"NÃO EXISTE NENHUM LUGAR DE CULTO FORA DO AMOR AO PRÓXIMO"

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sou uma privilegiada!




Marcado por mudanças definitivas no meio social e político, o finalzinho dos anos setenta/início dos oitenta chegou para mim como algo meio preto no branco onde não dava para ficar em cima de muro, ao mesmo tempo em que minha cabecinha romântica absorvia com muita facilidade um turbilhão de acontecimentos que formavam as estruturas emergentes em substituição definitiva a um comportamento fortemente caracterizado por um sistema repressor.

Bandeirosa nas atitudes, porém sem ir às ruas levantar bandeira, ainda muito garota já demonstrava aversão a privilégios em atitudes claras e definidas, e, mesmo naturalmente doce, simpática e sorridente rss, não me pouparam alguns rótulos como “do contra” e “rebelde” - se bem que entre os mais íntimos e condescendentes, era chamada carinhosamente de espirituosa e irreverente. Bendito eufemismo rss

Ah, e se você pensa que eu vou discorrer sobre mudanças no comportamento sócio-político do meu país, está enganado, pois pra variar um pouco, (risos) estou mesmo é abrindo a minha alma ao trazer à tona certas reminiscências...

Aconteceu que para dedicar-me exclusivamente à vida familiar em certo período, tranquei o curso de Odontologia e fui viver um momento completamente diferente do das minhas amigas universitárias, tornando-me mãe muito jovem. Em seis anos de casada tive seis gestações, porém a minha primeira maternidade vingou somente na terceira gestação devido a abortos involuntários nas anteriores. E aquele sangue igualitário que corria em minhas veias já me inquietava ao antever os privilégios de todas as atenções que seriam naturalmente voltados ao primeiro que nascia. 

Assim, tratando de providenciar como dividir tanta atenção acumulada em overdose de amor tive praticamente quatro bebês - como costumava dizer uma vizinha - pois quando o mais novo nasceu, o mais velho acabara de completar quatro aninhos no mesmo mês. Quatro bebês em crescimento concomitante, cada um com sua preciosa individualidade. Era uma verdadeira escola para mim no sentido mais amplo, pois é ao multiplicar a atenção, dividindo braços e colo, que se descobrem reservas incríveis de algo quase mágico. Infinito. Inesgotável.

Antenada e super atualizada, sempre busquei informações em fontes confiáveis que me auxiliassem a educá-los de modo que crescessem da forma mais saudável possível em todos os aspectos. Como morei pelo interior afora devido à função de meu marido, sem minha faculdade pra me suprir e me impedir de emburrecer, me valia de livros, revistas e jornais. Além de troca de experiência com amigas e pessoas mais velhas, claro. Dr. De Lamare com o clássico livro de ajuda “Meu Bebê”, foi quem mais me salvou em muitas situações embaraçosas de marinheira de primeiras viagens em um só pacote. Assim, eles iam crescendo e as pessoas à volta se admiravam do quarteto sob a minha (quase) exclusiva condução, pois o pai, muito ocupado e, frequentemente ausente, figurava mais como provedor delegando-me inclusive funções que eram dele. Ou de ambos.

Como costumava dizer aos curiosos de plantão, eu carregava um kit. Não “quatro em um”, mas “um em quatro”. Era como se eu visualizasse um só filho, de tão harmoniosa que era a nossa sintonia. (E aqui cabe a redundância da sintonia harmoniosa rss). Era assim que os via, com suas características bem definidas em meio às minhas ações. Das mais simples e cotidianas, às mais decisivas e cruciais, dentro de um contexto muito peculiar onde a decisão de cuidar de quatro bebês, quatro crianças e quatro adolescentes praticamente da mesma idade e com personalidades, anseios e desejos diversos, só são tarefas simples e prazerosas quando se enxerga neles o seu verdadeiro tesouro.

Quando bebês, eram quatro mamadeiras nas madrugadas. Crianças, quatro camas ocupadas simultaneamente pela mesma coqueluche. Pré-adolescentes, conflitos, broncas e curtição a quatro também; tênis, mochilas, diversões, viagens, judô, natação, brinquedos, escola, curso de inglês e de computação. Mimos sem extravagâncias. Conforto sem o luxo desnecessário. Pulso firme na hora certa. Informação na medida certa em amor que é sem medida. Uma busca diária e super dinâmica por uma convivência justa e imparcial. É certo que, de natureza meio impulsiva (meio?! rss)  eu me descabelava quando os via se desentendendo, e também porque até hoje nunca soube lidar bem com desarmonia no lar, minando totalmente as minhas energias. Mas quando eles adoeciam... Eu desacelerava armando-me de uma força, uma calma e paciência tão grandes que assustava até a mim mesma. Era a hora em que eu dizia: Ôpa! Pára tudo!

Tenho saudade daquela época...

Não aquela coisa nostálgica de quem sente falta de algum pedaço, mas um saudosismo gostoso que me remete a um momento especial de enorme afeto, de uma dedicação extremada cuja lembrança me conforta e me diz muito do dever cumprido, o qual eu viveria novamente, do mesmo jeito, com aquela mesma paixão, aquela mesma vontade de me jogar naquela minha escolha clara e lúcida, de dar o melhor de mim, com todos os acertos e os erros que me impulsionavam a acertar de novo. E mais uma vez. E sempre...

Saudade boa. Lembranças que me enchem o coração de satisfação.

Saudade daquela entrega total e irrestrita, daquela cumplicidade, da confiança inocente em mim depositada de forma plena.

Taí! Desse privilégio eu gostei! Obrigada, PAI!

RF.




Herança do Senhor são os filhos;
o fruto do ventre, seu galardão.
(Salmos 127.3)



Jr, Leo, Rico e Beto

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Graças dou!





Graças dou por esta vida,

Pelo bem que revelou.

Graças dou pelo futuro

E por tudo que passou.



Pelas bênçãos derramadas,

Pela dor, pela aflição,

Pela graça revelada,

Graças dou pelo perdão.



Graças pelo azul celeste

E por nuvens que há também.

Pelas rosas do caminho

E os espinhos que ela tem.



Pela escuridão da noite,

Pela estrela que brilhou,

Pela prece respondida

E a esperança que falhou.



Pela Cruz e o Sofrimento

E também Ressurreição

Pelo Amor que é sem medida,

Pela Paz no coração.



Pela lágrima vertida,

E o consolo que é sem par.

Pelo Dom da eterna vida

Sempre graças hei de dar!



(Autor: Isaías Mendes)


Sempre gostei de cantarolar músicas boas porque me enchem de enorme conforto e de uma alegria indizível. Muito antes de inventarem essa coisa gospel importada. Música secular mesmo, como dizem no gueto evangélico. Aliás, nunca gostei de música "de igreja" embora tenha me criado dentro do catolicismo, como já falei outras vezes, e  até  pelo cunho cerimonialista na sua aplicação, talvez ela não tenha atingido meu coração.

Ah, sim, ia me esquecendo... Sempre me atraiu o "canto gregoriano", mas pela harmonia que chega aos meus ouvidos.

Enfim, tenho uma alma musical, tenho a música nas veias, no coração, na família, nos filhos...

Não toco nenhum instrumento, mas sou rodeada de filhos, parentes e amigos que tocam os mais variados instrumentos e estilos musicais, do blues ao rock, do jazz ao rap, do baião à bossa nova.

Todos os dias eu acordo cantarolando uma canção e às vezes a mesma me acompanha até o fim do dia, quem convive comigo até tira onda. E quando é música de louvor - e aqui eu falo de LOUVOR mesmo! -  aí é que eu me sinto mais leve, mais aberta, mais tolerante... Sinto realmente como se estivesse orando duas vezes, como diria Agostinho.

Então eu me reporto ao tempo de quando eu me converti há sete anos, que eu fui sedenta ao pote catando cd´s e dvd´s de músicas gospel para aprender tudo que havia de bom como se quisesse repor um tempo perdido. Coisa de quem tá tomando leite ainda rss. Mas aí depois da empolgação que durou alguns anos veio a inevitável e necessária peneira que nos conduz à maturidade sem que eu tenha deixado de ser, na minha essência, uma eterna apaixonada. 

E este acima foi um dos "louvores" que não só ficou na peneira e que eu canto quase diariamente sendo um dos que mais "me tocaram", pois cada palavra descrita poeticamente nele e que me sai da boca nesse cantarolar, simplesmente fala da força dessa graça maravilhosa em todas as áreas do meu coração, do meu ser, da minha existência. Seja em dia de sol ou em dia nublado e cinzento.

E nesse desnudar da alma, o mais maravilhoso para mim é que esse "louvor"  me traz bem mais pra perto dessa graça maravilhosa nos momentos em que as dores e aflições se sobressaem. Muito mais do que nas alegrias. CREIO que é quando nos prostramos de verdade e caímos em nós diante de tamanha dependência, busca e consequente ACHADO DE DEUS!

Graças dou!

Glórias pois a Ele. Eternamente!

R.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Referências de felicidade




De tudo que li por esses dias sobre o comportamento da mulher, o que me atraiu foi o mesmo questionamento sobre o sorriso cada vez menos estampado nos rostos femininos. Mas como sorrir com uma sobrecarga nas costas? É certo que a trajetória feminina das últimas décadas foi marcada por grandes conquistas, o que não significa exatamente que tenha feito a mulher mais feliz. E isso não é achismo pessoal mas uma constatação do que vivi, ouvi, vi e li acerca de uma irônica e proporcional tristeza em bagagem cada vez mais abarrotada de conquistas. Tristeza causadora/propulsora de quase uma melancolia que é bem mais triste que a própria tristeza, pois tristeza se sabe de onde vem e na melancolia você não consegue localizar o que perdeu.

O certo é que nem a mulher da atualidade ficou mais feliz e nem é verdade que toda garota de 35 anos atrás se projetava no casamento como o maior negócio da sua vida. Quero dizer: há um quê de frustração na "aventura abolicionista de saias" assim como há o famoso golpe do casamento. Em todas as épocas. O que vejo é uma conquista inglória de uma mulher que acumulou mais funções indo à luta por um lugar ao sol no mercado de trabalho para se auto-afirmar, para competir, para ajudar na renda familiar. E hoje, com todos esses anseios realizados ao longo das décadas, conquistados na vida familiar, cultural e social, ela continua ansiosa, angustiada e triste, em desgaste que beira a tortura; enquanto experimenta todos os frutos dessa conquista onde o rigoroso paladar teima em reconhecer/destacar os frutos amargos, vez que toda escolha traz suas consequências; e estes fazem qualquer riso virar careta. Principalmente os produzidos no âmbito pessoal pois é nele que você põe em xeque os seus princípios, seus sentimentos e suas emoções deixando-se fascinar pelos falsos valores que o mundo lá fora aponta fazendo parecer que a vida doméstica e familiar é mero complemento.

Para mim, a grande questão não é a aquisição de coisas e/ou status e sim a justificativa, os motivos, as prioridades. E o que eu percebo é que não tem absolutamente nada a ver com mulher dessa ou daquela geração e sim com valores pessoais colocados numa estranha balança. E no descaso para o clássico e sábio "cada coisa a seu tempo", há uma perigosa e velada inversão de valores onde não trabalhar fora por não ter com quem deixar os filhos e viver conforme as parcas rendas do cônjuge é algo visto de cara feia. Esse equívoco foi um dos grandes desastres que trouxe sérias consequências à família disfuncional que impera nos dias atuais, na qual a busca de conquistas retardatárias enfiando planos originais na gaveta, comprometeram seriamente o casamento, a vida familiar e a maternidade.  Se bem que não podemos generalizar vez que tem mulher “comum” que larga tudo pela suposta realização pessoal e tem mulher famosa que larga a vida de celebridade para cuidar da maternidade, por exemplo.

E também não tenho certas conquistas femininas como algo novo nem tampouco ligado à vida urbana, pois afinal lá no interiorzão do sertão veem-se famílias que há décadas dividem tarefas dando um banho de lição no que diz respeito a equilíbrio e harmonia onde a mulher é verdadeira PhD em localizar/reconhecer com naturalidade o espaço social que ela ocupa sem que para isso fosse necessário um brado aos quatro cantos do mundo empunhando o sutiã como bandeira. Enquanto isso a mulher da cidade conquista o mercado de trabalho e vai ao chope gelado, ao botox e às compras para despistar a depressão que insiste em se instalar devido a uma irônica perda de liberdade; essa mesma mulher moderna que dá boas risadas lá fora, mas quando entra em casa e se olha no espelho estranha a própria imagem de mulher mais bonita, mais independente e bem-sucedida. Aliás, é por essas e outras que esse termo "bem-sucedida" é questionável.

E é claro que a tristeza faz parte do processo natural da existência. Ela tem sua função, assim como só alegria é perigoso/duvidoso. A variedade de emoções é que é o verdadeiro fiel da balança capaz de estabelecer o equilíbrio e para mim o segredo é a mulher usar sempre o bom senso em suas escolhas, vivendo desencanada e LIVRE dessa ânsia desenfreada em comprar, obter e ser o que o mundo competitivo e vaidoso oferece, impõe e exige. Usar o bom senso é a palavra de ordem; sem representar, sem encenar, consumindo, sim, mas de forma leve, necessária, solidária, na medida, sem excessos, cultivando as coisas como um presente, como dádiva. Não existe tratamento antidepressivo mais eficaz. É quando a melancolia impressa na alma e estampada na face... Simplesmente desaparece! E então podemos olhar pra dentro de nossas almas e enfim dar boas risadas. Risadas de quem conquistou a verdadeira liberdade despida de qualquer amarra. Risadas de bem-estar. Risadas de contentamento.

RF.


terça-feira, 18 de maio de 2010

Cactus...





Como se não bastasse toda essa nuvem em cor estonteante sobre a bruta e escura segurança espinhosa, quatro pequenas flores lilazes bem clarinhas parecem rir de minha surpresa ao pousarem suavemente nessas deliciosas plumas em círculo.

É quase como se elas planassem serenas...

É como se flutuassem em constante base giratória. 

Como se tivessem asas em faz-de-conta de rara espécie de borboleta que em meio a tão dinâmicas plumas vermelho-alaranjadas, dão forte impressão de que podem voar.

Mas desconcertante mesmo, é a leveza de ambas, muito bem amparadas por esse emaranhado de espinhos estrategicamente bem posicionados. Espinhos afiados, para proteger; e suculentos, para suprir. Sempre a postos! Alerta e em vigia, se não eterna, enquanto durar tanta delicadeza. Sustentando a própria vida e das flores que carregam em si.

E quase dá pra sentir o seu perfume adocicado.

E quase podemos ouvi-las tagarelar...

Nossa, viajei agora... E não cheirei nada! rss

Mas explico.
Como toda mãe coruja que se preza, todo santo dia eu fico fuçando o Flikr do Jr e hoje me encantei com essa foto em especial. Não que as outras não sejam especiais, afinal sou tiete confessa desse fotógrafo amador não apenas por ser meu filho, mas pela sua sensibilidade e talento. Porém, o que me chama à atenção nessa foto é a singularidade de composição tão despretensiosa que a natureza nos brinda assim... De graça!

Além do mais eu tenho uma atração pelo cacto justamente pela sua história tão incrível, pela sua capacidade de manter-se majestoso, elegante, e literalmente de pé, diante das intempéries.

Curiosamente, a minha familiaridade com o cacto não vem das minhas origens, pois embora tenha nascido no sertão do Araripe, minha vida era muito, digamos, urbana. Meu contato mesmo pra valer, foi quando já casada, fui morar no oeste do Rio Grande do Norte, em uma pequena cidade chamada Umarizal. E não que lá eu tenha residido na zona rural, mas onde tive o enorme prazer de explorar melhor esse lado com bastante interesse, passando inclusive fins de semana incríveis em fazendas de amigos, o que me propiciava esses agradáveis encontros bucólicos. Além de tudo, ouvi muitos causos envolvendo essa planta incrível que é capaz de armazenar água e poder socorrer os desprevenidos andarilhos das caatingas.

Isso mesmo!

Os cactus, embora típicos de lugares áridos, são plantas suculentas e é exatamente onde atuam seus espinhos.

Esse antagonismo simplesmente me fascina!

E me remete a lugares celestiais...

Obrigada, PAI, por esse momento tão especial!

RF.

domingo, 16 de maio de 2010

Fragmentos de uma Carta Aberta...





CARTA ABERTA AOS BISPOS CATÓLICOS DO MUNDO


Hans Küng - Professor emérito de Teologia Ecumênica na Universidade de Tübingen (Alemanha) e presidente do Projeto Ética Mundial.








Joseph Ratzinger, atual Bento XVI, e eu, éramos, entre 1962 e 1965, os dois teólogos mais jovens do Concílio. Agora já somos os mais idosos e os únicos que seguem plenamente na ativa. Eu sempre entendi o meu trabalho teológico também como um serviço à Igreja. Por isso, preocupado com esta nossa Igreja, atolada na crise de confiança mais profunda desde a Reforma, dirijo-lhes uma carta aberta no quinto aniversário do pontificado de Bento XVI. Não tenho outra possibilidade de chegar até vocês.

(...)
Minhas esperanças, e as de tantos católicos e católicas comprometidos, infelizmente, não se realizaram, coisa que fiz saber ao papa Bento de diversas formas em nossa correspondência. Sem dúvida, cumpriu conscienciosamente suas obrigações papais cotidianas e nos brindou com três Encíclicas úteis sobre a fé, a esperança e o amor. Mas, no tocante aos grandes desafios de nosso tempo, seu pontificado se apresenta cada vez mais como o das oportunidades desperdiçadas, não como o das ocasiões aproveitadas:

Desperdiçou-se a oportunidade de um entendimento duradouro com os judeus.
Desperdiçou-se a oportunidade de um diálogo assentado na confiança com os muçulmanos.

Desperdiçou-se a oportunidade da reconciliação com os povos nativos colonizados da América Latina.

Desperdiçou-se a oportunidade de ajudar os povos africanos.

Desperdiçou-se a oportunidade de concluir a paz com as ciências modernas.

Desperdiçou-se a oportunidade de que também o Vaticano faça, finalmente, do espírito do Concílio Vaticano II a bússola da Igreja católica, impulsionando suas reformas.

Este último ponto, estimados bispos, é especialmente grave. Uma e outra vez, este Papa relativiza os textos conciliares e os interpreta de forma retrógrada contra o espírito dos Padres do Concílio. Inclusive se situa expressamente contra o Concílio ecumênico, que, segundo o Direito Canônico, representa a autoridade suprema da Igreja católica:

– Readmitiu incondicionalmente na Igreja os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, ordenados ilegalmente fora da Igreja católica e que não aceitam o Concílio em aspectos fundamentais.

– Apóia com todos os meios a missa medieval tridentina e ele mesmo celebra ocasionalmente a eucaristia em latim e de costas para os fiéis.

Não leva a cabo o entendimento com a Igreja anglicana, assinado em documentos ecumênicos oficiais (ARCIC). Ao contrário, procura atrair para a Igreja católico-romana sacerdotes anglicanos casados renunciando a aplicar a eles o voto do celibato.

Reforçou os poderes eclesiais contrários ao Concílio com a nomeação de altos cargos anticonciliares (na Secretaria de Estado e na Congregação para a Liturgia, entre outros) e bispos reacionários em todo o mundo.

(...)

E agora, às muitas tendências de crise ainda são adicionados escândalos que clamam aos céus: sobretudo o abuso de milhares de meninos e jovens por clérigos – nos Estados Unidos, Irlanda, Alemanha e outros países –, relacionado a uma crise de liderança e confiança sem precedentes. Não se pode silenciar que o sistema de ocultamento posto em prática em todo o mundo diante dos crimes sexuais dos clérigos foi dirigido pela Congregação para a Fé romana do cardeal Ratzinger (1981-2005), na qual, já sob João Paulo II, foram reunidos os casos sob o mais estrito segredo. Ainda em 18 de maio de 2001, Ratzinger enviava um escrito solene sobre os crimes mais graves (Epistula de delitos gravioribus) a todos os bispos. Nela, os casos de abusos se situavam sob o secretum pontificium, cuja revelação pode atrair severas penas canônicas.
(...)
As consequências de todos estes escândalos para a reputação da Igreja católica são devastadoras. Isto é algo que também já foi confirmado por dignitários de alto escalão. Inúmeros padres e educadores de jovens irrepreensíveis e sumamente comprometidos sofrem sob uma suspeita generalizada. Vocês, estimados bispos, devem colocar-se a pergunta de como serão as coisas no futuro em nossa Igreja e em suas dioceses. Contudo, não queria esboçar um programa de reforma; já fiz isso em repetidas ocasiões, antes e depois do Concílio. Apenas queria colocar-lhes seis propostas que, na minha convicção, serão respaldadas por milhões de católicos que carecem de voz.

1. Não calar: em vista de tantas e tão graves irregularidades, o silêncio torna vocês cúmplices. Ali onde consideram que determinadas leis, disposições e medidas são contraproducentes, deveriam, ao contrário, expressá-lo com a maior franqueza. Não enviem a Roma declarações de submissão, mas demandas de reforma!

2. Acometer reformas: na Igreja e no episcopado são muitos os que se queixam de Roma, sem que eles mesmos façam alguma coisa. Mas hoje, quando numa diocese ou paróquia não se vai à missa, quando o trabalho pastoral é ineficaz, quando a abertura às necessidades do mundo limitada, ou quando a cooperação é mínima, não se pode culpar sem mais Roma. Bispo, sacerdote ou leigo, todos e cada um devem fazer algo para a renovação da Igreja em seu âmbito vital, seja maior ou menor. Muitas grandes coisas nas paróquias e na Igreja inteira aconteceram graças à iniciativa de indivíduos ou de pequenos grupos. Como bispos, vocês devem apoiar e alentar tais iniciativas e atender, agora mesmo, as queixas justificadas dos fiéis.

3. Agir colegiadamente: depois de um debate vivo e contra a sustentada oposição da cúria, o Concílio decretou a colegialidade do Papa e dos bispos no sentido dos Atos dos Apóstolos, onde Pedro também não agia sem o colégio apostólico. No entanto, na época pós-conciliar os papas e a cúria ignoraram esta decisão central do Concílio. Desde que o Papa Paulo VI, já no segundo ano do Concílio, publicara uma Encíclica em defesa da discutida lei do celibato, voltou a se exercer a doutrina e a política papal ao estilo antigo, não colegiado. Inclusive na liturgia o Papa é apresentado como autocrata, em relação a quem os bispos, dos quais gosta de se rodear, aparecem como comparsas sem voz nem voto. Portanto, vocês não deveriam, estimados bispos, agir só como indivíduos, mas em comunidade com os demais bispos, com os sacerdotes e com o povo da Igreja, homens e mulheres.

4. A obediência ilimitada só se deve a Deus: todos vocês, ao serem consagrados como bispos, juraram obedecer incondicionalmente ao Papa. Mas vocês sabem igualmente que nunca se deve obediência ilimitada a uma autoridade humana, só a Deus. Por isso, o voto de vocês não deve impedi-los de dizer a verdade sobre a atual crise da Igreja, de suas dioceses e de seus países. Seguindo em tudo o exemplo do apóstolo Paulo, que enfrentou Pedro e teve que se opor “a ele abertamente, pois assumira uma atitude errada” (Gl 2, 11)! Uma pressão sobre as autoridades romanas no espírito da fraternidade cristã pode ser legítima quando estas não concordam com o espírito do Evangelho e sua mensagem. A utilização da linguagem vernacular na liturgia, a modificação das disposições sobre os matrimônios mistos, a afirmação da tolerância, a democracia, os direitos humanos, o entendimento ecumênico e tantas outras coisas só serão alcançados pela tenaz pressão vinda de baixo.

5. Buscar soluções regionais: é frequente que o Vaticano faça ouvidos moucos a demandas justificadas do episcopado, dos sacerdotes e dos leigos. Com tanto maior razão se deve buscar de forma inteligente soluções regionais. Um problema especialmente espinhoso, como vocês sabem, é a lei do celibato, proveniente da Idade Média e que está sendo questionado com razão em todo o mundo precisamente no contexto dos escândalos por abusos sexuais. Uma modificação contra a vontade de Roma parece praticamente impossível. Contudo, isto não nos condena à passividade: um sacerdote que depois de madura reflexão pensa em se casar não tem que renunciar automaticamente ao seu estado se o bispo e a comunidade o apoiarem. Algumas conferências episcopais poderiam proceder a uma solução regional, mesmo que fosse melhor chegar a uma solução para a Igreja em seu conjunto. Portanto:

6. Exigir um Concílio: assim como se requereu um Concílio ecumênico para a realização da reforma litúrgica, da liberdade religiosa, do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, o mesmo acontece com o problema da reforma, que irrompeu agora de forma dramática. O Concílio reformista de Constança, no século anterior à Reforma, aprovou a realização de Concílios a cada cinco anos, disposição que, contudo, foi ignorada pela cúria romana. Sem dúvida, esta fará agora quanto estiver ao seu alcance para impedir um Concílio do qual deve temer uma limitação de seu poder. Em todos vocês está a responsabilidade de impor um Concílio ou ao menos um sínodo episcopal representativo.

(...)
Nesta situação de necessidade, os olhos do mundo estão postos em vocês. Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja católica. A recuperação só valerá a pena se os problemas e as consequentes reformas forem abordados de forma franca e honrada. Peço-lhes, com todo o respeito, que contribuam com o que estiver ao seu alcance, quando for possível em cooperação com o resto dos bispos; mas, se for necessário, também individualmente, com “coragem” apostólica (At 4, 29-31). Deem aos seus fiéis sinais de esperança e alento e à nossa Igreja uma perspectiva.
Saúdo vocês na comunhão da fé cristã, Hans Küng.


Extraído do blog Um Eterno Aprendiz



No final da década de 1960, Küng iniciou uma reflexão rejeitando o dogma da Infalibilidade Papal, publicada no livro Infallible? An Inquiry ("Infalibilidade? Um inquérito") em 18 de janeiro de 1970.

Em consequência disso, em 18 de dezembro de 1979, foi revogada a sua licença pela Igreja Católica Apostólica Romana de oficialmente ensinar teologia em nome dela, mas permaneceu como sacerdote e professor em Tübingen até a sua aposentadoria em 1996.

Em 26 de setembro de 2005, ele e o Papa Bento XVI surpreenderam ao encontrar-se para jantar e discutir teologia.

Küng defende o fim da obrigatoriedade do celibato clerical, maior participação laica e feminina na Igreja Católica e o retorno da teologia baseada na mensagem da Bíblia.

Fonte: Wikipedia
Grifos/negritos meus-RF.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Envelhecimento precoce





Especialistas apontam os refrigerantes como inimigos da saúde, pois carregam boas doses de açúcar e sódio, que favorecem o ganho de peso e retém líquido.

Agora, a ciência aponta mais um motivo para bebê-los com moderação. Uma pesquisa da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, apresenta os altos níveis de fosfato encontrados na bebida como um dos fatores de aceleramento do envelhecimento precoce.

Segundo os pesquisadores, elevados níveis de fosfato podem acelerar os sinais de envelhecimento, aumentando a prevalência de doenças relacionadas com a idade, como doença renal crônica e calcificação cardiovascular, além de induzir à atrofia muscular e da pele.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos do nutriente em 200 voluntários e os resultados foram surpreendentes: dos 200 voluntários avaliados durante seis semanas de pesquisa, 90 apresentaram sinais de envelhecimento celular após consumir dois copos de refrigerante por dia.

60 tiveram sintomas de doença renal, e apenas 40 não sofreram nenhuma alteração com a ingestão da bebida. De acordo com os pesquisadores, quando o fosfato entra no organismo, reage com as substancias responsáveis pelo metabolismo celular acelerando o processo de envelhecimento.

O fosfato é encontrado naturalmente em alguns grãos, leite, gema do ovo, mas é adicionado em quantidades maiores em refrigerantes, chocolates, pirulitos, balas, doces industrializados, sorvetes, ketchup, maionese e pratos prontos, incluindo os congelados.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Just Do It




Os publicitários são pagos para reduzir as coisas à sua essência.

Pegue a campanha publicitária da Nike, por exemplo. Todas as fábricas, representantes de vendas, produtos, energia, custos, lucros e objetivos da campanha foram resumidos pela agência de publicidade ao slogan Just Do It.

Só foram necessárias três palavras para criar uma campanha premiada que provocou um grande impacto nas vendas.

Os fariseus pediram a Jesus que fizesse um resumo dos ensinamentos dos profetas e lhes dissesse qual era a lei mais importante de todas.

Jesus respondeu:

Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro; ame o seu próximo como a si mesmo.

Ele sintetizou milhares de ENSINAMENTOS, escritos e teorias em três linhas. 

Se as pessoas pudessem compreender seus valores centrais, economizariam anos de dúvidas, confusão e energia desperdiçada na tentativa de encontrar a direção de suas vidas.

Jesus dizia essencialmente:

Se você deseja ser feliz, faça essas coisas.


(Fragmentos do livro "Jesus, o maior líder que já existiu" de autoria de Laurie Beth Jones)



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Paciência





Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

A vida não pára...



Enquanto o tempo

Acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora

Vou na valsa

A vida é tão rara...



Enquanto todo mundo

Espera a cura do mal

E a loucura finge

Que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência...



O mundo vai girando

Cada vez mais veloz

A gente espera do mundo

E o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Mesmo quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



(Lenine e Dudu Falcão)
 
 
Como eu comentei em blog "não oficial" do Lenine,   assistia casualmente a reapresentação do "Altas Horas" no domingo, dia das mães e então pude curtir, com bastante satisfação, a participação do Lenine na banda do filho. Sem frescura, sem oba-oba de nenhuma das partes, simplesmente ambos apresentando trabalho excelente.

E ainda como falei lá, não havia entendido o lance do "pãe" achando que o menino era meio órfão (affff matei a mãe do cara rss)

Mas aí, no dia seguinte, minha admiração por ele foi ainda maior quando, conversando com um dos meus filhos, ele contou detalhes da batalha desse homem tão admirável que teve -tem!- uma mulher guerreira que acreditou em sua vitória.

Amei! Que Deus abençõe essa família maravilhosa!

Dos trabalhos dele, a letra acima é uma das que mais curto.

RF.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Crente que tá abafando!




Todo mundo conhece um crente que já cometeu (e comete) no mínimo duas ou três dessas vaciladas abaixo:

Usurpa imagem da net (ui! essa doeu nimim)

- Estaciona em lugar proibido, nas calçadas e até mesmo debaixo das próprias placas de proibição.

- Suborna, ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.

- Troca voto por qualquer coisa: cesta básica, areia, cimento, tijolo, dentadura.

-  Fala ao celular enquanto dirige.

- Trafega pela direita nos acostamentos durante um congestionamento

-  Faz fila dupla, e até tripla, em frente às escolas e outros lugares "bem rapidinho".

- Viola a lei do silêncio.

- Dirige após consumir bebida alcoólica.

- Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

- Espalha mesas, churrasqueira e banca de camelô nas calçadas.

- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.

- Altera documentação bancária em benefício próprio ou de algum familiar.

- Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou $10, pede nota pra $20.

- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.

- Empurra o carro da ribanceira pra receber seguro.

- Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

- Substitui o catalisador do carro por um que de catalisador só tem a casca.

- Se bater num carro estacionado, some fazendo de conta que não tem nada com isso.

- Mente a idade do filho para que passe por baixo da roleta do ônibus sem pagar passagem.

- Falando em mentira, mente que o nariz não sente...

- Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

- Frequenta caça-níqueis e faz fezinha no jogo do bicho.

- Leva da empresa onde trabalha pequenos objetos como clipes, envelopes, canetas, bloquinhos, papel ofício, lápis, como se isso não fosse FURTO.

- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

- FURTA assento de vaso sanitário e papel higiênico de restaurantes e de banheiros públicos.

- Falsifica tudo, tudo mesmo. Só não falsifica o que ainda não foi inventado.

- Quando volta do exterior, nunca fala a verdade quando é arguido sobre o que traz na bagagem.

- Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

- Leva trabalho pra imprimir e livro pra xerocar na empresa em que o pai trabalha.

- Furta, descaradamente, lençóis, tapetes, fronhas, talheres e até quadro de hotéis dizendo que vai levando como lembrancinha.

- Assina tarefa de colega dizendo que é trabalho em equipe.

- E, no domingo, com a melhor indumentária que tem, vai à igreja com cara de santo piedoso “prestar culto” ao SENHOR, e ainda CRENTE que Ele estava distraído. Então, vai pra casa cheio do espírito, e, ao acordar, tudo continua como antes... Até o próximo domingo!

Ih, a lista é grande, mas bora combinar que de todos esses deslizes acima, O PIOR é essa última performance.

RF.



Texto afanado he he he e adaptado daqui --> UOL Mais

sábado, 8 de maio de 2010

Vaidade Pentecostal




Dias atrás, visitando um blog de um amigo,  eu li um comentário no qual havia algumas "advertências sobre vaidades e costumes do mundo atual" sem querer acreditar no que eu ia lendo acerca das veladas proibições sobre maquiagem, tintura de cabelo e tatuagem, entre outras.

Dei meu pitaco sem me conter diante de tanta sandice, pois não dá pra aceitar essa "Doutrina" que absolutamente não cabe no Evangelho da Graça.


"Ultimamente, vem se observando que a vaidade e os costumes do mundo atual estão se alastrando no meio do povo de Deus. A irmandade,em geral, tem responsabilidade perante Deus de se enquadrar na Doutrina".

Primeiro: vaidade não se alastrou. A vaidade está TATUADA no coração do homem desde que o mundo é mundo. O que aumentou foi o número de pessoas.

E vaidade NADA tem a ver com exterioridade. Inclusive acreditar que é pela exterioridade que ela será neutralizada é de uma ingenuidade sem tamanho e ainda estimula a DISSIMULAÇÃO e a HIPOCRISIA. Eis o grande risco!

Aos gálatas insensatos, Paulo fala acerca da escolha entre a Lei e a Graça. Ele alerta! Mas é uma escolha...

O Evangelho ou a Lei, pois os dois são adversos.

Há de se fazer uma escolha para a própria existência ou ficar fadado a viver um eterno equívoco, um eterno "em cima do muro", uma dissimulação sem fim, e, principalmente lá no mais íntimo do próprio ser um auto-engano tão INQUIETANTE que jamais se poderá dizer que tanta confusão mental/psíquica/espiritual seja "em nome de Jesus".

Ora, o que desconcerta qualquer legalista é que a GRAÇA nada exige, 'ela vem livre de amarras, como oferta'.

A GRAÇA é simplesmente um presente pessoal devido ao livre acesso a Deus por meio do DEFINITIVO sacrifício na Cruz feito por todos aqueles que não se submetem mais a pequenos sacrifícios diários como pagamento de vida eterna!

E quando se está na GRAÇA se escolhe andar/ser de maneira graciosa sem listas intermináveis de "pode isso e não pode aquilo" impostas e travestidas de "advertências" como se estivéssemos no Jardim da Infância.

Estamos sim, no Jardim Daquele que nada proíbe, mas que pelo imenso amor e misericórdia, nos dá oportunidades mil todos os dias, a cada respirar - e cá fora dos muros religiosos - para que exercitemos o bom senso, a compaixão, a solidariedade, os sentimentos que não sejam egoistas nem mesquinhos, afugentando para longe a verdadeira vaidade impressa nos corações cegos pelo legalismo.

No AMOR TATUADO NO CORAÇÃO e que não confunde,

Regina



Escute TUDO É VAIDADE de João Alexandre:

Vaidade no comprimento da saia, no cumprimento da lei

Vaidade exigindo prosperidade por ser o filho do Rei

Vaidade se achando a igreja da história

Vaidade pentecostal

Vivendo e correndo atrás do vento, tudo é vaidade

Vaidade juntando a fé e a vergonha chamando todos de irmãos

Vaidade de quem esconde a verdade por ter o povo nas mãos

Vaidade buscando Deus em si mesmo querendo fugir da cruz

Não crendo e sofrendo, perdendo tempo, tudo é vaidade

O falso "chamados apostolados" do lado oposto da fé

Dinheiro, saúde, felicidade aquele que tem contra aquele que é

Rádios, tvs, auditórios lotados ouvindo o evangelho da marcha a ré

A morte se esconde atrás dos templos

Tudo é vaidade

ONDE ESTÁ A HONRA DOS ORGULHOSOS?

A SABEDORIA MORA COM GENTE HUMILDE

LIBERDADE LIBERDADE...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Jesus milagreiro ou Jesus Redentor?




Lendo um texto  na C.P.F.G me atraiu o comentário de um amigo, o qual ouso transcrever abaixo por achar muito interessante a forma literária como ele coloca, além da riqueza de informação, claro. Afinal, cá pra nós... essa dobradinha há de ser perfeita para que meus dois neurônios consigam captar a mensagem (risos) Agradeço ao meu amigo Eduardo Medeiros e espero que haja sempre esse tipo de discussão pois as pessoas têm uma tendência ao VÍCIO, desviando-se do FOCO.



(...) Sabemos que o NT foi escrito em grego, mas o substrato do pensamento ali não é grego, e sim, aramaico ou hebraico.

Os Evangelhos refletem em tudo, o pensamento hebraico do AT. Por exemplo: Marcos e João começam com as palavras do Gênesis "No princípio". Mateus e Lucas também fazem várias referências ao Gênesis.

João, em todos os capítulos, reflete o espírito pousando sobre as águas...

"Água" e "Vida" são repetidos várias vezes: Bodas de Caná, o episódio da Samaritana, a piscina de Siloé, a lança do soldado que faz brotar água da ferida de Jesus.

João afirma explicitamente que Cristo é a criação e a palavra que cria!

Tudo isto é parábola, é símbolo.

Outro exemplo: O da ressurreição da menina relatado por Marcos (Filha de Jairo). O texto em aramaico diz "THALÍTA QÚMI" que é traduzido por "menina, levanta". É o próprio texto de Marcos que traduz a expressão para quem não sabia aramaico.

Mas a expressão vai muito além de "menina, levanta". THALITA, não significa propriamente, "menina", mas "ovelhinha". Logo, a tradução mais exata seria: "Ovelhinha, levanta". Thalita era uma palavra carinhosa, usada para crianças.

O povo hebreu tinha uma relação muito íntima com a ovelha: as ovelhas conheciam o som da flauta do pastor (Jesus vai dizer: "A ovelha conhece a voz do seu pastor”, o que já em si, é simbólico).

Se uma ovelha se extravia, o pastor não descansa até encontrá-la. A ovelha lhe dava lã - agasalho no inverno- e alimento. Isso criava um laço afetivo.

Na ressurreição da menina de 12 anos, esses elementos estão todos simbolicamente presentes: "Ovelhinha, levanta..."  O que também está ligado à parábola do Bom Pastor.

Jesus, como era corrente no seu tempo, usa a palavra "ovelhinha" para chamar carinhosamente a criança.

Tudo isso é muito mais poético, simbólico, com toda a riqueza que produz na alma, do que um fato cru de reportagem do noticiário das 8.

A mensagem aqui é a do pastor que dá a vida pela ovelha.

É a vida que volta e se levanta e sempre se renova.

Outro fator simbólico no texto é a idade da menina - 12.

Na antiguidade, o 12 é o número por excelência do sol (Talvez por que ao meio-dia, 12 horas, o sol está a pino no céu). 12 lembra o giro perpétuo do astro-rei no céu. É o símbolo da vida que sempre se renova.

Para todos os povos antigos, o número 12 retrata a vida, a ressurreição, a eternidade.

Egípcios, babilônicos, aztecas formularam sua filosofia olhando para o céu e para o sol.

O nome kleópatra nos hieróglifos tem 12 símbolos.

Temos as 12 tribos de Israel, os 12 apóstolos - simbolizando a geração perpétua do AT e do NT, os 12 cestos que sobraram na multiplicação dos pães...

Se nós compararmos esse texto com o relato da ressurreição de Dorkas por Pedro nos Atos, podemos ver uma correlação admirável.

Em Atos, a moça morta chamava-se em aramaico THABÍTA. Dorkas é grego. A narrativa segue praticamente todo o esquema do relato da ressurreição de Thalita por Jesus. É só ler e comparar.

Também há a frase: "Thabíta, levante-se". Thabíta vem da raiz hebraica TSEBÍ(beleza, esplendor...) e TSEBI (Gazela).
O paralelismo entre os dois textos é perfeito.

Até o som das palavras são parecidos: THALITA - THABITA. THALITA é criança, THABITSA é moça

Lucas quer mostrar a continuidade da obra de Cristo na Igreja que nascia, através de Pedro e dos discípulos. Cristo ressuscita a thalita(ovelha), Pedro ressuscita a Thabita (gazela).

A semelhança entre os dois relatos é perfeito demais! Um é o eco do outro.

E porque é assim?

Porque ambos os relatos são parábolas simbólicas que dizem muito mais do que a simples leitura literal poderia dizer. (Eduardo Medeiros).

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Sempre que vejo pessoas querendo se benefeciar e "usando" Jesus em proveito pessoal me vem à mente essa passagem espantosamente atual:

"Seguia-o da Galiléia UMA GRANDE MULTIDÃO. Também da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, SABENDO QUANTAS COISAS JESUS FAZIA, veio ter com ele.

Então, recomendou a seus discípulos que sempre lhe tivessem pronto um barquinho, por causa da multidão, a fim de não o comprimirem".

(Cf Mc 3: 7.8.9 - negritos e caps meus-RF)

 




segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cinderela e O Encontro Marcado

Nem parece... Mas foi há exatos 35 anos que ela decidiu ir a determinado baile na pequena cidade onde nasceu para encontrar-se com um belo príncipe que conhecera em outra cidade.

Curtindo os primeiros momentos do modo  leve e descontraído que lhe era peculiar. Com certa pitada de entusiasmo e curiosidade mas intuitivamente  livre de qualquer ansiedade.  Meio que adivinhando um bolo... Afinal o mais interessante de tudo naquela idade era aproveitar a festa com a auto-estima em alta de quem está com tudo e não tem pressa.

Não demorou muito  para acontecer algo que ela nunca sonhou e que, ironicamente, traçaria o seu destino para sempre. Sem poder jamais imaginar, seu coração estava prestes a ser arrebatado ao aproximar-se um rapaz que ela nunca havia visto e perguntando a velha e boa Quer dançar? Ela quis rir daquela cena, afinal já estava no meio do salão com algumas amigas... E dançando! Fazendo-se de engraçadinha e dando de ombros, continuou dançando de frente para ele, ora fazendo trejeitos para as amigas, divertindo-se com aquele cortejo sem saber que segundos depois iniciaria uma música que pedia um dançar juntinho.  Ela não se ligou que havia no ar uma espécie de conspiração para a investida daquele rapaz que nem era bonito, aliás, nem chegava perto da beleza do príncipe do bolo, mas tão silenciosamente envolvente e misterioso que causou-lhe magnetismo imediato, hipnotizando-a. Ainda que ela negasse a si mesma, disfarçando com inquietante indiferença levemente debochada. Bem típico de quem não sabe como lidar com o turbilhão de emoções completamente novas que está por vir.

Talvez por ter sido completamente diferente de todas as outras abordagens, aquela altivez e sutil auto-confiança a tenham fascinado e atraído tanto a sua atenção. Ainda mais com toda a casualidade empurrando-a para seus braços ao som da banda local tocando o que viria a ser a melodia* deles e que, para o resto da vida, se tornaria uma espécie de cúmplice daquele amor selado  com uma cena inusitada: o mais inesperado e inocente beijo depositado em sua testa e que marcaria para sempre o seu coração.

E por apenas alguns minutos esse encontro não caiu no dia exato do aniversário do rapaz tão charmoso . Ele até anunciou-lhe solenemente. Mas, ao olhar o relógio, disse brincando: foi ontem... já estamos no dia quatro. (O que não impediu, entretanto, que eles comemorassem todos os anos seguintes aqueles dois eventos especiais na mesma data)

Ela não sabia, mas naquele instante começava uma vida a dois.

Aquela meia noite se fez como marco zero de início de um novo dia em suas vidas. Sem sapatinho de cristal, pois de fino cristal era aquele amor que eles haveriam de regar todos os dias de suas vidas... Sem carruagem nem abóbora posto que a mágica se fez naquele encontro marcado que mesmo já passando muito da meia noite, nossa Cinderela lá permanecia contrariando o clássico literário, porém tão inocente e feliz quanto a do conto.

Uma Cinderela às avessas que por um acaso que é de Deus, conheceu o verdadeiro amor  vindo a saber o que é felicidade sem pressa e sem amarras.

Uma felicidade plena que só a entrega despretensiosa e incondicional podem proporcionar.

E que dura para sempre...






*Happy man <---clique aqui

Merely by chance

Very unsuspecting
You caught my heart
Unprotecting me
Now I've fallen in love with you

Just when I thought
Life was free and easy
You came along to me
Soft and breezy
Now I've fallen in love with you

(chorus)


And for the first time in my life
I know what it's like to be a happy man
Happy man
And for the first time in my life
You've given me something I can't understand
Now that I'm a happy man


Be with me now
Love me forever
Leaving you lady
Is something that I'd never do
I've fallen in love with you


All of my life it seems I have waited
Now I can say all these words I have stated are true
I've fallen in love with you
I've fallen in love with you

Tradução:

Rapidamente

Sem que eu desconfiasse
Você aprisionou meu coração
E me protegeu
Agora eu estou me apaixonando por você


Justo quando pensei
Estar livre e desempedido
Você veio a mim suave e calmamente
Agora eu estou me apaixonando por você
Me apaixonando por você


E pela primeira vez na minha vida
Eu sei o que é ser: Um homem feliz
E pela primeira vez na minha vida
Você tem me dado algo que posso entender
Como ser um homem feliz

Fique comigo agora
Me ame para sempre
Te abandonar é algo que jamais farei
Eu estou me apaixonando por você
Toda minha vida,parece que estive esperando
Agora posso dizer...todas essas palavras que eu me proibia
Eu estou me apaixonando por você....
 
 
 

sábado, 1 de maio de 2010

Uma cerveja antes do almoço...


Ontem me lembrei dessa música do saudoso Chico Science ao receber o convite para segurar vela no almoço de comemoração de cinco anos de namoro de meu filhote caçula. E não pense que me fiz de rogada nem preparei discurso do tipo, “vou nada, sogra só atrapalha”. Apenas perguntei em tom maroto se eles estavam certos daquilo, mas em seguida corri para me produzir e algum tempo depois lá estávamos os três sentados olhando o mar e tomando uma gelada na antessala enquanto aguardávamos esvaziar uma mesa.

E, diga-se de passagem, que hoje em dia isso se tornou mais raro na minha vidinha pacata e caseira, embora ao mesmo tempo seja inevitável a feliz comparação/lembrança, pois não há nada mais interessante do que sair de casa para um evento assim por querer, por vontade, porque você mesmo escolheu ir, de maneira leve e agradável, e não por ter que obedecer a uma agenda social pesada e forçada. Muitas vezes uma agenda que nem é sua e que torna esses tais almoços executivos terrivelmente indigestos. Blergh!

E aquele momento super agradável me fez refletir o quanto é saudável e prazeroso bebericar uma cerveja geladinha em espera aconchegante, com gente circulando, principalmente em silêncio; pois bora combinar que não há nada mais neurótico do que almoçar nessas tais praças de alimentação de shoppings. Nada contra as praças em si, mas aquele barulho ensurdecedor que você sabe que está ali instalado mas não sabe de onde vem ao certo, é de tirar o apetite de qualquer um. Ah, já sei rss, vou lançar a idéia de plaquinhas com dizeres alusivos a isso, já que esses lugares se tornaram nosso espaço de refeição mais corriqueiro.

Enfim, aquele local era especial para aquele casal porque era um dia especial!

Enquanto conversávamos bobagens sem o menor sinal de pressa, aproxima-se o garçon em seu gesto habitual perguntando se queríamos uma cerveja, e eu que estava um tanto distraída em relação a isso, achei ótima a dica.

Olhei para o casalzinho lindo e perguntei:

- Bora?! – e complementei cantarolando - Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor...

E ali, tomando nossa geladésima, conversamos amenidades, encontramos pessoas conhecidas, com as quais trocamos rápidos e amigáveis abraços e beijos sociais entre palavrinhas expressas ora com um, ora com outro que fosse se aproximando... Ou não!

Falando nisso...

Esse mundo é mesmo um ovo. É sair de casa e esbarrar em gente conhecida. De político a parente de ex-marido, de ex-vizinha de prédio a colega de academia das antigas, tudo em um mesmo lugar no mesmo espaço de tempo, chega a ser até engraçado.

Mas a cerveja antes do almoço...

Então me veio à lembrança de maneira muito forte, o momento especial dos domingos da minha infância e adolescência, quando meu pai tomava sua cervejinha antes do almoço... Para então passar o resto da tarde tirando a boa e merecida soneca!

Nunca vi uma pessoa pra gostar tanto de uma bebida como ele gostava de cerveja e ao mesmo tempo “saber beber”. Havia uma cota e esta ele não ultrapassava, de forma elegante e natural e jamais por qualquer regra ou algum sistema externo que coibisse (risos) Era interno mesmo. Pois ele bem sabia de seus gostos, suas porções... E suas limitações! E bem sabia usá-los como ninguém!

Ele bem sabia...  e beeeem antes do Sience: uma cerveja antes do almoço é muito bom!