"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sangrando e sendo curado...

Eterno Gonzaguinha...

Quando eu soltar a minha voz,  por favor  entenda, que palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando...

Caramba! Para mim, esse fragmento de poesia - tristonha mas curativa - reflete exatamente o que aconteceu. Foi assim que eu visualizei a chegada de Gonzaguinha naquele ambiente que seria permeado de flashbacks. Numa regressão terapêutica, ele simplesmente se entrega àquela busca por respostas a uma enorme inquietude interior.

Tudo começa quando, impulsionado pela madrasta,  o esperançoso filho vai ao encontro do pai para poder se encontrar. Ele ainda não sabia disso pois seu coração estava cheio de amargura. Porém, à medida em que conversavam, diferenças amenizadas, arestas aparadas... A amargura se esvaía. E eles nem atinavam para isso! E, quanto mais barreiras iam sendo naturalmente rompidas, maior leveza se instalava. E os laços se reintegrando... E os reais valores aflorando... E o menino foi ficando em paz. Analogamente, talvez ele nem soubesse que essa era a ideia: ir em busca do pai e aquietar o coração. Porque essa sempre foi e sempre será a grande sacada da vida.

Gonzaguinha... Olhar perdido, entristecido, introspectivo. Sem mãe, sem pai, sem família, sem infância, sem referências. Entregue a amigos do pai enquanto o pai perseguia um estranho sonho.

Gonzagão. Este era o seu pai. Famoso. Reverenciado. Adorado pelo povo. Este homem obstinado que atravessou as fronteiras dos corações dos quatro cantos do Brasil, mas não abriu o próprio coração nem tampouco alcançou o coração que importava alcançar. O do filho.

Este era o pai de Gonzaguinha que seria desde sempre, o centro de suas crises existenciais. A mãe, não. Era caso resolvido. Já estava ausente. Já havia ido embora para sempre. Fica apenas a triste saudade. Sua grande frustração era a certeza de um pai omisso e egoísta tão presente e tão distante. Este pai, que ainda adolescente,  persegue sua meta esquecendo-se dos valores principais, obcecado em provar que não era um ‘sem eira nem beira’.

E, assim, enquanto se desenrola a história da vida do pai, se revela na alma do filho a ânsia de todo ser humano: sarar as feridas, remir as dores, reatar os laços, resgatar a vida. E isso só se consegue quando se está decidido, pois que  é efetuado o querer em nosso coração.

E isso foi o que quis o poeta. Ele sai de um falso habitat e segue rumo às suas raízes. Enfrenta a capa de superioridade de um pai envolto no glamour e consegue conduzi-lo ao foco de sua perseguição, trazendo à tona sua emoção mais escondida. É quando tudo acontece. É quando cai a ficha. É quando ambos se curam de suas feridas mais doridas. O pai que reconhece, se humilha e, simplesmente, pede perdão. Eis o clímax! Momento denso. Desconcertante. (A forte impressão que me causa é que a plateia em cheio para de respirar no exato momento, em perfeita sintonia de orquestração, ao mesmo tempo gritante e silenciosa).

Há, ainda, a preciosa figura da conselheira que, muito mais do que uma simples doméstica, desempenha com maestria o papel de sábia conciliadora. De um lado, trata de acalmar o coração do filho, revoltado com um pai meramente provedor;  de outro lado, sacode o pai artista/sonhador chamando-o a razão para o que há de mais precioso na vida.

Aliás, são duas as mulheres marcantes nesse reencontro. A primeira - lá do início - faz papel de intermediadora como querendo se redimir. Ela diz: seu pai precisa de você – mesmo sem nunca ter percebido o quanto ele precisou do pai e sem sequer imaginar que assim estaria unindo a ambos.

Tudo é um processo. Impressiona o desenrolar dos conflitos interiores do filho que culmina com o pedido de perdão por parte do pai desconfiado, omisso e egoísta. Não há segredo nem mágica. Há disposição, entrega, desarmamento total. O perdão e o amor fecham a questão.

Há o filho que insiste em procurar o pai, ainda que todo desmontado, ferido, mas em busca de respostas. E por amor, unicamente. O pai, por sua vez, após um longo período de teimosas racionalizações para o glamour em que vive, finalmente cai em si e, reconhecendo as tremendas vaciladas, diz: filho, me perdoa. Pronto, ali toda a dor se neutraliza. Porque há CURA.

Filme de fotografia impecável, a irônica reflexão fica por conta do final, onde um singelo juazeiro dá sombra aos dois que se reconciliam em frente à casa abandonada do poderoso coronel que provocara o pai de Gonzaguinha a sair mundo afora. Para ‘provar’ o que era vão...

RF.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

É disso que eu falo...




Ele é para os sobrecarregados que vivem ainda mudando o peso da mala pesada de uma mão para a outra. 

E para os vacilantes e de joelhos fracos, que sabem que não se bastam de forma alguma e são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável. 

E para os discípulos inconsistentes e instáveis cuja azeitona vive caindo para fora da empada. 

E para homens e mulheres pobres, fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados. 


E para os vasos de barro que arrastam pés de argila. 


E para os recurvados e contundidos que sentem que sua vida é um grave desapontamento para Deus. 


E para gente inteligente que sabe que é estúpida.


E para discípulos honestos que admitem que são canalhas. 


O evangelho maltrapilho é um livro que escrevi para mim mesmo e para quem quer que tenha ficado cansado e desencorajado ao longo do Caminho. 



(BRENNAN MANNING em 'Evangelho Maltrapilho')

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sujo e mal lavado




O marido chega em casa às pressas pois está um tanto atrasado para assistir o noticiário de sua preferência. Acomoda-se no sofá e grita:
- mulheeerrr, cadê a TV??
A mulher entra na sala esbaforida mas muito segura de si:
- ah, marido, levei hoje cedinho pra vender porque o irmão disse hoje lá na igreja que quem não desse o dízimo até amanhã não seria salvo.

Parece piada. Antes fosse...
Mas é a mais pura e cada vez mais corriqueira realidade. Isso é crime e tem nome: coação. E o tom velado de ameaça de quem diz dá quem pode? E, claro, com o cuidado em mudar para o nome de 'oferta', pois como sugere a expressão, se está ofertando, ninguém está obrigando.

Me chama à atenção essa piada porque quem a conta vive numa terrível prisão religiosa que pratica outros tipos de coação. 

É a história do 'sujo falando do mal lavado'. Gente que critica o fiel que vende a TV para pagar dízimo com risco de não ser salvo é a mesma gente que sofre pressão psicológica terrível para se batizar até tal dia sob pena de não ser salvo. Gente que usa todo tipo de roupa e linguagem circulando por aí no seu dia-a-dia, mas quando bota o pé dentro do suposto lugar santo, estão mudadas as indumentárias e o modo de portar-se.

Tem um monte de designação para o que as denominações por aí fazem para conseguir dinheiro e fiéis, que são verdadeiros casos de polícia. Para não citar várias designações com risco de repetição e redundância, vou sintetizar em uma só que, a meu ver, abrange tudo:

Pressão psicológica - Coloca a alma da pessoa em uma prisão invisível. Sua principal armadilha consiste em ludibriar o raciocínio, onde a driblada lucidez é substituída pelo auto-engano; assim, a vítima, eternamente angustiada, passa a experimentar situações constantes de estresse vivendo em distorcido mundo paralelo criado para sabotar sua própria consciência. 

E tem uma sequência que eu chamo de círculo vicioso, pois tal opressão que vai se instalando, ao mesmo tempo é aliviada na medida em que a pessoa se dirige ao local em que toma um pseudo-banho espiritual que lhe diz 'Deus está aqui'. E, quando ela volta pra casa, reinicia-se todo aquele processo instalado anteriormente que a prende cada vez mais em um emaranhado de normas, regras, proibições e obrigações. É um  'TENHO QUE' para todos os movimentos, até ao próprio respirar. Daí, segue-se outra fase: a do fingimento. Sim, pois não dá pra suportar tanta carga, então fingir é a válvula de escape. É quando as máscaras caem bem. Mas caem na face. E grudam. Estabelece-se então no indivíduo uma ingenuidade (tolice) que o encaminha às cegas a uma patologia que os dirigentes chamam de conversão.

E o mais absurdo de tudo é quando, nessas denominações em nome de Jesus, impera a meninice espiritual que beira a pretensão. É quando o pregador diz que a salvação só é encontrada naquele espaço físico. Ponto máximo da alucinação provocado pelo ópio do denominacionalismo. Mira fácil: o cabisbaixo, fragilizado, sugestionado. Inicia-se o processo da doutrinação que seria hilária se não estivesse em jogo a saúde psicológica do indivíduo...

Fica no ar pesado algo indizível porém perfeitamente claro: de um lado o autoritarismo do opressor travestido de bondoso intermediário de Deus; de outro, o constrangimento do dizimista/ofertante psicológico que, vendo-se nu e miserável, acaba cedendo e comprando uma fórmula repleta de efeitos colaterais e reações adversas que vai transformá-lo em um ser estereotipado, mais doente do que antes. Mas com aparência de feliz e realizado vez que no baú do seu kit espiritual estão todas as máscaras necessárias. Conforme a situação.





terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cristianismo pagão


Igreja: fábrica de robôs.



Que cristãos na era apostólica erigiram casas especiais de culto, isso está fora de cogitação... 

O Salvador do mundo nasceu em um estábulo e subiu aos céus desde um monte. 

Seus Apóstolos e sucessores até o século III pregaram nas ruas, mercados, montes, barcos, sepulcros, cavernas, desertos e nas casas dos seus convertidos. 

Contudo, milhares de igrejas e capelas caras foram e continuam sendo construídas em todo mundo para honrar o Redentor crucificado que nos dias de sua humilhação não possuiu nenhum lugar onde repousar a cabeça! (Philip Schaff)


Do livro 'Cristianismo Pagão' de Frank A. Viola)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Jesus era feio?! COMO ASSIM?!




O comentário abaixo é apenas um entre os mais de trezentos recheados de sandices dos 'crentes' cheios de ira contra a Sandy Gospel. 
Tudo bem que Jesus estava mais para os moldes muçulmanos, como exibiu há algum tempo o History Channel, mas chamá-lo de feio é, no mínimo, forte demonstração de preconceito de raça e de etnia.


Ricardo Amaral disse:
7 de novembro de 2012 às 1815
Jesus era FEIO!
“Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.”(Isaías 53:2)
Enquanto pessoas ignorantes derem valor a aparência e não a mensagem, milhares estarão louvando com LÚCIFER e pensando q estão louvando ao SENHOR!
“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;”
1 Timóteo 4:1-2
É UMA VERGONHA para todo aquele se considera evangélico quando uma figura publica diz uma asneira como essa. Humilha não apenas nós mas também o evangelho e o nome do Senhor!
Com Deus não se brinca. Está na mão de Deus agora e ela vai dar conta.

  • Regina Farias disse:
    O seu comentário está aguardando moderação.
    Pronto, estava demorando! Apologia à feiúra e ao excesso de tecido adiposo. Além de um monte de robozinhos, todos monstrengos, ogros e ‘ogras’ rsss
    Religião fundamentalista tem dessas pérolas!
    Que asneira é essa?! Dizer que Jesus era feio com base em um versículo fora de contexto?! Ali o profeta está narrando o quadro dramático em que antecedia o sofrimento vicário de Jesus.
    Ele não tinha a beleza nórdica que o catolicismo pinta, mas dizer que ele era feio, usando este versículo como base, incorre no mesmo erro, pois NA VERDADE Jesus fora desfigurado pelo sofrimento. Daí a narrativa!!!
    E mais: Quem disse que Deus não gosta do belo? Ele preparou um jardim LINDO E MARAVILHOSO para o homem. O homem foi quem tratou de torná-lo feio. E tornar-se feio, consequentemente!!!
    UMA VERGONHA é usar versículos soltos para dizer que Deus disse isso ou aquilo, e, principalmente, em nome de Deus, ameaçar/intimidar as pessoas.
    Quanta pretensão no mesmo espaço!
    Vamos todos aproveitar o gancho e todo mundo – pastor e ovelhas – caminhar e modificar urgente o tipo (E A QUANTIDADE) da alimentação que é o melhor que se faz! DIETA JÁ!!!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vida com Deus

(Imagem de autoria do Zé Luís Jr*)


Tenho aprendido a cada dia que vida com Deus não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com religiosidade, cerimonialismo ou (menos ainda!) fanatismo. E sim, com a busca de uma vida prática saudável em todos os sentidos, onde se procura viver as relações de forma ponderada. Para isso, o primeiro passo  é nos desarmarmos e acalmar o coração, ironicamente, o nosso maior inimigo nessa busca. Pois o ministério que Jesus nos confiou (a todos, indiscriminadamente) foi o da RECONCILIAÇÃO. Com Ele, com nós mesmos e, consequentemente, com os outros. Essa é a ideia! Tão desconcertante de tão simples - diria o pregador...

Não temos nenhuma obrigação de adotar clichês como postura de verdadeiro cristão ou usar certos chavões religiosos para ganhar o céu. O que vale é se há a intenção prática no nosso coração ou se estamos participando de uma farsa coletiva para bajulação/negociação divina. Jesus dispensa rispidamente os bajuladores e clama por mais 'samaritanos' que não supervalorizam as leis, regras, normas e apenas têm o gesto simples, eficaz e necessário, no momento necessário e pronto. O resto é invenção do homem religioso. No dia em que cair a ficha do religioso de carteirinha, ele vai entender o quanto seu enorme esforço por ser/parecer bonzinho e certinho é vão e patético.

Se observarmos com cuidado, veremos que em suas cartas, Paulo fala de vida prática cristã. Gosto de bater nessa tecla, porque muitos veem Paulo como mais um religioso fariseu, seguindo essa falsa visão de seus escritos. Entretanto, na sua missão apostólica, sua ênfase sempre foi de apresentar instruções para uma vida cristã SINCERA no cotidiano, e não para uma vida religiosa, dentro dos moldes do líder da igreja. Inclusive, isso de pegar umas falas do apóstolo, para, a partir delas, montar uma igreja/doutrina supostamente do agrado de Jesus é, na realidade, atitude de natureza paganista.

Não perdemos nossa individualidade quando 'nos filiamos' a determinada instituição religiosa. Deus não é um tirano religioso. Aliás, foi Ele mesmo que nos concedeu essa individualidade preciosa! Adestramento é para animais, que não têm raciocínio, consciência, lucidez, senso crítico. Prerrogativas estas, que são presente de Deus a cada um, pessoalmente! E não, coletivamente, para um dirigente reacionário comandar. Senão, qual o sentido desse 'presente'? Portanto, façamos o uso CORRETO do que nos foi dado de GRAÇA.

Líderes extremamente respeitados também podem nos decepcionar. É por isso que Deus não considera posições e tipos de atuação (Rm 2.11) Uma coisa é o respeito pelo ofício, outra coisa é a fidelidade somente a Cristo. Ninguém espere de mim, reverenciar a quem quer comandar minha vida pessoal.
RF


LEITURA COMPLEMENTAR:

Todo fundamentalista é pagão, porque é confinador de quem é inconfinável, que é Deus. O fundamentalismo pratica a mais estúpida tentativa que o ser humano pode fazer sobre o Criador, que é tentar domesticar Deus. Ou, então, querer dizer até onde Deus vai, o que Deus pode e o que não pode fazer, ou a quem deve ouvir. O fundamentalismo entende que Deus está a serviço da religião, e isso é paganismo cego, inverte a ordem universal, na qual todas as coisas existem para Deus e em Deus. E Deus é aquele que tem a absoluta liberdade de ser, sem jamais explicar porque Ele resolveu ser o que Ele é.
Esses grupos todos que falam de maneira obcecada e fanatizada sobre fé, em geral, são os mais inseguros e os mais resistentes, porque não têm capacidade de aceitar qualquer encontro com qualquer coisa que eles não acreditam, sob pena de que isso sacuda e enfraqueça os fundamentos, sobre os quais não admitem que se façam perguntas. A maior luta de Jesus foi contra os fundamentalistas. Foi o fundamentalismo que matou Jesus. O fundamentalismo que não aceita que o milagre seja feito no dia de sábado, que diz que Jesus não pode tocar nas coisas que ele toca, comer a comida que come, conviver com as pessoas com quem convive. (Caio Fábio)


domingo, 4 de novembro de 2012

ORAI SEM CESSAR





Quando o Evangelho vai se estabelecendo verdadeiramente em nosso ser, passamos a orar bem menos essa oração determinada pelo denominacionismo, e, paradoxalmente, procurando sempre orar sem cessar. Pois, à medida que vamos nos despindo da religiosidade imposta que nos cega e nos robotiza coletivamente, a ficha vai caindo e vamos enxergando a simplicidade e a eficácia do Evangelho em nossa vida prática. É quando começamos a aprender que não é para ficarmos o dia inteiro repetindo petições/barganhas/súplicas direcionadas a Deus, mas tão somente compreender que orar sem cessar (1Ts 5.17) nada mais é do que adotar um estilo de vida que reflete a nossa relação pessoal com Deus. E, consequentemente, com o próximo, que nada tem a ver com o irmão da mesma igreja, e sim, com o nosso semelhante, que está acima de todas as regras religiosas, como diz Jesus, claramente, ao legalista religioso, na parábola do samaritano.

No 'orar sem cessar' está estabelecida uma conversa CONSTANTE com Deus.
E isso não é mágica nem tampouco paranoia, fanatismo, obsessão... Pelo contrário! Isso é lucidez. Tenho aprendido que somente quando desistimos da religiosidade imposta, passamos a entender que isso sim, é estar pertinho de Deus. Mais que pertinho. Ligado. Conectado.

Nesse processo que é constante, sem fim, interminável, pela renovação da nossa mente, sendo transformados de glória em glória, não sentimos saudade do tempo de nossa meninice espiritual; seguimos em frente, deixando pra trás o que já não nos serve, desistindo das coisas de menino, esquecendo das coisas que para trás ficam, como diria Paulo em suas cartas.

Na verdadeira comunhão, há uma conexão sem fim, uma adoração reverente na nossa vida prática, nas nossas ações. É um 'estar' contínuo, independente de lugares físicos e sem que seja necessário nenhum ato ou palavra pré-estabelecida pela cartilha denominacional; não se trata de nenhuma obrigação ou momento programado como diz a música de Gil 'Se eu quiser falar com Deus "TENHO QUE'... Ora, não tenho QUE nada! É só falar com Deus e pronto. A alma é que tem que estar prostrada 24 horas por dia! Quem tem genuína intimidade com Deus tem comunhão ininterrupta, e O LOUVA de forma espontânea e sincera, sem as amarras da religião. E O LOUVA, não (apenas) com oração feita e cântico programado, mas no cotidiano, na prática, nas escolhas, no modo de ser, e pensar, e agir. É isso que honra a Deus e é disso que falo...

Por outro lado, há aquele momento, geralmente nas madrugadas, que Ele próprio nos acorda com alguém em mente, para orarmos por esse alguém. O mesmo Espírito Santo que ora por cada um de nós com gemidos inexprimíveis, nos acorda no meio da noite pra orarmos por alguém... E ainda nomeia a pessoa! Ele, o Espírito de Deus, especifica, claramente para qual pessoa devemos orar. Depois é que a gente vai saber quem e o porquê. E muitas vezes nem sabe, apenas cumpre. 'Mixxxxxxtério', como diz, brincando, um colega blogueiro. Mas é mesmo algo inexplicável! E assim é nosso Deus conosco. Apenas nos acalma o coração quando não entendemos algo. Pois, de fato, só entendemos 'em parte'...

Não deixemos nossos encontros sinceros de oração, mas não façamos da oração um simples hábito. Façamos, sim, dos nossos hábitos, uma oração.


TEXTO RELACIONADO:



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mãos ao alto, você está preso!


Um dia, andava normalmente em meu Caminho da vida, tranquilo, franco, sereno e galgando pouco a pouco os degraus que todos precisamos acessar para se achegar à Deus.

Sentia-me um pouco como Adão antes da queda. Cada dia era uma descoberta. Sons, odores, luzes... Tudo novo e pleno. Enquanto caminhava ouvia a voz de Deus que me admoestava, me guiava, me amava!

Era uma revelação linda e única. Éramos mais que amigos nos conhecendo, mais ainda que pai e filho. Tudo transcendia completamente das revelações simples e superficiais que mantemos aqui. A palavra que melhor define isso e que me vem à mente é: ‘surreal’!

Até que um dia, como Adão também fez, fui buscar uma ‘trilha’, ou ‘atalho’ no meio do Caminho que andava. Curioso como criança, fui atrás das trilhas que vira, envolvendo-me por lugares aparentemente diferentes, onde o cenário parecia menos vívido, opaco e um tanto morto também.

Até que uma figura como que humana, me aguardava numa esquina escura. Fingi que não o vi, afinal papai ensinou a não falar com estranhos. E esta figura agia mesmo com estranheza. Saltou em minha frente como num filme de Bruce Lee com algo nas mãos gritando: “Mãos ao alto!”

‘Um ladrão’, imaginei! Mas curiosamente, essa figura de gente, notadamente homem, não se vestia como bandido. Cabelo baixo, bem penteado para o lado e com gel, sem brilho molhado para não ficar ‘cheguei’!
Terno bem cortado num tom sóbrio entre o cinza e o chumbo. Barba feita, mas com bigodes, gravata de seda, sapato modelo italiano. Na verdade ele estava muito bem vestido.

Depois do choque inicial, notei que no lugar da ameaçadora arma em riste, existia na verdade um livro negro, com capa de couro legítimo, laterais em dourado, num tamanho suficientemente notável.

Disse-me a figura:
-Já mandei por as mãos pro alto!
-Por quê? Não fiz nada, nem tenho nada aqui comigo, senão meu Deus que levo no coração!
-Deus? Impossível!
-Por quê?
-Porque Deus anda com grandes homens... Líderes de povos, cabeças de grandes grupos, notáveis, vultosos!
-O senhor é?...
-Um pastor... E você está preso!
Tratou logo de por um par de algemas em meus pulsos e catequizar meu relacionamento com Deus. Disse que seria o melhor pra mim e que um dia, quem sabe até poderia agir como ele.

Nunca foi o que eu quis.
Queria orar pedindo ao meu Deus que me livrasse, mas minha oração teria que esperar, primeiro teria uma leitura devocional, depois ofertas, logo em seguida o balé com uma coreografia linda, a banda de música, o teatro e então veio o sermão com voz alta e imperativa.

Minhas algemas me apertavam até que alguém disse;
‘Agora curve sua cabeça numa breve oração silenciosa e logo após, abrace seu amigo do lado.

Mal curvei minha fronte e alguém com sorriso de comercial de crema dental abraçou-me forte... Nem orar podia!

Que pena, terei que esperar a próxima reunião, só assim poderei pedir...
LIBERDADE!

(Wendel Bernardes)


W.

Já vi esse filme sinistro (trash meio horror, meio comedia barata)

Também fui assaltada mas recuperei meus bens rssss

Com todo respeito e admiração pela análise tragicamente perfeita, eu só faria uma mudança na sequencia abaixo:

"...primeiro teria uma leitura devocional, depois ofertas, logo em seguida o balé com uma coreografia linda, a banda de música, o teatro e então veio o sermão com voz alta e imperativa".

Começaria assim:

Primeiro teria um teatro...

R.


domingo, 28 de outubro de 2012

Rispa, Jorge e Dolores

Rispa, concubina de Saul, o trai com Abner
Dolores, atriz pornográfica 'convertida ao evangelho'


Jorge da Capadócia


Paula Burlamaqui fez 'laboratório' em casa, com empregada evangélica. Assim como todos os outros personagens de novelas são inspirados em pessoas do cotidiano. A arte imita a vida. E não, o contrário. Mas o 'evangélico' é melindroso e se acha intocável... Só não dá é pra se fazer de surdo, cego e mudo e depois vir dizer que a personagem foi caricata. Quantas vezes constatei cenas idênticas quanto à forma da massa crental se comportar e falar dentro e fora dos átrios evangélicos! A moça desempenhou muito bem o seu papel de atriz indo, inclusive, assistir a alguns cultos. Então, paciência. Enquanto se dizia 'não é bem assim, ela está exagerando' se deveria dizer 'é bem assim e muito mais'.

Se bem que o fato de ser melindroso não é 'privilégio' dessa imensa fatia religiosa, pois bora ser sincera: esse lance de crença (crença, e não, fé) tem sempre aquele ranço segregador, hipocritamente travestido de liberdade de credo e expressão. Seja no espírita, no umbandista, no evangélico ou no católico. Gente que se faz de cabeça aberta, mas torce o pescoço aos que não são seus pares. Isso acontece até entre os que rezam o mesmo credo, mas que são de denominações diferentes. E nem preciso ir muito longe, pois tiro por mim mesma. Ré confessa, quantas vezes me flagrei...

Sinto-me bem à vontade para falar porque não faço bem o tipo da noveleira de carteirinha, como também não tenho nenhum problema em assistir, eventualmente. Não gosto da Record, por questão de qualidade técnica nem morro de amores pelos apelos fascinantes da Globo. Apenas me reservo ao direito de escolher minhas programações de TV, acionando um troço chamado controle remoto, e outro, de nome senso crítico.

O que eu acho muito estranho é esse desespero pelo medo do fogo do inferno que gerou esse boicote na rede. Sem ofensa, tá? Mas isso é coisa de crente infantilóide, na boa. Principalmente, porque ele não se liga que está sendo usado por líder religioso que quer desviar o foco para sua própria TV. Chega a ser hilário o paradoxo! Fugir do que lhe parece  eternidade no lago infernal e se deixar embalar por apelos de líder reacionário.  Como se aquelas madrugadas dessa TV não fossem bem mais sinistras botando no chinelo qualquer outra entidade. Pelo menos, estas, não se apresentam em nome de Jesus.

Além do mais, me estranha ainda esse pânico todo, como se fosse a primeira novela da Globo com foco em espiritismo, umbanda e até outras crenças alheias à nossa cultura, inclusive envolvendo ritos pagãos...

Muito engraçado também (se não fosse uma cegueira trágica) são os comentários pueris de preferência pela novela da Record, pelo fato do nome ser "Rei Davi', apenas porque se trata de um personagem bíblico. Como se este (o rei), realeza, súditos e plebeus do contexto da sua época, não tivessem  se comportado em toda sua existência, como qualquer mortal de qualquer época, com seus erros e acertos, carentes da mesmíssima misericórdia atemporal.

Sinceramente, que bobagem desses 'evangélicos'! É como eu comentei ali no facebook de um amigo. A alienação, resultante da insegurança, do medo religioso coletivo e pressão sutil da religiosidade, é tão grande e surtada, que gera essa pretensão da convocação, do julgamento e do terrorismo, como se todos os evangélicos fossem um bando de alienados e necessitassem dessa chamada. Por favor, mesmo considerando as inadequações gramaticais do antigo mote: me incluam fora dessa!

Por outro lado, se for pra ficar de rixinha e fazer questionamento raso (como esse do feriado católico em resposta ao boicote 'evangélico' afff), vai surgir tanto questionamento, que sai de baixo. Primeiro, que o Jorge da Capadócia (que não é lenda como muitos dizem), jamais imaginou que iriam canonizá-lo. Aliás, a grande ironia é que ele foi torturado e morto justamente por renegar a adoração a ídolos e confessar sua fidelidade a Cristo...

TEXTO CORRELATO:






sábado, 20 de outubro de 2012

Não acredito em templos




Uma vez perguntaram a Jesus onde era o lugar correto para se adorar a Deus. Quem fez essa pergunta foi uma mulher, samaritana, que não pertencia à "religião oficial" da época. Os judeus consideravam os samaritanos idólatras e impuros. Ela tão pouco teria, aos olhos dos moralistas, uma vida "santa" e "irrepreensível" para se aproximar e fazer tal questionamento ao Senhor, pois se tratava de uma mulher que já havia passado por cinco casamentos e o atual marido, bem... não era de fato marido dela. Um escândalo até mesmo para os discípulos de Jesus que achavam inapropriada aquela conversa.

A resposta de Jesus foi simples: sugerindo não se tratar do lugar físico/geográfico. A adoração a Deus deve ser pessoal, interior, espiritual e sincera.

A primeira coisa que salta aos olhos de quem lê o relato completo do Novo Testamento é que Jesus quebra muitos paradigmas, a começar por tirar da religião e do templo a exclusividade da mediação e do relacionamento com Deus. Nossa oração e adoração não dependem de um altar construído para serem ouvidas. O altar, o templo, o lugar de culto é o próprio coração.

A segunda coisa é que, diferentemente da tendência da religião de dizer quem é puro ou não, quem é mais especial, Deus não nos avalia por questões meramente morais ou sociais. Foi Jesus mesmo quem disse que prostitutas e corruptos poderiam ser mais dignos de entrar no Reino de Deus do que alguns que se consideram exclusivamente santos, mas vivem de forma hipócrita (Mateus 21.31).

O encontro com Deus é transformador, sim. E radical. Mas nem por isso acontece somente nos ambientes ou dias santificados pela igreja ou pelas religiões dos homens. Particularmente não acredito em templos ou em religiões como lugares e entidades sagrados em si mesmos. Acredito no Deus que não cabe dentro das religiões, não é totalmente explicado pela razão humana, ri dos tratados teológicos, não se detém nos limites impostos pelas tradições vazias. Ele conversa com ateus, pagãos e também faz amizade com quem é considerado "afastado de Deus". Deus é maior do que a própria Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Livros são confissões humanas, limitados, mas a Palavra de Deus é eterna e pode ser escrita até mesmo nos corações de quem não sabe ler, de quem não tem acesso ao papel.

O Deus apresentado por (e em) Jesus é o Deus que ama até as últimas consequências, que entende a aflição humana, se comunica multiformemente, que se compadece ao invés de condenar. É o Deus que tem mais prazer na reconciliação do que na condenação e não leva em conta o tempo da ignorância.

"Misericórdia quero" é o que Deus grita enquanto a religião vocifera "morte aos impuros".

Vejo uma multidão esquecida, adoecendo nos arredores da igreja. É gente que não encontrou abrigo, não foi acolhida, foi expulsa e considerada "fora dos padrões". Muitas vezes projetamos no outro o santo que não conseguimos ser e dizemos "enquanto você não se tornar como um de nós, não será aceito em nosso meio". Muitos, a partir desse ponto, decidem viver uma vida apenas de aparências, sem transformação real, simplesmente para serem "aceitos".

Nos esquecemos que quem santifica e transforma é Deus e não nossas imposições, arrogâncias e externalidades. É a caminhada, o dia a dia, que vai nos tratando, curando, limpando as feridas, trabalhando e completando a obra de Deus em nós. Não é no tempo que queremos, mas na compreensão e confiança de que quem opera tanto o querer como o realizar é Deus.

Neste sentido, até mesmo numa conversa de mesa de bar, Deus pode operar com graça, curar e inflamar corações cansados e sobrecarregados. Por que não? Os religiosos de hoje torcerão o nariz da mesma forma como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, quando o acusaram de andar com pecadores. Mas Deus trabalha sem se importar com o que falam. Enquanto uns ordenam, outros decretam e outros ainda profetizam suas impressões puramente carnais e humanas, o Senhor vai dando vista aos cegos e ouvidos aos surdos que estão fora dos domínios dos templos.

Nenhuma religião é dona de Deus. Nenhum sacerdote é detentor exclusivo da voz de Deus. Nada que não se pareça com o amor ou com o espírito de Jesus pode ser chamado de Evangelho ou Bíblico, ainda que dito e ordenado pelas grandes instituições religiosas. Pense nisso!

O Deus que ama e fala com pecadores te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!






sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O evangelho segundo os santos evangélicos





“O evangelho segundo os santos evangélicos”.


Eu li uma vez um ótimo livro, que o autor, um pastor renovado argentino, atribui muitas das práticas que temos hoje em dia na chamada ‘fé evangélica’ de “o evangelho segundo os santos evangélicos”.

Além de curioso o título é muito próprio. Temos realmente transformado o evangelho de Jesus segundo as nossas próprias carências humanas.

É só notarmos os sem número de modismos góspeis que surgem seguidamente engrossando a fila das heresias do evangelho segundo os santos evangélicos.
É unção sem fim proveitoso daqui,
Teologia da prosperidade dali,
Movimento de adoração a anjos dacolá e por aí vai...

E tem também as infindáveis invenções litúrgicas das denominações.
Alguns extremistas vivem um novo versículo bíblico inventado por eles mesmos que é “nada posso naquele que me fortalece”. Praia? Não pode! Televisão? Pecado! Liberdade? O quê que é isso mesmo?

Outros ainda judaízam a fé trazendo elementos rudimentares da religião hebraica aos costumes cristãos! Cada vez mais notamos menorás, arcas, shofares e bandeiras de Israel em nossos templos (Ou devo dizer sinagogas?).

Ainda há quem ache que quase tudo agregado ao evangelho não tem nada a ver.
Santidade? Nada a ver! Busca? Leitura da Palavra? Nada a ver, nada a ver!

É mesmo um momento difícil esse que vivemos como Igreja nesses tempos de fim.
O evangelho da cruz têm sido preterido em relação a quaisquer outras coisas.
Então o que fazer?

"SE voltares, ó Israel, diz o SENHOR, volta para Mim; e se tirares as tuas abominações de diante de Mim, não andarás mais vagueando," (Jeremias 4: 1)

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." (II Crônicas 7: 14)

Wendel Bernardes.

OBS.: A parte 'boa' da estupidez humana exposta na foto acima é que não é realizada 'em nome de Jesus'. R.F.

domingo, 30 de setembro de 2012

O maior milagre



Há algum tempo, uns dois meses, talvez, li uma notícia que me paralisou. Um homem de Camarões, país da África, conseguiu entrar num navio como clandestino, sem nem saber para qual destino.
Fiquei pensando nesse homem, que devia ter uma vida tão sem esperança, tão sem perspectiva, que decidiu se arriscar a qualquer coisa, em qualquer lugar do mundo, à procura de um futuro. Ele não escolheu para onde queria ir, desde que pudesse deixar para trás tudo o que tinha sido sua vida até aquele momento; devia ter suas razões. Mas esse é apenas o começo da história.
Danusa Leão.
Cotidiano
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Este é apenas o parágrafo inicial de um texto que trata da dramática situação do homem que foi cruelmente atirado ao mar. Eu posso até estar enganada com meu achismo pessoal mas arrisco dizer que esse papo de que alguém ‘devia ter suas razões’ para uma transgressão às leis internacionais é muito condescendente. A autora não arrisca julgar os motivos mas diz que ele procurava ‘um futuro’.  Ora, me poupe a dona Danusa, pois que futuro digno se espera ‘atirando-se’ a esmo? Razão, na acepção da palavra, foi o dispositivo menos acionado para essa empreitada. Certamente foi o desespero que o levou a tal desatino.
Bom, mas trazendo o tema para outra realidade mais próxima, na qual o 'clandestino' se aventura em mares interiores, eu analiso a situação da pessoa que extrapolou várias vezes - deu murro em ponta de faca várias vezes, chutou o pau da barraca várias vezes, perdeu as estribeiras várias vezes - como sendo uma fuga travestida de horrores externos mas, que é, na realidade, advinda de um tenebroso ‘si mesmo’. Um ‘si mesmo’ com direito a (supostos) algozes com suas próprias punições. Ambos miseráveis e em um só pacote, posto que na mesma mente: o que foge usando meios ilícitos para justificar seus fins e o que julga a causa com os próprios meios. 
O ‘marginalizado’, acreditando ter zerado sua culpa na fuga que virou mania de perseguição, coloca-se acima do bem e do mal, roubando a confiança de quem lhe abre incondicionalmente as portas da casa e do coração e novamente se põe em fuga de (suposta) perseguição mesmo sabendo-se perdoado.

Inevitavelmente vem à tona a miserabilidade do homem sob os dois polos: o da perseguição e o da fuga, ambas desenfreadas. Principalmente quando esta perseguição é fruto da própria imaginação, que de tão repetitiva, inverte as situações, causando conflito nas mentes dos espectadores que confundem a própria compaixão passando a enxergar essa pessoa como injustiçada, rejeitada, maltratada, desprezada.

Focalizando toda sua energia na pseudo-perseguição, bate com a cara na parede a cada investida inconsequente. Trata-se da velha resposta (consequências) aos próprios atos. Em uma eterna briga interior, onde as ‘armas’ são: uma profunda amargura resultante da intransigência obsessiva de quem se vê perseguido pelas próprias racionalizações interiores; e a terrível sensação provocada pelo círculo vicioso da insistente e frustrante fuga de si mesmo.
No caso do texto da Danusa, houve uma equipe justiceira e obsessiva transgredindo uma lei maior, a lei humanitária. Parafraseando-a, a falta de perspectiva e a solidão infinda, de fato, levaram essa personagem da minha história, ao desespero de mergulhar cegamente no mais íntimo e mais profundo mar revolto. Ou seja: trazendo para o chão da existência, o orgulho e a teimosia é que o afundam e o destroemEntão, por um fio de vida (dignidade humana) ele cai em si e reconhece que apenas um milagre poderá salvá-lo. Um milagre que nada tem a ver com oba oba e fogos de artifício. Um milagre silencioso e extremamente pessoal que lava e cura seu coração e sua mente. Um milagre que, definitivamente, transforma e neutraliza o seu maior inimigo: seu próprio coração. 

'Pequeno' detalhe: esse milagre está atrelado à própria disposição em despir-se do ‘eu’ teimoso, arrogante, orgulhoso, ressentido, recalcado. Eis o impasse!
E eis a parte boa: o milagre é o convite que Cristo faz e é de dentro para fora. Ele propõe que nos desarmemos, enquanto se oferece como ceia*, onde numa genuína mudança de hábitos e conceitos, passamos a ter, por meio d´Ele, uma vida de qualidade. Independente das circunstâncias. 
R.Rosa vermelha


Cristo promete 'cear' com aquele que abrir a porta para Ele.
Na tradição judaica, compartilhar de uma refeição com alguém era um símbolo de confiança, afeição, intimidade e lealdade.



TEXTOS CORRELATOS:

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

É Deus presente...



Sempre fui fascinada pela arte em todos os sentidos.
É Deus presente na canção, na poesia, na literatura, no teatro, no cinema, na 'telinha', na fotografia, na escultura, nos rabiscos do pintor...
E olhando essa imagem acima não tem como ficar apático.
Eu simplesmente me transporto...(Na versão mais lúcida!)

Não tenho a menor dúvida de que FONTE vem a inspiração que invadiu a pessoa que a ‘inventou’.
O mais curioso é que eu comentava há pouco com o Zé Luís no Facebook sobre isso sem entender que essa pessoa era ele mesmo. (Achava que ele apenas a havia copiado da internet).
Fiquei tão impressionada com o que a imagem representa que ele enviou-a para mim.

Que coisa mais interessante... 
Que alegria me invadiu ao absorver cada pedacinho dela. 
Que perfeição!
Evangelho puro.
O simbolismo da porta/cruz oferecendo-se para libertar-nos das prisões/paredes.  
O contraste das cores inertes da selva de pedra com o azul e o branco do infinito. 
O facho de luz/esperança que nos direciona e nos indica a entrada/saída.

E pensar que nosso amigo criou esse desenho a partir de um despretensioso rabisco em plena chatice de um culto de domingo. (Eu sempre suspeitei que ele fosse um herege rss)

Que coisa mais incrível poder constatar a todo instante que ‘O Vento sopra onde quer’, da maneira que quer. Como diz Paulo (o apóstolo) em uma epístola, ‘O Espírito é multiforme’.

Deus é maravilhoso e se revela da maneira mais desconcertante, desbancando o homem apavonado com suas convenções, regras e igrejismos.  

E (falando em pretensão rss) não sou diferente, pois cá estou eu tentando dizer o que já está dito, querendo que chova no que já está molhado... Afinal, é só se deixar absorver e pronto. Mas é que a felicidade é muito grande e eu não me contive.

A Ele, toda honra e toda glória!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Toda instituição faz mal?

(Igreja: fábrica de produzir robôs)






Passado o engano, as pessoas começam a cair na real. Então, surgem muitas e muitas perguntas: 

- O que faço? 

- Para que igreja eu vou? 

- Ainda existem igrejas boas? Onde elas estão?

Sim, ainda há boas igrejas e bons pastores. 

A maioria, todavia, existe na obscuridade em razão de que se negaram a entrar no “esquemão evangélico”, espaço no qual se criam os grandes Shows de Fé, porém, vazios do Evangelho.

Muitas dessas boas igrejas nem são “interessantes” como ajuntamento e nem sempre têm pastores “carismáticos”. Mas são honestas, sinceras, sérias, misericordiosas e capazes de lidar em amor e graça com a natureza humana.

Das chamadas igrejas grandes e institucionais que conheço no país, a mais aberta, sadia, amiga, sincera, pronta a acolher, bondosa, gentil, educada, e extremamente prática no trato da vida, é a Catedral Presbiteriana do Rio.

Para mim, a Catedral é uma prova de que uma comunidade pode ter história - muita história por sinal - e não se deixar matar pelo peso das tradições e nem se deixar engolfar pelo culto a si mesma.

No entanto, tudo depende da liderança. E, sem dúvida, o pastorado do Reverendo Guilhermino Cunha é a razão de que aquela igreja seja hoje um dos lugares mais sadios do país para se frequentar e criar os filhos.

Estou dizendo isto porque desejo deixar bem claro que não é a instituição que tem o poder de matar as coisas, mas sim o coração que se deixar fixar pelos limites da instituição, fazendo da existência dela um fim em si mesmo.

Uma instituição é sempre algo como o Sábado nas narrativas do Evangelho: pode ser dia de descanso ou pode ser dia de prisão e dia de juízo e morte. 

Tudo depende de como se vê as coisas.

Simplificando: nenhuma instituição tem o poder de fazer mal quando os homens não se deixam instituir como função engessada dentro da instituição.

Ora, assim como o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado, assim também a instituição existe para servir o homem, e não o homem à instituição.

Toda instituição que existe para servir aos homens é boa e útil. 

Porém, quando ela demanda que os homens existam para mantê-la e servi-la, então, ela se torna demoníaca e instrumento do congelamento das almas humanas.

Ou seja: uma instituição só tem poder maléfico se os homens a servirem como algo que é superior à vida e a existência dos indivíduos.

Quando é assim, até o Templo de Jerusalém vira morada de demônios e gera para a escravidão. 

Quem entende isso já andou mais da metade do caminho.

Extraído DAQUI


(Negritos meus-RF)



sábado, 1 de setembro de 2012

Reuniões em nome de Jesus...



Vai, e como creste te seja feito.(Mateus 8.13)

O mestre diz essas palavras a um homem que O deixou maravilhado com tamanha fé, ao ponto de Ele dizer não ter encontrado em todo o Israel a qualidade de fé que aquele homem tinha.  Isso porque, antes disso, a Graça salvadora em fé já havia encontrado abrigo em seu coração.

Quando queremos multidões ao nosso redor, seja para enganá-las, extorqui-las e ludibriá-las, ou para massagear nossos egos e as enchermos de teologias (a pior de todas é a sistemática), estamos indo contra Jesus.

Mas aí vem a pergunta:
Então, para que servem os encontros realizados em nome de Jesus?
Servem para que nós preguemos a Sua Santa Palavra, para que a fé venha pelo ouvir da pregação e a Graça alcance o coração e entendimento dos ouvintes. (Lembrando que a ausência do 'ouvir' em lugares determinados como 'santos' nem serve como justificativa para o desconhecimento da Palavra de Deus, pois todos nós, de uma forma ou de outra, temos acesso a ela nos dias atuais)

Por ser de Cafarnaun - cidade esta que Jesus transformara em seu QG - este centurião já tinha ouvido de Jesus a Palavra da Salvação e visto as inúmeras curas realizadas por Ele. Para um centurião - homem de poder – humilhar-se diante de um judeu (Jesus) em favor de um criado seu (nem ao menos filho era, para se ter uma ideia de como o coração daquele centurião estava cheio da Graça de Deus) só mesmo depois de um derramar da Graça que gera amor para com o próximo.

A Graça já o tinha alcançado. Tanto, que Jesus afirmou que  ... muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus - afirmação esta, antecipada pelas palavras em fé daquele centurião. Ele já cria pela fé em Jesus, discerniu o mundo espiritual (Mt 8:9) e praticava o segundo grande mandamento: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O que mais faltava a este homem? Estudar teologia? Se tornar apologeta ou exegeta? Ativista pró-família contra a suruba romana nos banhos termais?

Daí o fato daquele centurião não receber o ‘VEM E SEGUE-ME’ de Jesus, mas apenas o ‘VAI’, pois tudo o que aquele homem necessitava era continuar a colocar em prática o amor ao próximo.

É por essas e outras que cada vez mais me conscientizo de que pregar sobre a Graça não é algo atrelado a cerimonialismos não estando necessariamente institucionalizado nem agendado. O Espírito de Deus é soberano e livre para agir fora dos átrios religiosos - e até mesmo dentro rss – diria Jesus, em outras palavras e outro contexto, ao legalista Nicodemos.

É por essas e outras que eu não me neurotizo nem me impressiono quanto ao número de pessoas que participam de reuniões ou que lotam as igrejas, pois que fomos chamados simplesmente para evangelizar, e não, para formar uma enorme massa de manobra zumbificada.