"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

IGREJA





No primeiro item, a passagem em Mateus 16:15.19 é usado pra afirmar que foi o próprio Jesus quem falou o termo ‘igreja’. Só que todos nós sabemos qual sentido Jesus deu ao termo IGREJA. Ele, que ‘derrubou o templo’ em demonstração prática do que seria IGREJA dali pra frente.

Não consta na Bíblia que Jesus fundou igreja. Nem, tampouco, que tenha mandado alguém fundar. A ordem que Ele deu foi para pregar o Evangelho a toda criatura. Jesus poderia ter aproveitado a oportunidade nesse momento em que os autores das traduções chamam de ‘A Grande Comissão’. Excelente oportunidade pra Ele estabelecer a igreja e suas normas em Seu nome. No entanto, Ele não fez isso nem determinou a ninguém que o fizesse.

Essa 'organização' que o autor fala é algo inerente ao homem. O homem precisa de ajuntamento pra compartilhar, pra ajudar, pra se reforçar com outros. Isso é comum união = comunhão. Então, nesses ajuntamentos, volta a praticar antigos ‘cerimonialismos’ para não esquecer a perspectiva de vida real com Deus; infelizmente, não está gravado em seu coração. Jesus não é suficiente. Ele precisa ir ao monte, precisa de lugares, precisa de sacrifício, precisa ‘se punir’ para voltar ao pó, à condição diária de ‘servo inútil’ que se dispõe a servir sem esperar QUALQUER recompensa, seja no Céu ou na Terra.  

No AT foram estabelecidas festas e celebrações, memoriais, altares, rituais bem elaborados e com datas definidas, tudo isso para que o homem não esquecesse quem era o seu Deus assim como todas as coisas que Ele havia feito. Na Nova Aliança isso tudo foi abolido porque esse altar foi transferido para dentro do nosso ser! Nosso coração, nosso espírito, nossa consciência! Portanto, não se pode dizer que esse ajuntamento/instituição foi ordem de Jesus. Quem quiser diga, mas assuma que está usando O NOME. Aí é com a consciência de cada um.

No segundo item, onde é colocada a passagem em Mt 18:15.20, Jesus estava modificando aquilo que foi estabelecido drasticamente no AT (Dt 17.6; 19.15) no sentido de, primeiro tentar resolver o conflito por meio do diálogo, pela conversa franca, com o depoimento isento de quem presenciou o evento. Se não funcionasse, levasse o caso à igreja. Se ainda assim a igreja não desse ouvidos, então considerasse o 'vacilão' como ‘gentio ou publicano’, que era o que havia de mais reprovável e excludente naquela época. Vemos aqui um fragmento do que representava o RIGOROSO sistema jurídico/religioso, já que naquela época, tanto do AT como nos tempos de Jesus, a religião era quem determinava a sentença.

Lembremos que quando Jesus diz ‘igreja’, ele não se refere à instituição e seus líderes, mas ao grupo de irmãos que ora se formava e que, comungando da mesma ideia de ética e justiça, é colocado para analisar a situação em questão. Inclusive, diga-se de passagem que, naquele contexto, a instituição religiosa e seus líderes era o que Jesus mais repudiava em termos de fazer justiça.

Portanto, em nenhum momento nessa passagem, Jesus está exaltando igreja/instituição, MAS GRUPO que comunga a mesma ideia e teria interesse em resolver problemas de relacionamentos.  Muito me admira alguém como Nicodemus falar nesses termos e, achando pouco, relacionar isso a 1Co5 quando ali o assunto era algo totalmente inaceitável que não requeria diálogo. Tratava-se de incesto, algo ultrajante!  A lei judaica proibia o filho de casar-se com a madrasta, pois esta era como mãe!!! Nessa passagem um rapaz se envolveu com a esposa de seu próprio pai. Por isso a advertência para não se associar com os ‘impuros.

Em relação ao terceiro item, há um erro, talvez de digitação, pois ele faz referência a 1Tm 31.13, quando essa carta só tem seis capítulos. De qualquer forma - como trata de organização/hierarquia - sabemos que, por menor que seja um grupo, organiza-se um ‘corpo funcional’.  Dando continuidade, o quarto item reafirma a necessidade dessa hierarquia. Porém, o grande equívoco nas denominações religiosas é que, quem ‘lidera’ se acha no direito de ser capataz da fazenda de Deus. Aí vem Jesus e nos dá uma lição enfática sobre esse lance de SER O MAIOR.  (Ver Mt 20:26.27; 23:11 – Mc 9:35; 10:43.44 – Lc 22:26).

E, no quinto item, vemos a parte dos rituais. Ele afirma que 'Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele'. Ora, o que Jesus fez foi mudar o foco! Ele disse apenas que fizesse em sua memória, Ele não ordenou a celebração.  Até porque já havia uma celebração. A principal festa judaica: uma ceia especial onde se matavam cordeiros para fazer as celebrações da Páscoa. E que foram abolidas A PARTIR DE JESUS.  

E o que eu acho mais CONTRADITÓRIO e que, inclusive, DERRUBA TUDO QUE ELE MESMO FALOU ANTERIORMENTE é que, depois de usar partes da bíblia e das cartas para embasar sua tese, ele mesmo ANULA tudo que disse, com a seguinte pérola:

'Para mim a Igreja de Cristo é muito mais do que uma denominação – inclusive a minha. As igrejas denominacionais instituídas e organizadas não são a única expressão válida da Igreja de Cristo. Onde houver um grupo de cristãos que fazem estas coisas prescritas por Jesus e pelos apóstolos (itens 1 a 5 acima), ali está a igreja, ainda que imperfeita'.

De que foi dito lá, só tem correta essa frase: 'Para mim a Igreja de Cristo é muito mais do que uma denominação – inclusive a minha. As igrejas denominacionais instituídas e organizadas não são a única expressão válida da Igreja de Cristo’. 

O restante do parágrafo (bem como praticamente o texto todo) é leviano e tendencioso no sentido de fabricar igrejas: ‘Onde houver um grupo de cristãos que fazem estas coisas prescritas por Jesus e pelos apóstolos (itens 1 a 5 acima), ali está a igreja, ainda que imperfeita'. - Além de determinar o que seja a ‘doutrina de Jesus’, rebate o que disse Jesus sobre dois ou três reunidos em Seu Nome.  

Ora, minha gente, tudo que Jesus ‘prescreveu’ resume-se ao AMOR! Ele manda fazer discípulos ensinando a guardar os seus mandamentos: amar a Deus e ao próximo. Como diz um pastor muito conhecido: tão simples quanto desconcertante!

Infelizmente, os líderes religiosos não entenderam nada. Pegaram o que disse Jesus e transformaram em sistematização religiosa pesada que nem eles mesmos aguentam!

Que pena...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O filme e o mito

Para os Protestantes Reformados - e também o seu subproduto: o mundo evangélico - Lutero é uma espécie de Elias ou João Batista- esse é o significado; e a Reforma é uma espécie de Pentecoste Doutrinário; ou seja: um pentecoste de intelecto e letras.

Ora, é inegável o impacto histórico, social, econômico, ideológico, intelectual, psicológico, ético, e de projeto de sociedade -que seria de democracia capitalista- que a Reforma provocou.

Entretanto, impacto conforme acima citado teve também a Revolução Francesa, ou a Alemanha de Hitler, ou mesmo a criação do Estado de Israel.

A 1ª mudou a concepção do ocidente acerca das Monarquias.
A 2ª mudou a História presente e futura -infinitamente mais do que já percebemos.
A 3ª mudou a geopolítica do mundo para sempre -é esperar e ver.
E nem por isso foram boas por terem sido tão históricas.(a 2ª foi-é diabólica)

Entretanto, todos esses fenômenos mudaram a História.
O fenômeno da Reforma mudou a História do lado de fora mais do que na existencialidade.
Assim como o surgimento do “Cristianismo” -sob os auspícios de Roma; Constantino- aconteceu como o cair de um meteoro: Bum!
E morreram uns dinossauros; e os ratos cresceram como mamíferos a mamarem nas tetas da “igreja recém-inventada” por um ato de um Pentecoste Imperial.
O “Espírito Santo” do “Cristianismo” atendia pelo nome de Constantino.

Ora, eles -esse eventos/adventos- provocaram profundos impactos na Terra e nos fenômenos do mundo, especialmente todos aqueles fenômenos que são filhos do dinheiro; incluindo a política.

Mas, segundo o Evangelho, podem não ter significado quase nada.
Afinal, na fé, o maior rio do mundo não é o Amazonas, mas o Jordão.
Assim como o maior dentre os nascidos de mulher não foi Nabucodonozor, nem Alexandre, nem César, nem Gandhi, mas João Batista, que não teve quase qualquer impacto na História, exceto por falar a verdade acerca de Jesus.

A Igreja de Jesus é um fenômeno sutil, sem aparência, sem beleza a ser fotografada, sem poder a ser demonstrado, sem nada súbito que a ponha num patamar de glória ou de reconhecimento.
Igreja “reconhecida” já é “igreja”.

Foram os quatro primeiros séculos da Igreja -totalmente sem “História ou reconhecimento”- aqueles que até hoje nos significam o que possa no mínimo ser Igreja entre os homens; não no máximo; pois, “outras obras maiores farão”, prometeu Jesus para sempre.

Assim, a verdadeira História da Igreja não aparece nos “Livros de História da Igreja”.
São atos apostólicos somente inscritos nos corações.

Por isso a Igreja-Caminho não sabe nem de onde vem e nem para onde vai...
É duro, mas tem que ser assim.

Dessa forma -como para Jesus o que é elevado entre os homens é abominação diante de Deus- se virar culto histórico, é porque é elevado diante dos homens, e já não tem -se é que teve- significado para Deus.
Na História só se pode mesmo fazer Re-Forma.
A História tem forma. Torna-se fixa.
Portanto, o melhor a se fazer na História é uma Reforma.
É coisa do homem para o homem!

No Reino, no entanto, não se faz Reforma jamais; pois, é como por vinho novo em odre velho, ou remendo de pano novo em veste velha.
Ora, no Reino tudo tem a ver com o Dia Chamado Hoje.
Foi isso que Jesus disse ao moço que queria primeiro sepultar seu pai.
“Deixa os da história carregarem a história. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.”

Não que isso nos conduza a qualquer forma de niilismo histórico.
Ao contrário, passa-se a desejar conhecê-la ainda mais; pois, nela, na História, reside o germe de nossa grande tentação; posto que a História é a vida eterna dos mortais.

Entretanto, foi a perspectiva inversa o que fez de Jerusalém o centro do mundo e não Roma; apesar de historicamente o centro do mundo ter sido Roma, enquanto Jerusalém não era nada.

Digo isto para dizer que o fenômeno da Reforma Protestante tem todas as características dos fenômenos humanos, conforme todos os que se tornaram História.

A Igreja, por exemplo, foi se tornando... Assim como o reino: uma sementinha aqui, outra ali; uma sombra aqui, outra ali; uma lâmpada aqui, outra ali, e outras acolá. E não veio como uma montanha de sal, ao contrario, o sal apareceu conforme existisse massa a ser salgada. E mais: o sal só cumpre seu papel se dissolver-se na massa; pois, sal visível não serve para nada.

A única manifestação de fogo e chamas do Novo Testamento só aconteceu para 120 pessoas. Ora, isso para não falar que Jesus não só resistiu à tentação de pular do Pináculo do Templo, como também não foi aos céus do Pináculo do Templo.

Ora, por isso até hoje se discute se Jesus foi ou não histórico; e o debate sobre o Cristo Histórico apenas prova a minha tese. Afinal, um Jesus esmagadoramente histórico não seria discutido; pois estaria “fixado”.
Ele, entretanto, se faz história nas historias dos outros, e não em Sua própria, visto que Ele não é como uma torre de Salvação numa Paris mundial.
Ao contrário, Ele é invisível aos olhos da História, só sendo visto pelos que vêem a história que somente se discerne pela fé.

O descaso de Jesus para com a fixidez da História é chocante.
Pode ser bem ilustrado pelo fato de Ele escrever no chão [sabia escrever], e não ter deixado nada escrito de Si mesmo. Para Jesus o que não fosse ato não merecia virar ata.
E mesmo o que era ato, Ele só escrevia nos corações; deixando que outros escrevessem não “A História de Jesus”; mas, antes disso, a história de como eles O viram.

Daí cada evangelho ter sua própria ótica. E tudo não fixo.
As coisas do reino não dão para serem afixadas em portas de Catedrais; essa é a verdade.
Não! Elas são invisíveis aos olhos; são suaves e poderosas; e esmagam pela sutileza.

Como diz o Salmo 77:
Pelo mar foi o Seu caminho; porém, não se acham os Seus vestígios”.

Ou seja: o mar abre, mas ninguém sabe como.
“É o vento”, dizem.
“É mesmo!”; digo eu.

Se quisermos que a Reforma seja ainda impregnada do vírus do Evangelho, então, esse culto às Tábuas da Lei de Lutero e à Revelação Institutas de Calvino, precisam acabar; e necessitam ser apenas o que foram: eventos históricos, com coisas boas e outras ruins; e, nada mais...Além disso, achei que era bom mostrar como um pregador da Graça como Lutero pôde viver tão pouco do beneficio dela em si mesmo.
Assim, acabam-se também os mitos como o do “príncipe dos pregadores”; ou o do “boca de ouro”; ou do “leão da Alemanha”; ou do “Doutor de Genebra”.

O chamado não é para fazer Reforma.

O chamado é para crescer na Graça e no conhecimento de Jesus; não como texto de doutrina ou teologia, mas como experiência da Graça se expandindo na totalidade de nosso ser, e não apenas como fenômeno de poder e influência do lado de fora.
(CF)

(negritos, coloridos e sublinhados meus- RF)


Na íntegra em: A HISTÓRIA DOS HOMENS E A HISTÓRIA EM DEUS