"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Pausa...


Se me perguntarem o que é o tempo, eu não sei. Se não me perguntarem, eu sei.
(Agostinho)

sábado, 30 de junho de 2012

Mudam as palavras e não nos avisam


Sou discípulo dele e não da leitura que a religião faz dele e me diz como é que tem que ser'. 


As palavras estão em constante mudança de significado. Uma palavra que carrega um sentido hoje, não dirá a mesma coisa amanhã e eu posso dar algumas demonstrações simples do que estou dizendo.


A palavra "gato", por exemplo, há 100 anos se referia aos bichanos, felinos. Há 30 ou 40 anos já era usada para se referir a um homem bonito. Hoje se diz que "gato" é uma ligação clandestina numa rede elétrica e, amanhã ou depois, esta mesma palavra poderá ser utilizada para se referir a outra coisa que nem sabemos ainda. Isto é um ciclo interminável: as palavras sempre brincam de mudar de sinônimos. Se não percebermos o contexto no qual está sendo usada podemos incorrer em alguma confusão.



O mesmo acontece ao inverso, mantendo o significado mas com novas e diferentes palavras. Há algum tempo, nas comunidades de periferia do Rio, usava-se a palavra "sangue" (derivado de sangue bom) para se referir a alguém que era parceiro e em quem se podia confiar. Hoje a palavra substituta para parceiro/sangue é "braço" que faz referência à expressão "braço direito".



Uma palavra em um contexto pode ser entendida de forma completamente diferente em outro contexto. Nem sempre as pessoas conseguem se libertar das formas fechadas e entender que mais importante do que a palavra utilizada é o significado que ela carrega no momento, em contextos fora de sua realidade imediata.



Na religião este problema de significados é maior ainda. Parece que algumas instituições "santificam" determinadas palavras como se somente aquele determinado grupo de fonemas fosse o "correto", mas se esquecem que os significados se alteram com o tempo e, também, que algo pode ser dito ou explicado com outras palavras, mesmo que não façam parte daquele ambiente religioso.



Eu sou pastor em uma comunidade muito carente. Não é sempre que digo isso, mas eu sou pastor, sim. Na maioria das vezes, quando conheço novas pessoas, não falo imediatamente que sou pastor. Não é por vergonha do chamado espiritual. Muito pelo contrário. Mas porque esta palavrinha, atualmente, está muito distante e distorcida do que ela realmente significa. Só depois de alguma convivência e com mais tempo é que eu falo que sou pastor e o que REALMENTE um pastor faz ou deveria fazer.



Em primeiro lugar, um pastor não deveria ir para a televisão ou rádio pedir dinheiro e vender produtos, livros e CDs usando como apelo a fé das pessoas. Pastores não devem ser vistos como seres com poderes especiais e mais importantes para Deus do que qualquer outra pessoa, por menor e mais simples e até mesmo pecadora que seja. Pastores também erram, falham, são humanos, não estão acima do bem e do mal.



Pastores nem sempre são iletrados, ignorantes, presunçosos, arrogantes, superiores, donos da verdade, estrelas, distantes, egocêntricos, megalomaníacos e golpistas. Pastores nem sempre enganam os membros de suas comunidades e enriquecem com dinheiro dos dízimos e ofertas. Nem todos os pastores utilizam técnicas de autossugestão para fazer fiéis chorarem, se emocionarem, entrarem em transes de catarse coletiva e entregarem todo o dinheiro que têm. Mesmo que seja isso que apareça o tempo todo nas televisões.



Infelizmente, se alguém disser hoje que é pastor, será logo lembrado como aqueles homens de roupa branca, da televisão, expulsando demônios falsos e pedindo ofertas. Ou pior ainda: serão, invariavelmente, fora dos arraiais das igrejas, vistos como pessoas totalmente desconexas da realidade, quando não muito, tidos por neuróticos e até mesmo hipócritas por pregarem uma coisa na igreja e fazerem outra totalmente diferente fora dela.



Prefiro não ser chamado de pastor a ser associado a um destes modelos atuais de empresários da fé.



Outro dia um amigo me perguntou se na faculdade de teologia já se saía com a "cabeça moldada e fechada contra outras religiões". Eu disse que sim e também que não. Depende de quem sai e como sai da faculdade. Uma coisa é demonizar indiscriminadamente tudo o que não seja chamado de "bíblico" ou "evangélico", como se tudo o que não carregasse essas palavrinhas e fonemas fosse do diabo. O problema é que muita gente, a maioria, entra e sai da faculdade fazendo e pensando assim. Outra coisa, muito diferente, é ter o olhar da Graça de Deus mesmo para as coisas que aparentemente são antagônicas à fé cristã. Lembro sempre do exemplo do centurião romano que era provavelmente pagão e Jesus viu nele uma fé que nem em Jerusalém, a "cidade santa", ele encontrou.



Não defendo denominações, não brigo para dizer que minha religião e suas regras de fé e práticas são melhores do que outra. Nem mesmo ao cristianismo imputo a infalibilidade, porque sei que nenhuma instituição religiosa ou filosófica tem em si mesma resposta para salvação de ninguém.



Olho para Jesus e vejo nele o Pai, um Deus pessoal, que se relaciona comigo como sou, mesmo que eu não mereça tal cuidado dele. Simples assim. Longe de eu ter alcançado o status de "perfeito" ou "sabedor de toda a verdade", aprendo com ele na Bíblia. Sim, na Bíblia. Um pouco a cada dia. Sou discípulo dele e não da leitura que a religião faz dele e me diz como é que tem que ser. Livre da carga institucional, eu o vejo e o percebo no meu dia a dia, nas coisas mais simples e também mais complexas e importantes. Do culto que dirijo em minha comunidade ao encontro romântico que tenho com minha esposa ou uma reunião de negócios que eu tenha a tratar com algum cliente. Em tudo Deus está presente na minha vida.



Não creio num Deus esotérico, que somente seja compreendido por um grupo restrito de "iluminados". Não creio em um Deus onde só se tenha acesso através de algum ritual ou palavras apropriadas. Creio num Deus que fala comigo, mas também fala com o PHD em neurociências, com uma pessoa muito humilde e até mesmo uma criança.


Vou além: creio em um Deus que não precisa nem mesmo ser chamado pelo nome que as religiões dão a ele para ouvir o pedido sincero de um coração aflito por respostas. Não é por acaso que Jesus disse que muitos viriam do oriente e do ocidente (Mateus 8.11), até mesmo prostitutas e pecadores, tomariam lugar à mesa no Grande Dia, a frente daqueles que se consideram "santos" ou "exclusivamente salvos".


Outro aspecto incompreensível de Deus para as instituições religiosas é que Ele entende o coração, os sentimentos das pessoas, e não somente o que elas conseguem externar em palavras. Logo, alguém que não saiba identificar Deus exatamente como um cristão consegue, poderá se surpreender um dia com a Graça infinita do Deus que não leva em consideração o tempo de ignorância, mas vê a sinceridade e a verdade do coração que o busca até sem saber dizer seu nome. 



A salvação e o relacionamento com Deus não são exclusividade de alguma religião ou grupo de sacerdotes. Pertence ao Deus que é essencialmente amor.




O Deus que nos entende até sem palavras te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
(Negritos meus-RF)

sábado, 16 de junho de 2012

O verdadeiro discípulo de Jesus



Enquanto os ‘cristãos’ se incham envaidecidos, brigando, xingando, criticando e se rotulando de luteranos, anglicanos, arminianos, ortodoxos, heterodoxos, liberais, neoliberais, pentecostais, neopentecostais, fundamentalistas, católicos apostólicos romanos, anglocatólicos, renovados, calvinistas, protestantes, fransesconistas, paulinos... (Ufa!) O AUTOR DA VIDA diz:

- Nisto conhecerão todos que são meus discípulos: SE TIVERDES AMOR UNS COM OS OUTROS.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

TERAPIA



As pessoas são exatamente como os olhos do nosso coração as veem. Há um provérbio bíblico que diz: 'como imaginamos na alma, assim é a pessoa'. Isso significa que a impressão que temos de outra pessoa tem tudo a ver com o que vai no nosso coração. Nossos conceitos. Nossos valores. Nossos achismos. Nossa justiça própria.

Jesus nos diz que se nossos olhos forem bons, todo nosso corpo terá luz, mas se forem maus, todo nosso corpo será tenebroso.

A psicologia básica diz que o nosso achismo acerca do outro, é exatamente aquilo que somos e que não temos coragem (consciência) pra assumir que somos; ou humildade, pra reconhecer que aquilo de ruim que vemos no outro é também o que há em nós na sua forma mais mesquinha e dissimuladaAí apontamos no outro, condenando-o.

É por isso que uma boa psicoterapia leva a pessoa a conviver melhor com o outro. Porque ela passa, não exatamente a conhecer o outro, mas a conhecer a si mesma, tornando-se uma pessoa menos intolerante e mais acessível.

Entretanto, uma reconciliação genuína consigo mesma só começa a acontecer com uma disposição do próprio coração, e somente Deus coloca essa disposição no nosso coração. Ou seja: eu não teria o poder ou a capacidade, de olhar para os meus 'vacilos' e determinar: estou zerada, perdoada, pacificada comigo mesmo.

Muitas pessoas até bem intencionadas, costumam falar, equivocadamente:

- Você carrega muita culpa no peito, precisa se perdoar mais.

Somente por meio de Cristo o homem é reconciliado consigo mesmo. Para isso, há antes, um encontro pessoal com Deus que possibilita uma visão real do seu mais íntimo ser, onde ele cai em si descobrindo-se pobre, nu e miserável. É quando ele se reconcilia, primeiro, com Deus. Então, consciente de suas próprias deformidades e limitações, mas sabendo-se perdoado, ele segue no exercício da tolerância e da convivência pacífica consigo mesmo e com o outro. 

Essa terapia é infalível sendo ainda um processo constante. Para a vida inteira. Lembrando sempre que convivência pacífica não exclui conflito e divergência ocasional. Afinal, nossas relações são dinâmicas e sujeitas a sofrer altos e baixos. Então, enquanto os inevitáveis desgastes vão acontecendo, vamos nos despindo dos velhos vícios. A começar pela desistência do achismo acerca das deformidades do outro. 

Essa é a loucura da CURA. A Cura que impõe uma condição, como nos diz Jesus:

"PORQUE SE PERDOARDES AOS HOMENS AS SUAS OFENSAS, TAMBÉM VOSSO PAI CELESTIAL VOS PERDOARÁ; SE, PORÉM, NÃO PERDOARDES AOS HOMENS [AS SUAS OFENSAS], TAMPOUCO VOSSO PAI VOS PERDOARÁ AS VOSSAS OFENSAS". (Palavras de JESUS)

'SE tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça. o falar injuriosoSE abrires a tua alma ao faminto* e fartares a alma aflita, ENTÃO, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; Serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam'. (Grifos meus)

Essa é a OBEDIÊNCIA que promove a cura genuína. O mais é acréscimo doutrinário que, em vez de curar, adoece mais, posto que promove uma rasa espiritualidade e RE-alimenta a falsa piedade e a pseudo compaixão inerentes à velha e corrompida natureza humana.

RF.

*sentido metafórico.


E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; 
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
2Co 5.17



Leitura Complementar: SEM PERDÃO NÃO HÁ SALVAÇÃO




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Reciclando lixo...








Não tenho o HÁBITO de remexer em lixo, afinal lixo não apenas FEDE pra caramba como está REPLETO de bactérias que transmitem as mais diversas doenças. 


Mas eu tinha que confessar ao leitor que cometi um crime HOR-RÍ-VEL. Afirmei que ia deletar a postagem que gerou esse -->TEXTO... E não o fiz! Também confesso que foi por mera distração... (Considerando isso, será que a pena seria tão implacável quanto o autor da queixa?!)



Resultado: hoje (09.06.12), quando 'abro' minha caixa postal, me deparo com uma notificação do serviço de suporte do blog explicando que está redefinindo a bendita postagem para o status de 'rascunho'. 



"Se não fizéssemos isso, estaríamos sujeitos a uma ação judicial de violação de direitos autorais, independentemente de seus méritos". - diz a mensagem.



Sem conseguir enxergar onde está a violação de direitos autorais em fazer uma adaptação com respectivo link, fico MUITO MAIS INTRIGADA em ver que tudo isso foi desencadeado a partir de quem prega incoerências ditas cristãs. Pois o mais irônico e contraditório é que o texto fala do irrecusável convite de Jesus.



Bom, pelo que entendi na leitura clara e objetiva da mensagem do support@blogger.com, a pena implacável seria a exclusão do meu blog e encerramento da conta caso eu revertesse a condição de 'rascunho'.. (Ui! Será que eu ainda sobreviveria?!)



"Se soubermos que você publicou novamente a postagem sem remover o conteúdo/link em questão, iremos excluir sua postagem e considerar isso como uma violação de sua conta (...) incluindo a exclusão de seu blog e/ou o encerramento de sua conta". - encerra o texto da mensagem, dizendo sobre consultar advogado em caso de dúvida e finalizando com o indicador URL.



Ai, que meda!



E assim caminha a humanidade...


Voltei ao blog do pastor/advogado/filhonetobisnetogenroirmãotiosobrinhodeadvogado e, em reconstituição do crime, reli atentamente a postagem comparando-a com a minha adaptação... Ficando com a clara dedução de ter tocado profundamente na raiz da sua tola vaidade! (Perdão pela redundância, afinal toda vaidade é sempre uma grande tolice).



Mas também notei uma coisa curiosa por lá:



A exclusão espontânea da nota infantil e chamativa 'LIDA EM MAIS DE SESSENTA PAÍSES'. (Ora, que bobagem! É claro que finda por ser lido em diversos países já que se trata de 'www'). 



Sabe... Fico feliz com essa última exclusão feita lá. Que bom que blogando aqui e ali vamos aparando em nós mesmos, ainda que quase imperceptíveis, algumas arestas de vários nomes como vaidade, orgulho, boçalidade, arrogância e legalismo que só servem para realimentar a autoafirmação e levantar muros. 



Por fim, arriscando parafrasear o autor a partir do mesmo texto, a nossa 'sorte' é a misericórdia de Deus em buscar novamente o que já foi convertido. Ele sabe do nosso coração enganoso, de nossa fraqueza e, consequentemente, da facilidade de nos afastarmos Dele com as nossas medidas rígidas e intolerantes.



Parafrasear é crime?! rss


Se for, tragam as algemas, então. Algemadas as mãos, porém feliz com o enorme privilégio de convivência familiar com as mais variadas vocações/profissões que nos LIBERTAM a mente em meio às diferentes possibilidades... 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

NAS MÃOS DO ENTREVISTADOR




- Eu não leio jornal!

Foi o que disse em uma entrevista de emprego tempos atrás. Logo fui ‘fuzilado’ com o olhar do entrevistador, que, em seguida, deu o exemplo de um entrevistado anterior que respondeu essa pergunta como deveria ser respondida – em sua opinião, acredito – dizendo que lê todos os dias, sendo capaz de expor a cotação do Dólar e o preço do barril de petróleo.

Eu não me dou com o cheiro das folhas do tradicional tablóide, sua textura lacrimeja meus olhos, não consigo me acostumar. Em minha opinião o jornal impresso é lento e está sempre atrasado. Sou da máxima: “O jornal de hoje é o embrulho do peixe de amanhã”. Mas o principal disso tudo é que jornais são tendenciosos, político-partidários e engessados. Gosto de escolher meus próprios colunistas e escritores. Ler bons livros, sites e blogs. Comparar tele-jornais e comentaristas de rádio. Enfim, o velho periódico impresso não me atrai.

Foi determinante na bendita entrevista. Não deu tempo de me explicar. O entrevistador era arrogante e estressado. Sua opinião era lei e seus gostos a sua estratégia para seleção dos profissionais da empresa. Desconfio que, por conta da sua fraqueza nas avaliações, ele tenha deixado escorregar entre seus dedos bons candidatos.

Leio blogs sobre cultura, esportes (futebol e fórmula um são os meus preferidos), notícias do esporte no meu Estado, economia, blogs do cotidiano. Estes são alguns exemplos específicos, porém, eu leio os principais colunistas dos jornais locais e nacionais mais tradicionais pela internet, que são atualizados a cada cinco minutos, entre outros. Tenho todos os atalhos no meu computador.

Assisto, quando posso, telejornais nacionais e internacionais para aprender expressões técnicas em inglês e para reforçar a minha compreensão da língua; quando estou no trânsito sempre escuto rádios de notícias e gosto de ouvir emissoras da frequência AM com a velha e boa resenha diária do futebol.

Mas não me pergunte a cotação do dólar. Eu não sei. Nem o preço do barril de petróleo. Também não faço ideia. Posso até indicar alguns sites. Fiquei estigmatizado pelo entrevistador, na ocasião. Sua pergunta foi sobre o que eu gosto de ler quando pego em um jornal. Confesso que a minha resposta não foi das melhores naquele momento. Eu leio sim jornais! Não leio a gazeta diária impressa. Mas estou constantemente lendo o que há de novidade na internet sobre as diversas áreas, artigos, colunas e opiniões enquanto trabalho e estudo no computador. Costumeiramente ouço rádios e assisto telejornais.

Ficou a experiência de como responder aos entrevistadores rasos, limitados e mal preparados.

Leonardo Farias Rocha (meu filho)




Texto relacionado:

quinta-feira, 31 de maio de 2012

VOCÊ TEM EXPERIÊNCIA?





Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis
de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a
vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas..
Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú,
chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
'Qual sua experiência?' .
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência.. .experiência. ..
Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta
pergunta: Experiência? "Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?"
----------
No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência'A redação acima foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza ele será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

NÃO FURTARÁS - Parte II




Outra ocorrência do verbo ganav na Bíblia está relacionada à história de José. Ele foi vendido por seus irmãos a mercadores midianitas a caminho do Egito (Gn 37:27.28). Quando preso, diz ao seu companheiro de cela que havia sido 'roubado da terra dos hebreus...' (gn 40.15). Aqui, o que se diz é que José havia sido raptado.

Aliás, é exatamente isso que está expresso nesse versículo:

'O que raptar (= furtar) alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto' (Ex 21.16).

Pela Lei Mosaica (posterior a José), os irmãos de José seriam merecedores de morte por terem-no raptado e vendido.

Esse é também o sentido da palavra usada em 2Reis 11.2, quando Jeoseba sequestra Joás, filho de Acazias. Então, a mesma palavra furtar, do oitavo mandamento, é usada para se referir a roubo de pessoas, isto é, sequestro e rapto.

Assim, a palavra traduzida por 'furtar' (ganav) tem, no Antigo Testamento, o sentido de :

1- Furto de objetos inanimados (prata, ouro, dinheiro) e animados (boi, ovelha);
2- Engano;
3- Rapto de pessoas.

A questão é: qual ou quais desses sentidos deve ser aplicado ao oitavo mandamento? 

Ou, em outros termos: o que exatamente está sendo proibido no oitavo mandamento?


Se entendemos que os Dez Mandamentos é o resumo da Lei no Pentateuco e que em outras partes desta Lei o verbo furtar (ganav) se refere explicitamente a furto de objetos (Ex 22:1,7,12), engano e falsidade (Lv 19.11) e rapto de pessoas (Dt 24.7), supõe-se que o oitavo mandamento abranja todos esses sentidos.

Portanto, o oitavo mandamento proíbe não apenas o furto no sentido mais comum em nossa linguagem, mas também a mentira, a falsidade, o engano, a desonestidade e o sequestro.

O que percebemos é que roubo, furto, sequestro e engano não são problemas da sociedade moderna, tampouco da violência urbana. Milhares de anos atrás já havia leis específicas para várias situações, inclusive no contexto agrário e rural. A violência que ameaça os direitos individuais de um cidadão urbano moderno não é diferente daquela que ameaçava uma família nômade ou pastoril milhares de anos atrás.

Naquela época as pessoas precisavam ouvir e atentar para o mandamento: 'Não furtarás'. Infelizmente hoje não é diferente.

(Rev. William L. Lane)

Extraído do boletim nº 20/2012 - Igreja Episcopal Carismática



TEXTO RELACIONADO:

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vocação



Na época do vestibular, minha sobrinha resolveu optar pelo curso de Enfermagem. – Por que não Medicina?- foi a infalível pergunta de muitos parentes e amigos. Moça paciente, explicou que não queria ser médica, queria ser enfermeira. Formou-se com brilho, fez proveitoso e bem sucedido estágio e hoje trabalha em um grande hospital de São Paulo. Mas ainda tem, vez ou outra, de explicar por que não preferiu ser médica. 


Muita gente não leva a sério essa tal vocação. Ela levou. Poderia ter entrado, sim, no curso de Medicina: sua pontuação no vestibular deixou isso claro. Mas alguma coisa dentro dela deve ter-lhe dito: serei uma ótima enfermeira. E assim foi. Confesso que a admiro por ter seguido essa voz interior que nos chama para este caminho, e não para aquele. Poucas pessoas têm tal discernimento quanto ao que efetivamente querem ser. Em geral são desviadas dessa voz porque acabam cumprindo expectativas já prontas, mais convencionais. Calculam as vantagens pecuniárias ou relativas ao status, fazem contas, avaliam “objetivamente” as opções e acabam decidindo pelo que parece ser o mais óbvio. Mas se esquecem, justamente, da mais óbvia pergunta: - Serei feliz? É exatamente isso o que eu quero? Da falta desse fecundo momento de interrogação saem os profissionais burocráticos, sonolentos em seu ofício, vagamente conformados, que passam a levar a vida, me vez de vivê-la. 



Em meu último encontro com a sobrinha pude ver que ela está feliz. Faz exatamente o que gosta, leva a sério uma das mais exigentes profissões do mundo e se realiza a cada dia com ela. E vejam que atua numa especialidade das mais penosas: oncologia infantil. Desde seu estágio, envolveu-se com seus pequenos pacientes, por quem tem grande carinho. Tenho certeza que eles encontraram nela mais do que o apoio da profissional competente; veem-na, certamente, como aquela irmã mais velha e indispensável nas horas difíceis.


Quando nossa vocação real é atendida, o trabalho não enfada, não pesa como uma maldição. Cansativo que seja, sentimos que estamos no ofício que é nosso, que nos ocupamos com algo que nos diz respeito e que, em larga medida, nos define como sujeitos. Não é pouco; é quase tudo. É o que parece dizer o olhar franco, aberto e feliz dessa jovem enfermeira. Ela não trabalha “para”atingir algum objetivo, não trabalha “para viver”, “para” ganhar a vida. Trabalhando, ela já “é”. E isso não é invejável? 



(Valentino Rodrigues)


quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Segredo do Raul




Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente. Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul. Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.  Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim. Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase. Deu no que deu.

O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas. No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era o chefe do Pena? O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.

Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito. Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta. E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer. Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente.

Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: 'Qualquer um pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'. Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.

'Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.'

Amigos: vocês já devem ter cruzado com pessoas assim, mas prestem atenção, eles realmente não fazem questão de serem notados...

(Max Gehringer)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

NÃO FURTARÁS




Quando lemos o oitavo mandamento - NÃO FURTARÁS - precisamos perguntar:

- Qual o significado deste mandamento?

- Será que ele proíbe apenas o furto, ou seja, o ato de apoderar-se de algo às escondidas?

Ao considerarmos o uso da palavra hebraica ganav, traduzida para o português como furtar, percebemos que ela é usada várias vezes e com significados diferentes.

A primeira vez que a palavra ganav aparece no Antigo Testamento é em Gênesis no acordo entre Jacó e Labão sobre as ovelhas salpicadas e negras, relatado em 30.33. 

Em Gn 31.20,26 e 27, ganav é usada com outro sentido.

A Edição Revista e Atualizada [RA] a traduz por lograr, e a Bíblia na Linguagem de Hoje [BLH], por enganar.

A expressão literal é 'furtar o coração'.

O versículo diz:

"E Jacó logrou a Labão [ = furtou o coração de Labão], o arameu, não lhe dando a saber que fugia". (Gn 31.20)

Portanto, furtar o coração é enganar.

Este é, também, sem dúvida, o sentido de furtar neste versículo:

"Não furtareis [= não enganareis], nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo". (Lv 19.11).

Porém, o alvo mais comum do furto são os objetos materiais, como a prata e o ouro (Gn 44.8), e os animais, como bois e ovelhas (Ex 22.1).

Ao sair de casa, Raquel 'furtou os ídolos do lar que pertenciam a seu pai' (Gn 31. 19,30,31). Esses objetos tinham valor não apenas pelo aspecto sagrado, mas representavam também a transmissão da herança. Ao tomar posse desses ídolos, Raquel estava garantindo o seu direito à herança. Mas também se refere ao dinheiro e outros bens (Ex 22.7,12).

Há também pelo menos um caso em que esse engano diz respeito ao anúncio da mensagem de Deus. Por intermédio de Jeremias, Deus condena aqueles profetas que proclamavam seus próprios sonhos e visões como sendo Palavra de Deus:

"Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro". (Jr 23.30)

A propósito, esse é um dos grandes males da igreja evangélica hoje. Muitos estão dizendo:

"Deus disse" ou "Deus me revelou" para controlar a vida de outras pessoas e manipular as massas, sem saber (?!) que tudo não passa de um engano ou furto da Palavra de Deus.


Rev. William L. Lane - pastor presbiteriano, 
professor de hebraico e diretor do Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas- SP.

(Extraído do Boletim Nº 19/2012 - IECB, Recife, 20 de maio de 2012)

Negritos, (?!) e sublinhados meus - RF




Leitura relacionada:

domingo, 20 de maio de 2012

O Novo Ser começa no olhar




Existe uma lenda urbana que fala sobre o início das vendas de sapato na Índia. Uma grande indústria de calçados, querendo encontrar novos mercados internacionais, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, enviou dois dos seus melhores representantes para a Índia. Um para cada parte do país.

Sem que se falassem a respeito de suas impressões, os dois enviaram seus relatórios para a sede da companhia.

O primeiro, ao final do seu relatório, pedia para que a indústria abandonasse a ideia de vender sapatos na Índia e continuasse a pesquisar outros mercados porque ninguém usava sapatos naquele país.

O segundo enviou um relatório animadíssimo dizendo para a fábrica triplicar sua produção, investir num parque industrial maior, contratar mais funcionários e enviar mais vendedores para aquele país imediatamente, porque eles estavam diante da possibilidade de conquistar o maior mercado de sapatos do mundo, a Índia, onde ninguém usava sapatos ainda e eles seriam os primeiros a chegar.


Falamos tanto sobre transformação, mudança de vida, ânimo para vencer, mas nem sempre nos damos conta de que a transformação, de verdade, começa na forma como olhamos para dentro e fora de nós mesmos.

O novo jeito de olhar cura doenças incuráveis, aquelas que habitam dentro da alma. Mesmo que a doença física, por alguma razão, não deixe de existir, o olhar iluminado transforma a experiência mais dolorosa do mundo num grande aprendizado para a vida, mesmo que o seu fim seja encarar resignadamente a morte ou a perda.

Jesus fala sobre a necessidade dos nossos olhos serem bons e brilharem. Ele diz que se os nossos olhos forem trevas ou se olharmos de forma errada para as circunstâncias, todo o nosso ser interior será uma grande escuridão sem fim (Mateus 6). E o que aprendemos com isso?

Não se trata de pensamento positivo, de entusiasmo vazio ou negação da realidade. Pelo contrário, este novo olhar descortina a verdade, encara o bicho da existência e dos problemas de frente. Dá nomes aos bois. Ele se descobre sabedor de que todas as coisas cooperam (sempre) para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito que nem sempre nos é declarado objetivamente, mas que a infinita sabedoria sabe conduzir de forma magistral.

Quando nos descobrimos amados, supridos e guardados por quem é maior do que a vida e a morte, a alma ganha fôlego para continuar de pé e crendo muito além das coisas que se veem.

O salmo 23, por exemplo, fala a respeito de alguém que anda solitariamente por um lugar chamado "vale da sombra da morte", mas que não tem medo de estar ali porque sente a presença cuidadora de quem é infinitamente mais poderoso do que aquele lugar tenebroso.

Vejo muitas comunidades religiosas adoecerem o olhar das pessoas. Paradoxo, não? O lugar onde deveria ser um ambiente de crescimento espiritual, alegria, liberdade e amadurecimento acaba se tornando a antítese dele mesmo. É gente que deveria aprender a amar ao invés de odiar, perdoar ao invés de condenar, mandar para o céu ao invés de tentar mandar todo mundo para o inferno. Mas vivem o eterno peso do medo, da angústia de ser atropelado pela vida se andarem fora daquele ambiente. E vão se tornando cada vez mais cegos, com o olhar adoecido.

Tais pessoas creem na religião, no pastor, no padre, no sacerdote, na campanha, na oferenda, no guia, na cartomante, nas runas, nas cabalas, nos horóscopos como se estivessem crendo em Deus, mas de fato, sem saberem, não estão crendo Nele. Chamam estas coisas de "deus", mas centralizaram sua fé enganosamente nas suas próprias forças e, assim, se afastam de Deus.

A arrogância, a presunção e a autossuficiência pertencem ao grupo daqueles sentimentos que escurecem o olhar e embrutecem os sentimentos. Mas não precisa ser assim.

A verdadeira fé diz respeito a crer para o alto, para a Vida além desta vida, para a liberdade de crer se sabendo amado imerecidamente. Sem precisar se valer de mapas, de guias humanos ou "atravessadores da fé". A verdadeira fé é mediada pelo novo olhar provocado pela mente de Cristo que vai sendo formada em nós a cada dia, como um sol que vai nascendo e iluminando o nosso interior.

A verdadeira fé nos abre o ousado caminho de chamar Deus de amigo, de paizinho. De olhar para Ele não como quem olha para um patrão ameaçador e sempre mal humorado, mas olhar para Deus como quem caminha ao nosso lado e nos dá a mão quando o caminho é escuro demais.

É uma atitude primariamente espiritual e não somente intelectual.


O Deus que vê com amor e graça e nos ensina a olhar assim também te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
 

(Grifos meus-RF)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fragmentos...




Eu nunca fui uma moça bem-comportada.

Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.

Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta.

Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra.

A palavra é meu inferno e minha paz.

Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.

Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.

Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.

Por isso, não me venha com meios-termos,com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...

Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis,em alegrias explosivas, em olhares faiscantes,em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.

Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.

Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.

Eu acredito em profundidades.

E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.

São eles que me dão a dimensão do que sou.

(Clarice Lispector)

A hora é agora


Pedro Bial filosofando 'instagram' 1h atrás...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Neurose religiosa


Cada um se vista como bem entender,
só não use a performance como medida de santidade

Eis um exemplo simples e básico dos reflexos da neurose religiosa na vida cotidiana que simplesmente cega:

Estava eu conversando com algumas pessoas queridas em uma residência. Ou seja, não era nenhum lugar público nem se tratava de encontro formal em local estranho; pelo contrário, era um ambiente bem familiar, onde se fala com naturalidade e se mostra um pouco do que se pensa... E se revela a alma!
A certa altura, uma religiosa - sim, porque religiosa é uma coisa, crente é outra e discípula de Jesus é outra coisa mais diferente ainda – tirou o spencer de manguinha bem curta que vestia por cima de um clássico vestido de manga cavada, perfeitamente decente, na altura do joelho, para personal stylist nenhum botar defeito.
Conversa vai, conversa vem, em meio a risadas e papo totalmente descontraído entre pessoas inteligentes e bem informadas jogando a velha conversa fora... Alguns minutos depois a do spencer muda a expressão facial, fica séria e resolve vesti-lo, dizendo com um sorriso amarelo e nem um pouco convincente:
- Tá meio quente aqui, mas o calor do inferno é maior, deixa eu colocar de volta o meu casaco.
Minha surpresa diante daquele ‘argumento’ foi tão grande que eu fiquei sem ação. Apenas ri, balançando a cabeça, como que dizendo pra mim mesma: ‘não, eu não ouvi isso’. E em seguida a constatação cruel: pobre alienada, apenas repete o que ouve do dirigente espiritual...

Essa mesma pessoa, em outro momento não muito distante - fazendo uma analogia com alguns acontecimentos em sua vida - havia dado um enfoque nervoso e aflito numa passagem em que, supostamente, Jesus repreende Pedro por causa de sua ‘pequena fé’. (Mt 14:22.33) Ela disse que 'aquela palavra' Deus enviara para ela como repreensão.

E eu confesso que não sei dizer com qual evento eu fiquei mais escandalizada: se com o do spencer ou o da suposta repreeensão divina. É intrigante como a religiosidade do medo e da coação, de tão arraigada em sua alma, não lhe permitiu enxergar o que estava escrito ANTES de Jesus falar acerca da ‘pequena fé’ de Pedro.
Mas dessa vez eu me pronunciei. Afinal, se tem uma coisa que eu levo a sério pra valer, é quando alguém me diz que Jesus disse isso e aquilo. E não deu outra. Corri para conferir e ler em voz alta todo o texto detendo-me no versículo 31:
E, prontamente, Jesus estendeu a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, por que duvidaste?
Então olhei bem nos seus olhos angustiados e perguntei: cadê o Jesus turrão e questionador? O que eu estou vendo, em primeiro plano, é um Jesus cuidadoso:

E, prontamente, Jesus estendeu a mão.

A minha perplexidade era perceber que ela não conseguia enxergar duas colocações inquestionáveis acerca do amor prático e lúcido de Jesus:
‘PRONTAMENTE ’ e ‘ESTENDEU A MÃO’.

Ou seja: a inflexibilidade da crença no Deus turrão só lhe permitiu captar a pergunta que - aos olhos dela - era uma crítica acirrada; o deus sádico a empurra para o inferno por causa de alguns centímetros de pano 'faltando' em seus ombros; afinal, a mão do deus religioso é implacável, rancorosa e vingativa; este é o mesmo  deus da religião inflexível e cheia de regras que a impediu de enxergar o Deus do amor e da misericórdia que PRIMEIRO estende a mão; e que, em segundo plano, leva você a refletir sobre sua confiança Nele. (Relacionamento pessoal. E não, coletivo, igrejista ou por intermédio de dirigente reacionário)

O deus da religião não deixa você enxergar a disponibilidade incondicional de um Jesus extremamente amoroso, ainda que percebendo a nossa instabilidade e a de um certo apóstolo chamado Pedro ao ir de um extremo a outro da fé, em curtíssimo espaço de tempo.

Esses dois exemplos são apenas pequenos fragmentos do universo religioso que eu presencio constantemente. Assusta-me, pois percebo como uma neurose que vai fixando-se nas mentes cada vez mais aprisionadas e adoecidas pela CRENÇA em exterioridades. Uma crença - e não fé - que tem o atrevimento de traçar o perfil do próprio Pai. Crença que tem o desplante de dar limite ao AMOR, usando e abusando de versículos soltos, armando-se assim na vida cotidiana, do mesmo juízo próprio e da tacanha justiça pessoal que ousou mensurar o amor de Deus. Sim, crença, que tem a ver com religiosidade que maltrata e mata e não com o Evangelho que cura e salva.

O Cristão





Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos.
Ele sente um amor supremo por Alguém que ele nunca viu.
Conversa familiarmente todos os dias com Alguém que não pode ver.

Espera ir para o céu pelos méritos de Outro.
Esvazia-se para que possa estar cheio.

Admite estar errado para que possa ser declarado certo.
Desce para que possa ir para o alto.

É mais forte quando é mais fraco.
É mais rico quando é mais pobre.
Mais feliz quando se sente o pior.

Ele morre para que possa viver.
Renuncia para que possa ter.
Doa para que possa manter.

Vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento.

(A. W. Tozer)