidade enquanto empresário, político e pessoa humana, como este homem.  A tal ponto que, ao morrer, nos deixa emocionados e nos enche de saudade porém com grande sensação de serenidade no peito.

Eis uma de suas mais admiráveis frases em relação à doença que o acometeu:
“Quero dizer que não estou entregue. Estou entregue a quem sempre estive, a Deus”,

Apresento aqui o meu eterno agradecimento, meu enorme respeito, minha grande admiração e minha simples homenagem a esta incrível figura humana.

E agradeço muito a Deus  por nos ter presenteado com um homem público exemplar. 

Que Ele possa nos confortar os corações e principalmente os corações dos seus entes mais próximos e mais queridos.

RF

terça-feira, 8 de março de 2011

Deus e a Mulher




Metáforas à parte, quando Deus fez o primeiro homem, viu que não era bom que ele ficasse só, da mesma forma que nunca quis que a mulher ficasse em segundo plano em absolutamente nada. No casamento então, nem dois seriam, mas "uma só carne”, PORÉM, sempre exaltando a individualidade da mulher, dando-lhe valor e responsabilidade ao longo da existência humana, tomando inclusive medidas preventivas para o caso do casamento não dar certo ou em situação de viuvez.

Os povos antigos já seguiam o princípio de que a mulher que se tornasse espólio de guerra poderia ser usada como escrava sexual ou para o trabalho; mas Deus deu a seu povo regulamentos totalmente diferentes, que serviam para proteger a dignidade da mulher capturada. (A Bíblia da Mulher – O cuidado de Deus com as mulheres)
No AT vemos o exemplo de Débora que era profetisa e uma simples dona-de-casa sendo escolhida por Deus para liderar uma nação, tornando-se juíza e líder militar, libertando seu povo em tempos de guerra.

Tem também Ester, a quem Deus concedeu enorme coragem e grande sabedoria para livrar Israel da destruição.

Tem Rute, a moabita, que renunciou à sua herança cultural (adoradora de deuses pagãos) para ir viver com a sogra, em uma das maiores demonstrações de compromisso da História; mesmo tendo havido um casamento entre culturas e nações diferentes, Deus lhe deu a oportunidade de experimentar do Seu amor.

Miriã, que desde criança mostrou-se inteligente ao conduzir e vigiar o irmãozinho, tornando-se mais tarde grande líder; considerada a mais notável mulher hebraica da sua época, foi ainda grande musicista e profetisa.

Havia ainda tantas outras mulheres expressivas tais como Ana, mãe de Samuel, e Abigail, que ao usar de grande habilidade mudou o rumo da vida do futuro rei Davi.

Tempos depois, em Sua perfeita Soberania, Deus não precisaria de uma mulher para realizar Sua obra salvífica, mas escolheu uma menina-mulher - Maria - como instrumento, fazendo triunfar a fé sobre o dogmatismo. Esta, por sua vez, compreendendo que o foco era Jesus, disse: "Que se cumpra em mim conforme a Tua Palavra".

Isabel, parenta e mãe espiritual de Maria, destacou-se duplamente: como sua mentora extraordinária e como mãe do pregador que viria a ser o portador da mensagem de arrependimento, preparando o caminho para o Messias.

Quando Jesus nasceu, outra Ana servia no templo e vivia ajudando no serviço religioso oficializado naquele local. (Lc 2:36.38)

Nos tempos do NT, Jesus SEMPRE enfatizou o ministério das mulheres no evangelismo, ficando bem evidente sua atitude revolucionária quando apareceu para a mulher no poço de Sicar, já que por razões culturais era considerado impróprio para um rabino abordar uma mulher, principalmente uma mulher com aquele perfil.

Enquanto ela era discriminada, Jesus a restaurou fazendo-a evangelizadora, com o dom de exortação, persuadindo e incentivando outras pessoas a conhecerem-NO.

" Muitos samaritanos daquela cidade creram nele EM VIRTUDE DO TESTEMUNHO DA MULHER!" (Cf. Jo 4.39)

Observe-se que no Sermão do Monte, onde Jesus deixou a todos maravilhados com Sua doutrina, não existe nenhuma alusão-proibição no que concerne à atuação da mulher evangelizadora. (Mt caps : 5-6-7)

Jesus exaltou o fato de Maria de Betânia ficar aos seus pés, ouvindo seus ensinamentos e repreendeu Marta, sua irmã, que queria que a mesma a ajudasse no serviço doméstico, numa reação típica de uma cultura que achava que uma mulher não devia receber ensino sobre as verdades espirituais. Jesus rebateu com o intuito de ensinar-lhe e encorajá-la a aprender. “Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. Se Ele seguisse a cultura judaica à época, diria:  Ela tem razão, Maria. Por que você não vai pra cozinha, ajudar sua irmã?

A bíblia relata também a passagem da mulher que em silêncio, estava prestes a ser apedrejada e Jesus dirige a palavra justamente a ela - ignorando questões culturais hipócritas que responsabilizavam a mulher pela luxúria (ora, ela transou sozinha?!) e por isso deveria estar isolada do homem – sendo essa mulher particularmente discriminada não apenas pela sua condição feminina, mas ainda pela sua conduta.

Ressalte-se também a permissão de Jesus para que Maria Madalena fosse a primeira mulher a vê-Lo e a falar com Ele, tendo sido inclusive, a primeira pessoa a contar as Novas aos outros, ainda que nos moldes da época o testemunho de uma mulher fosse considerado inválido.

E muitas outras mulheres cooperaram das mais diversas formas, no ministério de Jesus... (Lc 8:1.2.3).

Há destaque até para a mulher intituitiva de Pilatos que, convencida da inocência de Jesus, mandou-lhe um bilhete em meio ao julgamento, descrevendo-o como um homem justo.

O Evangelho se propagou e, mais tarde, Paulo começou a enviar cartas específicas para as localidades.

Em algumas denominações religiosas atuais há certa confusão em interpretações doutrinárias devido a uma suposta discriminação feita por Paulo às mulheres de Corinto, quando na verdade tratava-se de um meio disciplinador, uma vez que as mulheres da alta sociedade manipulavam grande parte do poder econômico e faziam valer suas vontades.

Era comum elas usarem de capricho para com seus maridos, influenciando-os sobre o que deveriam ou não fazer. Esse era um costume feminino quase generalizado permanecendo por muito tempo na igreja primitiva.

Na carta que escreve ao povo de Filipos (4.3), fica claro que Paulo não dispensa a ajuda das mulheres, lembrando ainda de Lídia e Priscila que eram cooperadoras em seu ministério de evangelização.

Aos gálatas (3.28), ele diz que não há distinção de sexos.

Em Tito 2:3.5 as mulheres recebem ordem para ensinar na igreja.

Quando ele diz aos efésios para a mulher ser submissa ao marido, deixa claro que o marido AME a mulher, comparando à relação de Cristo com a Igreja (Ef 5.23), numa alusão ao que Deus requer numa relação conjugal, pois ELE não quer submissão em detrimento da responsabilidade da esposa de andar em santidade e retidão diante dEle. Afinal, o marido não é Salvador e sim, protetor. Dessa forma, na submissão VOLUNTÁRIA, a esposa serve a seu marido, com liberdade e dignidade, ASSIM COMO, a Igreja serve a Cristo.

O objetivo de Paulo era impor uma nova concepção conforme o que Jesus havia pregado sobre a vida espiritual, desfazendo conceitos, erradicando costumes, mudando a visão e o pensamento dos novos convertidos. Daí ele achar por bem interferir até mesmo na indumentária e performance das novas mulheres convertidas de modo que se destacassem das prostitutas e falsas profetisas.

E, este, continua sendo o nosso objetivo – nós, mulheres cristãs – quando precisamos estar cada vez mais atentas ao papel que nos foi confiado, pois mesmo tendo passado mais de dois mil anos, ainda existe enorme disputa e grandes equívocos em nome de Jesus e onde ironicamente, nós mulheres, nos tornamos vítimas da nossa própria influência no meio religioso em que vivemos.

Nesta data, uma manifestação de reivindicação por uma vida mais digna culminou em tragédia covarde e criminosa. Por isso, não apenas se comemora a atuação da mulher na sociedade, mas principalmente, promovem-se debates e conferências que discutem o papel da mulher no contexto atual. A ideia é erradicar o preconceito e a desvalorização da mulher em relação a salários, violência doméstica, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na área profissional. Na verdade, tudo conforme o plano que Deus sempre teve para a mulher em Seu profundo cuidado e amor visando sua proteção e restauração.

Regina Farias