"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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domingo, 25 de dezembro de 2011

Então é NATAL...

Alguns grupos evangélicos divulgam essa data comemorativa como algo oriundo do paganismo. As razões alegadas são as mais diversas: sua origem está ligada ao culto pagão ao deus Mitra, que a data real do nascimento não é essa, que 25 de dezembro está incorreta e ligada a cultos pagãos, que a árvore de natal é originária de Babilônia, que não existem referências bíblicas que justifiquem tal celebração...

Enfim: os adeptos da Teologia Conspiracionista expõem uma galeria de argumentos de aparência piedosa. Mas eles resistem a um contra argumento simples?

1) “Jesus não nasceu em 25 de dezembro”.
Provavelmente não. Mas a legitimidade do Natal não exige essa exatidão, já que a celebração comemora a encarnação de Deus entre os homens, assim como não existe unanimidade na exata idade em que foi crucificado, ou até, no ano em que nasceu.

Convencionar uma data não torna a celebração pagã, já que mesmo a Páscoa tem a data alterada a cada ano. Muitos não têm ideia da dimensão do milagre ocorrido quando a data é celebrada, já que o criador dos Universos dos Universos se fez um pequeno bebê nas poeirentas terras do Oriente Médio de 2000 anos atrás. A data escolhida por Ele só teria real importância para aqueles que querem fazer mapa astral, com seus ascendentes e descendentes.

2) “25 de dezembro era a data romana onde se comemorava a adoração ao Sol Invictus”.
Fato: a partir do momento que Roma experimenta a conversão ao Evangelho, as homenagens antes feitas ao sol, agora são direcionadas a Jesus. A associação do Messias a um brilho que ofuscava o próprio Sol tornou-se uma ideia cada vez mais aceita entre os novos convertidos, já que a crença local não o via apenas como ser iluminado, mas autor, inclusive, da própria luz.

Imaginemos – minha fé hoje não é tão grande assim – que os brasileiros se convertessem a ponto do Carnaval não ser mais uma festa aceita, e se transformasse numa celebração ao Espírito. Haveria algum tipo de problema com a conversão dessa data atualmente tão nociva?

3) “A árvore de Natal descende da antiga Babilônia, desde tempos de Ninrode...”

O detalhe - mesmo se essa informação for constatada como verdadeira - é que uma coisa não invalida a outra, já que a árvore não é um simbolo exclusivo desse culto pagão. Se, em alguma longínqua tribo de 10.000 anos atrás, nômades cultuavam deuses pagãos como Astarote, Moloque ou Baal, hoje o simbolismo poderia ligá-la à Árvore da Vida.

O pinheiro mantém suas folhas verdes, mesmo no mais duro inverno ou na mais extenuante seca, sempre apontando para o alto, reta, em direção ao céu.

Se para o pagão, o Domingo é o Dia do Sol (Sunday), para o cristão é o Dia do Senhor. Se para o movimento GLBT, o arco-íris é o símbolo deles, para nós é o sinal da aliança entre Deus e a terra (Gn 9.13). Simbolismos variam de grupos para grupos.

4) “A Bíblia não prescreve essa comemoração”.

A igreja é, por excelência, um lugar de celebração. Nela celebramos o culto a Deus, mas também celebramos as ações de graças, nascimento dos filhos, o casamento, as bodas de ouro de nossos pais, os 15 anos da filha, o aniversário da igreja, o aniversário de seus membros. Porque então ela não celebraria o maior evento de todos, que é a Encarnação do Verbo? Muitos que são contrários ao natal, deveriam ser coerentes e nem se lembrar do aniversário da esposa. Aí eu quero ver!

Detalhe: as igrejas contrárias ao Natal fazem grandes festas celebrando o próprio aniversário.

5) “Trocar presentes é invencionice do Natal”

No passado, o povo de Deus separava um mês do ano para fazerem banquetes e trocarem presentes uns com os outros (Ester 9.22-23).

6) “O Natal foi comemorado a primeira vez somente no ano 356”.

Engano: o 1º Natal foi comemorado junto às campinas onde um grande coral de anjos louvou: “Glória a Deus nas maiores alturas....”

7) “Não é bíblico”

Se nas igrejas não há nenhum impedimento de se realizar cultos temáticos alusivos ao Pentecostes, à Páscoa, à Paixão, por que não realizar cultos alusivos ao nascimento de Jesus num determinado mês do ano? Se em maio as igrejas fazem cultos alusivos à Família, porque em dezembro – ou qualquer outro mês - não pode fazer alusivo ao Nascimento de Jesus, que é um tema bíblico tão detalhadamente narrado pelos evangelhos?

8)É uma data apenas para o consumismo.

Quando eu não conhecia a Cristo, a data que mais me aproximava Dele – ou onde mais se falava desse Nome – era o Natal. Como cristão praticante, todos os dias são próprios para falar de Jesus. Mas podemos imaginar o que um homem como o apóstolo Paulo faria, se tivesse uma data dessas, com boa parte da população mundial se atendo ao assunto, como não faz o ano inteiro.

9) Natal é uma festa mundana.

Negativo: ouça a Simone cantando que é uma festa cristã. Qualquer distorção mundana é uma apropriação indevida que os interesses desse mundo implantaram em prol de seus benefícios. O uso das agências de propaganda do natal para alavancar as vendas não transforma o nascimento de Jesus, confirmado na História, em um presépio de eletrodomésticos, TVs de 50' e celulares de última geração.  Quem faz isso somos nós.

Justificar a não comemoração da data pelas distorções impostas pelo sistema é dizer que nossa devoção pelo Deus Altíssimo perde o valor por conta das abominações humanas. É incoerente. Vivemos de acontecimentos cotidianos, mas também de eventos especiais e marcantes em nossas vidas, vivemos de memórias e celebrações. Sem a lembrança das coisas passadas, dos eventos alegres e significativos, tornamo-nos duros, secos, e esquecemo-nos dos feitos do Senhor.  O salmista nos ensina: 'Recordarei os feitos do Senhor, sim, me lembrarei das tuas maravilhas' (Sl 77.11).

Na íntegra AQUI <---  (Grifos e negritos meus-RF)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Qual o fundamento da tua FÉ?!


Deus ordenou que o que for falado seja julgado e o padrão que se tem para tal julgamento é a Palavra de Deus e Seu Santo Espírito que habita no crente. Deus nos dá discernimento para compreender a Sua Palavra através do Seu Espírito Santo. Portanto, não devemos aceitar cegamente o que alguém diz ser a Palavra de Deus, só porque a pessoa fala com voz solene e diz estar falando em nome do Senhor. É MUITO sério alguém dizer que está recebendo uma mensagem de Deus. A única referência que temos hoje para saber se alguém está falando algo de acordo com a Palavra de Deus é a própria, e não a presunção do que se diz profeta em afirmar que o faz com 'tal autoridade'.
Os varões de Beréia foram chamados de mais nobres porque compararam o que ouviram com as Escrituras. Não confie em seus sentimentos, porque os sentimentos são uma manifestação das emoções que podem ter sua origem na carne. Ficamos profundamente tocados por um filme que nada tem de real, por exemplo. Portanto, o fundamento de sua fé deve ser Cristo, e não, os cristãos ou uma ‘congregação’ ou organização cristã. ‘Ensinamento’ de igreja não é a Palavra de Deus.
Ninguém hoje pode falar com a mesma autoridade que tinham os apóstolos ou profetas (como Ágabo) do novo testamento. Os apóstolos e profetas foram dados para estabelecer o fundamento do qual Cristo é a Pedra principal, mas hoje não há mais apóstolos e profetas no sentido dos doze ou de Paulo. Quem profetiza nos dias de hoje é quem fala do que está na Bíblia, não quem diz receber alguma revelação ‘inédita’.
Se alguém hoje se declara ter a autoridade dos apóstolos e profetas do alicerce, vai ter que explicar isso direitinho para o Senhor quando chegar a hora. É um usurpador de uma autoridade que Deus não deu a ninguém. Profetizar hoje não é no sentido de trazer uma revelação inédita, mas apenas de proferir o que os apóstolos e profetas já disseram no N.T.
Há uma diferença enorme entre seguir uma denominação religiosa e seguir a Cristo. Na primeira, você tem um compromisso com algo que os homens criaram, ainda que tenham criado dizendo-se dirigidos por Deus, que ouviram uma voz, que tiveram uma revelação. Ora, Deus não criou nenhuma religião ou denominação religiosa, pois se tivesse feito isso estaria dividindo os crentes por denominações, títulos ou líderes, o que a Bíblia diz ser carnalidade.
É complicado explicar isso a quem está bastante condicionada a associar fé com um lugar, um templo, uma congregação. Então se pergunte se você continuaria crendo igual mesmo que fosse o único cristão na face da terra. Porque o fato de me reunir com outros cristãos é só isso, uma reunião de comunhão e adoração, não uma associação que crie ou mantenha um dogma para ser crido por todos sob seu teto. Reunião somente ao nome do Senhor, seja na casa de alguém, numa escola ou ainda num barco no meio do Nilo - como acontece numa localidade no Egito, onde reuniões cristãs são proibidas. Não existe uma organização estabelecida por Deus, apenas pessoas que se reúnem num lugar, portanto não se trata de seguir uma religião ou ser membro de uma igreja.
Há pessoas que acreditam que apenas uma religião leva a Deus, porque o que acreditam na verdade não é no poder do sangue derramado na cruz, mas na capacidade do homem em obedecer a uma lista de leis e regras - que diferem entre as religiões. O raciocínio é simples. Se a religião ‘X’ tem a lista de regras mais correta, obviamente essa é a religião de Deus e só será salvo quem estiver ali, já que entre as regras listadas está a regra de estar ali. Parece familiar a você?
Fazer isso é um terrível pecado, é usurpar a Deus o direito de salvar com base na suficiência completa do sacrifício de Seu Filho na cruz. É dizer que Cristo não seria suficiente para salvar se não existisse a religião tal. É também dar ao ser humano uma participação no crédito de sua própria salvação. Se for eu quem seguiu direitinho as regras, então uma salva de palmas para mim... E algumas para Cristo.
Acreditar que somente na congregação que você frequenta é possível ter a salvação, é negar que nossa natureza seja tão vil que ainda poderíamos encontrar algo nela capaz de seguir regras e mandamentos. É dividir a glória de Deus com os homens. E, o que é mais perverso: fechar o caminho a Cristo para alguém que não tem acesso a essa congregação.
Você é cúmplice de um pensamento assim? Uma religião que estabeleça algum fundamento de salvação além do próprio Cristo - seja esse fundamento uma lista de regras ou a necessidade de ser membro da tal religião - não é de Deus.
O apóstolo Paulo escreveu uma carta aos crentes da Galácia, os quais afirmavam que para ser salvo era necessário não apenas crer em Cristo, mas também guardar a Lei, ou seja, praticar determinadas obras. A eles Paulo responde: ‘Ó insensatos gálatas... Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Gl. 4:9,10. Paulo compara o seguir regras ou a Lei para ser salvo como carnalidade.
Só Cristo pode nos salvar, pois morreu na cruz no lugar do pecador. Todo aquele que nele crê tem a vida eterna, está salvo eternamente. E isso não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que Cristo fez; ‘e isto não vem de vós, é dom de Deus’ (Ef. 2:8). Portanto, a nossa salvação depende EXCLUSIVAMENTE de Cristo e de Sua obra; não depende de nós pois se dependesse de nós, a glória seria nossa. Mas, graças a Deus, não depende de nós que somos pecadores e sempre propensos a pecar.
Quando um pecador vem a Cristo, arrependido de seu estado pecaminoso, isto só acontece por obra do Espírito Santo em seu coração, pois é o Espírito Quem nos convence do pecado (João 16:8). Então, pela fé, o pecador crê que Cristo tomou o seu lugar na cruz carregando o seu pecado (do pecador). Quando o pecador assim crê, Deus lhe dá a salvação que é completa; Deus lhe dá o perdão que também é completo e esta pessoa nunca mais perderá a salvação, pois é um dom de Deus (Ef. 2:8.)

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Porta



Porta estreita nada tem a ver com vida triste, oprimida, reprimida.

Porta estreita tem a ver com:

Postura pessoal - Aliviar a bagagem - Foco correto - Entrega de vontade.

A Porta é estreita...

Primeiro, porque devemos entrar nela sozinhos, trata-se de uma decisão pessoal, voluntária e não influenciável, portanto nada tendo a ver com religião.

Segundo, porque devemos deixar as inúmeras (inúteis) bagagens antes de entrar.

Terceiro, porque exige um foco correto na relação com Deus, confiantes em Deus e desconfiantes de nós mesmos, deixando-nos transformar por Ele.

Quarto, porque ficamos mais largos ao longo da existência, promovendo-nos obesidade existencial com as nossas vontades, nosso egoísmo, nossa individualidade; quando, na realidade, o maior ato de liberdade é estarmos livres de nós mesmos.


A vontade própria é tão sutil e está arraigada tão profundamente em nós mesmos, defendendo-se com tanto vigor, que quando tentamos lutar contra ela, somos derrotados. Acabamos fazendo nossa própria vontade sob diversos disfarces - caridade, necessidade, justiça. O amor de Deus, porém, deseja permanecer despido e sem nenhum disfarce, já que nada tem a esconder. Já vi esse amor. Na verdade, vejo-me todos os dias mais ocupada com ele. Sinto um fogo abrasador dentro de mim. É como se tivesse eu entregado a chave da minha casa ao amor e lhe desse permissão para fazer tudo que fosse necessário.(Catarina de Gênova - 1447 - 1510)


'Eu vim para que vocês tenham vida e a tenham em abundância'. 


Na íntegra, aqui: A CHAVE DE CASA


RF.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Prudente como a cobra...




O ensino de Jesus parece sempre estar cheio de paradoxos.
Ele chama à mansidão e louva a quem tem sede de justiça; avisa acerca da ansiedade, enquanto convoca a que se vigie; manda que se ore sem cessar, descansando Nele; é manso e humilde de coração, ao mesmo tempo em que não veio trazer paz, mas sim espada.
Concede uma paz que o mundo não conhece - e faz isso em meio a aflições - exortando a que nosso coração não se turbe jamais, mesmo quando dias horríveis cheguem sobre a Terra, os quais, inevitavelmente chegarão.
Ele manda descansar por completo, ao mesmo tempo em que manda vê-Lo em todas as carências desta vida. Manda que se deixe tudo por amor a Ele, enquanto condena quem abandona o seu próximo. Perdoa a quem deve tudo, e é rigoroso com quem é medroso.

Aceita a maquiagem das meretrizes, mas é implacável com a máscara dos fariseus. Chama a Si mesmo de Semeador, mas não hesita em secar uma figueira. Diz que não veio trazer paz, mas manda em que cada lugar que se chegue, ali se diga: Paz seja neste lugar!
Mais um aparente paradoxo: pombas e serpentes!
Ele manda ser simples como pombas e prudentes como serpentes. E diz isto num contexto de envio de discípulos para a existência.

Pombas e serpentes! Que estranho híbrido existencial!

Ser e ter sabedoria de pomba e sabedoria de serpente é algo como poder voar e descer sem provocar nada em ninguém, capaz de convívio social, andando com simplicidade entre os homens; ao mesmo tempo em que se sabe que o perigo tem muitas faces. E que o diabo se veste de anjo de luz.  E que toda simplicidade tem que ser apenas o escudo da prudência, pois, se serpentes pudessem ser vistas como pombas, certamente prefeririam.
E isto não deve ser algo armado, pensado, cogitado, premeditado, e deliberado. Jesus ensina que é para Ser assim. Ele diz 'Sede, pois'; transformando tal imagem num mandamento existencial.

Essa sensação de paradoxo que nos vem do ensino de Jesus, tem somente a ver com nossa incapacidade de simplesmente crer. Ou seja: quando se crê, então, o paradoxo faz a sua síntese, pois, sem fé, nada faz síntese neste mundo.

 (Caio Fábio)
Negritos e grifos meus - RF

Texto relacionado ----> BOM, bonzinho NUNCA!

As muitas faces do escritor


Há algum tempo afirmei que trato a literatura como a mais completa de todas as artes. Ainda penso assim. Para mim, o autor suplanta músico, escultor, cineasta, pintor. Não seria exagero chamá-lo de melhor fiandeiro, artesão, parteiro, despenseiro dos mistérios eternos. A Revelação dependeu de homens e mulheres ousarem grafar o imperceptível.

Gosto de tratar o escritor como um encantador, hipnotizador de serpentes. Ou talvez, feiticeiro – sua arte seduz. O escritor é especialista em magia, hábil na prática de criar mundos fantásticos. Do seu condão, realidades inefáveis se tornam plausíveis. Ele é mestre no dom de misturar fato e mistério.

Escrever requer mais que técnica, carece de disciplina, mais que disciplina, exige talento. Alguns se debruçam sobre o texto e basta um átimo para nascer uma peça imortal. A maioria (eu, principalmente) argumenta, mas patina e não sai do lugar; sua em bicas para compensar o pouco talento, mas acaba devendo a beleza inebriante da melhor literatura.

Em “Cartas a um jovem poeta”, Rainer Maria Rilke ensina o escritor a ser artista e a aproximar-se de sua “vivência sexual”. Ele diz que escrever dá prazer sensual, erótico. Semelhante a qualquer intimidade, o literato se expõe a dor e prazer. Mas, teimoso, se arrisca. Galanteia, corteja, seduz. Rilke concorda com o discípulo quando o admoesta a viver e escrever no “cio”. Que a tinta vire sêmen que fertiliza ouvidos e corações. Que de sua paixão venha à luz o imarcescível. Às vezes apaixonado e de tão enamorado, bem diagnosticou Álvaro de Campos, não passa de um ridículo. Mas ele só ama o ato de redigir. E tudo vira para o bordador de pensamentos, uma carta de amor ridícula: “Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”.

Hemingway, por sua vez, aconselhou que se cravasse a pena como quem espeta o touro na arena. Ao sentir vida e morte na espreita, sobre os ombros, o toureiro das metáforas, sente a verdade como imperativo. Redigir se torna sacerdócio vicário – ele se imola junto com a presa para salvar a vida.

Alberto Caeiro o igualou a um pastor de rebanhos. “Sou guardador de rebanhos./ O rebanho é os meus pensamentos/ E os meus pensamentos são todos sensações”. Redator de toda espécie zela pelo que acabou de compor com afeto campestre. Quem se despeja no que grava sempre se biografa, pois é sua vida que sangra. Se íntimos não conseguirem reconhecer o dono dos verbos logo no primeiro parágrafo, a página é apócrifa.

Vinicius de Moraes recomendou: “Troquem-se tijolos por palavras, ponha-se o poeta, subjetivamente, na quádrupla função de arquiteto, engenheiro, construtor e operário, e aí tendes o que é poesia”. Escrever cria e dá forma ao fugaz; faz o inimaginável, próximo; traz o contraditório, que perambula no vazio, para perto do espírito. “O material da poesia”, diz o Poetinha, “é a vida”. E se é vida, então quem se aventura, considere seu ofício “a lenha preferida para a lareira do alheio”.

Escrever não se resume a organizar frases, nem a manter-se preciso. O escritor quer misturar-se ao anônimo que o devora. Eduardo Galeano narra em “O livro dos abraços” a experiência do pastor Miguel Brun durante uma missão evangelizadora entre os índios no Chaco paraguaio. “Os missionários visitaram um cacique que tinha fama de ser muito sábio. O cacique, um gordo quieto e calado, escutou sem pestanejar a propaganda religiosa que leram para ele na língua dos índios. Quando a leitura terminou, os missionários ficaram esperando. O cacique levou um tempo. Depois, opinou: -Você coça. Coça bastante, e coça muito bem. E sentenciou: – Mas onde você coça, não coça”.

A palavra falada tem asas, a escrita, raízes. Uma vez anotada, ela permanecerá serva de quem a depura com os filtros de sua subjetividade. Traumas, alegrias, expectativas, decepções, fantasias, ódios fazem aquele que se apropria do artigo apaixonar-se ou desdenhar o que tenta compreender. Todo livro está sentenciado a infinitas interpretações – e quanto mais a página sobreviver ao tempo, mais complexo o desafio de decifrá-la.

Quem é escritor? Rilke responde: “Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse impedido de escrever”. Para conhecer os ungidos do Panteão das Letras: “Pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa da madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples ‘Preciso‘, então construa sua vida de acordo com tal necessidade”.

O redator deseja a graça de não rabiscar nada por encomenda. Ele sabe que em poucas linhas, narrativa, argumento ou poesia, ganha vida própria. Nunca é bom produzir boas argumentações como tarefa. Escrever é deixar-se conduzir a fins inesperados. Daí o autor buscar certo ócio, pois nota a importância de ser inútil para continuar essencial. Literatura se basta em si mesma.

Escrever e humilhar-se são quase sinônimos. No ponto final, o texto merece suplantar o criador em excelência. E aquele que outrora se considerava onipotente se regozijará em ver que seu esforço se tornou eterno – enquanto os dedos encarquilharam.


(Negritos e grifos meus- RF)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

GENTE... Serve?!



Como é bom conviver com gente de carne e osso, pessoas portadoras de idiossincrasias avassaladoras, polaridades, alterações de humor, talentos deslumbrantes e defeitos horrorosos.

Neste momento da minha vida faço economia emocional para suportar a ideia de seres ideais, principalmente os que se postam como interlocutores entre o terreno e o sagrado e que se arvoram como projetos sem defeito.

Hoje tenho aprendido com tudo que é simples.
Meus filhos me ensinam.
Há pessoas sem grandes pretensões intelectuais mas que sabem viver e veem a vida com bons olhos; estas são o alvo do meu fascínio.

Diante das possibilidades que a vida apresenta, saber escolher um amigo pode ser o fator preponderante para se estar bem acompanhado ou apenas cercado de pessoas.

Existe uma máxima que diz que 'nas dificuldades é que se conhece um amigo'. Este pensamento virou lugar comum, acredito que até tenha perdido seu peso, porque se torna uma generalidade na boca de quem só se presta a ser solidário em tragédias, doenças e no momento do desespero existencial alheio. Existe o egocentrismo solidário, um tipo de 'doença' do super-sensacional-amigo.

Percebe-se sua atuação quando aquele que estava em desespero consegue se reerguer e o até então solidário se afasta, já que suas ações não serão mais trombeteadas aos quatro cantos.

Claro que nem todo amigo da hora da angústia é um ser vaidoso, interessado no próprio umbigo, mas corremos o risco de ser alvo deste mecanismo ou sermos protagonistas deste teatro.

Proponho então uma relativização da tal máxima e ficaria assim:

'É nas alegrias que nós conhecemos os verdadeiros amigos também'.

Como é bom ter amigo gente, que é capaz de 'chorar com os que choram', na mesma proporção que é capaz de se 'alegrar com quem se alegra'.

Gente que está presente no momento da tormenta brava, mas quando o sol aparece e o mar começa se acalmar, está do teu lado para comemorar. Amigo verdadeiro é gente. Amizade de verdade é compartilhamento de alegrias e conquistas, há sintonia de alma. Cada um é plenamente capaz de decidir quem quer ser e qual pessoa continuará chamando de amigo.

Decidir rever critérios, não é uma tarefa fácil, requer coragem, mas nos dá a possibilidade interessante de sermos mais verdadeiros nesta escolha.

Eu decidi que gosto de gente porque eu me vejo e me encontro.


Essa também afanei DAQUI <---

Salvação pela FÉ!



Sem nenhuma exceção, somos TODOS falhos e passíveis de erro. Então, sutilmente, o bicho homem segue na existência, acrescentando, criando, inventando e reinventando Deus. Jesus já alertava sobre isso (Caramba, que coisa mais atual!), com os que  se orgulhavam em preservar e demonstrar leis:

'Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. (...) Invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes'. (Cf Mc7)
Pedro, que andou com Jesus, chegou a vacilar feio em uma de suas missões, pregando heresia e com direito a puxão de orelha por parte de Paulo. Este, por sua vez, cometeu um equívoco tremendo, causando divisão - racha, dissensão, dissidência, enfim, como quiserem chamar - na igreja de Cristo, ao discutir veementemente com Barnabé sobre não aceitar Marcos em seu grupo. Dali se apartaram e não se tem conhecimento de que voltaram a se encontrar. Nenhum dos três foi chamado de herege ou apóstata, mas sabe-se que Paulo reconheceu anos depois a ‘veia evangelística’ de Marcos, vindo inclusive, este, a ser mais tarde, um dos quatro evangelistas que narram a Boa Nova.

Desde a minha conversão, se tem uma coisa que eu tenha clamado ao Espírito de Deus para me ajudar de maneira contundente, é no cuidado com o manejo da Palavra - e não que eu seja especial e esteja isenta de algum equívoco também - mas pelo fato de ter sido em meio a um povo religioso que, estranhamente, os assistia colocar Deus confinado entre quatro paredes de uma instituição religiosa. (E eu não estou falando da ICAR).

Tampouco tenho qualquer pretensão de convencer o leitor de absolutamente nada, até porque quem convence é o Espírito Santo. Mas tenho o papel e a obrigação de, em amor,  esclarecer equívocos por mais que, paradoxalmente, se instale clima de animosidade. Já fui até acusada de querer polemizar e que eu sabia que isso tudo era ‘perseguição ao povo de Deus’. Não me escandalizo, mas me entristeço, sem, contudo, perder a fé e a paz. Afinal, é isto que eu entendo como "sabedoria lá do Alto".

Ao longo de décadas, um ‘telefone sem fio’ proporcionou inúmeros vícios, impondo jargões determinantes para uma cultura doutrinária que foi se distanciando do Evangelho, já que grande parte de líderes escolhidos eram e são semianalfabetos. Com todo respeito, vamos ser honestos e colocar os pingos devidos nos ‘is’. Já se dispõe de vasta literatura na internet a respeito da farsa chamada ‘revelação’ e, portanto, qualquer pessoa pode ter acesso livremente. E não se trata de um dissidente ressentido, como se apregoa no vão intento de reprimir as cabeças pensantes. É material dos próprios membros que, lúcidos e conscientes, não concordam que uma denominação esteja acima de Deus ou que seja 'A Obra de Deus aqui na Terra'.

Falo com categoria, posto que convivo com essa realidade há quase 40 anos! E, de quase dez anos pra cá, fazendo as minhas pesquisas, meus estudos e os meus questionamentos à luz da Palavra. O que me levou a isso não foi nada estritamente pessoal, embora eu precisasse me embasar de algumas certezas que se formavam em minha mente. Mas meu espírito me inquietava e me dizia que havia alguma coisa muito errada, principalmente por estranhar a conduta de pessoas que apostam nessa crença com seus ritos religiosos como salvação. E, no entanto, irônica e contraditoriamente, não se percebe (‘pelos frutos os conhecereis’- disse Jesus) uma mudança real e interior nessas mesmas pessoas que vivem dentro da igreja ‘gloriosa’; essas mesmas pessoas que se batizaram nas águas milagrosas, seguindo em sua mesmíssima existenciazinha cheia de males terríveis no coração e que refletem em seu agir.

Sou uma apaixonada pelo comportamento humano, sempre fui! E OBSERVO as pessoas religiosas marcharem para a igreja quase todos os dias e continuando sofrendo à toa: colocando mais e mais peso nas próprias costas, cheias de mágoas, ressentimentos, lixos na alma, quando a proposta de Jesus é deixar que Ele tire tudo de nosso coração. E de graça! Pelo Seu imenso amor e não pelo que somos ou deixamos de ser.  Mas aí é que está a questão: pois essa proposta é de Jesus, e não da denominação.


Jesus não está preso a nenhuma denominação. Não existe nem mesmo uma denominação especial, uma melhor nem mais queridinha aos olhos de Deus. Isso é um grande equívoco gerado pelo fanatismo do homem que se fecha em copas a esse assunto. E aí fica sem a menor condição de um diálogo franco e transparente, dada a forte conotação de uma 'obediência' a ensinamentos de uma crença exacerbada em detrimento da FÉ e da GRAÇA, que anulam toda lei e todo rigor ascético. E o mais patético é que fica o pretensioso mantra no ar: ‘deixa ela, ela não tem entendimento, deixa Deus fazer a obra nela’. (Deus fazer a obra, leia-se: ou ela vem pra cá ou arde no inferno)

Em contrapartida, não me surpreende esse robotismo coletivo, pois mesmo com o próprio Jesus, em seus dias missionários - DERRUBANDO arraigados conceitos com uma maestria singular e desconcertante - muitos não conseguiram captar a mensagem, como ainda hoje acontece na mente de alguns religiosos, de tão presos que estão à tradição centenária.

Há uma contradição gritante com a Palavra em relação a certa exigência divina feita por ‘revelação’ acerca do batismo. Por que Deus daria apenas a uma pessoa, uma informação preciosa que anularia todo o Sacrifício da Cruz? Esta é a pergunta intrigante. Pois o que dá a entender, é que foi em vão TUDO acerca da Boa Nova. E que, um belo dia, quase dois mil anos depois, um Deus caprichoso resolve que o batismo por imersão é determinante para a salvação e a cura de enfermidades físicas, mentais e espirituais.

Tal ‘revelação’, simplesmente derruba tudo que está no Evangelho acerca de batismo, que, diga-se de passagem, não tem grande relevância, senão como cerimonialismo religioso.

O próprio Paulo foi batizado DEPOIS que caiu por terra, DEPOIS que recuperou a visão e DEPOIS que ficou 'cheio do Espírito Santo'. Observe a sequência: Jesus mostrou-Se para ele e o fez cego por três dias para ele ‘ruminar’ a mudança radical de conceitos; em seguida, ESVAZIADO, encheu-se do Espírito!  O batismo ficou em último lugar e apenas como simbolismo de algo que já havia sido efetuado em seu SER.

Ou seja: não há qualquer ênfase para o batismo em si, APENAS este consta fazendo parte dos rituais religiosos, nada dizendo acerca de transformação interior realizada pela água (Cf Atos 9: 1.19). E, se houvesse qualquer relevância centrada nesse tema na Nova e Eterna Aliança, convenhamos, teríamos, no mínimo, um ‘Evangelho dos milagres, das curas e dos batismos segundo apóstolo tal’.

Ora, o próprio Jesus curava de montão, gente vinda de todos os lugares e de todos os credos os mais sinistros, de sorte que a bíblia não relata nem a décima parte senão seriam vários volumes da bíblia para comportá-los todos, e não apenas um. E não consta que ele tenha realizado um batismo sequer. Pelo contrário, Ele foi batizado. E também não consta se por imersão ou aspersão. Apenas se usou o cerimonialismo. João limitou-se a dizer: ’Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo’. É Jesus quem batiza com o Espírito Santo. Não é durante uma cerimônia religiosa, não é pela água mágica, não é em determinado ‘tanque batismal’.  É JESUS, conforme a fé instalada em nosso ser.

Inclusive, diga-se de passagem, que a cura física fazia parte de Seu ministério. Se havia cura espiritual... Aí era outra coisa! Era essa cura que interessava, mas Ele não impunha a ninguém.

Quantas vezes Jesus perguntou: ‘Queres?!’ ?

Tem o caso clássico no tanque de Betesda - cujas águas milagrosas eram até revolvidas por anjos - no entanto, um homem jazia à sua borda há mais de 30 anos, tão grande era sua desesperança! E ele nem precisou tocar nelas, bastou que outro homem (note-se: ele não sabia que este outro homem era Jesus!) o acordasse do seu torpor para que ele fosse curado.

E quantos dos dez leprosos voltaram para glorificar o Nome de Deus?

Por outro lado, por mais que Jesus livrasse as pessoas dos seus males físicos, o que ele disse em relação à CURA referia-se à transformação INTERIOR, não havendo absolutamente NADA com exterioridade. E, falando em exterioridade, a única "exterioridade" que Ele institui é a da Ceia do Senhor mas em SUA memória, simbolizando o Reino de Deus, como AMOR e em Amor; e não repetições atuais/anuais (como rezava a cartilha da antiga aliança) com riqueza de detalhes em como se portar, sentar, que tipo de copo usar, pão e safra de vinho adequados.

É forte e contundente o diálogo que Ele trava com a mulher da Samaria e em nenhum instante Ele a conduz para cerimonialismos e rituais. Muito menos há registros quanto a revelações pessoais para conduzir em comoção todo um coletivo inconsciente. Pelo contrário, ela foi tão contagiada da maneira mais pura e transparente que se possa imaginar, que ela larga o cântaro e o sentimento de rejeição lá mesmo no poço e entra na cidade levando a Boa Nova sem qualquer constrangimento, tocando a todos com o que ela ia relatando.

O Evangelho é simples e claro. Jesus é simples e claro. Transparente como a água. E, citando o tipo de adoradores que Deus está à procura, é justamente com a ÁGUA que ele usa de metáfora com a mulher do Poço. E não é simbolicamente e para FORA. Mas EFETIVAMENTE de fora pra dentro.

Enfim, mesmo sabendo que se eu me calar, Jesus se fará ouvir até por pedras, a minha maior alegria - por mais estranha e louca que possa parecer - é poder, por meio da escrita, como dom que Deus me deu, falar desse imenso amor da maneira mais pura e saudável, sem os igrejismos e as religiosidades que viciam e aprisionam.

E a melhor parte disso tudo é que eu quero, sempre, estar disposta a reconhecer vacilos, a voltar atrás, a ter humildade. Para mim, APRENDER é isso. E, um aprendizado que só tem valor se - conforme a mente de Cristo - for aplicado na nossa existência, nosso cotidiano, nossos relacionamentos.

Senão... Para que serviria?

RF





quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

No meio do caminho...



Na caminhada, há dias difíceis, há insatisfações, há dissabores.

Há pessoas que lutam com todas as forças, ainda assim, sucumbem diante do maior desafio do ser: vencer a si mesmo.

No meio do caminho há pedras... 

É necessário sujar os pés, comer pão de dores.

Há quem corra sem saber onde chegar, nem sempre quem chega primeiro ganha o prêmio.

Há noites tenebrosas, momentos de incertezas.

Há vezes em que emudecemos sob catastróficas decepções.

Há dias que nos sentimos livros não lidos, desprezados em prateleiras empoeiradas, que talvez nunca sejam reencontrados.

Mas há também colheita daquilo que foi semeado com lágrimas.

Há pássaros cantarolando canções de esperança.

Há graça. Isso basta.

Há quem nos faz afago com as palavras.

Há companheiros que encontramos à beira do caminho que nos convidam a descansar, recarregar a batéria, enquanto se oferecem gentilmente pra levar a mochila e o cantil.

Há quem nos ajude a caminhar mais uma milha.

Na estrada, há quem saiba fazer o percurso parecer mais curto e menos espinhoso do que realmente é.

Há aqueles que nos ensinam o sentido da caminhada.

Cada gesto seu nos inspira a reafirmar: vale a pena!



Afanei DAQUI

Filhos são do mundo


Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.

A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga.

E a maioria de nós, pais, acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo!

Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!

Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus, digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice?

Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é.
Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles. Santo anjo do Senhor...

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !

'A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver ' (José Saramago)

Pesquei do blog da DRI

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Confissão em amor



Hoje eu tomei conhecimento (de maneira bem peculiar), que uma sobrinha muito amada havia se batizado nas águas de determinada denominação. E, embora meu coração tenha acreditado e se alegrado com a sua sinceridade e gesto espontâneo nesse evento, confesso que não entendi porque fui incluída na lista de e-mail em que havia uma mensagem para ela. Afinal, eu sou das primeiras a ser discriminada sutilmente por esse grupo religioso, por não ter me rendido ao seu pacote doutrinário.

Prova concreta é que todos eles testemunharam minha conversão genuína que inclusive foi totalmente independente de programação/ritual religioso e, no entanto, passaram a me olhar pelo rabo do olho, silenciosos e desconfiados. Alguns chegaram a dizer em tom de deboche da minha empolgação apaixonada à época, como sendo soberba espiritual. E nenhum deles creu totalmente nem passou a me chamar de irmã, nem a me saudar de maneira específica. Ninguém me disse nada contra, pessoalmente. Mas as conversas soltas e as silenciosas palavras religiosas soavam muito alto em meus ouvidos. Só que era perda de tempo, eu já havia sido liberta...

Entretanto, por mais que isso não seja capaz de me tirar a alegria e a PAZ instaladas definitivamente, e por mais que eu saiba que isso é coisa de religião que nada tem a ver com a irmandade proposta pelo Evangelho de Cristo, vou sempre ficar intrigada com essa atitude sectária entre pessoas que confessam o mesmo NOME.

Ora, o que o Evangelho me diz, é que o que nos torna membros da Igreja de Jesus é fazer a confissão de que Jesus Cristo é Deus. Que Jesus Cristo é a encarnação da Graça de Deus; que Jesus é a encarnação da glória de Deus.  'E o verbo se fez carne e habitou entre nós' - disse João no início do seu escrito evangelístico.

Queria lembrar, inclusive, que o verbo confessar, traduzido em FRUTOS - significa muito mais que simplesmente dizer 'da boca pra fora'. Pelos frutos os conhecereis - alerta-nos Jesus sobre quem O conhece.

Minha tristeza reside na incoerência no tratamento - respeito, aceitação, admiração, atenção especial - em relação a pessoas que são do mesmo grupo citado, mas que, na prática, DENUNCIAM escancaradamente todos os dias que não confessam o NOME de Jesus, posto que sua mente e seu coração/ação estão na contramão da proposição da verdadeira CONVERSÃO.

Entretanto, como tais pessoas seguem publicamente alguns rituais religiosos, então o deus sectário vem e passa a mão na cabeça delas. E todos se reúnem em nome de Jesus com indumentária acima de qualquer suspeita, se saúdam com ósculo santo, cantam em 'adoração', se alegram, oram, choram e falam até em línguas de anjos, para atestar uma visitação coletiva. Depois se confraternizam, comem, conversam e vão para suas casas do jeito que entraram, sem nenhuma visitação pessoal, nenhuma mudança interior, posto que - independente de liturgia e de horário de adoração marcados - mudança se faz e se percebe é lá fora, no chão da existência.

E, também, como falei dias atrás no blog do Mário, confesso que fui surpreendida pela Graça completamente FORA dos portões religiosos, mas entendo que o Espírito de Deus, em Sua soberania, sopra ATÉ dentro dos templos mais legalistas, pois Ele não age em coletividade paranóica, mas nos corações, individualmente, em momento único, especial, pessoal e intransferível. Para que, então, curados na alma, possamos viver em coletividade de maneira saudável, agradável aos olhos de Deus. É assim que eu vejo sentido na vida. E não que seja uma cura pronta, mágica, fast food, mas um início de uma longa caminhada na qual sabemos onde está a fonte dessa cura, com a certeza de que nela nunca estaremos áridos, pois que sendo curados todos os dias.

Quanto a batismo em água, embora não dê pra explanar em poucas palavras, tenho minhas restrições. E, com base no Evangelho,  digo que não é no batismo em determinada denominação que recebemos a 'senha de acesso a Deus'.  Essa senha nos é dada quando cremos que JESUS É!  Não creio que uma imersão em água provoque nenhuma ‘mágica’ nos corações. Ora, o batismo na denominação, nada mais é, do que uma confissão pública de fé. Apenas isso. Nada além disso. Hoje eu tenho essa lucidez que me dá respaldo ante todas as superstições religiosas que um dia me oprimiram. E até sabemos de inúmeras pessoas que se batizaram nessas supostas águas santas e não tiveram qualquer mudança. Certa feita, conversando com uma pessoa religiosa sobre as atitudes de um cara super mala, ela me fez a pergunta desconcertante: ué! mas ele não se batizou?! Como se o batismo nas águas bentas daquela denominação provocasse uma mudança mágica no caráter das pessoas. Eu mesma, nelas fui batizada em busca sincera, mas não obtive mais do que angústias e dúvidas. E ali Deus já estava operando em meu coração e eu nem sabia! Ali, a minha dor e a minha luta estavam sendo LAVADAS porque Ele ouve a nossa oração sincera. E, no tempo Dele, tudo é revelado.

E o fiz com toda sinceridade e busca verdadeira, antes participando de cultos que, ironicamente, me levavam de volta pra casa com o peito mais oprimido do que quando lá entrava.  Até que um dia, saí de dentro dessa tal água mágica, mais angustiada e aflita do que qualquer pessoa é capaz de imaginar. Sem falar que o sujeito lá quase me afoga. Acho que ele pensava que eu ia encontrar Jesus ali embaixo, literalmente. Foi um dos piores dias da minha vida, mas sei que alguns religiosos leem isso com estranheza (alguns até escandalizados com minha heresia) por acreditarem piamente/ingenuamente que é somente em determinados espaços físicos que Deus opera.

Eu creio no arrependimento e na mudança dos conceitos conforme a mente de Cristo. Isso é conversão. Eu creio na conversão de qualquer pessoa, desde a mais bem intencionada e ética ao mais corrupto ser humano. Inclusive, sou testemunha disso, pois tenho acompanhado casos de inúmeras pessoas com as mais variadas histórias. E, justamente por isso, não creio que isso acontece apenas se for em determinado LOCAL ou determinada denominação religiosa. Essa exclusividade espiritual em que alguns se colocam, é avessa ao Evangelho de Jesus, por ser contrária ao caráter de um Pai que acolhe em perdão e não escolhe lugar nem forma específica para demonstrar seu imenso amor a quem O busca com sinceridade.

Jesus disse a um Nicodemos até bem intencionado e profundamente conhecedor das doutrinas judaicas, que O VENTO SOPRA ONDE QUER. Ele não entendeu, porque estava impregnado pelas leis religiosas que regiam sua existência e o impediam de enxergar a ação multiforme do Espírito. Isso ainda acontece nos nossos dias. E o mais triste, é que pessoas tão bem intencionadas quanto ele, caem no mesmo equívoco considerando-se superiores espiritualmente apenas porque pertencem a uma suposta casta.

Ora, a igreja de Jesus é invisível! Ele não nos vê dentro de lugares nem nos separa pelo muro ou nome de determinada denominação. Ele nos separa pelo nosso coração arrependido e completamente entregue, desarmado. Temos um relacionamento PESSOAL com Ele. Falo com propriedade, pois tenho a mudança em mim operada por um Deus SOBERANO que age de maneira multiforme. Portanto, ninguém queira que eu concorde que é por meio de rituais de homens (liturgia) e que é em tal lugar que se dá o batismo verdadeiro em Cristo. Principalmente porque o meu encontro verdadeiro e definitivo com JESUS não dependeu de nada externo. Meu encontro com Ele foi completamente fora dos muros religiosos.

Aliás, não tem um testemunho mais contundente do que o nosso próprio e não tem palavras que consigam definir. Sim, pois quando voltei e me perguntavam se gostei, eu não conseguia expressar em palavras, só repetia, exaltada: é muito bom, muito bom, muito bom! Só que eu não sabia ainda que aquilo ‘muito bom, muito bom, muito bom’ era o amor de Deus que eu estava experimentado em doses homeopáticas e que jamais iria acabar. Eu ainda não sabia, mas era o amor de Deus agindo em todo meu ser, minhas entranhas, minha mente e meu espírito. De maneira contundente e completamente irreversível.

Esse êxtase aconteceu (teve seu início) durante o trajeto para casa, voltando de um retiro de fim de semana quando comecei a falar com alegria despudorada das coisas de Deus (Algo que antes eu achava piegas, cafona e desnecessário). Algum tempo depois, mais amadurecida - sim, pois que esta compreensão do que já temos em Cristo, é um processo para a vida inteira - entendi que aqueles dias serviram para Ele colocar abaixo todas as superstições religiosas que me afligiam ao longo da vida. Foi uma limpeza, um batismo completamente diferente do frio, mecânico e impessoal ao qual eu havia sido submetida. Desta feita, inquestionável submissão a Deus e que não depende de nenhuma performance, nenhuma exterioridade, nenhuma obrigação religiosa.

E, como falei em outro momento aqui neste blog, você pode se batizar cem vezes com a água do batismo da sua religião, mas o batismo no Espírito Santo tem seu momento especial, único. Intransferível. E que independe de religiosidade, de qualquer informação doutrinária ou aconselhamento denominacional. Pode ser em qualquer espaço ou ambiente físico, pois acontece no ambiente do SER.
Enfim, fico muitíssimo feliz por essa mais nova 'irmã' que se batiza. E meu sincero desejo e minha oração é para que ela não se deixe impregnar pelo faccionismo tão abominável aos olhos de Deus. Que não prevaleça em seu coração o espírito sectário que gera presunção. Que prevaleça em seu ser e seu agir, conforme o Jesus do Evangelho, o modelo que a conduzirá a um 'caminho de flores e frutos ao seu redor onde as pessoas serão mais humanas, mais descomplicadas e mais sadias'.

E que, essa 'melhor notícia do ano', como foi colocada, seja o início de um processo pelo qual o Espírito Santo vá esvaziando seu coração de todas as crendices religiosas que nos afastam da adoração que o PAI procura.

Talvez alguns achem que não se encaixa em nada aqui, mas lembrei-me da pregação do Ariovaldo Ramos que ouvi ontem, onde ele faz um paralelo entre Jairo e a mulher do fluxo de sangue.  Ela, rompendo com todos os cerimonialismos, aproxima-se ousadamente de Jesus; pois crê que basta tocar na veste de Jesus para ficar curada.  Ele não precisa fazer nada; se ela simplesmente tocar-Lhe as vestes, estará curada. Ela nem mesmo fala com Jesus! Ela simplesmente crê!

Jairo, entretanto, no mesmo momento, aparece a Jesus com um enunciado bíblico: 'vem, impõe as mãos sobre ela, (sua filha) para que ela seja salva, e viverá'. (Crença na ação dos profetas à época)

Ele, religioso, cheio de crença. Ela, cheia de FÉ.

Em enunciado prévio e oração fria, ele via Jesus como mais um dos profetas. E, que seguindo os rituais religiosos corretamente, certamente a salvação aconteceria.

A mulher O via como Deus.

...E Jesus para quando ela LHE toca!
E, como diz sabiamente o pregador, este momento é suficiente para se saber com quem Deus se relaciona.
'Pela graça somos salvos, mediante a fé'.

Naquele, que nos capacita a falar com mansidão, temor e boa consciência, acerca da esperança e do amor com os quais Ele nos impregnou todo o nosso ser, pela sua Graça e Misericórdia,

Regina.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Meu Reino não é deste mundo.


Ele não escreveu sequer um livro, não erigiu um pilar, por mais fajuto que fosse.
Não Se mudou para Roma nem para Atenas ou mesmo para Jerusalém.  Não aceitou a oferta dos gregos de ir viver entre eles.  Não buscou impressionar os filósofos gregos ou os senadores romanos nem tampouco sistematizou um ensino para ser decorado ou aprendido. Para completar, ainda escolheu andar com gente que não formava opinião, não era conhecida, não tinha berço e não agia no meio político ou religioso.

Ele fez como o Pai: do que estava sem forma e vazio... Iniciou o Reino!
Não gerou filhos nem deixou herdeiros carnais de nada. Não criou amuletos com pedaços de suas roupas ou utensílios de uso pessoal. Aliás, toda essa história de Graal e relíquias santas é paganismo comercial brabo feito em nome de Jesus. Não ‘marcou lugares santos’ nem estabeleceu ‘peregrinações sagradas’, como ir a Jerusalém, a Cafarnaum, e muito menos a qualquer outro lugar santo ou Meca.
Também não inventou uma parte profunda de Seu ensino apenas reservado aos Entendidos e Autoridades. Não venerou nada. Não se vinculou a coisa alguma, nem mesmo ao Templo de Jerusalém, ao qual derrubou com palavras proféticas.

Chocante também é o fato de que Ele não se poupou em nada. Cansado, então cansado. Com sede, então com sede. Ameaçado, então cauteloso. Descrido, muda de lugar. Amado, mostra amor; sem ficar sequestrado pelo amor de ninguém. Desperdiça oportunidades de ouro. Joga fora o que ninguém jogava. Insurge-se contra aquilo que ninguém se levantava em oposição. Provoca a morte com vida até ressuscitar.

Ressuscitar. Sim, mas para quê, se as testemunhas não eram criveis? Até óvnis têm testemunhos mais criveis do ponto de vista do que se julga um testemunho respeitável. Além de tudo, Ele só aparece para quem crê, e não faz nenhuma aparição ante seus inimigos, no Sinédrio de Jerusalém, por exemplo. Até para ressuscitar Ele trabalha contra Ele mesmo, do ponto de vista de ‘estratégia de ressurreição’.

Ele não fez nada concreto. Tudo Nele era abstrato, até quando era concreto. Tudo tinha que ser apreendido com o coração, e não apenas aprendido com a mente. Um dia depois do milagre da multiplicação de pães e peixes, todo o resultado do milagre já havia sido digerido e evacuado.

Ninguém foi por Ele instruído a guardar amostra dos pães e peixes nem tampouco Ele pediu que se guardasse um tonel de vinho de Canã.

Era do tipo que jamais chegaria a Betânia pra dizer: foi aqui que ressuscitei Lázaro!

Ele não tem histórias de Si mesmo para contar. Para Ele, o presente é a História. Suas histórias não são passado, são todas presentes. Suas histórias são as Suas palavras de vida e poder. Como tratou a vida e a História, espera que o façamos. Até quando estivermos exaltando o Seu nome ou pregando a Sua Palavra. Sobretudo, no vivendo da vida.

O modo de vivermos e pregarmos o Seu nome no mundo é exatamente o mesmo com o qual Ele tratou a Si mesmo na experiência humana de Seu existir entre nós.  Veio para salvar o mundo, contudo, não fez nada igual aos que se oferecem como salvadores dos homens.

A pergunta é:
Você aceita desistir do erro no qual foi criado na religião e passar a viver com os modos e motivações de Jesus?
Na íntegra ---> AQUI

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

São Nicolau, dia 25 de Dezembro e a árvore de Natal.


Paulo nos ensina a termos paz com uma certeza: todas as coisas são puras para os puros; porém para os de mente impura, tudo fica impuro. Ele nos ensina a não ter tais conflitos  e diz ainda que a gente deve ir ao mercado, comer de tudo, dar graça a Deus e celebrar a vida em paz.

Há pessoas que, acostumadas com o temor ao ídolo  - como se o ídolo de fato tivesse poder  - não comem coisas 'sacrificadas' como se o ato de comer expressasse algo espiritualmente significativo. Então, quando comem, contaminam-se, em razão do próprio significado que atribuem àquilo que, em si mesmo, não é nada. 


Ora, as coisas ganham o significado que nossa consciência atribui a elas. Não é a comida que nos há de recomendar a Deus; pois não ficamos piores se comermos nem melhores se não comermos. Portanto, não estamos falando do que é, em si, mas daquilo que as coisas se tornam, em razão da projeção de valor a elas atribuído.

Entretanto,  se um desses supersticiosos virem você, que tem 'ciência', reclinado tranquilamente comendo à volta de uma mesa num templo de um ídolo, poderá pensar que você está ali atribuindo culto e valor àquilo que, para você, não tem nenhum valor. E assim, poderá ser induzido pela sua liberdade, a comer com a consciência fraca e supersticiosa as coisas sacrificadas aos ídolos, como se a sua presença ali avalizasse também o ato dele.


Ou seja: pelo saber e pela liberdade que você já adquiriu, alguém que ainda está na ignorância pode vir a sucumbir à superstição; pecando assim contra os irmãos, e ferindo-lhes a consciência ainda débil e fraca, você está pecando contra Cristo.


Jesus disse que o mal não vem de fora, vem de dentro. Mas tem quem vê o diabo em tudo. Sua mente está cheia de medos, e tenta fazer discípulos de seu próprio medo e superstições. Não entre nessa. Fuja dos inventores de demônios e de bruxas! Eles vivem de proibir as coisas, e quem os segue acabará preso no medo e não terá mais prazer em nada na vida.


Ninguém que comemora o Natal está pensando no diabo. As únicas pessoas no Evangelho a quem Jesus chamou diretamente de filhos do diabo não estavam vestidas de 'Dia de Papai Noel', mas de FARISEUS (Jo. 8).


Celebre seu Natal em Cristo! Não se preocupe com a Árvore de Natal. Quem tem a Árvore da Vida na alma não se preocupa mais com qualquer outra árvore. Nem mesmo com a plantinha 'comigo-ninguém-pode'.

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.  Ele nos salvou para viver em paz em qualquer dia do ano. Santifique todos os dias com gratidão e todos os dias serão santos. Não se escandalize nem se impressione.

Ame a Jesus de todo o seu coração. Creia Nele e ponha Nele sua mais absoluta confiança. Ele morreu e ressuscitou para que tivéssemos Vida em Abundância, não para que vivêssemos atormentados. Faça tudo com boa consciência e ações de Graça, pois é isso que torna tudo puro.

Leia os Evangelhos. Encha seu coração com a Palavra. E confira tudo com uma simples questão: Como foi que Jesus tratou essa questão e as pessoas envolvidas em cada coisa? Se você fizer essa pergunta, e estiver sempre lendo o Evangelho, você entenderá tudo, sem dificuldade, pois está lá revelado e o Espírito Santo iluminará você. Tenha Paz!

Nele, que em Si mesmo, nos deu do Fruto da Árvore da Vida,
(Caio Fábio).
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós,
cheio de Graça e Verdade"
(João 1.14a)

TEXTO RELACIONADO: NATAL É O MISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO.

Maledicências



É grande a minha perplexidade em constatar a indiferença mórbida que permeia os corações de muitos adultos que se dizem equilibrados e de conduta ilibada. Há um desinteresse em rever conceitos, uma apatia no sentido de dar uma checada nos confusos e invertidos valores que estimulam a complacência, a negligência e a tolerância ao mal.

O perigo é quando essa indiferença instalada em mim estimula em outrem, o ‘poder’ de manipular a verdade, estabelecendo situações injustas ao espalhar uma notícia. É então que a gravidade se instala, pois que notícia assim disseminada assume dimensões terríveis, tornando-se MENTIRA vez que, generalizada e fora do contexto, cada vez mais alimentada por sentimentos negativistas tais como raiva, medo e insegurança.
E, na medida em que se explora determinado fato sem a devida clareza acerca do mesmo, vão sendo geradas novas cargas emocionais que trazem sérios prejuízos ao se estabelecer uma imagem negativa. Com fortes pitadas de sentimentos negativos como pressuposições e antipatia gratuita resultantes de baixa autoestima.


É quando a língua solta contamina a tudo e a todos pondo em chamas toda a carreira de uma vida humana. (Ler Tiago capítulos 3 e 4)


Com a língua, esse órgão tão pequeno, somos capazes de destruir vidas, de queimar o filme do outro, de fazer a caveira literalmente, posto que mata; somos capazes de manchar para sempre a reputação de alguém com a maldade gerada de nossas próprias racionalizações, nosso autoengano, nossa visão limitada da realidade. 

Então, um diálogo aparentemente inocente - porém, perversamente tramado e articulado - transforma-se em fofoca ‘que percorre uma escala que vai de conversas de natureza íntima, pessoal e sensacionalista a afirmações que difamam e estragam a reputação ou a felicidade de alguém’.


Pegamos esses ingredientes no armário do nosso próprio coração enganoso e desesperadamente corrupto colocando tudo no caldeirão medieval e assustadoramente atual saindo em desenfreada caça às bruxas’. E o mais esquisito, contraditório e REPULSIVO é que - como um mal incontido e carregando veneno mortífero - dessa mesma boca e com a mesma língua que se amaldiçoa pessoas, são ditas palavras doces e amáveis a essas mesmas supostas bruxas. Invertendo-se os papéis, atribuindo-se ainda a quem não de direito, o rótulo de cobra peçonhenta.

O alerta de Tiago acerca da maledicência e do domínio da língua é que a nossa fala é DESTRUTIVA quando meias verdades são repassadas de maneira maliciosa, rude e indelicada com o desejo de ferir o outro e exaltar a si mesmo. E ele aborda isso de forma contundente dizendo com enorme CLAREZA que se há em nosso coração, inveja amargurada e sentimento faccioso, tal sabedoria não vem do alto, sendo antes, terrena, animal e demoníaca.
Ou seja: a sabedoria de Deus nada tem a ver com a necessidade, a vontade ou a ânsia pessoal, as transferências, a insegurança, a pseudo superioridade espiritual, a pressa, a precipitação, as más influências, as afirmações e autoafirmações do homem FALHO.
E o intrigante na nossa pervertida natureza, é que na hora de sermos nossos próprios juízes, a balança dá um tilti, vez que, ao sondarmos nossos próprios corações, até nos envergonhamos um pouco do que vemos; entretanto, temos o cuidado de ser complacentes com nós mesmos, encontrando facilmente mil justificativas para cada atitude impensada e inconsequente que cometemos com os outros. Já em relação às atitudes dos outros que nos atinge o ego, reagimos de maneira rígida e inflexível.
Imagino que tipo de indignação nos apossaria se tivéssemos a capacidade – e o direito - de sondar as mentes das pessoas e DESMASCARAR PRA VALER as suas farsas, suas mentirinhas sórdidas cotidianas, sua hipocrisia, sua falsa-piedade; certamente nos armaríamos até os dentes nessa relatividade finita do olhar arrogante e meramente HUMANO que vê com lente de aumento apenas na direção oposta ao próprio coração.
Daí as máscaras - penso eu. Pois assim é a natureza humana calando na alma um real ‘me engana que eu gosto’. E gosta porque esse engano é uma espécie de espelho silencioso onde um não acusa o outro, por serem iguais, embora todos estejam a postos com suas pedras à mão ao menor vacilo do outro.
Então, nesse ambiente falso, o fiel da balança do coração perde o sentido do perfeito equilíbrio, instalando-se o bloqueio que impede o exercício da compaixão. E o mais grave é quando essa cilada atinge ápice dramático e cruel: é quando esse bloqueio vem de gente sincera, porém completamente equivocada, posto que religiosa sistemática, jurando de pés juntos ter o aval de Deus nas suas decisões estritamente pessoais. Afinal, foi colocado ‘em oração’ e o ‘exército’ está a postos.
Então  (aí a cilada!), assumindo posturas avessas ao caráter de Deus, eis que o deus dos enunciados teológicos e da justiça própria se desenha adquirindo forma e força nas vontades pessoais, traçando plano bastante conveniente, no qual a pessoa ocupa o posto de juíza e rapidamente arroga-se o direito de tomar medidas severas e precipitadas.
Jesus lista claramente a fofoca e a maledicência ao lado do HOMICÍDIO, mas nós preferimos fazer vista grossa a isso. E seguimos. Religiosos. Com dois pesos e duas medidas. Dando ouvidos a boatos, aplicando nossa justiça própria, valorizando apenas um lado da moeda, espalhando mentiras para distrair e mudar o foco, na urgência por encobrir as próprias deficiências.

“... nem haja alguma raiz de amargura

que, brotando, vos perturbe, 
e, por meio dela, muitos sejam contaminados".
(Hebreus 12.15)
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LÍNGUA VENENOSA