"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Da inutilidade do conceito de ortodoxia



Já passou o tempo em que uma posição doutrinária era uma questão de vida ou morte. Este foi o caso de Atanásio, bispo de Alexandria no século IV, que foi submetido a torturas, exílios e perseguições de todos os tipos por defender a dupla natureza de Cristo contra os arianos. Em nossos dias as discussões teológicas são feitas em amplos gabinetes, tomam como ponto de partida a "superior revelação anglo-saxã" que desemboca nesta "terrae brasilis" por meio de massudas traduções, distribuídas em todo território nacional e prendem-se às filigranas de questões exegéticas, que se decidem, via de regra, pela redução a um alinhamento de natureza mais ideológica, que propriamente teológica. É fácil notar como os progressistas são politicamente de esquerda e os conservadores são alinhados com a direita política. Em outras palavras, as teses bíblicas não passam de pretextos para embates de cosmovisões e de ideais de organização social.

Neste ambiente, algumas expressões perderam completamente o seu significado. Uma delas é o vocábulo "ortodoxia". O termo é de origem grega e é composto pelo prefixo "ortós", que significa "correto" e "doxa", que é "opinião" ou "crença". Assim, ortodoxia seria a correta crença acerca de algo. No ambiente cristão, a expressão designa a virtude daqueles que não se deixaram levar por heresias e ensinos que distorcem a verdade do Evangelho de Cristo Jesus. Em tese, é um conceito maravilho ao qual eu desejo me aferrar com todas as minhas forças. O problema é que ele é de natureza analógica, ou seja, só é possível mensurar algo como "correto" se soubermos ao certo o que é "reto". Aí reside uma dificuldade crítica. Cada grupo denominacional tem a sua própria ortodoxia: calvinistas, arminianos, pentecostais, fundamentalistas. Todos partem de uma teologia sistemática sua para aferir às demais, que neste caso não poderiam ser chamadas senão de "heterodoxias", que em grego significa "outras crenças" ou "crenças diferentes".

Isto já seria suficiente para afirmarmos que ortodoxia é, em última análise, uma ideia narcisista, que premia com tal rótulo "os que pensam como eu", seja lá quem for este "eu". Contudo, o mais grave é que não podemos falar de um calvinismo, um arminianismo, um pentecostalismo etc. Há várias subdivisões teológicas no interior destas grandes tradições. Por exemplo, o calvinismo de Calvino não é igual ao dos Hodges, que pontificaram em Princeton na segunda metade do século XIX. Estes jamais poderiam admitir Jesus indo em espírito ao inferno para ser fustigado pelo diabo, no período entre a sua morte e ressurreição, como faz Calvino nas Institutas. Quem estudou em uma seminário presbiteriano nos anos 70 e no início dos 80, sabe que a escatologia ensinada era Premilenista e que no final da década de 80 ela se tornou Amilenista. É a questão da ortodoxia da moda, no tempo e lugar em que se está.

Contudo, o que mais me incomoda e que me motivou a escrever este pequeno artigo, é o fato de que toda a discussão de natureza teológica que se trava há muitos anos e consome a melhor das energias de nossos jovens pensadores, nada ou muito pouco diz a respeito do verdadeiro desafio do Evangelho, que é viver como Jesus viveu e ensinou. Foi Ele quem nos advertiu, em vários momentos, que o que se diz em nada se compara com o modo como se vive, apenas este último interessa a Deus (a parábola dos dois filhos, das casas edificadas sobre dois fundamentos etc). Queria que hoje os nossos seminários fossem plantados no meio das favelas e entre as populações em situação de risco, porque é entre eles que o nosso Mestre seria encontrado e é ali que o maior desafio intelectual se nos apresenta: como falar do amor de Deus em um mundo em que as pessoas só encontram o descaso dos homens?

Paz e Bem!

Martorelli Dantas (By Facebook)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

FOFOCA



Quando não somos prudentes nas nossas colocações e perdemos o controle (domínio próprio) permitimos que emoções ruins influenciem nas nossas críticas. Então, nos deixamos levar por sentimentos mesquinhos e irresponsáveis, transformando o assunto em FOFOCA, que não apenas desagrada profundamente a Deus, como também coloca em risco nossa liberdade como cidadãos.

A FOFOCA começa no atrevimento de se misturar assuntos gerais com conversas de natureza íntima e pessoal, com o intento capcioso de tornar sensacionalista, no claro intuito de difamar e estragar a reputação e a dignidade de alguém.

A Constituição do nosso país é firme quanto a DIFAMAÇÃO e INJÚRIA, estabelecendo penalidades nos artigos 139 e 140 do Código Penal vigente.

A PALAVRA DE DEUS lista os fofoqueiros ao lado dos inimigos de Deus, dos desleais, dos insolentes e dos homicidas. (Rm 1:28.32)

Lembrando que Deus condena igualmente quem assim age e também quem aprova esse tipo de atitude!

A Bíblia é clara quanto aos PREJUÍZOS (Pv 11.13 – 16.28 – 18:6.8 – 26.20) e também quanto às CONSEQUÊNCIAS da fofoca e da maledicência (Sl 101.5 – Pv 8.13 – 17.9).

Espalhar mentiras e também sair contando fatos parcial ou inteiramente verdadeiros da vida pessoal de alguém pode também atrair a ira de Deus. Assim como dar ouvidos a boatos ser tão ruim quanto o ato de espalhar palavras perversas. (Pv 17.4)

A carta de Tiago dedica um capítulo inteirinho (3) sobre o pecado da língua e o dever de refrear esse pecado.

A FALA é uma espécie de barômetro da espiritualidade, por revelar o conteúdo do coração. Ou seja: quem é enganoso e inconstante para com Deus em seu coração também será enganoso e inconstante em SUA FALA.

Tiago aponta a língua como um instrumento do mal ou um condutor de bênçãos, dependendo se ela está, ou não, envolvida pelo Espírito de Deus.

Jesus nos ensina que não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai dela, posto que a FONTE de TODA a impureza de um homem está no seu CORAÇÃO. (Marcos 7) Pois a boca fala do que o coração está cheio – Palavras de Jesus, dentro de um contexto onde Ele aponta que se conhece uma boa árvore pelos seus frutos! (Mt 12.34b)

O livro de Provérbios nos diz, no capítulo 6, dos versos 16 a 19, que SEIS coisas aborrecem o SENHOR, e, a sétima, ELE ABOMINA!

1. Olhos altivos
2. Língua mentirosa
3. Mãos que derramam sangue inocente
4. Coração que trama projetos iníquos
5. Pés que se apressam a correr para o mal
6. Testemunha falsa que profere mentiras
7. E O QUE SEMEIA CONTENDA ENTRE IRMÃOS.

A propósito, vamos esclarecer isso aqui, de uma vez por todas: não podemos mais ser infantis e sair por aí confundindo a expressão ‘CONTENDA’, transformando isso em ‘ponto de doutrina’, ou, pior, premissa de salvação. Sejamos sensatos e maduros ao analisar o sentido de contenda dentro de cada contexto; mais precisamente, o que nos disse Paulo sobre isso. Ora, apontar equívocos feitos em nome de Deus, jamais foi condenado por Paulo, uma vez que ele mesmo foi alvo de muitas contendas nas quais esteve presente e atuante, justamente nesse sentido. Ele não fugiu de nenhuma delas. Foi ridicularizado de todas as formas e sempre se manteve coerente com o Evangelho; rebatendo no Espírito e com a veemência típica de seu temperamento, toda sorte de equívoco doutrinário; fosse pessoalmente ou por carta.

Não confundamos mais, por favor, sob risco de ser posto à prova o nosso quociente de inteligência. A contenda (discussão) no âmbito da arenga pessoal, esta sim, é vista por Paulo, não apenas como desperdício de tempo, mas ainda como algo não proveitoso. E mesmo assim, ele não saiu ‘condenando’ ninguém por isso e, tão somente, disciplinando, chamando à atenção, levando as pessoas à reflexão. Caso concreto está no conflito entre duas de suas cooperadoras no Evangelho (Fp 4), cujas personalidades marcantes estavam interferindo na harmonia e bem estar daquela comunidade que ora surgia.

E levando para o lado pessoal, então… Aí é que a coisa fica mais séria e grave!

E, tratando-se de FOFOCA…


"O conflito é inevitável nos relacionamentos interpessoais. É humanamente impossível viver em total harmonia com os outros o tempo todo. Por isso, a bíblia trata desse assunto de diversas maneiras: Jesus ensina como deve resolver as discussões, Paulo resolveu sua contenda com Marcos e João advertiu os cristãos a não ter ódio uns dos outros. 

A fofoca não é, JAMAIS, um ato de bondade. Ela diminui a pessoa pela qual se fala. Ela degrada o cristão que a pratica. Ela serve de TENTAÇÃO e de ARMADILHA para o ouvinte que PARTICIPA dessa maldade". (Adaptado – A Bíblia da Mulher- SBB – Ed. Mundo Cristão).

Outro dia vi uma imagem numa rede social com os seguintes dizeres:

"FUJA DA MALEDICÊNCIA. O LODO AGITADO ATINGE A QUEM O REVOLVE".

Comentário feito AQUI