"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 18 de março de 2011

Deus do Impossível




Deus do Impossível



O meu Deus é o Deus do impossível!

Jeová Jiré, O Grande El Shadai

Que abriu o Mar Vermelho

E ao seu povo fez passar

Que da rocha água limpa fez brotar



O meu Deus é o Deus do impossível

Que liberta encarcerados das prisões

Faz da estéril, mãe de filhos

Restaura a alma do ferido

E dilata o amor nos corações.



Que dá vista ao cego

E ao surdo faz ouvir

Faz a tempestade se acalmar

Andou por sobre o mar

E ao mudo fez falar

Paralíticos e coxos fez andar.



O meu Deus é o Deus do impossível

É o mesmo hoje e sempre há de ser

O meu Deus é o Deus do impossível

E fará o impossível pra você,

E fará o impossível por você.

************************************************


Decidi postar esse "louvor" devido a dois eventos que me ocorreram hoje; um, enquanto dormia. E outro, quando acordei. Explico rss

Primeiro eu acordei procurando um cântico que me enchesse o coração e esse apareceu "de primeira". Como alguns dos meus leitores sabem, eu não suporto nem ouvir a grande maioria dessas músicas gospel por aí e hoje, dando uma espiada em alguns blogs, vi a grata notícia que o L.G. estará aqui em Recife na próxima semana. Achei interessante porque essa sua composição me reporta a meu tempo de "menina na fé" e, fazendo um paralelo, hoje me faz refletir sobre "um Deus do impossível" que tentaram me enfiar goela abaixo, que tem mais a ver com mágicas supostamente divinas e caprichos/vontades pessoais. Enquanto que o Deus do impossível me tem feito ver que Ele tudo pode, mas não me fazendo descobrir o que eu quero, o que eu desejo pra mim, mas, acima de tudo, me fazendo conhecer do que Ele quer pra mim; que Ele faz milagres, mas que o Seu maior milagre Ele já realizou em meu coração!

Em segundo lugar - e pode até parecer surreal - porque associei tudo isso ao que falei em sonho a alguém que dizia estar orando para que Deus soubesse do que ela estava precisando. A pessoa dizia "vou orar para que Deus abençõe os meus planos". E eu dizia: "ore para que Deus a faça enxergar os planos que Ele tem pra ti". 

Em seguida, eu acordei. No meio da noite. Fiquei pensativa e fui orar. 

R.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Águas de Março.



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é um tremendo desconto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho,resto, toco, pouco, sozinho,caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



............
Dois ícones da música brasileira
Melodia perfeita sobre vida cotidiana e promessa de renovação.
Isso pra mim é um canto de Deus aos nossos corações.
Regina Farias.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rock Me Baby





Aprecie sem moderação...


E bom domingo!


R.

(Em homenagem ao René, o aniversariante do dia, que também é amante do BLUES. Detalhe: se ligue só no som, esqueça a letra  rsss)

domingo, 5 de dezembro de 2010

História do Jazz...


Escravos em campos de algodão


Aproveitando o Festival de Jazz que ora acontece em Porto de Galinhas - PE, fiz uma pequena adaptação de um texto para dar enfoque sobre a origem desse estilo musical (visto por uns como seleto). O que me fascina é a sua história, sua origem e sua trajetória; pois a mais triste ironia dessa beleza de arte extremamente sofisticada e que hoje curtimos em shows e festivais, é que ela nos foi presenteada dos guetos mais humildes e sofridos, surgindo da dor da segregação. Pérola que nasce da estupidez do próprio homem contra seu semelhante. E o melhor de tudo neste evento é que a festa é na praia e para todos, o que esclarece o equívoco de que jazz e blues é para uma minoria privilegiada.


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Por volta de 1808 o tráfico de escravos no Atlântico trouxe aproximadamente meio milhão de africanos aos Estados Unidos em grande quantidade para os estados do sul. Grande parte dos escravos veio do oeste da África trazendo fortes tradições musicais.

Festas de abundância com danças africanas, ao som de tambores, eram organizadas aos domingos em Place Congo, New Orleans, até 1843, sendo como uma festa similar em New Orleans e New York.

Escravos da mesma tribo eram separados para evitar formações de revolta. E, pela mesma razão, nos estados da Geórgia e Mississipi, não era permitido aos escravos a utilização de tambores ou instrumentos de sopro que fossem muito sonoros, pois poderiam ser usados no envio de mensagens codificadas.

Entretanto, muitos fizeram seus próprios instrumentos com materiais disponíveis, e a maioria dos chefes das plantações incentivou o canto para que fosse mantida a confiança do grupo. A música africana foi altamente funcional, tanto para o trabalho quanto para os ritos.

As work songs e field hollers incorporaram um estilo que poderia ser ainda encontrado em penitenciárias dos anos 60, e em um caso eram parecidas com uma canção nativa ainda utilizada em Senegal.

No porto de New Orleans, estivadores negros ficaram famosos pelas suas canções de trabalho. Essas canções mostravam complexidade rítmica com características de polirrítmica do jazz. Na tradição africana eles tinham uma linha melódica e com o padrão pergunta e resposta, contudo, sem o conceito de harmonia do Ocidente. O ritmo refletido no padrão africano da fala e o sistema tonal sistema africano levaram às blue notes do jazz.

No começo do século XIX, um número crescente de músicos negros aprendia a tocar instrumentos do ocidente, particularmente o violino, provendo entretenimento para os chefes das plantações e aumentando o valor de venda daqueles que ainda eram escravos. Conforme aprendiam a música de dança europeia, eles parodiavam as músicas nas suas próprias danças cakewalk. Por sua vez, apresentadores dos minstrel show, euro-americanos com blackface, estilo de maquiagem usado para sátira, popularizavam tal música internacional, a qual era combinação de síncopas com acompanhamento harmônico europeu.

Entre as inúmeras influências que provocou no mundo inteiro tem uma que veio dos negros que frequentavam as igrejas. Eles aprenderam o estilo harmônico dos hinos e os adaptavam em spirituals. As origens do blues não estão registradas em documentos, entretanto, elas podem ser vistas como contemporâneas dos negro spirituals.

Conforme pesquisadores, há uma incrível similaridade dos instrumentos, música e função social dos griots da savana do oeste africano, sob influência Islâmica, assim como uma complexidade rítmica da orquestra de tambores da costa da floresta temperada, que sobreviveram relativamente intacta no Haiti e outras partes do oeste das Índias mas não era farta nos Estados Unidos. Sugere-se ainda que a música de cordas do interior sudanês se adaptou melhor com a música popular e baladas narrativas, dos ingleses e dos donos de escravos scots-irish e influenciaram tanto o jazz como o blues.

A abolição da escravidão levou a novas oportunidades para a educação dos afro-americanos que eram livres, mas a segregação racial ainda limitava muito o acesso ao mercado de trabalho. Havia exceções: ser professor, pregador ou músico. E muitos obtinham educação musical. Euro-americanos costumavam ver os músicos negros como provedores de entretenimento de "classe-inferior" nas danças e nos minstrel shows, e mais tarde, o vaudeville. Várias bandas marciais foram formadas, aproveitando a disponibilidade dos instrumentos usados nas bandas do exército.

Um pianista negro não podia ser aceito em salas de concertos, mas poderia ser encontrado tocando na igreja ou tinham oportunidades de trabalho em bares, clubes e bordéis de zonas de prostituição, sendo que, aqueles que liam partitura eram chamados de "professores" enquanto os outros eram tocadores(ticklers) que tocavam marfim.

Nova Orleãs tinha se tornado uma mistura de raças. Os franco-criolos aproveitavam muitas das oportunidades dos brancos, e grupos de negros participavam em músicas clássicas e em óperas da cidade. Entretanto, a lei da segregação, que entrou em vigor no ano de 1894, classificou a população afro-crioula como "negra", colocando as duas comunidades em uma só definição.

Desde 1857, existia prostituição legalizada na área conhecida como "The Tenderloin", e em 1897 essa zona de meretrício, próximo a Basin Street, ficou conhecida como Storyville, lendário provedor de emprego para os talentos do jazz que surgia.







Em tempo:
O prefeito de New Orleans enviou aos organizadores do evento a chave da cidade, de modo que Porto de Galinhas passa a se chamar New Orleans durante a realização do evento que homenageia os 111 anos do band leader Duke Ellington, (foto abaixo) uma das maiores influências do jazz desde 1920.







sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

JazzPorto



Começou nesta quinta-feira (2) a quarta edição do JazzPorto - Festival de Jazz e Blues de Porto de Galinhas. Por três dias, o balneário espera receber 10 mil pessoas que curtirão os shows, cursos e circuito gastronômico do evento. O acesso é gratuito.

Quem abriu a programação nesta quinta foi a carioca Taryn Szpilman, que se apresentou ao lado do gaitista Jefferson Gonçalves e da Uptown Band*.

O grupo pernambucano Dom Ângelo Jazz Combo, com participação especial do saxofonista holandês Fred Berkemeier, completaram a noite.

Na sexta-feira tem show da Street Jazz Band, de Garanhuns; do Brasil Modern Jazz Quarteto, de Alagoas; e do Quinteto Violado, que explorará as potencialidades jazzísticas da tradição musical nordestina. Também se apresenta Fred Berkemeir e VaGouveia, que recebem convidados para uma jam session.

Sábado, a Street Jazz Band encena um típico funeral de New Orleans, onde uma marcha bem-humorada é criada e se cantam os standarts do ritmo.

À noite tem ainda Alexandre Santiago & Dose Dupla (PE), Marcelo Naves (SP) e Uptown Band (PE)*, além do norte-americano Karl Dixon, Fred Berkemeir e VaGouveia.

Ver programação de shows aqui: Fonte


*Uptown Blues Band (Recife-PE)


Jackson Jr(camisa preta, baixista,meufilhote rss) é o segundo, da direita p/ a esquerda

Banda pioneira da cena do blues em Pernambuco, tem 11 anos de estrada e se destacou por ser a única banda do Nordeste a ter tocado com praticamente todos os grandes nomes do blues nacional e vários do exterior: Marcos Ottaviano; Victor Biglione; Danny Vincent; Celso Blues Boy; Donny Nichillo; Greg Wilson; Richard Chalk; Phil Guy; Fernando Noronha; Vasco Faé; Frank Solari; Bruce Ewan; Ivo Pessoa; Peter Madcat; Derico, George Israel; Nasi(Ira!); J.j. Jackson; Claudio Zolli; Deacon Jones(John Lee Hooker); Solon Fishbone; Lancaster, Flavio Naves, Big Gilson, Big Joe Manfra; Kenny Brown; Flávio Guimarães; Eddie C. Campbell; André Chistovam; Jefferson Gonçalves; Nuno Mindelis; Leo Gandelman; Taryn Szpilman; Claudio Infante; Andrew Potter; Clara Ghimel; Maurício Saad; Ivan Mariz; Lappan; Ricardo Werther; David Costa, Diego Figueiredo,Marcio Montarroyos, Àlamo Leal, Big Chico, Mister Jack, Renato Barros, Ted Mcneely, Robson Fernandes, James Wheeler, Tico Stª Cruz, Renato Rocha, Izzy Gordon e Magic Slim.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Well... do Recife para a Itália



Wellington de Santana Moura, recifense de 35 anos

Ele nunca soube ao certo porque teve vontade de ajudar na construção da nova Igreja da cidade de Abreu e Lima, onde passou a viver há 22 anos. Foi carregando as placas de mármore de um dos maiores santuários evangélicos da Região Metropolitana do Recife que Wellington Moura se aproximou da música. O coro da Assembléia de Deus deu a ele as primeiras noções de nota e possibilitou um palco para a gravidade de sua voz. De participante comum virou solista; e, pela postura técnica, aos 16 anos, chegou a substituto do maestro oficial do Templo.

"Nunca vou me esquecer. Foi num domingo, quando o maestro faltou ao culto, e acabei tendo que botar o coral para frente. A partir desse dia, consegui logo o posto de vice-maestro e, um ano depois, assumi definitivamente a batuta. Era engraçado porque tinha que reger e ainda continuava como solista", lembra o hoje cantor lírico Wellington Moura.

Com a ativa participação na rotina da religião, fez-se um alfaiate autodidata. “Tinha que me virar na costura das minhas roupas no coral e na banda marcial”, afirma o primogênito de seu Gilvan Pereira. Foi a costura que bancou as despesas do dia a dia, pois os estudos, totalmente em escolas públicas e em cursos profissionalizantes, nunca garantiram emprego certo na época. "Com a costura. foi possível pagar os custos com as minhas as aulas de piano, teclado e canto no Conservatório de Música de Pernambuco".

A obstinação de Well, como prefere ser chamado (já que não conseguiu nascer "Mateus, um nome mais normal e fácil de soletrar"), teve que enfrentar a barreira do orçamento curto, muito curto. "Hoje o que mais gosto de fazer pela manhã é comer cereal e iogurte, mas antes minha família mal tinha dinheiro para comer bem; passamos tempos difíceis. Carne para nós sempre foi luxo; não foram poucos os dias em que nos alimentávamos apenas de cuscuz, sem nada mais", relembra.

Mas a paixão pela música finalmente começou a render dividendos. "Houve um momento muito especial: abril de 2000, quando recebi meu primeiro cachê (R$ 80) em um casamento que contou com o maestro Cussy de Almeida". Mesmo com o primeiro dinheiro ganho com o talento vocal, o respeito à música veio mesmo pela severidade do primeiro mestre. "Um dia, o professor Henrique Lins chegou para mim e disse: Você vai ter aula comigo. Ele era diferente dos demais; sempre escolhia seus alunos no Conservatório. Depois me introduziu em um curso com um especialista do Rio de Janeiro que veio ao Recife. Percebi que minha vida era o canto; deixei logo o piano e o teclado de lado".

O conselho não poderia ser outro senão seguir com o aperfeiçoamento na música. "Sempre prezei muito pela estudo. Acabei, com muito apoio, conseguindo entrar e terminar o curso de bacharelado na UFPE, em 2006, mesmo com as limitações dessa graduação".

ITÁLIA - Não mais evangélico e agora já formado, a vida de Well encontrou mais outra barreira. "Minha vida era a ópera, mas, no Recife, acontece praticamente uma a cada dois anos; em São Paulo, onde tentei espaço, mas não consegui, é uma por semestre. Precisava seguir com o canto, mas como?".

Com pouco espaço para trabalho, Wellington voltou sua vida para eventos e produção de shows (especialmente os "Garçons cantores do Bar Manhattan"). "Era isso que me financiava, mas precisava crescer mais na música. Foi assim que planejei ir para Itália, para mapear as Escolas de Ópera. Lá é um verdadeiro berço do gênero", afirma.

“Depois de tentativas em outras escolas, com apoios que obtive de algumas pessoas daqui do Brasil e pelo meu esforço pessoal, fiquei sabendo que o Conservatório de Música em Firenze (Florença) estaria abrindo processo de admissão". Mesmo ressabiado com preconceitos, competição com os bem avaliados candidatos japoneses e temendo os vários procedimentos burocráticos, Wellington solicitou uma audição.

Wellington durante seleção na Itália


E eis que Well conseguiu ser um dos dois selecionados pela Escola. "Ao todo, foram 52 concorrentes e 15 acabaram sendo pré-selecionados. Eram apenas duas vagas para estrangeiros, dos três que conseguiram chegar até o fim da seletiva". O seu voo, rumo ao tão sonhado curso de especialização em canto, aconteceu esse domingo (21).

Mas lá a vida não há de ser fácil. Aos 35 anos, terá que se virar como babá, arrumador de camas e preparador de quentinhas congeladas para arcar com o custo de 622 euros anuais do curso e outros gastos de custeio. Mas ele espera começar a ganhar dinheiro com seu talento mais essencial já partir do segundo ano de curso, que tem duração de três anos.

Wellington Moura ficará pela Itália até 2013 e promete voltar sempre quando puder. "Vou já pensando no retorno. Me identifico com Recife, gosto do bairro antigo, do nosso sotaque cantando o Hino do Elefante e o maracatu, mas preciso ir. Depois de concluído o curso, serei mais reconhecido no País. Talvez terei mais espaço junto a esse povo que gosta tanto de ópera, mas que ainda desconhece e pouco valoriza os filhos da terra", afirma o amante de Mozart.



Pesquei aqui -->Notícias Cristãs

(Grifos meus-RF)

sábado, 2 de outubro de 2010

Caçador de mim













(Canta: Flávio Venturini)



Por tanto amor

Por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz

Manso ou feroz

Eu caçador de mim



Preso a canções

Entregue a paixões

Que nunca tiveram fim

Vou me encontrar

Longe do meu lugar

Eu, caçador de mim



Nada a temer senão o correr da luta

Nada a fazer senão esquecer o medo

Abrir o peito à força, numa procura

Fugir às armadilhas da mata escura



Longe se vai

Sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir

O que me faz sentir

Eu, caçador de mim

(Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá)


 Obs.: foi o texto HEBREU DE MIM que me inspirou hoje a postar... RF.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Carta - Djavan





Não vá levar tudo tão a sério

Sentindo que dá, deixa correr

Se souber confiar no seu critério

Nada a temer

Não vá levar tudo tão na boa

Brigue para obter o melhor

Se errar por amor Deus abençoa

Seja você



No que sua crença vacilou

A flor da dúvida se abriu

Vou ler a carta que o Biel mandou

Pra você, lá do Brasil:



"Eles me disseram tanta asneira, disseram só besteira

Feito todo mundo diz.

Eles me disseram que a coleira e um prato de ração

Era tudo o que um cão sempre quis

Eles me trouxeram a ratoeira com um queijo de primeira

Que me, que me pegou pelo nariz

Me deram uma gaiola como casa, amarraram minhas asas

E disseram para eu ser feliz



Mas como eu posso ser feliz num poleiro?

Como eu posso ser feliz sem pular ?

Mas como eu posso ser feliz num viveiro,

Se ninguém pode ser feliz sem voar?



Ah, segurei o meu pranto para transformar em canto

E para meu espanto minha voz desfez os nós

Que me apertavam tanto

E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela

E sem o peso das algemas na mão

Eu encontrei a chave dessa cela

Devorei o meu problema e engoli a solução

Ah, se todo o mundo pudesse saber

Como é fácil viver fora dessa prisão

E descobrisse que a tristeza tem fim

E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão

Entendeu?


É esse o vírus que eu sugiro que você contraia


Na procura pela cura da loucura,


Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia."



(A carta - Djavan/Gabriel, o Pensador)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Antes que seja tarde...

Ivan Lins*



Com força e com vontade


A felicidade há de se espalhar

Com toda intensidade

Há de molhar o seco

De enxugar os olhos

De iluminar os becos

Antes que seja tarde



Há de assaltar os bares

E retomar as ruas

E visitar os lares

Antes que seja tarde


Há de rasgar as trevas

E abençoar o dia

E de guardar as pedras

Antes que seja tarde



Há de deixar sementes

No mais bendito fruto

Na terra e no ventre

Antes que seja tarde



Há de fazer alarde

E libertar os sonhos

Da nossa mocidade

Antes que seja tarde


Há de mudar os homens

Antes que a chama apague

Antes que a fé se acabe



(Ivan Lins/Victor Martins)





*Um dos compositores/músicos/artistas/gente mais completos que euzinha acho-RF.

... E VOCÊ?




Brasileiro é o que eu sou

Rapper brasileiro

Mas eu sou um brasileiro antes de ser rapper ou pagodeiro ou os dois ou nenhum

Posso assimilar a cultura do mundo inteiro

Mas sei que nasci no Rio de Janeiro - Brasil

Então não seja imbecil de pensar que eu não poderia cantar assim ou assado

Porque eu vou me expressar na forma e na hora que eu escolher

Aqui ou em qualquer lugar

Valorizando sempre as nossas

Raízes Costumes Cultura musical em geral

Então escuta o que eu digo pro americanizado débil mental

(Você é um burro e não vê a excelente cultura e os costumes do seu próprio país

E abre as pernas pro que os outros lhe impõe

Sem camisinha ou vaselina como o Tio Sam sempre quis)

Mas também não adianta o xenofobismo radical

Eu vou jogáforanolixo o que é ruim e usar o que é bom da cultura mundial

Vou ler assistir escutar e cantar

E nem por isso deixando de lado a produção cultural aqui do meu lugar

E no fundo no fundo todos os homens vieram da África

Principalmente alguns povos como por exemplo o nascido e formado aqui nessa pátria

E não (se) esqueça que cada cultura se forma de uma certa forma e cada sociedade cultiva suas normas mas junto nós todos formamos a Humanidade que engloba todos os seres humanos

Que podem se destacar dos outros animais pela sua capacidade de pensar

Capacidade que muitas vezes não é utilizada

E sendo assim não serve pra nada

Mas eu penso logo existo

Existo logo penso e tento utilizar essa capacidade de raciocinar a todo momento

Posso pensar na forma de Rap Livro Pintura ou Baião

Posso pensar certo mas também tenho o direito de errar

Vacilão

Mas eu tento enxergar tudo e se eu não enxergasse amigo eu usava óculos

Sou mais um inconformado sem partido feito a Denise Stoklos

E eu falo pra todos aqueles que querem me ouvir e vão concordar ou discordar

Talvez acordar

Talvez me seguir ou talvez me vaiar (mas eu vou defecar)

E eu falo pros meus conterrâneos mas posso falar pro estrangeiro

Mas "eu sou apenas um rapaz latino-americano"

Então em primeiro lugar o que eu falo é pros brasileiros

Inclusive pras "Lôrabúrras" pros playboys pros militares e pros crentes

Pra todos os fdp carentes que sofrem com a dominação cultural

Seja com a doutrinação social, militar, religiosa ou de origem internacional

Humanamente também tô do lado desses coitados que tão no caminho errado e por isso merecem e precisam ser esculachados

O brasileiro precisa fazer uma lavagem cerebral

Aproveitando o que vem lá de fora mas sem esquecer o nosso valor nacional

Cultural natural e da nossa história

É triste me olhar no espelho e saber que pertenço a um povo sem memória

E por culpa da gente é que nada muda no país

A miséria é permanente desde que os primeiros portugueses chegaram aqui

As deficiências dessa sociedade tão aqui desde cedo:

Fome Corrupção Desigualdade Povo covarde Desemprego...

Antigamente o sistema escravista não dava espaço ao trabalho livre

Hoje os problemas são outros

O espaço ainda é pouco e a superpopulação que o diga

E mesmo hoje em dia é bom que se lembre:

Os que trabalham não são homens livres e continuam escravizados como sempre

-Escravos- é isso o que somos

Escravos da própria falta de atitude

Alguns se iludem ficam esperando que alguma coisa mude...

Os mais afetados esquecem onde tão e aplaudem tudo o que for importado

Espero que tenha ficado bem claro de que lado eu tô

Apesar de ser um terráqueo

Gabriel O Pensador nunca vai se esquecer o pedaço do planeta de onde ele saiu:

Esse pedaço bonito cansado sofrido e explorado chamado Brasil

Então se você só dá atenção para o que vem de fora não me dê atenção

Me jogue fora

(Tchau! Vou embora)(Vai!)(Não! Fica aí)

Eu fico pra alegria e satisfação parcial da nação

Trazendo uma nova linguagem uma nova forma de comunicação que muitos brasileiros ainda não conheciam: O Hip Hop

Que não tinha Ibope porque muitos não entendiam

Mas hoje ele é universal e até no Japão ele é assimilado

E pra quem achava uma droga depois dessa dose cuidado pra não se tornar viciado porque eu aplico Hip Hop

Na veia Na mente Na frente Nas costas No peito

E não me esqueço que sou brasileiro então eu fabrico Hip Hop do meu jeito

Do nosso jeito

Desse jeito que você nunca conheceu

Com brasileiros tocando instrumentos ou mais Be Sample que a Fernanda Abreu (Rio 40')

É somente a capital cultural do território nacional que é o purgatório da beleza e do caos no verão ou no inverno

Purgatório que pra muitos é bem pior que o inferno

E ao mesmo tempo é o céu pra outros poucos sortudos

Brasileiros surdo-mudos que apesar de tudo estar sorrindo para eles continuam negando e cuspindo naqueles que tão pedindo e sentindo "o gosto amargo desse nosso egoísmo que destrói os nossos corações"

Será só imaginação?

Não Não Acho que não

E se você não quer realidade então vai ver televisão

Mas eu tô na vida real e não quero fugir dessa realidade

E eu acho que até passava mal se me olhasse no espelho e enxergasse um covarde

Então eu vou continuar o idealismo que parece arte

E se precisar mudo até de nome feito o Chico Buarque

E "apesar de você" não se mexer

Não sei porquê sua anta

Me escuta

De que adianta ser filho da Santa?

Melhor seria ser filho da luta

Seria bom se tudo fosse um sonho e quando eu acordasse estivesse tudo lindo e pronto

Mas isso nós não merecemos porque só vivemos dormindo no ponto

Então eu tento ficar acordado até na cama quando eu tô dormindo

E também não sou de nenhuma tribo urbana porque eu não sou totalmente índio

Eu tenho um pouco de índio no sangue mas não no sangue inteiro

Eu tenho um pouco de tudo no sangue porque eu sou brasileiro

Mas o que eu definitivamente não tenho no sangue é vergonha de ser o que eu sou

E não sei porque os brasileiros não têm auto-estima e não se dão valor

Mas eu me valorizo

Minha cabeça

Minhas idéias

Meus amigos

Minha liberdade de pensamento

Minha terra

O chão onde eu piso

Meu estilo

Minha cultura

Os costumes e o povo de onde eu vivo

Entre tantas outras coisas que eu valorizo e que depois você vai entender

E você amigo? Valoriza o quê?



(Agostinho Ferreira da Silva/Gabriel O Pensador/Fabio Fonseca/Marcelo Mansur)



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Paciência





Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

A vida não pára...



Enquanto o tempo

Acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora

Vou na valsa

A vida é tão rara...



Enquanto todo mundo

Espera a cura do mal

E a loucura finge

Que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência...



O mundo vai girando

Cada vez mais veloz

A gente espera do mundo

E o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Mesmo quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



(Lenine e Dudu Falcão)
 
 
Como eu comentei em blog "não oficial" do Lenine,   assistia casualmente a reapresentação do "Altas Horas" no domingo, dia das mães e então pude curtir, com bastante satisfação, a participação do Lenine na banda do filho. Sem frescura, sem oba-oba de nenhuma das partes, simplesmente ambos apresentando trabalho excelente.

E ainda como falei lá, não havia entendido o lance do "pãe" achando que o menino era meio órfão (affff matei a mãe do cara rss)

Mas aí, no dia seguinte, minha admiração por ele foi ainda maior quando, conversando com um dos meus filhos, ele contou detalhes da batalha desse homem tão admirável que teve -tem!- uma mulher guerreira que acreditou em sua vitória.

Amei! Que Deus abençõe essa família maravilhosa!

Dos trabalhos dele, a letra acima é uma das que mais curto.

RF.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A MPB nossa de cada dia dá-nos hoje


Era pra ser uma resposta a algumas cartas. Mas são muitas as cartas criticando-me por gostar de MPB.


Resolvi escrever um artigo... assim é melhor... respondo as cartas e ainda escrevo um pouco daquilo que gosto e penso.

Sinceramente, não dá pra entender o ódio mortal que alguns cristãos sentem em relação a nossa Musica Popular Brasileira. Ou melhor, dá pra entender sim... esse pensamento é o simples reflexo de um povo que foi “colonizado” espiritualmente por uma mentalidade estadunidense-européia e hoje sofre nas mãos dos “brasileiríssimos” apóstolos da “teologia do gueto” (aquela que afirma que tudo de fora é do diabo e tudo de “dentro” é de Deus).

Quanto à música, então, nem se fala! Música que não louva a Deus, é do diabo!

Meu Deus!!! De onde tiraram essa idéia? Onde ficam a poesia, a arte, a beleza, o romantismo? Será que estamos mesmo fadados a sermos reféns das rádios evangélicas e suas “maravilhosas” canções românticas? Será que só poderemos ouvir a “poesia” dos mantras repetitivos e infindáveis? Não poderemos mais ouvir os nossos chorinhos lindos e estaremos à mercê dos chorões de auditório? Será que o meu Brasil-brasileiro-mulato-branco-moreno-e-negro cairá sob a bandeira de Israel e seus shophares mágicos?

A implicância com a música brasileira ao meu ver tem dois motivos, ambos impregnados na mente de nosso povo e já considerados como “doutrina bíblica” por muitos.

O primeiro motivo é por ser... “música”. Como assim?

Há algum tempo atrás surgiu uma “doutrina”, dessas que surgem de vez em quando e fazem aquele estrago imenso, onde se dizia que Lúcifer era “ministro de louvor” no céu, daí entender tanto de música e saber usar a seu favor essa maravilhosa arte. Logo, a música que não era pra louvar a Deus, só poderia ter outra fonte: o gramunhão! Daí rejeita-se QUALQUER coisa que não tenha o rótulo de “evangélico” e, mais recentemente, o melhor dos rótulos: “gospel” (assim acaba de vez qualquer tentativa de ser brasileiro).

Essa idéia errônea atribui mais poder ao diabo do que a Deus. Ora, Deus é criador de tudo e tudo o que é realmente belo vem dEle, é o que se chama na teologia de “graça comum” (é claro que o conceito de graça comum é bem mais amplo, mas fiquemos aqui na beleza...). Não há beleza que não venha de Deus. Lembro-me de uma música do MILAD, em seu álbum “Retratos de Vida”. A música chama-se “Platéia” (Toninho Zemuner – Alexandre Rocha) e diz:

“Pra começo de história
Entre acordes e tons,
Onde Chicos e Miltons
Fazem os sons...
(...)
Ah! Se todos soubessem
De onde vêm esses dons,
(...)
A fonte é Deus,
Essa fonte de vida...”

Essa “teologia” ainda foi mais fomentada quando Raul Seixas deslanchou com “Rock do Diabo”, onde afirmava que “o diabo é o pai do rock”. Quanta ingenuidade a nossa!!! Estamos fazendo com a música a mesma coisa que fizemos com o arco-íris, entregando coisas divinas ao movimento gay e à Nova Era como se realmente o arco-íris fosse um sinal diabólico, totalmente contrário aos planos de Deus. Ignorância! Ignorância Bíblica! A única coisa que o diabo conseguiu ser pai é da mentira (João 8.44) e é exatamente em sua especialidade que ele coloca na mente dos cristãos que tudo o que não é da IGREJA não é de DEUS.

Mas isso também depende dos “frutos” (entenda-se aqui frutos como propaganda, marketing, e principalmente LUCRO). Até pouco tempo atrás futebol era uma coisa do diabo. Isso até os mais famosos jogadores se dizerem evangélicos e aí os pastores, ávidos por aparecerem na mídia ao lado de seus fiéis... sacralizaram o que até então era diabólico. Hoje ninguém mais comenta que futebol é do diabo e que a bola é o “ovo do capeta”. Deixou de ser há muito tempo, desde quando começou a trazer frutos e dividendos pro “Reino”.

Em tempo: não sou contra o futebol. Pelo contrário!!! Sofro como flamenguista; gosto de bater uma pelada com amigos; de ir ao Maracanã quando dá tempo torcer pro Mengão; em épocas de copa do mundo, paro pra assistir todos os jogos do Brasil, e como bom brasileiro estou torcendo desde já pelo hexa da nossa seleção.

Pois bem, o diabo nunca foi ministro de louvor no céu (só se isso fizer parte de algum livro apócrifo), e o máximo que ele pode fazer é deturpar aquilo que Deus criou, mas nunca ser pai de alguma coisa. A música é um presente de Deus à humanidade, que pode ser utilizada em seu louvor, como também simplesmente para demonstrar sentimentos belos como o amor, a saudade, o carinho, sonhos, etc.

Essa idéia faz com que a música seja olhada como a pior arte, arte exclusiva de Satanás. Não vejo ninguém recriminando um filme, uma poesia, uma escultura, uma exposição de quadros... tudo isso é arte. Só não pode haver música!!! Se houver música, na cabeça de muitos, a coisa passa a ter um outro dono: o diabo. Todas as outras artes podem ser apreciadas, sem problema algum, menos a música. Santa ignorância! Santa hipocrisia!

É claro (e é aqui que está o cerne da questão) que há a boa música e a música ruim. Não dá pra ter prazer ouvindo “Vem Tchutchuca, vem aqui pro seu tigrão” ou “Hoje é festa lá no meu apê... vai rolar bundalelê”. Mas não podemos julgar o todo pela parte ruim. Há música ruim na MPB? Claro que há! O que faço? Não ouço! É simples... Há música boa na MPB? Claro que há! O que faço? Ouço... e louvo a Deus por ter dado ao homem (mesmo o que ainda não O conhece pessoalmente) essa capacidade “divina” de harmonizar letra e música, verbo e melodia... isso é dom de Deus!!! Não vem do diabo, como muitos querem.

Experimente ouvir de coração aberto “Toada” (Boca Livre); “Sapato Velho” (Roupa Nova); “Aquarela” (Toquinho); “Eu Sei que Vou Te Amar” (Vinícius); “Sucedeu Assim” (Tom Jobim); “Vieste” (Ivan Lins) e muitas outras músicas lindas de nossa MPB e você entenderá o que estou dizendo...

E outra questão precisa ser levantada. Há música boa no meio evangélico? Claro que há! O que faço? Canto, toco, ensino nas igrejas, etc... Há muita porcaria no meio evangélico? Claro que há! O que faço? Não ouço e nem recomendo. É simples também! E ainda cabe alertar o povo de Deus contra o engano desses “senhores de gravadoras” que comandam o mercado gospel e enfiam goela abaixo os seus queridinhos e suas músicas “de Deus”.

Portanto, antes de “julgarmos” os de fora, julguemos a nós mesmos. Nossa qualidade musical, conteúdo, as maracutaias no meio “gospel”, a máfia das rádios evangélicas e de seus donos-sempre-candidatos-políticos, o uso do nome de Deus em vão para enriquecer pilantras e enganar o povo, etc...

A segunda questão que creio ser fundamental para a não aceitação da MPB por parte de alguns evangélicos é o simples fato de ser... Brasileira! A igreja evangélica no Brasil tem a péssima mania de só considerar sacro o que “vem de fora”. Há a rejeição latente aos ritmos brasileiros, a miscelânea cultural que é a nossa pátria tupiniquim.

Instrumentos de origem africana são quase sempre associados aos cultos do candomblé, a riqueza de sons e ritmos é sempre associada ao folclore, ao popular, e a arte popular é profana... indigna de se cantar “pra Deus”.

É comum em casamentos, processionais, recessionais, e outros momentos “instrumentais” em igrejas as grandes composições de Bach, Beethoven, Haendel... mas não há espaço pra Carlos Gomes, Villa-Lobos, Waldemar Henrique, Radamés Gnattali, entre outros...

A música genuinamente brasileira é sempre olhada de lado. Bom mesmo é o que vem de fora... que nos sirvam de provas os grandes hits do “louvor brasileiro” que em sua maior parte é composta de versões do Hosanna Music, Hilsong Church, Michael W. Smith, etc. Não estou dizendo que isso não possa acontecer. Há músicas boas que podem, e devem ser traduzidas, mas por que tanto preconceito com o que vem de dentro de nosso solo, da mãe gentil e pátria amada? Por que João Alexandre, Jorge Camargo, Nelson Bomilcar, Carlos Sider, Carlinhos Veiga, Atilano Muradas, Arlindo Lima, Sérgio e Marivone (Baixo & Voz), Gláucia Carvalho e outros tantos não são conhecidos da grande maioria dos evangélicos brasileiros? Falta de talento e inspiração? Não!!! Falta de vergonha das nossas rádios e dos mega-empresários da fé. Falta de vergonha de uma igreja que nunca chegou a ser brasileira de fato.

Nossas raízes européias e estadunidenses devem ser respeitadas. Foram eles que atravessaram mares para nos pregar o Evangelho da graça. Mas somos brasileiros. Em nosso corpo e em nossa mente há uma ginga inegável, um requebrar sadio que não se contem ao som dos tambores, atabaques, violas, violões, cavaquinhos, e tantos outros instrumentos.

Voltando ao nosso assunto (MPB). A lógica que cabe no meio “gospel” também serve para a nossa cultura. Somos sempre tentados a não valorizar o que temos de bom. Temos poetas maravilhosos, compositores fenomenais em nossa MPB e em nome de uma fé totalmente equivocada desperdiçamos a chance de crescermos como brasileiros, como músicos, como poetas ao nos recusarmos a ouvir o que há de bom do lado “de fora” do nosso gueto.

Que reconheçamos em todas as coisas belas, e até mesmo na boa MPB, traços do criador, resquícios da imagem de Deus ali pulsantes em alguém criado à sua imagem e semelhança. Creio firmemente que Deus não punirá aqueles que ouvem a boa música brasileira, européia, estadunidense, africana... Ele ainda é Senhor de todas as coisas, mesmo que muitos dos que se dizem seus “filhos” não queiram...


José Barbosa Junior
Crer e Pensar

sexta-feira, 26 de junho de 2009

That is it

Não teve jeito, até que resisti, mas aqui estou falando também sobre ele.
O certo é que sempre tive dificuldade em lidar com qualquer tipo de homenagem, com palco, com aplauso, com holofotes, muito oba-oba... mesmo tendo alma essencialmente apaixonada.
Acho tudo isso muito estranho, por mais que admire e/ou me identifique com o homenageado.
Homenagem póstuma, então... acho meio que forçação de barra maior ainda, sei lá, algo cheirando/beirando a hipocrisia.
Entretanto, excepcionalmente desde ontem à tardinha eu (quase)não desgrudo da TV.
Muito emocionada, já dei minha chorada discreta pelos cantos, pressão subindo(também por causa das dores na coluna que remédio não dá conta)tudo isso sugestionada em meio à comoção geral, ouvindo constantemente várias expressões de pesar das mais diversas pessoas, nada lendo a respeito, só vendo e ouvindo todo tipo de definição e mesmo concordando com cada uma delas, sempre ficava um vácuo, como se faltasse algo que definisse essa pessoa para mim.
Eu queria algo mágico mas sem muito rodeio.
Algo sem muito floreio mas que sintetizasse o que ele é, mesmo indo...
Foi quando ouvi o João Marcelo Bôscoli pronunciar exatamente as palavras que eu queria ouvir de lá de dentro de mim mesma.
"O Michael é uma delícia!É como se fosse um refrigerante bem gelado!"
É isso!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Gente humilde

Gente humilde
Composição: Vinícius / Chico Buarque / Garoto

Tem certos dias

Em que eu penso em minha gente

E sinto assim

Todo o meu peito se apertar

Porque parece que acontece

De repente

Como um desejo de eu viver sem me notar

Igual a tudo, quando eu passo

Num subúrbio

Eu muito bem, vindo de trem

De algum lugar

Aí me dá uma inveja

Dessa gente

Que vai em frente

Sem nem ter com quem contar

São casas simples

Com cadeiras na calçada

E na fachada, escrito em cima

Que é um lar

Pela varanda, flores tristes

E baldias

Como a alegria que não tem

Onde encostar

E aí me dá uma tristeza

No meu peito

Feito um despeito de eu não ter

Como lutar

E eu não creio

Peço a Deus por minha gente

É gente humilde

Que vontade de chorar

sexta-feira, 13 de março de 2009

HELP ME

HELP ME ( Elvis Presley)

Lord, help me walk another mile... just one more mile
I'm tired of walking all alone
Lord, help me smile another smile... just one more smile
You know I just can't make it, on my own

CHORUS:
I never thought I needed help before
I thought that I could do things by myself
Now I know I just can't take it anymoreWith a humble heart, on bended knee, I'm begging you pleaseHelp me

Come down from your golden throne to me, to lonely me
I need to feel the tough of your tender handRemove the chains of darkness and let me see, Lord, let me see Just where I fit into your master plan

CHORUS:
I never thought I needed help before
I thought that I could do things by myself
Now I know I just can't take it anymoreWith a humble heart, on bended knee, I'm begging you pleaseHelp me

With a humble heart, on bended knee, I'm begging you pleaseHelp me

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Senhor, ajude-me a andar outra milha... apenas mais uma milha
Estou cansado de caminhar completamente só
Senhor, ajude-me a dar outro sorriso... apenas mais um sorriso
Tu sabes que não posso fazê-lo por conta própria

CORO:
Nunca pensei que precisava de ajuda antes
Pensava que poderia fazer tudo sozinho
Agora que sei que não posso mais
Com coração humilde, de joelhos, estou lhe implorando, por favor,
Ajude-me

Desça do seu trono dourado até mim, um solitárioPreciso sentir o toque da tua terna mão
Remova as cadeias de trevas e deixe-me ver, Senhor, deixe-me ver
Aonde me encaixo em seu plano grandioso

CORO:
Nunca pensei que precisava de ajuda antes
Pensava que poderia fazer tudo sozinho
Agora que sei que não posso mais
Com coração humilde, de joelhos, estou lhe implorando, por favor,
Ajude-me
Com coração humilde, de joelhos, estou lhe implorando, por favor,
Ajude-me